Questões de Concurso
Sobre uso das aspas em português
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Manual de Procedimentos para Assessorias em Santa
Catarina (com adaptações).
Com base no texto e em seus aspectos linguísticos, julgue o item.
O uso de aspas em “nesse ritmo que estou correndo não aguento nem 10 minutos” (linhas 34 e 35) e em “overtraining” (linha 37) seguiu a mesma regra gramatical.
Aposto que você já atinou para o problemão pré-histórico que isto representa: as pessoas que os europeus encontraram ao ancorar seus navios em Porto Seguro 517 anos atrás, por mais morenas que fossem, não tinham nada de africanas. Sua aparência – em especial o formato do crânio e os olhos que popularmente descreveríamos como “puxados” – lembra muito mais a de gente do nordeste da Ásia. [LOPES, Reinaldo José. 1499: o Brasil antes de Cabral. Rio de Janeiro: Harper Collins, 2017. P.40]
Na passagem em análise, as aspas têm a seguinte função:
I. Na linha 08, o emprego das aspas demarca um título. II. As vírgulas hachuradas na linha 34 e 35 separam uma oração que adiciona uma informação que restringe o significado do termo anterior, pois sem ela o seu sentido não estaria completo. III. Na linha 42, o emprego dos dois pontos insere uma explicação de uma ideia exposta anteriormente.
Quais estão corretas?
No que se refere aos sentidos do texto CB3A1, julgue o item a seguir.
No quarto período do primeiro parágrafo, as aspas no
vocábulo ‘arte’ indicam o questionamento feito pelo autor a
respeito de corpos dissecados constituírem objetos de arte.
I. Salientar palavras de outras línguas – estrangeirismos – usadas dentro de um período. III. Indicar – algumas vezes de forma irônica – o emprego de palavras em sentido diverso do que lhe é habitual. III. Isolar o discurso de um personagem em textos narrativos. Geralmente isso ocorre quando se trata de discursos únicos, de pouca extensão.

CAZO. Disponível em: https://www.ji.com.br/artigo/charge-dodia-2084. Acesso em: 20 ago. 2022.
Nessa charge, as aspas foram empregadas para


Nessas “chegadas” forçadas, conjectura-se que Catharina Rosa Pereira de Jesus, a “Catharina Mina”, tenha ancorado no porto de São Luís na primeira metade do século XIX.


Instrução: A questão seguinte refere-se ao texto abaixo. O destaque ao longo do texto está citado nas questão.
Para estudar, o papel vence a tela

(Disponível em: Mariana Ferrari, ISTOÉ Independente (istoe.com.br) – texto adaptado especialmente para esta
prova).
( ) A vírgula da linha 01, assim como o segundo par de vírgulas da linha 08 – hachuradas no texto – separam adjunto adverbiais.
( ) Segundo o autor, as aspas são usadas para pôr em evidência expressões que devem ser destacadas, como se observa nas ocorrências entre as linhas 05 e 08.
( ) Os dois-pontos utilizados na linha 04, de acordo com o citado autor, precede uma citação, tornando-se, pois, obrigatório o uso.
A ordem correta de preenchimento correto dos parênteses, de cima para baixo, é:
Leia o Texto I, a seguir, para responder à questão.
Texto I
Passado muito tempo, resolvi tentar falar […]. Ainda recordo da palavra que escolhi: arado […]. Gostava do som redondo, fácil e ruidoso que tinha ao ser anunciado. “Vou trabalhar no arado.” “Vou arar a terra.” “Seria bom ter um arado novo, esse arado está troncho e velho.” O som que deixou minha boca era uma aberração, uma desordem, como se no lugar do pedaço perdido da língua tivesse um ovo quente. Era um arado torto, deformado, que penetrava a terra de tal forma a deixá-la infértil, destruída, dilacerada. Tentei outras vezes, sozinha, dizer a mesma palavra, e depois outras, tentar restituir a fala ao meu corpo […].
Fonte: VIEIRA JR., Itamar. Torto Arado. 12 reimpressão. São Paulo: Ed. Todavia,2021. p. 127.
Natal
É noite de Natal, e estou sozinho na casa de um amigo, que foi para a fazenda. Mais tarde talvez saia. Mas vou me deixando ficar sozinho, numa confortável melancolia, na casa quieta e cômoda. Dou alguns telefonemas, abraço à distância alguns amigos. Essas poucas vozes, de homem e de mulher, que respondem alegremente à minha, são quentes, e me fazem bem. “Feliz Natal, muitas felicidades”; dizemos essas coisas simples com afetuoso calor; dizemos e creio que sentimos, e como sentimos, merecemos. Feliz Natal!
Desembrulho a garrafa que um amigo teve a lembrança de me mandar ontem; vou lá dentro, abro a geladeira, preparo um uísque, e venho me sentar no jardinzinho, perto das folhagens úmidas. Sinto‐me bem, oferecendo‐me este copo, na casa silenciosa, nessa noite de rua quieta. Este jardinzinho tem o encanto sábio e agreste da dona da casa que o formou. É um pequeno espaço folhudo e florido de cores, que parece respirar; tem a vida misteriosa das moitas perdidas, um gosto de roça, uma alegria meio caipira de verdes, vermelhos e amarelos.
Penso, sem saudade nem mágoa, no ano que passou. Há nele uma sombra dolorosa; evoco‐a neste momento, sozinho, com uma espécie de religiosa emoção. Há também no fundo da paisagem escura e desarrumada desse ano, uma clara mancha de sol. Bebo silenciosamente a essas imagens da morte e da vida; dentro de mim elas são irmãs. Penso em outras pessoas. Sinto uma grande ternura pelas pessoas; sou um homem sozinho, numa noite quieta, junto de folhagens úmidas, bebendo gravemente em honra de muitas pessoas.
De repente um carro começa a buzinar com força, junto ao meu portão. Talvez seja algum amigo que venha me desejar Feliz Natal ou convidar para ir a algum lugar. Hesito ainda um instante; ninguém pode pensar que eu esteja em casa a esta hora. Mas a buzina é insistente. Levanto‐me com certo alvoroço, olho a rua, e sorrio; é um caminhão de lixo. Está tão carregado, que nem se pode fechar; tão carregado como se trouxesse todo o lixo do ano que passou, todo o lixo da vida que se vai vivendo. Bonito presente de Natal!
O motorista buzina ainda algumas vezes, olhando uma janela do sobrado vizinho. Lembro‐me de ter visto naquela janela uma jovem mulata de vermelho, sempre a cantarolar e espiar a rua. É certamente a ela quem procura o motorista retardatário; mas a janela permanece fechada e escura. Ele movimenta com violência seu grande carro negro e sujo; parte com ruído, estremecendo a rua.
Volto à minha paz, e ao meu uísque. Mas a frustração do lixeiro, e a minha também, quebraram o encanto solitário da noite de Natal. Fecho a casa e saio devagar; vou humildemente filar uma fatia de presunto e de alegria na casa de uma família amiga.
(Rubem Braga. In: 200 Crônicas Escolhidas. Editora Record, 2010. Adaptado.)
Uma foca solitária
Perdi a hora no quinto dia e acordei surpreso. Um raio de sol entrava pela janelinha. Ao sair, não queria crer nos meus olhos: “navegando em mar de azeite”, diria mais tarde pelo rádio. Sem um pingo de vento, ou um centímetro de onda sequer, era difícil imaginar que fosse o mesmo Atlântico de uns dias atrás. Mais que tudo, era surpreendente o silêncio, a sensação de vácuo nos ouvidos, depois de quatro dias ensurdecedores. Podia, finalmente, sentir o barco andar com a força de minhas remadas, e ouvir o ruído da proa deslizando para longe da África.
Uma nova gaivota me fazia companhia. Muito engraçada, chegou a me pregar alguns sustos com seus grunhidos que pare ciam vozes humanas a distância. Pousada na água, esperava que eu passasse junto dela e, quando me afastava, levantava voo e pousava mais à frente, exatamente por onde eu voltaria a passar.
Divertida brincadeira que me distraía enquanto atravessava horas seguidas de trabalho. Encerrei o dia com uma anotação no diário: “O mais belo pôr do sol da história”.
(KLINK, Amyr. Cem dias entre céu e mar. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. Adaptado.)
