Questões de Concurso
Sobre sintaxe em português
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Manuel Bandeira
Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconsequente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive
E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d’água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcaloide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar — Lá sou amigo do rei — Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada.
Fonte: BANDEIRA, Manuel. Libertinagem. Rio de Janeiro: Editora Global, 1930.
Após leitura do poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira, analise, como verdadeiras (V) ou falsas (F), as afirmativas a seguir.
I. No verso “Vou-me embora pra Pasárgada”, o termo em destaque apresenta a colocação pronominal denominada mesóclise, que é bem comum nos textos dos escritores do cânone literário;
II. Nos versos “De tal modo inconsequente\ Que Joana a Louca de Espanha”, o termo em destaque classifica-se como pronome relativo;
III. No verso “Vou-me embora pra Pasárgada”, o termo “pra” não se adequa ao uso da normapadrão e deve ser, imediatamente, corrigido;
IV. Os verbos “escolherei”, “farei”, “andarei”, “montarei” e “subirei” estão conjugados na primeira pessoa do singular do futuro do presente do modo indicativo.
Após análise das afirmativas, conclui-se que a sequência correta é:
I. As menções realizadas ao estudioso Raymond Williams e ao Antropólogo Roberto da Matta revelam o recurso da intertextualidade na construção do texto;
II. O termo em negrito na frase “A cultura nos parece uma ótima ferramenta de compreensão das diferenças entre as sociedades e os indivíduos” classifica-se, morfologicamente, como pronome pessoal do caso reto;
III. Na frase “Como descrito por Da Matta, ela é um mapa, através do qual as pessoas de um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas”, a vírgula que separa o termo em negrito do restante do texto é obrigatória porque o adjunto adverbial está deslocado;
IV. Na frase “Na atualidade, não é difícil que se encontre indivíduos que acreditam em formas de cultura superiores a outras”, o termo em negrito trata-se de uma conjunção integrante que precede uma oração subordinada substantiva subjetiva.
Após análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas:
Leia o texto para responder à próxima questão.
Como explicar o amor.
Contam que, certa vez, se reuniram os sentimentos e as qualidades do homem em um certo lugar da terra.
Quando o aborrecimento havia reclamado pela terceira vez, a loucura, como sempre tão louca, lhes propôs: - vamos brincar de esconde-esconde. A intriga levantou a sobrancelha intrigada e a curiosidade, sem poder se conter perguntou: - esconde-esconde, como é isso? - é um jogo, explicou a loucura, em que eu fecho os olhos e conto de um a um milhão, enquanto vocês se escondem. Quando eu tiver terminado de contar, o primeiro de vocês, que eu encontrar, ocupará meu lugar para continuar o jogo. O entusiasmo dançou seguido pela euforia. A alegria deu tantos saltos que acabou convencendo a dúvida e até mesmo a apatia, que nunca se interessava por nada. Mas nem todos quiseram participar. A verdade preferiu não se esconder. Para quê? Se no final a encontravam? A soberba opinou que era um jogo muito tonto, (no fundo o que a incomodava era que a ideia não tivesse sido dela) e a covardia preferiu não se arriscar.
- um, dois, três, quatro… começou a contar a loucura. A primeira a se esconder foi a pressa, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho. A fé subiu ao céu e a inveja se escondeu atrás da sombra do triunfo, que com seu próprio esforço, tinha conseguido subir na copa da árvore mais alta. A generosidade quase não conseguiu se esconder, pois cada local que encontrava, lhe parecia maravilhoso para algum de seus amigos, se era um lago cristalino, era ideal para a beleza; se era a copa de uma árvore, era perfeito para a timidez; se era o voo de uma borboleta, melhor para a volúpia; se era uma rajada de vento, magnífico para a liberdade. E assim, acabou se escondendo em um raio de sol. O egoísmo, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o inicio, ventilado e cômodo, mas apenas para ele. A mentira se escondeu no fundo do oceano, (mentira, na realidade, se escondeu atrás do arco-íris); a paixão e o desejo, no centro dos vulcões. O esquecimento, não me recordo onde se escondeu, mas isso não é o mais importante. Quando a loucura estava lá perto, o amor ainda não havia encontrado um local de se esconder, pois todos já estavam ocupados, até que encontrou um roseiral, carinhosamente, decidiu se esconder entre as flores.
- um milhão, contou a loucura, começou a busca. A primeira a aparecer foi a pressa, apenas a três passos de uma pedra. Depois se escutou a fé, discutindo com deus no céu sobre zoologia. Sentiu-se vibrar a paixão e o desejo nos vulcões. Em um descuido encontrou a inveja, e claro, pode se deduzir onde estava o triunfo. O egoísmo não teve que procurá-lo. Ele sozinho saiu em disparada de seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas. De tanto caminhar, a loucura sentiu sede, e ao se aproximar de um lago, descobriu a beleza. A dúvida foi mais fácil ainda, pois a encontrou sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado se esconder. E assim foi encontrando a todos. O talento entre a erva fresca; a angústia em uma cova escura; a mentira atrás do arco-íris, (mentira, estava no fundo do oceano); e ate o esquecimento, a quem já havia esquecido que estava brincando de esconde-esconde. Apenas o amor não aparecia em nenhum local. A loucura procurou atrás de cada árvore, em Baixo de cada rocha do planeta, em cima das montanhas. Quando estava a ponto de se dar por vencida, encontrou um roseiral. Pegou uma forquilha e começou a mover os ramos, quando no mesmo instante, se escutou um doloroso grito. Os espinhos tinham ferido o amor nos olhos. A loucura não sabia o que fazer para se desculpar: chorou, rezou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser seu guia. A partir de então, desde que pela primeira vez se brincou de esconde-esconde na terra, o amor é cego e a loucura sempre o acompanha.
(https://acessaber.com.br/atividades/interpretacao-de-texto-como-explicar-o-amor-5 o-ou-6o-ano/).
