Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q3288491 Português
PROFETA DO BEM E DO MAL
VILMA GRYZINSKI
Alexander Soljenítsin enfrentou a URSS e detestou o Ocidente

        Dentro da grande tradição russa, Alexander Soljenítsin foi um fabuloso escritor, mas também um profeta, uma combinação de mente e espírito capazes de captar os círculos da água eterna que se projetam para o que achamos ser o futuro. “Na percepção do meu coração, não existe espaço para um conflito Rússia-Ucrânia e se, Deus nos livre, a questão chegar a isso, posso afirmar com certeza: jamais, em nenhuma circunstância, tomarei parte num confronto russo-ucraniano ou permitirei que meus filhos o façam - não importa o quanto os imprudentes destemperados tentem nos arrastar para isso.” Ele escreveu isso em 1981. Tinha convivido com prisioneiros ucranianos no Gulag e aprendido com seu sofrimento sob Stálin.

        Era também impossível. Expulso pela União Soviética em 1974, ele deveria ter se extasiado com o Ocidente, chorado diante da fartura das prateleiras de um supermercado americano - aconteceu com outros exilados do comunismo - e louvado o papel dos Estados Unidos na defesa das liberdades. Fez exatamente o contrário. Sua crítica ao modelo de democracia liberal é uma das mais radicais que existem. No famoso discurso de abertura do ano letivo em Harvard, em 1978, ele fez considerações que merecem ser lembradas cada vez que procuramos um olhar complexo e diversificado sobre o mundo. Numa crítica premonitória, anotou que, em reação ao passado de colonialismo, “as relações com o antigo mundo colonial viraram para o extremo oposto e o mundo ocidental agora frequentemente exibe um excesso de obsequiosidade” com os ex-colonizados - alguém já viu a nova onda “descolonizadora” nos círculos intelectuais das esquerdas hoje em dia? Enfiando a faca mais fundo, o escritor anotou que “um declínio da coragem pode ser a característica mais marcante que um observador de fora nota no Ocidente hoje”. Mencionou a coragem cívica. Imaginem a cara da fina flor de Harvard ao ouvir que “esse declínio na coragem é particularmente perceptível entre as elites governantes e intelectuais”. Teve mais: “A defesa dos direitos individuais atingiu tais extremos que tornam a sociedade como um todo indefesa diante de certos indivíduos”. Na sua visão, havia um excesso de condescendência com o crime - alguém já ouviu falar em tratar criminosos como vítimas da sociedade?

        Teria o grande Soljenítsin deixado de perceber as nuances do pensamento ocidental, as fraquezas que fazem sua força e sua criatividade, a capacidade de regeneração mesmo de sociedades altamente consumistas ou excessivamente indulgentes? “A inclinação da liberdade na direção do mal aconteceu gradualmente, mas evidentemente deriva de um conceito humanista segundo o qual o homem - o mestre desse mundo - não carrega nenhum mal dentro de si e todos os defeitos da vida são causados por sistemas sociais equivocados que, portanto, precisam ser corrigidos.”

        Qual intelectual hoje ousaria falar em mal ou bem? Soljenítsin falava. Escreveu ele em Arquipélago Gulag: “Gradualmente me foi revelado que a linha separando o bem do mal passa, não entre estados, não entre classes, nem entre partidos políticos - mas diretamente através de cada coração humano. Dentro de nós, oscila com o passar dos anos. E mesmo nos corações tomados pelo mal, uma pequena cabeça de ponte do bem permanece. E mesmo no melhor dos corações, permanece um canto intacto do mal”. Não é de arrepiar?

Revista Veja – 27/09/2024 
Analisando a estrutura morfossintática do período “Sua crítica ao modelo de democracia liberal é uma das mais radicais que existem.”, podemos classificá-lo como 
Alternativas
Q3288485 Português
PROFETA DO BEM E DO MAL
VILMA GRYZINSKI
Alexander Soljenítsin enfrentou a URSS e detestou o Ocidente

        Dentro da grande tradição russa, Alexander Soljenítsin foi um fabuloso escritor, mas também um profeta, uma combinação de mente e espírito capazes de captar os círculos da água eterna que se projetam para o que achamos ser o futuro. “Na percepção do meu coração, não existe espaço para um conflito Rússia-Ucrânia e se, Deus nos livre, a questão chegar a isso, posso afirmar com certeza: jamais, em nenhuma circunstância, tomarei parte num confronto russo-ucraniano ou permitirei que meus filhos o façam - não importa o quanto os imprudentes destemperados tentem nos arrastar para isso.” Ele escreveu isso em 1981. Tinha convivido com prisioneiros ucranianos no Gulag e aprendido com seu sofrimento sob Stálin.

        Era também impossível. Expulso pela União Soviética em 1974, ele deveria ter se extasiado com o Ocidente, chorado diante da fartura das prateleiras de um supermercado americano - aconteceu com outros exilados do comunismo - e louvado o papel dos Estados Unidos na defesa das liberdades. Fez exatamente o contrário. Sua crítica ao modelo de democracia liberal é uma das mais radicais que existem. No famoso discurso de abertura do ano letivo em Harvard, em 1978, ele fez considerações que merecem ser lembradas cada vez que procuramos um olhar complexo e diversificado sobre o mundo. Numa crítica premonitória, anotou que, em reação ao passado de colonialismo, “as relações com o antigo mundo colonial viraram para o extremo oposto e o mundo ocidental agora frequentemente exibe um excesso de obsequiosidade” com os ex-colonizados - alguém já viu a nova onda “descolonizadora” nos círculos intelectuais das esquerdas hoje em dia? Enfiando a faca mais fundo, o escritor anotou que “um declínio da coragem pode ser a característica mais marcante que um observador de fora nota no Ocidente hoje”. Mencionou a coragem cívica. Imaginem a cara da fina flor de Harvard ao ouvir que “esse declínio na coragem é particularmente perceptível entre as elites governantes e intelectuais”. Teve mais: “A defesa dos direitos individuais atingiu tais extremos que tornam a sociedade como um todo indefesa diante de certos indivíduos”. Na sua visão, havia um excesso de condescendência com o crime - alguém já ouviu falar em tratar criminosos como vítimas da sociedade?

        Teria o grande Soljenítsin deixado de perceber as nuances do pensamento ocidental, as fraquezas que fazem sua força e sua criatividade, a capacidade de regeneração mesmo de sociedades altamente consumistas ou excessivamente indulgentes? “A inclinação da liberdade na direção do mal aconteceu gradualmente, mas evidentemente deriva de um conceito humanista segundo o qual o homem - o mestre desse mundo - não carrega nenhum mal dentro de si e todos os defeitos da vida são causados por sistemas sociais equivocados que, portanto, precisam ser corrigidos.”

        Qual intelectual hoje ousaria falar em mal ou bem? Soljenítsin falava. Escreveu ele em Arquipélago Gulag: “Gradualmente me foi revelado que a linha separando o bem do mal passa, não entre estados, não entre classes, nem entre partidos políticos - mas diretamente através de cada coração humano. Dentro de nós, oscila com o passar dos anos. E mesmo nos corações tomados pelo mal, uma pequena cabeça de ponte do bem permanece. E mesmo no melhor dos corações, permanece um canto intacto do mal”. Não é de arrepiar?

Revista Veja – 27/09/2024 
No trecho “Expulso pela União Soviética em 1974, ele deveria ter se extasiado com o Ocidente, chorado diante da fartura das prateleiras de um supermercado americano - aconteceu com outros exilados do comunismo - e louvado o papel dos Estados Unidos na defesa das liberdades. Fez exatamente o contrário.” Temos dois períodos separados por ponto final. Ao juntarmos os dois períodos e explicitarmos a relação semântica entre eles, teremos correta apenas a alternativa:
Alternativas
Q3288260 Português

Leia o texto e responda a questão.


'O maior pesadelo é a desinformação', diz André Correa do Lago, presidente da COP 30 Embaixador afirmou que divulgar fake News sobre mudança do clima é crime. Côrrea do Lago participou de evento em São Paulo nesta sexta-feira (28).



André Correa do Lago, presidente da COP 30

Foto: Matheus Campos/Amcham 



    A menos de oito meses da COP 30, o presidente da conferência, André Côrrea do Lago, destacou que, entre os desafios dos próximos meses, "o maior pesadelo é a desinformação". 


    Ao lado do ministro em exercício de Mudança do Clima e Meio Ambiente (MMA), João Paulo Capobianco, e do governador do Pará, Helder Barbalho, Côrrea do Lago participou do COP30 Business Fórum, evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), realizado nesta sextafeira (28) em São Paulo.

    

    O diplomata afirmou que, até novembro, quando a conferência será realizada em Belém, no Pará, o objetivo é levar informação clara para todos os públicos. Ele reconheceu a própria responsabilidade: "Nós temos um pouco de culpa, nós, que cuidamos desse assunto, às vezes queremos guardar o tema para nós, e acabamos explicando as coisas de maneira muito complicada".  


    "Uma das coisas que temos que fazer nos próximos meses é explicar de maneira muito clara, mostrando que as negociações sobre o clima mudaram completamente a economia mundial".


    Além de transmitir dados precisos, o diplomata abordou o desafio de enfrentar as mentiras sobre a crise climática, destacando o papel de liderança do Brasil nesse esforço. 


    "A COP 30 será uma ocasião muito importante porque o ano passado foi tão triste, em tantos países do mundo, tudo que aconteceu, e no fundo é um crime divulgar desinformação e fake news sobre mudança do clima", disse André Côrrea ao g1.


    Paula Paiva Paulo, g1 — São Paulo, 28/03/2025 

Identifique o tipo de unidade linguística empregada no trecho abaixo:



"O presidente da COP 30, André Correa do Lago, destacou que a desinformação é um grande problema." 

Alternativas
Q3288156 Português
Leia o texto a seguir:


4 hábitos matinais para melhorar a qualidade de vida,
segundo Harvard


Certas atividades pela manhã podem ajudar a tornar o dia mais
produtivo e menos estressante 


O hábito de iniciar todas as manhãs com uma rotina matinal bem estruturada pode aumentar o bem-estar e a produtividade ao longo do dia, além de otimizar a saúde física, mental e emocional. Porém, no mundo moderno, as manhãs das pessoas são muitas vezes marcadas por elevados níveis de estresse e cansaço constante, o que muitas vezes dificulta a realização de determinadas tarefas.


Com base nisso, um grupo de pesquisadores da Escola de Desenvolvimento Profissional e Executivo da Universidade de Harvard determinou que os primeiros minutos do dia são essenciais para o bom funcionamento do corpo e da mente humanos; e que, por isso, estabelecer hábitos saudáveis desde cedo melhora o humor, aumenta a concentração e mantém a energia ao longo do dia. Abaixo estão quatro atividades que podem ser implementadas em sua rotina matinal para combater os sinais de envelhecimento: 


Acorde cedo


O objetivo deste habito é criar uma “margem positiva” na qual se possa acordar algumas horas antes de começar a trabalhar, aproveitando esse tempo extra para realizar atividades que permitam ao cérebro processar informações de forma eficaz e começar o dia com tranquilidade. 


Se hidrate ao acordar


Sentir muita sede ao acordar se deve principalmente ao fato de que, após varias horas de sono, o corpo fica desidratado e acumula toxinas. Por esse motivo, é importante beber água assim que se levantar para ativar o metabolismo.  


Faca exercícios físicos


Para melhorar a circulação e a flexibilidade do corpo, o ideal é que a rotina comece com alguns alongamentos ou exercícios leves para regular a frequência cardíaca. Além disso, segundo o psicólogo Travis Bradberry, fazer atividade física pela manha proporciona mais energia para enfrentar o resto do dia.


Tenha um café da manha nutritivo


O último habito que é aconselhável implementar na rotina matinal para melhorar o bem-estar e a esperança de vida é que a primeira refeição do dia inclua alimentos ricos em proteínas, fibras e gorduras saudáveis. Isso ocorre porque esses alimentos ajudam a prevenir doenças cardíacas e a melhorar o desempenho intelectual.  


Fonte: httpsi//oglobo.globo.com/saude/bem-estarinoticia/2024/12/27/4-habitos- matinais-para-melhorar-a-qualidade-de-vida-segundo-harvard.ghtml. Acesso em 2711212024 
Em “Além disso, segundo o psicólogo Travis Bradberry, fazer atividade física pela manhã proporciona mais energia para enfrentar o resto do dia”, o trecho destacado tem sentido:
Alternativas
Q3288155 Português
Leia o texto a seguir:


4 hábitos matinais para melhorar a qualidade de vida,
segundo Harvard


Certas atividades pela manhã podem ajudar a tornar o dia mais
produtivo e menos estressante 


O hábito de iniciar todas as manhãs com uma rotina matinal bem estruturada pode aumentar o bem-estar e a produtividade ao longo do dia, além de otimizar a saúde física, mental e emocional. Porém, no mundo moderno, as manhãs das pessoas são muitas vezes marcadas por elevados níveis de estresse e cansaço constante, o que muitas vezes dificulta a realização de determinadas tarefas.


Com base nisso, um grupo de pesquisadores da Escola de Desenvolvimento Profissional e Executivo da Universidade de Harvard determinou que os primeiros minutos do dia são essenciais para o bom funcionamento do corpo e da mente humanos; e que, por isso, estabelecer hábitos saudáveis desde cedo melhora o humor, aumenta a concentração e mantém a energia ao longo do dia. Abaixo estão quatro atividades que podem ser implementadas em sua rotina matinal para combater os sinais de envelhecimento: 


Acorde cedo


O objetivo deste habito é criar uma “margem positiva” na qual se possa acordar algumas horas antes de começar a trabalhar, aproveitando esse tempo extra para realizar atividades que permitam ao cérebro processar informações de forma eficaz e começar o dia com tranquilidade. 


Se hidrate ao acordar


Sentir muita sede ao acordar se deve principalmente ao fato de que, após varias horas de sono, o corpo fica desidratado e acumula toxinas. Por esse motivo, é importante beber água assim que se levantar para ativar o metabolismo.  


Faca exercícios físicos


Para melhorar a circulação e a flexibilidade do corpo, o ideal é que a rotina comece com alguns alongamentos ou exercícios leves para regular a frequência cardíaca. Além disso, segundo o psicólogo Travis Bradberry, fazer atividade física pela manha proporciona mais energia para enfrentar o resto do dia.


Tenha um café da manha nutritivo


O último habito que é aconselhável implementar na rotina matinal para melhorar o bem-estar e a esperança de vida é que a primeira refeição do dia inclua alimentos ricos em proteínas, fibras e gorduras saudáveis. Isso ocorre porque esses alimentos ajudam a prevenir doenças cardíacas e a melhorar o desempenho intelectual.  


Fonte: httpsi//oglobo.globo.com/saude/bem-estarinoticia/2024/12/27/4-habitos- matinais-para-melhorar-a-qualidade-de-vida-segundo-harvard.ghtml. Acesso em 2711212024 
Em “[...] os primeiros minutos do dia são essenciais para o bom funcionamento do corpo e da mente humanos; e que, por isso, estabelecer hábitos saudáveis desde cedo melhora o humor, aumenta a concentração e mantém a energia ao longo do dia” (2º parágrafo), a expressão destacada veicula sentido:
Alternativas
Q3288070 Português
Leia o Texto VII e responda à questão.

Texto VII
Fonte:https://ibpad.com.br/comunicacao/pesquisa-campanhas-representativas-da-avon-e-dove-envolvem-os-consumidores-negros/. Acesso em: 20 set 2024.
Observe o vocábulo em destaque: “Existe beleza fora da caixa”. Ele funciona como:
Alternativas
Q3288068 Português
Leia o Texto VI para responder à questão.

Texto VI

Boa Sorte

É só isso
Não tem mais jeito
Acabou
Boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
[...]
Mesmo se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
[...]

MATTA, Vanessa da. Boa sorte. Disponível em: https://www.letras.mus.br/vanessa-da-mata/978899/. Acesso em: 20 set. 2024 (Adaptado).
Em “Quero que se cure / Dessa pessoa /Que o aconselha”, os três trechos em destaque “Quero”, “que se cure” e “Que”, classificamse, respectivamente, como: 
Alternativas
Q3288065 Português

Leia o Texto V para responder à questão.

Texto V

Fonte: https://novaescola.org.br/conteudo/3621/calvin-e-seus-amigos. Acesso em: 28 nov. 2024.

Em: “Eu tentei, mas a editora do livro não usou um bom fixador de impressão.”, a palavra em destaque funciona como:
Alternativas
Q3288057 Português
Leia o Texto I para responder à questão.

Texto I

        O velho interrompeu subitamente a discussão e saiu sisudo, decepcionado antes com Emilie que com meus irmãos. Era inútil censurá-los ou repreendê-los. Emilie colocava-se sempre ao lado deles; eram pérolas que flutuavam entre o céu e a terra, sempre visíveis e reluzentes aos seus olhos, e ao alcance de suas mãos. Essa conivência de Emilie com os filhos me revoltava, e fazia com que às vezes me distanciasse dela, mesmo sabendo que eu também era idolatrado. Tornava-me um filho arredio, por não ser um estragaalbarda, por não ser vítima ou agressor, por rechaçar a estupidez, a brutalidade no trato com os outros. No meu íntimo, creio que deixei a família e a cidade também por não suportar a convivência estúpida com os serviçais. Lembro Dorner dizer que o privilégio aqui no norte não decorre apenas da posse de riquezas.

        — Aqui reina uma forma estranha de escravidão — opinava Dorner. — A humilhação e a ameaça são o açoite; a comida e a integração ilusória à família do senhor são as correntes e golilhas.

        Havia alguma verdade nesta sentença. Eu notava um esforço da parte de Emilie para manter acesa a chama de uma relação cordial com Anastácia Socorro. Às vezes bordavam e costuravam juntas, na sala; e ambas conversavam sobre um passado e lugar distantes, e essas conversas atraíam minha atenção. Permanecia horas ao lado das duas mulheres, magnetizado pelo desenho dourado gravado no corpo vítreo do narguilé, nas contas de cor carmesim que formavam volutas ou caracóis semi-imersos no líquido nacarado, e no bico de madeira que terminava num orifício delicado, como se fossem lábios preparados para um beijo. Mirando e admirando aquele objeto adormecido durante o dia, escutava as vozes, de variada entonação, a evocar temas tão distintos que as aproximavam. Anastácia impressionava-se com a parreira sobre o pátio pequeno, o telhado de folhas, suspenso, de onde brotavam cachos de uvas minúsculas, quase brancas e transparentes, e que nunca cresciam; ela fazia careta quando degustava as frutinhas azedas, sem entender a origem dos cachos enormes de graúdas moscatéis que entupiam a geladeira, o pomar das delícias, junto com as maçãs, peras e figos que meu pai trazia do sul, bem como as caixas de raha com amêndoas, os saquinhos de miski, as latas de tâmaras e de “tambac”, o tabaco persa para o narguilé. As frutas e guloseimas eram proibidas às empregadas, e, cada vez que na minha presença Emilie flagrava Anastácia engolindo às pressas uma tâmara com caroço, ou mastigando um bombom de goma, eu me interpunha entre ambas e mentia à minha mãe, dizendo-lhe: fui eu que lhe ofereci o que sobrou da caixa de tâmaras que comi; assim, evitava um escândalo, uma punição ou uma advertência, além de deixar Emilie reconfortada, radiante de alegria, pois para fazê-la feliz bastava que um filho devorasse quantidades imensas de alimentos, como se o conceito de felicidade estivesse muito próximo ao ato de mastigar e ingerir sem fim. A lavadeira me agradecia perfumando minhas roupas; depois de esfregá-las e enxaguá-las, ela salpicava seiva de alfazema nas camisas, lenços e meias, e, quando eu punha as mãos nos bolsos das calças, encontrava as ervas de cheiro: o benjoim e a canela.

HATOUM, Milton. Relatos de um certo Oriente. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.46-47.
A respeito do trecho “Anastácia impressionava-se com a parreira sobre o pátio pequeno, o telhado de folhas, suspenso, de onde brotavam cachos de uvas minúsculas, quase brancas e transparentes, e que nunca cresciam; ela fazia careta quando degustava as frutinhas azedas, sem entender a origem dos cachos enormes de graúdas moscatéis que entupiam a geladeira, o pomar das delícias, junto com as maçãs, peras e figos que meu pai trazia do sul, bem como as caixas de raha com amêndoas, os saquinhos de miski, as latas de tâmaras e de ‘tambac’, o tabaco persa para o narguilé”, avalie as afirmações abaixo.
I- No trecho, o primeiro verbo funciona como verbo transitivo indireto.
II- As três ocorrências destacadas no texto do “que” possuem a mesma função no trecho em análise, funcionando em todos como conjunção integrante e introduzindo o mesmo tipo de oração.
III- O termo “bem como” poderia ser substituído por “assim como”, sem que haja prejuízo do sentido.
IV- O sintagma nominal ela é um exemplo de catáfora.
V- O referente do sintagma nominal ela é recuperado pragmaticamente, no contexto: “Anastácia impressionava-se com a parreira sobre o pátio pequeno, o telhado de folhas, suspenso, de onde brotavam cachos de uvas minúsculas, quase brancas e transparentes, e que nunca cresciam”.
VI- Em “impressionava-se”, o termo em destaque é uma partícula apassivadora.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3288031 Português
Analise a regência verbal nas frases abaixo e destaque, posteriormente, a alternativa correta.

I. Minha irmã compareceu ao evento ontem.
II. A nova rua já consta no sistema.
III. A decisão acarretou em grandes problemas.
Alternativas
Q3288022 Português
A concordância nominal é a relação entre substantivos, adjetivos, artigos, pronomes e numerais, em que esses elementos se combinam em gênero e número. Assim, assinale a alternativa em que a concordância nominal está INCORRETA:
Alternativas
Q3287515 Português

Leia o texto e responda as questões 





No trecho da charge “Ela envia água para outras regiões, pelo céu.”, analise a estrutura sintática e assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3287436 Português
Texto I.

O Cidadão de Papel

Está provado que a violência só gera mais violência. A rua serve para a criança como uma escola preparatória. Do menino marginal esculpe-se o adulto marginal, talhado diariamente por uma sociedade violenta que lhe nega condições básicas de vida.
Por trás de um garoto abandonado existe um adulto abandonado.
E o garoto abandonado de hoje é o adulto abandonado de amanhã. É um círculo vicioso, onde todos são, em maior ou menor escala, vítimas. São vítimas de uma sociedade injusta que não consegue garantir um mínimo de paz social.
Paz social significa poder andar na rua sem ser incomodado por pivetes. Isso porque num país civilizado não existe pivete. Existem crianças desenvolvendo suas potencialidades. Paz não é ter medo de sequestradores. É nunca desejar comprar uma arma para se defender ou querer se refugiar em Miami. É não considerar normal a ideia de que o extermínio de crianças ou adultos garanta a segurança.
Entender a infância marginal significa entender por que um menino vai para a rua e não para a escola. Essa é, em essência, a diferença entre o garoto que está dentro do carro, de vidros fechados, e aquele que se aproxima do carro para vender chiclete ou pedir esmola. E essa é a diferença entre um país desenvolvido e um país de Terceiro Mundo.

DIMENSTEIN, Gilberto. O Cidadão de Papel. São Paulo. Ed. Ática. 1994. 
“Entender a infância marginal significa entender por que um menino vai para a rua e não para a escola.”
A forma adequada de reescrever a oração reduzida – entender por que um menino vai para a rua – em uma oração desenvolvida é
Alternativas
Q3286767 Português
Assinale a frase sublinhada a seguir que mostra uma concessão.
Alternativas
Q3286766 Português
Assinale a opção em que o termo sublinhado na frase indica uma causa.
Alternativas
Q3286514 Português
Dentre as expressões a seguir, aquela que é termo regido da palavra em destaque em “Sua atitude foi coerente com seus princípios” é: 
Alternativas
Q3286510 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A primavera chegou


Há um conto escandinavo, escrito por não sei quem há muitas primaveras, em que o mordomo se curva respeitosamente e anuncia à senhora condessa:

– Com a vossa permissão, a primavera chegou.
– Diga-lhe que seja bem-vinda e pode permanecer três meses em minhas terras.

Então vem o primeiro domingo da primavera. E havia um velho mendigo que tinha uma perna de pau. Suspeitava-se que em sua mocidade houvesse sido um terrível pirata; de qualquer maneira era agora apenas um velho mendigo que pedia esmola todo domingo na porta da igreja. E havia uma rica velhinha que todo domingo dava ao mendigo uma grande moeda de cobre. Naquele domingo, entretanto, por ser o primeiro da primavera, deu-lhe uma grande moeda de ouro. O mendigo sorriu e pediu licença para lhe oferecer uma bela rosa.

– Que rosa tão bela, mendigo. Onde a colheu?
– Nasceu em minha perna de pau, senhora.

Guardei apenas isso do conto escandinavo que li há muitos anos. Lembro-me ainda vagamente de um casal de namorados que sai pelo campo – e a primavera é tão linda que eles esquecem, e voltam mil anos depois, ainda primaveris, em outra primavera… Mas isso era na Escandinávia, em um daqueles países louros e frios. No Rio será que existe primavera? Proponho que ela exista; apenas o homem distraído não a vê chegar, nem a sente; nossa primavera é sutil e para entrar na cidade não pede licença ao Prefeito.

É claro que falta à nossa gente um pouco de imaginação para sentir, para viver a primavera. Essa gente que espera condução em longas, tediosas filas – por que não aproveita o tempo da espera para fazer rodas e cantar? Imagino a cidade sob esse delírio primaveril; os bondes criariam asas, guiados por condutores de grandes bigodes líricos, e esvoaçariam no céu azul; na Gávea os cavalos ficariam brincando de carrossel e as senhoras e cavalheiros correriam felizes pela pista com flores nos dentes. No cinema, Gina Lolobrigida sairia da tela e viria sentar na poltrona ao meu lado:

– Sim, é bem verdade que me amas? Ouvi o teu suspiro; vi, na penumbra, teus olhos que brilhavam. Quero ficar junto de ti. Io te voglio tanto bene!

Eu me assustaria, mostraria meus papéis, dizendo que devia haver algum engano, eu não era nenhum artista de cinema, não era nem mesmo o Aloísio Sales, era apenas um espectador, o pobre do Braga, obscuro trecho da realidade brasileira…

Mas ela recitaria:

“Comigo fica ou leva-me contigo
Dos mares à amplidão”.

Iríamos para a amplidão dos mares. E na volta tomaríamos grandes, imortais, chuveiradas. Pois na primavera (faça o que quiser a Inspetoria de Águas) na primavera todos teremos água, pois nascerão fontes líricas no metal das torneiras e de nossas banheiras saltarão peixes voadores que se porão a cantar como verdadeiros gaturamos e nós todos seremos acqua-loucos de felicidade. Primavera!


BRAGA, R. A primavera chegou. Manchete, Rio de Janeiro, 1953. Disponível em .
No excerto “Naquele domingo, entretanto, por ser o primeiro da primavera, deu-lhe uma grande moeda de ouro”, a palavra “entretanto” é empregada para assinalar uma relação semântica contrastiva, de oposição, entre o que foi e o que será dito. O mesmo tipo de relação semântica também se verifica em: 
Alternativas
Q3286509 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A primavera chegou


Há um conto escandinavo, escrito por não sei quem há muitas primaveras, em que o mordomo se curva respeitosamente e anuncia à senhora condessa:

– Com a vossa permissão, a primavera chegou.
– Diga-lhe que seja bem-vinda e pode permanecer três meses em minhas terras.

Então vem o primeiro domingo da primavera. E havia um velho mendigo que tinha uma perna de pau. Suspeitava-se que em sua mocidade houvesse sido um terrível pirata; de qualquer maneira era agora apenas um velho mendigo que pedia esmola todo domingo na porta da igreja. E havia uma rica velhinha que todo domingo dava ao mendigo uma grande moeda de cobre. Naquele domingo, entretanto, por ser o primeiro da primavera, deu-lhe uma grande moeda de ouro. O mendigo sorriu e pediu licença para lhe oferecer uma bela rosa.

– Que rosa tão bela, mendigo. Onde a colheu?
– Nasceu em minha perna de pau, senhora.

Guardei apenas isso do conto escandinavo que li há muitos anos. Lembro-me ainda vagamente de um casal de namorados que sai pelo campo – e a primavera é tão linda que eles esquecem, e voltam mil anos depois, ainda primaveris, em outra primavera… Mas isso era na Escandinávia, em um daqueles países louros e frios. No Rio será que existe primavera? Proponho que ela exista; apenas o homem distraído não a vê chegar, nem a sente; nossa primavera é sutil e para entrar na cidade não pede licença ao Prefeito.

É claro que falta à nossa gente um pouco de imaginação para sentir, para viver a primavera. Essa gente que espera condução em longas, tediosas filas – por que não aproveita o tempo da espera para fazer rodas e cantar? Imagino a cidade sob esse delírio primaveril; os bondes criariam asas, guiados por condutores de grandes bigodes líricos, e esvoaçariam no céu azul; na Gávea os cavalos ficariam brincando de carrossel e as senhoras e cavalheiros correriam felizes pela pista com flores nos dentes. No cinema, Gina Lolobrigida sairia da tela e viria sentar na poltrona ao meu lado:

– Sim, é bem verdade que me amas? Ouvi o teu suspiro; vi, na penumbra, teus olhos que brilhavam. Quero ficar junto de ti. Io te voglio tanto bene!

Eu me assustaria, mostraria meus papéis, dizendo que devia haver algum engano, eu não era nenhum artista de cinema, não era nem mesmo o Aloísio Sales, era apenas um espectador, o pobre do Braga, obscuro trecho da realidade brasileira…

Mas ela recitaria:

“Comigo fica ou leva-me contigo
Dos mares à amplidão”.

Iríamos para a amplidão dos mares. E na volta tomaríamos grandes, imortais, chuveiradas. Pois na primavera (faça o que quiser a Inspetoria de Águas) na primavera todos teremos água, pois nascerão fontes líricas no metal das torneiras e de nossas banheiras saltarão peixes voadores que se porão a cantar como verdadeiros gaturamos e nós todos seremos acqua-loucos de felicidade. Primavera!


BRAGA, R. A primavera chegou. Manchete, Rio de Janeiro, 1953. Disponível em .
A construção “tão … que” imprime ao contexto em que ocorre – “e a primavera é tão linda que eles esquecem” – um sentido: 
Alternativas
Q3286020 Português
As conjunções são palavras que servem para relacionar duas orações ou dois termos semelhantes da mesma oração. Assinale a alternativa que estabelece uma relação INCORRETA entre a conjunção destacada e sua classificação.
Alternativas
Q3286018 Português

Analise a regência verbal nas frases abaixo e destaque, posteriormente, a alternativa correta.



I. Aproveitou as opções que tinha e fez a melhor escolha.


II. O modo de fazer, nessa receita, consiste em misturar tudo.


III. Pedi ajuda à síndica.

Alternativas
Respostas
13141: B
13142: D
13143: C
13144: D
13145: C
13146: B
13147: C
13148: C
13149: D
13150: B
13151: E
13152: C
13153: C
13154: A
13155: D
13156: E
13157: B
13158: A
13159: A
13160: A