Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q3682517 Português
Ansiedade Digital: O Impacto da Conexão Constante na Saúde Mental


Por Ana Beatriz Barbosa

Q1_15.png (690×528)

(Disponível em: https://draanabeatriz.com.br/ansiedade-digital-o-impacto-da-conexao-constante-na-saudemental/ - texto adaptado especialmente para esta prova).
No trecho "desativar notificações e fazer pausas regulares ao longo do dia", retirado do texto, qual é a relação de sentido estabelecida pela conjunção "e"?
Alternativas
Q3682424 Português
Por que é preciso cuidar das mães durante a amamentação:
Agosto Dourado conscientiza sobre a importância do aleitamento materno



(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/conteudo-de-marca/2025/08/por-que-e-preciso-cuidardas-maes-durante-a-amamentacao-cme2tc9qg00qn012xjxi6j9ho.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
No trecho retirado do texto “O médico mastologista cooperado da Unimed Porto Alegre Mario Schorr destaca que, embora o período de amamentação seja uma experiência linda, não é a única forma da mãe estabelecer um vínculo com o filho”, a conjunção sublinhada estabelece uma relação de              entre as orações.

Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna o trecho acima.
Alternativas
Q3682421 Português
Por que é preciso cuidar das mães durante a amamentação:
Agosto Dourado conscientiza sobre a importância do aleitamento materno



(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/conteudo-de-marca/2025/08/por-que-e-preciso-cuidardas-maes-durante-a-amamentacao-cme2tc9qg00qn012xjxi6j9ho.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta duas orações coordenadas sindéticas.
Alternativas
Q3682420 Português
Por que é preciso cuidar das mães durante a amamentação:
Agosto Dourado conscientiza sobre a importância do aleitamento materno



(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/conteudo-de-marca/2025/08/por-que-e-preciso-cuidardas-maes-durante-a-amamentacao-cme2tc9qg00qn012xjxi6j9ho.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Analise o trecho a seguir:

“45% dos bebês até os seis meses são alimentados exclusivamente com leite materno” (l. 04-05).

Considerando o uso de percentual, o trecho apresenta mais uma possibilidade de concordância verbal. Assinale a alternativa que apresenta a melhor forma de reescrita do trecho sublinhado de maneira que se mantenha o sentido original.
Alternativas
Q3682267 Português
“Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem – que recusa? (...)”

(Trecho de Eloquência singular, de Fernando Sabino)

Mantendo o mesmo sentido da construção verbal motivadora do texto acima, assinale a alternativa em que ambas as formas estão de acordo com a norma-padrão.
Alternativas
Q3682226 Português
Qual alternativa contém uma oração subordinada substantiva apositiva?
Alternativas
Q3682225 Português

Dependência digital chega à terceira idade



    Atualmente, muito se discute sobre a necessidade de balizadores para os tempos de tela de crianças e adolescentes. Não faltam estudos que indicam os problemas gerados pelo excesso de exposição dos mais jovens aos apelos do mundo digital, sobretudo aos conteúdos breves e incessantes das redes sociais. No entanto, pouco se fala sobre como os celulares têm afetado o cotidiano de pessoas idosas.

    A pandemia acelerou a aproximação dos maiores de 60 anos ao mundo digital. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada em agosto de 2024, o número de idosos que acessam a internet no Brasil mais que dobrou entre 2016 e 2023.

    O contexto de distanciamento social pode ter aumentado o interesse desse grupo por ferramentas e mídias digitais, que permitiram a manutenção do contato com familiares e amigos, além de facilitar atividades cotidianas, como transações bancárias e serviços de entrega domiciliar.

    Se, por um lado, o interesse pelas plataformas digitais aproxima os idosos do seu direito à informação e de participar do complexo território que é a internet, por outro, pode também reforçar situações de isolamento social e quadros depressivos.

    Essa situação se agrava quando a pessoa idosa vive só, com pouca assistência familiar e escasso convívio social. Nesses casos, o tempo diante do celular pode representar uma forma de preencher lacunas ____________, o que, assim como ocorre entre crianças e adolescentes, pode prejudicar a cognição e a manutenção de laços significativos.

    Os jovens, contudo, contam com espaços formais de educação, onde há oportunidades de refletir sobre sua relação com as tecnologias, tema previsto nos currículos das redes de ensino.

    Já para os idosos, há escassez de espaços voltados à qualificação da experiência digital. Com isso, poucas pessoas com mais de 60 anos têm a chance de refletir sobre sua relação com o mundo digital e, principalmente, sobre o que certos hábitos, especialmente os mais compulsivos, podem estar encobrindo.

    É preciso, portanto, reconhecer não apenas os mais jovens como sujeitos de direito à tecnologia. Participar do mundo conectado vai além de estar presente nas ____________ digitais. Por isso, a qualificação da inclusão digital deve estar diretamente relacionada à expansão das ofertas de educação midiática e digital para todas as idades.



Fonte: Educamídia. Adaptado.

Na frase “É preciso, portanto, reconhecer não apenas os mais jovens como sujeitos de direito à tecnologia.” o termo sublinhado NÃO poderia ser substituído, por causar alteração de sentido, por:
Alternativas
Q3682198 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O bairro do centro de São Paulo eleito como terceiro mais atrativo do mundo

O guia britânico Time Out classificou a Barra Funda, na capital paulista, como o terceiro bairro mais atrativo do mundo, em publicação recente. A região paulistana ficou atrás apenas de Jimb?ch?, em Tóquio (Japão), e de Borgerhout, em Antuérpia (Bélgica). O resultado é elaborado com base em uma pesquisa realizada com uma rede global de especialistas — escritores e editores de diversas cidades ligados à revista — e leva em conta critérios como vida noturna, arte, cultura, gastronomia acessível, diversidade e presença de negócios independentes que preservam o caráter local e estimulam a criatividade urbana.

De acordo com a publicação, os bairros eleitos representam a alma das cidades, mantendo um perfil autêntico que atrai moradores e visitantes para viver, trabalhar e se divertir. A Time Out descreve a Barra Funda como a alma alternativa de São Paulo, um lugar onde a história industrial se mistura com uma atmosfera criativa e descolada. No mesmo quarteirão, convivem concreto, trilhos de trem e uma boate alternativa, antigos armazéns transformados em ateliês e cafés modernos instalados em antigas oficinas mecânicas, além de festas que acontecem atrás de portões de ferro.

Para os amantes da arte e da vida urbana, a revista recomenda a Barra Funda como um destino imperdível, citando a galeria Mendes Wood, as opções de compras exclusivas, a vida noturna vibrante e a culinária contemporânea. Restaurantes como Sururu, Caracol e Komah são destacados pelos ótimos cardápios, e a publicação propõe um roteiro ideal para um dia no bairro: começar com um passeio pelo Elevado Costa e Silva, o Minhocão, seguido de café da manhã na A Baianeira. Em seguida, visitar a galeria Mendes Wood e a loja Verniz, conhecida pelo mobiliário brasileiro moderno. Para o almoço, a sugestão é o restaurante Mescla, com seu arroz de camarão e o tradicional pudim como sobremesa. À noite, o roteiro inclui drinques no Mamãe Bar, ponto de encontro de um público jovem e animado, ou coquetéis no sofisticado bar Água e Biscoito.

Outro bairro brasileiro que aparece é Botafogo, no Rio de Janeiro, descrito como um lugar que nunca para. A Time Out destaca a efervescência cultural e gastronômica da região, com novos bares, restaurantes, galerias e cafés surgindo constantemente em casas reformadas e antigas garagens. À noite, as calçadas ficam cheias, e locais como Fala, Macuna, Tão Longe Tão Perto, Polvo e Quartinho se transformam até mesmo em pistas de dança. A publicação menciona cafés descolados como Dainer e Cirandaia, brunchs descontraídos e uma cena gastronômica de alto nível, que combina charme natural com influências culinárias variadas.

Para aproveitar um dia em Botafogo, a sugestão é começar com um pão de fermentação natural na The Slow Bakery, visitar exposições de arte contemporânea nas galerias Athena e Cavalo, almoçar no restaurante Sult — especializado em culinária brasileiro-italiana — e tomar um café no Chora à tarde. À noite, o roteiro ideal inclui bares como Botica, Tero e Chanchada, conhecidos por manter música, bebidas e boa energia até tarde da noite.

A presença de Barra Funda e Botafogo entre os bairros mais atrativos do mundo reafirma a relevância das cidades brasileiras no cenário urbano global, destacando sua capacidade de unir tradição e inovação, preservar a identidade local e criar espaços criativos que atraem diferentes públicos em busca de experiências culturais e gastronômicas autênticas.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckgzdxxkl3mo.adaptado.
Para os amantes da arte e da vida urbana, a revista recomenda a Barra Funda como um destino imperdível.

Sintaticamente, é correto afirmar que, nesta frase:
Alternativas
Q3682195 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O bairro do centro de São Paulo eleito como terceiro mais atrativo do mundo

O guia britânico Time Out classificou a Barra Funda, na capital paulista, como o terceiro bairro mais atrativo do mundo, em publicação recente. A região paulistana ficou atrás apenas de Jimb?ch?, em Tóquio (Japão), e de Borgerhout, em Antuérpia (Bélgica). O resultado é elaborado com base em uma pesquisa realizada com uma rede global de especialistas — escritores e editores de diversas cidades ligados à revista — e leva em conta critérios como vida noturna, arte, cultura, gastronomia acessível, diversidade e presença de negócios independentes que preservam o caráter local e estimulam a criatividade urbana.

De acordo com a publicação, os bairros eleitos representam a alma das cidades, mantendo um perfil autêntico que atrai moradores e visitantes para viver, trabalhar e se divertir. A Time Out descreve a Barra Funda como a alma alternativa de São Paulo, um lugar onde a história industrial se mistura com uma atmosfera criativa e descolada. No mesmo quarteirão, convivem concreto, trilhos de trem e uma boate alternativa, antigos armazéns transformados em ateliês e cafés modernos instalados em antigas oficinas mecânicas, além de festas que acontecem atrás de portões de ferro.

Para os amantes da arte e da vida urbana, a revista recomenda a Barra Funda como um destino imperdível, citando a galeria Mendes Wood, as opções de compras exclusivas, a vida noturna vibrante e a culinária contemporânea. Restaurantes como Sururu, Caracol e Komah são destacados pelos ótimos cardápios, e a publicação propõe um roteiro ideal para um dia no bairro: começar com um passeio pelo Elevado Costa e Silva, o Minhocão, seguido de café da manhã na A Baianeira. Em seguida, visitar a galeria Mendes Wood e a loja Verniz, conhecida pelo mobiliário brasileiro moderno. Para o almoço, a sugestão é o restaurante Mescla, com seu arroz de camarão e o tradicional pudim como sobremesa. À noite, o roteiro inclui drinques no Mamãe Bar, ponto de encontro de um público jovem e animado, ou coquetéis no sofisticado bar Água e Biscoito.

Outro bairro brasileiro que aparece é Botafogo, no Rio de Janeiro, descrito como um lugar que nunca para. A Time Out destaca a efervescência cultural e gastronômica da região, com novos bares, restaurantes, galerias e cafés surgindo constantemente em casas reformadas e antigas garagens. À noite, as calçadas ficam cheias, e locais como Fala, Macuna, Tão Longe Tão Perto, Polvo e Quartinho se transformam até mesmo em pistas de dança. A publicação menciona cafés descolados como Dainer e Cirandaia, brunchs descontraídos e uma cena gastronômica de alto nível, que combina charme natural com influências culinárias variadas.

Para aproveitar um dia em Botafogo, a sugestão é começar com um pão de fermentação natural na The Slow Bakery, visitar exposições de arte contemporânea nas galerias Athena e Cavalo, almoçar no restaurante Sult — especializado em culinária brasileiro-italiana — e tomar um café no Chora à tarde. À noite, o roteiro ideal inclui bares como Botica, Tero e Chanchada, conhecidos por manter música, bebidas e boa energia até tarde da noite.

A presença de Barra Funda e Botafogo entre os bairros mais atrativos do mundo reafirma a relevância das cidades brasileiras no cenário urbano global, destacando sua capacidade de unir tradição e inovação, preservar a identidade local e criar espaços criativos que atraem diferentes públicos em busca de experiências culturais e gastronômicas autênticas.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckgzdxxkl3mo.adaptado.
A Time Out "descreve" a Barra Funda como a alma alternativa de São Paulo.

De acordo com as regras de regência verbal, o verbo destacado nesta frase funciona como verbo: 
Alternativas
Q3682100 Português
Na redação oficial, os pronomes de tratamento apresentam certas peculiaridades quanto às concordâncias verbal, nominal e pronominal. Sobre a concordância nominal na identificação dos signatários, considerando as flexões de gênero (masculino e feminino), assinalar a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3682061 Português
Assinale a alternativa em que a concordância está INCORRETA:
Alternativas
Q3681954 Português
Sobre os mecanismos de coesão textual, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3681760 Português

Observe a seguinte frase:


“Faltou, naquele comício esvaziado, os argumentos que sustentavam o discurso do candidato.”


Em relação à norma culta da língua portuguesa, é correto afirmar que: 

Alternativas
Q3681759 Português

Observe a seguinte frase:


"Durante o apagão, diversos relatórios foram redigidos por servidores que sequer sabiam do problema técnico."


Assinale a alternativa que mantém o sentido e a correção gramatical da frase, ao transformá-la para a voz passiva sintética:

Alternativas
Q3681758 Português

A oração


“Era uma vez um rei muito justo e bondoso” é exemplo clássico de: 

Alternativas
Q3681631 Português
Considere a seguinte sentença: “Tinha vontade de se mudar para outro país, todavia não podia fazê-lo.” A palavra “todavia”, neste contexto, exprime o mesmo sentido de:
Alternativas
Q3681565 Português
“A coesão textual é garantida, em grande parte, pelo uso adequado dos pronomes relativos, que permitem encadear argumentos e preservar clareza semântica” (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa, 2009). Em artigos acadêmicos, essa prática reforça a consistência argumentativa.

Assinale a alternativa que apresenta uso adequado de pronome relativo.
Alternativas
Q3681559 Português
“Os conectores concessivos estabelecem relações lógicas de contraste, conferindo ao discurso complexidade sintática e argumentativa” (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa, 2009). Esse recurso é amplamente explorado em textos acadêmicos e literários para tensionar expectativas do leitor.

Comando: Assinale a alternativa que apresenta um período corretamente estruturado com oração subordinada concessiva.
Alternativas
Q3680849 Português
TEXTO


O ESPELHO


    Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundiase misteriosamente com o luar que vinha de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.

    Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinqüenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial; e acrescentava que os serafins e os querubins não controvertiam nada, e, aliás, eram a perfeição espiritual e eterna. Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu:

    - Pensando bem, talvez o senhor tenha razão.

    Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão tornou-se difícil, senão impossível, pela multiplicidade das questões que se deduziram do tronco principal e um pouco, talvez, pela inconsistência dos pareceres. Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, - uma conjetura.

    - Nem conjetura, nem opinião, redargüiu ele; uma ou outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas...

    - Duas?

    - Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... Espantem-se à vontade, podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira. [...] Agora, é preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma...

    - Não?

    - Não, senhor; muda de natureza e de estado. Não aludo a certas almas absorventes, como a pátria, com a qual disse o Camões que morria, e o poder, que foi a alma exterior de César e de Cromwell. São almas enérgicas e exclusivas; mas há outras, embora enérgicas, de natureza mudável. Há cavalheiros, por exemplo, cuja alma exterior, nos primeiros anos, foi um chocalho ou um cavalinho de pau, e mais tarde uma provedoria de irmandade, suponhamos. Pela minha parte, conheço uma senhora, - na verdade, gentilíssima, - que muda de alma exterior cinco, seis vezes por ano. Durante a estação lírica é a ópera; cessando a estação, a alma exterior substitui-se por outra: um concerto, um baile do Cassino, a rua do Ouvidor, Petrópolis... [...] 

    Eu mesmo tenho experimentado dessas trocas. Não as relato, porque iria longe; restrinjo-me ao episódio de que lhes falei. Um episódio dos meus vinte e cinco anos... Os quatro companheiros, ansiosos de ouvir o caso prometido, esqueceram a controvérsia. Santa curiosidade! Tu não és só a alma da civilização, és também o pomo da concórdia, fruta divina, de outro sabor que não aquele pomo da mitologia. A sala, até há pouco ruidosa de física e metafísica, é agora um mar morto; todos os olhos estão no Jacobina, que conserta a ponta do charuto, recolhendo as memórias. [...]


ASSIS, Machado de. O Espelho. In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar 1994. v. II.
Leia o trecho:

“Disse-me ele que cada criatura humana traz duas almas: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro.”

Com relação à estrutura sintática do período, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3680846 Português
TEXTO


O ESPELHO


    Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundiase misteriosamente com o luar que vinha de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.

    Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinqüenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial; e acrescentava que os serafins e os querubins não controvertiam nada, e, aliás, eram a perfeição espiritual e eterna. Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu:

    - Pensando bem, talvez o senhor tenha razão.

    Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão tornou-se difícil, senão impossível, pela multiplicidade das questões que se deduziram do tronco principal e um pouco, talvez, pela inconsistência dos pareceres. Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, - uma conjetura.

    - Nem conjetura, nem opinião, redargüiu ele; uma ou outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas...

    - Duas?

    - Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... Espantem-se à vontade, podem ficar de boca aberta, dar de ombros, tudo; não admito réplica. Se me replicarem, acabo o charuto e vou dormir. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Há casos, por exemplo, em que um simples botão de camisa é a alma exterior de uma pessoa; - e assim também a polca, o voltarete, um livro, uma máquina, um par de botas, uma cavatina, um tambor, etc. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira. [...] Agora, é preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma...

    - Não?

    - Não, senhor; muda de natureza e de estado. Não aludo a certas almas absorventes, como a pátria, com a qual disse o Camões que morria, e o poder, que foi a alma exterior de César e de Cromwell. São almas enérgicas e exclusivas; mas há outras, embora enérgicas, de natureza mudável. Há cavalheiros, por exemplo, cuja alma exterior, nos primeiros anos, foi um chocalho ou um cavalinho de pau, e mais tarde uma provedoria de irmandade, suponhamos. Pela minha parte, conheço uma senhora, - na verdade, gentilíssima, - que muda de alma exterior cinco, seis vezes por ano. Durante a estação lírica é a ópera; cessando a estação, a alma exterior substitui-se por outra: um concerto, um baile do Cassino, a rua do Ouvidor, Petrópolis... [...] 

    Eu mesmo tenho experimentado dessas trocas. Não as relato, porque iria longe; restrinjo-me ao episódio de que lhes falei. Um episódio dos meus vinte e cinco anos... Os quatro companheiros, ansiosos de ouvir o caso prometido, esqueceram a controvérsia. Santa curiosidade! Tu não és só a alma da civilização, és também o pomo da concórdia, fruta divina, de outro sabor que não aquele pomo da mitologia. A sala, até há pouco ruidosa de física e metafísica, é agora um mar morto; todos os olhos estão no Jacobina, que conserta a ponta do charuto, recolhendo as memórias. [...]


ASSIS, Machado de. O Espelho. In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar 1994. v. II.
No fragmento “A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens”, o termo destacado (implícito em relação ao núcleo “alma exterior”) é classificado como:
Alternativas
Respostas
8961: B
8962: A
8963: B
8964: C
8965: A
8966: C
8967: D
8968: B
8969: D
8970: B
8971: D
8972: C
8973: D
8974: A
8975: C
8976: A
8977: B
8978: A
8979: E
8980: D