Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q3774368 Português
Considere as afirmativas a seguir, relativas à estrutura oracional segundo a doutrina gramatical normativa de tradição brasileira. Registre V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


(__)A noção de frase se sustenta na completude formal da estrutura sintática, razão pela qual frases nominais são classificadas como orações elípticas, devido à omissão de predicados exigíveis.


(__)O predicativo do objeto integra a tipologia dos termos essenciais, pois participa diretamente da constituição do núcleo predicativo quando há predicação complexa.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo:  
Alternativas
Q3773982 Português

ESCOLA, ENSINO DE LÍNGUA, LETRAMENTO E CONHECIMENTO


    A língua não é um hábito que se exercita, nem um jogo em que se entra e sai, nem tampouco uma roupa que se veste conforme a ocasião, apropriada ou inapropriada. É uma totalidade que, constituída na história humana, constitui os sujeitos, é marca de identidade, condição de pensamento, forma fundamental de relacionamento e de intervenção no mundo. Independentemente de qual seja a base biológica em que se sustenta a linguagem humana, seja admitindo-se um fundamento genético específico, seja reconhecendo a capacidade simbólica humana consequente do desenvolvimento cerebral, o fato é que a língua é um fenômeno de ordem histórica e, como tal, realiza-se e produz-se em função da ação humana, do trabalho humano.

    Devemos sempre considerar, ao refletir sobre as formas de ser e os usos da língua, que ela é, acima de tudo, expressão de identidades: identidades de grupos, de nações, países ou regiões (de onde surge o conceito de língua ou línguas nacionais), de países, de comunidades de países, de localidades e, também e de forma muito significativa, de indivíduos. Evidentemente, não se postula nenhum processo “natural”, mas sim um movimento histórico, que se submete a múltiplas funções e é objeto de constante disputa. As identidades são produções histórico-sociais e pertencem ao humano genérico.

    Daí as limitações das percepções dicotômicas da língua que se constituíram na tradição dos estudos linguísticos e dos modelos pedagógicos de ensino de língua materna. Assim é que se estabeleceram, sempre em pares excludentes, paradigmas avaliativos ou descritivos dos usos e definições linguísticas, tais como próprio e impróprio, adequado e inadequado, forma culta e popular, registro formal e informal, língua padrão e não padrão, falar (ou escrever) certo e errado, modalidade escrita e oral, entre tantas outras oposições simplificadoras. Não se trata de afirmar que tais formas de apreensão do fenômeno linguístico são ilegítimas ou mero equívoco teórico. Pelo contrário, é preciso considerá-las como resultado dos focos de interesse que se manifestam nas formas como se realiza a luta pelo poder.

    Por isso faz todo sentido afirmar que língua é poder. O domínio sobre a linguagem, mais exatamente sobre seus usos, produzindo e legitimando determinadas formas como ela se realiza, pelo estabelecimento de uma legislação linguística (gramáticas, normas, gêneros, regras) e de valores arbitrários por meio da publicidade deste ou daquele registro é uma forma de poder. E um poder particularmente relevante na medida em que tanto o conhecimento formal como as formas de normatização da vida e de produção se concretizam na linguagem, em particular nas formas de escrita. Bourdieu (1998) captou com precisão essa ideia quando formulou o conceito de língua legítima, isto é, aquela que, para um determinado Estado, aparece como a única língua que expressa o poder e que é (e assim deve ser) muito mais reconhecida do que conhecida.

    O preconceito linguístico sustenta-se no reconhecimento desta língua legítima e na reprodução contínua de estereótipos de cultura e de incultura e na divulgação sistemática de um modelo regulador e corretivo, de caráter basicamente estilístico, cuja finalidade, mesmo que não afirmada e até negada, está em fazer crer que o suposto domínio deste modo de usar a língua (o que é praticamente impossível, não estando o sujeito inserido no lugar social em que este falar se realiza) traz sucesso social. Mais que isso, se naturaliza um estilo como original e se marcam os demais como desvios ou atrasos e, neste sentido, ameaça à integridade social. Deste fato (porque tal imagem se constitui como fato social, mesmo que se fundamente numa crença) se aproveitam pretensos especialistas que mantêm espaços didáticos regulares em jornais, revistas e programas de tevê; mas também, infelizmente, tendo interiorizado esta lógica e reconhecendo-a como verdade insuspeita, atuam nesta direção educadores sérios e dedicados. Esta forma de compreender a questão da linguagem é motivo de intenso debate pedagógico em que se indaga não apenas como a escola deve ensinar a língua materna, mas também o que tem a ensinar. Infelizmente, este debate raramente abandona o referencial normativo e, preso às concepções dicotômicas, desconsidera a questão central, a saber, aquela que diz respeito ao conhecimento [...]

    A posição que cabe sustentar não é a de que o ensino da língua legítima é democrático (visão monolítica de cunho autoritário) nem a de que cada um sabe do seu jeito e que não há o que aprender no que tange à linguagem (conceito que só se sustenta por um culturalismo idealista). Assumiremos por enquanto que “o papel da escola deve ser o de garantir ao aluno o acesso à escrita e aos discursos que se organizam a partir dela” (Britto, 1997). Isto porque a aprendizagem da escrita e dos conteúdos que se veiculam por ela é central na formação dos sujeitos e não se realiza senão através do exercício sistemático e reflexivo.

    De fato, a escrita é um instrumento poderoso, cuja principal característica – mas certamente não a única – é a de permitir a expansão da memória, que passa a situar-se fora dos indivíduos, o que, por sua vez, permite a produção de formas de pensamento descontextualizado e a monitoração continuada de ações e atividades intelectuais. Durante muito tempo, ela foi o único recurso desta natureza (hoje existem vários, como a gravação em áudio e vídeo, a fotografia, os arquivos eletrônicos). A expansão da memória oferece aos indivíduos e aos grupos sociais maior capacidade de pensamento, porque permite esquecer sem esquecer, uma vez que não é preciso guardar na mente todas as informações, mensagens, ideias, raciocínios. Armazenando e registrando a informação fora do corpo físico, mas ao alcance dos interessados, a escrita teve papel fundamental no desenvolvimento da ciência, da filosofia, das leis, das artes etc.

    Contrariamente ao que costuma repercutir o senso comum, a escrita não tem, nem teve em sua origem, como função primordial a comunicação. De fato, ela foi produzida principalmente em função da necessidade do registro da propriedade e do controle do fluxo de mercadorias e se desenvolveu na medida em que a sociedade de classes, centrada na apropriação da riqueza por uma das classes e pelo poder que esta classe exercia sobre o conjunto da sociedade, se expandiu. Há, portanto, um vínculo estrito entre a escrita e as formas de poder e de apropriação dos bens simbólicos produzidos na própria cultura escrita. E isto não é de se estranhar quando se considera uma ordem social em que a apropriação desigual da produção é essencial. Como ocorre com qualquer outra técnica, a posse da escrita, na sociedade de classes, está desigualmente distribuída.

    Até este momento da exposição, considerei a língua e a escrita como objetos em si, descolados de outras dimensões do conhecimento e das práticas humanas, conforme se costuma fazer nas reflexões oriundas na área da linguagem. Contudo, e esta é a tese fundamental que sustenta meu posicionamento atual, tal separação tem trazido significativos malentendidos e prejuízos, senão para os estudos da linguagem, pelos menos para a educação em sentido amplo.

    Para dar segmento a este raciocínio, tomo em consideração o conceito de letramento, que se vulgarizou dos anos noventa cara cá nos estudos de escrita, educação linguística e propostas de educação escolar. Para tanto, retomo aqui a defesa de Kato (1986), a primeira autora a usar o termo no Brasil, sobre a função da escola: “A função da escola é introduzir a criança no mundo da escrita, tornando um cidadão funcionalmente letrado, isto é, um sujeito capaz de fazer uso da linguagem escrita para sua necessidade individual de crescer cognitivamente e para atender às várias demandas de uma sociedade que prestigia esse tipo de linguagem como um dos instrumentos de comunicação. A chamada norma-padrão, ou língua falada culta, é consequência do letramento, motivo por que, indiretamente, é função da escola desenvolver no aluno o domínio da linguagem falada institucionalmente aceita.”

    A ideia de um mundo da escrita apareceu em função das análises dos gêneros da escrita e da relação que se estabelece entre eles e o conhecimento. Nos textos escritos, as frases podem ser mais longas e complexas e apresentar maior diversidade de palavras. As formas de organizar o enunciado se definem com outros critérios, diferentes das formas próprias da fala. Na fala são elementos essenciais o tempo e o ritmo, a repetição e a ênfase sonora como recursos para organizar o que dizemos. O ouvinte serve de orientação para que a falante se explique, se corrija, tome um novo ritmo, fale com maior ou menor intensidade. Ao escrever, organiza-se o texto em períodos, parágrafos, capítulos, partes.

    Além disso, a escrita favorece maior percepção da língua e a fixação de suas formas. Por permanecer presente diante daquele que a vê, permite que um texto possa ser revisto tantas vezes quantas o autor quiser e que o leitor possa retomar qualquer ponto do texto. Graças a essa possibilidade se estabeleceram conceitos, como o de palavra e de fonema, desenvolveram-se teorias para explicar a língua, seu funcionamento e sua relação com o pensamento, produziram-se dicionários e gramáticas. Outro aspecto relevante da escrita é a bidimensionalidade, em oposição ao caráter linear da fala, o que permite a construção de quadros, tabelas, esquemas e mapas, que, por sua vez, permitem outras formas de apreensão e representação do real. Também se associam à escrita diversas atividades intelectuais e sociais (literatura, filosofia, ciência, direito), além de produtos culturais materiais. A tais atividades e produtos se vinculam muitas profissões (a de escrever, a de ensinar, o jornalismo, o trabalho de edição e revisão de textos, a indústria gráfica e, mais recentemente, a eletrônica).

    Como vemos, a ideia de um mundo da escrita diz respeito às formas de organização da sociedade e do desenvolvimento do conhecimento. É certo que a língua ganhou novas conformações e estruturas neste processo, mas não há como imaginar que seja possível aprender esta escrita sem conhecer os conteúdos que a ela se associam e, portanto, entrar neste mundo da escrita é, de fato, entrar no mundo do conhecimento.

    Equivoca-se a autora quando estabelece a equivalência entre “introduzir a criança no mundo da escrita” e “torná-la um cidadão funcionalmente letrado”, porque a ideia de alfabetismo funcional implica não o domínio das formas superiores de conhecimento, mas a possibilidade de usar a escrita para as tarefas de cotidiano, as quais se relacionam com situações próprias do contexto imediato [...]

    Kato também deriva norma-padrão do conceito de letramento. Se é fato que a atividade normativa no âmbito da linguagem se desenvolveu enormemente com a escrita, isto não significa que haja correspondência estrita entre o conhecimento dos conteúdos veiculados pela escrita e o domínio de regras de uso e de um determinado estilo. Menos ainda se pode dizer que a norma-padrão (que seria uma espécie de cânone estabelecido pelos mecanismos de controle linguísticos) se equivalha à língua falada culta, que é a manifestação de oralidade de um segmento social. Tais confusões decorrem de uma percepção acrítica das questões políticosociais no plano da linguagem e fortalecem o preconceito e o normativismo. Esta postura fica evidente quando a autora sustenta que tal forma de linguagem é “a institucionalmente aceita”, como se isso fosse da natureza humana e não da história. A defesa do que se chama norma culta, como expressão de uma linguagem elaborada e “correta”, está diretamente relacionada com a reprodução da língua legítima e das relações de poderes em que ela se encerra, pouco se relacionando com o desenvolvimento intelectual e com o conhecimento formal (ver, a respeito, BRITTO, 1977; 2003).


Referências

BOURDIEU, P. A economia das trocas linguísticas. São Paulo: Edusp., 1998.

BRITTO, L. P. L. Contra o consenso: cultura escrita, educação e participação. Campinas: Mercado de Letras, 2003

BRITTO, L. P. L. A sombra do caos: ensino de língua x tradição gramatical. Campinas: Mercado de Letras / ALB, 1997.

KATO, M. A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo, Ática, 1986.

LUIZ PERCIVAL LEME BRITTO

Adaptado de Calidoscópio, Porto Alegre, vol. 5, nº 1, jan./abr, 2007 [excerto adaptado].

Considere o trecho a seguir para responder à questão.


“[1]Se é fato [2]que a atividade normativa no âmbito da linguagem se desenvolveu enormemente com a escrita, isto não significa [3]que haja correspondência estrita entre o conhecimento dos conteúdos veiculados pela escrita e o domínio de regras de uso e de um determinado estilo.” (15º parágrafo)  


As orações destacadas em [1] e [2] são classificadas como subordinadas substantivas do seguinte tipo:
Alternativas
Q3773981 Português

ESCOLA, ENSINO DE LÍNGUA, LETRAMENTO E CONHECIMENTO


    A língua não é um hábito que se exercita, nem um jogo em que se entra e sai, nem tampouco uma roupa que se veste conforme a ocasião, apropriada ou inapropriada. É uma totalidade que, constituída na história humana, constitui os sujeitos, é marca de identidade, condição de pensamento, forma fundamental de relacionamento e de intervenção no mundo. Independentemente de qual seja a base biológica em que se sustenta a linguagem humana, seja admitindo-se um fundamento genético específico, seja reconhecendo a capacidade simbólica humana consequente do desenvolvimento cerebral, o fato é que a língua é um fenômeno de ordem histórica e, como tal, realiza-se e produz-se em função da ação humana, do trabalho humano.

    Devemos sempre considerar, ao refletir sobre as formas de ser e os usos da língua, que ela é, acima de tudo, expressão de identidades: identidades de grupos, de nações, países ou regiões (de onde surge o conceito de língua ou línguas nacionais), de países, de comunidades de países, de localidades e, também e de forma muito significativa, de indivíduos. Evidentemente, não se postula nenhum processo “natural”, mas sim um movimento histórico, que se submete a múltiplas funções e é objeto de constante disputa. As identidades são produções histórico-sociais e pertencem ao humano genérico.

    Daí as limitações das percepções dicotômicas da língua que se constituíram na tradição dos estudos linguísticos e dos modelos pedagógicos de ensino de língua materna. Assim é que se estabeleceram, sempre em pares excludentes, paradigmas avaliativos ou descritivos dos usos e definições linguísticas, tais como próprio e impróprio, adequado e inadequado, forma culta e popular, registro formal e informal, língua padrão e não padrão, falar (ou escrever) certo e errado, modalidade escrita e oral, entre tantas outras oposições simplificadoras. Não se trata de afirmar que tais formas de apreensão do fenômeno linguístico são ilegítimas ou mero equívoco teórico. Pelo contrário, é preciso considerá-las como resultado dos focos de interesse que se manifestam nas formas como se realiza a luta pelo poder.

    Por isso faz todo sentido afirmar que língua é poder. O domínio sobre a linguagem, mais exatamente sobre seus usos, produzindo e legitimando determinadas formas como ela se realiza, pelo estabelecimento de uma legislação linguística (gramáticas, normas, gêneros, regras) e de valores arbitrários por meio da publicidade deste ou daquele registro é uma forma de poder. E um poder particularmente relevante na medida em que tanto o conhecimento formal como as formas de normatização da vida e de produção se concretizam na linguagem, em particular nas formas de escrita. Bourdieu (1998) captou com precisão essa ideia quando formulou o conceito de língua legítima, isto é, aquela que, para um determinado Estado, aparece como a única língua que expressa o poder e que é (e assim deve ser) muito mais reconhecida do que conhecida.

    O preconceito linguístico sustenta-se no reconhecimento desta língua legítima e na reprodução contínua de estereótipos de cultura e de incultura e na divulgação sistemática de um modelo regulador e corretivo, de caráter basicamente estilístico, cuja finalidade, mesmo que não afirmada e até negada, está em fazer crer que o suposto domínio deste modo de usar a língua (o que é praticamente impossível, não estando o sujeito inserido no lugar social em que este falar se realiza) traz sucesso social. Mais que isso, se naturaliza um estilo como original e se marcam os demais como desvios ou atrasos e, neste sentido, ameaça à integridade social. Deste fato (porque tal imagem se constitui como fato social, mesmo que se fundamente numa crença) se aproveitam pretensos especialistas que mantêm espaços didáticos regulares em jornais, revistas e programas de tevê; mas também, infelizmente, tendo interiorizado esta lógica e reconhecendo-a como verdade insuspeita, atuam nesta direção educadores sérios e dedicados. Esta forma de compreender a questão da linguagem é motivo de intenso debate pedagógico em que se indaga não apenas como a escola deve ensinar a língua materna, mas também o que tem a ensinar. Infelizmente, este debate raramente abandona o referencial normativo e, preso às concepções dicotômicas, desconsidera a questão central, a saber, aquela que diz respeito ao conhecimento [...]

    A posição que cabe sustentar não é a de que o ensino da língua legítima é democrático (visão monolítica de cunho autoritário) nem a de que cada um sabe do seu jeito e que não há o que aprender no que tange à linguagem (conceito que só se sustenta por um culturalismo idealista). Assumiremos por enquanto que “o papel da escola deve ser o de garantir ao aluno o acesso à escrita e aos discursos que se organizam a partir dela” (Britto, 1997). Isto porque a aprendizagem da escrita e dos conteúdos que se veiculam por ela é central na formação dos sujeitos e não se realiza senão através do exercício sistemático e reflexivo.

    De fato, a escrita é um instrumento poderoso, cuja principal característica – mas certamente não a única – é a de permitir a expansão da memória, que passa a situar-se fora dos indivíduos, o que, por sua vez, permite a produção de formas de pensamento descontextualizado e a monitoração continuada de ações e atividades intelectuais. Durante muito tempo, ela foi o único recurso desta natureza (hoje existem vários, como a gravação em áudio e vídeo, a fotografia, os arquivos eletrônicos). A expansão da memória oferece aos indivíduos e aos grupos sociais maior capacidade de pensamento, porque permite esquecer sem esquecer, uma vez que não é preciso guardar na mente todas as informações, mensagens, ideias, raciocínios. Armazenando e registrando a informação fora do corpo físico, mas ao alcance dos interessados, a escrita teve papel fundamental no desenvolvimento da ciência, da filosofia, das leis, das artes etc.

    Contrariamente ao que costuma repercutir o senso comum, a escrita não tem, nem teve em sua origem, como função primordial a comunicação. De fato, ela foi produzida principalmente em função da necessidade do registro da propriedade e do controle do fluxo de mercadorias e se desenvolveu na medida em que a sociedade de classes, centrada na apropriação da riqueza por uma das classes e pelo poder que esta classe exercia sobre o conjunto da sociedade, se expandiu. Há, portanto, um vínculo estrito entre a escrita e as formas de poder e de apropriação dos bens simbólicos produzidos na própria cultura escrita. E isto não é de se estranhar quando se considera uma ordem social em que a apropriação desigual da produção é essencial. Como ocorre com qualquer outra técnica, a posse da escrita, na sociedade de classes, está desigualmente distribuída.

    Até este momento da exposição, considerei a língua e a escrita como objetos em si, descolados de outras dimensões do conhecimento e das práticas humanas, conforme se costuma fazer nas reflexões oriundas na área da linguagem. Contudo, e esta é a tese fundamental que sustenta meu posicionamento atual, tal separação tem trazido significativos malentendidos e prejuízos, senão para os estudos da linguagem, pelos menos para a educação em sentido amplo.

    Para dar segmento a este raciocínio, tomo em consideração o conceito de letramento, que se vulgarizou dos anos noventa cara cá nos estudos de escrita, educação linguística e propostas de educação escolar. Para tanto, retomo aqui a defesa de Kato (1986), a primeira autora a usar o termo no Brasil, sobre a função da escola: “A função da escola é introduzir a criança no mundo da escrita, tornando um cidadão funcionalmente letrado, isto é, um sujeito capaz de fazer uso da linguagem escrita para sua necessidade individual de crescer cognitivamente e para atender às várias demandas de uma sociedade que prestigia esse tipo de linguagem como um dos instrumentos de comunicação. A chamada norma-padrão, ou língua falada culta, é consequência do letramento, motivo por que, indiretamente, é função da escola desenvolver no aluno o domínio da linguagem falada institucionalmente aceita.”

    A ideia de um mundo da escrita apareceu em função das análises dos gêneros da escrita e da relação que se estabelece entre eles e o conhecimento. Nos textos escritos, as frases podem ser mais longas e complexas e apresentar maior diversidade de palavras. As formas de organizar o enunciado se definem com outros critérios, diferentes das formas próprias da fala. Na fala são elementos essenciais o tempo e o ritmo, a repetição e a ênfase sonora como recursos para organizar o que dizemos. O ouvinte serve de orientação para que a falante se explique, se corrija, tome um novo ritmo, fale com maior ou menor intensidade. Ao escrever, organiza-se o texto em períodos, parágrafos, capítulos, partes.

    Além disso, a escrita favorece maior percepção da língua e a fixação de suas formas. Por permanecer presente diante daquele que a vê, permite que um texto possa ser revisto tantas vezes quantas o autor quiser e que o leitor possa retomar qualquer ponto do texto. Graças a essa possibilidade se estabeleceram conceitos, como o de palavra e de fonema, desenvolveram-se teorias para explicar a língua, seu funcionamento e sua relação com o pensamento, produziram-se dicionários e gramáticas. Outro aspecto relevante da escrita é a bidimensionalidade, em oposição ao caráter linear da fala, o que permite a construção de quadros, tabelas, esquemas e mapas, que, por sua vez, permitem outras formas de apreensão e representação do real. Também se associam à escrita diversas atividades intelectuais e sociais (literatura, filosofia, ciência, direito), além de produtos culturais materiais. A tais atividades e produtos se vinculam muitas profissões (a de escrever, a de ensinar, o jornalismo, o trabalho de edição e revisão de textos, a indústria gráfica e, mais recentemente, a eletrônica).

    Como vemos, a ideia de um mundo da escrita diz respeito às formas de organização da sociedade e do desenvolvimento do conhecimento. É certo que a língua ganhou novas conformações e estruturas neste processo, mas não há como imaginar que seja possível aprender esta escrita sem conhecer os conteúdos que a ela se associam e, portanto, entrar neste mundo da escrita é, de fato, entrar no mundo do conhecimento.

    Equivoca-se a autora quando estabelece a equivalência entre “introduzir a criança no mundo da escrita” e “torná-la um cidadão funcionalmente letrado”, porque a ideia de alfabetismo funcional implica não o domínio das formas superiores de conhecimento, mas a possibilidade de usar a escrita para as tarefas de cotidiano, as quais se relacionam com situações próprias do contexto imediato [...]

    Kato também deriva norma-padrão do conceito de letramento. Se é fato que a atividade normativa no âmbito da linguagem se desenvolveu enormemente com a escrita, isto não significa que haja correspondência estrita entre o conhecimento dos conteúdos veiculados pela escrita e o domínio de regras de uso e de um determinado estilo. Menos ainda se pode dizer que a norma-padrão (que seria uma espécie de cânone estabelecido pelos mecanismos de controle linguísticos) se equivalha à língua falada culta, que é a manifestação de oralidade de um segmento social. Tais confusões decorrem de uma percepção acrítica das questões políticosociais no plano da linguagem e fortalecem o preconceito e o normativismo. Esta postura fica evidente quando a autora sustenta que tal forma de linguagem é “a institucionalmente aceita”, como se isso fosse da natureza humana e não da história. A defesa do que se chama norma culta, como expressão de uma linguagem elaborada e “correta”, está diretamente relacionada com a reprodução da língua legítima e das relações de poderes em que ela se encerra, pouco se relacionando com o desenvolvimento intelectual e com o conhecimento formal (ver, a respeito, BRITTO, 1977; 2003).


Referências

BOURDIEU, P. A economia das trocas linguísticas. São Paulo: Edusp., 1998.

BRITTO, L. P. L. Contra o consenso: cultura escrita, educação e participação. Campinas: Mercado de Letras, 2003

BRITTO, L. P. L. A sombra do caos: ensino de língua x tradição gramatical. Campinas: Mercado de Letras / ALB, 1997.

KATO, M. A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo, Ática, 1986.

LUIZ PERCIVAL LEME BRITTO

Adaptado de Calidoscópio, Porto Alegre, vol. 5, nº 1, jan./abr, 2007 [excerto adaptado].

Considere o trecho a seguir para responder à questão.


“[1]Se é fato [2]que a atividade normativa no âmbito da linguagem se desenvolveu enormemente com a escrita, isto não significa [3]que haja correspondência estrita entre o conhecimento dos conteúdos veiculados pela escrita e o domínio de regras de uso e de um determinado estilo.” (15º parágrafo)  



Na combinação das formas da língua em um enunciado, o emprego de uma palavra pode determinar a flexão de outra a ela relacionada.
No caso do trecho citado, a substituição da conjunção “se” pela conjunção “caso”, levaria o verbo “ser” à seguinte flexão de tempo e modo: 
Alternativas
Q3773980 Português

ESCOLA, ENSINO DE LÍNGUA, LETRAMENTO E CONHECIMENTO


    A língua não é um hábito que se exercita, nem um jogo em que se entra e sai, nem tampouco uma roupa que se veste conforme a ocasião, apropriada ou inapropriada. É uma totalidade que, constituída na história humana, constitui os sujeitos, é marca de identidade, condição de pensamento, forma fundamental de relacionamento e de intervenção no mundo. Independentemente de qual seja a base biológica em que se sustenta a linguagem humana, seja admitindo-se um fundamento genético específico, seja reconhecendo a capacidade simbólica humana consequente do desenvolvimento cerebral, o fato é que a língua é um fenômeno de ordem histórica e, como tal, realiza-se e produz-se em função da ação humana, do trabalho humano.

    Devemos sempre considerar, ao refletir sobre as formas de ser e os usos da língua, que ela é, acima de tudo, expressão de identidades: identidades de grupos, de nações, países ou regiões (de onde surge o conceito de língua ou línguas nacionais), de países, de comunidades de países, de localidades e, também e de forma muito significativa, de indivíduos. Evidentemente, não se postula nenhum processo “natural”, mas sim um movimento histórico, que se submete a múltiplas funções e é objeto de constante disputa. As identidades são produções histórico-sociais e pertencem ao humano genérico.

    Daí as limitações das percepções dicotômicas da língua que se constituíram na tradição dos estudos linguísticos e dos modelos pedagógicos de ensino de língua materna. Assim é que se estabeleceram, sempre em pares excludentes, paradigmas avaliativos ou descritivos dos usos e definições linguísticas, tais como próprio e impróprio, adequado e inadequado, forma culta e popular, registro formal e informal, língua padrão e não padrão, falar (ou escrever) certo e errado, modalidade escrita e oral, entre tantas outras oposições simplificadoras. Não se trata de afirmar que tais formas de apreensão do fenômeno linguístico são ilegítimas ou mero equívoco teórico. Pelo contrário, é preciso considerá-las como resultado dos focos de interesse que se manifestam nas formas como se realiza a luta pelo poder.

    Por isso faz todo sentido afirmar que língua é poder. O domínio sobre a linguagem, mais exatamente sobre seus usos, produzindo e legitimando determinadas formas como ela se realiza, pelo estabelecimento de uma legislação linguística (gramáticas, normas, gêneros, regras) e de valores arbitrários por meio da publicidade deste ou daquele registro é uma forma de poder. E um poder particularmente relevante na medida em que tanto o conhecimento formal como as formas de normatização da vida e de produção se concretizam na linguagem, em particular nas formas de escrita. Bourdieu (1998) captou com precisão essa ideia quando formulou o conceito de língua legítima, isto é, aquela que, para um determinado Estado, aparece como a única língua que expressa o poder e que é (e assim deve ser) muito mais reconhecida do que conhecida.

    O preconceito linguístico sustenta-se no reconhecimento desta língua legítima e na reprodução contínua de estereótipos de cultura e de incultura e na divulgação sistemática de um modelo regulador e corretivo, de caráter basicamente estilístico, cuja finalidade, mesmo que não afirmada e até negada, está em fazer crer que o suposto domínio deste modo de usar a língua (o que é praticamente impossível, não estando o sujeito inserido no lugar social em que este falar se realiza) traz sucesso social. Mais que isso, se naturaliza um estilo como original e se marcam os demais como desvios ou atrasos e, neste sentido, ameaça à integridade social. Deste fato (porque tal imagem se constitui como fato social, mesmo que se fundamente numa crença) se aproveitam pretensos especialistas que mantêm espaços didáticos regulares em jornais, revistas e programas de tevê; mas também, infelizmente, tendo interiorizado esta lógica e reconhecendo-a como verdade insuspeita, atuam nesta direção educadores sérios e dedicados. Esta forma de compreender a questão da linguagem é motivo de intenso debate pedagógico em que se indaga não apenas como a escola deve ensinar a língua materna, mas também o que tem a ensinar. Infelizmente, este debate raramente abandona o referencial normativo e, preso às concepções dicotômicas, desconsidera a questão central, a saber, aquela que diz respeito ao conhecimento [...]

    A posição que cabe sustentar não é a de que o ensino da língua legítima é democrático (visão monolítica de cunho autoritário) nem a de que cada um sabe do seu jeito e que não há o que aprender no que tange à linguagem (conceito que só se sustenta por um culturalismo idealista). Assumiremos por enquanto que “o papel da escola deve ser o de garantir ao aluno o acesso à escrita e aos discursos que se organizam a partir dela” (Britto, 1997). Isto porque a aprendizagem da escrita e dos conteúdos que se veiculam por ela é central na formação dos sujeitos e não se realiza senão através do exercício sistemático e reflexivo.

    De fato, a escrita é um instrumento poderoso, cuja principal característica – mas certamente não a única – é a de permitir a expansão da memória, que passa a situar-se fora dos indivíduos, o que, por sua vez, permite a produção de formas de pensamento descontextualizado e a monitoração continuada de ações e atividades intelectuais. Durante muito tempo, ela foi o único recurso desta natureza (hoje existem vários, como a gravação em áudio e vídeo, a fotografia, os arquivos eletrônicos). A expansão da memória oferece aos indivíduos e aos grupos sociais maior capacidade de pensamento, porque permite esquecer sem esquecer, uma vez que não é preciso guardar na mente todas as informações, mensagens, ideias, raciocínios. Armazenando e registrando a informação fora do corpo físico, mas ao alcance dos interessados, a escrita teve papel fundamental no desenvolvimento da ciência, da filosofia, das leis, das artes etc.

    Contrariamente ao que costuma repercutir o senso comum, a escrita não tem, nem teve em sua origem, como função primordial a comunicação. De fato, ela foi produzida principalmente em função da necessidade do registro da propriedade e do controle do fluxo de mercadorias e se desenvolveu na medida em que a sociedade de classes, centrada na apropriação da riqueza por uma das classes e pelo poder que esta classe exercia sobre o conjunto da sociedade, se expandiu. Há, portanto, um vínculo estrito entre a escrita e as formas de poder e de apropriação dos bens simbólicos produzidos na própria cultura escrita. E isto não é de se estranhar quando se considera uma ordem social em que a apropriação desigual da produção é essencial. Como ocorre com qualquer outra técnica, a posse da escrita, na sociedade de classes, está desigualmente distribuída.

    Até este momento da exposição, considerei a língua e a escrita como objetos em si, descolados de outras dimensões do conhecimento e das práticas humanas, conforme se costuma fazer nas reflexões oriundas na área da linguagem. Contudo, e esta é a tese fundamental que sustenta meu posicionamento atual, tal separação tem trazido significativos malentendidos e prejuízos, senão para os estudos da linguagem, pelos menos para a educação em sentido amplo.

    Para dar segmento a este raciocínio, tomo em consideração o conceito de letramento, que se vulgarizou dos anos noventa cara cá nos estudos de escrita, educação linguística e propostas de educação escolar. Para tanto, retomo aqui a defesa de Kato (1986), a primeira autora a usar o termo no Brasil, sobre a função da escola: “A função da escola é introduzir a criança no mundo da escrita, tornando um cidadão funcionalmente letrado, isto é, um sujeito capaz de fazer uso da linguagem escrita para sua necessidade individual de crescer cognitivamente e para atender às várias demandas de uma sociedade que prestigia esse tipo de linguagem como um dos instrumentos de comunicação. A chamada norma-padrão, ou língua falada culta, é consequência do letramento, motivo por que, indiretamente, é função da escola desenvolver no aluno o domínio da linguagem falada institucionalmente aceita.”

    A ideia de um mundo da escrita apareceu em função das análises dos gêneros da escrita e da relação que se estabelece entre eles e o conhecimento. Nos textos escritos, as frases podem ser mais longas e complexas e apresentar maior diversidade de palavras. As formas de organizar o enunciado se definem com outros critérios, diferentes das formas próprias da fala. Na fala são elementos essenciais o tempo e o ritmo, a repetição e a ênfase sonora como recursos para organizar o que dizemos. O ouvinte serve de orientação para que a falante se explique, se corrija, tome um novo ritmo, fale com maior ou menor intensidade. Ao escrever, organiza-se o texto em períodos, parágrafos, capítulos, partes.

    Além disso, a escrita favorece maior percepção da língua e a fixação de suas formas. Por permanecer presente diante daquele que a vê, permite que um texto possa ser revisto tantas vezes quantas o autor quiser e que o leitor possa retomar qualquer ponto do texto. Graças a essa possibilidade se estabeleceram conceitos, como o de palavra e de fonema, desenvolveram-se teorias para explicar a língua, seu funcionamento e sua relação com o pensamento, produziram-se dicionários e gramáticas. Outro aspecto relevante da escrita é a bidimensionalidade, em oposição ao caráter linear da fala, o que permite a construção de quadros, tabelas, esquemas e mapas, que, por sua vez, permitem outras formas de apreensão e representação do real. Também se associam à escrita diversas atividades intelectuais e sociais (literatura, filosofia, ciência, direito), além de produtos culturais materiais. A tais atividades e produtos se vinculam muitas profissões (a de escrever, a de ensinar, o jornalismo, o trabalho de edição e revisão de textos, a indústria gráfica e, mais recentemente, a eletrônica).

    Como vemos, a ideia de um mundo da escrita diz respeito às formas de organização da sociedade e do desenvolvimento do conhecimento. É certo que a língua ganhou novas conformações e estruturas neste processo, mas não há como imaginar que seja possível aprender esta escrita sem conhecer os conteúdos que a ela se associam e, portanto, entrar neste mundo da escrita é, de fato, entrar no mundo do conhecimento.

    Equivoca-se a autora quando estabelece a equivalência entre “introduzir a criança no mundo da escrita” e “torná-la um cidadão funcionalmente letrado”, porque a ideia de alfabetismo funcional implica não o domínio das formas superiores de conhecimento, mas a possibilidade de usar a escrita para as tarefas de cotidiano, as quais se relacionam com situações próprias do contexto imediato [...]

    Kato também deriva norma-padrão do conceito de letramento. Se é fato que a atividade normativa no âmbito da linguagem se desenvolveu enormemente com a escrita, isto não significa que haja correspondência estrita entre o conhecimento dos conteúdos veiculados pela escrita e o domínio de regras de uso e de um determinado estilo. Menos ainda se pode dizer que a norma-padrão (que seria uma espécie de cânone estabelecido pelos mecanismos de controle linguísticos) se equivalha à língua falada culta, que é a manifestação de oralidade de um segmento social. Tais confusões decorrem de uma percepção acrítica das questões políticosociais no plano da linguagem e fortalecem o preconceito e o normativismo. Esta postura fica evidente quando a autora sustenta que tal forma de linguagem é “a institucionalmente aceita”, como se isso fosse da natureza humana e não da história. A defesa do que se chama norma culta, como expressão de uma linguagem elaborada e “correta”, está diretamente relacionada com a reprodução da língua legítima e das relações de poderes em que ela se encerra, pouco se relacionando com o desenvolvimento intelectual e com o conhecimento formal (ver, a respeito, BRITTO, 1977; 2003).


Referências

BOURDIEU, P. A economia das trocas linguísticas. São Paulo: Edusp., 1998.

BRITTO, L. P. L. Contra o consenso: cultura escrita, educação e participação. Campinas: Mercado de Letras, 2003

BRITTO, L. P. L. A sombra do caos: ensino de língua x tradição gramatical. Campinas: Mercado de Letras / ALB, 1997.

KATO, M. A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo, Ática, 1986.

LUIZ PERCIVAL LEME BRITTO

Adaptado de Calidoscópio, Porto Alegre, vol. 5, nº 1, jan./abr, 2007 [excerto adaptado].

No 11º parágrafo, o autor menciona diferenças entre a fala e a escrita, lembrando que “Ao escrever, organiza-se o texto em períodos, parágrafos, capítulos, partes”.


Com base na noção de período, responda à questão.  



Para que se constitua um período, deve haver, no mínimo, uma palavra da seguinte classe morfológica: 
Alternativas
Q3773977 Português

ESCOLA, ENSINO DE LÍNGUA, LETRAMENTO E CONHECIMENTO


    A língua não é um hábito que se exercita, nem um jogo em que se entra e sai, nem tampouco uma roupa que se veste conforme a ocasião, apropriada ou inapropriada. É uma totalidade que, constituída na história humana, constitui os sujeitos, é marca de identidade, condição de pensamento, forma fundamental de relacionamento e de intervenção no mundo. Independentemente de qual seja a base biológica em que se sustenta a linguagem humana, seja admitindo-se um fundamento genético específico, seja reconhecendo a capacidade simbólica humana consequente do desenvolvimento cerebral, o fato é que a língua é um fenômeno de ordem histórica e, como tal, realiza-se e produz-se em função da ação humana, do trabalho humano.

    Devemos sempre considerar, ao refletir sobre as formas de ser e os usos da língua, que ela é, acima de tudo, expressão de identidades: identidades de grupos, de nações, países ou regiões (de onde surge o conceito de língua ou línguas nacionais), de países, de comunidades de países, de localidades e, também e de forma muito significativa, de indivíduos. Evidentemente, não se postula nenhum processo “natural”, mas sim um movimento histórico, que se submete a múltiplas funções e é objeto de constante disputa. As identidades são produções histórico-sociais e pertencem ao humano genérico.

    Daí as limitações das percepções dicotômicas da língua que se constituíram na tradição dos estudos linguísticos e dos modelos pedagógicos de ensino de língua materna. Assim é que se estabeleceram, sempre em pares excludentes, paradigmas avaliativos ou descritivos dos usos e definições linguísticas, tais como próprio e impróprio, adequado e inadequado, forma culta e popular, registro formal e informal, língua padrão e não padrão, falar (ou escrever) certo e errado, modalidade escrita e oral, entre tantas outras oposições simplificadoras. Não se trata de afirmar que tais formas de apreensão do fenômeno linguístico são ilegítimas ou mero equívoco teórico. Pelo contrário, é preciso considerá-las como resultado dos focos de interesse que se manifestam nas formas como se realiza a luta pelo poder.

    Por isso faz todo sentido afirmar que língua é poder. O domínio sobre a linguagem, mais exatamente sobre seus usos, produzindo e legitimando determinadas formas como ela se realiza, pelo estabelecimento de uma legislação linguística (gramáticas, normas, gêneros, regras) e de valores arbitrários por meio da publicidade deste ou daquele registro é uma forma de poder. E um poder particularmente relevante na medida em que tanto o conhecimento formal como as formas de normatização da vida e de produção se concretizam na linguagem, em particular nas formas de escrita. Bourdieu (1998) captou com precisão essa ideia quando formulou o conceito de língua legítima, isto é, aquela que, para um determinado Estado, aparece como a única língua que expressa o poder e que é (e assim deve ser) muito mais reconhecida do que conhecida.

    O preconceito linguístico sustenta-se no reconhecimento desta língua legítima e na reprodução contínua de estereótipos de cultura e de incultura e na divulgação sistemática de um modelo regulador e corretivo, de caráter basicamente estilístico, cuja finalidade, mesmo que não afirmada e até negada, está em fazer crer que o suposto domínio deste modo de usar a língua (o que é praticamente impossível, não estando o sujeito inserido no lugar social em que este falar se realiza) traz sucesso social. Mais que isso, se naturaliza um estilo como original e se marcam os demais como desvios ou atrasos e, neste sentido, ameaça à integridade social. Deste fato (porque tal imagem se constitui como fato social, mesmo que se fundamente numa crença) se aproveitam pretensos especialistas que mantêm espaços didáticos regulares em jornais, revistas e programas de tevê; mas também, infelizmente, tendo interiorizado esta lógica e reconhecendo-a como verdade insuspeita, atuam nesta direção educadores sérios e dedicados. Esta forma de compreender a questão da linguagem é motivo de intenso debate pedagógico em que se indaga não apenas como a escola deve ensinar a língua materna, mas também o que tem a ensinar. Infelizmente, este debate raramente abandona o referencial normativo e, preso às concepções dicotômicas, desconsidera a questão central, a saber, aquela que diz respeito ao conhecimento [...]

    A posição que cabe sustentar não é a de que o ensino da língua legítima é democrático (visão monolítica de cunho autoritário) nem a de que cada um sabe do seu jeito e que não há o que aprender no que tange à linguagem (conceito que só se sustenta por um culturalismo idealista). Assumiremos por enquanto que “o papel da escola deve ser o de garantir ao aluno o acesso à escrita e aos discursos que se organizam a partir dela” (Britto, 1997). Isto porque a aprendizagem da escrita e dos conteúdos que se veiculam por ela é central na formação dos sujeitos e não se realiza senão através do exercício sistemático e reflexivo.

    De fato, a escrita é um instrumento poderoso, cuja principal característica – mas certamente não a única – é a de permitir a expansão da memória, que passa a situar-se fora dos indivíduos, o que, por sua vez, permite a produção de formas de pensamento descontextualizado e a monitoração continuada de ações e atividades intelectuais. Durante muito tempo, ela foi o único recurso desta natureza (hoje existem vários, como a gravação em áudio e vídeo, a fotografia, os arquivos eletrônicos). A expansão da memória oferece aos indivíduos e aos grupos sociais maior capacidade de pensamento, porque permite esquecer sem esquecer, uma vez que não é preciso guardar na mente todas as informações, mensagens, ideias, raciocínios. Armazenando e registrando a informação fora do corpo físico, mas ao alcance dos interessados, a escrita teve papel fundamental no desenvolvimento da ciência, da filosofia, das leis, das artes etc.

    Contrariamente ao que costuma repercutir o senso comum, a escrita não tem, nem teve em sua origem, como função primordial a comunicação. De fato, ela foi produzida principalmente em função da necessidade do registro da propriedade e do controle do fluxo de mercadorias e se desenvolveu na medida em que a sociedade de classes, centrada na apropriação da riqueza por uma das classes e pelo poder que esta classe exercia sobre o conjunto da sociedade, se expandiu. Há, portanto, um vínculo estrito entre a escrita e as formas de poder e de apropriação dos bens simbólicos produzidos na própria cultura escrita. E isto não é de se estranhar quando se considera uma ordem social em que a apropriação desigual da produção é essencial. Como ocorre com qualquer outra técnica, a posse da escrita, na sociedade de classes, está desigualmente distribuída.

    Até este momento da exposição, considerei a língua e a escrita como objetos em si, descolados de outras dimensões do conhecimento e das práticas humanas, conforme se costuma fazer nas reflexões oriundas na área da linguagem. Contudo, e esta é a tese fundamental que sustenta meu posicionamento atual, tal separação tem trazido significativos malentendidos e prejuízos, senão para os estudos da linguagem, pelos menos para a educação em sentido amplo.

    Para dar segmento a este raciocínio, tomo em consideração o conceito de letramento, que se vulgarizou dos anos noventa cara cá nos estudos de escrita, educação linguística e propostas de educação escolar. Para tanto, retomo aqui a defesa de Kato (1986), a primeira autora a usar o termo no Brasil, sobre a função da escola: “A função da escola é introduzir a criança no mundo da escrita, tornando um cidadão funcionalmente letrado, isto é, um sujeito capaz de fazer uso da linguagem escrita para sua necessidade individual de crescer cognitivamente e para atender às várias demandas de uma sociedade que prestigia esse tipo de linguagem como um dos instrumentos de comunicação. A chamada norma-padrão, ou língua falada culta, é consequência do letramento, motivo por que, indiretamente, é função da escola desenvolver no aluno o domínio da linguagem falada institucionalmente aceita.”

    A ideia de um mundo da escrita apareceu em função das análises dos gêneros da escrita e da relação que se estabelece entre eles e o conhecimento. Nos textos escritos, as frases podem ser mais longas e complexas e apresentar maior diversidade de palavras. As formas de organizar o enunciado se definem com outros critérios, diferentes das formas próprias da fala. Na fala são elementos essenciais o tempo e o ritmo, a repetição e a ênfase sonora como recursos para organizar o que dizemos. O ouvinte serve de orientação para que a falante se explique, se corrija, tome um novo ritmo, fale com maior ou menor intensidade. Ao escrever, organiza-se o texto em períodos, parágrafos, capítulos, partes.

    Além disso, a escrita favorece maior percepção da língua e a fixação de suas formas. Por permanecer presente diante daquele que a vê, permite que um texto possa ser revisto tantas vezes quantas o autor quiser e que o leitor possa retomar qualquer ponto do texto. Graças a essa possibilidade se estabeleceram conceitos, como o de palavra e de fonema, desenvolveram-se teorias para explicar a língua, seu funcionamento e sua relação com o pensamento, produziram-se dicionários e gramáticas. Outro aspecto relevante da escrita é a bidimensionalidade, em oposição ao caráter linear da fala, o que permite a construção de quadros, tabelas, esquemas e mapas, que, por sua vez, permitem outras formas de apreensão e representação do real. Também se associam à escrita diversas atividades intelectuais e sociais (literatura, filosofia, ciência, direito), além de produtos culturais materiais. A tais atividades e produtos se vinculam muitas profissões (a de escrever, a de ensinar, o jornalismo, o trabalho de edição e revisão de textos, a indústria gráfica e, mais recentemente, a eletrônica).

    Como vemos, a ideia de um mundo da escrita diz respeito às formas de organização da sociedade e do desenvolvimento do conhecimento. É certo que a língua ganhou novas conformações e estruturas neste processo, mas não há como imaginar que seja possível aprender esta escrita sem conhecer os conteúdos que a ela se associam e, portanto, entrar neste mundo da escrita é, de fato, entrar no mundo do conhecimento.

    Equivoca-se a autora quando estabelece a equivalência entre “introduzir a criança no mundo da escrita” e “torná-la um cidadão funcionalmente letrado”, porque a ideia de alfabetismo funcional implica não o domínio das formas superiores de conhecimento, mas a possibilidade de usar a escrita para as tarefas de cotidiano, as quais se relacionam com situações próprias do contexto imediato [...]

    Kato também deriva norma-padrão do conceito de letramento. Se é fato que a atividade normativa no âmbito da linguagem se desenvolveu enormemente com a escrita, isto não significa que haja correspondência estrita entre o conhecimento dos conteúdos veiculados pela escrita e o domínio de regras de uso e de um determinado estilo. Menos ainda se pode dizer que a norma-padrão (que seria uma espécie de cânone estabelecido pelos mecanismos de controle linguísticos) se equivalha à língua falada culta, que é a manifestação de oralidade de um segmento social. Tais confusões decorrem de uma percepção acrítica das questões políticosociais no plano da linguagem e fortalecem o preconceito e o normativismo. Esta postura fica evidente quando a autora sustenta que tal forma de linguagem é “a institucionalmente aceita”, como se isso fosse da natureza humana e não da história. A defesa do que se chama norma culta, como expressão de uma linguagem elaborada e “correta”, está diretamente relacionada com a reprodução da língua legítima e das relações de poderes em que ela se encerra, pouco se relacionando com o desenvolvimento intelectual e com o conhecimento formal (ver, a respeito, BRITTO, 1977; 2003).


Referências

BOURDIEU, P. A economia das trocas linguísticas. São Paulo: Edusp., 1998.

BRITTO, L. P. L. Contra o consenso: cultura escrita, educação e participação. Campinas: Mercado de Letras, 2003

BRITTO, L. P. L. A sombra do caos: ensino de língua x tradição gramatical. Campinas: Mercado de Letras / ALB, 1997.

KATO, M. A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo, Ática, 1986.

LUIZ PERCIVAL LEME BRITTO

Adaptado de Calidoscópio, Porto Alegre, vol. 5, nº 1, jan./abr, 2007 [excerto adaptado].

“E isto não é de se estranhar quando se considera uma ordem social em que a apropriação desigual da produção é essencial. Como ocorre com qualquer outra técnica, a posse da escrita, na sociedade de classes, está desigualmente distribuída.” (8º parágrafo)  


Mantém-se a regência original de “uma ordem social em que a apropriação desigual da produção é essencial” na seguinte reformulação da sequência preposição e pronome relativo: 
Alternativas
Q3773495 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Roubo no Louvre: as oito joias levadas por criminosos do museu em Paris


O Museu do Louvre, em Paris, foi fechado temporariamente neste domingo após criminosos roubarem joias da coroa francesa de valor inestimável em uma ação ousada e rápida. Os ladrões invadiram o museu em plena luz do dia com um elevador mecânico e ferramentas movidas a bateria, fugindo com oito peças de joalheria — brincos, broches e colares adornados com milhares de diamantes e outras pedras preciosas.


O crime ocorreu logo após a abertura do museu, quando quatro ladrões usaram um equipamento para alcançar a Galeria de Apolo por uma varanda próxima ao rio Sena. Dois deles cortaram as vidraças e entraram no prédio, ameaçando os seguranças e roubando itens de duas vitrines. Os alarmes funcionaram e a equipe seguiu o protocolo, acionando a polícia e garantindo a segurança dos visitantes.


Segundo o Ministério da Cultura, os criminosos tentaram incendiar o veículo usado na invasão, mas foram impedidos por um funcionário. A ministra da Cultura informou que as câmeras mostram os ladrões mascarados agindo com calma e precisão, sem ferir ninguém. A fuga, feita em duas motos, foi considerada muito bem planejada. Todo o roubo durou apenas alguns minutos, segundo o Ministério do Interior.


Foram levadas oito peças do século XIX pertencentes à coroa francesa: uma tiara e um broche da imperatriz Eugénie, um colar e brincos de esmeralda da imperatriz Maria Luísa, uma tiara, um colar e um brinco do conjunto de safiras de antigas rainhas, além de um broche conhecido como "relicário". Outros dois itens, entre eles uma coroa, foram encontrados perto do local, aparentemente caídos durante a fuga.


As autoridades classificaram as joias como de valor inestimável e isolaram toda a área ao redor do museu. O Ministério Público abriu investigação por furto organizado e conspiração criminosa, com apoio de uma equipe especializada em tráfico de bens culturais.


Este não é o primeiro grande roubo na história do Louvre. Em 1911, a Mona Lisa foi levada por um funcionário e só recuperada dois anos depois. Em 1998, um quadro de Camille Corot foi roubado e nunca encontrado. Outros museus franceses também já foram alvo de crimes semelhantes, envolvendo peças de alto valor histórico e artístico.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1d03l2nd2qo.adaptado.

A ministra da Cultura informou que as câmeras mostram os ladrões mascarados agindo com calma e precisão, sem ferir ninguém. A fuga, feita em duas motos, foi considerada muito bem planejada.
De acordo com as regras de concordância nominal, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3773494 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Roubo no Louvre: as oito joias levadas por criminosos do museu em Paris


O Museu do Louvre, em Paris, foi fechado temporariamente neste domingo após criminosos roubarem joias da coroa francesa de valor inestimável em uma ação ousada e rápida. Os ladrões invadiram o museu em plena luz do dia com um elevador mecânico e ferramentas movidas a bateria, fugindo com oito peças de joalheria — brincos, broches e colares adornados com milhares de diamantes e outras pedras preciosas.


O crime ocorreu logo após a abertura do museu, quando quatro ladrões usaram um equipamento para alcançar a Galeria de Apolo por uma varanda próxima ao rio Sena. Dois deles cortaram as vidraças e entraram no prédio, ameaçando os seguranças e roubando itens de duas vitrines. Os alarmes funcionaram e a equipe seguiu o protocolo, acionando a polícia e garantindo a segurança dos visitantes.


Segundo o Ministério da Cultura, os criminosos tentaram incendiar o veículo usado na invasão, mas foram impedidos por um funcionário. A ministra da Cultura informou que as câmeras mostram os ladrões mascarados agindo com calma e precisão, sem ferir ninguém. A fuga, feita em duas motos, foi considerada muito bem planejada. Todo o roubo durou apenas alguns minutos, segundo o Ministério do Interior.


Foram levadas oito peças do século XIX pertencentes à coroa francesa: uma tiara e um broche da imperatriz Eugénie, um colar e brincos de esmeralda da imperatriz Maria Luísa, uma tiara, um colar e um brinco do conjunto de safiras de antigas rainhas, além de um broche conhecido como "relicário". Outros dois itens, entre eles uma coroa, foram encontrados perto do local, aparentemente caídos durante a fuga.


As autoridades classificaram as joias como de valor inestimável e isolaram toda a área ao redor do museu. O Ministério Público abriu investigação por furto organizado e conspiração criminosa, com apoio de uma equipe especializada em tráfico de bens culturais.


Este não é o primeiro grande roubo na história do Louvre. Em 1911, a Mona Lisa foi levada por um funcionário e só recuperada dois anos depois. Em 1998, um quadro de Camille Corot foi roubado e nunca encontrado. Outros museus franceses também já foram alvo de crimes semelhantes, envolvendo peças de alto valor histórico e artístico.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1d03l2nd2qo.adaptado.

Os alarmes funcionaram e a equipe seguiu o protocolo, acionando a polícia e garantindo a segurança dos visitantes.


De acordo com as regras de concordância verbal, é CORRETO afirmar que:

Alternativas
Q3773489 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

Ibama autoriza Petrobras a pesquisar petróleo na foz do Amazonas


A Petrobras anunciou que recebeu licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para realizar pesquisas de petróleo na foz do rio Amazonas. De acordo com a companhia, o poço exploratório está situado em águas profundas do Amapá, a quinhentos quilômetros da foz do rio e a cento e setenta e cinco quilômetros da costa, na Margem Equatorial brasileira.


A perfuração, que começará de imediato, tem duração prevista de cinco meses. Essa fase de pesquisa exploratória busca reunir informações geológicas que permitam avaliar a presença de petróleo e gás em escala econômica. Ainda não há produção de petróleo nesse estágio do processo.


Em nota, o Ibama afirmou que a licença foi concedida após rigoroso processo de licenciamento ambiental, e envolveu muitas pessoas, entre funcionários e colaboradores da Petrobras e técnicos do próprio Ibama.


Em maio, o órgão já havia aprovado o plano de prevenção a emergências apresentado pela Petrobras, etapa final antes do início da perfuração. Na ocasião, o Ibama destacou que o plano atendia aos requisitos técnicos e estava apto para a fase seguinte, que incluiria vistorias e simulações de resgate de animais atingidos por óleo, a fim de testar, na prática, a capacidade de resposta a possíveis acidentes.


O debate sobre a exploração de petróleo na foz do Amazonas suscita divergências. Para ambientalistas, trata-se de uma contradição em relação ao discurso do Brasil de liderança climática global, especialmente às vésperas da COP30, que será sediada em Belém. Enquanto isso, o país defende a exploração de combustíveis fósseis na Margem Equatorial.


O diplomata André Corrêa do Lago, nomeado pelo governo para presidir a COP30, rejeitou a ideia de contradição. Segundo ele, todos os países buscam atingir a neutralidade de emissões e seguem estratégias próprias para alcançá-la.


A Petrobras, por sua vez, sustenta que a confirmação da existência de petróleo na Margem Equatorial representa a abertura de uma nova fronteira energética para o Brasil, contribuindo para uma transição justa, segura e sustentável.


O processo de licenciamento ambiental na região se estende há quase cinco anos. Em 2023, o Ibama havia negado o pedido de licença, mas, desde então, a autarquia e a Petrobras mantiveram diálogo técnico intenso, o que, segundo o órgão, resultou em aprimoramentos significativos no projeto, principalmente quanto às medidas de resposta a emergências.


Para Magda Chambriard, presidente da Petrobras, a conclusão do processo e a emissão da licença simbolizam uma conquista da sociedade brasileira e demonstram o compromisso das instituições com o diálogo e com o desenvolvimento nacional.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/clygn0zlkkno.adaptado.

A perfuração, que começará de imediato, tem duração prevista de cinco meses. Essa fase de pesquisa exploratória busca reunir informações geológicas que permitam avaliar a presença de petróleo e gás em escala econômica. Ainda não há produção de petróleo nesse estágio do processo.


De acordo com as regras de concordância verbal, é CORRETO afirmar que:

Alternativas
Q3773487 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

Ibama autoriza Petrobras a pesquisar petróleo na foz do Amazonas


A Petrobras anunciou que recebeu licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para realizar pesquisas de petróleo na foz do rio Amazonas. De acordo com a companhia, o poço exploratório está situado em águas profundas do Amapá, a quinhentos quilômetros da foz do rio e a cento e setenta e cinco quilômetros da costa, na Margem Equatorial brasileira.


A perfuração, que começará de imediato, tem duração prevista de cinco meses. Essa fase de pesquisa exploratória busca reunir informações geológicas que permitam avaliar a presença de petróleo e gás em escala econômica. Ainda não há produção de petróleo nesse estágio do processo.


Em nota, o Ibama afirmou que a licença foi concedida após rigoroso processo de licenciamento ambiental, e envolveu muitas pessoas, entre funcionários e colaboradores da Petrobras e técnicos do próprio Ibama.


Em maio, o órgão já havia aprovado o plano de prevenção a emergências apresentado pela Petrobras, etapa final antes do início da perfuração. Na ocasião, o Ibama destacou que o plano atendia aos requisitos técnicos e estava apto para a fase seguinte, que incluiria vistorias e simulações de resgate de animais atingidos por óleo, a fim de testar, na prática, a capacidade de resposta a possíveis acidentes.


O debate sobre a exploração de petróleo na foz do Amazonas suscita divergências. Para ambientalistas, trata-se de uma contradição em relação ao discurso do Brasil de liderança climática global, especialmente às vésperas da COP30, que será sediada em Belém. Enquanto isso, o país defende a exploração de combustíveis fósseis na Margem Equatorial.


O diplomata André Corrêa do Lago, nomeado pelo governo para presidir a COP30, rejeitou a ideia de contradição. Segundo ele, todos os países buscam atingir a neutralidade de emissões e seguem estratégias próprias para alcançá-la.


A Petrobras, por sua vez, sustenta que a confirmação da existência de petróleo na Margem Equatorial representa a abertura de uma nova fronteira energética para o Brasil, contribuindo para uma transição justa, segura e sustentável.


O processo de licenciamento ambiental na região se estende há quase cinco anos. Em 2023, o Ibama havia negado o pedido de licença, mas, desde então, a autarquia e a Petrobras mantiveram diálogo técnico intenso, o que, segundo o órgão, resultou em aprimoramentos significativos no projeto, principalmente quanto às medidas de resposta a emergências.


Para Magda Chambriard, presidente da Petrobras, a conclusão do processo e a emissão da licença simbolizam uma conquista da sociedade brasileira e demonstram o compromisso das instituições com o diálogo e com o desenvolvimento nacional.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/clygn0zlkkno.adaptado.

O debate sobre a exploração de petróleo na foz do Amazonas suscita divergências. Para ambientalistas, trata-se de uma contradição em relação ao discurso do Brasil de liderança climática global, especialmente às vésperas da COP30, que será sediada em Belém.

De acordo com as regras de concordância nominal, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3773187 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

Rita Lobo: Se pensar só em proteína e carboidrato, o pão vira inimigo

 

Há 25 anos, Rita Lobo lançou o site Panelinha com o objetivo de ensinar as pessoas a cozinhar comida de verdade e reduzir o consumo de ultraprocessados. O projeto cresceu, deu origem a livros, um programa de TV e consolidou seu nome como uma das principais referências em alimentação saudável no Brasil.


Em novembro, a chef, escritora e apresentadora esteve em Londres para o lançamento de uma série especial sobre ultraprocessados da revista The Lancet. Em entrevista à BBC News Brasil, ela criticou o chamado reducionismo nutricional, corrente que avalia os alimentos apenas por seus nutrientes isolados, ignorando o alimento como um todo.


Segundo Rita Lobo, essa lógica faz com que as pessoas deixem de buscar comida e passem a buscar nutrientes, como proteína ou carboidrato, transformando a alimentação em uma espécie de transação. Como exemplo, ela cita o pão: muitos não veem problema em consumir whey protein cheio de aditivos por causa da proteína, mas evitam o pão por ser carboidrato.


Essa forma de pensar, afirma, tem impacto psicológico e transforma a comida em inimiga. Ela acrescenta que modismos como dietas low carb e sugar free dificultam as escolhas alimentares, favorecem a venda de ultraprocessados e levam as pessoas a priorizar menos calorias, mesmo consumindo muitos aditivos químicos.


Por fim, Rita Lobo alerta que essa mudança na relação com a comida faz com que o Brasil perca não apenas valor nutricional, mas também parte de sua história e de sua cultura alimentar.

 

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn4d2vmd19jo.adaptado.

O projeto cresceu, deu origem a livros, um programa de TV e consolidou seu nome "como uma das principais referências em alimentação saudável" no Brasil.
Sintaticamente, o termo destacado na frase trata-se de
Alternativas
Q3773120 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como oito segundos em fita de VHS devolveram voz à mulher com doença degenerativa após vinte e cinco anos


"Depois de tanto tempo, eu não conseguia mais me lembrar da minha voz. Quando ouvi novamente, senti vontade de chorar. É uma espécie de milagre", afirma Sarah Ezekiel.


Aos trinta e quatro anos, pouco depois do nascimento do segundo filho, ela recebeu o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que compromete os neurônios motores. Em poucos meses, ela perdeu o uso das mãos e deixou de falar de maneira inteligível, passando a depender de cuidadores e de tecnologia para se comunicar. Durante mais de vinte anos, a única voz que os filhos conheceram foi a de uma máquina metálica e sem emoção.

A mudança veio quando a família encontrou uma fita VHS dos anos 1990, gravada em ambiente doméstico, na qual havia apenas oito segundos de fala de Sarah. Embora o som estivesse distorcido e abafado, ferramentas de inteligência artificial conseguiram isolar e reconstruir sua voz original, devolvendo-lhe entonação, identidade e emoção.

O impacto foi imediato. Sarah se emocionou ao ouvir a própria voz recriada, e os filhos relataram sentir-se mais próximos da mãe, que agora conseguia expressar estados de espírito e transmitir nuances de sua personalidade. A família descreve essa transformação como um ganho profundo, que reaproximou todos após anos de comunicação limitada.

Antes disso, Sarah viveu longos períodos de isolamento e depressão, até que, com o surgimento da tecnologia de rastreamento ocular, voltou a se expressar, a atuar em projetos de apoio a pessoas com deficiência e até a retomar a pintura. Com esforço, passou a transformar movimentos dos olhos em palavras, frases e obras de arte.

Especialistas observam que as vozes recriadas por inteligência artificial representam um avanço significativo em relação às antigas vozes padronizadas, porque preservam sotaques, ritmos e características individuais. Isso contribui para que cada paciente se reconheça em sua própria fala, reforçando a identidade e a ligação afetiva com familiares e amigos.

No Brasil, o Ministério da Saúde calcula que cerca de doze mil pessoas convivem com a ELA. Embora não exista cura, o Sistema Único de Saúde oferece medicamentos que retardam a progressão, além de fisioterapia, acompanhamento nutricional e cuidados paliativos. Entre os sintomas estão perda gradual da força, dificuldade para respirar e engolir, alterações na fala, engasgos frequentes, cãibras e perda de peso.

O caso de Sarah ilustra como a tecnologia ultrapassa barreiras impostas por doenças graves, devolvendo não apenas a capacidade de se comunicar, mas também a sensação de dignidade, identidade e pertencimento.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx29gz8pg8qo.ADAPTADO.
Embora não exista cura, o Sistema Único de Saúde oferece medicamentos que retardam a progressão, além de fisioterapia, acompanhamento nutricional e cuidados paliativos.

Assinale a alternativa correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.
Alternativas
Q3772945 Português
Texto I

I.A., uma inteligência que não pensa. Já pensou nisso?

Por Raphael Conceição

    O assombroso avanço tecnológico dos diversos modelos de linguagem existentes no mundo de hoje deixa à margem um debate importante acerca do que se convencionou denominar “Inteligência Artificial”.
    A discussão que tenho proposto em inúmeras palestras, oficinas e workshops sobre o tema trata de uma região que figura entre a imprecisão e o engano do uso do termo “inteligência” para um tipo de tecnologia que não pensa, não intui, não dispõe de consciência e, se tanto, simula a atividade cerebral humana.
    É indubitável que os bots que conversam de maneira tão natural com as pessoas transmitem uma sensação de proximidade.
    Meu ponto, porém, é que essa “pessoalidade”, por assim dizer, é tão legítima quanto a “mágica” de um ilusionista que prende nossa atenção em uma de suas mãos enquanto, com a outra, realiza processos cujo resultado nos encantará com lenços que lhe saem da boca ou uma carta de baralho rasgada que volta a aparecer em um dos bolsos de seu fraque.
    É divertido ver, admito. Mas não é mágica. Assim como conversar com um sistema também me entretém. Mas não é conversa. Sob essa ótica, desmistificamos questões que inclusive atrapalham as pessoas a usufruírem mais e melhor da tecnologia de que hoje dispomos.
    Quando nos damos conta de que tudo aquilo que perguntamos, demandamos ou pesquisamos, cujas respostas nos chegam em segundos de maneira impressionante, decorre de uma precisão estatística, matemática e padronizada, compreendemos melhor que o caminho a trilhar não é um embate IA x Humano, e sim um viés em que a dita Inteligência Artificial potencializa o que nós, pessoas, somos.
    Se de melhor ou pior, bom, o critério e a decisão ficam à nossa conta. 
    De todo modo, medos de que as máquinas algum dia se revoltem contra nós como nas telas de cinema – ou no streaming que parece adivinhar a melhor série que combina com o meu perfil – podem ser minimizados quando aceitamos a IA tal qual ela é: poderosa em cálculo e correlação, mas desprovida de consciência ou compreensão semântica.
    A máquina avança pela nossa real inteligência e nos ajuda a automatizar tarefas repetitivas, calcular cenários em dimensões e magnitudes que há pouco pareciam impossíveis e até mesmo predizer possibilidades com alta taxa de acertos. Tudo isso sem tirar nem ameaçar o papel que nos cumpre: decisores sobre qual impacto queremos que a IA tenha em nossas vidas.
    A TV interferiu no rádio. O digital no impresso. O CD no vinil. A IA, claro, vai transformar muitos aspectos da nossa vida, e nossa relação com ela moldará nosso futuro.
    A pergunta que não quer calar (Como?), porém, não deve ser direcionada ao ChatGPT ou correlatos. Quem vai respondê-la seremos nós, enquanto sociedade, dentro das classes, castas e divisões a que nos submetemos (ou impomos).
    Quem sabe a gente não escolhe usar a tecnologia para um futuro mais inclusivo e menos desigual. Se é possível sonhar? Eu creio que sim.
    Mas esse papo é para um próximo texto.
    Um abraço, enter, e até lá.

Fonte: https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/10/10 57224-i-a-uma-inteligencia-que-nao-pensa-ja-pensounisso.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto

É indubitável que os bots que conversam de maneira tão natural com as pessoas transmitem uma sensação de proximidade” (3º parágrafo).


A oração em destaque pode ser classificada como:

Alternativas
Q3772795 Português
Texto I

Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial

Por Arlindenor Pedro

    Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com seus geniais desempenhos — ficou sem aparecer nos cinemas.
    No intervalo entre o seu último filme, "Luzes da Cidade", e o lançamento de "Tempos Modernos", Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que "Tempos Modernos" seria o último filme do personagem. O que aconteceu de fato!
    O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!  
    Em 1931, Chaplin fez uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise por alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro por implementos, que tiveram seu ápice com a linha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.
    Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final de seu próximo filme, lançado já em plena guerra: "O Grande Ditador".
    Em "Tempos Modernos", Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar à linha de produção e, por isso mesmo, levado à loucura.
    Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a ser revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas.

Fonte: https://www.jb.com.br/cadernob/2025/10/1057433-tempos-modernos-uma-critica-asociedade-industrial.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
“O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados” (4º parágrafo).

Nesse trecho, as duas palavras em destaque, em termos sintáticos, classificam-se, respectivamente, como:
Alternativas
Q3772791 Português
Texto I

Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial

Por Arlindenor Pedro

    Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com seus geniais desempenhos — ficou sem aparecer nos cinemas.
    No intervalo entre o seu último filme, "Luzes da Cidade", e o lançamento de "Tempos Modernos", Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que "Tempos Modernos" seria o último filme do personagem. O que aconteceu de fato!
    O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!  
    Em 1931, Chaplin fez uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise por alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro por implementos, que tiveram seu ápice com a linha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.
    Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final de seu próximo filme, lançado já em plena guerra: "O Grande Ditador".
    Em "Tempos Modernos", Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar à linha de produção e, por isso mesmo, levado à loucura.
    Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a ser revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas.

Fonte: https://www.jb.com.br/cadernob/2025/10/1057433-tempos-modernos-uma-critica-asociedade-industrial.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
No trecho “[...] sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista” (5º parágrafo), o conectivo “que” introduz uma oração:  
Alternativas
Q3772790 Português
Texto I

Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial

Por Arlindenor Pedro

    Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com seus geniais desempenhos — ficou sem aparecer nos cinemas.
    No intervalo entre o seu último filme, "Luzes da Cidade", e o lançamento de "Tempos Modernos", Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que "Tempos Modernos" seria o último filme do personagem. O que aconteceu de fato!
    O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!  
    Em 1931, Chaplin fez uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise por alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro por implementos, que tiveram seu ápice com a linha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.
    Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final de seu próximo filme, lançado já em plena guerra: "O Grande Ditador".
    Em "Tempos Modernos", Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar à linha de produção e, por isso mesmo, levado à loucura.
    Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a ser revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas.

Fonte: https://www.jb.com.br/cadernob/2025/10/1057433-tempos-modernos-uma-critica-asociedade-industrial.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
"A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra" (4º parágrafo).

A forma verbal em destaque veicula sentido de: 
Alternativas
Q3772722 Português
Texto I

Quantas vezes você mudou de opinião sobre o que quer ser quando crescer?

Luana Génot

    Muitas vezes, perguntamos às crianças o que querem ser quando crescer. E, por mais inocente que pareça, essa pergunta carrega muitas nuances: ela faz com que a gente projete o futuro, mas também perceba o quanto os nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
    Um executivo, certa vez, me contou algo que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia sonhando em ser caminhoneiro, como o pai. Achava que aquele era o topo. Não porque faltasse ambição, mas porque faltavam referências. Ao se mudar para estudar, porém, descobriu outros mundos. Passou a almejar um trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si, para a família, para ver o sol se pôr.
   Sonhos mudam de roupa conforme a estação da vida. Às vezes, crescem; outras vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e, depois, queremos o sossego. Já almejamos o sucesso financeiro a todo custo e, em seguida, queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo isso faz parte do mesmo caminho e pode até coexistir em muitas medidas.
    O que me intriga é que também há aqueles que não se permitem sonhar. Gente que aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é ferramenta de sobrevivência, especialmente para quem sempre precisou lutar para existir. É uma forma de hackear o sistema, de furar a bolha do “impossível”, de encontrar brechas nas estruturas que dizem “não”.
    O sonho é ancestral. É herança das nossas avós que sonhavam em liberdade enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que moveu quem veio antes, que acreditou num amanhã que talvez nunca tenha visto, mas plantou para que a gente colhesse. Por isso, deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga o passado ao futuro.
    Manter os desejos em dia é um ato de resistência. É como revisar um documento importante da alma: precisa ser atualizado, revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a gente muda junto. E, se há dias em que algo almejado parece distante, que isso vire farol, mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
    Às vezes, o sonho não é mais ser astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser presidente, mas conseguir pagar as contas e sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em continuar sonhando, mesmo que isso varie conforme o fôlego do momento.
    O importante é não deixar que o peso do real atropele a leveza do que parece impossível, que nos projeta. Que a pressa não atropele o propósito. Que o medo não atropele a esperança. Então, se hoje você não souber responder “o que quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que você precise é só se perguntar: o que ainda quero sonhar?

Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml. Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
A frase a seguir serve de base para responder à questão:

“A beleza existe em continuar sonhando, mesmo que isso varie conforme o fôlego do momento” (7º parágrafo).  

O conectivo em destaque (“mesmo que”) poderia ser substituído, sem prejuízo de sentido, por: 
Alternativas
Q3772721 Português
Texto I

Quantas vezes você mudou de opinião sobre o que quer ser quando crescer?

Luana Génot

    Muitas vezes, perguntamos às crianças o que querem ser quando crescer. E, por mais inocente que pareça, essa pergunta carrega muitas nuances: ela faz com que a gente projete o futuro, mas também perceba o quanto os nossos sonhos mudam com o tempo. Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos. O sonho de ontem pode não fazer mais sentido hoje, e está tudo bem.
    Um executivo, certa vez, me contou algo que jamais esqueci. Ele saiu do interior da Bahia sonhando em ser caminhoneiro, como o pai. Achava que aquele era o topo. Não porque faltasse ambição, mas porque faltavam referências. Ao se mudar para estudar, porém, descobriu outros mundos. Passou a almejar um trabalho como auxiliar, depois, novos postos, e foi galgando degraus até virar diretor. Hoje, mais do que cargos, sonha em ter tempo. Tempo para si, para a família, para ver o sol se pôr.
   Sonhos mudam de roupa conforme a estação da vida. Às vezes, crescem; outras vezes, se simplificam. Já quisemos o palco e, depois, queremos o sossego. Já almejamos o sucesso financeiro a todo custo e, em seguida, queremos a saúde mental acima de tudo. E tudo isso faz parte do mesmo caminho e pode até coexistir em muitas medidas.
    O que me intriga é que também há aqueles que não se permitem sonhar. Gente que aprendeu cedo que isso é luxo, coisa de quem tem tempo ou dinheiro. Sonhar, porém, é ferramenta de sobrevivência, especialmente para quem sempre precisou lutar para existir. É uma forma de hackear o sistema, de furar a bolha do “impossível”, de encontrar brechas nas estruturas que dizem “não”.
    O sonho é ancestral. É herança das nossas avós que sonhavam em liberdade enquanto lavavam roupa no rio. É a centelha que moveu quem veio antes, que acreditou num amanhã que talvez nunca tenha visto, mas plantou para que a gente colhesse. Por isso, deixar o sonho morrer é como cortar o fio que liga o passado ao futuro.
    Manter os desejos em dia é um ato de resistência. É como revisar um documento importante da alma: precisa ser atualizado, revisitado, cuidado. Porque o mundo muda, e a gente muda junto. E, se há dias em que algo almejado parece distante, que isso vire farol, mesmo que fraquinho, para iluminar o caminho.
    Às vezes, o sonho não é mais ser astronauta, é só dormir melhor. Não é mais ser presidente, mas conseguir pagar as contas e sorrir. E está tudo certo. A beleza existe em continuar sonhando, mesmo que isso varie conforme o fôlego do momento.
    O importante é não deixar que o peso do real atropele a leveza do que parece impossível, que nos projeta. Que a pressa não atropele o propósito. Que o medo não atropele a esperança. Então, se hoje você não souber responder “o que quer ser quando crescer”, relaxa. Talvez o que você precise é só se perguntar: o que ainda quero sonhar?

Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2025/11/quantas-vezes-voce-mudou-deopiniao-sobre-o-que-quer-ser-quando-crescer.ghtml. Acesso em 15/11/2025. Adaptado.
Quanto mais repertório acumulamos, mais atualizamos nossos desejos” (1º parágrafo).

Nesse trecho, os conectivos em destaque indicam valor semântico de: 
Alternativas
Q3772671 Português
Texto I

LER O BRASIL PARA AS CRIANÇAS

   O mercado editorial está cheio de títulos infantis disputando prateleiras e olhares de crianças curiosas e pais preocupados em estimular o hábito da leitura nos pequenos. Vale tudo na luta desleal entre as imagens e sons fáceis que saltam das telas e o delicado exercício de imaginar o que a literatura conta e, por vezes, apenas sugere.
    Entre os livros que recebo, um me chamou especial atenção: A onça esfomeada e os bichos espertos (2025), de Ugise Kalapalo, com ilustrações de Babette Costa e Greta Comolatti. É a adaptação de uma narrativa tradicional do povo kalapalo que habita o Alto Xingu, às margens do rio Kuluene, uma das mais de 305 etnias presentes no território nacional. A edição caprichada da editora Escuta Aqui Bem-Te-Vi é um exemplo a ser seguido no trato com a cultura indígena. O texto é bilíngue, em português-karib, língua falada pelos kalapalos (há em torno de 270 línguas indígenas faladas no Brasil).
    A informação da multiplicidade cultural presente em nosso país dá um bom começo de conversa com a criançada que tiver acesso ao livro, seja nas escolas, seja nas livrarias que ainda prezam o contato direto com seus leitores mirins, por meio de contação de histórias e da presença dos autores. Não é de menos importância o fato de que um indígena kalapalo possa ver sua língua estampada em espaços culturais que costumam ignorar sua existência. Parabenizo os envolvidos pela escolha político-editorial.  
    A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia que o povo ocidental insiste em defender e que faz de nós os maiores predadores do ambiente do qual fazemos parte. É essa empáfia supostamente evolutiva que nos mantém na enrascada que deixará as próximas gerações sem água potável, temperaturas suportáveis e alimentos saudáveis. Como disse Nêgo Bispo, o que chamamos de des-envolvimento é falta de envolvimento. Para culturas em paz com o planeta onde habitam, animais são “pessoas não humanas”.
    Não se trata do antropomorfismo das fábulas de Esopo, com suas mensagens carregadas de moral a ser incutida nas crianças que, como nós, aprenderam horrorizadas que a Cigarra artista merecia ser deixada à míngua pela Formiga trabalhadeira. Entre os kalapalos, cada pessoa tem seu valor, seu truque e ensinamento, fazendo da onça – a maior caçadora da floresta – um animal a ser respeitado, mas não onipotente.
    A escolha por retratar o cotidiano das aldeias nas ilustrações ao longo do livro é de extremo bom gosto e atiçará a curiosidade da criançada branca atenta à jornada da dona Onça em busca de comida. O detalhe final fica para a introdução dos antropólogos Veronica Monachini (que assina a adaptação) e Antonio Guerreiro, que nos explicam que não se trata de um mito ou de um conto, mas daquilo que para os kalapalos é a própria história com h.
    É nesse ponto que se tem a oportunidade de avaliar o que entendemos por ficção em nossa cultura e aprender algo. As versões que fazemos do mundo não só explicam quem somos como nos orientam em como lidar com nossa existência coletivamente. Faz 500 anos que esses povos nos alertam para o perigo de nosso discurso desenvolvimentista, cujos efeitos nefastos nossas crianças já testemunham.

VERA IACONELLI
Adaptado de folha.uol.com.br, 25/08/2025.
Com base na frase abaixo, responda à questão.

A segunda quebra de paradigma está na ideia de que entre animais e pessoas não há a hierarquia [1] que o povo ocidental insiste em defender e [2] que faz de nós os maiores predadores do ambiente [3] do qual fazemos parte. (4º parágrafo) 

As três orações sublinhadas são todas subordinadas do seguinte tipo: 
Alternativas
Q3772571 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Medo de mudar de opinião


Tem pessoas que sofrem por não terem coragem de mudar. Como em algum momento do passado elas defenderam uma causa em que acreditavam com muita força e convicção, agora se sentem interiormente impedidas de mudar, de reconhecer que as coisas e o tempo evoluem, e a mudança de ideias e opiniões acompanham. Com isso, sofrem muito. E o que é pior. Mesmo sabendo estarem erradas, continuam defendendo causas nas quais não acreditam mais, só por se sentirem incapazes de mudar de opinião e dizer que pensaram melhor, estudaram novos argumentos e mudaram de ideia. Para algumas pessoas isso é impensável! Isso acontece a respeito de qualquer tema: política, costumes, saúde, religião, meio-ambiente etc. Se o caro leitor é um desses, lembre-se que você tem o direito de mudar de ideia e de opinião sem ter medo nem vergonha, sem ter que dar satisfação a ninguém. Pense nisso. 



SANTOS, Alaides Garcia dos. Medo de mudar de opinião. Blog do Alaides, [s.d.]. Disponível em: https://www.blogdoalaides.com.br/cronicas-curtas-6/ . Acesso em: 2 dez. 2025.


Considere as afirmativas a seguir relacionadas à gramática normativa. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)Na oração "agora se sentem interiormente impedidas de mudar", o pronome oblíquo átono "se" está corretamente posicionado segundo as normas da colocação pronominal, pois o advérbio "agora" atrai a próclise.

(__)A oração "que as coisas e o tempo evoluem" presente no trecho "de reconhecer que as coisas e o tempo evoluem" é classificada como subordinada substantiva objetiva direta, pois exerce função de complemento da forma verbal "reconhecer".

(__)Os dois-pontos no trecho "Isso acontece a respeito de qualquer tema: política, costumes, saúde, religião, meio-ambiente etc." introduzem enumeração explicativa, estando seu uso em perfeita consonância com a norma culta.

Assinale a alternativa com a sequência correta, de cima para baixo:
Alternativas
Q3772570 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Medo de mudar de opinião


Tem pessoas que sofrem por não terem coragem de mudar. Como em algum momento do passado elas defenderam uma causa em que acreditavam com muita força e convicção, agora se sentem interiormente impedidas de mudar, de reconhecer que as coisas e o tempo evoluem, e a mudança de ideias e opiniões acompanham. Com isso, sofrem muito. E o que é pior. Mesmo sabendo estarem erradas, continuam defendendo causas nas quais não acreditam mais, só por se sentirem incapazes de mudar de opinião e dizer que pensaram melhor, estudaram novos argumentos e mudaram de ideia. Para algumas pessoas isso é impensável! Isso acontece a respeito de qualquer tema: política, costumes, saúde, religião, meio-ambiente etc. Se o caro leitor é um desses, lembre-se que você tem o direito de mudar de ideia e de opinião sem ter medo nem vergonha, sem ter que dar satisfação a ninguém. Pense nisso. 



SANTOS, Alaides Garcia dos. Medo de mudar de opinião. Blog do Alaides, [s.d.]. Disponível em: https://www.blogdoalaides.com.br/cronicas-curtas-6/ . Acesso em: 2 dez. 2025.


Considerando as normas de regência verbal previstas na gramática normativa, assinale a alternativa que apresenta inadequação quanto ao uso dos complementos verbais.
Alternativas
Respostas
6001: D
6002: C
6003: D
6004: A
6005: B
6006: A
6007: D
6008: C
6009: A
6010: C
6011: C
6012: B
6013: A
6014: C
6015: D
6016: A
6017: A
6018: A
6019: A
6020: D