Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q3492791 Português
Quais são, respectivamente, as classes de palavras que ocorrem no segundo quadrinho da tirinha abaixo, considerando o contexto sintático em que se encontram os vocábulos em questão?
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GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Folha de São Paulo, 17 de maio de 2024. Disponível em: https://cartum.folha.uol.com.br/quadrinhos/2024/05/17/ni quel-nausea-fernando-gonsales.shtml. Acesso em: 27 mai. 2024. 
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Q3492786 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO


Segura que o filho é nosso

Posso me desdobrar em vinte, mas isso vai fazer meu filho acreditar que eu sou uma heroína, e eu não quero dar para ele o exemplo de que mãe é mártir

Giovana Madalosso | Escritora, roteirista e uma das idealizadoras do movimento Um Grande Dia para as Escritoras | 26.mai.2024

        Sou mãe e, como a maioria das outras, consigo me desdobrar em muitas, mas será que devo fazer isso?
        Posso me dividir um duas, mas nunca vou conseguir cobrir a figura do pai. E nem quero porque a presença paterna é importante para uma criança.
        Posso me desdobrar em quatro, mas nunca vou conseguir fazer o papel dos avós, com sua experiência e seu afeto açucarado pelos anos e hérnias.
        Posso me desdobrar em dez, mas nunca vou conseguir substituir a madrinha, o padrinho, a vizinha, o motorista da perua, o amigo de família, o primo que faz aviãozinho e tantos outros, porque cada pessoa é uma, e cada uma delas mostra para o meu filho que o mundo é feito de pessoas diferentes, com ideias diversas.
        Posso mostrar para o meu filho planetas, estrelas e constelações, ensinar matemática com 200 g de farinha e 100 ml de óleo, recortar na massa fresca um triângulo isósceles e um escaleno, mas isso nunca vai substituir um professor e uma escola.
        Posso me desdobrar em vinte, quem sabe até em quarenta, simultaneamente assobiar, fritar ovo e trocar fralda; segurar dois no colo, um na perna, outro na cacunda; ser a plateia cheia que ovaciona o teatrinho; fazer de mim um polvo, uma malabarista, uma comunidade em forma de mulher, mas isso vai fazer meu filho acreditar que eu sou uma heroína, e eu não quero dar para ele o exemplo de que mãe é mártir. De que mulher é mártir. De que qualquer pessoa deve ser mártir.
        Quem sabe, com todo esse amor que me escapa até pelas orelhas, eu possa me desdobrar até em algo de força sobre-humana e sair por aí pintando praça, improvisando creche, mas fui eu mesma que ensinei para o meu filho que podemos até ajudar no dever do outro, mas nunca fazer o dever do outro. E todas essas tarefas gigantes são dever do Estado.
        É, eu poderia ser muitas, mas só quero ser uma. Nem duas, nem uma vírgula três. E às vezes até menos do que uma. Quase uma. Lascada, quebrada, imperfeita, ferrada. Ou egoísta, como tantos homens, vangloriados por abraçarem a carreira e ganharem o mundo, por trabalharem em outras cidades, por cruzarem oceanos, sem nunca serem questionados como nós: quem ficou cuidando dos seus filhos?
        Olhe para mim: não tenho mais braços do que ninguém. E, ao contrário do que alguns pensam, não tenho "espírito de cuidadora". Se desenvolvi foi por força das circunstâncias.
        Pegando aquela frase da Simone de Beauvoir e indo um passo para lá: ninguém nasce mãe, torna-se mãe. Se tudo é uma construção, inclusive a maternidade, podemos reconstruí-la de outra maneira. Cruzar os braços e deixar que o outro faça. Dizer: segura você, que o filho é nosso. E quanto mais nosso, melhor para ele.

MADALOSSO, Giovana. Segura que o filho é nosso. Folha de São Paulo, 26 de maio de 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovana-maladosso/2024/05/segura-que-o-filho-e-nosso.shtml.
Acesso em: 26 mai. 2024. Adaptado. 
Qual função sintática exercem os itens destacados em “Posso mostrar para o meu filho planetas, estrelas e constelações [...]” (4º parágrafo)? 
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Q3490996 Português
O que é o efeito Dunning-Kruger?


GALVÃO, Júlia. O que é o efeito Dunning-Kruger? Disponível em https://jornal.usp.br/radio-usp/o-que-e-o-efeito-dunning kruger/. Acesso em 5 de maio de 2024 [com supressões].

A partir do trecho “Existem diferentes hipóteses para explicar o funcionamento desse fenômeno, sendo um dos mais interessantes aquele que considera que está ligado a um processo que passa pela memória, pela linguagem, pela inteligência e pelo juízo” (linhas 32 a 34), julgue os itens abaixo:


I. A forma verbal “Existem” pode ser trocada pelo verbo „haver‟, desde que ocorra alteração morfossintática (concordância) neste último, ou seja, que seja flexionado no plural;

II. No trecho “[...] está ligado a um processo [...]”, o vocábulo „a‟ deveria ter recebido o acento grave, indicador da crase;

III. No trecho “[...] aquele que considera que está ligado a um processo que passa pela memória [...]”, o excesso de „quês‟ poderia ser resolvido da seguinte forma: “[...] aquele que considera a ligação a um processo atuante na memória [...]”.


Marque a opção CORRETA: 

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Q3490700 Português
Práticas integrativas e complementares em saúde (PICS)

As práticas integrativas e complementares (PICS) desempenham um papel abrangente no Sistema Único de Saúde (SUS) e podem ser incorporadas em todos os níveis da Rede de Atenção à Saúde, com foco especial na Atenção Primária, onde têm grande potencial de atuação. Uma das ideias centrais dessa abordagem é uma visão ampliada do processo saúde e doença, assim como a promoção do cuidado integral do ser humano, especialmente do autocuidado. As indicações às práticas se baseiam na saúde do indivíduo como um todo, levando em conta seus aspectos físicos, emocionais. mentais e sociais.

Disponível em: Acesso em:  <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/> Acesso em: 8 fev. 2024, com adaptações.

Com base na norma-padrão e nas relações gramaticais que constituem o texto, assinale a alternativa correta.
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Q3490699 Português
Qual a relação da arte com a saúde?

Pesquisas realizadas pelo escritório regional da Europa da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostraram que o uso de mídias artísticas no cuidado da saúde pode ter uma variedade de benefícios. Segundo um relatório divulgado em 2019, que analisou os resultados de mais de 3 mil estudos, as artes têm um papel importante na prevenção de problemas de saúde, na promoção da saúde humana como um todo e no gerenciamento e tratamento de doenças ao longo da vida.

Disponível em: . Acesso em: <https://www.nationalgeographicbrasil.com/>. Acesso em: 7 fev. 2024, com adaptações.

De acordo com as regras de concordância prescritas pela norma-padrão, o autor do texto poderia
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Q3489903 Português
Reconstrução de Porto Alegre: as críticas a megaconsultoria contratada pela Prefeitura



ARAÚJO, Luiz Antônio. Reconstrução de Porto Alegre: as críticas a megaconsultoria contratada pela Prefeitura Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn00wykl901o. Acesso em 1 de junho de 2024 [com supressões]. 
A partir do trecho “Identidade, área de especialização e origem dos técnicos são preservadas. Sabe-se apenas que se trata de um time multidisciplinar e de várias nacionalidades, segundo a assessoria da A&M.” (linhas 40 e 41), julgue os itens abaixo: 
I. A concordância do vocábulo „preservadas‟ poderia ser feita com o vocábulo mais próximo: „técnicos‟; II. Em “Sabe-se [...]”, o pronome poderia, no contexto em que ocorre, vir proclítico; III. A vírgula antes da expressão “segundo a assessoria da A&M” poderia ser suprimida sem qualquer prejuízo de sentido ao trecho. 
Marque a opção CORRETA: 
Alternativas
Q3489899 Português
Reconstrução de Porto Alegre: as críticas a megaconsultoria contratada pela Prefeitura



ARAÚJO, Luiz Antônio. Reconstrução de Porto Alegre: as críticas a megaconsultoria contratada pela Prefeitura Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn00wykl901o. Acesso em 1 de junho de 2024 [com supressões]. 
Levando-se em conta o trecho “Porto Alegre, e também grande parte do Estado do Rio Grande do Sul, foram atingidos por fortes temporais nas últimas semanas. O lago Guaíba chegou a atingir o nível recorde de 5,35 metros no último dia 5” (linhas 13 a 15), julgue os itens abaixo: 
I. Na expressão „foram atingidos‟, a concordância só deveria ter sido feita com o vocábulo „Porto Alegre‟; II. No trecho „chegou a atingir‟, o vocábulo „a‟ deveria ter recebido um acento grave, indicador da crase; III. A expressão temporal „no último dia 5‟ não poderia, no contexto em que ocorre, ser virgulada.
Marque a opção CORRETA:
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Q3489456 Português
Assinale a alternativa em que a voz da sentença apresentada é reflexiva.
Alternativas
Q3489016 Português
Assinale a alternativa correta quanto à regência verbal.
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Q3488386 Português

Considere o fragmento de texto a seguir para a questão


1º § - A obsolescência é uma estratégia utilizada pelos fabricantes para reduzir a vida útil dos produtos. Dessa forma, o consumo é promovido e maiores ganhos econômicos são obtidos.


2º § - Essa estratégia se originou no início do século XX, com o desenvolvimento da Revolução Industrial. Seu conceito foi mais claramente definido pelo americano Bernarda London em 1932, que propôs implementá-lo como uma lei.


3º § - Dois tipos básicos de obsolescência programada foram definidos. Na obsolescência técnica, o equipamento é projetado para ter uma curta duração. A obsolescência percebida manipula a mente do consumidor através da publicidade, de forma que considera objetos obsoletos porque não estão na moda.


4º § - A obsolescência programada tem consequências ambientais e sociais. No nível ambiental, o estímulo ao consumo gera uma grande quantidade de resíduos que afeta pessoas e ecossistemas. Do ponto de vista social, aumentam as desigualdades entre os países de maior renda e os menos desenvolvidos.


5º § - Para evitar a obsolescência planejada, devem ser geradas leis que proíbem essa prática e promovam a reciclagem e a produção de bens duradouros. Além disso, a conscientização do consumidor deve ser criada para tornar o consumo responsável.


6º § - As vantagens da obsolescência programada são percebidas pelas empresas, uma vez que essa prática estimula o consumo, gera lucros e gera empregos. Embora suas desvantagens sejam sofridas por todo o planeta, contribuindo para a crise ambiental global e exigindo mão-de-obra barata sem proteção ao trabalhador.


7º § - Entre alguns exemplos, estão as meias de nylon que vêm perdendo qualidade desde sua origem em 1940, passando de um produto durável para descartável atualmente. No campo tecnológico, algumas empresas como a Apple projetam seus produtos com um prazo de validade muito curto e promovem a atualização contínua de seu software.


Fonte: https://maestrovirtuale.com/obsolescencia-programada-historia-tipos-consequencias/(com alterações)

Assinale a alternativa que apresenta uma análise INCORRETA em relação ao sentido introduzido pelo elemento conectivo em destaque.
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Ano: 2024 Banca: FEPESE Órgão: CIDASC Prova: FEPESE - 2024 - CIDASC - Médico Veterinário |
Q3487682 Português
Texto 1


Cidasc é responsável pelo acompanhamento da comercialização do tabaco


A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) firma, todos os anos, contrato de prestação de serviços com a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) para realizar, no Estado catarinense, o acompanhamento da comercialização de Tabaco em folha Curado, ou seja, o fumo em folha proveniente da espécie Nicotina Tabacum L., submetido à cura artificial ou natural. O objetivo é verificar a qualidade e a sanidade do produto comercializado; acompanhar nos pontos de comercialização; e atuar como mediador entre a indústria e o produtor, quando houver divergência, seguindo o instruído, que estabelece a Instrução Normativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) n.º 10, de 13 de abril de 2007, que regulamenta a identidade, qualidade, embalagem, marcação e apresentação do produto.


O tabaco produzido no Brasil é um produto de qualidade reconhecido mundialmente. Em Santa Catarina é uma cultura de relevância social e econômica, que movimenta mais de R$ 6 bilhões ao ano, segundo dados da Afubra. No ano de 2023, somente em Santa Catarina, foram realizados mais de 900 plantões in loco, nos pontos de compras localizados em onze municípios. O acompanhamento dos profissionais da Cidasc é feito na esteira de classificação do produto, junto à fumageira, para posterior acordo de comercialização. Neste ano, de 1º de janeiro até 30 de junho, foram acompanhadas mais de 9 mil comercializações no Estado catarinense.


[…]


O processo industrial, porém, é apenas uma das etapas do chamado “complexo fumageiro”, que envolve, além da indústria, o comércio e a produção da matéria-prima. Essa fica por conta de milhares de produtores rurais, integrados à indústria, ou não integrados, normalmente alicerçados no modelo de pequena propriedade familiar rural.


O tabaco, separado por classe, é comercializado em manocas (maço de folhas de fumo seco) e em fardos. A valorização do produto na compra das fumageiras pode variar de uma empresa para outra dependendo do mercado a ser destinado. A classificação dos produtos de origem vegetal facilita os procedimentos de comercialização dentro do país, diretamente, e indiretamente para a exportação.


[…]


Disponível em: https://estado.sc.gov.br/noticias/safra-de-tabaco- -cidasc-e-responsavel-pelo-acompanhamento-da-comercializacao- -do-produto-junto-as-fumageiras-catarinenses-2/. Acesso em: 22 de mar 2024. Publicado em: 11 de ago 2023. Fragmento adaptado.
Assinale a frase que está escrita de acordo com a norma padrão de língua portuguesa.
Alternativas
Q3487445 Português
Assinale a frase que contenha uma declaração afirmativa:
Alternativas
Q3487441 Português
Na frase “Paulo é um jogador famoso e sua vida tem sido muito exposta.” Qual o sujeito da frase?
Alternativas
Q3487370 Português

Analise a sentença a seguir:

“Após o acontecimento ter sido noticiado, repórteres indagavam …. suas motivações.” Considerando a regência do verbo “indagar”, a preposição que melhor preenche a lacuna da sentença é: 

Alternativas
Q3487359 Português

Leia o texto para responder à questão.


O arteiro e o tempo


Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.


 A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.


Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.


Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.


— Não pode ser, como ele mudou! Ou então não acredita.


— É mentira. Esse não é ele!


E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.


Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.


Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.


Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana  leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.


Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:


— Passa depressa, pô!


— Pra quê? 


— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.


— Calma... — Anda! — Tem tempo...


E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto a seguir: “(...) quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.” As duas orações que formam a sentença apresentada no excerto dado se relacionam de forma a exprimir um sentido: 
Alternativas
Q3487357 Português

Leia o texto para responder à questão.


O arteiro e o tempo


Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.


 A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.


Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.


Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.


— Não pode ser, como ele mudou! Ou então não acredita.


— É mentira. Esse não é ele!


E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.


Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.


Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.


Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana  leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.


Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:


— Passa depressa, pô!


— Pra quê? 


— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.


— Calma... — Anda! — Tem tempo...


E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Em termos de regência, a forma verbal empregada no excerto “E o Tempo se espreguiça.” é:
Alternativas
Q3487355 Português

Leia o texto para responder à questão.


O arteiro e o tempo


Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.


 A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.


Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.


Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.


— Não pode ser, como ele mudou! Ou então não acredita.


— É mentira. Esse não é ele!


E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.


Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.


Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.


Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana  leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.


Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:


— Passa depressa, pô!


— Pra quê? 


— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.


— Calma... — Anda! — Tem tempo...


E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

No excerto “Depois começa a ficar parecida.”, a palavra “parecida” está em sua forma flexionada no gênero feminino, e estabelece uma relação de concordância com uma palavra que ocorre anteriormente. Essa palavra é:
Alternativas
Q3487353 Português

Leia o texto para responder à questão.


O arteiro e o tempo


Se o Tempo tivesse uma cara, como seria? Para começar, não seria uma cara. Seriam várias. A cara do Tempo mudaria a toda hora. Bem, não a toda hora. Mas certamente a todo o ano.


 A cara do Tempo ao nascer seria igual à cara de qualquer recém-nascido. Meio amassada, como um papel de embrulho que não se consegue alisar. Alguém poderia dizer “É a cara do pai” mas só estaria sendo delicado. Ao nascer, ninguém é a cara de ninguém.


Aliás, os dois ou três dias depois do nascimento são os únicos dias da vida em que a nossa cara é só nossa. Depois começa a ficar parecida.


Com o tempo, a cara do Tempo iria mudando. Na infância, a cara da gente muda mais depressa. Sempre tem aquela tia que passa um ou dois meses sem nos ver e quando vê faz um escândalo.


— Não pode ser, como ele mudou! Ou então não acredita.


— É mentira. Esse não é ele!


E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado. Mesmo que por dentro esteja pensando: “Saco”.


Depois, a nossa cara muda mais devagar. A cara de quem tem quinze anos é muito diferente da cara de quem tem dez. Mas a cara de quem tem 35 não é muito diferente da cara de quem tem trinta. Pelo menos não o bastante para enganar uma tia.


Depois de um certo tempo, o Tempo muda de cara devagar. Mas muda. Vai ficando enrugado, encurvado... Mas é engraçado: quanto mais velho fica o Tempo, mais rápido ele passa.


Quando ele é moço, o Tempo parece que nem anda. Você fica torcendo para ele passar depressa — principalmente no começo do ano escolar, quando as férias estão lá longe e cada dia leva uma semana para terminar e cada semana  leva um mês — e ele passa arrastando os pés, como um velho.


Quando fica velho, passa correndo, como um moço. E um moço atleta. Por isso os adultos não falam com o Tempo. Não conseguem. Ele não fica quieto. Criança, sim, pode conversar com o Tempo. Pedir coisas:


— Passa depressa, pô!


— Pra quê? 


— Pro verão chegar logo. Pro meu aniversário chegar logo. Pro Natal chegar logo.


— Calma... — Anda! — Tem tempo...


E o Tempo se espreguiça. E é capaz até de tirar uma soneca na sua cara. Afinal, ele tem todo o tempo do mundo. Ele é todo o tempo do mundo.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto a seguir: “E a gente não sabe se fica orgulhoso por ter crescido tanto e estar ali enganando a tia ou finge que acha engraçado.” Nesse contexto, a substituição da expressão “a gente” pelo pronome pessoal “nós”, de sentido correspondente, demandaria a seguinte reescritura:
Alternativas
Q3487327 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que a regência verbal está incorreta.
Alternativas
Q3487326 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que ocorre desvio de concordância verbal ou nominal.
Alternativas
Respostas
11361: A
11362: D
11363: C
11364: C
11365: E
11366: E
11367: E
11368: E
11369: A
11370: C
11371: D
11372: A
11373: A
11374: D
11375: D
11376: A
11377: D
11378: C
11379: A
11380: C