Questões de Concurso
Sobre uso da vírgula em português
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A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.
Sir Galahad, IA e a educação
Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio
Há uma cena hilária e muito conhecida no filme Em Busca do Cálice Sagrado, do grupo Monty Python, em que dois guardas de um castelo veem Sir Galahad se aproximar à distância. Porém, toda vez que olham para o cavaleiro avançando, ele parece estar no mesmo lugar. Até que, de repente, ele atinge um dos guardas com sua espada e invade o castelo, como se tivesse aparecido do nada.
É assim que percebo a atitude de muitos professores em relação ao advento, para o grande público, dos chats de inteligência artificial, os modelos de linguagem de grande escala (large language model ou LLM), das quais ouvimos falar por todo lado. Importante dizer que me coloco aqui sob uma perspectiva específica: a de professor de filosofia em uma faculdade de educação (no caso, a FE-USP), que lida com ingressantes no curso de pedagogia e alunos de outras unidades que cursam licenciatura conosco. Em suma, estudantes interessados na profissão docente, e que são apresentados à literatura filosófica, parte da tradição teórica dos estudos em educação. Trabalhamos, portanto, com textos, e produzimos textos a partir deles.
Em outras áreas, especialmente nas ciências exatas ou aplicadas, talvez a situação seja diferente, e a chegada de Galahad esteja sendo percebida razoavelmente bem, de forma a não pegar ninguém de surpresa. No âmbito das humanidades, porém, e em especial na área de educação, isso parece não ser verdade. Muitas vezes, quando ocorre uma discussão sobre o tema, ela é marcada por trivialidades, moralismo e indignação. Afinal, como é possível que uma máquina, ou um programa, substitua o pensamento, esse atributo até então irredutivelmente humano? Como redes neuronais frias ousam ocupar o espaço da inefável capacidade criativa das pessoas? São críticas recorrentes, que não impediram, no passado, a disseminação das calculadoras, dos computadores pessoais e das redes (anti)sociais, por mais que possamos, em muitos aspectos, lamentar o mundo que criaram.
Raramente aprofundamos nossas discussões sobre os impactos da abertura do uso desses chatbots na forma como nossos alunos produzem seus textos, um fantasma que agora lança dúvidas sobre a “autenticidade” do material que lemos e corrigimos. As considerações, quando existem, quase sempre se dirigem à condenação de seu uso, e à invenção de meios de identificar quando ele ocorre (curiosamente, usando outras ferramentas de inteligência artificial). Afinal, um trabalho feito com auxílio de IA flertaria perigosamente com a malandragem, enganando o professor no justo instante em que se depara com o texto exemplar, cumpridor de todas as exigências de rigor e correção de linguagem. Um evidente crime de lesa-magistério. O texto áspero e com ruído passa a ser, então, a garantia precária de sua provável “humanidade”.
Esse é um problema, de fato. No entanto, não é o problema de fundo. Porque ainda estamos falando de meios: o aluno produz um texto usando IA para responder a uma demanda nossa. No limite, é certo, o trabalho apresentado pode ter sido feito sem qualquer reflexão pessoal ou empenho, sem realmente ser “dele”. Porém, o problema de fundo é outro: o uso generalizado das IAs, em suas diversas formas, e sua crescente ubiquidade deveriam nos fazer pensar, nós, professores (especialmente os de humanidades, que lidam com cânones e tradições literárias), no significado daquilo que pedimos aos nossos alunos, a partir do momento em que tal pedido pode ser realizado (e de forma bem melhor, se soubermos usar corretamente os prompts) por uma máquina. Como ficam o paper, o ensaio, o livro ou o capítulo “na era de sua reprodutibilidade técnica”? (Walter Benjamin tratou da reprodução da obra de arte e do simulacro; hoje, lidamos com a criação artificial de originais dotados até mesmo de aura.)
Por fim, ainda que nenhum aluno utilize tais recursos, e todos os trabalhos que pedimos sejam realizados a partir de livros e artigos – IA free – a questão permanece: se uma máquina pode fazer melhor, com mais rigor e correção, aquilo que pedimos ao aluno, não estaríamos equivocados em pedir o que pedimos? Se um programa é capaz de extrair insights, correlações e respostas de textos de forma mais eficaz do que um humano, qual o sentido (e não digo que ele não exista: precisa então ser esclarecido) de pedir ao aluno que o faça? (Veja-se, por exemplo, o recém-lançado Google NotebookLM, que gera tais resultados a partir do conteúdo fornecido pelo usuário e é capaz de criar um podcast extremamente realista a partir desse material.) Será que temos aqui algo semelhante à exigência de não usarmos calculadoras, para preservar nossa capacidade de fazer contas de cabeça? Ou, então, à proibição do uso de celulares em sala de aula, válida nas séries iniciais, mas desde sempre superada no ensino superior? (Pois muitos alunos leem no celular os textos – digitalizados – que indicamos.)
O uso massivo das IAs desafia a maneira como entendemos a produção e avaliação do conhecimento.
Responder a tais desafios de maneira reativa e moralista implica ver a banda passar. Só haverá algum espaço para nossas concepções românticas de produção intelectual – que incidem diretamente em nosso modo de avaliá-la – com seus insights únicos e originais, se aprendermos a buscar essa originalidade no uso de tais ferramentas. Sua rejeição bem-intencionada, mas inócua, ou a aceitação irrefletida, mas inepta, não são opções válidas para nós, professores.
Porque, afinal, Sir Galahad vem chegando.
Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 25 out. 2024.
Leia o excerto a seguir.
Esse é um problema, de fato. No entanto, não é o problema de fundo. Porque ainda estamos falando de meios: o aluno produz um texto usando IA para responder a uma demanda nossa.
Sobre as relações sintático-semânticas do português escrito padrão e o uso da pontuação no excerto, avalie as assertivas abaixo.
I. O segundo ponto pode ser substituído por uma vírgula, mas provocará alteração de sentido.
II. O segundo ponto é utilizado por uma motivação exclusivamente estilística.
III. A primeira vírgula não é obrigatória, por se tratar de uma expressão adverbial, mas foi utilizada a fim de proporcionar clareza à ideia.
IV. No segundo período, deveria existir uma vírgula depois do substantivo “problema” para manter o paralelismo sintático com o período anterior.
V. No terceiro período, os dois-pontos não podem ser substituídos por vírgula.
Das assertivas, estão corretas as dos itens
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.
A paralisação das pesquisas com inteligência artificial
Diogo Cortiz
Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.
No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.
A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder.
A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento.
O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los.
Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes.
Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas.
O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas.
Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)
Considere o trecho reproduzido a seguir.
[...] pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.
Sobre a pontuação desse trecho, considerando-se as relações sintático-semânticas da língua portuguesa, é correto afirmar:
O emprego da vírgula pode ocorrer em diferentes situações. Assinale a alternativa que apresenta a justificativa CORRETA para a separação da expressão 'para o homem'.
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.
IA de Quebrada: periferias precisam dominá-la para não serem dominadas
Veny Santos
Há que se dominar o saber antes que ele domine o ser e se torne capaz de produzir, moldar e condicionar imaginários a ponto de instrumentalizar o indivíduo — e não o contrário. Faz-se indispensável um elemento básico, tão escasso a depender de determinadas condições sociais: acesso.
Hoje, despejam-se em anúncios toneladas de ofertas de cursos sobre inteligência artificial, na maioria dos casos com foco em negócios e na eterna corrida para ser o mais competitivo. Porém, em se tratando de uma ferramenta tão nova e de veloz desenvolvimento, basta já torná-la, desde o início, um conhecimento deveras exclusivo para justificar seu valor? Não basta.
Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas.
Uma fotografia. O Windows era 1998, mas o ano 2002. Um garoto, no auge dos seus 15 anos, concluía o que, à época, em seu bairro de periferia, parecia ser o auge da oportunidade para o futuro: o curso básico de computação. Tirando os quatro computadores, a infraestrutura em nada era inédita. Tratava-se da sala de uma casa, simples em sua materialidade, mas já deslumbrante e sofisticada na atmosfera moderna e digital que passava. Escrever, criar tabelas, organizar apresentações. Foi assim que aprendeu a utilizar o pacote Office.
O pai contou moedas, literalmente, para honrar as mensalidades. Ele, que se orgulhava de ter concluído um curso de datilografia na sua juventude, agora imaginava o filho digitando com a mesma destreza frases e mais frases num teclado outro. A chance de aprender a operacionalizar aquela tecnologia que prometia — e, de certa forma, cumpriu tal promessa —inserir a humanidade em uma nova era mudou sua relação com o saber.
Permitiu ao menino imaginar possibilidades de uso do computador e seus softwares para além da passividade desejada por quem resumia tal treinamento apenas à preparação para o mercado de trabalho. Também era, mas não só, até porque, sabe-se bem, este mercado diz privilegiar mentes criativas, entretanto pouco contribui para a emancipação técnica das massas.
A inteligência artificial precisa ser dominada nas quebradas, sem medo, mas com parcimônia. Cada região periférica não pode, mais uma vez, ficar à margem do que já é elemento central do desenvolvimento tecnológico e cujos impactos serão sociais, políticos, econômicos, culturais e psicológicos. Quanto a este último elemento, reforça-se o alerta para os cuidados com a própria relação subjetiva que as pessoas passam a ter com tal ferramenta. Como será impactada a elaboração do imaginário das novas gerações já ligadas a esta inteligência? Como serão condicionadas as cognições diante da ferramenta que busca ser o mais humana possível?
Sem treinamento, orientação, reflexão e regulamentação, o uso da IA se manterá restrito e, quando chegar às periferias, provavelmente dominará as mentes criativas podando seus imaginários e empacotando-os como mercadoria para uma realidade de trabalho limitante e exploratória.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em 15 Out. 2024.
A questão refere-se ao trecho reproduzido a seguir.
Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas.
Sobre a pontuação do trecho, considerando-se as relações sintático-semânticas da língua portuguesa, é correto afirmar:
A questão refere-se ao texto abaixo.
A cidade contemporânea e a invisibilidade de quem envelhece sozinho
No Japão, a expressão kodokushi — utilizada para definir mortes solitárias — deixou de representar um fenômeno periférico e hoje ocupa posição central no debate público sobre envelhecimento e coesão social. Em abril de 2026, o governo japonês divulgou estimativas indicando que, ao longo do ano passado, 22.222 pessoas morreram sozinhas — e foram encontradas apenas após oito dias ou mais. Quando o intervalo considerado é de quatro dias, o número ultrapassa 32 mil casos, segundo o Cabinet Office of Japan. O dado ganha dimensão ainda maior em um país onde 28,6% da população (10,9% do total) já possui 65 anos ou mais e os domicílios unipessoais representam cerca de 38% das residências, de acordo com o Statistics Bureau of Japan. Setenta por cento dos que morreram solitariamente tinham 65 anos ou mais.
O aspecto mais perturbador desse cenário talvez não esteja apenas nos números, mas no que eles revelam. Em uma das sociedades mais organizadas e tecnologicamente avançadas do planeta, milhares de pessoas desaparecem da vida cotidiana sem que sua ausência seja imediatamente percebida. A contradição é evidente: cidades podem se tornar mais eficientes e longevas sem, necessariamente, preservarem os vínculos humanos que sustentam a vida coletiva.
O Brasil ainda está distante da dimensão observada no Japão, no entanto os vetores demográficos que sustentam esse processo já estão presentes. O Censo 2022 do IBGE registrou mais de 22 milhões de brasileiros com 65 anos ou mais (cerca de 10,9% do total), crescimento de 57,4% em relação ao levantamento anterior. Paralelamente, o país contabiliza 13,6 milhões de domicílios unipessoais, equivalentes a 18,8% das residências nacionais; do total de moradores solitários, aproximadamente 29% têm 65 anos ou mais. O envelhecimento da população brasileira avança simultaneamente ao crescimento de arranjos de vida mais individualizados.
Via de regra, morar sozinho não constitui, por si só, um problema social. Em muitos casos, representa autonomia e independência. O ponto crítico emerge quando as cidades deixam de oferecer as condições necessárias para sustentar essa autonomia ao longo do envelhecimento. A degradação dos espaços públicos, a precariedade da mobilidade urbana, a insegurança e o enfraquecimento da vida de bairro produzem ambientes onde o isolamento se intensifica de forma silenciosa e progressiva.
É nesse ponto que a discussão ultrapassa o campo da assistência social e alcança o urbanismo e a saúde pública. A Organização Mundial da Saúde associa isolamento social e solidão ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, depressão, ansiedade, declínio cognitivo e mortalidade precoce. A solidão prolongada gera impactos clínicos concretos, amplia internações evitáveis e pressiona sistemas de saúde já tensionados pelo envelhecimento populacional.
Sob essa perspectiva, as mortes solitárias observadas no Japão funcionam como um alerta antecipado para sociedades que envelhecem rapidamente, como a brasileira. Espaços públicos acessíveis, bairros caminháveis, transporte inclusivo, serviços distribuídos territorialmente e equipamentos de convivência deixam de ser elementos acessórios do planejamento urbano e passam a integrar uma infraestrutura preventiva de saúde.
Ao mesmo tempo, os recentes avanços tecnológicos no campo da saúde abrem possibilidades relevantes. A integração entre atenção primária, assistência social, vigilância territorial e ferramentas analíticas pode permitir a identificação precoce de situações de isolamento extremo e vulnerabilidade social. Contudo, a tecnologia sozinha não resolverá um problema cuja origem é essencialmente relacional.
O caso japonês oferece uma advertência importante: sociedades podem envelhecer com _ _ _ _ _ _, infraestrutura e elevada expectativa de vida e, ainda assim, _ _ _ _ _ _ em algo elementar — garantir que ninguém _ _ _ _ _ _ os últimos dias de existência completamente invisível para o mundo ao redor.
Texto adaptado.
"Produzir espaços de solidariedade umas com as outras, em diferentes classes sociais, em diferentes momentos históricos. Como isso tem sido denominado, como isso tem sido tratado pela sociedade, eu acho que é um tema muito relevante. E podemos falar da amizade, podemos pensar nos espaços onde a amizade floresce e como a amizade tem sido negada às mulheres, porque é muito difícil realizá-la na situação de divisão do trabalho que a gente tem", analisa.
A socióloga Eliane Gonçalves, especialista em gênero e sexualidade, explicou que essa mudança não é apenas uma escolha individual. Trata-se de um fenômeno social e coletivo de sobrevivência. Diante de cidades desiguais e da exaustão causada por extensas jornadas de trabalho, as mulheres têm se unido para produzir sentido e solidariedade em que o Estado, muitas vezes, falha em prover. A idealização do conceito de família não encontra eco na realidade cotidiana. "É um pouco como uma tábua de salvação, mas também uma forma de organização política", define ao BdF Entrevista.
A respeito da pontuação, analise as sentenças a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)As vírgulas antes e depois de "especialista em gênero e sexualidade" foram usadas corretamente, pois o trecho se trata de um aposto.
(__)A vírgula após o trecho sublinhado foi empregada corretamente, indicando uma oração subordinada adverbial antecedendo o verbo da oração principal.
(__)As aspas duplas foram usadas para abrir e fechar uma citação direta; no caso, o comentário feito pela entrevistada.
(__)A vírgula antes de "define" sinaliza uma oração justaposta.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
"Os pesquisadores que participaram da primeira etapa receberam os resultados preliminares."
Durante a revisão, sugeriu-se inserir vírgulas antes e depois da oração "que participaram da primeira etapa", sem modificar as demais palavras. O revisor observou que essa alteração produziria uma diferença relevante na interpretação do grupo mencionado.
Considerando os efeitos sintáticos e semânticos da pontuação, assinale a alternativa CORRETA.
A socióloga Eliane Gonçalves, especialista em gênero e sexualidade, explicou que essa mudança não é apenas uma escolha individual. Trata-se de um fenômeno social e coletivo de sobrevivência. Diante de cidades desiguais e da exaustão causada por extensas jornadas de trabalho, as mulheres têm se unido para produzir sentido e solidariedade em que o Estado, muitas vezes, falha em prover. A idealização do conceito de família não encontra eco na realidade cotidiana. "É um pouco como uma tábua de salvação, mas também uma forma de organização política", define ao BdF Entrevista.
A respeito da pontuação, analise as sentenças a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)As vírgulas antes e depois de "especialista em gênero e sexualidade" foram usadas corretamente, pois o trecho se trata de um aposto.
(__)A vírgula após o trecho sublinhado foi empregada corretamente, indicando uma oração subordinada adverbial antecedendo o verbo da oração principal.
(__)As aspas duplas foram usadas para abrir e fechar uma citação direta; no caso, o comentário feito pela entrevistada.
(__)A vírgula antes de "define" sinaliza uma oração justaposta. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Governo cria política nacional para alunos superdotados, mas veta triagem obrigatória nas escolas
Nova legislação prevê cadastro nacional e atendimento especializado para estudantes com altas habilidades; identificação anual em massa e centros de referência ficaram de fora do texto final.
A Lei nº 15.436/2026 foi publicada nesta quinta-feira (18) no Diário Oficial da União e estabelece diretrizes para reconhecimento, acompanhamento e desenvolvimento de estudantes com altas habilidades ou superdotação em todo o país.
Entre as medidas previstas, estão a criação de um cadastro nacional, a oferta de atendimento educacional especializado e a possibilidade de flexibilização da trajetória escolar.
A nova política também passa a contemplar estudantes com dupla excepcionalidade — os que, além das altas habilidades, apresentam alguma deficiência, transtorno do espectro autista ou outro transtorno do neurodesenvolvimento.
Segundo o Censo Escolar de 2025, cerca de 56mil estudantes brasileiros foram formalmente identificados com altas habilidades ou superdotação. Entidades que atuam na área, porém, afirmam que o número está longe de refletir a realidade, já que muitos alunos nunca são reconhecidos pelo sistema educacional.
O que muda
A legislação define altas habilidades ou superdotação como uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por potencial intelectual elevado, intensa curiosidade, grande capacidade de aprendizagem e profundo envolvimento em temas de interesse.
Para esses estudantes, a lei prevê atendimento educacional especializado complementar à escolarização regular. Entre as possibilidades estão programas de enriquecimento curricular, aprofundamento de conteúdos, agrupamento por áreas de interesse e aceleração dos estudos.
Também passa a ser permitida a progressão flexível, com avanço em disciplinas específicas, além da aceleração completa da trajetória escolar quando houver indicação pedagógica.
Cadastro nacional
Um dos principais pontos da nova política é a criação do Cadastro Nacional de Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, que ficará sob responsabilidade do Ministério da Educação (MEC).
A ferramenta deverá reunir informações da educação básica e superior para mapear esse público e subsidiar a formulação de políticas públicas. Embora a criação de um cadastro semelhante já estivesse prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação desde 2015, a medida nunca saiu do papel.
O que foi vetado
Apesar da sanção, o governo retirou trechos aprovados pelo Congresso Nacional.
O principal veto atingiu os dispositivos que criavam uma triagem educacional anual para identificação precoce de estudantes com altas habilidades ou superdotação. Na justificativa enviada ao Congresso, o Executivo argumentou que a medida poderia gerar burocracia e atrasar o acesso ao atendimento especializado.
Também foi vetada a exigência de avaliação multidimensional realizada por equipe especializada para formalizar a identificação desses estudantes. Segundo o governo, a medida poderia criar barreiras operacionais, especialmente em redes de ensino com menor estrutura técnica.
Outro trecho barrado previa a criação de centros de referência em cada unidade da federação. O Executivo alegou que a proposta não apresentou estimativa de impacto orçamentário e financeiro.
Adesão será voluntária
A implementação da política dependerá da adesão de estados, Distrito Federal e municípios. O governo federal poderá oferecer apoio técnico e financeiro, conforme disponibilidade orçamentária.
Os vetos ainda serão analisados pelo Congresso Nacional, que poderá mantê-los ou derrubá-los em sessão conjunta de deputados e senadores.
Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/06/19/governo-cria-politica-nacional-para-alunos-superdotados-mas-veta-triagem-obrigatoria-nas-escolas.ghtml. Acesso em: 08 jul. 2026. Adaptado.
• “Os vetos ainda serão analisados pelo Congresso Nacional, que¹ poderá mantê-los ou derrubá-los [...]”
• “O principal veto atingiu os dispositivos que² criavam uma triagem educacional anual [...]”
Senhores moradores, amanhã, devido à manutenção da rede elétrica, o elevador ficará desligado das 8h às 11h.
Considerando o emprego das vírgulas no aviso, assinale a alternativa correta.