Questões de Concurso
Sobre variação linguística em português
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Texto 2
Doutor Félix
Para o pensamento geral, bom advogado é aquele que participa do Tribunal do Júri Popular. Advogado bom de tribuna logo cai na graça do povo. “Viu como ele fala? Tem medo não. O promotor se levantou também e, se o juiz não entra no meio! Sei não, a coisa ficaria feia.” [...]
O público ouvia com atenção e não se ouvia um pio na assistência, mesmo porque não era galinheiro. Ninguém duvidava da condenação, mas a curiosidade era grande. O que iria fazer doutor Félix? Como iria sair daquela? Ele, sempre competente, acostumado a ganhar, na certa iria perder aquela batalha.
[...]
ISAIAS, Davi. Crônicas da Goiabeira – volume I. Goiânia: 2008. Editora
América.

Nesse comunicado há uma palavra mal-empregada, que é:
Leia o texto para responder à questão.
Uma aluna de pedagogia que trabalha de dia em uma casa lotérica me relatou isto: um cliente, já idoso, sempre a procurava para fazer o jogo e um dia lhe disse: “Moça, qual é a sua graça?”. Ela ficou sem entender e sem saber o que responder. Só mais tarde percebeu que a pergunta era: “Qual é o seu nome?”
(Bortoni Ricardo, 2004)
– Ana Lúcia, seu pai ainda está viajando?
– Está.
– Mentirosa! Sua mãe é desquitada.
Ficou impotente diante da palavra desconhecida. [...]
Desquitada. Passou dias tentando solucionar sozinha. Seria uma coisa como burra, feia? Não, não parecia. Flor? Flor parecia, mas não explicava nada: orquídeas, rosas, sempre-vivas, desquitadas... Parecia. “Mentirosa! Sua mãe é desquitada!” Tita dissera como quem diz o quê? o quê? o quê? sem-vergonha. Sim!, como quem diz sem-vergonha: olhando de frente e esperando um tapa.
[...]
– Mamãe, o que é desquitada? – atirou rápida com uma voz sem timbre.
[...]
– Desquitada é quando o marido vai embora e a mãe fica cuidando dos filhos.
[...] Bom, que desquitada não fosse um insulto. Bom mesmo. Deixava-a livre para pensar e não pensar, coisa tão difícil que
– Marido é o pai? – ela quis confirmar, conquistando áreas que as outras crianças tinham naturalmente. A mãe sorriu e confirmou.
Tita sabia dizer “papai” porque a mãe não era desquitada – ia Ana Lúcia aprendendo, descobrindo. Havia muita coisa em que pensar naquela conversa. Por exemplo: o que ela chama de marido é o que eu chamo de pai. Essa é uma diferença entre mãe e filha.
Ela sabia cada vez mais.
ÂNGELO, Ivan. In: Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 261 (Adaptado).
A sinonímia entre “marido e pai”, nesse contexto, dá-se em função da variação linguística
Leia a charge a seguir:

Legenda:
A dor começa acima do mucumbu, vai subindo até o meio das pazes e responde aqui na titela.
Pela leitura da charge, é possível analisar CORRETAMENTE que:
A variação linguística refere-se às diferentes modalidades do uso da língua em diferentes contextos sociais, culturais, geográficos e situacionais. Relativamente à variação diacrônica, analise as assertivas:
I. A variação diacrônica é uma modalidade de variação linguística que se refere às mudanças que ocorrem na língua ao longo do tempo, ou seja, a evolução histórica da língua.
II. A variação diacrônica envolve várias dimensões da língua, incluindo vocabulário, gramática, pronúncia e estrutura da língua.
Pode-se afirmar que:
Texto 01
A ousadia (ou tolice) de tentar fazer diferente

Disponível em: https://vidasimples.com. Acesso em: 18 abr. 2023.
Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio
O poema não utiliza a gramática normativa. Assim, assinale a alternativa que utilize um conceito da sociolinguística para explica a linguagem utilizada no poema.
TEXTO III
Leia este capítulo de Machado de Assis na íntegra e responda ao que se pede:
“Capítulo LXXI
O senão do livro
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contracção cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
E caem! - Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar... Heis de cair.”
ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Antofágica,2022.
Observe a seguinte situação hipotética:
“Em uma aula sobre variabilidade linguística, o professor de Língua Portuguesa aproveita o texto acima para comparar os usos de linguagem de hoje com o uso da época de Machado de Assis, fazendo com que os alunos percebam e identifiquem algumas diferenças de emprego.” Essa diferença de uso deve ser apresentada aos alunos como uma variante, eminentemente:
Papos
- Me disseram...
- Disseram-me.
- Hein?
- O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?
- O quê?
- Digo-te que você...
- O “te” e o “você” não combinam.
- Lhe digo?
- Também não. O que você ia me dizer?
- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
- Partir-te a cara.
- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
- É para o seu bem.
- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
- O quê?
- O mato.
- Que mato?
- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
- Eu só estava querendo…
- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
- No caso... não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-loias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que me dás. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
- Por quê?
- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.
Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
A situação retratada no texto, de correções sobre a fala de uma das personagens, demonstra uma atribuição de valores à forma culta da linguagem, em detrimento da forma coloquial. Tal atribuição é evidenciada no trecho:
https://www.diarionline.com.br/?s=noticia&id=134679
A fala do personagem Chico Bento (último balão) reproduz uma variante linguística recorrente na fala de brasileiros, pertencentes a determinadas regiões do país. Essa estrutura caracteriza-se por variantes:
I. O texto se encontra redigido de acordo com a variedade formal da língua.
II. O autor emprega, em várias situações, vocábulos pertinentes à variedade coloquial.
III. A abordagem do autor estigmatiza a inteligência artificial, uma vez que ele demonstra ter ojeriza a tal tipo de inteligência.
IV. Um alerta é evidente, no texto, para que as pessoas não se deixem dominar pela inteligência artificial, embora ela traga benefícios à humanidade.
V. Essa tecnologia deverá ser usada para um possível controle dos fins dos tempos.
Estão corretos apenas os itens:
Morfologia é a parte da gramática que estuda as palavras, desde a sua estrutura e formação até as suas formas de flexão. As palavras se organizam em dez categorias, que são conhecidas como classes de palavras. As classes gramaticais se organizam em 10 classificações, sendo 6 variáveis: substantivo, verbo, adjetivo, artigo, numeral, pronome, substantivo, verbo. E 4 classes invariáveis em gênero e em número: advérbio, conjunção, interjeição, preposição.
(Morfologia - Língua Portuguesa - Toda Matéria (todamateria.com.br))
Nesse contexto, analise o fragmento textual seguinte, com o código V (Verdadeiro) ou F (Falso):
"Na linguagem coloquial brasileira, o verbo constrói-se, em tal acepção, de preferência, com objeto direto (cf.: assistir o jogo, um filme), e escritores modernos têm dado acolhida à regência gramaticalmente condenada. Enquanto na linguagem padrão, escrevem-se textos científicos, técnicos usando o jargão de cada profissão, portanto, evitando-se o coloquialismo, buscando sempre predominância da linguagem culta − padrão". (...) (Adaptado)
(BAGNO, M. A. A língua de Eulália: novela sociolinguística. S. Paulo. Contexto. 2000, p. 107-108).
(__)A frase nominal (não oracional): "Na linguagem coloquial brasileira" − é formada, respectivamente, por contração prepositiva, substantivo e adjetivos.
(__)No segmento: "o verbo constrói-se, em tal acepção, de preferência, com objeto direto" − temos, respectivamente: artigo definido, substantivo, verbo e pronome posposto ao verbo; as vírgulas separam expressão entre o verbo e seu complemento indireto.
(__)Todos os termos da série: "se"; "em"; "de" são invariáveis em gênero e em número.
(__)Entre os componentes do período: "técnicos usando o jargão de cada profissão, portanto, evitando-se o coloquialismo", - temos: verbos na forma nominal do gerúndio, duas vírgulas separando um termo coesivo - "portanto" − entre duas orações.
Marque a alternativa com a opção correta.
Analise as assertivas com o código V (Verdadeiro) ou F (Falso):
I.Os adjetivos pátrios são os que caracterizam as pessoas ou as coisas de acordo com suas origens, considerando países, continentes, cidades, regiões, entre outros. Ex: Africano, italiano, catarinense, paulista.
II.Os adjetivos eruditos são formados de radicais latinos na sua forma original. Exemplos: Fidelíssimo; descente.
III.As variações linguísticas são as diferenças que uma língua apresenta mediante fatores como a região e as condições culturais ou sociais onde ela é usada. Por exemplo, existem variações na língua portuguesa falada no Brasil e em Portugal. Os tipos de variações linguística são: 1. Geográficas, como os regionalismos. 2. Históricas, como o português falado na era medieval em relação ao português atual. 3. Social, como os termos técnicos usados por profissionais. 4. Situacionais, como as gírias.
IV.Explícitos e implícitos numa tênue fronteira -Toda unidade de conteúdo, capaz de ser decodificada, possui, necessariamente, no enunciado, um suporte linguístico qualquer. Esse suporte possui na própria superfície estrutural uma unidade de conteúdo - simples ou não - que envolve aspectos lexicais, sintáticos, semânticos e pragmáticos. Ele tem também uma ancoragem, caracterizadora de todos os conteúdos explícitos, mas igualmente de certos tipos dos conteúdos implícitos (pressupostos e subentendidos).
Marque a alternativa com a sequência CORRETA: