Questões de Concurso
Sobre termos integrantes da oração: objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva em português
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"O Papa Francisco demonstra a todo tempo seu amor aos mais pobres."
Analise a frase acima e marque a opção cujo trecho grifado exerce a mesma função sintática.
Desde muito tempo, o aumento das taxas de impostos sobre produtos industrializados afetaram profundamente a renda mensal dos brasileiros.
Sobre a declaração acima, avalie as afirmações acerca dos termos da oração.
I. "O aumento das taxas de impostos sobre produtos industrializados" é o núcleo do sujeito da oração.
II. A concordância do verbo com o sujeito não está de acordo com a norma culta, pois o verbo deveria ser empregado no singular.
III. O predicado da oração é verbal, porque seu núcleo é um verbo nocional, ou seja, demonstra uma ação.
IV. "A renda mensal" é o objeto direto e "dos brasileiros" é o objeto indireto, pois o verbo "afetaram" é bitransitivo.
Está CORRETO apenas o que se afirma em:
Julgue o item seguinte, relativo ao texto e a seu aspecto linguístico.
A expressão “um novo estudo do Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID)” (linhas 5 e 6) completa o
sentido da forma verbal “conclui” (linha 5), empregada
como transitiva.
A moça em prantos
O poeta encontrou uma pedra no meio do caminho, nunca esqueceu dessa pedra, que lhe deu assunto para o seu poema mais conhecido. Não sendo poeta, encontrei não uma, mas infinitas pedras no meio do caminho.
Mas jamais esqueci a primeira moça que vi chorando. Eu devia ter seis ou sete anos, achava que só as crianças podiam e deviam chorar, tinham motivos bastante para isso, desde as fraldas molhadas nos primeiros meses de existência até a inexpugnável barreira dos “não pode”.
Mesmo assim fiquei imaginando a causa do seu pranto. Faltara à escola e por isso ficara sem sobremesa? Fora proibida de brincar na calçada? Queria ganhar uma bicicleta e fora convencida a continuar com o insípido velocípede?
Vi muita gente chorando depois, homens feitos, mulheres maduras. Eu mesmo, quando levo meus trancos, repito o menino que ia para debaixo da mesa de jantar para poder chorar sem passar recibo da minha dor. A moça que chorava não se escondera, chorava de mansinho, na verdade nem parecia estar chorando. Devia apenas estar muito triste porque misturava todos os motivos para a sua tristeza.
Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 04/05/2003)
O salto da terapia genética
Saudamos o fato de a ciência avançar rapidamente para aplicar técnicas que impeçam a transmissão de doenças hereditárias
Depois de décadas de hesitações e reveses, a terapia genética está em condições de cumprir suas promessas e dar o salto
à prática clínica. Em agosto foi aprovado nos EUA o primeiro tratamento comercial para um tipo de leucemia com mau
prognóstico e em 2018 são esperados os resultados das primeiras terapias experimentais para eliminar ou modificar os genes
envolvidos em outras patologias e tipos de câncer, entre eles o de pulmão.
Os primeiros experimentos tiveram de ser abandonados por causa dos efeitos adversos, uma vez que não havia nenhuma
maneira segura de extrair os genes alterados e substituí-los por outros normais. A morte de vários pacientes retardou a investigação
e as expectativas criadas. O grande salto que aconteceu agora se deve à descoberta — em 2013 — de uma nova técnica de edição
genética, chamada CRISPR, que não só permite copiar e colar genes ou porções do genoma como fazê-lo facilmente e a custos
muito mais baixos do que as técnicas anteriores. Seu desenvolvimento foi vertiginoso. Depois de demonstrar eficácia em animais,
os primeiros testes em humanos foram autorizados em 2016.
Devemos saudar o fato de a ciência avançar rapidamente para poder aplicar essa técnica de maneira segura em patologias
que hoje não têm tratamento ou para evitar a transmissão de doenças hereditárias. Mas também devemos abrir um debate sobre
como isso deve ser aplicado. O mesmo procedimento útil para curar pode servir para outros propósitos, como a modificação de
determinadas características da pessoa. Ainda estamos longe de ter os conhecimentos necessários para tornar isso possível, pois
existem muitos genes e muitas interações entre eles. Mas é conveniente avançar para canalizar a aplicação desses avanços, exigir
a máxima transparência nos resultados e garantir que esses tratamentos estejam disponíveis para todos e não apenas para aqueles
que eventualmente puderem pagar por eles.
Caminhões e ônibus são responsáveis por parte da poluição do ar em SP
Um novo estudo coordenado por físicos da Universidade de São Paulo (USP) ________ que veículos movidos a diesel, como caminhões e ônibus, são responsáveis por cerca da metade da concentração de compostos tóxicos na atmosfera, tais como benzeno tolueno e material particulado.
Os pesquisadores destacam que é um valor muito alto, uma vez que ônibus e caminhões representam somente 5% da frota veicular. A Região Metropolitana de São Paulo tem mais de 7 milhões de veículos.
“A estimativa da emissão de poluentes de cada tipo de veículo é feita geralmente baseada em valores medidos em laboratório e multiplicados pelo número de veículos nas ruas”, disse Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e um dos autores do estudo.
O problema dessa metodologia, segundo ele, é que não leva em conta necessariamente condições reais de condução e manutenção dos veículos, aspectos fundamentais para a emissão de poluentes. O estudo publicado agora foi realizado em condições reais.
“Um dos aspectos inovadores desse estudo _____ utilizar o etanol na atmosfera, que é emitido somente por carros e motos. Com isso, pudemos separa a contribuição real de veículos leves, que emitem etanol dos pesados, movidos a diesel e que não emitem etanol” disse Artaxo, que é membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.
Na região metropolitana de São Paulo, há 100 veículos de passageiros para cada ônibus e 30 para cada caminhão. Em 2013, ano em que foram feitas as medidas usadas no estudo, o consumo médio por veículos de passageiros era de 55% de gasolina para 45% de etanol A mistura de gasolina e etanol é usada basicamente por veículos leves, sejam do tipo flex ou que _______ um dos dois combustíveis. Outros estudos ao redor do mundo ____ focado no papel do uso de biocombustíveis como etanol na redução de emissão de poluentes.
“O grande diferencial da nova análise foi o foco não no efeito do etanol em si, mas no seu uso como um traçador de poluentes, permitindo separar pela primeira vez fontes veiculares distintas”, disse o líder do estudo Joel Ferreira de Brito.
“Pelos resultados obtidos, certamente uma redução de uso de veículos na cidade de São Paulo aliada à expansão da linha de metrô, por exemplo, é o primeiro e mais eficaz modo de minimizar a poluição na cidade. Um ótimo custo-benefício pode também ser obtido diminuindo as emissões de poluentes pelos ônibus”, disse Brito.
O pesquisador ressalta que existem filtros que eliminam 95% das emissões de ônibus, “e é muito importante que essas novas tecnologias, disponíveis e baratas, sejam efetivamente implementadas em São Paulo e nas grandes cidades brasileiras”.
https://exame.abril.com.br... - adaptado.
Considerando-se as normas da língua portuguesa analisar os itens abaixo:
I. A oração sublinhada em “... veículos movidos a diesel como caminhões e ônibus, são responsáveis por cerca da metade da concentração de compostos tóxicos na atmosfera.” é classificada como oração subordinada explicativa.
II. A oração sublinhada em “Os pesquisadores destacam que é um valor muito alto.” possui valor de objeto direto do verbo da oração principal.
III. No trecho “O pesquisador ressalta que existem filtros que eliminam 95% das emissões de ônibus.”, as duas palavras sublinhadas são conjunções.
Está(ão) CORRETO(S):
Analise a frase a seguir: “A Igreja acusou a ciência de prejudicar a moral”. Acerca da frase, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) “A ciência foi acusada de prejudicar a moral.” é uma de suas versões em voz passiva.
( ) “Acusou-se a ciência de prejudicar a moral.” é uma de suas versões em voz passiva.
( ) Na passagem da voz ativa para passiva, o objeto direto na versão ativa se tornou sujeito na versão passiva.
( ) Na passagem da voz ativa para passiva, o sujeito na versão ativa se tornou objeto direto na versão passiva.
A sequência está correta em
É hora de recuperarmos a utopia da sociedade fraterna e menos desigual
Admitir que o pensamento marxista continha acertos e erros não significa ter aderido ao capitalismo e se tornado de direita. Adotar semelhante atitude é persistir no que havia de pior no marxismo, ou seja, na incapacidade de exercer a autocrítica.
Depois de quase um século da revolução comunista de 1917, da qual resultou o Estado soviético, a humanidade avançou econômica e tecnicamente, ao mesmo tempo que sofreu guerras sangrentas e massacres, como os campos de concentração nazistas e os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki. Depois de tantos erros, é hora de refletirmos sobre o que aconteceu e recuperarmos a utopia da sociedade fraterna e menos desigual.
O sonho de Karl Marx era criar uma sociedade sem exploração, regida por normas que visavam impedir a divisão desigual da riqueza produzida. A concepção dele sobre essa nova sociedade apoiava-se, no entanto, num entendimento equivocado de como se cria a riqueza social. Esse entendimento partia de uma constatação inequívoca do grau de exploração a que o capitalismo do século 19 submetia o trabalhador, que não gozava dos mínimos direitos, como a jornada de trabalho estabelecida e a aposentadoria, entre muitos outros. Esse capitalismo selvagem levou Marx a concluir que só havia um modo de criar uma sociedade justa: excluindo dela o capitalista. Assim, constituiria-se um Estado proletário, dirigido pelo partido comunista, justo porque dele estava excluído o capitalista explorador.
Essa teoria pressupunha que é a classe operária quem produz a riqueza, enquanto o capitalista nada mais faz que explorar o trabalho alheio e enriquecer. O equívoco de Marx estava em ignorar que, sem o capitalista, ou seja, sem o empreendedor, a produção da riqueza é quase inviável. É que ela depende tanto do trabalhador quanto do empreendedor, o empresário.
Por estar exclusivamente nas mãos do Estado, isto é, do partido comunista, a tarefa de produzir a riqueza foi o erro que levou ao fracasso do regime comunista. Na verdade, em qualquer sociedade, há milhões de pessoas que sonham criar sua própria empresa. Substituí-las por meia dúzia de burocratas do partido é condenar o país ao fracasso econômico. Não é à toa que, hoje, da Rússia à China, como nos demais países outrora comunistas, todos abandonaram a concepção marxista e voltaram a estimular a expansão da iniciativa privada. Ou seja, voltaram ao regime capitalista. Isso não significa, porém, que o capitalismo de repente tornou-se bom e justo e que devemos nos contentar com a desigualdade que o caracteriza. Essa desigualdade é inerente ao próprio sistema, regido pelo princípio do lucro máximo.
Pois bem, esse longo caminho, que a humanidade percorreu no último século, mostrou que o Estado comunista nivela a igualdade por baixo, enquanto no regime capitalista, mesmo com as conquistas alcançadas pela classe operária e os trabalhadores em geral, a exploração se agrava e a desigualdade se amplia, de que é exemplo o capitalismo norte-americano. Isso, porém, não é inevitável. Em países capitalistas como a Suécia, a Noruega e mesmo a Suíça - para ficar apenas nesses exemplos - a desigualdade foi consideravelmente reduzida. Não há porque, logicamente, o mesmo não possa ocorrer nos demais países capitalistas. É evidente que isso depende de uma série de fatores e condições, que não se encontram em todos os países. Tampouco acredito numa sociedade em que a igualdade seja plena - em que todas as pessoas tenham a mesma possibilidade de ganho e acumulação de bens -, uma vez que os seres humanos não são iguais, não têm todos a mesma capacidade de criação, inventividade e realização.
Por isso mesmo, não se pode imaginar que todas elas contribuam na mesma proporção para o enriquecimento da sociedade. Tampouco tais diferenças entre os indivíduos justifica o nível de desigualdade que, com raras exceções, caracteriza o mundo em que vivemos.
Essas são as razões que me fazem acreditar que, sem faca nos dentes e dentro do regime democrático, podemos alcançar uma sociedade menos desigual e menos injusta.
(GULLAR, Ferreira. Disponível em www.academia.org.br/artigos/e-hora-de-recuperarmos-utopia-da-sociedade-fraterna-e-menos-desigual. Acesso em 17/11/2017)
Leia o segmento a seguir.
“Não se trata de uma referência às fontes murmurantes cantadas por Ary Barroso em sua ‘Aquarela do Brasil’. As fontes em questão são outras, estão atualmente em debate nos meios jornalísticos e legais: o direito de proteger o sigilo das ‘fontes’. Contrariando a maioria, diria até a unanimidade dos colegas de ofício, sou contra este tipo de sigilo e, sobretudo, contra as fontes em causa.”No segmento, o termo que funciona como complemento de um termo anterior é:
“O pronome lhe no português brasileiro não se comporta como a tradição gramatical gostaria que ele se comportasse. Para início de conversa, o lhe tem uma distribuição que poderíamos chamar de regional, porque não é em todas as variedades do português brasileiro que ele ocorre com frequência, sendo mais comum em alguns falares nordestinos (Bahia e Ceará, por exemplo) e, segundo pesquisas, em determinadas camadas sociais no Rio de Janeiro. Sua forma no plural, lhes, essa jamais aparece na fala espontânea de nenhum brasileiro. Além disso, quando usado na língua falada, o lhe nunca se refere a ele ou ela mas única e exclusivamente a você, ou seja, é um pronome que o falante usa para designar sempre o seu interlocutor.
(Bagno, Marcos. Não é errado falar assim!.São Paulo:
Parábola Editora, 2009. p.227)
Sobre o uso do pronome lhe no português brasileiro, analise cada alternativa e assinale aquela que
melhor se alinhe ao excerto acima:
:
Analise as proposições em relação ao Texto 2.
I. No período “o que tem ou o que é” (linha 5) as palavras destacadas, quanto à morfologia, classificam-se como pronome demonstrativo.
II. No período “que o destino lhe ofereceu” (linhas 7 e 8) a palavra destacada, quanto à morfossintaxe, é pronome oblíquo/objeto indireto.
III. Crase é a fusão (ou contração) de duas vogais idênticas em uma só. Na linguagem escrita, a crase é representada pelo acento grave. No período “seja devolvido à loja” (linha 19) o uso da crase é obrigatório.
IV. Por colocação pronominal entende-se o estudo do posicionamento do pronome oblíquo, na frase, em relação ao verbo. No período “e se acredita que seja reabastecido para sempre caso seu estoque se esgote temporariamente” (linhas 3 e 4) há duas ocorrências de próclise.
V. No período “O depósito dessas peças é constante” (linhas 2 e 3), a palavra destacada é uma contração da preposição de com o pronome demonstrativo essas, sendo empregada como pronome demonstrativo correspondente à terceira pessoa do discurso.
Assinale a alternativa correta.
A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, julgue o item subsecutivo.
Os termos “de gênero” (ℓ.19), “da igualdade racial” (ℓ. 19 e 20) e “dos direitos humanos” (ℓ.20) complementam a palavra “justiça” (ℓ.19).
Em relação ao emprego dos pronomes no Texto, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta:
I- A expressão “qualquer lugar” (linha 20) é composta por dois pronomes indefinidos, sendo um adjetivo e outro substantivo;
II- A palavra “mesmo” (linha 23) classifica-se como pronome indefinido, assim como em “Nós mesmos estamos trabalhando nisso”;
III- O pronome oblíquo “nos” (linha 20) refere-se de forma abrangente aos leitores e classifica-se como objeto direto do verbo a que se relaciona.
Dos itens acima:
Texto 12A1AAA

Julgue o seguinte item, relativo aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto 12A1AAA.
No trecho “ao procurar alguma coisa que se ache escondida”
(l. 30 e 31), o pronome “que” exerce a função de complemento
da forma verbal “ache”.
O fim do artigo científico
Um pilar da ciência transformou-se em zumbi à espera de um verdugo que abrevie sua agonia e da troca por algo melhor
Um teste para o leitor: quais destes títulos correspondem a artigos verdadeiros? 1. Desenvolvendo redes ativas usando algoritmos randomizados; 2. Re-representação (sic) como projeto de trabalho em terceirização: uma visão semiótica; 3. As dinâmicas de intersubjetividade e os imperativos monológicos em Dick e Jane: um estudo sobre modos de gêneros transrelacionais; 4. Atalhos e jornadas interiores: construindo identidades portáteis para carreiras contemporâneas.
Parabéns a quem respondeu 2 e 4. O artigo 2 foi publicado em MIS Quarterly, um dos principais periódicos da área de Gestão da Informação; e o 4 saiu na prestigiosa revista Administrative Science Quarterly. Os demais são falsos. O título 1 foi obra de um software criado por estudantes do MIT, que gera artigos completos, totalmente falsos e absurdos; e o 3 foi retirado de um cartoon de Calvin, no qual o personagem, depois de criá-lo, exclama: “Academia, aqui vou eu!”
De fato, não falta ironia contra a linguagem adotada em textos científicos. Alguns parecem ter sido criados para inflar achados menores e intimidar leitores com uma linguagem empolada e turva.
Ocorre que o artigo científico é um dos pilares de desenvolvimento da ciência. Antes de seu surgimento, os resultados de experimentos e novos conhecimentos eram informados em apresentações e por meio de cartas. O artigo científico facilitou a comunicação e acelerou a evolução do conhecimento.
Hoje, o sistema de publicações científicas compreende milhares de revistas e está estruturado em castas. Grandes grupos editoriais estão por detrás do lucrativo negócio. No topo encontram-se os periódicos mais seletivos e reputados. Publicar nesses veículos requer passar pelo duro escrutínio de exigentes avaliadores. Provê status e reconhecimento dos pares. Facilita o acesso a financiamentos e pode acelerar a carreira acadêmica.
Nos últimos anos, o sistema passou a ser criticado. As universidades, preocupadas com rankings e sob pressão para justificar gastos, passaram a pressionar pesquisadores a publicar mais. Muitos deles mudaram de rumo: em lugar de gerar novo conhecimento, passaram a orientar seus esforços para gerar mais publicações.
Assim, o foco na ciência foi trocado pelo foco nos indicadores de desempenho e na própria carreira. Do outro lado do balcão, a própria comunidade científica multiplicou o número de periódicos, ampliando o espaço para textos de qualidade duvidosa.
Mesmo no topo, a situação é preocupante. Textos científicos de eras anteriores eram menos especializados e formais. Eram também mais curtos e diretos. E não havia ainda o fetiche da estatística. A superespecialização da ciência tornou os artigos mais longos, herméticos e cheios de jargão.
O modelo tornou-se anacrônico e precisa de reformas. Artigos científicos deveriam ser mais simples de escrever e mais rápidos de ler. A forma deveria ceder espaço ao conteúdo. Escapar da forma papel (ou pdf) é o primeiro passo. Em seu lugar, poderíamos ter módulos de conhecimento, curtos e objetivos, especializados e rigorosos, porém também atraentes e interessantes.
Este sucedâneo deveria se distanciar do hermetismo estatístico tanto quanto das caudalosas digressões textuais. Hiperlinks e recursos interativos poderiam prover acesso direto a bases de dados, textos de apoio, imagens, simulações e outros recursos de interesse dos leitores. Entretanto, mudar somente a forma não é suficiente. Em muitos campos a superespecialização levou à fragmentação, com a multiplicação de pequenos grupos de pesquisa orientados por interesses próprios e pouco dispostos a esforços cooperativos. É preciso reverter essa tendência e fomentar pesquisa em torno de temas aglutinadores, convergentes com as necessidades e demandas da sociedade.
Recentemente, o editor do periódico Academy of Management Journal, um dos principais do campo da Administração, exortou a comunidade científica a orientar esforços de pesquisa na busca de soluções para problemas críticos que afetam o planeta: pobreza, desigualdade, crise ambiental e muitos outros. Não há escassez de problemas e não temos um planeta de reserva. A ciência deveria fazer mais.
Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/revista/1002/o-fim-do-artigo-cientifico. Acesso em: 21/05/18






