Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q4169659 Português

Arte Longa, Vida Breve

Por Cláudia Laitano


(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2023/06/arte-longa-vida-breveclj20eyoj004r0151yd34rba7.html – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Assinale a alternativa que indica a correta relação de sentido estabelecida pelo uso da locução conjuntiva “para que” (l. 32). 
Alternativas
Q4169656 Português

Arte Longa, Vida Breve

Por Cláudia Laitano


(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2023/06/arte-longa-vida-breveclj20eyoj004r0151yd34rba7.html – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Considerando as relações adequadas de regência verbal e adequação vocabular em Língua Portuguesa, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, os espaços pontilhados das linhas 11, 12 e 31.
Alternativas
Q4167637 Português
Texto 2


Lágrimas para irmãos siameses


      Eram duas vezes dois irmãos siameses, nascidos um com o braço no braço do outro fundido. Se pareciam como uma folha e a seguinte. De nomes como assim: Osório e Irrisório. Cresceram os dois, um em consequência do outro. Recíprocos, simultâneos e simétricos. Ainda menininhos, o doutor advisou a mãe:

      ― Podemos separá-los agora, este é o momento conveniente.

      Separá-los. Por quê? Se Deus os queria carne com osso? Se davam bem, amiguíssimos, vizinhos, repartindo o tudo e o nada. Os pais, remediados, compraram um único relógio que ambos partilhavam no comum antebraço. Ao apertar a corrente do relógio, a mãe sentenciou:

   ― Assim, o tempo nunca lhes vai dividir.

    O tempo, esse mesmo, foi descaiando espelhos e os siameses começaram a engrossar a vista em saia e peito. Osório, sobretudo, era mais espevitado. Irrisório era mais metido em si, olhos caseiros. Osório, às duas por muitas, se apaixonou por Marineusa. Se adonzelou com ela, esfregando-se nela até gastar o umbigo. Havia, óbvio, o problema do mano que estava ali, mesmo ao braço de semear. Osório lhe pedia que fechasse olho, tapasse ouvido, alheasse sentido. Irrisório tranquilizava:

     ― Sou homem correcto, descanse mano ó.

      Irrisório, por voz de promessa, sossegava o irmão. O pai, sabedor da vida, sugeriu um encontro familiar. E disse assim:

     ― Vão chegar mulheres e amores. Melhor é vocês separarem-se!

      Mas eles negaram. Eram fiéis, como a canção: juntos para sempre. O pai manteve o mandamento. Porém, foi enfraquecendo perante a insistência dos gêmeos:

      ― Mas, pai, nós, assim alicateados, saímos baratos a Deus: precisamos só de um anjo da guarda.

      E o outro ainda reforçava:

     ― Como podemos separar? Se cada um da gente só tem uma mão?   

    ― É. Só os dois é que somos um.

    Todos riram, arrumado o assunto. Antes de se retirar, o pai ainda sacudiu uma resignação:

   ― Vão ver, o amor junta, o amor separa. (...)


In: COUTO, Mia. Contos do nascer da terra. Lisboa: Ed. Caminho, 1997. 
No trecho “O pai manteve o mandamento. Porém, foi enfraquecendo perante a insistência dos gêmeos”, a palavra sublinhada estabelece relação de
Alternativas
Q4167631 Português
Texto 1

Voo do beija-flor


Elisa Cristal


Voo silencioso do mistério do amor
Fecho os olhos para ver aonde vou
Voar pelo infinito daquilo que eu sou
(Desvendar/mergulhar) o oceano interior


Beija-flor me leva
Beija-flor desperta (em mim)
Me leva nas águas deste rio encantador
Vale dourado do meu lindo beija-flor
(...) 

Disponível em: <https://www.letras.mus.br/elisa-cristal/voo-do-beijaflor/>. Acesso em: 21 mai. 2023

No verso “Fecho os olhos para ver aonde vou”, a palavra “aonde” foi usada em vez de “onde” porque
Alternativas
Q4167013 Português
   Fácil falar. Ficar sem encostar no rosto é uma das recomendações mais difíceis de seguir. E problema só entre a população “comum” esse não é um – nem mesmo os especialistas e autoridades conseguem seguir o hábito à risca. Uma pesquisa feita em uma faculdade de medicina da Austrália verificou que os estudantes tocam o rosto, em média, 23 vezes durante uma aula de uma hora, ou uma vez a cada 2,5 minutos.
   Mas por que é tão difícil ficar sem tocar no rosto? A prática parece contraintuitiva. Se o simples fato de tocar o rosto transmite milhares de germes para dentro do corpo, a seleção natural não deveria ter excluído esse hábito? [...]

Disponível em: <https://super.abril.com.br/saude/coronavirus-por-que-e-tao-dificil-ficar-sem-tocar-orosto/>. Acesso em: 04 jan. 2023

Dadas as afirmativas acerca dos elementos coesivos presentes no fragmento textual,

I. Em “E esse não é um problema só entre a população...”, o pronome em destaque trata-se de uma referência anafórica, já que o referente foi mencionado anteriormente.
II. A oração “– nem mesmo os especialistas e autoridades conseguem seguir o hábito à risca” evidencia que há um introdutor de pressuposto, especialmente representado pela expressão denotativa “nem mesmo”, (parte-se de um pressuposto: o que vai ser demonstrado é o óbvio).
II. Em “Mas por que é tão difícil ficar sem tocar no rosto?”, há um conector coesivo que contém noção semântica de conclusão. 

verifica-se que está(ão) correta(s)
Alternativas
Q4167011 Português
Dias de abandono 

   Durante a tarde procurei o telefone do veterinário, [...]
   Na salinha havia várias pessoas na espera, algumas com cachorro, outras com gato, até uma mulher de uns trinta anos que tinha no colo um coelho preto e o acariciava continuamente com um movimento mecânico da mão. Eu passei o tempo estudando um mural com propostas de acasalamento entre animais de nobre estirpe alternadas com descrições detalhadas de cães e gatos desaparecidos. De vez em quando chegava gente em busca de notícias de um animal amado: um perguntava do gato internado para exames, outro do cachorro que fazia quimioterapia, uma senhora sofre pelo seu poodle em agonia. Naquele lugar a dor atravessava o frágil limiar do humano e expandia-se sobre o vasto mundo dos animais domésticos. 

Elena Ferrante. Dias de abandono. SP, Biblioteca Azul, 2016, p. 153. (adaptado). 

Das expressões destacadas no texto, assinale a alternativa que se encontra na ordem sintática direta do português.
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Q4167010 Português
1984 – Guerra 

   “E todo o tempo, para que não persistissem dúvidas, quanto à realidade oculta pela lengalenga especiosa de Goldstein,                 por trás de sua cabeça, na teletela, infindas colunas do exército eurasiano – fileiras após fileiras de homens sólidos com rostos asiáticos, sem expressão, que                    até a superfície da placa e sumiam, para ser seguidos por outros exatamente idênticos. O ritmo cavo e monótono das botas dos soldados                    uma cortina sonora para os balidos de Goldstein.”

George Orwell. 1984. SP, Cia Ed. Nacional, 2004, p. 15

Assinale a alternativa cujas formas verbais completam, respectivamente, as lacunas do texto, compondo a concordância dos elementos nos períodos.
Alternativas
Q4167006 Português
   Tudo indica que a última das preocupações dos brasileiros nas próximas semanas será o trânsito, como efeito das tentativas de contenção da epidemia de coronavírus. Muita gente vai gastar menos tempo nos seus deslocamentos ou nem vai se deslocar. Dá para aproveitar esse ganho de tempo debatendo um aspecto curioso e perverso da mobilidade urbana: a regulamentação do trânsito de táxis e de carros que atendem por aplicativo. Quem sabe, quando a tempestade passar, possamos encontrar solução pelo menos para alguns pequenos problemas que tornam infame a vida nas grandes cidades.
  Diferentemente do que reza o senso comum, táxis não contribuem para a redução do congestionamentos porque seus usuários teoricamente deixam o carro em casa. Pelo contrário, tanto eles quanto os veículos chamados por aplicativos pioram as condições de trânsito [...]. Mas, completando a obra caótica, poluidora, enervante, barulhenta e insalubre que o tráfego de veículos realiza a cada dia na metrópoles, o transporte público individual é também, por natureza, elemento de discriminação econômica e social – drama que se agrava ainda mais nos municípios que têm faixas de uso exclusivo para ônibus e permitem que táxis transitem nesses espaços.

Disponível em: <https://veja.abril.com.br/blog/marcos-emilio-gomes/taxi-e-uber-agravam-injusticas-nomundo-da-mobilidade/>. Acesso em: 04 jan. 2023.

Dentre os fragmentos, o autor vale-se de uma declaração, com um operador argumentativo que significa oposição, restrição, ressalva, ao afirmar que
Alternativas
Q4167002 Português
Assinale a alternativa cujo texto tem sentido preciso, não apresentando ambiguidade estrutural.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: FUNDEPES Órgão: Prefeitura de Penedo - AL Provas: FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Assistente Social | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Endodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Generalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Periodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Educação Física | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de História | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Inglesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Psicólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Terapeuta Ocupacional | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Veterinário | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Turismólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Geografia | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Nutricionista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro em Segurança do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Farmacêutico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fisioterapeuta | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fonoaudiólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Biomédico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Jornalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Bucomaxilo Facial | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro Civil | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro de Pesca | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Matemática | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Portuguesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Séries Iniciais 25h (Polivalente) |
Q4166671 Português
Naquela noite, embora fosse sexta-feira, Sofia foi bem cedo para seu quarto. Sua mãe tentou convencê-la a ficar mais um pouquinho, oferecendo-lhe pizza e dizendo que ia passar um filme policial na televisão, mas Sofia alegou que estava muito cansada e queria ler um livro na cama. Enquanto sua mãe estava grudada na tv, Sofia saiu sem ser notada e foi colocar a carta na caixa do correio.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 63

De acordo com a norma culta da língua, assinale a alternativa cuja proposta mantém a correção gramatical.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: FUNDEPES Órgão: Prefeitura de Penedo - AL Provas: FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Assistente Social | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Endodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Generalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Periodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Educação Física | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de História | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Inglesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Psicólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Terapeuta Ocupacional | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Veterinário | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Turismólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Geografia | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Nutricionista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro em Segurança do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Farmacêutico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fisioterapeuta | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fonoaudiólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Biomédico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Jornalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Bucomaxilo Facial | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro Civil | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro de Pesca | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Matemática | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Portuguesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Séries Iniciais 25h (Polivalente) |
Q4166669 Português
Baleia

    A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. [...]
    Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de roscas, semelhante a uma cauda de cascavel.
    Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com o saca-trapo e fez tenção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito."

RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. Rio de Janeiro: Record, 2013. р. 85.

Um texto constrói-se a partir da tecitura das ideias nele expostas, estabelecida por elementos coesivos que relacionam os sentidos entre as orações, os períodos ou os parágrafos. Acerca desse excerto, é correto afirmar que 
Alternativas
Ano: 2023 Banca: FUNDEPES Órgão: Prefeitura de Penedo - AL Provas: FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Assistente Social | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Endodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Generalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Periodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Educação Física | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de História | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Inglesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Psicólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Terapeuta Ocupacional | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Veterinário | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Turismólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Geografia | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Nutricionista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro em Segurança do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Farmacêutico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fisioterapeuta | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fonoaudiólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Biomédico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Jornalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Bucomaxilo Facial | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro Civil | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro de Pesca | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Matemática | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Portuguesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Séries Iniciais 25h (Polivalente) |
Q4166667 Português
Ah, se eu não fizesse nada unicamente por preguiça! Meu Deus, como eu me _______ (respeitar)! E me ________ (respeitar) precisamente porque ________ (ter) a capacidade de possuir ao menos a preguiça; pelo menos ________ (haver) em mim uma característica quase positiva, que eu mesmo _________ (saber) que a possuía.

DOSTOIEVSKI, Fiodor. Notas do subsolo. Porto Alegre: L&pm POCKET, 2011, р. 28.

Ao lado de cada lacuna há um verbo entre parênteses. Considerando que a oração destacada nos remete a uma condicionalidade, assinale a alternativa cuja conjugação dos verbos obedeça à possibilidade do futuro condicional.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: FUNDEPES Órgão: Prefeitura de Penedo - AL Provas: FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Assistente Social | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Endodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Generalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Periodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Educação Física | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de História | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Inglesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Psicólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Terapeuta Ocupacional | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Veterinário | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Turismólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Geografia | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Nutricionista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro em Segurança do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Farmacêutico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fisioterapeuta | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fonoaudiólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Biomédico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Jornalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Bucomaxilo Facial | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro Civil | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro de Pesca | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Matemática | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Portuguesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Séries Iniciais 25h (Polivalente) |
Q4166662 Português
Leio a reclamação de um repórter - irritado - que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e concluiu que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.
BRAGA, Rubem. O conde e o passarinho. Rio de Janeiro: Record, 2002, p. 156.

Acerca dos aspectos gramaticais do fragmento da crônica Cafezinho, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: FUNDEPES Órgão: Prefeitura de Penedo - AL Provas: FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Assistente Social | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Endodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Generalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Periodontista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Educação Física | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de História | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Inglesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Psicólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Terapeuta Ocupacional | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Médico Veterinário | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Turismólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Geografia | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Nutricionista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro em Segurança do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Farmacêutico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fisioterapeuta | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Fonoaudiólogo | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Biomédico | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Jornalista | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Odontólogo Bucomaxilo Facial | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Enfermeiro do Trabalho | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro Civil | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Engenheiro de Pesca | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Matemática | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Língua Portuguesa | FUNDEPES - 2023 - Prefeitura de Penedo - AL - Professor de Séries Iniciais 25h (Polivalente) |
Q4166661 Português
Estamos sendo convencidos de que, se não estivermos antenados às novas tendências, seremos completos fracassados. Compramos coisas como sinais do que queremos ser e de como queremos que os outros pensem que somos.

ZYGMUNT, Bauman. 44 cartas do mundo liquido moderno. Rio de Janeiro: Zahar, 2011, p. 68.

Sobre o trecho em destaque, é correto afirmar:
Alternativas
Q4163588 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão subsequente.

TEXTO

Sem enfeite nenhum – Adaptado (Adélia Prado)

    A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?
    Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor. Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom', danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai.
    Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia! A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.    
     Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
    Quando a Ricardina começou a morrer, no Beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar. 
    [...]
    Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
    Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.
    Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no titulo dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era antusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.
    Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia.
    [...]
   Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
    Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.
   Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.
    Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe. 

    O Senhor te abençoe e te guarde, Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti, O Senhor te dê a Paz.

    Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.

Era raiva não. Era marca de dor.

(Texto publicado em Prosa Reunida, Editora Siciliano: São Paulo, 1999, incluído por Ítalo Moriconi no livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, Editora Objetiva, RJ. Fonte: http://contobrasileiro.com.br/sem-enfeitenenhum-conto-de-adelia-prado-2/)
Leia o fragmento a seguir:
Entrei NO QUARTO querendo festejar e falei sem graça: a cara DA SENHORA, parece que tá com raiva, MÃE.
Está CORRETA a classificação sintática para os termos anteriormente destacados, respectivamente, em:
Alternativas
Q4163586 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão subsequente.

TEXTO

Sem enfeite nenhum – Adaptado (Adélia Prado)

    A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?
    Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor. Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom', danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai.
    Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia! A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.    
     Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
    Quando a Ricardina começou a morrer, no Beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar. 
    [...]
    Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
    Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.
    Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no titulo dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era antusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.
    Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia.
    [...]
   Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
    Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.
   Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.
    Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe. 

    O Senhor te abençoe e te guarde, Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti, O Senhor te dê a Paz.

    Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.

Era raiva não. Era marca de dor.

(Texto publicado em Prosa Reunida, Editora Siciliano: São Paulo, 1999, incluído por Ítalo Moriconi no livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, Editora Objetiva, RJ. Fonte: http://contobrasileiro.com.br/sem-enfeitenenhum-conto-de-adelia-prado-2/)
Leia o trecho a seguir retirado do conto:
“Sofria palpitação e tonteira, LEMBRO dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor.”
Está CORRETA a regência do verbo LEMBRAR, conforme a alternativa:
Alternativas
Q4163582 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão subsequente.

TEXTO

Sem enfeite nenhum – Adaptado (Adélia Prado)

    A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?
    Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor. Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom', danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai.
    Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia! A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.    
     Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
    Quando a Ricardina começou a morrer, no Beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar. 
    [...]
    Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
    Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.
    Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no titulo dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era antusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.
    Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia.
    [...]
   Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
    Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.
   Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.
    Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe. 

    O Senhor te abençoe e te guarde, Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti, O Senhor te dê a Paz.

    Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.

Era raiva não. Era marca de dor.

(Texto publicado em Prosa Reunida, Editora Siciliano: São Paulo, 1999, incluído por Ítalo Moriconi no livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, Editora Objetiva, RJ. Fonte: http://contobrasileiro.com.br/sem-enfeitenenhum-conto-de-adelia-prado-2/)
Leia o trecho a seguir:
“Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.”
Conforme o fragmento retirado, é possível afirmar CORRETAMENTE que:
Alternativas
Q4163580 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão subsequente.

TEXTO

Sem enfeite nenhum – Adaptado (Adélia Prado)

    A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?
    Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor. Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom', danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai.
    Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia! A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.    
     Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
    Quando a Ricardina começou a morrer, no Beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar. 
    [...]
    Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
    Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.
    Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no titulo dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era antusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.
    Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia.
    [...]
   Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
    Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.
   Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.
    Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe. 

    O Senhor te abençoe e te guarde, Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti, O Senhor te dê a Paz.

    Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.

Era raiva não. Era marca de dor.

(Texto publicado em Prosa Reunida, Editora Siciliano: São Paulo, 1999, incluído por Ítalo Moriconi no livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, Editora Objetiva, RJ. Fonte: http://contobrasileiro.com.br/sem-enfeitenenhum-conto-de-adelia-prado-2/)
Leia o trecho a seguir:
Ela desembrulhou e falou assim: bonito, MAS eu preferia MAIS se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.
Os marcadores coesivos destacados, no trecho anterior, revelam campo semântico de: 
Alternativas
Q4163578 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão subsequente.

TEXTO

Sem enfeite nenhum – Adaptado (Adélia Prado)

    A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?
    Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor. Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom', danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai.
    Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia! A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.    
     Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
    Quando a Ricardina começou a morrer, no Beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada, que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar. 
    [...]
    Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
    Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é tão mais bonito, é só acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.
    Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no titulo dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era antusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.
    Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia.
    [...]
   Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
    Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.
   Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.
    Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe. 

    O Senhor te abençoe e te guarde, Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti, O Senhor te dê a Paz.

    Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.

Era raiva não. Era marca de dor.

(Texto publicado em Prosa Reunida, Editora Siciliano: São Paulo, 1999, incluído por Ítalo Moriconi no livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, Editora Objetiva, RJ. Fonte: http://contobrasileiro.com.br/sem-enfeitenenhum-conto-de-adelia-prado-2/)
Leia o trecho a seguir:
“Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom’, danado de bom pra do Carmo.”
Assinale a CORRETA classificação da oração destacada no trecho supracitado.
Alternativas
Q4160603 Português
TEXTO

        Consegue imaginar uma superfície bidimensional com apenas um lado? Esse estranho objeto que desafia o senso comum existe e é a fita de Möbius. Pode parecer absurdo, mas, se uma formiga caminhasse ao longo dessa fita, percorreria tanto a parte interna quanto a externa sem precisar saltar de um lado para outro. Não acredita? Siga o passo a passo em algum tutorial para montar a fita de Möbius, passe o dedo pela superfície dela e vai perceber que seu dedo vai voltar ao lugar de partida sem que seja preciso levantá-lo da fita.
   
        Esse objeto surpreendente foi descrito, de forma independente, porém no mesmo ano de 1858, por dois matemáticos alemães, August Ferdinand Möbius e Johann Benedict Listing. De fato, Listing descreveu a fita alguns meses antes de Möbius, mas sua pesquisa foi publicada apenas em 1861. Além disso, Möbius era um cientista de maior prestígio naquela época, e seu nome prevaleceu na história.
    
        Möbius e Listing foram pioneiros do campo da topologia, uma disciplina que estuda as propriedades dos objetos geométricos e suas características frente a forças que causam deformações, ou seja, como esses objetos podem ser torcidos, esticados, amassados e dobrados. O grande matemático Leonhard Euler foi o fundador da topologia, mas o estudo da fita de Möbius e suas curiosas características promoveu grandes avanços nessa área. As fitas de Möbius recebem uma classificação exclusiva na topologia, elas são objetos não-orientáveis. Explicando de forma simples, isso quer dizer que se desenharmos uma seta sobre ela, não podemos concluir se a seta está apontando para cima ou para baixo.
    
        Möbius era filho de um professor de dança, que faleceu quando o menino tinha apenas 3 anos. Sua mãe era descendente direta de Martinho Lutero e educou o futuro matemático em casa até os 13 anos. A partir daí, Möbius começou a frequentar a escola no famoso monastério de Pforta, na Saxônia. Desde cedo, demonstrou afinidade pela matemática, mas, como sua família o pressionava para que seguisse uma carreira no Direito, iniciou seus estudos nessa área na prestigiosa Universidade de Leipzig. Foi lá que conheceu o matemático e astrônomo Karl Mollweide, e não teve dúvidas: trocou seu curso de estudos para astronomia e matemática. Mollweide era um cientista brilhante e foi grande influência na carreira de Möbius. Após se formar, ainda teve a fortuna de trabalhar na Universidade de Göttingen com ninguém menos que Carl Friedrich Gauss, o “Príncipe da Matemática”.
    
        A carreira acadêmica de Möbius teve altos e baixos, em grande parte devido a sua timidez. Apesar de receber ofertas de instituições menos prestigiosas, ele almejava uma posição de professor titular na Universidade de Leipzig, mas as coisas não aconteceram como planejava. Ele não era visto como um orador talentoso, e suas palestras e cursos não atraíam muitos alunos. Apesar de trabalhar na Universidade de Leipzig desde 1816, ele foi nomeado professor titular apenas em 1844. Möbius também era astrônomo do Observatório de Leipzig, onde fez inúmeras contribuições para a astronomia, no ramo que estuda os movimentos dos corpos celestes. Por isso, o cientista tem seu nome associado a diversas contribuições na matemática, como a Fórmula de Inversão de Möbius e a Função de Möbius, mas sua mais famosa descoberta, a fita de Möbius foi feita enquanto trabalhava em um outro desafio proposto pela “Académie des Sciences” da França: sobre a teoria geométrica dos poliedros.
    
        Apesar de ser um matemático brilhante, a coincidência acerca da descoberta da fita ter sido feita por Möbius e Listing com apenas alguns meses de diferença pode não ter sido fruto do acaso. Os dois cientistas haviam sido alunos de Gauss, que por sua vez tinha o hábito de não publicar ou desenvolver todas as suas ideias. Em relação aos seus resultados, seu lema era Pauca sed matura (Poucos, mas maduros), ou seja, ele só publicava quando estava inteiramente satisfeito. Assim, uma grande parte dos seus trabalhos só foi descoberta após a sua morte. Muitos autores e historiadores atuais acreditam que a ideia original da fita veio de Gauss, e os dois cientistas desenvolveram o conceito.
    
        Hoje em dia as aplicações da fita de Möbius vão muito além do que Möbius e Listing poderiam ter imaginado. Esse conceito pode ser usado não só em esteiras de aeroportos mas também em escadas rolantes de shoppings, para garantir que o desgaste aconteça de maneira uniforme e aumente a vida útil do equipamento; em fitas magnéticas que permitem a gravação e reprodução contínua de áudio; fitas de impressora ou de máquinas de datilografar; em resistores que não geram interferência magnética; na pesquisa de supercondutores; em estruturas de grafeno para componentes de nanoeletrônica, etc. A topologia também já esteve presente em pesquisas agraciadas com o prêmio Nobel, sendo o mais recente o Nobel da Física em 2016, que descreveu novos estados da matéria, com implicações importantes para o desenvolvimento de supercondutores e superfluidos.
    
        Além das aplicações tecnológicas, essa estranha fita tem servido de inspiração para artistas, como o artista gráfico holandês M.C. Escher, com suas obras que desafiam nossa percepção. E para casais apaixonados, que veem a fita de Möbius como um símbolo do amor eterno, um caminho sem fim, que aparenta ter dois lados, mas só tem um.

LOBO, L. Como a fita de Möbius desafia o senso comum. In: Revista Ciência Hoje [CH 395]. Último acesso: 13 de junho de 2023. (Adaptado). Disponível em: .
“Apesar de ser um matemático brilhante, a coincidência acerca da descoberta da fita ter sido feita por Möbius e Listing com apenas alguns meses de diferença pode não ter sido fruto do acaso”. 
No fragmento acima, a oração em destaque introduz uma relação de
Alternativas
Respostas
19181: D
19182: A
19183: B
19184: B
19185: D
19186: A
19187: E
19188: A
19189: C
19190: B
19191: A
19192: D
19193: E
19194: C
19195: E
19196: A
19197: C
19198: D
19199: C
19200: A