Médicos alertam que riscos de doenças
ameaçam sobreviventes
Conforme equipes médicas internacionais
chegam às regiões devastadas pelo terremoto na
Turquia e na Síria, os ferimentos com que os
profissionais se deparam são horripilantes, mas
não surpreendem: ossos quebrados, braços e
pernas esmagados por construções que
desabaram, cortes infectados. Mas isso é apenas
o início para os médicos e paramédicos que
trabalham febrilmente para salvar vidas no
desastre, segundo afirmam especialistas. Nas
próximas semanas, conforme os esforços de
busca se transformarem na lúgubre tarefa de
recuperar corpos, incontáveis sobreviventes
precisarão de remédios para pressão alta,
diabetes e asma que acabaram soterrados.
Muitas grávidas darão à luz em abrigos
improvisados e campos de refugiados. Pacientes
de câncer não receberão tratamento.
Temperaturas congelantes resultam em
sobreviventes sofrendo hipotermia ou
queimaduras de frio nos abrigos. Leitos próximos
nas instalações de acolhimento também podem
levar à disseminação do coronavírus e outros
vírus respiratórios.
E há outro risco: doenças transmitidas
pela água, como cólera, que já apareceu na zona
de guerra no noroeste da Síria em razão da
qualidade ruim da água e do saneamento. “É
uma situação horrível. Não podemos fazer o que
queremos, temos de nos adaptar a uma maneira
completamente diferente de tratar as pessoas. É
uma situação que exige da gente mentalmente e
moralmente”, afirmou Thomas Kirsch, professor
de medicina da Universidade George
Washington, a respeito dos próximos desafios
para os médicos. Paul Spiegel, diretor do Centro
para Saúde Humanitária da Faculdade Johns
Hopkins Bloomberg de Saúde Pública, afirmou
que o período após os esforços de busca e
resgate são cruciais, até dramáticos. “Você vai
salvar muito mais gente garantindo que haja
vigilância e pensando sobre como continuar o
cuidado e a ajuda”.
Esses esforços já estão sendo
coordenados pelo governo turco, pela
Organização Mundial da Saúde e por grupos de
ajuda que enviam regularmente equipes de
emergência para zonas atingidas por terremotos.
Os desafios para fornecer assistência médica são
especialmente desanimadores. O desastre
destruiu hospitais e outras instalações médicas
que poderiam ter sido cruciais no tratamento de
feridos em desmoronamentos de edifícios.
“Estradas arruinadas e intransitáveis não
facilitarão nada as condições para as
organizações médicas”, afirmou Kirsch.
Fonte: Jornal O estado de São Paulo, Edição de 11 de
fevereiro de 2023.
Assinale a alternativa que apresente o tipo
de circunstância estabelecida pelo termo em
destaque no período: Você vai salvar muito
mais gente garantindo que haja vigilância e
pensando sobre como continuar o cuidado e a
ajuda.
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