Questões de Concurso Comentadas sobre vícios da linguagem em português

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Q4210635 Português
Os para-choques de caminhões trazem frases críticas e irônicas.

Assinale a frase que emprega termos da língua falada. 
Alternativas
Q4209848 Português
Um participante de uma conferência dada por um engenheiro civil comentou: O conferencista precisa urgentemente de uma ajuda em língua portuguesa, pois cometeu erros grosseiros; em jamais o chamaria para responsabilizar-se por minhas obras.
Nesse caso, o autor do texto mostra 
Alternativas
Q4208247 Português
Leia o Texto I para responder à questão:

Texto I

O governo agora é obrigado a escrever bem. Por lei.

O que não significa, é claro, que os jargões e o juridiquês vão desaparecer do setor público brasileiro da noite para o dia. Entenda as origens psicológicas e históricas da má comunicação.

    Em novembro de 2025, o governo federal aprovou a Política Nacional de Linguagem Simples. Ela obriga os órgãos públicos a escrever de maneira clara e concisa em formulários, contratos, portais de internet, apps e outros textos que o cidadão precisa entender para, por exemplo, marcar um exame no SUS, matricular uma criança na escola ou pagar a conta de luz. A norma recomenda evitar termos estrangeiros que não sejam de uso corrente, começar os textos com a informação mais importante, sem enrolação, e preferir a voz ativa (por exemplo: “Collor confiscou as poupanças” em vez de “as poupanças foram confiscadas por Collor”). Outras orientações são escolher palavras comuns, de uso cotidiano, evitar jargões e juridiquês e redigir frases curtas, em ordem direta: opte por “as margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico” em vez do original “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante”.
    Uma máquina pública que se expressa com clareza é um pré-requisito para uma democracia saudável. 29% da população brasileira acima de 15 anos é analfabeta funcional: até sabe ler e escrever, mas não consegue, de fato, interpretar um texto.
    Mundo afora, há esforços parecidos. Em junho de 2023, a Organização Internacional de Normalização (ISO) – aquela que emite a certificação ISO 9001 – publicou a primeira norma internacional de Linguagem Simples. A Colômbia aprovou sua legislação sobre o tema em 2014. Nos EUA, em que uma norma desse tipo vigora desde 2010, uma ONG chamada Centro para Linguagem Simples organiza um concurso anual de redação em repartições públicas.
    Infelizmente, tudo que esses conselhos têm de velhos eles têm de ignorados. Só nos EUA, falhas de comunicação custam US$ 1,2 trilhão por ano às empresas. Em um levantamento com 251 gestores, eles estimaram que suas equipes perdem, em média, 7,47 horas por semana por causa de falhas de comunicação. Um outro estudo, feito no Reino Unido, concluiu que o trabalhador médio torra cinco horas por semana esclarecendo o conteúdo de e-mails e mensagens. Uma enquete com 547 empresários revelou que 54% se incomodam com os jargões em suas leituras cotidianas.
    O que torna esses dados preocupantes é que, em geral, ninguém escreve com o objetivo de não se fazer entender. Se todo mundo tenta ser claro, por que existem textos ruins por toda parte? A resposta tem duas camadas. A primeira é psicológica: nós temos vieses cognitivos – bugs de percepção e raciocínio – que nos tornam propensos a escrever mal. A segunda é social: como o vizir egípcio já sabia, falar “bonito” e rebuscado é uma forma de a elite se diferenciar do povo, e esse preconceito deixou uma herança estilística.
    Nem só de boas intenções, porém, nascem os textos ruins. Às vezes, eles são herméticos por escolha. Vide o Hino Nacional, já citado acima. A letra é obra de Osório Duque-Estrada, um poeta parnasiano e bacharel de Direito da USP. Ele pertencia à elite que fundou a República – e era o tipo de brasileiro que, no começo do século 20, escrevia rebuscado de propósito. Em 1907, quando mais de 70% da população brasileira era analfabeta, Osório se opôs a uma reforma ortográfica que ajudaria no ensino do português dizendo que “a corrente erudita há de reagir sempre contra o elemento popular e inconsciente e perturbador da pureza e das boas normas da linguagem”. 
    Diante de um histórico desses, é uma boa não depositar muitas esperanças na Lei Nacional de Linguagem Simples. Ela é um texto, não um milagre. Eliminar os vícios de linguagem do governo brasileiro exigiria uma equipe de redatores grande, caríssima e com paciência essencialmente infinita para dialogar com todos os burocratas. Porém, o simples fato de que essa norma existe é um passo na direção certa. Com algumas décadas de incentivo à boa escrita em Brasília, talvez seja possível espantar o fantasma parnasiano. E tornar o Brasil mais democrático não só na prática, mas também no discurso.


Fonte: VAIANO, Bruno. Superinteressante. 15 de maio de 2026. Página 6. Disponível em: https://www.pressreader.com/brazil/superinteressante/20260515/page/6 . Acesso em: 11 jun. 2026 [Adaptado].
De acordo com as ideias desenvolvidas no Texto I, a produção de textos pouco compreensíveis pode decorrer de diferentes fatores. A esse respeito, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4183733 Português

Maior Sorte


O médico me olhou achando graça.


"Parece até que você está indo ao cinema" comentou sobre meu relaxamento.


Tentei falar que talvez tivesse algo a ver com a epidural, mas as palavras não saíram, e só consegui esboçar um sorriso indeciso. As paredes brancas eram tão claras que me cegavam como se fosse um quarto escuro feito breu, e logo caí num sono profundo. A próxima coisa que me lembro foram os gritos.


Eu os ouvia através de um véu, que tornava o som oco e distante, ainda que me perfurassem. Sua dor, eu acredito, doía mais em mim do que em você.


De repente, como que por mágica, o silêncio reinou.


Olho para baixo e lá está você, com a cabecinha mole que tanto me aterrorizou nos meses seguintes, encostada no meu peito. Você era uma paz que eu nunca soube ter. Apesar do parto tranquilo, você estava virada. O médico não te retirou, como é de praxe, pela cabeça, mas pela sua bundinha de neném. Ele brincou que você nasceu com o bumbum virado pra lua, mas eu sabia que isso não era brincadeira nenhuma. A sua primeira sorte foi ter vindo de mim. O que são casualidades e probabilidades se não esse conceito místico e até vulgar que chamamos de boa ou má sorte? Eu gostaria de entender, mas vou deixar essa para os filósofos. Só sei que a calmaria do seu nascimento foi um presságio de todos os trevos de quatro folhas que você encontraria ao longo da vida. A sua segunda sorte deve ter sido como nunca te deixei cair de maneira fatal, como você sempre atravessou a rua de forma segura, mesmo que soltasse as minhas mãos, que nunca deixaram de buscar as suas, e que por sua vez só buscavam independência. Para ficar vivo, necessita-se de uma baita sorte. E, por te ter comigo, ganhei na loteria.


MAGALHÃES, Lívia Batista. Maior sorte. In: MALULY, Luciano Victor Barros; MUÑOZ, Daniel Azevedo; TÔZO, Carla de Oliveira (org.). Crônicas para ler e ouvir: número 2. São Paulo: ECA-USP, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 095/1000/3699 . Acesso em: 14 abr. 2026.

Um estudante, ao reescrever trechos do texto com o objetivo de praticá-los em outros contextos, produziu as frases abaixo. Considere as afirmativas sobre os vícios de linguagem presentes nessas reescritas:


I.Na frase "A narradora subiu acima para ver o bebê", o emprego de subiu acima constitui pleonasmo vicioso, pois a ideia de direção ascendente já está contida no próprio verbo subir, tornando acima semanticamente redundante.

II.Na frase "Vi a mãe segurar a filha com os seus olhos marejados", há ambiguidade estrutural, pois a locução com os seus olhos marejados pode ser interpretada como adjunto da mãe ou como adjunto da filha, sem que o contexto resolva a dúvida.

III.Na frase "O nascimento dela foi lindo, lindo, lindo", a repetição de lindo configura eco, vício que ocorre quando há repetição de sons ou palavras em sequência sem intenção estilística reconhecível.


É CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q4093851 Português
ÁGUA: 27 TESES SUBVERSIVAS


Mercantilização avança e multiplica as crises hídricas. Há alternativa: tratar abastecimento como direito universal e converter as fontes em Bens Comuns Globais. Eis um possível caminho. O artigo é de Riccardo Petrella, cientista político e economista italiano com doutorado em ciências políticas e sociais da Universidade de Florença (Itália), publicado por Outras Palavras, 24-03-2018. A tradução é de Inês Castilho.


Segue o texto.


Tese 1. A água é um elemento natural indispensável e insubstituível para todas as formas de vida, todas as espécies vivas (seres humanos, espécies microbianas, vegetais e animais). A água é a própria vida. Enquanto tal ela deve ser salvaguardada e protegida. A vida tem em si um valor absoluto. Ela vale porque ela é. Isso significa que quando se entra no domínio dos direitos não se deve apenas falar do direito humano à água, mas também do direito da própria água à vida, à sua regeneração, sua integridade, seu bom estado ecológico. Fonte de vida, a água é também, não nos esqueçamos, fonte de doenças, de calamidades e de cada vez mais antrópica.

Tese 2. Nenhuma forma de vida pode manter-se sem água. A vida sobre a Terra começou pela água, no meio aquático e só depois fora dele. No plano humano, o recurso à água não é uma questão de escolha ou de preferência em função de necessidades individuais diversas ou modos de vida coletiva, mas uma necessidade vital a ser satisfeita, na igualdade e responsabilidade. A água não é e nem pode ser considerada uma mercadoria, um "recurso"/coisa que se vende ou se compra, apropriável a título privado (quer seja de natureza privada ou pública ou mista). Todo Estado ou organização política internacional intergovernamental que reconheça ou trate a água (e os serviços hídricos) como uma mercadoria apropriável posiciona-se fora do campo do respeito à água como vida e do Estado de direitos. O direito de propriedade privada e pública existe mas estimamos que, no caso da água para a vida, ninguém, nem mesmo o Estado, pode considerar-se proprietário. É necessário sobretudo falar de responsabilidade e de garantia. [...]

Tese 3. Todos os seres humanos e todas as outras espécies vivas têm direito à água na quantidade e qualidade suficientes para a vida. Da mesma forma, para além de qualquer abordagem antropocêntrica e tecnoprodutivista, a água também tem seus direitos à vida, ao seu bom estado ecológico. Daí a importância fundamental de uma política da água a serviço da salvaguarda, do cuidado e da defesa da vida e do direito à vida que vá além das concepções funcionalistas instrumentais da água a serviço da vida e do bem-estar dos seres humanos. Exemplo: o tratamento/descontaminação das águas usadas é essencial no quadro de um manejo sustentável das diferentes fases do ciclo longo da água. Significa não somente para permitir aos outros humanos recaptar a água "boa" regenerada para suas necessidades, mas também permitir a regeneração da água e da vida dos ecossistemas enquanto tais. Assim, é preciso que os investimentos coletivos no tratamento/saneamento da água sejam públicos e, no caso de capitais privados estarem associados, é preciso impedir que as prioridades de investimento nos diferentes setores de tratamento e reciclagem sejam definidos em função dos rendimentos financeiros dos capitais e do princípio "o poluidor paga". Nesse caso, a tendência "natural", em obediência ao princípio da rentabilidade, seria favorecer o tratamento e a reciclagem dos usos mais poluentes da água, o que é incompatível com o princípio da vida.

Tese 4. O princípio "o poluidor paga", imposto e aplicado à água a partir do fim dos anos 1980 deve ser revisto. A experiência demonstra que é ineficaz, inadequado e mistificador. A maioria das poluições e contaminações das águas das últimas décadas fragiliza as estruturas microbianas dos seres vivos, em nível dos indivíduos (inclusive seres humanos), das espécies e dos ecossistemas. Os danos consequentes são em sua maioria irreversíveis, irreparáveis ou demandam longos períodos de tratamento e de custos consideráveis. Nesse caso, impor um pagamento ao poluidor para reparar um dano "existencial" irreparável faz pouco sentido. A opção mais sábia e coerente é simplesmente a proibição de usos poluentes e contaminações irreparáveis. [...]

Tese 8. Cabe aos Estados, assumir a responsabilidade coletiva − em nome do povo, dos povos − da garantia do direito à água potável e ao saneamento, assegurando a cobertura do conjunto de custos monetários (e não monetários) ligados à realização adequada do direito, segundo o princípio da gratuidade. No contexto da economia pública dos direitos humanos, a gratuidade não significa ausência de custos a serem cobertos, mas fica a cargo da comunidade através de tributação geral progressiva e redistributiva. É o caso dos custos, também consideráveis, do direito à segurança. As despesas militares estão a cargo do Estado. Predominante desde os anos 80, esse princípio foi gradual, mas sistematicamente substituído pelo princípio do financiamento da água pelo preço pago pelo consumidor, como qualquer outro bem ou serviço mercantil, industrial, privado. [...]


(Disponível em:
https://ihu.unisinos.br/publicacoes/78-noticias/577376-agua-27-teses-su
bversivas. Acesso em: 04 mai. 2026. Adaptado.
No excerto a seguir, o "porque" foi corretamente grafado:
"A vida tem em si um valor absoluto. Ela vale porque ela é."
A esse respeito, analise as sentenças a seguir:

I.A gestão pública precisa entender por que se deve apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais, para melhorar a gestão da água e do saneamento.
II.Promover a educação da população quanto ao uso consciente da água tem vários porquês , incluindo o fato de que, sabendo usar, não vai faltar.
III.Assegurar retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce para enfrentar a escassez de água por quê?
IV.Por quê é preciso reduzir substancialmente o número de pessoas que sofrem com a escassez de água?

Está correto o uso em:
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FURB Órgão: SED-SC Prova: FURB - 2026 - SED-SC - Administrador |
Q4080348 Português

Entenda o que é a linguagem simples, um movimento pela comunicação mais acessível


A linguagem simples é um conjunto de técnicas usadas para deixar as mensagens mais compreensíveis ao maior número possível de pessoas. Ela começou na administração pública e é considerada um direito civil. A Constituição do Brasil garante o direito à informação. Esse direito exige o uso de palavras conhecidas, de textos claros, concisos e escritos na forma direta, ou seja, mais próximos da linguagem que as pessoas usam no cotidiano. 


(Fonte: TV Senado, 2024 − Adaptado).


Como um dos resultados desse movimento, nasce a Lei n.º 15.263/2025 (Política Nacional de Linguagem Simples). A Secretaria de Educação (SED) está buscando adequar sua comunicação institucional às novas diretrizes. Durante uma reunião do Grupo de Trabalho de Linguagem Simples, um colega apresenta para análise o seguinte comunicado feito aos pais:


•    "Comunicamos a todes os responsáveis que a realização da matrícula dos alunos, a qual, em virtude das novas diretrizes curriculares do município, faz-se indispensável, deve ocorrer até o deadline estipulado pela SME."


À luz do que estabelece o Art. 5º da Lei n.º 15.263/2025, assinale a alternativa que descreve exatamente as práticas presentes no trecho anterior que contrariam as diretrizes e técnicas da Linguagem Simples:

Alternativas
Q4069416 Português

O “JURIDIQUÊS” EM TEXTOS JURÍDICOS


Uma linguagem evasiva, com o uso recorrente e desnecessário de adjetivos e advérbios, bem como de expressões ambíguas, termos rebuscados, excesso de latinismo, frases redundantes e parágrafos longos, conhecida como “juridiquês”, quando adotada por operadores do Direito, pode comprometer o entendimento, sobre tudo do cidadão comum, e até mesmo tornar-se uma barreira para o acesso à Justiça. Fonte: TRF 3ª Regiãohttps://www.trf3.jus.br.Acesso em 15-04-2026. 

De acordo com o texto, o juridiquês atrapalha o entendimento, principalmente do cidadão que não tem vivência com esses termos no dia a dia. Nesse sentido, compreende-se que:
Alternativas
Q4016538 Português

TEXTOS I E II PARA A QUESTÃO



TEXTO I


Uma revolução sem gramática



Professor honorário de linguística da Universidade do País de Gales, David Crystal é uma das maiores autoridades em linguagem. Autor de A Revolução da Linguagem, falou à VEJA, em 2007, sobre os impactos da internet no uso da língua e sobre o desaparecimento de línguas no mundo.


A internet está mudando o caráter das línguas?


Em cinquenta ou cem anos, todas as línguas que usam a internet serão diferentes. Surge o netspeak, ou comunicação mediada pelo computador. Ainda é cedo para prever a extensão dessa mudança, pois transformações linguísticas levam tempo. A distância entre Chaucer e Shakespeare, separados por duzentos anos, ilustra isso. O e-mail é recente. Há novidades gráficas e no uso de emoticons, mas não uma nova gramática. Poucas palavras foram incorporadas ao inglês por causa da internet, sem alterar seu caráter.


A informalidade é uma característica do netspeak?


Sim, por enquanto. O fenômeno começou com os nerds da internet, que viam a rede como alternativa à comunicação formal. Ignoravam pontuação e ortografia. Com a popularização da internet, essa informalidade se espalhou, especialmente nos e-mails. Hoje, com usuários mais velhos, a comunicação tende a se tornar novamente mais formal.


Por que tantas línguas estão desaparecendo?


O principal motivo é a assimilação cultural causada pela globalização. Línguas majoritárias suprimem idiomas menores. Não apenas o inglês, mas também chinês, russo, hindi e suahili ameaçam línguas de pequenas comunidades. A preservação depende de políticas regionais que valorizem a diversidade.


O que se perde quando uma língua morre?


Perde-se uma forma única de ver o mundo. Cada língua expressa uma visão própria, ligada à história, ao ambiente e ao modo de pensar de uma comunidade. A linguagem é o meio fundamental de comunicar essa experiência humana.


O inglês ameaça o português?


Não. Todas as línguas incorporam palavras estrangeiras. O inglês tomou empréstimos de mais de 350 línguas, o que ampliou sua expressividade. Palavras estrangeiras não substituem as existentes, coexistem com elas. Assim, a língua evolui e se enriquece.


MARINHO, Janice Helena Chaves; DACONTI, Geruza Corrêa; CUNHA, Gustavo Ximenes. O texto e sua tipologia: fundamentos e aplicações. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2012, p. 42–44. Adaptado.




                          TEXTO II


                                                              

Disponível em: https://blogdoaftm.com.br/charge-geracao-internet/ . Acesso em: 05 fev. 2026.

No texto “Uma revolução sem gramática”, afirma-se que o inglês incorporou palavras de mais de 350 línguas ao longo de sua história. Processo semelhante ocorre no português contemporâneo, por meio de diferentes mecanismos de incorporação lexical.
Analise os exemplos a seguir:
I. Futebol, bife, estresse, líder
II. Arranha-céu, fim de semana, carta branca
III. Aplicação (no sentido de programa digital), rede (no sentido informacional)
IV. Printar, deletar, downloadar
V. USB, Wi-Fi, CEO, HTML
VI. Delivery → entrega, mouse → rato
Assinale a alternativa que associa CORRETAMENTE cada conjunto ao respectivo mecanismo linguístico.
Alternativas
Q3965354 Português
Vícios de linguagem correspondem a expressões ou estruturas linguísticas que contrariam as regras da gramática normativa. Com base nos conhecimentos sobre desvios da norma-culta, analise as frases a seguir:
1.No almoço de domingo, eles prepararam uma pizza de calabreza, que deixaram o prato saboroso.
2.Os cidadões participaram da reunião da prefeitura para discutir melhorias na cidade e apresentar suas sugestões.
3.Ela está meia triste, sem vontade de falar com ninguém.

Nas três frases, identifica-se o vício de linguagem denominado:
Alternativas
Q3884971 Português
As frases abaixo mostram o pecado do excesso de palavras na escrita.
Assinale a frase em que a modificação proposta para o termo sublinhado mostra adequação.
Alternativas
Q4113087 Português

Cuidado, os sabichões querem seu cérebro!


Sabichonismo é uma doença que explora e

agrava nossa insegurança com a língua


Sérgio Rodrigues



O sabichonismo linguístico é uma doença social oportunista que se aproveita da insegurança do falante médio, intimidado com a normatividade da língua, para convencê‑lo de que contraria regras em série — todas imaginárias.


Por exemplo: “É pleonasmo vicioso dizer que um filme é baseado em fatos reais. Todo fato é real; se não for real, não é fato!”, grita o sabichão. (Por alguma razão, sabichões gostam de gritar)


É mentira dele, claro: além de existir algo que se chama ênfase, o mundo sempre foi cheio de fatos falsos, para não mencionar os hipotéticos, os fictícios, os que dependem de fé etc.


Mesmo assim, é comum que o fato sabichão seja acolhido. O mecanismo psíquico que nos leva a encarar quem nos “corrige” como detentor de um saber superior é o mesmo que garante o sucesso internético de vídeos como “você bebeu água errado a vida inteira: aprenda”.


Sim, todo mundo sempre usou a expressão “dois pesos e duas medidas”, de impecáveis credenciais bíblicas. Não há nada nela, sob nenhum aspecto, que esteja errado: refere‑se a dois pesos (para a farinha) e duas medidas (para o tecido), artimanhas de comerciante desonesto. Aí vem o sabichão e, por saber pouco, anuncia na praça: “O certo é um peso e duas medidas!”.


O sabichonismo pode ser do tipo literalista, que eu chamo de podólatra da letra: “Não existe gol de bola parada, bola parada não entra”; “Risco de vida está errado, o certo é risco de morte”.


Também pode ter corte lógico‑matemático, encrencado com a dupla negativa do português: “Se você diz que não viu nada, então viu alguma coisa”. Pode ser purista, amalucado: “O certo é ab‑rupto”.


O único objetivo do sabichonismo é afirmar a posição de poder de quem o exerce. Embora seja muitas vezes diletante, seu caráter falsamente educativo faz com que assuma com frequência a forma de atividade profissional, caso em que provoca estragos maiores.


Como regra, sabichões exercem o sabichonismo por convicção. Estão convencidos da sabedoria de sua bobagem, que gostariam de ver abraçada por todos. No entanto, sobretudo nos casos em que a atividade produz ganho material, não se deve descartar a hipótese da má‑fé.


A fragilidade do organismo social de que o sabichonismo tira partido — a autoconfiança precária que, como povo, sentimos diante de uma língua que é nossa e ao mesmo tempo não é — acaba, sob seus ataques, por se agravar.


Quando nos deixamos convencer de que o certo é “esculpido em Carrara” — em vez de “cuspido e escarrado”, bela versão lusófona de uma ideia presente no inglês “spitting image” e em outras línguas —, podemos ter a sensação inebriante de que nada no mundo é o que parece.


Contentes de descobrir tal joia perdida do conhecimento universal — “O certo é quem tem boca vaia Roma, buuu!” —, saímos espalhando a boa nova.


E assim o sabichão cumpre o seu papel final, reprodutivo, que é o mesmo dos zumbis: comer o cérebro do maior número possível de pessoas para transformá‑las em sabichonas também.


Todo cuidado com ele!



FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo,


Cotidiano, 1 maio 2025, p. A 41 (adaptado).

Quanto à classificação das figuras de linguagem, analise o texto a seguir.

O(A) __________ faz‑se presente na frase “O sabichonismo linguístico é uma doença social oportunista”. Ao dizer que o sabichonismo é uma “doença social oportunista”, não se está falando de uma doença real, no sentido médico, mas comparando esse comportamento a uma doença que se instala onde há fragilidade social.
No trecho “O certo é quem tem boca vaia Roma, buuu! —, saímos espalhando a boa nova.”, a __________ tem função expressiva, pois reproduz o som da vaia, e também discursiva, pois enfatiza a crítica contida na reformulação do provérbio.
Na passagem “É pleonasmo vicioso dizer que um filme é baseado em fatos reais. Todo fato é real; se não for real, não é fato!, grita o sabichão.”, o autor está se referindo a uma repetição desnecessária de ideias ou palavras, ou seja, uma __________, considerada um erro de linguagem chamada de pleonasmo vicioso.

Assinale a sequência que preenche correta e respectivamente as lacunas do texto anterior.
Alternativas
Q3614223 Português
Vícios de linguagem são desvios ou inadequações em expressões e construções linguísticas que contrariam as normas da gramática normativa. Sua ocorrência geralmente decorre da desatenção do enunciador ou do desconhecimento das convenções da norma culta.
Entre os vícios de linguagem, destaca-se o barbarismo, que pode ser identificado no enunciado da seguinte alternativa:
Alternativas
Q3592234 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Do morango do amor ao pudim: por que brasileiros gostam tanto de açúcar


Do morango do amor aos brigadeiros gourmet, passando pelos bolos de pote e ovos de Páscoa recheados, o Brasil viveu sucessivas "febres" de doces.


Mas, afinal, por que os brasileiros gostam tanto de açúcar?


A história do açúcar no Brasil começa séculos atrás, bem antes dos doces modernos, e tem relação direta com a colonização portuguesa.


A cana-de-açúcar, de onde boa parte do açúcar utilizado no país é extraído, é originária da Papua Nova Guiné, na Oceania. 


Mas, durante muito tempo, a oferta de açúcar era bem limitada e ficava restrita às farmácias, onde havia uso na formulação de remédios ou como tônico para dar energia.


Isso começou a mudar a partir do século 14, quando Portugal investiu nas suas primeiras grandes plantações de cana-de-açúcar na Ilha de Madeira, modelo que foi expandido para o Brasil — em uma escala ainda maior — a partir do século


O açúcar, então, se tornou a grande commodity da então colônia portuguesa, que dependia da mão-de-obra dos escravizados nas lavouras e nos engenhos.


Em seu livro História da Alimentação no Brasil, o historiador Luís da Câmara Cascudo estima que, entre 1583 e 1587, os 66 engenhos de Pernambuco produziram quase 3 mil toneladas de açúcar. 


Ainda que boa parte dessa produção fosse exportada pra Europa, a facilidade no acesso ao açúcar no Brasil influenciou diretamente as receitas de bolos e outras sobremesas, além das conservas e compotas com frutas.


"No século 16, você já começa a perceber a alteração através dos livros de receitas das rainhas, principalmente, a alteração de receitas que eram feitas com mel ou tinham uma outra configuração. Por exemplo, o manjar branco, que antes era um prato que não era feito nem com açúcar nem mel, passa a ser feito com açúcar", explica a historiadora e professora da USP Vera Ferlini.


"Gradativamente, o açúcar vai entrando como um elemento da dieta e da constituição de um receituário, principalmente conventual, de doces, que são os que nós conhecemos: os fios de ovos, vários tipos de pasteis, esses doces com massas, o pão de ló e tudo aquilo que ainda encontramos na doçaria portuguesa. Então a doçaria brasileira vai ser uma herdeira dessa doçaria portuguesa", acrescenta.


Houve ainda a influência dos africanos e dos indígenas, que de acordo com a pesquisa de Câmara Cascudo, preferiam o gosto que vinha direto da cana, de frutas como o cupuaçu, o açaí, o guaraná e o caju, ou dos favos de mel das abelhas.


Mesmo hoje, séculos depois, o Brasil continua sendo o maior exportador de açúcar do mundo.


A partir do século 20, a relação do brasileiro com o açúcar se diversificou. A industrialização dos alimentos trouxe novos produtos à mesa: refrigerantes, bolachas recheadas e o leite condensado.


Em 2021, em uma reportagem da BBC Brasil, a Nestlé disse — citando dados de uma pesquisa do Kantar Ibope, realizada em 2020 — que o leite condensado estava presente na casa de 94% dos brasileiros, que consomem em média 6 quilos e meio de leite condensado por ano.


 A empresa, que é uma das maiores fabricantes do produto, afirma que o leite condensado é parte de cerca de 60% das sobremesas feitas no Brasil, um número sem paralelo em nenhum outro país.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cp3eqv91x1vo

"O açúcar, então, se tornou a grande commodity da então colônia portuguesa, que dependia da mão-de-obra dos escravizados nas lavouras e nos engenhos."


Os vícios de linguagem são erros gramaticais causados por descuido ou falta de conhecimento das normas em diversos níveis da língua.


No trecho acima, observa-se um vício de linguagem denominado:

Alternativas
Q3565504 Português
"O côndor sobrevoava as montanhas imponentes, enquanto o pesquisador finalizava o relatório com sua rúbrica no canto da última página."
Os vícios linguísticos frequentemente são observáveis tanto na modalidade escrita quanto na oral. No trecho acima, por exemplo, observa-se um vício de linguagem denominado:
Alternativas
Q3542624 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Governo federal atualiza regras para ampliar contratação de mulheres em situação de violência doméstica

Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) aperfeiçoou alguns pontos da Política de Cotas para Mulheres em Situação de Violência Doméstica nas Contratações Públicas para tornar a iniciativa mais ampla e eficiente. O Decreto nº 12.516/2025 foi publicado nesta quarta-feira (18/06), no Diário Oficial da União, e trouxe algumas atualizações ao texto do Decreto nº 11.430/2023. A nova norma deixa mais claro que os 8% das vagas reservadas a mulheres em situação de violência doméstica correspondem ao percentual mínimo exigido nos contratos de serviços terceirizados dos órgãos federais, podendo ser maior, a critério do órgão contratante.

Dessa forma, as mudanças estimulam que mais mulheres em situação de violência doméstica possam ser incluídas nos contratos. A atualização no texto reforça ainda que a reserva de vagas pode ser aplicada em qualquer contrato, não se restringindo àqueles com 25 ou mais empregados, nos quais a aplicação é obrigatória. Em contratos com quantidade menor de empregados, é admitida a previsão de percentual inferior a 8%.

"O Governo federal incentiva a aplicação da política em qualquer contrato de terceirização. O propósito da nova redação é deixar isso mais claro para os órgãos e entidades parceiros", explica Cristina Mori, secretária executiva do MGI.

O foco da política está na promoção da empregabilidade e na inclusão socioeconômica de mulheres em situação de violência doméstica por meio da reserva de vagas em contratos terceirizados celebrados com a Administração Pública Federal. A política é executada com base em parcerias interfederativas, principalmente na seleção e acompanhamento das mulheres. Até o momento, 17 unidades da federação aderiram à política. Com as novas medidas, a expectativa do governo federal é ampliar o seu alcance, beneficiando um número ainda maior de mulheres em situação de violência doméstica em todo o país.

Entre as atualizações também está a adoção do Acordo de Adesão como instrumento jurídico para a implementação da política com os entes federativos, em substituição ao Acordo de Cooperação Técnica, que vinha sendo utilizado. A mudança permite mais agilidade no trâmite do processo de formalização das parcerias, o que deve contribuir para o aumento do número de estados interessados em aderir à iniciativa do governo federal.

O novo decreto reforça a proteção da privacidade e dignidade das mulheres atendidas pela política, de duas formas:

1) proíbe que as empresas exijam diretamente das mulheres documentação que comprove a sua situação de violência;

2) esclarece que apenas candidatas encaminhadas pelas unidades especializadas na gestão ou atendimento às mulheres em situação de violência podem ser selecionadas. Essas instituições são os chamados Organismos de Políticas para Mulheres (OPMs), como as Secretaria de Mulheres nos estados e municípios. "Isso previne constrangimentos e possíveis impactos emocionais negativos", complementa a secretária.

As 17 unidades da federação que já aderiram à iniciativa são Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Tocantins.


https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/noticias/2025/junho/governo-f ederal-atualiza-regras-para-ampliar-contratacao-de-mulheres-em-situac ao-de-violencia-domestica
Os vícios de linguagem são erros ou construções inadequadas que fogem à norma-padrão da língua e comprometem a clareza da comunicação. Eles geralmente ocorrem de forma não intencional e devem ser evitados, especialmente em contextos formais ou em situações que exigem o uso correto da língua portuguesa. Com base nisso, analise as frases a seguir:

I. Cheguei na sua casa ontem à noite.
II. Eles não confirmaram-me isso.
III. A rúbrica no canto do contrato confirma que o cliente leu todas as cláusulas.
IV. Ficamos anciosos com a demora da resposta.

Quanto ao vício de linguagem presente nos trechos, identifique a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3506568 Português
 O Dilema da Abelha


Participei de uma aula de culinária. Tudo ia bem até que uma abelha apareceu voando pela sala. Um alerta gerou uma discussão: mata ou não mata? Uma moça ergueu o pano, a outra pediu calma. A chef, incrédula, dizia que abelhas não entram ali. E a abelha, alheia, seguia seu voo.


O conflito crescia. Surgiram opiniões: matar, capturar, esperar. Cada voz, uma visão. Onze pessoas, onze reações. Pensei: se isso acontece com uma abelha, imagine com temas sérios. Vozes se exaltavam. A moça insistia nos golpes, a abelha escapava com agilidade.


Finalmente, uma rajada de vento a empurrou para fora. A chef concluiu: "Saiu por onde entrou!" E eu me perguntava: isso é realmente importante?


Meu amigo brincou: culinária ou apicultura? Respondi: para mim, foi uma aula sobre relações humanas.


Antonio Carlos Sarmento - Texto Adaptado


https://cronicaseagudas.com/2022/07/23/o-dilema-da-abelha/
No trecho final do texto "O Dilema da Abelha", observa-se o uso coloquial da linguagem, sem, contudo, comprometer a correção gramatical ou o efeito de sentido. Com base nos conceitos de vícios de linguagem, assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q3265828 Português
Algumas vezes escrevemos palavras desnecessárias em função de o sentido delas já estar contido em outra palavra da frase. Assinale a opção que apresenta a frase em que a palavra sublinhada se mostra desnecessária.
Alternativas
Q3261727 Português

Quando o professor tenta ensinar o que ele próprio não domina


    O linguista Sírio Possenti, professor da Unicamp, reproduziu semana passada em seu Facebook a chamada de uma dessas páginas de português que pululam na internet: “16 palavras em português que todo mundo erra o plural”.

    Comentário de Possenti, preciso: “Pessoas querem ensinar português ‘correto’ mas não conseguem formular o enunciado segundo as regras que defendem (ou defenderiam)”. Convém explicar.

    A língua padrão que as páginas de português buscam ensinar obrigaria o redator a escrever “palavras cujo plural todo mundo erra”. Ou quem sabe, mexendo mais na frase para evitar o já raro cujo, “casos de palavras em que todo mundo erra o plural”.

    A forma que usou, com o “que” introduzindo a oração subordinada, chama-se “relativa cortadora” – por cortar a preposição – e é consagrada na linguagem oral: todo mundo diz “o sabor que eu gosto”, mesmo que ao escrever use o padrão “o sabor de que eu gosto”.

    O problema com o caso apontado por Possenti não é tanto a gramática, mas a desconexão de forma e conteúdo – a pretensão do instrutor de impor um código que ele próprio demonstra não dominar.

    No discurso midiático sobre a língua, isso é mato. Muitas vezes o normativismo mais intransigente é apregoado por quem não consegue nem pagar a taxa de inscrição no clube. “Português é o que nossa página fala sobre!”

    Mesmo assim, o episódio de agora me deixou pensativo. E se o problema do conservadorismo que não está à altura de si mesmo for além das páginas de português? Poderia ser essa uma constante cultural em nosso paisão mal letrado, descalço e fascinado por trajes a rigor? Só um levantamento amplo poderia confirmar a tese. Seguem dois casos restritos, mas factuais.

    Em abril de 2022, o então presidente do Superior Tribunal Militar (STM), general Luís Carlos Gomes Mattos, submeteu a gramática a sevícias severas ao protestar contra a revelação, pelo historiador Carlos Fico, de áudios em que o STM debatia casos de tortura durante a ditadura de 1964.

    “Somos abissolutamente (sic) transparente (sic) nos nossos julgamento (sic)”, disse o general. “Então aquilo aí (sic), a gente já sabe os motivos do porquê (sic) que isso tem acontecendo (sic) agora, nesses últimos dias aí, seguidamente, por várias direções, querendo atingir Forças Armadas...”

    Gomes Mattos enfatizou ainda a importância de cuidar “da disciplina, da hierarquia que são nossos pilares (das) nossas Forças Armadas”. Mas disciplina e hierarquia não deveriam ser princípios organizadores da linguagem também? Que conservadorismo é esse?

    No início de fevereiro, o reitor da USP publicou uma nota em resposta a uma coluna em que Conrado Hübner Mendes fazia críticas ao STF. Frisando o fato evidente de que a coluna de Mendes expressava a opinião de Mendes, não da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior escreveu que “a liberdade de cátedra se trata de prerrogativa exclusiva dos docentes”.

    Sim, é verdade que a expressão impessoal “tratar-se de” tem sido usada por aí com sujeito, como se fosse um “ser” de gravata-borboleta. Trata-se de mais um caso de hipercorreção, fenômeno que nasce do cruzamento da insegurança linguística com nossas velhas bacharelices.

    Não é menos verdadeiro que a norma culta do português (ainda?) condena com firmeza esse uso, o que torna digna de nota sua presença num comunicado público emitido pelo mais alto escalão da universidade mais importante do país.


(RODRIGUES, SÉRGIO. Quando o professor tenta ensinar o que ele próprio não domina. Jornal Folha de S. Paulo, 2024.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em: janeiro de 2025. Adaptado.)

Um exemplo de enunciado que ilustra o comentário do professor Sírio Possenti se encontra na seguinte passagem do texto: 
Alternativas
Q3213073 Português
Os divórcios motivados pelo vício em bets e jogo do tigrinho:

'Meu marido vendeu nossa casa' (Ian Alves)

Felipe ainda não decidiu se vai contar ou não para sua esposa, Valentina, seu problema com as bets, as plataformas de aposta esportiva. Ou melhor, ex-esposa: embora ainda conversem e Felipe acredite que possam reatar, ela o deixou ________ 6 meses, depois de um relacionamento de 12 anos, junto com o filho de 10 anos do casal.

O problema, segundo Felipe, não foram apenas os cerca de 40 mil reais gastos em apostas que ele perdeu sem dar explicações ________ companheira, mas também seu comportamento ausente dentro de casa: "A mente de um jogador se torna obscura. Eu não conseguia mais desempenhar meu papel em casa, meu papel como pai. Não brincava mais com meu filho e parei de conversar direito com ela”. Desconfiando que as dívidas do marido estariam ligadas a um relacionamento com outra mulher, sua esposa decidiu se separar.

A história de Felipe ressoa nos relatos da advogada Audrey Cardoso Scattolin. Ela diz que, em 2022 e 2023, os divórcios motivados por vício nos jogos de azar, como o “jogo do tigrinho”, representam cerca de 80% dos casos de seu escritório. Para uma das clientes de Scattolin, a gota d’água para a decisão do divórcio foi ver o ex-marido apresentando o jogo do tigrinho para o filho de 12 anos.

A advogada também acumula histórias de clientes cujos cônjuges perderam centenas de milhares de reais, além de bens como carro e até a casa da família. Vários se envolveram com agiotas para pagar __________ dívidas e para continuar jogando. Desde a pandemia, as bets e os jogos de azar ficaram cada vez mais presentes no cotidiano dos brasileiros.

Especialistas apontam que parte do que tornou as bets tão populares no Brasil foi a exploração de uma paixão nacional, o futebol. Outro aspecto central é a ilusão de ganho de dinheiro fácil. Essa promessa atrai especialmente usuários de baixa renda, que passam a ver no jogo uma possibilidade de mudança de sua situação financeira.

(Os nomes originais das pessoas envolvidas com o vício do jogo foram alterados para preservar a identidade dos entrevistados.)


(https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy4l4p8dy3lo, com adaptações)
Sobre as informações textuais, assinale a alternativa com a informação correta.
Alternativas
Q3205688 Português

Leia com atenção as afirmativas abaixo:


I. Salvo algumas excessões, todos cumpriram devidamente o código de ética.


II. As servidoras público devem seguir as diretrizes éticas com rigor.


III. É fundamental agir com ética moral no serviço público.


IV. O chefe estará entrando em contato com os servidores para discutir os novos procedimentos.


V. Os gestores devem assistir aos servidores com mais atenção às suas necessidades.



Em quais das afirmativas lidas há o emprego do vício de linguagem conhecido como solecismo? 

Alternativas
Respostas
1: C
2: B
3: B
4: B
5: E
6: D
7: D
8: B
9: D
10: B
11: C
12: C
13: C
14: A
15: C
16: D
17: C
18: B
19: C
20: B