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Ano: 2018 Banca: IF-SP Órgão: IF-SP Prova: IF-SP - 2018 - IF-SP - Português/Libras |
Q947570 Português

    “O pronome lhe no português brasileiro não se comporta como a tradição gramatical gostaria que ele se comportasse. Para início de conversa, o lhe tem uma distribuição que poderíamos chamar de regional, porque não é em todas as variedades do português brasileiro que ele ocorre com frequência, sendo mais comum em alguns falares nordestinos (Bahia e Ceará, por exemplo) e, segundo pesquisas, em determinadas camadas sociais no Rio de Janeiro. Sua forma no plural, lhes, essa jamais aparece na fala espontânea de nenhum brasileiro. Além disso, quando usado na língua falada, o lhe nunca se refere a ele ou ela mas única e exclusivamente a você, ou seja, é um pronome que o falante usa para designar sempre o seu interlocutor.

(Bagno, Marcos. Não é errado falar assim!.São Paulo:

Parábola Editora, 2009. p.227)


Sobre o uso do pronome lhe no português brasileiro, analise cada alternativa e assinale aquela que melhor se alinhe ao excerto acima:




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Alternativas

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Tema central: Regência verbal, uso dos pronomes oblíquos átonos e variação linguística. A questão explora como o pronome lhe é empregado no português brasileiro, contrapondo o uso regional/coloquial e a norma-padrão.

Regra gramatical principal: Segundo a norma culta, exposta em gramáticas como as de Bechara e Cunha & Cintra, o pronome lhe só pode substituir objetos indiretos, isto é, complementos de verbos que exigem preposição ("a", "para"). Para objeto direto, usam-se os pronomes o, a, os, as.

Análise da alternativa C (gabarito):

O texto da alternativa assume que o fenômeno denominado lheísmo — ou seja, o uso do lhe como objeto direto ("Eu lhe vi") — é admitido no português brasileiro. Essa análise está correta segundo a perspectiva descritiva, reconhecendo-se que, em certas regiões e registros da fala, isso ocorre de forma espontânea. O excerto base, de Marcos Bagno, ressalta justamente a variação e o uso efetivo do pronome na oralidade, em oposição à rigidez normativa.

No entanto, atenção: pela norma culta, tal uso é inadequado e deve ser evitado em textos formais (Bechara). Contudo, como a questão pede análise alinhada ao excerto, que trata da realidade linguística e não da prescrição normativa, C é a escolha correta, pois sintetiza o fenômeno e o contexto apresentados no texto-base.

Análise das alternativas incorretas:

A) "Eu lhe engano para a festa."Errado. "Enganar" é verbo transitivo direto. O uso de "lhe" (objeto indireto) está fora da norma, inclusive sob qualquer perspectiva.

B) "Eu não lhe permito essas brincadeiras." — O verbo "permitir" exige dois complementos: objeto indireto (a quem) e direto (o quê). O pronome "lhe", aqui, está corretamente empregado pela norma, embora a explicação da alternativa esteja errada ao dizer que o uso é inadequado.

D) "Você estava lá? Não lhe vi." — Aqui, segue-se a tradição gramatical: "ver" pede objeto direto ("o/a"), então, o uso de "lhe" não é padrão. A justificativa, porém, não dialoga com a reflexão sociolinguística do excerto, tornando a alternativa menos adequada que C.

Estratégia para provas: Ao identificar questões que abordam variação linguística e usos regionais versus norma-padrão, analise tanto o teor do texto base quanto as recomendações normativas para não cair em pegadinhas.

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Comentários

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Interessantíssima a questão. A porcentagem de erro aponta para uma inclinação estudantil: há mais propensão em levar em conta a gramática do que a linguística. Note que o enunciado ainda nos auxilia, preconizando que marquemos a "alternativa que melhor se alinhe ao excerto". Ora, o excerto diz que "o pronome lhe no português brasileiro não se comporta como a tradição gramatical gostaria que ele se comportasse" e segue afirmando que há uma distribuição regional de seu uso. Há uma evidência inconteste de que se trata de linguística, e não de gramática.

Só devemos considerar inoportuno o uso do "lhe" como complemento de verbos transitivos diretos se o embasamento for a gramática. No entanto, tendo em vista a linguística, está correto, ainda que aplicado como complemento de verbos transitivos diretos. Isso que se chama de "lheísmo" é recorrente nas regiões do nordeste.


Letra C

Os pronomes oblíquos "lhe, lhes" substituem termos que exigem preposição. Quando completam verbos, funcionam como OI de VTI e de VTDI em sua parte direta. Referem-se, portanto, ao caso dativo do latim. Estes pronomes também equivalem aos oblíquos tônicos preposicionados "a ele, a ela, a eles, a elas".

Todos lhe fizeram grandes elogios. (= fizeram grandes elogios a ele/ela.)

Podem fazer a vez de legítimos pronomes possessivos. Equivalem, respectivamente, a "seu/sua, dele/dela".

...,beijou-lhe uma das mãos. (beijou uma de suas mãos.)

NOVA GRAMÁTICA DA L. PORTUGUESA - Rodrigo Bezerra.

Só deixei de marcar a alternativa correta por desconhecer a existência da palavra "lheísmo".

Nos editais de Institutos Federais, eles vêm colocando no conteúdo programático de português "Norma padrão e variantes linguísticas".


O LHEÍSMO é uma variante linguística que, com toda certeza, as bancas tendem a cobrar mais.

Qual o erro da D?

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