Questões de Concurso
Sobre sintaxe em português
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Leia o texto a seguir:
VIBRAÇÕES
Vibrar, viver. Vibra o abismo etéreo à musica das esferas; vibra a convulsão do verme, no segredo subterrâneo dos túmulos. Vive a luz, vive o perfume, vive o som, vive a putrefação. Vivem à semelhança os ânimos. A harpa do sentimento canta no peito, ora o entusiasmo, um hino, ora o adágio oscilante da cisma. A cada nota, uma cor, tal qual nas vibrações da luz. O conjunto é a sinfonia das paixões. Eleva-se a gradação cromática até à suprema intensidade rutilante; baixa à profunda e escura vibração das elegias.
Sonoridade, colorido: eis o sentimento.
Dai o simbolismo popular das cores.
(POMPEIA, Raul. Canções sem metro. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2013. 303 p.)
Texto CG3A2-I
Gosto de morar em cidades pequenas precisamente porque, em sua maioria, elas costumam ser os lugares onde os princípios básicos que sustentam uma ética amorosa existem e são os padrões segundo os quais parte das pessoas tenta viver sua vida. Na cidade pequena onde vivo (atualmente, apenas parte do tempo), existe um espírito de vizinhança — de companheirismo, cuidado e respeito. Esses mesmos valores existiam nos bairros da cidade onde eu cresci. Embora eu passe a maior parte do tempo em Nova York, vivo num prédio que funciona como uma cooperativa, onde todos se conhecem. Nós nos protegemos e alimentamos o nosso bem-estar. Nós nos esforçamos para fazer de nossa casa um ambiente positivo para todos. Todos concordamos que a integridade e o cuidado melhoram a vida de todos nós. Tentamos viver pelos princípios da ética amorosa.
Bell Hooks. Tudo sobre o amor. São Paulo: Editora Elefante, 2021, p. 136-137.
Texto CG3A2-I
Gosto de morar em cidades pequenas precisamente porque, em sua maioria, elas costumam ser os lugares onde os princípios básicos que sustentam uma ética amorosa existem e são os padrões segundo os quais parte das pessoas tenta viver sua vida. Na cidade pequena onde vivo (atualmente, apenas parte do tempo), existe um espírito de vizinhança — de companheirismo, cuidado e respeito. Esses mesmos valores existiam nos bairros da cidade onde eu cresci. Embora eu passe a maior parte do tempo em Nova York, vivo num prédio que funciona como uma cooperativa, onde todos se conhecem. Nós nos protegemos e alimentamos o nosso bem-estar. Nós nos esforçamos para fazer de nossa casa um ambiente positivo para todos. Todos concordamos que a integridade e o cuidado melhoram a vida de todos nós. Tentamos viver pelos princípios da ética amorosa.
Bell Hooks. Tudo sobre o amor. São Paulo: Editora Elefante, 2021, p. 136-137.
Texto CG3A1-I
Os impactos ambientais gerados pelo crescimento urbano aumentaram consideravelmente, com a redução da qualidade da água segura para a população. Isso ocorreu, também, em Aracaju, que teve seu processo de urbanização pautado em métodos conservadores de traçado urbano.
Em pleno século XXI, a sociedade brasileira encontra-se, ainda, na concepção higienista de cidades, pois busca garantir a infraestrutura básica local, mas deixa para o meio ambiente o maior ônus, ao transferir à jusante os impactos relacionados à drenagem, o que faz ampliar as cheias naturais, degradar os corpos hídricos e desequilibrar os ciclos naturais (hidrológicos, biológicos e ecológicos).
Recentemente, as políticas públicas do estado passaram a reconhecer a necessidade de equilíbrio entre o meio ambiente e as questões de drenagem urbana, ao identificarem a importância de manutenção local das águas pluviais, política específica sobre drenagem, gestão integrada das águas urbanas, vegetação e paisagem como elementos complementares às estratégias de drenagem e medidas estruturais extensivas de menor impacto ambiental (como as que visam modificar os processos de chuva-vazão na bacia hidrográfica ou em zona urbanizada, implementadas ao longo de sua extensão, e que incluem o controle da cobertura vegetal e da erosão do solo).
Entretanto, mesmo com a implementação dessas diretrizes, percebe-se que a prática e a execução delas têm sido realizadas de forma muito lenta. As medidas de controle à urbanização dependem de uma política urbana municipal rígida. A atualização do plano diretor de Aracaju é fundamental para a execução de boas práticas, para a manutenção e o equilíbrio da cidade e de seus bairros, no que se refere à preservação do meio natural, ao controle das construções nesse meio, bem como ao equilíbrio da oferta de serviços de saneamento.
Yuri Augusto Dorea de Carvalho Silva, Rebeca Pereira de Souza Diniz e Lina Martins de Carvalho.
Drenagem urbana e espaços livres: reflexões preliminares sobre o caso do Jabotiana em Aracaju/SE.
XIII Encontro de Recursos Hídricos em Sergipe. Associação Brasileira de Recursos Hídricos.
Internet:
Texto CG3A1-I
Os impactos ambientais gerados pelo crescimento urbano aumentaram consideravelmente, com a redução da qualidade da água segura para a população. Isso ocorreu, também, em Aracaju, que teve seu processo de urbanização pautado em métodos conservadores de traçado urbano.
Em pleno século XXI, a sociedade brasileira encontra-se, ainda, na concepção higienista de cidades, pois busca garantir a infraestrutura básica local, mas deixa para o meio ambiente o maior ônus, ao transferir à jusante os impactos relacionados à drenagem, o que faz ampliar as cheias naturais, degradar os corpos hídricos e desequilibrar os ciclos naturais (hidrológicos, biológicos e ecológicos).
Recentemente, as políticas públicas do estado passaram a reconhecer a necessidade de equilíbrio entre o meio ambiente e as questões de drenagem urbana, ao identificarem a importância de manutenção local das águas pluviais, política específica sobre drenagem, gestão integrada das águas urbanas, vegetação e paisagem como elementos complementares às estratégias de drenagem e medidas estruturais extensivas de menor impacto ambiental (como as que visam modificar os processos de chuva-vazão na bacia hidrográfica ou em zona urbanizada, implementadas ao longo de sua extensão, e que incluem o controle da cobertura vegetal e da erosão do solo).
Entretanto, mesmo com a implementação dessas diretrizes, percebe-se que a prática e a execução delas têm sido realizadas de forma muito lenta. As medidas de controle à urbanização dependem de uma política urbana municipal rígida. A atualização do plano diretor de Aracaju é fundamental para a execução de boas práticas, para a manutenção e o equilíbrio da cidade e de seus bairros, no que se refere à preservação do meio natural, ao controle das construções nesse meio, bem como ao equilíbrio da oferta de serviços de saneamento.
Yuri Augusto Dorea de Carvalho Silva, Rebeca Pereira de Souza Diniz e Lina Martins de Carvalho.
Drenagem urbana e espaços livres: reflexões preliminares sobre o caso do Jabotiana em Aracaju/SE.
XIII Encontro de Recursos Hídricos em Sergipe. Associação Brasileira de Recursos Hídricos.
Internet:
Mas será esse consumo desenfreado a única alternativa evolucionária do ser humano? Será que o nosso caminho natural, da aurora dos tempos ao fim da espécie, passa, necessariamente, pelas Casas Bahia? Há menos intenção crítica de minha parte do que curiosidade antropológica na questão. Criticar o consumismo é chover no molhado, e é, de certa maneira, rejeitar a própria condição humana, já que parte ponderável do nosso tempo e da nossa energia são gastos com o consumo. Isso não impede que eu considere uma das grandes tragédias da nossa época, a apresentação do consumismo como cura para todos os males; mas essa é outra história.
O que me intriga é: o que faria o ser humano se não consumisse; e, onde ficam as fronteiras do consumo estritamente necessário para saber o que seria um hipotético humano não-consumista. E não, não adianta olhar para qualquer ponto de miséria extrema do planeta para obter a resposta, porque ela nunca está nos extremos. O que faria hoje um bípede médio em circunstâncias médias se, em algum momento ao longo dos últimos dois milhões de anos, nós não tivéssemos nos afastado dos demais animais inventando formas radicalmente novas de buscar comida, cobrir o corpo, fabricar utensílios e parcelar o pagamento?
Ouço analistas econômicos discorrendo sobre a necessidade de se “aquecer as vendas”; observo o governo empurrando taxas de juros para aumentar ou conter o consumo. De tudo, fica a impressão de que o mundo só está de pé, se é que está, porque as pessoas vão às compras. Será que essa é mesmo a nossa maior finalidade existencial, aquela que garante a sobrevivência da espécie?
Não estou descobrindo nenhuma novidade. Não falta quem estude o assunto, que já preocupava pensadores do século retrasado. Num nível mais simples, me basta uma única página do Aurélio, que traz tanto a definição de consumo, a “utilização de mercadorias e serviços para satisfação das necessidades humanas”, quanto a de consumismo, “sistema que favorece o consumo exagerado”. E o que é exagerado? Ah, aí preciso ir a outra página, onde, entre um verbete e outro, chego à conclusão de que não há definição possível para a essência da coisa, pelo simples motivo de que, embora qualquer um de nós saiba reconhecer um exagero quando o vê, o que é exagero para um pode ser necessidade básica para outro. E aí recomeçamos tudo do zero.
Mas será esse consumo desenfreado a única alternativa evolucionária do ser humano? Será que o nosso caminho natural, da aurora dos tempos ao fim da espécie, passa, necessariamente, pelas Casas Bahia? Há menos intenção crítica de minha parte do que curiosidade antropológica na questão. Criticar o consumismo é chover no molhado, e é, de certa maneira, rejeitar a própria condição humana, já que parte ponderável do nosso tempo e da nossa energia são gastos com o consumo. Isso não impede que eu considere uma das grandes tragédias da nossa época, a apresentação do consumismo como cura para todos os males; mas essa é outra história.
O que me intriga é: o que faria o ser humano se não consumisse; e, onde ficam as fronteiras do consumo estritamente necessário para saber o que seria um hipotético humano não-consumista. E não, não adianta olhar para qualquer ponto de miséria extrema do planeta para obter a resposta, porque ela nunca está nos extremos. O que faria hoje um bípede médio em circunstâncias médias se, em algum momento ao longo dos últimos dois milhões de anos, nós não tivéssemos nos afastado dos demais animais inventando formas radicalmente novas de buscar comida, cobrir o corpo, fabricar utensílios e parcelar o pagamento?
Ouço analistas econômicos discorrendo sobre a necessidade de se “aquecer as vendas”; observo o governo empurrando taxas de juros para aumentar ou conter o consumo. De tudo, fica a impressão de que o mundo só está de pé, se é que está, porque as pessoas vão às compras. Será que essa é mesmo a nossa maior finalidade existencial, aquela que garante a sobrevivência da espécie?
Não estou descobrindo nenhuma novidade. Não falta quem estude o assunto, que já preocupava pensadores do século retrasado. Num nível mais simples, me basta uma única página do Aurélio, que traz tanto a definição de consumo, a “utilização de mercadorias e serviços para satisfação das necessidades humanas”, quanto a de consumismo, “sistema que favorece o consumo exagerado”. E o que é exagerado? Ah, aí preciso ir a outra página, onde, entre um verbete e outro, chego à conclusão de que não há definição possível para a essência da coisa, pelo simples motivo de que, embora qualquer um de nós saiba reconhecer um exagero quando o vê, o que é exagero para um pode ser necessidade básica para outro. E aí recomeçamos tudo do zero.
Maneira de amar
O jardineiro conversava com as flores e elas se habituaram
ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou
escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia
muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou
porque os girassóis são orgulhosos de natureza.
Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o
girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que
lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras
flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou
de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida
ocasião.
O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito
tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo
coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira
de trabalho.
Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e
censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a
mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que
não se conformava com a ausência do homem. “Você o tratava mal, agora está arrependido?” “Não”, respondeu. “Estou
triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira
de amar, ele sabia disso, e gostava.”
(Armazém de Textos. Em: 08/08/2019. Carlos Drummond de Andrade. Adaptado.)
Maneira de amar
O jardineiro conversava com as flores e elas se habituaram
ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou
escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia
muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou
porque os girassóis são orgulhosos de natureza.
Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o
girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que
lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras
flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou
de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida
ocasião.
O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito
tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo
coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira
de trabalho.
Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e
censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a
mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que
não se conformava com a ausência do homem. “Você o tratava mal, agora está arrependido?” “Não”, respondeu. “Estou
triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira
de amar, ele sabia disso, e gostava.”
(Armazém de Textos. Em: 08/08/2019. Carlos Drummond de Andrade. Adaptado.)
Texto CG4A2-I
Pindaíba: do tupi pindá (“anzol”) e íua (“haste”). É o nome de várias árvores e arbustos brasileiros usados por indígenas para fabricar a vara do anzol. Uma dessas árvores dá um fruto parecido com uma pinha.
Pindá também era o nome, na língua tupi, dado por indígenas ao ouriço-do-mar, um bicho muito espinhento.
No Brasil, emprega-se a expressão “estar na pindaíba” ou “andar na pindaíba” para falar de uma pessoa que está sem dinheiro ou com dificuldade financeira. A origem da expressão até hoje divide os estudiosos. Para alguns, ela tem a ver com a situação azarada de quem só tem uma vara de pescar para conseguir comida. Para outros, como o indígena dependia de sua vara de pescar para comer, quando o anzol era ruim e não apanhava nada, a pessoa ficava com fome e na miséria. Outros, enfim, dizem que os ouriços-do-mar dão muito trabalho para serem apanhados e, depois de arrancados os espinhos, têm muito pouca carne a oferecer. A pessoa que só come o ouriço-do-mar, portanto, estaria na pindaíba. Seja qual for a origem, a verdade é que ninguém gosta de estar na pindaíba!
Marcos Bagno e Orlene Carvalho. Pororoca, pipoca, paca e outras palavras do tupi. São Paulo: Parábola, 2014, p. 101-102 (com adaptações).
I. O termo “o” é empregado como referente textual sendo classificado como um conector.
II. Sua função sintática pode ser reconhecida como complemento da forma verbal “coloca”.
III. Sua função sintática está diretamente relacionada à classificação gramatical do pronome.
IV. A substituição por “lhe” não prejudicaria a correção gramatical do trecho, mas alteraria o nível de formalidade da linguagem utilizada.
Está correto o que se afirma apenas em
I. Contribui para a construção da coesão textual
II. Demonstra emprego da norma padrão da língua portuguesa.
III. Está diretamente relacionado à regência nominal apresentada.
IV. Permaneceria inalterado caso o vocábulo “saúde” fosse substituído por “sistema de saúde”.
Está correto o que se afirma apenas em
Texto 14A1-I
No dia em que vim ao mundo, num bairro pobrezinho de marré, marré, marré, a luz elétrica chegou à primeira casa de nossa rua. (...) Sozinha, em casa, minha mãe se contorcia com as dores do parto e gritava por ajuda, mas sua voz era abafada pelos acordes da banda de música que saíam do palacete. Pegando-se com Nossa Senhora do Bom Parto e com São Raimundo Nonato, ela mesma tomou as providências, encheu várias panelas com água, colocou-as no fogão e assoprou as brasas. O esforço foi benéfico para o parto: a bolsa arrebentou, e eu comecei a nascer. (...) Bem, quando a parteira chegou, eu já tinha nascido. D. Tomásia só teve de cortar o cordão umbilical. E no alto do céu, a lua cheia imperava toda branca, na toalha negra furada de estrelinhas. Eu nasci empelicada, o que era bom presságio. Teria sorte na vida. (...) Quando, meio desconfiada abri os olhinhos, titia afirmou que eu sorri:
— As crianças demoravam uma semana para abrir os olhos. Você, na mesma noite, já observava tudo. Até sorriu. Parecia trazer esperança para nós todos. Nunca vi uma criança tão especulativa.
Tina Correia. Essa menina. In: De Paris a Paripiranga. Aracaju: Afaguara, 2016.
Texto CG3A2-I
Gosto de morar em cidades pequenas precisamente porque, em sua maioria, elas costumam ser os lugares onde os princípios básicos que sustentam uma ética amorosa existem e são os padrões segundo os quais parte das pessoas tenta viver sua vida. Na cidade pequena onde vivo (atualmente, apenas parte do tempo), existe um espírito de vizinhança — de companheirismo, cuidado e respeito. Esses mesmos valores existiam nos bairros da cidade onde eu cresci. Embora eu passe a maior parte do tempo em Nova York, vivo num prédio que funciona como uma cooperativa, onde todos se conhecem. Nós nos protegemos e alimentamos o nosso bem-estar. Nós nos esforçamos para fazer de nossa casa um ambiente positivo para todos. Todos concordamos que a integridade e o cuidado melhoram a vida de todos nós. Tentamos viver pelos princípios da ética amorosa.
Bell Hooks. Tudo sobre o amor. São Paulo: Editora Elefante, 2021, p. 136-137
Texto CG3A2-I
Gosto de morar em cidades pequenas precisamente porque, em sua maioria, elas costumam ser os lugares onde os princípios básicos que sustentam uma ética amorosa existem e são os padrões segundo os quais parte das pessoas tenta viver sua vida. Na cidade pequena onde vivo (atualmente, apenas parte do tempo), existe um espírito de vizinhança — de companheirismo, cuidado e respeito. Esses mesmos valores existiam nos bairros da cidade onde eu cresci. Embora eu passe a maior parte do tempo em Nova York, vivo num prédio que funciona como uma cooperativa, onde todos se conhecem. Nós nos protegemos e alimentamos o nosso bem-estar. Nós nos esforçamos para fazer de nossa casa um ambiente positivo para todos. Todos concordamos que a integridade e o cuidado melhoram a vida de todos nós. Tentamos viver pelos princípios da ética amorosa.
Bell Hooks. Tudo sobre o amor. São Paulo: Editora Elefante, 2021, p. 136-137
Texto CG3A1-I
Os impactos ambientais gerados pelo crescimento urbano aumentaram consideravelmente, com a redução da qualidade da água segura para a população. Isso ocorreu, também, em Aracaju, que teve seu processo de urbanização pautado em métodos conservadores de traçado urbano.
Em pleno século XXI, a sociedade brasileira encontra-se, ainda, na concepção higienista de cidades, pois busca garantir a infraestrutura básica local, mas deixa para o meio ambiente o maior ônus, ao transferir à jusante os impactos relacionados à drenagem, o que faz ampliar as cheias naturais, degradar os corpos hídricos e desequilibrar os ciclos naturais (hidrológicos, biológicos e ecológicos).
Recentemente, as políticas públicas do estado passaram a reconhecer a necessidade de equilíbrio entre o meio ambiente e as questões de drenagem urbana, ao identificarem a importância de manutenção local das águas pluviais, política específica sobre drenagem, gestão integrada das águas urbanas, vegetação e paisagem como elementos complementares às estratégias de drenagem e medidas estruturais extensivas de menor impacto ambiental (como as que visam modificar os processos de chuva-vazão na bacia hidrográfica ou em zona urbanizada, implementadas ao longo de sua extensão, e que incluem o controle da cobertura vegetal e da erosão do solo).
Entretanto, mesmo com a implementação dessas diretrizes, percebe-se que a prática e a execução delas têm sido realizadas de forma muito lenta. As medidas de controle à urbanização dependem de uma política urbana municipal rígida. A atualização do plano diretor de Aracaju é fundamental para a execução de boas práticas, para a manutenção e o equilíbrio da cidade e de seus bairros, no que se refere à preservação do meio natural, ao controle das construções nesse meio, bem como ao equilíbrio da oferta de serviços de saneamento.
Yuri Augusto Dorea de Carvalho Silva, Rebeca Pereira de Souza Diniz e Lina Martins de Carvalho.
Drenagem urbana e espaços livres: reflexões preliminares sobre o caso do Jabotiana em Aracaju/SE.
XIII Encontro de Recursos Hídricos em Sergipe. Associação Brasileira de Recursos Hídricos.
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