Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q3635634 Português
    Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado… Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons…. Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história…”
    Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas. Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância” … Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho do vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz…” (Fernando Pessoa).
    Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro… “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa da caixa de brinquedos. Só dá felicidade.
    O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes… Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bate-estacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles… E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos), dos galos, o barulho das ondas…
    “Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo…
    “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…”
Considere o seguinte trecho do texto:
“Resta essa intimidade perfeita com o silêncio / Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado / Resta essa vontade de chorar diante da beleza / Resta essa comunhão com os sons / Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história.”
Acerca do trecho acima, julgue as assertivas abaixo:
I. A repetição das palavras “resta essa”, nos cinco versos, apresenta a figura de linguagem denominada de anáfora.
II. Os vocábulos “súbita” e “história” obedecem a mesma regra de acentuação gráfica.
III. Os vocábulos “subitamente” e “silêncio” pertencem a mesma classe gramatical.
IV. A forma verbal “chorar” está na forma nominal denominada de infinito e a sua transitividade é indireta.
V. Na expressão “que se perdem” o termo em destaque está no presente do subjuntivo do verbo perder.
Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3635437 Português

Assinale a alternativa que completa as lacunas corretamente:



I. Honestidade entre os homens é ...................


II. É ......................... a entrada de animais neste recinto.


III. A comida sempre é .....................

Alternativas
Q3635388 Português
Em relação as orações subordinadas, observe as orações a seguir:

I.É importante que saibamos o papel de cada um no projeto.
II.Este celular, que comprei no ano passado, já está ultrapassado.
III.À medida que estudava, ficava mais inteligente.

Marque a alternativa que revela a classificação correta de cada oração apresentada, de acordo com a sua função:
Alternativas
Q3635276 Português
Em relação as orações subordinadas, observe as orações a seguir:

I.É importante que saibamos o papel de cada um no projeto.
II.Este celular, que comprei no ano passado, já está ultrapassado.
III.À medida que estudava, ficava mais inteligente.

Marque a alternativa que revela a classificação correta de cada oração apresentada, de acordo com a sua função:
Alternativas
Q3635238 Português
Em relação as orações subordinadas, observe as orações a seguir:

I.É importante que saibamos o papel de cada um no projeto.
II.Este celular, que comprei no ano passado, já está ultrapassado.
III.À medida que estudava, ficava mais inteligente.

Marque a alternativa que revela a classificação correta de cada oração apresentada, de acordo com a sua função:
Alternativas
Q3635199 Português

Considere as seguintes orações:



I. João esqueceu de avisar sobre as avaliações processuais dos estudantes.


II. Lucas Henrique visa o cargo de coordenador da empresa multinacional de petróleo e gás.


III. O candidato aspira ao cargo que pleiteou no concurso público de Alagoas.



Está de acordo com as normas de regência da língua culta o que se afirma: 

Alternativas
Q3635198 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

POLITICAMENTE CORRETO

A Secretaria Especial dos Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República, com vistas a colaborar para a construção de uma cultura de direitos humanos, apresenta a cartilha “Politicamente Correto e Direitos Humanos” como forma de chamar a atenção de toda a sociedade para o que o historiador Jaime Pinsky chamou de “os preconceitos nossos de cada dia”.
Todos nós – parlamentares, agentes e delegados da polícia, guardas de trânsito, jornalistas, professores, entre outros profissionais com grande influência social – utilizamos palavras, expressões e anedotas, que, por serem tão populares e corriqueiras, passam por normais, mas que, na verdade, mal escondem preconceitos e discriminações contra pessoas ou grupos sociais. Muitas vezes ofendemos o “outro” por ressaltar suas diferenças de maneira francamente grosseira e, também, com eufemismos e formas condescendentes, paternalistas.
A ideia do título, “Politicamente Correto”, tem, em parte, um sentido provocador. Foi escolhida com o objetivo de chamar a atenção dos formadores de opinião para o problema do desrespeito à imagem e à dignidade das pessoas consideradas diferentes.
Não queremos promover discriminações às avessas, “dourando a pílula” para escamotear a amargura dos termos que ofendem, insultam, menosprezam e inferiorizam os semelhantes que consideramos “os outros”. Ao contrário, neste glossário, apresentamos em primeiro lugar justamente as expressões pejorativas, para depois comentá-las. Com ele, queremos incentivar o debate, fomentar a reflexão, inclusive pela razão simples de que, para alguns de nossos interlocutores, nós é que somos os “diferentes”.
Se queremos ser respeitados, devemos respeitar. No mínimo, para cumprir o princípio de que todos os homens e mulheres são iguais, independentemente de origem, cor, sexo, orientação sexual, condição social e econômica, credo religioso, filiação filosófica ou política etc. 

(CIPRIANO, Perly. 2014.) 

Considere as justificativas para o uso das vírgulas nos itens abaixo:



I. Em “A Secretaria Especial dos Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República, com vistas a colaborar para a construção de uma cultura de direitos humanos” o uso da vírgula justifica-se por isolar um adjunto adverbial deslocado.


II. Em “Muitas vezes ofendemos o “outro” por ressaltar suas diferenças de maneira francamente grosseira e, também, com eufemismos e formas condescendentes (...)” o uso das vírgulas entre o vocábulo “também” é facultativo, pois separa o adjunto adverbial, de pouca extensão, antepostos.


III. Em “(...) passam por normais, mas que (...)” o uso da vírgula, antes do vocábulo “mas”, é obrigatório para separar orações coordenadas sindéticas adversativas.


IV. Em ““Todos nós – parlamentares, agentes e delegados da polícia, guardas de trânsito, jornalistas, professores, entre outros profissionais com grande influência social” o uso da vírgula justifica-se por separar termos com funções semelhantes.



Assinale: 

Alternativas
Q3635197 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

POLITICAMENTE CORRETO

A Secretaria Especial dos Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República, com vistas a colaborar para a construção de uma cultura de direitos humanos, apresenta a cartilha “Politicamente Correto e Direitos Humanos” como forma de chamar a atenção de toda a sociedade para o que o historiador Jaime Pinsky chamou de “os preconceitos nossos de cada dia”.
Todos nós – parlamentares, agentes e delegados da polícia, guardas de trânsito, jornalistas, professores, entre outros profissionais com grande influência social – utilizamos palavras, expressões e anedotas, que, por serem tão populares e corriqueiras, passam por normais, mas que, na verdade, mal escondem preconceitos e discriminações contra pessoas ou grupos sociais. Muitas vezes ofendemos o “outro” por ressaltar suas diferenças de maneira francamente grosseira e, também, com eufemismos e formas condescendentes, paternalistas.
A ideia do título, “Politicamente Correto”, tem, em parte, um sentido provocador. Foi escolhida com o objetivo de chamar a atenção dos formadores de opinião para o problema do desrespeito à imagem e à dignidade das pessoas consideradas diferentes.
Não queremos promover discriminações às avessas, “dourando a pílula” para escamotear a amargura dos termos que ofendem, insultam, menosprezam e inferiorizam os semelhantes que consideramos “os outros”. Ao contrário, neste glossário, apresentamos em primeiro lugar justamente as expressões pejorativas, para depois comentá-las. Com ele, queremos incentivar o debate, fomentar a reflexão, inclusive pela razão simples de que, para alguns de nossos interlocutores, nós é que somos os “diferentes”.
Se queremos ser respeitados, devemos respeitar. No mínimo, para cumprir o princípio de que todos os homens e mulheres são iguais, independentemente de origem, cor, sexo, orientação sexual, condição social e econômica, credo religioso, filiação filosófica ou política etc. 

(CIPRIANO, Perly. 2014.) 

Analise as orações abaixo:



1. Se queremos ser respeitados, devemos respeitar.


2. “(...) utilizamos palavras, expressões e anedotas, que, por serem tão populares e corriqueiras, passam por normais (...)”.


3. “Com ele, queremos incentivar o debate, fomentar a reflexão, inclusive pela razão simples de que, para alguns de nossos interlocutores, nós é que somos os diferentes”.


4. A ideia do título, “Politicamente Correto”, tem, em parte, um sentido provocador.



Acerca das orações acima, assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q3635196 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

POLITICAMENTE CORRETO

A Secretaria Especial dos Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República, com vistas a colaborar para a construção de uma cultura de direitos humanos, apresenta a cartilha “Politicamente Correto e Direitos Humanos” como forma de chamar a atenção de toda a sociedade para o que o historiador Jaime Pinsky chamou de “os preconceitos nossos de cada dia”.
Todos nós – parlamentares, agentes e delegados da polícia, guardas de trânsito, jornalistas, professores, entre outros profissionais com grande influência social – utilizamos palavras, expressões e anedotas, que, por serem tão populares e corriqueiras, passam por normais, mas que, na verdade, mal escondem preconceitos e discriminações contra pessoas ou grupos sociais. Muitas vezes ofendemos o “outro” por ressaltar suas diferenças de maneira francamente grosseira e, também, com eufemismos e formas condescendentes, paternalistas.
A ideia do título, “Politicamente Correto”, tem, em parte, um sentido provocador. Foi escolhida com o objetivo de chamar a atenção dos formadores de opinião para o problema do desrespeito à imagem e à dignidade das pessoas consideradas diferentes.
Não queremos promover discriminações às avessas, “dourando a pílula” para escamotear a amargura dos termos que ofendem, insultam, menosprezam e inferiorizam os semelhantes que consideramos “os outros”. Ao contrário, neste glossário, apresentamos em primeiro lugar justamente as expressões pejorativas, para depois comentá-las. Com ele, queremos incentivar o debate, fomentar a reflexão, inclusive pela razão simples de que, para alguns de nossos interlocutores, nós é que somos os “diferentes”.
Se queremos ser respeitados, devemos respeitar. No mínimo, para cumprir o princípio de que todos os homens e mulheres são iguais, independentemente de origem, cor, sexo, orientação sexual, condição social e econômica, credo religioso, filiação filosófica ou política etc. 

(CIPRIANO, Perly. 2014.) 

Considere o seguinte período: 



Todos nós – parlamentares, agentes e delegados da polícia, guardas de trânsito, jornalistas, professores, entre outros profissionais com grande influência social – utilizamos palavras, expressões e anedotas, que, por serem tão populares e corriqueiras, passam por normais, mas que, na verdade, mal escondem preconceitos e discriminações contra pessoas ou grupos sociais. 



Acerca do período acima, analise as assertivas abaixo:



I. O vocábulo em destaque estabelece uma relação adversativa e pode ser substituída, sem prejuízo de sentido e correção gramatical, por: por conseguinte.


II. A forma verbal “utilizamos” indica a indeterminação do sujeito. Desse modo, o sujeito da oração é indeterminado.


III. a forma verbal “utilizamos” expressa uma ação passada que já foi concluída e, portanto, está no pretérito imperfeito do indicativo.



Assinale: 

Alternativas
Q3635195 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

POLITICAMENTE CORRETO

A Secretaria Especial dos Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República, com vistas a colaborar para a construção de uma cultura de direitos humanos, apresenta a cartilha “Politicamente Correto e Direitos Humanos” como forma de chamar a atenção de toda a sociedade para o que o historiador Jaime Pinsky chamou de “os preconceitos nossos de cada dia”.
Todos nós – parlamentares, agentes e delegados da polícia, guardas de trânsito, jornalistas, professores, entre outros profissionais com grande influência social – utilizamos palavras, expressões e anedotas, que, por serem tão populares e corriqueiras, passam por normais, mas que, na verdade, mal escondem preconceitos e discriminações contra pessoas ou grupos sociais. Muitas vezes ofendemos o “outro” por ressaltar suas diferenças de maneira francamente grosseira e, também, com eufemismos e formas condescendentes, paternalistas.
A ideia do título, “Politicamente Correto”, tem, em parte, um sentido provocador. Foi escolhida com o objetivo de chamar a atenção dos formadores de opinião para o problema do desrespeito à imagem e à dignidade das pessoas consideradas diferentes.
Não queremos promover discriminações às avessas, “dourando a pílula” para escamotear a amargura dos termos que ofendem, insultam, menosprezam e inferiorizam os semelhantes que consideramos “os outros”. Ao contrário, neste glossário, apresentamos em primeiro lugar justamente as expressões pejorativas, para depois comentá-las. Com ele, queremos incentivar o debate, fomentar a reflexão, inclusive pela razão simples de que, para alguns de nossos interlocutores, nós é que somos os “diferentes”.
Se queremos ser respeitados, devemos respeitar. No mínimo, para cumprir o princípio de que todos os homens e mulheres são iguais, independentemente de origem, cor, sexo, orientação sexual, condição social e econômica, credo religioso, filiação filosófica ou política etc. 

(CIPRIANO, Perly. 2014.) 

Considere as afirmações abaixo:



I. Em “ (...) “dourando a pílula” para escamotear a amargura dos termos que ofendem (...)” o termo em destaque exerce função anafórica.


II. Em “para alguns de nossos interlocutores, nós é que somos os diferentes” o termo em destaque classifica-se como pronome relativo.


III. Em “utilizamos palavras, expressões e anedotas, que, por serem tão populares e corriqueiras, passam por normais (...)” o termo em destaque é conjunção integrante.



Assinale: 

Alternativas
Q3635109 Português
Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado… Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons…. Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história…”

Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas. Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância” … Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho do vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz…” (Fernando Pessoa).

Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro… “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa da caixa de brinquedos. Só dá felicidade.

O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes… Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bateestacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles… E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos), dos galos, o barulho das ondas…

“Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo…

“Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…” 
Considere as seguintes notícias:

1. A maioria dos presos por crimes de drogas não tem relação com facções.
2. A maioria das pessoas desconhece as maiores descobertas científicas.
3. A maior parte dos indígenas do Brasil vive fora dos territórios tradicionais e mora nas cidades.
4. 25% dos candidatos não compareceu para a realização das provas objetivas.

Acerca das orações acima, analise as assertivas abaixo:
I. A primeira notícia apresenta erro de concordância verbal, tendo em vista que a forma verbal “tem” precisa ser acentuada para concordar com o sujeito que está no plural (presos). Desse modo, a forma verbal “tem” deve ser grafada da seguinte maneira: têm.
II. Na segunda notícia apresentou erro de concordância verbal, pois a forma verbal “desconhece”, nesse caso, precisa ser grafada no plural. Portanto, a grafia correta deveria ser “desconhecem”.
III. Na terceira notícia encontramos o tipo de sujeito denominado de partitivo, possibilitando que a grafia da forma verbal “vive” possa ser escrita também no plural: vivem.
IV. A quarta notícia apresenta erro de concordância verbal, tendo em vista que o verbo deve concordar com o valor da expressão numérica. Nesse sentido, a notícia deveria ser escrita da seguinte maneira: 25% dos candidatos não compareceram para a realização das provas objetivas.

Assinale:
Alternativas
Q3635104 Português
Lembro-me do livro de contabilidade do meu pai. Ao lado esquerdo ficava a página do “Deve”, onde ele anotava os pagamentos feitos, dinheiro que não era mais seu. Ao lado direito estava a página do “Haver”, onde se registravam as “entradas”, sua pequena riqueza. Na alma também se encontra um livro de contabilidade. Tanto assim que o Vinícius escreveu um poema com o título “O Haver”. Ele já estava velho e fazia um balanço final do que restara. “Resta”: é assim que cada verso se inicia. “Resta essa intimidade perfeita com o silêncio… Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado… Resta essa vontade de chorar diante da beleza... Resta essa comunhão com os sons…. Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história…”

Quem diria que o som de passos na madrugada poderia ser parte da herança de felicidade um poeta! Os poetas são seres muito estranhos. Ficam felizes com nada. A poesia se faz com nadas. Bem disse o Manoel de Barros: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância servem para poesia. As coisas que não servem para nada têm grande importância” … Fernando Pessoa sofria da mesma peculiaridade auditiva do Vinícius. Lembro-me de um verso seu que não consegui encontrar, que é mais ou menos assim: “Por esse barulho do vento nos meus ouvidos valeu a pena eu ter nascido”. Se o verso não foi dele fica sendo meu porque eu já tive a mesma experiência várias vezes. Caminhando sozinho no silêncio das árvores o vento me sussurra segredos de felicidades: “Assim a brisa nos ramos diz sem o saber uma imprecisa coisa feliz…” (Fernando Pessoa).

Ouvir os sons do mundo é uma felicidade que somente os artistas recebem por nascimento. Os outros têm de aprender. Para isso há de haver os mestres da escuta. Como John Cage que compôs uma curiosa peça para piano. É assim: o pianista faz precisamente o que fazem todos os pianistas. Entra no palco, encaminha-se para o piano, assenta-se, regula a distância do banco, concentra-se – e não faz o que todo pianista faz. Ele não toca! Não, não! Não está certo! Eu errei! O pianista toca sim. Ao piano ele executa o silêncio. O piano toca uma grande pausa! Cage faz o piano tocar silêncio para que se ouçam os delicados sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse: as batidas do coração, a respiração, o ranger de uma cadeira, uma tosse, um sussurro… “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”, disse Lichtenberg. O não fazer é a forma suprema de fazer, afirma a filosofia Tao. Fazer nada é estar à espera. Por isso se aconselha meditação, que nada tem a ver com a meditação ocidental. A meditação ocidental é falar baixo os próprios pensamentos de uma forma metódica. O piano toca. Mas a meditação oriental é silenciar os próprios pensamentos para que os sons do mundo possam ser ouvidos. O piano não toca. Pra que serve isso? Pra nada. Não é ferramenta. Não tem utilidade. É coisa da caixa de brinquedos. Só dá felicidade.

O mundo está cheio de música. Há os sons que não existem mais, que estão perdidos na memória. Meu amigo Severino Antônio, poeta de voz mansa, sugeriu aos seus alunos que um passo primeiro para a poesia seria chamar do esquecimento os sons que um dia ouviram e que não se ouvem mais. A música do realejo, o canto do carro de bois, o apito das fábricas, das locomotivas, o “din-din” dos bondes, o canto dos galos, o repicar fúnebre dos sinos, o crepitar do fogo nos fogões de lenha, a gaita do sorveteiro, a buzina das charretes… Parece que a poesia fica guardada nos sons que não mais se ouvem. Há também os sons da cidade, os gritos dos vendedores, o vozerio nas feiras, a algazarra das crianças ao sair das escolas, os bateestacas das construtoras, o canto dos pardais, os rádios ligados dos trabalhadores, o latido ardido dos poodles… E há os sons da natureza: o assobio do vento, o barulho da chuva, os mantras das cachoeiras, o canto dos pássaros, dos sapos, dos grilos (tantos hai-kais sobre os grilos), dos galos, o barulho das ondas…

“Todo homem – até mesmo o rico – é poeta entre os quinze e os vinte anos. A nova educação deverá fazer do homem um poeta em todas as idades, sem que lhe seja necessário escrever versos. Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la” – assim disse Murilo Mendes. Poesia é música. A primeira poesia que se ouve é uma canção de ninar. Depois, é a música do mundo…

“Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram”, escreveu Cummings. Acordar os ouvidos! Não me consta que essa tarefa tenha sido jamais mencionada em tratados sobre a educação. É compreensível. Para isso os professores teriam que ser artistas, pianos que não tocam nada e que só fazem ouvir. Quando isso acontecer, quem sabe, os nossos jovens aprenderão a identificar o canto dos pássaros e ficarão subitamente alegres “ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória…” 
Considere o seguinte trecho do texto:
“Resta essa intimidade perfeita com o silêncio / Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado / Resta essa vontade de chorar diante da beleza / Resta essa comunhão com os sons / Resta essa súbita alegria ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem história.”
Acerca do trecho acima, julgue as assertivas abaixo:

I. A repetição das palavras “resta essa”, nos cinco versos, apresenta a figura de linguagem denominada de anáfora.
II. Os vocábulos “súbita” e “história” obedecem a mesma regra de acentuação gráfica.
III. Os vocábulos “subitamente” e “silêncio” pertencem a mesma classe gramatical.
IV. A forma verbal “chorar” está na forma nominal denominada de infinito e a sua transitividade é indireta.
V. Na expressão “que se perdem” o termo em destaque está no presente do subjuntivo do verbo perder.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3634795 Português
E ELES NÃO FORAM FELIZES PARA SEMPRE

    João e Maria não são mais as crianças ingênuas que se deixavam iludir por uma casa feita de doces no meio da floresta. Adultos, se tornaram caçadores mercenários que querem vingança contra a bruxa que um dia ameaçou suas vidas. A Bela Adormecida, por sua vez, já não é vítima do feitiço de uma bruxa invejosa. Por vontade própria, ela cai em sono profundo para satisfazer o fetiche dos homens.

    Não, não deu a louca nos contos de fadas. Foi o cinema que decidiu cortar os “felizes para sempre" do roteiro mais popular dessas histórias e recontá-las sob perspectiva mais adulta e, em alguns casos, mais sombria também, como nos exemplos acima. Seguindo "A Garota da Capa Vermelha", longa baseado no conto Chapeuzinho Vermelho que estreou nos cinemas este mês, pelo menos mais outros seis filmes inspirados em contos de fadas, mas com uma abordagem bem diferente das doces adaptações feitas pela Disney que se acostumou a ver nos cinemas, devem chegar à tela grande entre este ano e o próximo.

    O olhar menos ingênuo e mais pesado que os novos filmes lançam sobre os contos de fadas espelha aspectos da própria atualidade. "A Fera", por exemplo, que ainda não tem data de estreia no Brasil, traz "A Bela e a Fera" para o século XXI propositalmente. "Eu adorei a ideia de tornar contemporânea a história e ambientála em um colégio. O conto trata da forma como se lida com a aparência e achei a escola o cenário ideal para explorar a obsessão que a nossa cultura e a nossa juventude têm pelo visual", comentou o diretor Daniel Barnz, em entrevista de divulgação do filme.

    Essa sintonia com o presente ultrapassa a questão da temática e encontra eco também na própria origem dessas narrativas, cujas primeiras versões, de séculos atrás, nada tinham de infantil. "Na origem, os contos de fadas eram histórias para adultos. No século passado, eles foram bastante atenuados para se direcionarem às crianças, que passavam a ser vistas como seres frágeis e necessitados de proteção. E, agora, tais textos estão voltando a ser adultizados, assim como as próprias crianças vêm se mostrando", sugere Patrícia Magero Pitta, doutora em teoria da literatura pela PUC-RS. "A Garota da Capa Vermelha" foi um dos filmes da nova safra que buscou inspiração nessa fonte adulta. O roteiro foi criado após o estudo de inúmeras versões, muitas delas perturbadoras, que o conto de Chapeuzinho Vermelho teve ao longo da história. No filme, a Chapeuzinho é uma jovem crescida e sensual, apaixonada pelo lenhador, mas prometida em casamento para o ferreiro. Ela planeja fugir com seu grande amor, mas adia a decisão depois que a irmã é assassinada por um lobisomem, cuja identidade é desconhecida.

    Ao mesmo tempo, porém, a avalanche de produções com esse viés também não deixa de contar com uma dose de esperteza da indústria do cinema. Assim como as adaptações de livros ou cinebiografias, os contos podem se converter em um filão lucrativo para a indústria. "Hollywood sempre investe em franquias estabelecidas, como os personagens de quadrinhos, os heróis. Os contos de fadas se enquadram na mesma ideia. Além disso, tem o conforto em saber que existe um público que já está familiarizado com essas histórias e vai querer ver novas versões", observa o crítico de cinema Pablo Villaça, editor do site Cinema em Cena.

    Mas essa familiaridade com a estrutura das histórias tem efeitos que vão além da atração do público para as salas de cinema, acredita a professora do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Márcia Ivana de Lima e Silva. "Os contos de fadas continuam valendo até hoje na sua estrutura mínima, que propõe solução de problemas, e é por isso que eles acabam sendo aproveitados por esse cinema comercial. O filme acaba tendo essa particularidade de mostrar a solução das situações de uma forma tranquila, quase que renovando as nossas possibilidades de enfrentar o cotidiano, e isso independe da idade", explica.

    Não por acaso, filmes para todos os tipos de público já se apropriaram das estruturas dos contos de fadas para construírem seus enredos, destaca a escritora e doutora em teoria da literatura Viviane Dexheimer Gil. É o caso de "Harry Potter", que trata do afastamento da família, a série "Crepúsculo", que aborda o impedimento amoroso, mas também "Cisne Negro", que gira em torno da libertação, e "Uma Linda Mulher", uma espécie de Cinderela dos anos 1980.
Considere as seguintes orações:

1. João e Maria não são mais as crianças ingênuas que se deixavam iludir por uma casa feita de doces no meio da floresta.
2. O conto trata da forma como se lida com a aparência e achei a escola o cenário ideal para explorar a obsessão que a nossa cultura e a nossa juventude têm pelo visual.
3. Ela planeja fugir com seu grande amor, mas adia a decisão depois que a irmã é assassinada por um lobisomem, cuja identidade é desconhecida.

Acerca dos aspectos sintáticos das orações apresentadas julgue os itens que segue:
I. O trecho 1 apresenta o tipo de sujeito denominado de sujeito partitivo.
II. O trecho 2 apresenta dois tipos de orações. A primeira é uma oração coordenada assindética aditiva, enquanto a segunda é uma oração subordinada substantiva predicativa.
III. O trecho 3 apresenta uma oração subordinada adjetiva explicativa marcada pela presença do pronome relativo que. IV. O trecho 1 não apresenta oração coordenada.
V. O termo em destaque no trecho 3 indica uma oração coordenada adversativa.
VI. O termo em destaque na oração 1 é termo essencial da oração.

Assinale:
Alternativas
Q3633869 Português
Leia o texto abaixo, com atenção para as formas gramaticais em destaque e, em seguida, responda à questão.

Algumas pessoas sentem dor num membro que já foi amputado. Como fazer parar, se o membro não existe mais?

Cerca de 90% dos indivíduos que passaram pela amputação de alguma parte do corpo continuam sentindo dores, queimação, formigamento, pontadas… e até cócegas no membro que já não está mais 1 . Isso porque uma perna, por exemplo, não existe só a partir da sua pelve. Ela existe no seu cérebro também. A “central de comando” do membro continua funcionando. E deixa ISSO2 tratamento mais complicado. Não há exame para o diagnóstico de “dor fantasma”. O médico precisa identificá-lA3 contando só com o relato do paciente. A medicina costuma ajudar a aflição dESSES4 indivíduos com antidepressivos, analgésicos e, em caso de dores extremas, até morfina, um depressor do sistema nervoso central – onde está a dor real, mesmo que o membro seja só uma fantasia. Uma alternativa promissora é a estimulação cerebral com eletrodos e uma pequena corrente elétrica. Mas os dados de eficácia ainda são limitados. (Superinteressante, setembro/2022)
No trecho transcrito abaixo, depreende-se uma relação de sentido entre as orações, viabilizada pela locução MESMO QUE, que, genericamente, pertence à esfera do contraste.
“A medicina costuma ajudar a aflição desses indivíduos com antidepressivos, analgésicos e, em caso de dores extremas, até morfina, um depressor do sistema nervoso central – onde está a dor real, mesmo que o membro seja só uma fantasia”.
Analise as versões propostas como paráfrase e indique qual delas contraria a versão original: 
Alternativas
Q3633867 Português
Feita a leitura da matéria que se apresenta, responda à questão.

Meus pais não enxergam

        Um dos maiores desafios para os pais é conhecer e compreender a forma como seus filhos atingem e gerem o conhecimento. Hoje, no centro desse desafio estão as mídias sociais. No século 20 parece que foi já em outra vida, os instrumentos de comunicação eram lineares e de fácil compreensão, mas hoje tudo é diferente. Antes uma coisa era sempre consequência de outra; e essa coisa estava quase sempre perto e era conhecida por todos. Não havia surpresa nas novidades.

        Antigamente, os filhos aprendiam dos pais porque tinham menor acesso à informação. Hoje não é assim. Os filhos, porque são mais jovens, menos ocupados e mais digitais, têm acesso a mais e melhor informação que seus progenitores. O desafio dos mais velhos é hoje muito maior. Se antes o problema era saber que informação se devia proibir, agora é preciso saber que mundo devemos conhecer. E neste jogo os guris levam grande vantagem. As redes sociais são o território onde esta batalha se trava. Porque são mais imediatas, rápidas e expõem os nossos filhos a um mundo que nos é desconhecido; mas também porque, paradoxalmente, são o local onde nos encontramos com eles na internet. Por exemplo, o Google é muito mais perigoso do que o Facebook, mas os adultos se preocupam menos com o F azul que com o G multicolor. Talvez porque as hipóteses de encontrar um filho ou uma filha num motor de busca sejam quase nulas, mas nas redes sociais já não é tanto assim.

        Quem tem filhos adolescentes se preocupa. Nos perguntamos se eles conseguem ter uma vida normal passando tanto tempo ligados remotamente aos amigos. Mas será que são eles que estão viciados na rede, ou seremos nós mais viciados do que eles? Os mais novos sabem exatamente para que serve cada uma das redes sociais, como se mantêm vivas, e qual a recompensa que existe em cada uma. ACarol quando tinha 14 anos, sabia que o que mantém vivo o Snapchat é a regularidade com que contacta cada pessoa – é a rede da Amizade. Sabe que no Instagram o objetivo são os gostos em cada fotografia – é a rede da Vaidade. Já o Twitter é tudo diferente, ele serve para encontrar coisas interessantes – é a rede da Informação. Os adolescentes estão a abandonar o Facebook. Se transferiram para o Snapchat e para o Instagram, deixando a meta rede de Zuckerberg para a mais tradicional forma de comunicação: as mensagens de texto.

Como educadores, um dos nossos maiores receios é que nossos filhos possam estar a falar com alguém que seja uma ameaça para eles. Mas isso rapidamente vai perdendo sentido. Eles sabem mais sobre o assunto do que nós, e o funcionamento das redes sociais — onde eles verdadeiramente vivem — são elas próprias a segurança necessária. (José Manuel Diogo - ISTO É, 25/11/2022)
Indique a alternativa em que consta um fragmento textual no qual a forma gramatical sinalizada corresponde a um advérbio de modo com função de pronome relativo:
Alternativas
Q3633866 Português
Feita a leitura da matéria que se apresenta, responda à questão.

Meus pais não enxergam

        Um dos maiores desafios para os pais é conhecer e compreender a forma como seus filhos atingem e gerem o conhecimento. Hoje, no centro desse desafio estão as mídias sociais. No século 20 parece que foi já em outra vida, os instrumentos de comunicação eram lineares e de fácil compreensão, mas hoje tudo é diferente. Antes uma coisa era sempre consequência de outra; e essa coisa estava quase sempre perto e era conhecida por todos. Não havia surpresa nas novidades.

        Antigamente, os filhos aprendiam dos pais porque tinham menor acesso à informação. Hoje não é assim. Os filhos, porque são mais jovens, menos ocupados e mais digitais, têm acesso a mais e melhor informação que seus progenitores. O desafio dos mais velhos é hoje muito maior. Se antes o problema era saber que informação se devia proibir, agora é preciso saber que mundo devemos conhecer. E neste jogo os guris levam grande vantagem. As redes sociais são o território onde esta batalha se trava. Porque são mais imediatas, rápidas e expõem os nossos filhos a um mundo que nos é desconhecido; mas também porque, paradoxalmente, são o local onde nos encontramos com eles na internet. Por exemplo, o Google é muito mais perigoso do que o Facebook, mas os adultos se preocupam menos com o F azul que com o G multicolor. Talvez porque as hipóteses de encontrar um filho ou uma filha num motor de busca sejam quase nulas, mas nas redes sociais já não é tanto assim.

        Quem tem filhos adolescentes se preocupa. Nos perguntamos se eles conseguem ter uma vida normal passando tanto tempo ligados remotamente aos amigos. Mas será que são eles que estão viciados na rede, ou seremos nós mais viciados do que eles? Os mais novos sabem exatamente para que serve cada uma das redes sociais, como se mantêm vivas, e qual a recompensa que existe em cada uma. ACarol quando tinha 14 anos, sabia que o que mantém vivo o Snapchat é a regularidade com que contacta cada pessoa – é a rede da Amizade. Sabe que no Instagram o objetivo são os gostos em cada fotografia – é a rede da Vaidade. Já o Twitter é tudo diferente, ele serve para encontrar coisas interessantes – é a rede da Informação. Os adolescentes estão a abandonar o Facebook. Se transferiram para o Snapchat e para o Instagram, deixando a meta rede de Zuckerberg para a mais tradicional forma de comunicação: as mensagens de texto.

Como educadores, um dos nossos maiores receios é que nossos filhos possam estar a falar com alguém que seja uma ameaça para eles. Mas isso rapidamente vai perdendo sentido. Eles sabem mais sobre o assunto do que nós, e o funcionamento das redes sociais — onde eles verdadeiramente vivem — são elas próprias a segurança necessária. (José Manuel Diogo - ISTO É, 25/11/2022)
Na frase interrogativa abaixo exposta, o autor se utiliza de um mecanismo de ênfase, ao colocar o sujeito “ELES” entre o verbo SER e a partícula QUE.
“Mas será que são eles que estão viciados na rede, ou seremos nós mais viciados do que eles?”
Assinale, dentre as versões propostas na sequência, a única que NÃO substitui a versão original.
Alternativas
Q3633863 Português
Após a leitura da matéria jornalística exposta, responda à questão:

O REVERSO DA FORTUNA

Depois de anos de crescimento exponencial, as poderosas empresas de tecnologia viram a maré mudar com a queda no valor de suas ações e foram obrigadas a demitir milhares de funcionários

Habituados a índices de crescimento exponenciais e valorização correspondente de suas ações, os gigantes do Vale do Silício tiveram poucos motivos para comemorar em 2022. Até meados do ano anterior, os colossos da tecnologia haviam navegado com desenvoltura pela pandemia de Covid-19, quando o isolamento social em escala planetária multiplicou a demanda por seus serviços. Estrelas no mercado de capitais, aumentaram suas estruturas corporativas e a contratação de funcionários. Os ventos que impulsionavam a boa fase, entretanto, mudaram rapidamente.

A Meta, que reúne Facebook, Instagram e WhatsApp, iniciou o ano na berlinda, acusada de estimular fake News e discursos de ódio em suas plataformas, e se tornou o melhor exemplo das agruras vividas pelo mundo tech. No terceiro trimestre, o lucro da empresa caiu 52% em relação ao mesmo período do ano passado e houve uma perda acumulada de 9,44 bilhões de dólares no Reality Labs, com a aposta do fundador Mark Zuckerberg na área de pesquisas de realidade virtual. E as perdas não param por aí: no acumulado do ano, o preço das ações caiu 63,8%, saindo do patamar dos 330 dólares no fim de 2021 para 120 dólares na primeira quinzena de dezembro deste ano. Já o valor de mercado, que chegou ao pico de 1,07 trilhão de dólares em agosto de 2021, despencou até bater em 302,5 bilhões de dólares no início de dezembro.

Apesar de questões pontuais que atingem a empresa, como estagnação no número de usuários e perda de receita com publicidade, que podem até ser atribuídas ao fim da pandemia, a maré de pessimismo tem causas mais profundas e afeta o setor como um todo. A mais relevante advém, principalmente, da alta de juros nos Estados Unidos. Enquanto o ano de 2022 se iniciou com os juros da principal economia do mundo em zero por cento, o Federal Reserve decidiu por sucessivos aumentos e indicia 2023 a 4,25%. Com isso, [...]. Com juros mais altos, investidores tendem a abandonar aplicações de risco, como as das empresas de tecnologia, e buscar opções mais estáveis que passam a remunerar melhor os recursos investidos.

[...] O mesmo cenário pessimista tomou o Twitter, que foi recentemente comprado por Elon Musk, cuja chegada à direção da companhia causou uma fuga de anunciantes e levou a demissões, em uma companhia que perde 4 milhões de dólares por dia. Um baque e tanto em um setor onde o dinheiro fluía com prodigalidade.

(Fragmento de reportagem – Por Luisa Purchio,Veja, 28/12/22)
Nos fragmentos textuais abaixo transcritos, estão em destaque elementos responsáveis pela coesão sequencial. Avalie a adequação da classificação proposta para esses itens, de modo a sinalizar (V) Verdadeiro ou (F) Falso:
( ) Os ventos que impulsionavam a boa fase, entretanto, mudaram rapidamente. (Entretanto = conjunção subordinativa com valor concessivo).
( ) Apesar de questões pontuais que atingem a empresa, como estagnação no número de usuários e perda de receita com publicidade, [...], a maré de pessimismo tem causas mais profundas e afeta o setor como um todo. (Apesar de = Locução prepositiva com valor de condição).
( ) Enquanto o ano de 2022 se iniciou com os juros da principal economia do mundo em zero por cento, o Federal Reserve decidiu por sucessivos aumentos e indicia 2023 a 4,25%. (Enquanto = conjunção subordinativa indicativa de tempo simultâneo).
( ) “O mesmo cenário pessimista tomou o Twitter, que foi recentemente comprado por Elon Musk, cuja chegada à direção da companhia causou uma fuga de anunciantes e levou a demissões, [...]” (E = conjunção coordenativa aditiva que sinaliza fatos sequenciados com relação de causa e efeito).
A sequência CORRETA de preenchimento é:
Alternativas
Q3633862 Português
Após a leitura da matéria jornalística exposta, responda à questão:

O REVERSO DA FORTUNA

Depois de anos de crescimento exponencial, as poderosas empresas de tecnologia viram a maré mudar com a queda no valor de suas ações e foram obrigadas a demitir milhares de funcionários

Habituados a índices de crescimento exponenciais e valorização correspondente de suas ações, os gigantes do Vale do Silício tiveram poucos motivos para comemorar em 2022. Até meados do ano anterior, os colossos da tecnologia haviam navegado com desenvoltura pela pandemia de Covid-19, quando o isolamento social em escala planetária multiplicou a demanda por seus serviços. Estrelas no mercado de capitais, aumentaram suas estruturas corporativas e a contratação de funcionários. Os ventos que impulsionavam a boa fase, entretanto, mudaram rapidamente.

A Meta, que reúne Facebook, Instagram e WhatsApp, iniciou o ano na berlinda, acusada de estimular fake News e discursos de ódio em suas plataformas, e se tornou o melhor exemplo das agruras vividas pelo mundo tech. No terceiro trimestre, o lucro da empresa caiu 52% em relação ao mesmo período do ano passado e houve uma perda acumulada de 9,44 bilhões de dólares no Reality Labs, com a aposta do fundador Mark Zuckerberg na área de pesquisas de realidade virtual. E as perdas não param por aí: no acumulado do ano, o preço das ações caiu 63,8%, saindo do patamar dos 330 dólares no fim de 2021 para 120 dólares na primeira quinzena de dezembro deste ano. Já o valor de mercado, que chegou ao pico de 1,07 trilhão de dólares em agosto de 2021, despencou até bater em 302,5 bilhões de dólares no início de dezembro.

Apesar de questões pontuais que atingem a empresa, como estagnação no número de usuários e perda de receita com publicidade, que podem até ser atribuídas ao fim da pandemia, a maré de pessimismo tem causas mais profundas e afeta o setor como um todo. A mais relevante advém, principalmente, da alta de juros nos Estados Unidos. Enquanto o ano de 2022 se iniciou com os juros da principal economia do mundo em zero por cento, o Federal Reserve decidiu por sucessivos aumentos e indicia 2023 a 4,25%. Com isso, [...]. Com juros mais altos, investidores tendem a abandonar aplicações de risco, como as das empresas de tecnologia, e buscar opções mais estáveis que passam a remunerar melhor os recursos investidos.

[...] O mesmo cenário pessimista tomou o Twitter, que foi recentemente comprado por Elon Musk, cuja chegada à direção da companhia causou uma fuga de anunciantes e levou a demissões, em uma companhia que perde 4 milhões de dólares por dia. Um baque e tanto em um setor onde o dinheiro fluía com prodigalidade.

(Fragmento de reportagem – Por Luisa Purchio,Veja, 28/12/22)
Na organização do texto, há recursos coesivos por meio dos quais se retomam informações presentes no próprio texto ou se recuperam informações na situação comunicativa. Nesse sentido, analise a veracidade das explicações fornecidas quanto aos mecanismos de coesão empregados nos excertos abaixo citados.
I- O texto tem como foco as grandes empresas de tecnologia, sinalizadas no sub-título pelo adjetivo “poderosas”. No 1º parágrafo, a unidade textual se manifesta na seleção vocabular, pela recorrência de termos ou expressões a exemplo de “gigantes”, “colossos da tecnologia”, “estrelas do mercado de capitais”, evidenciado a coesão lexical.
II- Um dos recursos de remissão muito presente no texto são os pronomes relativos. Além do relativo universal “que”, há os específicos de posse e de lugar, como ilustra o trecho: “O mesmo cenário pessimista tomou o Twitter, que foi recentemente comprado por Elon Musk, cuja chegada à direção da companhia causou uma fuga de anunciantes e levou a demissões, em uma companhia que perde 4 milhões de dólares por dia. Um baque e tanto em um setor onde o dinheiro fluía com prodigalidade”.
III- Além da ocorrência, em várias passagens do texto, de pronomes demonstrativos, a exemplo de “isso”, e dos possessivos “seus”, “suas”, outro recuso presente no texto é o pronome oblíquo, como revela o seguinte trecho: “Com juros mais altos, investidores tendem a abandonar aplicações de risco, como as das empresas de tecnologia, e buscar opções mais estáveis que passam a remunerar melhor os recursos investidos”, no qual o “as” retoma “aplicações de risco”.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3633861 Português
Após a leitura da matéria jornalística exposta, responda à questão:

O REVERSO DA FORTUNA

Depois de anos de crescimento exponencial, as poderosas empresas de tecnologia viram a maré mudar com a queda no valor de suas ações e foram obrigadas a demitir milhares de funcionários

Habituados a índices de crescimento exponenciais e valorização correspondente de suas ações, os gigantes do Vale do Silício tiveram poucos motivos para comemorar em 2022. Até meados do ano anterior, os colossos da tecnologia haviam navegado com desenvoltura pela pandemia de Covid-19, quando o isolamento social em escala planetária multiplicou a demanda por seus serviços. Estrelas no mercado de capitais, aumentaram suas estruturas corporativas e a contratação de funcionários. Os ventos que impulsionavam a boa fase, entretanto, mudaram rapidamente.

A Meta, que reúne Facebook, Instagram e WhatsApp, iniciou o ano na berlinda, acusada de estimular fake News e discursos de ódio em suas plataformas, e se tornou o melhor exemplo das agruras vividas pelo mundo tech. No terceiro trimestre, o lucro da empresa caiu 52% em relação ao mesmo período do ano passado e houve uma perda acumulada de 9,44 bilhões de dólares no Reality Labs, com a aposta do fundador Mark Zuckerberg na área de pesquisas de realidade virtual. E as perdas não param por aí: no acumulado do ano, o preço das ações caiu 63,8%, saindo do patamar dos 330 dólares no fim de 2021 para 120 dólares na primeira quinzena de dezembro deste ano. Já o valor de mercado, que chegou ao pico de 1,07 trilhão de dólares em agosto de 2021, despencou até bater em 302,5 bilhões de dólares no início de dezembro.

Apesar de questões pontuais que atingem a empresa, como estagnação no número de usuários e perda de receita com publicidade, que podem até ser atribuídas ao fim da pandemia, a maré de pessimismo tem causas mais profundas e afeta o setor como um todo. A mais relevante advém, principalmente, da alta de juros nos Estados Unidos. Enquanto o ano de 2022 se iniciou com os juros da principal economia do mundo em zero por cento, o Federal Reserve decidiu por sucessivos aumentos e indicia 2023 a 4,25%. Com isso, [...]. Com juros mais altos, investidores tendem a abandonar aplicações de risco, como as das empresas de tecnologia, e buscar opções mais estáveis que passam a remunerar melhor os recursos investidos.

[...] O mesmo cenário pessimista tomou o Twitter, que foi recentemente comprado por Elon Musk, cuja chegada à direção da companhia causou uma fuga de anunciantes e levou a demissões, em uma companhia que perde 4 milhões de dólares por dia. Um baque e tanto em um setor onde o dinheiro fluía com prodigalidade.

(Fragmento de reportagem – Por Luisa Purchio,Veja, 28/12/22)

Em apenas um dos fragmentos textuais abaixo listados, o sentido depreendido da articulação entre as informações por meio da partícula em destaque é de INCLUSÃO. Indique a alternativa que atende a essa exigência: 

Alternativas
Q3633860 Português
Após a leitura da matéria jornalística exposta, responda à questão:

O REVERSO DA FORTUNA

Depois de anos de crescimento exponencial, as poderosas empresas de tecnologia viram a maré mudar com a queda no valor de suas ações e foram obrigadas a demitir milhares de funcionários

Habituados a índices de crescimento exponenciais e valorização correspondente de suas ações, os gigantes do Vale do Silício tiveram poucos motivos para comemorar em 2022. Até meados do ano anterior, os colossos da tecnologia haviam navegado com desenvoltura pela pandemia de Covid-19, quando o isolamento social em escala planetária multiplicou a demanda por seus serviços. Estrelas no mercado de capitais, aumentaram suas estruturas corporativas e a contratação de funcionários. Os ventos que impulsionavam a boa fase, entretanto, mudaram rapidamente.

A Meta, que reúne Facebook, Instagram e WhatsApp, iniciou o ano na berlinda, acusada de estimular fake News e discursos de ódio em suas plataformas, e se tornou o melhor exemplo das agruras vividas pelo mundo tech. No terceiro trimestre, o lucro da empresa caiu 52% em relação ao mesmo período do ano passado e houve uma perda acumulada de 9,44 bilhões de dólares no Reality Labs, com a aposta do fundador Mark Zuckerberg na área de pesquisas de realidade virtual. E as perdas não param por aí: no acumulado do ano, o preço das ações caiu 63,8%, saindo do patamar dos 330 dólares no fim de 2021 para 120 dólares na primeira quinzena de dezembro deste ano. Já o valor de mercado, que chegou ao pico de 1,07 trilhão de dólares em agosto de 2021, despencou até bater em 302,5 bilhões de dólares no início de dezembro.

Apesar de questões pontuais que atingem a empresa, como estagnação no número de usuários e perda de receita com publicidade, que podem até ser atribuídas ao fim da pandemia, a maré de pessimismo tem causas mais profundas e afeta o setor como um todo. A mais relevante advém, principalmente, da alta de juros nos Estados Unidos. Enquanto o ano de 2022 se iniciou com os juros da principal economia do mundo em zero por cento, o Federal Reserve decidiu por sucessivos aumentos e indicia 2023 a 4,25%. Com isso, [...]. Com juros mais altos, investidores tendem a abandonar aplicações de risco, como as das empresas de tecnologia, e buscar opções mais estáveis que passam a remunerar melhor os recursos investidos.

[...] O mesmo cenário pessimista tomou o Twitter, que foi recentemente comprado por Elon Musk, cuja chegada à direção da companhia causou uma fuga de anunciantes e levou a demissões, em uma companhia que perde 4 milhões de dólares por dia. Um baque e tanto em um setor onde o dinheiro fluía com prodigalidade.

(Fragmento de reportagem – Por Luisa Purchio,Veja, 28/12/22)
As preposições ora são empregadas como elo puramente sintático (relacional), ora com valor semântico (conteúdo nocional). Analise o uso desses itens nos trechos abaixo relacionados e avalie com (V) para verdadeiras e (F) para as falsas, as afirmações a respeito de seu funcionamento sintático-semântico.
( ) Em: “ [...] as poderosas empresas de tecnologia viram a maré mudar com a queda no valor de suas ações”, a preposição COM liga as informações antecedente e consequente, estabelecendo relação de CAUSA.
( ) Em: “Até meados do ano anterior, os colossos da tecnologia haviam navegado com desenvoltura pela pandemia de Covid-19, [...]”, a preposição COM liga as informações antecedente e consequente, estabelecendo relação de COMPANHIA.
( ) Em: “A Meta, que reúne Facebook, Instagram e WhatsApp, iniciou o ano na berlinda, acusada de estimular fake News [...], e se tornou o melhor exemplo das agruras vividas pelo mundo tech.”, a preposição POR estabelece relação entre o particípio e o agente da passiva.
( ) Em: “E as perdas não param por aí: no acumulado do ano, o preço das ações caiu 63,8%, [...]”, a preposição POR relaciona as informações, indicando sentido de MOVIMENTO/PERCURSO no tempo.
( ) Em: “[...], o preço das ações caiu 63,8%, saindo do patamar dos 330 dólares no fim de 2021 para 120 dólares na primeira quinzena de dezembro deste ano.”, a preposição PARA indica relação de FINALIDADE entre antecedente e consequente.
A sequência CORRETA de preenchimento é:
Alternativas
Respostas
22221: X
22222: A
22223: A
22224: A
22225: A
22226: C
22227: A
22228: D
22229: E
22230: A
22231: A
22232: X
22233: X
22234: B
22235: E
22236: B
22237: D
22238: D
22239: D
22240: B