Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q4068931 Português
Primavera

    A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
   Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
    Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
    Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
   Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
    Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação. Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim.
    Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
    Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
    Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

(MEIRELES, Cecília. Obra em Prosa. Volume 1. Editora Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1998. Pág. 366. Adaptado.)
Em “Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.” (3º§), o conectivo em destaque estabelece uma relação de: 
Alternativas
Q4068895 Português
Texto para responder à questão.

As cruéis mitocôndrias

    Tem coisa que a gente aprende na escola e não entende bem pra que aquilo vai servir, se é que vai servir um dia. [...]
    O que nunca me entrou na cabeça foi a importância de aprender o nome de tantos protozoários, bactérias, fungos, vírus e outros causadores de doenças. Na época eu estava curtindo meu primeiro amor platônico e só queria aprender a explicação pro meu coração acelerado e minha dor-de-cotovelo. A professora de ciências não passava nem perto de resolver esse problema. [...]
    Quase no final da adolescência, tive a brilhante ideia de montar uma banda de rock chamada Giardia Lamblia e seus Vacúolos Contráteis. Maravilha: eu tinha descoberto finalmente a utilidade das aulas de ciências. Era um nome engraçado e de sonoridade moderna. [...]
     Acabei entrando pra faculdade de jornalismo e foi ali que eu descobri mais uma utilidade pras tais aulas de ciências. Um dia, eu e dois colegas, cada um mais gozador do que o outro, fomos ao Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, e a escadaria do museu principal estava em reforma. Os visitantes tinham que recorrer a uma escadinha de madeira, bem capenga, num canto escuro.
    Quando a gente estava descendo pra ir embora, notamos um garotinho de uns oito anos olhando praquela escada e morrendo de medo de subir. Nessa hora um dos meus amigos, o Mauro, resolveu sacanear o menino:
     – Se eu fosse você eu não subia não.
     – Por quê?
    – o menininho até tremia.
    – Lá em cima tá cheio de mitocôndrias!
    – Coitado do menino. Arregalou uns olhos desse tamanho, engoliu seco, não sabia o que fazer.
     – E isso morde?
   – ele ainda teve voz pra perguntar.
    E o Mauro – até hoje não sei ele conseguiu lembrar dessa aula tantos anos depois – teve a crueldade de responder:
   – Morder não morde. Mas sintetiza ATP.
    Pronto: o menino saiu em disparada pela praça de Ouro Preto, berrando “mamãe, mamãe!”.
    Só muitos anos depois, na aula de ciências, o pobre do menino deve ter percebido toda a sacanagem daquele dia.
    Até então, aposto que ele teve mil pesadelos, com as cruéis mitocôndrias sintetizando todos os ATPs de seu cérebro.

(CUNHA, Leo. As cruéis mitocôndrias. In: CUNHA, Leo. Manual de desculpas esfarrapadas. São Paulo: FTD, 2004, pp. 17-19.)
A substituição do sintagma destacado pelo sugerido entre parêntese implica desvio de concordância em: 
Alternativas
Q4068892 Português
Texto para responder à questão.

    O que deve ser feito para garantir um ensino inclusivo pós- -pandemia? A questão é bastante complexa, mas, em algum momento, terá de ser respondida. Do processo de retomada das aulas presenciais à acolhida socioemocional, considerando a saúde mental do estudante, será necessário, primordialmente, discutir. O ensino requer a união de pilares da saúde, educação e família, para colocar em pauta escola inclusiva como educação generalizada.
    A escola precisa estar devidamente preparada para receber alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). A situação depende de um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) para atender as especificidades pedagógicas de determinados grupos. O professor deve compreender qual é o estilo apropriado para, então, utilizar um modelo correto de aprendizagem. [...] É crucial o educador entender a dinâmica e acolher os alunos para conhecê-los. A aprendizagem é mudança de comportamento e só a aquisição de conteúdo não será suficiente, pois pode se perder durante o processo, afinal, a educação não é uma cópia. O ensino muda a realidade de qualquer um [...].
    Um investimento escolar em autonomia da aprendizagem é essencial para fazer a diferença. O Plano de Desenvolvimento Individual é amparado na Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996). O processo assegura o direito à educação e à igualdade no ambiente escolar, contudo, a verdade é que, muitos profissionais da educação ainda desconhecem essa proposta, situação que deve ser revertida urgentemente. [...]
   Na contramão da educação com foco em alto rendimento, surge a necessidade de valorização do aluno, centro principal do processo. Cabe à escola promover ações de envolvimento estudantil com as disciplinas ensinadas e aproximar os pais das atividades escolares. A educação plena só acontece com base no tripé: aluno, escola e família. [...]

(MATHYLDE. Ângela. Individualização: desmascaramento do ensino inclusivo. Blogs Fausto Macedo. São Paulo, 10 nov. 2021. Disponível em: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/individualizacaodesmascaramento-do-ensino-inclusivo/. Adaptado.)
O elemento coesivo responsável por explicitar relação lógico-discursiva diferente dos demais está destacado em:
Alternativas
Q4068891 Português
Texto para responder à questão.

    O que deve ser feito para garantir um ensino inclusivo pós- -pandemia? A questão é bastante complexa, mas, em algum momento, terá de ser respondida. Do processo de retomada das aulas presenciais à acolhida socioemocional, considerando a saúde mental do estudante, será necessário, primordialmente, discutir. O ensino requer a união de pilares da saúde, educação e família, para colocar em pauta escola inclusiva como educação generalizada.
    A escola precisa estar devidamente preparada para receber alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). A situação depende de um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) para atender as especificidades pedagógicas de determinados grupos. O professor deve compreender qual é o estilo apropriado para, então, utilizar um modelo correto de aprendizagem. [...] É crucial o educador entender a dinâmica e acolher os alunos para conhecê-los. A aprendizagem é mudança de comportamento e só a aquisição de conteúdo não será suficiente, pois pode se perder durante o processo, afinal, a educação não é uma cópia. O ensino muda a realidade de qualquer um [...].
    Um investimento escolar em autonomia da aprendizagem é essencial para fazer a diferença. O Plano de Desenvolvimento Individual é amparado na Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996). O processo assegura o direito à educação e à igualdade no ambiente escolar, contudo, a verdade é que, muitos profissionais da educação ainda desconhecem essa proposta, situação que deve ser revertida urgentemente. [...]
   Na contramão da educação com foco em alto rendimento, surge a necessidade de valorização do aluno, centro principal do processo. Cabe à escola promover ações de envolvimento estudantil com as disciplinas ensinadas e aproximar os pais das atividades escolares. A educação plena só acontece com base no tripé: aluno, escola e família. [...]

(MATHYLDE. Ângela. Individualização: desmascaramento do ensino inclusivo. Blogs Fausto Macedo. São Paulo, 10 nov. 2021. Disponível em: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/individualizacaodesmascaramento-do-ensino-inclusivo/. Adaptado.)
É crucial o educador entender a dinâmica e acolher os alunos para conhecê-los.” (2º§) Acerca dos recursos linguísticos utilizados na construção desse período, está INCORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q4068863 Português
O professor do futuro

    O professor do futuro (e do sempre) deve ensinar, no presente, não o método que passa (e até faz passar...), mas a alma que permanece.
    Deve ensinar, não a única resposta certa em meio à múltipla desescolha, mas a capacidade de cometer erros criativos, de ver que um fracasso, didaticamente, vale mil sucessos.
    Ensinar, não a opção correta, a única porteira pela qual a boiada passa, de cabeça baixa, para o matadouro, mas a coragem de pular no escuro (se for preciso), e com os olhos abertos.
    Transmitir, não o conhecimento mastigado, a ração, mas despertar no aluno a vontade de mastigar por conta própria, de usar a razão, de saborear conhecimentos tradicionais e inéditos.
    O professor do futuro ensina, não o caminho das pedras, mas o amor às pedras que existem em todos os caminhos.
    O verdadeiro professor é um inspirador. Suas aulas são poéticas, proféticas. Não hipnotizam, acordam.
    Não cansam, desafiam. Não anestesiam, fazem refletir.

(Gabriel Perissé. Projeto DOSVOX – NCE/UFRJ. Matéria publicada em 01/09/2002. Edição nº 37. Adaptado.)
Considerando o fragmento “Deve ensinar, não a única resposta certa em meio à múltipla desescolha, mas a capacidade de cometer erros criativos, de ver que um fracasso, didaticamente, vale mil sucessos.” (2º§), podemos afirmar que a expressão destacada exprime circunstância de: 
Alternativas
Q4068853 Português
Os ciclos de vigília causam diferenças metabólicas no nosso corpo.

Assinale a opção CORRETA.
Alternativas
Q4068835 Português
Os ciclos de vigília causam diferenças metabólicas no nosso corpo.

Assinale a opção CORRETA. 
Alternativas
Q4068815 Português
Os ciclos de vigília causam diferenças metabólicas no nosso corpo.

Assinale a opção CORRETA. 
Alternativas
Q4068743 Português
Recuperação da educação brasileira, possíveis caminhos

Durante o último ano tenho conversado com formuladores de políticas, diretores escolares, professores e estudantes sobre as suas experiências durante a pandemia de Covid-19. Do Chile à Coreia do Sul, surgem questões comuns: são muitas as situações de aceleração da digitalização; por outro lado, as perdas de aprendizagem e as desigualdades aumentaram. 

O Brasil não é exceção, mas existem particularidades que merecem atenção. Nas últimas décadas, a educação tem sido parte vital do progresso do País. Porém mesmo antes da pandemia o crescimento econômico e o progresso social tinham estagnado, até mesmo retrocedido. A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação. O risco não é apenas o fim do progresso, mas também de conquistas feitas serem perdidas.

Este é um momento crítico para a educação no Brasil. É um momento que exige que os brasileiros olhem para o futuro, para a educação e o futuro que desejam para suas crianças; para dentro, aprendendo com experiências passadas e presentes e, para fora, procurando inspiração de pares internacionais.

Olhar para o futuro requer uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil. Significa enfrentar os desafios profundamente enraizados da qualidade e equidade. No Pisa 2018, metade dos brasileiros de 15 anos não atingiram a proficiência básica em leitura. As desvantagens socioeconômicas e o status da escola ainda têm impacto maior no sucesso escolar dos estudantes do que na maioria dos países da OCDE.

Olhar para dentro também oferece caminhos para o futuro. A aprovação do novo Fundeb é uma vitória para o Brasil e prova de compromisso contínuo com a educação e a equidade. No entanto, as escolas desfavorecidas ou rurais ainda são mais propensas a enfrentar a escassez de recursos do que outras no Brasil mesmo e do que seus pares da OCDE.

Melhorar a distribuição de recursos para chegar aos que mais necessitam e onde os maiores ganhos podem ser obtidos exigirá que os Estados e municípios repensem os seus mecanismos de alocação. O Ceará fornece um exemplo poderoso, alinhando indicadores de desempenho e transferências intergovernamentais com medidas para elevar a alfabetização. O sistema descentralizado brasileiro oferece tais oportunidades de inovação local; é importante identificar boas práticas, replicando-as em todo o sistema.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é crucial na promoção da equidade e qualidade, definindo as competências que todos os estudantes devem adquirir. O fechamento de escolas complicou sua implantação, mas a Covid-19 é também uma oportunidade para reacender o ímpeto da reforma: a BNCC será fundamental para a recuperação da aprendizagem. Da mesma forma, o novo ensino médio, prometendo maior flexibilidade curricular e relevância no mercado de trabalho, poderá reengajar os alunos após meses fora da escola. Mas para que essas oportunidades sejam concretizadas será necessária uma liderança eficaz, forte cooperação e monitoramento constante.

Olhar para fora pode servir de inspiração. Sistemas escolares bem-sucedidos mostram que a qualidade deles depende da qualidade de seus professores. O Brasil tem trabalho a fazer nessa área, selecionando e formando cuidadosamente os docentes e estruturando sua remuneração e sua trajetória profissional para refletir os padrões profissionais esperados. As novas Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores são um passo positivo, mas esforços complementares ainda serão necessários.

Durante a última década, muitos países da OCDE deram prioridade à educação da primeira infância, vista como uma forma de igualar as condições de educação e da vida. No Brasil, apesar da elevada participação entre as crianças mais velhas, em 2018 apenas cerca de dois terços das crianças de 3 anos estavam matriculadas nesse nível, com uma lacuna preocupante entre os mais ricos e os mais pobres. A qualidade também precisa de atenção: o impacto da participação nesse nível nos futuros resultados de aprendizagem não é tão positivo no Brasil como é na média da OCDE.

Há muito a fazer. Três novos relatórios da OCDE – Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional; Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas nacionais e subnacionais; e Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas internacionais –, publicados com apoio do Todos Pela Educação e do Itaú Social, podem oferecer perspectivas para apoiar o Brasil nesse esforço.

Em 2021, a resposta e a recuperação da covid-19 continuarão a dominar a agenda. Mas para que a educação possa apoiar o desenvolvimento do País o progresso alcançado não só tem de ser sustentado, como também acelerado. O Brasil precisa equilibrar o urgente e o importante, considerando prioridades imediatas e reformas estruturais como parte de uma estratégia de recuperação coerente.

(SCHLEICHER, Andreas. Recuperação da educação brasileira: possíveis caminhos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, n. 46642, 30 jun. 2021. Espaço Aberto, p. A2.) 
A relação semântica explicitada pelo conectivo destacado na frase está corretamente identificada entre parênteses, EXCETO:
Alternativas
Q4068742 Português
Recuperação da educação brasileira, possíveis caminhos

Durante o último ano tenho conversado com formuladores de políticas, diretores escolares, professores e estudantes sobre as suas experiências durante a pandemia de Covid-19. Do Chile à Coreia do Sul, surgem questões comuns: são muitas as situações de aceleração da digitalização; por outro lado, as perdas de aprendizagem e as desigualdades aumentaram. 

O Brasil não é exceção, mas existem particularidades que merecem atenção. Nas últimas décadas, a educação tem sido parte vital do progresso do País. Porém mesmo antes da pandemia o crescimento econômico e o progresso social tinham estagnado, até mesmo retrocedido. A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação. O risco não é apenas o fim do progresso, mas também de conquistas feitas serem perdidas.

Este é um momento crítico para a educação no Brasil. É um momento que exige que os brasileiros olhem para o futuro, para a educação e o futuro que desejam para suas crianças; para dentro, aprendendo com experiências passadas e presentes e, para fora, procurando inspiração de pares internacionais.

Olhar para o futuro requer uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil. Significa enfrentar os desafios profundamente enraizados da qualidade e equidade. No Pisa 2018, metade dos brasileiros de 15 anos não atingiram a proficiência básica em leitura. As desvantagens socioeconômicas e o status da escola ainda têm impacto maior no sucesso escolar dos estudantes do que na maioria dos países da OCDE.

Olhar para dentro também oferece caminhos para o futuro. A aprovação do novo Fundeb é uma vitória para o Brasil e prova de compromisso contínuo com a educação e a equidade. No entanto, as escolas desfavorecidas ou rurais ainda são mais propensas a enfrentar a escassez de recursos do que outras no Brasil mesmo e do que seus pares da OCDE.

Melhorar a distribuição de recursos para chegar aos que mais necessitam e onde os maiores ganhos podem ser obtidos exigirá que os Estados e municípios repensem os seus mecanismos de alocação. O Ceará fornece um exemplo poderoso, alinhando indicadores de desempenho e transferências intergovernamentais com medidas para elevar a alfabetização. O sistema descentralizado brasileiro oferece tais oportunidades de inovação local; é importante identificar boas práticas, replicando-as em todo o sistema.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é crucial na promoção da equidade e qualidade, definindo as competências que todos os estudantes devem adquirir. O fechamento de escolas complicou sua implantação, mas a Covid-19 é também uma oportunidade para reacender o ímpeto da reforma: a BNCC será fundamental para a recuperação da aprendizagem. Da mesma forma, o novo ensino médio, prometendo maior flexibilidade curricular e relevância no mercado de trabalho, poderá reengajar os alunos após meses fora da escola. Mas para que essas oportunidades sejam concretizadas será necessária uma liderança eficaz, forte cooperação e monitoramento constante.

Olhar para fora pode servir de inspiração. Sistemas escolares bem-sucedidos mostram que a qualidade deles depende da qualidade de seus professores. O Brasil tem trabalho a fazer nessa área, selecionando e formando cuidadosamente os docentes e estruturando sua remuneração e sua trajetória profissional para refletir os padrões profissionais esperados. As novas Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores são um passo positivo, mas esforços complementares ainda serão necessários.

Durante a última década, muitos países da OCDE deram prioridade à educação da primeira infância, vista como uma forma de igualar as condições de educação e da vida. No Brasil, apesar da elevada participação entre as crianças mais velhas, em 2018 apenas cerca de dois terços das crianças de 3 anos estavam matriculadas nesse nível, com uma lacuna preocupante entre os mais ricos e os mais pobres. A qualidade também precisa de atenção: o impacto da participação nesse nível nos futuros resultados de aprendizagem não é tão positivo no Brasil como é na média da OCDE.

Há muito a fazer. Três novos relatórios da OCDE – Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional; Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas nacionais e subnacionais; e Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas internacionais –, publicados com apoio do Todos Pela Educação e do Itaú Social, podem oferecer perspectivas para apoiar o Brasil nesse esforço.

Em 2021, a resposta e a recuperação da covid-19 continuarão a dominar a agenda. Mas para que a educação possa apoiar o desenvolvimento do País o progresso alcançado não só tem de ser sustentado, como também acelerado. O Brasil precisa equilibrar o urgente e o importante, considerando prioridades imediatas e reformas estruturais como parte de uma estratégia de recuperação coerente.

(SCHLEICHER, Andreas. Recuperação da educação brasileira: possíveis caminhos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, n. 46642, 30 jun. 2021. Espaço Aberto, p. A2.) 
“A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação.” (2º§) Sobre os aspectos morfossintáticos e semânticos desse excerto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) O segundo período estabelece, em relação ao primeiro, uma relação semântica implícita de consequência.
( ) A locução verbal “está diminuindo” indica uma ação finalizada, mas que perdurou por um longo espaço de tempo.
( ) Esse excerto é, sintaticamente, formado por dois períodos e ambos são classificados como períodos compostos.
( ) Do ponto de vista morfológico, nota-se a presença de formas verbais flexionadas no modo indicativo, mas em dois tempos diferentes: pretérito perfeito e presente.
A sequência está correta em
Alternativas
Q4068741 Português
Recuperação da educação brasileira, possíveis caminhos

Durante o último ano tenho conversado com formuladores de políticas, diretores escolares, professores e estudantes sobre as suas experiências durante a pandemia de Covid-19. Do Chile à Coreia do Sul, surgem questões comuns: são muitas as situações de aceleração da digitalização; por outro lado, as perdas de aprendizagem e as desigualdades aumentaram. 

O Brasil não é exceção, mas existem particularidades que merecem atenção. Nas últimas décadas, a educação tem sido parte vital do progresso do País. Porém mesmo antes da pandemia o crescimento econômico e o progresso social tinham estagnado, até mesmo retrocedido. A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação. O risco não é apenas o fim do progresso, mas também de conquistas feitas serem perdidas.

Este é um momento crítico para a educação no Brasil. É um momento que exige que os brasileiros olhem para o futuro, para a educação e o futuro que desejam para suas crianças; para dentro, aprendendo com experiências passadas e presentes e, para fora, procurando inspiração de pares internacionais.

Olhar para o futuro requer uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil. Significa enfrentar os desafios profundamente enraizados da qualidade e equidade. No Pisa 2018, metade dos brasileiros de 15 anos não atingiram a proficiência básica em leitura. As desvantagens socioeconômicas e o status da escola ainda têm impacto maior no sucesso escolar dos estudantes do que na maioria dos países da OCDE.

Olhar para dentro também oferece caminhos para o futuro. A aprovação do novo Fundeb é uma vitória para o Brasil e prova de compromisso contínuo com a educação e a equidade. No entanto, as escolas desfavorecidas ou rurais ainda são mais propensas a enfrentar a escassez de recursos do que outras no Brasil mesmo e do que seus pares da OCDE.

Melhorar a distribuição de recursos para chegar aos que mais necessitam e onde os maiores ganhos podem ser obtidos exigirá que os Estados e municípios repensem os seus mecanismos de alocação. O Ceará fornece um exemplo poderoso, alinhando indicadores de desempenho e transferências intergovernamentais com medidas para elevar a alfabetização. O sistema descentralizado brasileiro oferece tais oportunidades de inovação local; é importante identificar boas práticas, replicando-as em todo o sistema.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é crucial na promoção da equidade e qualidade, definindo as competências que todos os estudantes devem adquirir. O fechamento de escolas complicou sua implantação, mas a Covid-19 é também uma oportunidade para reacender o ímpeto da reforma: a BNCC será fundamental para a recuperação da aprendizagem. Da mesma forma, o novo ensino médio, prometendo maior flexibilidade curricular e relevância no mercado de trabalho, poderá reengajar os alunos após meses fora da escola. Mas para que essas oportunidades sejam concretizadas será necessária uma liderança eficaz, forte cooperação e monitoramento constante.

Olhar para fora pode servir de inspiração. Sistemas escolares bem-sucedidos mostram que a qualidade deles depende da qualidade de seus professores. O Brasil tem trabalho a fazer nessa área, selecionando e formando cuidadosamente os docentes e estruturando sua remuneração e sua trajetória profissional para refletir os padrões profissionais esperados. As novas Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores são um passo positivo, mas esforços complementares ainda serão necessários.

Durante a última década, muitos países da OCDE deram prioridade à educação da primeira infância, vista como uma forma de igualar as condições de educação e da vida. No Brasil, apesar da elevada participação entre as crianças mais velhas, em 2018 apenas cerca de dois terços das crianças de 3 anos estavam matriculadas nesse nível, com uma lacuna preocupante entre os mais ricos e os mais pobres. A qualidade também precisa de atenção: o impacto da participação nesse nível nos futuros resultados de aprendizagem não é tão positivo no Brasil como é na média da OCDE.

Há muito a fazer. Três novos relatórios da OCDE – Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional; Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas nacionais e subnacionais; e Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas internacionais –, publicados com apoio do Todos Pela Educação e do Itaú Social, podem oferecer perspectivas para apoiar o Brasil nesse esforço.

Em 2021, a resposta e a recuperação da covid-19 continuarão a dominar a agenda. Mas para que a educação possa apoiar o desenvolvimento do País o progresso alcançado não só tem de ser sustentado, como também acelerado. O Brasil precisa equilibrar o urgente e o importante, considerando prioridades imediatas e reformas estruturais como parte de uma estratégia de recuperação coerente.

(SCHLEICHER, Andreas. Recuperação da educação brasileira: possíveis caminhos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, n. 46642, 30 jun. 2021. Espaço Aberto, p. A2.) 
A redação do livre comentário sobre o texto que NÃO apresenta desvio da norma padrão está em:
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Q4068739 Português
Recuperação da educação brasileira, possíveis caminhos

Durante o último ano tenho conversado com formuladores de políticas, diretores escolares, professores e estudantes sobre as suas experiências durante a pandemia de Covid-19. Do Chile à Coreia do Sul, surgem questões comuns: são muitas as situações de aceleração da digitalização; por outro lado, as perdas de aprendizagem e as desigualdades aumentaram. 

O Brasil não é exceção, mas existem particularidades que merecem atenção. Nas últimas décadas, a educação tem sido parte vital do progresso do País. Porém mesmo antes da pandemia o crescimento econômico e o progresso social tinham estagnado, até mesmo retrocedido. A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação. O risco não é apenas o fim do progresso, mas também de conquistas feitas serem perdidas.

Este é um momento crítico para a educação no Brasil. É um momento que exige que os brasileiros olhem para o futuro, para a educação e o futuro que desejam para suas crianças; para dentro, aprendendo com experiências passadas e presentes e, para fora, procurando inspiração de pares internacionais.

Olhar para o futuro requer uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil. Significa enfrentar os desafios profundamente enraizados da qualidade e equidade. No Pisa 2018, metade dos brasileiros de 15 anos não atingiram a proficiência básica em leitura. As desvantagens socioeconômicas e o status da escola ainda têm impacto maior no sucesso escolar dos estudantes do que na maioria dos países da OCDE.

Olhar para dentro também oferece caminhos para o futuro. A aprovação do novo Fundeb é uma vitória para o Brasil e prova de compromisso contínuo com a educação e a equidade. No entanto, as escolas desfavorecidas ou rurais ainda são mais propensas a enfrentar a escassez de recursos do que outras no Brasil mesmo e do que seus pares da OCDE.

Melhorar a distribuição de recursos para chegar aos que mais necessitam e onde os maiores ganhos podem ser obtidos exigirá que os Estados e municípios repensem os seus mecanismos de alocação. O Ceará fornece um exemplo poderoso, alinhando indicadores de desempenho e transferências intergovernamentais com medidas para elevar a alfabetização. O sistema descentralizado brasileiro oferece tais oportunidades de inovação local; é importante identificar boas práticas, replicando-as em todo o sistema.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é crucial na promoção da equidade e qualidade, definindo as competências que todos os estudantes devem adquirir. O fechamento de escolas complicou sua implantação, mas a Covid-19 é também uma oportunidade para reacender o ímpeto da reforma: a BNCC será fundamental para a recuperação da aprendizagem. Da mesma forma, o novo ensino médio, prometendo maior flexibilidade curricular e relevância no mercado de trabalho, poderá reengajar os alunos após meses fora da escola. Mas para que essas oportunidades sejam concretizadas será necessária uma liderança eficaz, forte cooperação e monitoramento constante.

Olhar para fora pode servir de inspiração. Sistemas escolares bem-sucedidos mostram que a qualidade deles depende da qualidade de seus professores. O Brasil tem trabalho a fazer nessa área, selecionando e formando cuidadosamente os docentes e estruturando sua remuneração e sua trajetória profissional para refletir os padrões profissionais esperados. As novas Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores são um passo positivo, mas esforços complementares ainda serão necessários.

Durante a última década, muitos países da OCDE deram prioridade à educação da primeira infância, vista como uma forma de igualar as condições de educação e da vida. No Brasil, apesar da elevada participação entre as crianças mais velhas, em 2018 apenas cerca de dois terços das crianças de 3 anos estavam matriculadas nesse nível, com uma lacuna preocupante entre os mais ricos e os mais pobres. A qualidade também precisa de atenção: o impacto da participação nesse nível nos futuros resultados de aprendizagem não é tão positivo no Brasil como é na média da OCDE.

Há muito a fazer. Três novos relatórios da OCDE – Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional; Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas nacionais e subnacionais; e Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas internacionais –, publicados com apoio do Todos Pela Educação e do Itaú Social, podem oferecer perspectivas para apoiar o Brasil nesse esforço.

Em 2021, a resposta e a recuperação da covid-19 continuarão a dominar a agenda. Mas para que a educação possa apoiar o desenvolvimento do País o progresso alcançado não só tem de ser sustentado, como também acelerado. O Brasil precisa equilibrar o urgente e o importante, considerando prioridades imediatas e reformas estruturais como parte de uma estratégia de recuperação coerente.

(SCHLEICHER, Andreas. Recuperação da educação brasileira: possíveis caminhos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, n. 46642, 30 jun. 2021. Espaço Aberto, p. A2.) 
A substituição do elemento destacado pelo sugerido entre parênteses implica desvio de concordância em: 
Alternativas
Q4068703 Português
Recuperação da educação brasileira, possíveis caminhos

Durante o último ano tenho conversado com formuladores de políticas, diretores escolares, professores e estudantes sobre as suas experiências durante a pandemia de Covid-19. Do Chile à Coreia do Sul, surgem questões comuns: são muitas as situações de aceleração da digitalização; por outro lado, as perdas de aprendizagem e as desigualdades aumentaram. 

O Brasil não é exceção, mas existem particularidades que merecem atenção. Nas últimas décadas, a educação tem sido parte vital do progresso do País. Porém mesmo antes da pandemia o crescimento econômico e o progresso social tinham estagnado, até mesmo retrocedido. A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação. O risco não é apenas o fim do progresso, mas também de conquistas feitas serem perdidas.

Este é um momento crítico para a educação no Brasil. É um momento que exige que os brasileiros olhem para o futuro, para a educação e o futuro que desejam para suas crianças; para dentro, aprendendo com experiências passadas e presentes e, para fora, procurando inspiração de pares internacionais.

Olhar para o futuro requer uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil. Significa enfrentar os desafios profundamente enraizados da qualidade e equidade. No Pisa 2018, metade dos brasileiros de 15 anos não atingiram a proficiência básica em leitura. As desvantagens socioeconômicas e o status da escola ainda têm impacto maior no sucesso escolar dos estudantes do que na maioria dos países da OCDE.

Olhar para dentro também oferece caminhos para o futuro. A aprovação do novo Fundeb é uma vitória para o Brasil e prova de compromisso contínuo com a educação e a equidade. No entanto, as escolas desfavorecidas ou rurais ainda são mais propensas a enfrentar a escassez de recursos do que outras no Brasil mesmo e do que seus pares da OCDE.

Melhorar a distribuição de recursos para chegar aos que mais necessitam e onde os maiores ganhos podem ser obtidos exigirá que os Estados e municípios repensem os seus mecanismos de alocação. O Ceará fornece um exemplo poderoso, alinhando indicadores de desempenho e transferências intergovernamentais com medidas para elevar a alfabetização. O sistema descentralizado brasileiro oferece tais oportunidades de inovação local; é importante identificar boas práticas, replicando-as em todo o sistema.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é crucial na promoção da equidade e qualidade, definindo as competências que todos os estudantes devem adquirir. O fechamento de escolas complicou sua implantação, mas a Covid-19 é também uma oportunidade para reacender o ímpeto da reforma: a BNCC será fundamental para a recuperação da aprendizagem. Da mesma forma, o novo ensino médio, prometendo maior flexibilidade curricular e relevância no mercado de trabalho, poderá reengajar os alunos após meses fora da escola. Mas para que essas oportunidades sejam concretizadas será necessária uma liderança eficaz, forte cooperação e monitoramento constante.

Olhar para fora pode servir de inspiração. Sistemas escolares bem-sucedidos mostram que a qualidade deles depende da qualidade de seus professores. O Brasil tem trabalho a fazer nessa área, selecionando e formando cuidadosamente os docentes e estruturando sua remuneração e sua trajetória profissional para refletir os padrões profissionais esperados. As novas Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores são um passo positivo, mas esforços complementares ainda serão necessários.

Durante a última década, muitos países da OCDE deram prioridade à educação da primeira infância, vista como uma forma de igualar as condições de educação e da vida. No Brasil, apesar da elevada participação entre as crianças mais velhas, em 2018 apenas cerca de dois terços das crianças de 3 anos estavam matriculadas nesse nível, com uma lacuna preocupante entre os mais ricos e os mais pobres. A qualidade também precisa de atenção: o impacto da participação nesse nível nos futuros resultados de aprendizagem não é tão positivo no Brasil como é na média da OCDE.

Há muito a fazer. Três novos relatórios da OCDE – Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional; Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas nacionais e subnacionais; e Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas internacionais –, publicados com apoio do Todos Pela Educação e do Itaú Social, podem oferecer perspectivas para apoiar o Brasil nesse esforço.

Em 2021, a resposta e a recuperação da covid-19 continuarão a dominar a agenda. Mas para que a educação possa apoiar o desenvolvimento do País o progresso alcançado não só tem de ser sustentado, como também acelerado. O Brasil precisa equilibrar o urgente e o importante, considerando prioridades imediatas e reformas estruturais como parte de uma estratégia de recuperação coerente.

(SCHLEICHER, Andreas. Recuperação da educação brasileira: possíveis caminhos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, n. 46642, 30 jun. 2021. Espaço Aberto, p. A2.) 
A relação semântica explicitada pelo conectivo destacado na frase está corretamente identificada entre parênteses, EXCETO:
Alternativas
Q4068702 Português
Recuperação da educação brasileira, possíveis caminhos

Durante o último ano tenho conversado com formuladores de políticas, diretores escolares, professores e estudantes sobre as suas experiências durante a pandemia de Covid-19. Do Chile à Coreia do Sul, surgem questões comuns: são muitas as situações de aceleração da digitalização; por outro lado, as perdas de aprendizagem e as desigualdades aumentaram. 

O Brasil não é exceção, mas existem particularidades que merecem atenção. Nas últimas décadas, a educação tem sido parte vital do progresso do País. Porém mesmo antes da pandemia o crescimento econômico e o progresso social tinham estagnado, até mesmo retrocedido. A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação. O risco não é apenas o fim do progresso, mas também de conquistas feitas serem perdidas.

Este é um momento crítico para a educação no Brasil. É um momento que exige que os brasileiros olhem para o futuro, para a educação e o futuro que desejam para suas crianças; para dentro, aprendendo com experiências passadas e presentes e, para fora, procurando inspiração de pares internacionais.

Olhar para o futuro requer uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil. Significa enfrentar os desafios profundamente enraizados da qualidade e equidade. No Pisa 2018, metade dos brasileiros de 15 anos não atingiram a proficiência básica em leitura. As desvantagens socioeconômicas e o status da escola ainda têm impacto maior no sucesso escolar dos estudantes do que na maioria dos países da OCDE.

Olhar para dentro também oferece caminhos para o futuro. A aprovação do novo Fundeb é uma vitória para o Brasil e prova de compromisso contínuo com a educação e a equidade. No entanto, as escolas desfavorecidas ou rurais ainda são mais propensas a enfrentar a escassez de recursos do que outras no Brasil mesmo e do que seus pares da OCDE.

Melhorar a distribuição de recursos para chegar aos que mais necessitam e onde os maiores ganhos podem ser obtidos exigirá que os Estados e municípios repensem os seus mecanismos de alocação. O Ceará fornece um exemplo poderoso, alinhando indicadores de desempenho e transferências intergovernamentais com medidas para elevar a alfabetização. O sistema descentralizado brasileiro oferece tais oportunidades de inovação local; é importante identificar boas práticas, replicando-as em todo o sistema.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é crucial na promoção da equidade e qualidade, definindo as competências que todos os estudantes devem adquirir. O fechamento de escolas complicou sua implantação, mas a Covid-19 é também uma oportunidade para reacender o ímpeto da reforma: a BNCC será fundamental para a recuperação da aprendizagem. Da mesma forma, o novo ensino médio, prometendo maior flexibilidade curricular e relevância no mercado de trabalho, poderá reengajar os alunos após meses fora da escola. Mas para que essas oportunidades sejam concretizadas será necessária uma liderança eficaz, forte cooperação e monitoramento constante.

Olhar para fora pode servir de inspiração. Sistemas escolares bem-sucedidos mostram que a qualidade deles depende da qualidade de seus professores. O Brasil tem trabalho a fazer nessa área, selecionando e formando cuidadosamente os docentes e estruturando sua remuneração e sua trajetória profissional para refletir os padrões profissionais esperados. As novas Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores são um passo positivo, mas esforços complementares ainda serão necessários.

Durante a última década, muitos países da OCDE deram prioridade à educação da primeira infância, vista como uma forma de igualar as condições de educação e da vida. No Brasil, apesar da elevada participação entre as crianças mais velhas, em 2018 apenas cerca de dois terços das crianças de 3 anos estavam matriculadas nesse nível, com uma lacuna preocupante entre os mais ricos e os mais pobres. A qualidade também precisa de atenção: o impacto da participação nesse nível nos futuros resultados de aprendizagem não é tão positivo no Brasil como é na média da OCDE.

Há muito a fazer. Três novos relatórios da OCDE – Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional; Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas nacionais e subnacionais; e Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas internacionais –, publicados com apoio do Todos Pela Educação e do Itaú Social, podem oferecer perspectivas para apoiar o Brasil nesse esforço.

Em 2021, a resposta e a recuperação da covid-19 continuarão a dominar a agenda. Mas para que a educação possa apoiar o desenvolvimento do País o progresso alcançado não só tem de ser sustentado, como também acelerado. O Brasil precisa equilibrar o urgente e o importante, considerando prioridades imediatas e reformas estruturais como parte de uma estratégia de recuperação coerente.

(SCHLEICHER, Andreas. Recuperação da educação brasileira: possíveis caminhos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, n. 46642, 30 jun. 2021. Espaço Aberto, p. A2.) 
“A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação.” (2º§) Sobre os aspectos morfossintáticos e semânticos desse excerto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) O segundo período estabelece, em relação ao primeiro, uma relação semântica implícita de consequência.
( ) A locução verbal “está diminuindo” indica uma ação finalizada, mas que perdurou por um longo espaço de tempo.
( ) Esse excerto é, sintaticamente, formado por dois períodos e ambos são classificados como períodos compostos.
( ) Do ponto de vista morfológico, nota-se a presença de formas verbais flexionadas no modo indicativo, mas em dois tempos diferentes: pretérito perfeito e presente.
A sequência está correta em 
Alternativas
Q4068699 Português
Recuperação da educação brasileira, possíveis caminhos

Durante o último ano tenho conversado com formuladores de políticas, diretores escolares, professores e estudantes sobre as suas experiências durante a pandemia de Covid-19. Do Chile à Coreia do Sul, surgem questões comuns: são muitas as situações de aceleração da digitalização; por outro lado, as perdas de aprendizagem e as desigualdades aumentaram. 

O Brasil não é exceção, mas existem particularidades que merecem atenção. Nas últimas décadas, a educação tem sido parte vital do progresso do País. Porém mesmo antes da pandemia o crescimento econômico e o progresso social tinham estagnado, até mesmo retrocedido. A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação. O risco não é apenas o fim do progresso, mas também de conquistas feitas serem perdidas.

Este é um momento crítico para a educação no Brasil. É um momento que exige que os brasileiros olhem para o futuro, para a educação e o futuro que desejam para suas crianças; para dentro, aprendendo com experiências passadas e presentes e, para fora, procurando inspiração de pares internacionais.

Olhar para o futuro requer uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil. Significa enfrentar os desafios profundamente enraizados da qualidade e equidade. No Pisa 2018, metade dos brasileiros de 15 anos não atingiram a proficiência básica em leitura. As desvantagens socioeconômicas e o status da escola ainda têm impacto maior no sucesso escolar dos estudantes do que na maioria dos países da OCDE.

Olhar para dentro também oferece caminhos para o futuro. A aprovação do novo Fundeb é uma vitória para o Brasil e prova de compromisso contínuo com a educação e a equidade. No entanto, as escolas desfavorecidas ou rurais ainda são mais propensas a enfrentar a escassez de recursos do que outras no Brasil mesmo e do que seus pares da OCDE.

Melhorar a distribuição de recursos para chegar aos que mais necessitam e onde os maiores ganhos podem ser obtidos exigirá que os Estados e municípios repensem os seus mecanismos de alocação. O Ceará fornece um exemplo poderoso, alinhando indicadores de desempenho e transferências intergovernamentais com medidas para elevar a alfabetização. O sistema descentralizado brasileiro oferece tais oportunidades de inovação local; é importante identificar boas práticas, replicando-as em todo o sistema.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é crucial na promoção da equidade e qualidade, definindo as competências que todos os estudantes devem adquirir. O fechamento de escolas complicou sua implantação, mas a Covid-19 é também uma oportunidade para reacender o ímpeto da reforma: a BNCC será fundamental para a recuperação da aprendizagem. Da mesma forma, o novo ensino médio, prometendo maior flexibilidade curricular e relevância no mercado de trabalho, poderá reengajar os alunos após meses fora da escola. Mas para que essas oportunidades sejam concretizadas será necessária uma liderança eficaz, forte cooperação e monitoramento constante.

Olhar para fora pode servir de inspiração. Sistemas escolares bem-sucedidos mostram que a qualidade deles depende da qualidade de seus professores. O Brasil tem trabalho a fazer nessa área, selecionando e formando cuidadosamente os docentes e estruturando sua remuneração e sua trajetória profissional para refletir os padrões profissionais esperados. As novas Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores são um passo positivo, mas esforços complementares ainda serão necessários.

Durante a última década, muitos países da OCDE deram prioridade à educação da primeira infância, vista como uma forma de igualar as condições de educação e da vida. No Brasil, apesar da elevada participação entre as crianças mais velhas, em 2018 apenas cerca de dois terços das crianças de 3 anos estavam matriculadas nesse nível, com uma lacuna preocupante entre os mais ricos e os mais pobres. A qualidade também precisa de atenção: o impacto da participação nesse nível nos futuros resultados de aprendizagem não é tão positivo no Brasil como é na média da OCDE.

Há muito a fazer. Três novos relatórios da OCDE – Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional; Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas nacionais e subnacionais; e Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas internacionais –, publicados com apoio do Todos Pela Educação e do Itaú Social, podem oferecer perspectivas para apoiar o Brasil nesse esforço.

Em 2021, a resposta e a recuperação da covid-19 continuarão a dominar a agenda. Mas para que a educação possa apoiar o desenvolvimento do País o progresso alcançado não só tem de ser sustentado, como também acelerado. O Brasil precisa equilibrar o urgente e o importante, considerando prioridades imediatas e reformas estruturais como parte de uma estratégia de recuperação coerente.

(SCHLEICHER, Andreas. Recuperação da educação brasileira: possíveis caminhos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, n. 46642, 30 jun. 2021. Espaço Aberto, p. A2.) 
A substituição do elemento destacado pelo sugerido entre parênteses implica desvio de concordância em:
Alternativas
Q4068673 Português
Tempo de infância

        Quando se é criança, o mundo é apenas um grande parque de diversões. E são essas as primeiras lembranças que trago em mim.

        Lembro que, ainda bem pequeno, gostava de sair correndo atrás de meus irmãos e primos maiores. Era uma corrida sem finalidade. Corria-se para repetir os gestos dos calangos que dividiam com a gente o espaço da aldeia.

        Meus irmãos e eu andávamos sem paradeiro e sem destino. Íamos a todos os cantos que nos eram permitidos pelos adultos. O igarapé era nosso principal objetivo, mas também tínhamos as árvores, enormes mangueiras que cresciam por toda a aldeia. Os maiores subiam com destreza e depois me ajudavam a subir também. Passávamos horas ali, brincando de navegar nos galhos da velha árvore, comendo mangas com farinha de mandioca.

        Depois, descíamos daquela parenta – é assim que tratamos a natureza – para procurar outras aventuras e brincadeiras. Arcos e flechas em punho, descia parte do igarapé à procura de peixes. Pés descalços, corpo nu, pintado apenas com motivos de clã, percorria grande distância numa solitária busca por alimento. É claro que isso não durava muito tempo, pois logo meus olhos avistavam frutas ao alcance das mãos.

        Assim passava de uma atividade à outra sempre exercitando a minha curiosidade pueril e a minha destreza.

(Daniel Munduruku. Antologia de contos indígenas de ensinamento. São Paulo. 2005. Adaptado.)
Considerando o fragmento “Quando se é criança, o mundo é apenas um grande parque de diversões.” (1º§), a expressão destacada exprime circunstância de:
Alternativas
Q4068639 Português

Considerando as regras de concordância verbal, marque a alternativa com os termos que preenchem corretamente a oração abaixo.


Já ____ décadas que eles não se encontram, mas sempre _________ o amor em segredo. 

Alternativas
Q4068636 Português

Leia a crônica e responda à questão


O homem trocado


Luis Fernando Veríssimo



    O homem acorda da anestesia e olha em volta.


Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.


– Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.


– Eu estava com medo desta operação...


– Por quê? Não havia risco nenhum 


– Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos... E conta que os enganos começaram com seu nascimento.


    Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.


– E o meu nome? Outro engano.


– Seu nome não é Lírio?


– Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e... Os enganos se sucediam.


     Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.


– Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.


– O senhor não faz chamadas interurbanas?


– Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.


– Por quê?


– Ela me enganava.


     Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer: — O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.


– Se você diz que a operação foi bem... A enfermeira parou de sorrir.


– Apendicite? —perguntou, hesitante.


– É. A operação era para tirar o apêndice.


– Não era para trocar de sexo?

 

Marque a alternativa em que os termos destacados são objeto indireto. 
Alternativas
Q4068635 Português

Leia a crônica e responda à questão


O homem trocado


Luis Fernando Veríssimo



    O homem acorda da anestesia e olha em volta.


Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.


– Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.


– Eu estava com medo desta operação...


– Por quê? Não havia risco nenhum 


– Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos... E conta que os enganos começaram com seu nascimento.


    Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.


– E o meu nome? Outro engano.


– Seu nome não é Lírio?


– Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e... Os enganos se sucediam.


     Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.


– Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil.


– O senhor não faz chamadas interurbanas?


– Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.


– Por quê?


– Ela me enganava.


     Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer: — O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.


– Se você diz que a operação foi bem... A enfermeira parou de sorrir.


– Apendicite? —perguntou, hesitante.


– É. A operação era para tirar o apêndice.


– Não era para trocar de sexo?

 

Qual das orações abaixo pode ser classificada como coordenada sindética aditiva? 
Alternativas
Q4068588 Português
Na oração “A colocaram para palestrar na maior sala de eventos.” É evidente o erro de: 
Alternativas
Respostas
27261: C
27262: A
27263: B
27264: A
27265: A
27266: A
27267: B
27268: C
27269: C
27270: A
27271: D
27272: D
27273: C
27274: A
27275: D
27276: B
27277: C
27278: D
27279: C
27280: D