Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Ano: 2024 Banca: Prefeitura de Vitorino - PR Órgão: Prefeitura de Vitorino - PR Provas: Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Analista Administrativo | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Analista de Tecnologia de Informação | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Arquiteto e Urbanista | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Engenheiro Ambiental | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Engenheiro Civil | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Enfermeiro II | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Assistente Social | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Contador | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Engenheiro Agrônomo | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Farmacêutico | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Fisioterapeuta | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Fonoaudiólogo | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Nutricionista | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Terapeuta Ocupacional | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Médico Clínico Geral II | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Médico Ginecologista e Obstetra | Prefeitura de Vitorino - PR - 2024 - Prefeitura de Vitorino - PR - Médico Pediatra |
Q3925632 Português
Qual das alternativas apresenta a regência verbal CORRETA?
Alternativas
Q3910304 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.


Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.


Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.


Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.


Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.


Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.


“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.


(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2024.)

Em relação à sintaxe e à composição dos períodos “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”, considere as afirmativas a seguir.
I. Na fala de Fernando Venâncio, há marcas do português europeu, como o uso da locução verbal “acaba por ser”, comumente utilizada no Brasil por meio do gerúndio “acaba sendo”.
II. A palavra “engendrado” concorda com seu antecedente “idioma” desempenhando a função de adjetivo.
III. O termo “portugueses”, separado por vírgulas, indica um vocativo e agrega o sujeito “Nós”, concordando com a sequência da oração.
IV. A conjunção “E”, que introduz o segundo período, funciona na sintaxe do português europeu de modo distinto à norma do português brasileiro.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910303 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.


Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.


Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.


Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.


Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.


Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.


“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.


(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2024.)

Sobre os recursos argumentativos empregados no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: TJ-PI Órgão: TJ-PI Prova: TJ-PI - 2024 - TJ-PI - Juiz Leigo |
Q3903767 Português
Com base no versículo abaixo, responda a questão:


Agora, pois, vemos apenas um refl exo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma com que sou plenamente conhecido.

(Coríntios, 1:13).
No período “então, conhecerei plenamente, da mesma forma com que sou plenamente conhecido”, há entre as orações sublinhadas u
Alternativas
Ano: 2024 Banca: TJ-PI Órgão: TJ-PI Prova: TJ-PI - 2024 - TJ-PI - Juiz Leigo |
Q3903763 Português
O lucro, mola do capitalismo, foi excelente naquele ano. O termo sublinhado é:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: COPS-UEL Órgão: UEL Prova: COPS-UEL - 2024 - UEL - Conhecimentos Gerais |
Q3903322 Português
Leia o trecho da biografia de Henrietta Lacks.
Em 29 de janeiro de 1951, David Lacks estava sentado ao volante de seu velho Buick observando a chuva cair. Estava estacionado sob um enorme carvalho diante do Hospital Johns Hopkins com três de seus filhos – dois ainda de fralda – esperando a mãe deles, Henrietta. Minutos antes, ela saltara do carro, cobrira a cabeça com a jaqueta e entrara correndo no hospital, passando pelo banheiro das ‘pessoas de cor’, o único que ela estava autorizada a usar. No prédio ao lado, sob um elegante teto de cobre em forma de cúpula, uma estátua de mármore de Jesus de mais de três metros se erguia, braços abertos, recepcionando as pessoas onde um dia já fora a entrada principal do Johns Hopkins. Nunca ninguém da família de Henrietta consultara um médico do hospital sem antes parar na estátua de Jesus para depositar flores a seus pés, entoar uma prece e esfregar seu dedão do pé para dar sorte. Mas naquele dia Henrietta não parou.
SKLOOT, Rebecca. A vida imortal de Henrietta Lacks. Trad. Ivo Korytowski. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
Em relação ao trecho, considere as afirmativas a seguir.
I. A expressão “pessoas de cor”, utilizada para fazer referência a pessoas pretas durante períodos de segregação racial, revela que Henrietta era pessoa preta.
II. Os verbos no pretérito mais-que-perfeito “saltara”, “cobrira”, “entrara” marcam ações de Henrietta que são anteriores àquela presente em “naquele dia Henrietta não parou”.
III. O conectivo “mas” acrescenta uma ideia de concessão que confirma a regularidade das ações de Henrietta na frase “Mas naquele dia Henrietta não parou”.
IV. Em “com três de seus filhos”, no segundo período do texto, devido ao uso das preposições, fica explícito que o casal David e Henrietta Lacks tinha apenas três filhos.
Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: TJ-PI Órgão: TJ-PI Prova: TJ-PI - 2024 - TJ-PI - Mediador Judicial |
Q3903117 Português
Com base no poema abaixo, responda a questão.


“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, (linha 1).

Mas o Tejo não é mais belo que o rioque corre pela minha aldeia (linha 2).

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” (linha 3).


(Fernando Pessoa in Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, Athena, n. 4, jan./1925)
Na oração “O rio que corre pela minha aldeia”, presente em todos os versos, qual a função sintática de “...que corre pela minha aldeia.”?
Alternativas
Ano: 2024 Banca: TJ-PI Órgão: TJ-PI Prova: TJ-PI - 2024 - TJ-PI - Mediador Judicial |
Q3903116 Português
Com base no poema abaixo, responda a questão.


“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, (linha 1).

Mas o Tejo não é mais belo que o rioque corre pela minha aldeia (linha 2).

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” (linha 3).


(Fernando Pessoa in Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, Athena, n. 4, jan./1925)
Com relação às estruturas sintáticas da linha 1 e da linha 2 da estrofe, pode-se dizer que:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: TJ-PI Órgão: TJ-PI Prova: TJ-PI - 2024 - TJ-PI - Mediador Judicial |
Q3903115 Português
Com base no poema abaixo, responda a questão.


“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, (linha 1).

Mas o Tejo não é mais belo que o rioque corre pela minha aldeia (linha 2).

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” (linha 3).


(Fernando Pessoa in Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, Athena, n. 4, jan./1925)
A segunda linha do poema poderia ser reescrita sem alteração semântica, se a conjunção MAS fosse substituída por uma das conjunções da alternativa:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: TJ-PI Órgão: TJ-PI Prova: TJ-PI - 2024 - TJ-PI - Mediador Judicial |
Q3903114 Português
Marque a alternativa em que o termo sublinhado é objeto indireto.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: TJ-PI Órgão: TJ-PI Prova: TJ-PI - 2024 - TJ-PI - Mediador Judicial |
Q3903113 Português
Marque a alternativa em que o sujeito da oração é indeterminado.
Alternativas
Q3902255 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



Areia movediça


Alargar praias para conter erosão costeira é defensável, mas pode revelar-se trabalho de Sísif



Salvo raras exceções, a população se beneficia com alterações da paisagem natural e apoia a construção de usinas de energia ou pontes e viadutos rodoviários. Quando se trata de alargar praias com toneladas de areia, nem preservacionistas criticam tais iniciativas– embora elas figurem entre os usos pouco sustentáveis de dinheiro público.


Levantamento da Folha detectou 24 megaprojetos para engordar praias, do Ceará a Santa Catarina, alguns já concluídos, outros em planejamento ou execução. Tudo somado, desde 2018, está uma montanha de 24,5 milhões de m3 de sílica, o suficiente para encher 12 estádios do Maracanã.


Comparado com o volume total dos mares da Terra (1,3 bilhão de Km3), e considerando que 1Kmequivale a 1 bilhão de m3, a areia mobilizada nos empreendimentos balneários de fato não se qualifica nem como a proverbial gota no oceano. Já os recursos investidos, de R$ 1,8 bilhão, fazem diferença para os 21 municípios envolvidos.


Pode-se argumentar que o benefício em qualidade de vida compensa os custos, diluídos entre centenas de milhares de cidadãos. Ocorre que esse gênero de intervenção contém apenas temporariamente a contínua erosão marinha. Mesmo com obras complementares de enrocamento, exige-se reposição de areia. Mais dinheiro público se esvai com as ondas e a maré. Isso sem mencionar os casos em que se acelera o processo erosivo, como o da praia de Ponta Negra, em Natal (RN), em que uma obra incompleta solapou a tentativa de proteger o calçadão.


O problema da erosão marinha é generalizado no litoral brasileiro, e o enfrentamento fica a cargo de prefeituras ou governos estaduais, que não orçam recursos necessários para manutenção. Tendo em vista que os dados só vão piorar com a elevação do nível do mar, a questão demanda coordenação em nível federal.


Uma estratégia nessa direção se esboça com o prometido acréscimo da erosão costeira no Plano Nacional de Mudança do Clima, ora em revisão pelo Planalto. É um dos temas candentes no capítulo de adaptação para preparar a infraestrutura e o poder público para o aumento da temperatura e dos eventos extremos que ele acarreta, como ressacas portentosas. Mais que apenas alargar praias, governantes necessitam prevenir a possibilidade de que algumas delas terminem riscadas do mapa.


(Folha de S. Paulo. 07 de janeiro de 2024. Editorial. A2. Opinião)

Considerando o trecho “Tendo em vista que os dados só vão piorar com a elevação do nível do mar, a questão demanda coordenação em nível federal”, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, sua reescrita, sem alteração de sentido.
Alternativas
Q3902252 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



Areia movediça


Alargar praias para conter erosão costeira é defensável, mas pode revelar-se trabalho de Sísif



Salvo raras exceções, a população se beneficia com alterações da paisagem natural e apoia a construção de usinas de energia ou pontes e viadutos rodoviários. Quando se trata de alargar praias com toneladas de areia, nem preservacionistas criticam tais iniciativas– embora elas figurem entre os usos pouco sustentáveis de dinheiro público.


Levantamento da Folha detectou 24 megaprojetos para engordar praias, do Ceará a Santa Catarina, alguns já concluídos, outros em planejamento ou execução. Tudo somado, desde 2018, está uma montanha de 24,5 milhões de m3 de sílica, o suficiente para encher 12 estádios do Maracanã.


Comparado com o volume total dos mares da Terra (1,3 bilhão de Km3), e considerando que 1Kmequivale a 1 bilhão de m3, a areia mobilizada nos empreendimentos balneários de fato não se qualifica nem como a proverbial gota no oceano. Já os recursos investidos, de R$ 1,8 bilhão, fazem diferença para os 21 municípios envolvidos.


Pode-se argumentar que o benefício em qualidade de vida compensa os custos, diluídos entre centenas de milhares de cidadãos. Ocorre que esse gênero de intervenção contém apenas temporariamente a contínua erosão marinha. Mesmo com obras complementares de enrocamento, exige-se reposição de areia. Mais dinheiro público se esvai com as ondas e a maré. Isso sem mencionar os casos em que se acelera o processo erosivo, como o da praia de Ponta Negra, em Natal (RN), em que uma obra incompleta solapou a tentativa de proteger o calçadão.


O problema da erosão marinha é generalizado no litoral brasileiro, e o enfrentamento fica a cargo de prefeituras ou governos estaduais, que não orçam recursos necessários para manutenção. Tendo em vista que os dados só vão piorar com a elevação do nível do mar, a questão demanda coordenação em nível federal.


Uma estratégia nessa direção se esboça com o prometido acréscimo da erosão costeira no Plano Nacional de Mudança do Clima, ora em revisão pelo Planalto. É um dos temas candentes no capítulo de adaptação para preparar a infraestrutura e o poder público para o aumento da temperatura e dos eventos extremos que ele acarreta, como ressacas portentosas. Mais que apenas alargar praias, governantes necessitam prevenir a possibilidade de que algumas delas terminem riscadas do mapa.


(Folha de S. Paulo. 07 de janeiro de 2024. Editorial. A2. Opinião)

Acerca do trecho “Alargar praias para conter erosão costeira é defensável, mas pode revelar-se trabalho de Sísifo”, considere as afirmativas a seguir.

I. O termo “mas” pode ser substituído pelo conectivo “e”, uma vez que a ideia sugerida na oração é de adição de informações.

II. A palavra “para” é uma preposição usada para indicar a causa do trabalho e contribuir para a progressão textual.

III. O termo “para” pode ser substituído pela expressão “a fim de”, uma vez que ambos indicam a finalidade da ação.

IV. A conjunção “mas” introduz uma relação de oposição entre as ideias sugeridas pelos termos “alargar praias” e “trabalho de Sísifo”.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3902250 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



Pessoas negras e indígenas são os grupos sociais que menos têm acesso ao saneamento básico no Brasil, segundo dados do Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A pesquisa, realizada em 2022, levou em conta a proporção dos moradores em domicílios particulares permanentes com esgotamento sanitário por rede coletora, pluvial ou fossa séptica. Nacionalmente, a maior proporção de atendimento por serviços públicos de saneamento ocorre para as pessoas amarelas, seguidas das brancas.


Considerando as 18 cidades mais populosas do país, pessoas brancas ou amarelas também são as que mais têm acesso a este tipo de política pública. O destaque negativo ocorre na cidade de Maceió. A capital alagoana registra os piores índices para quase todos os grupos sociais, exceto indígenas. No município, entre os amarelos 40,4% das pessoas não têm acesso ao saneamento; entre os pretos, o número é de 35,9%; pardos são 34,9%, e brancos são 28%.


Já em relação aos indígenas, a cidade com os piores índices é Manaus. Na capital do Amazonas, 39,9% desse grupo não têm acesso ao saneamento. Por outro lado, o melhor atendimento em saneamento básico, para todos os grupos sociais, ocorre na cidade de Curitiba. No município, 99,6% dos amarelos são atendidos pela política. Entre a população branca na capital paranaense, 98,9%; pretos 97,9%; pardos 97,7%; e indígenas 97,2%.


Dos 18 municípios analisados, em 17 deles as populações negra (que inclui pretos e pardos) e indígena são o grupo social com menos acesso às políticas de saneamento. “Isso não é algo novo. O que está sendo colocado agora em números é, na verdade, o retrato de um processo histórico”, diz Victor de Jesus, um dos coordenadores do Núcleo Capixaba de Estudos da Experiência Humana em Meio Urbano. Segundo ele, este é um processo antigo. Desde o século XIX, quando passou a ser desenvolvido o planejamento urbano das cidades brasileiras, a população negra não foi integrada aos espaços.


“Essa população não participa do processo decisório, não constrói políticas públicas e não é reconhecida como sujeito de direito. Com isso, o setor institui uma política capitalista, que vê saneamento como mercadoria e, portanto, só quem pode ter acesso é quem pode pagar, o que exclui mais uma vez”.


Em 2022, o Brasil ainda registrava o equivalente a 49 milhões de habitantes sem atendimento adequado de esgoto e 4,8 milhões de pessoas sem água encanada, apesar do crescimento desses serviços.


(Adaptado de: RIBEIRO, Tayguara. População negra e indígena têm menor acesso à rede de esgoto. Folha de S. Paulo. 24 de fevereiro de 2024. B2. Cotidiano).

Sobre os recursos linguístico-semânticos utilizados no texto, considere as afirmativas a seguir.



I. No trecho “Segundo ele, este é um processo antigo”, o pronome destacado foi usado para evitar a repetição do nome de Victor de Jesus.



II. No fragmento “que vê saneamento como mercadoria e, portanto, só quem pode ter acesso é quem pode pagar”, o conectivo em destaque tem sentido conclusivo.



III. No trecho “Desde o século XIX, quando passou a ser desenvolvido o planejamento urbano das cidades brasileiras”, o termo destacado introduz uma noção de condicionalidade.



IV. Em “4,8 milhões de pessoas sem água encanada, apesar do crescimento desses serviços”, a expressão em destaque indica a consequência do fato informado.



Assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q3902215 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



A maior invenção da humanidade não foi a roda nem mesmo a escrita. Foram as cidades. Juntar um monte de gente num espaço mais ou menos restrito e fazer as pessoas interagirem umas com as outras foi o que permitiu a especialização do trabalho à qual devemos não apenas o brutal aumento da produtividade como também a explosão de criatividade que caracterizam as sociedades humanas. A história da humanidade é, em boa medida, a história das cidades.


“Age of the city”, de Ian Goldin e Tom Lee-Devlin, faz um esboço dessa história e discute os desafios diante de nós. Fui um pouco faccioso no parágrafo anterior ao destacar só efeitos positivos da urbanização. Ela também traz um bom número de problemas, que vão de doenças à desigualdade, passando pela erosão da democracia e a mudança climática.


Com efeito, boa parte das epidemias que nos ameaçam só é sustentável em ambientes urbanos, que fazem com que um grande número de indivíduos suscetíveis ao patógeno em circulação conviva proximamente. De modo análogo, a especialização do trabalho que gerou as classes ociosas que puderam se dedicar à inovação também produziu grupos dominantes que se apropriam de parcela substancial da renda, além de impor outras violências às coortes menos favorecidas.


Os autores sustentam que vivemos um momento decisivo. Dependendo de como respondermos a uma série de questões como trabalho remoto, gentrificação, descarbonização, teremos sociedades mais ou menos harmoniosas. Cidades médias, que já foram o esteio das classes médias, perdem espaço para megalópoles como Nova York, San Francisco ou Londres, que monopolizam os bons empregos. É para lá que vão os mais afluentes. Só que a decadência das cidades que não se saíram tão bem produz ressentimentos, que fortalecem movimentos políticos populistas e antidemocráticos. Para Goldin e Lee-Devlin, o futuro depende das decisões que tomarmos agora conjuntamente.


(Adaptado de: SCHWARTSMAN, Hélio. A maior invenção do homem. Folha de S. Paulo. 21 de janeiro de 2024. A2. Opinião).

Acerca dos recursos linguístico-semânticos empregados no primeiro parágrafo do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3902212 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



A falta de saneamento básico não é uma novidade na realidade brasileira. Desde recursos colocados em prática por povos originários, a fim de separar a água para consumo e locais para dejetos, passando pela construção dos Arcos da Lapa, o primeiro aqueduto do país, até chegarmos aos sistemas de esgoto atuais, é notório que boa parte da população não consegue ter acesso aos sistemas de saneamento. Atualmente, existem no Brasil cerca de 100 milhões de brasileiros que não possuem rede de esgoto e 35 milhões sem acesso à água tratada, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Uma das principais consequências desse cenário é o surgimento de doenças, algumas delas fatais, entre essa população.


Define-se como saneamento básico “o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas”, de acordo com a Lei 11.445/07. Basicamente, trata-se de um direito, garantido pela Constituição, ao acesso à água potável e a um sistema eficaz de descarte e tratamento de dejetos, como fezes e urina.


Segundo o Dr. Marcelo de Carvalho Ramos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), médico infectologista e que retornou recentemente de um projeto da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), após ter atuado durante seis meses na província de Nampula, em Moçambique, o acesso ao saneamento básico é um dos principais meios de prevenir o aparecimento de um grande número de doenças. “Com o saneamento básico se consegue prevenir doenças, principalmente, porque interrompemos um ciclo de transmissão que chamamos de fecal-oral. O acesso à água de boa qualidade e em quantidade adequada, juntamente com o encaminhamento correto das fezes, são fundamentais para diminuir a quantidade de doenças. Pois [o saneamento] evita a transmissão e a aquisição delas, uma vez que a água é um veículo importante para transmissão de diversas doenças”, diz.


De fato, de acordo com o Ministério da Saúde (DATASUS, 2021), em 2021, foram registradas cerca de 130 mil internações causadas pelas doenças de veiculação hídricas, ou seja, provocadas por contaminação da água. Mas quais são essas doenças e quais os riscos que a população sem acesso ao saneamento básico corre em relação a sua saúde? “As principais doenças causadas pela falta de saneamento básico são: doenças diarreicas por Escherichia coli, Hepatite A, cólera, leptospirose, febre tifoide, verminoses, giardíase, amebíase, dengue, chikungunya e contaminação por metais pesados como mercúrio”, explicou a Dra. Cláudia Maruyama, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.


ODr. Alexandre Schwarzbold, infectologista, professor de medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica mais em detalhe a ocorrência de leptospirose. “Trata-se de uma bactéria que é transmitida a partir do contato com a urina dos ratos. Então, nesses lugares onde não há saneamento, a água entra em contato com a urina dos roedores que contaminada pela bactéria leptospira pode ser transmitida aos humanos. Essa contaminação da água com a urina se dá principalmente depois de enchentes e períodos de chuvas, e acaba aumentando a chance de infectar pessoas”, diz.


Para o Dr. Marcelo, as diarreias, que podem ter diversas causas, são as principais enfermidades relacionadas a esse contexto de falta de saneamento. “Eu citaria principalmente as diarreias causadas por vírus, como o rotavírus, que podem ser transmitidas pela água. O tratamento adequado [da água] evitaria esse tipo de doença. Existem também uma infinidade de bactérias que podem causar a diarreia. As mais conhecidas são as salmonelas e as shigellas. Há também os protozoários, como por exemplo as giárdias. Podemos falar também dos coccídios, como o cryptosporidium, que causam diarreia principalmente em crianças. E também pelos vermes, como é o caso da estrongiloidíase, por exemplo. Na verdade, ele penetra pela pele e assim provoca diarreia. As fezes contaminadas, com ovos de strongyloides, se desenvolvem em larvas no solo, e se não têm umdestino adequado, vão infectar novos indivíduos. Assim, eu diria que no reino dos microorganismos e até dos vermes existe uma infinidade de doenças que podem ser transmitidas pela falta de saneamento”, conclui.


É importante lembrar que a diarreia ainda é uma causa importante de mortalidade, principalmente entre crianças. Dados de 2018 do Ministério da Saúde mostram que houve quase 80 mil internações causadas por diarreia e que as regiões com maior mortalidade são o Nordeste e o Norte do país.


Outras doenças que assolam o país são as que são transmitidas tendo mosquitos como vetores. Dengue e chikungunya infectam milhares de brasileiros todos os anos, levando, muitas vezes, a óbitos. Até o mês de março de 2023 foram 117 mortes por dengue e 6 por chikungunya. Embora não tenha o mesmo ciclo oral-fecal que a maioria das doenças causadas por falta de saneamento básico, essas enfermidades são transmitidas através de mosquitos que se desenvolvem em água parada.


Segundo o Dr. Marcelo, “esses locais servem de criadouros para os vetores, que são os mosquitos. Eles vão transmitir a doença de uma pessoa para a outra. Então o saneamento e a limpeza do ambiente são fatores que vão contribuir bastante para evitá-las. Mesmo que não sejam doenças que são transmitidas pela água ou que passam de indivíduo a indivíduo pelas fezes. O ambiente limpo é fundamental para evitar o criadouro desses vetores, uma vez que eles se estabelecem geralmente num ambiente úmido e mal capinado”.


(Adaptado de: Equipe do Portal Drauzio Varella. Quais doenças podem ser causadas pela falta de saneamento básico? Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/saude-publica/quais-doencas-podem-ser-causadas-pela-falta-de-saneamento-basico/. Acesso em: 20 fev. 2024).

Acerca do trecho “De fato, de acordo com o Ministério da Saúde (DATASUS, 2021), em 2021, foram registradas cerca de 130 mil internações causadas pelas doenças de veiculação hídricas, ou seja, provocadas por contaminação da água”, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a função da expressão “ou seja”.
Alternativas
Q3902211 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



A falta de saneamento básico não é uma novidade na realidade brasileira. Desde recursos colocados em prática por povos originários, a fim de separar a água para consumo e locais para dejetos, passando pela construção dos Arcos da Lapa, o primeiro aqueduto do país, até chegarmos aos sistemas de esgoto atuais, é notório que boa parte da população não consegue ter acesso aos sistemas de saneamento. Atualmente, existem no Brasil cerca de 100 milhões de brasileiros que não possuem rede de esgoto e 35 milhões sem acesso à água tratada, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Uma das principais consequências desse cenário é o surgimento de doenças, algumas delas fatais, entre essa população.


Define-se como saneamento básico “o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas”, de acordo com a Lei 11.445/07. Basicamente, trata-se de um direito, garantido pela Constituição, ao acesso à água potável e a um sistema eficaz de descarte e tratamento de dejetos, como fezes e urina.


Segundo o Dr. Marcelo de Carvalho Ramos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), médico infectologista e que retornou recentemente de um projeto da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), após ter atuado durante seis meses na província de Nampula, em Moçambique, o acesso ao saneamento básico é um dos principais meios de prevenir o aparecimento de um grande número de doenças. “Com o saneamento básico se consegue prevenir doenças, principalmente, porque interrompemos um ciclo de transmissão que chamamos de fecal-oral. O acesso à água de boa qualidade e em quantidade adequada, juntamente com o encaminhamento correto das fezes, são fundamentais para diminuir a quantidade de doenças. Pois [o saneamento] evita a transmissão e a aquisição delas, uma vez que a água é um veículo importante para transmissão de diversas doenças”, diz.


De fato, de acordo com o Ministério da Saúde (DATASUS, 2021), em 2021, foram registradas cerca de 130 mil internações causadas pelas doenças de veiculação hídricas, ou seja, provocadas por contaminação da água. Mas quais são essas doenças e quais os riscos que a população sem acesso ao saneamento básico corre em relação a sua saúde? “As principais doenças causadas pela falta de saneamento básico são: doenças diarreicas por Escherichia coli, Hepatite A, cólera, leptospirose, febre tifoide, verminoses, giardíase, amebíase, dengue, chikungunya e contaminação por metais pesados como mercúrio”, explicou a Dra. Cláudia Maruyama, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.


ODr. Alexandre Schwarzbold, infectologista, professor de medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica mais em detalhe a ocorrência de leptospirose. “Trata-se de uma bactéria que é transmitida a partir do contato com a urina dos ratos. Então, nesses lugares onde não há saneamento, a água entra em contato com a urina dos roedores que contaminada pela bactéria leptospira pode ser transmitida aos humanos. Essa contaminação da água com a urina se dá principalmente depois de enchentes e períodos de chuvas, e acaba aumentando a chance de infectar pessoas”, diz.


Para o Dr. Marcelo, as diarreias, que podem ter diversas causas, são as principais enfermidades relacionadas a esse contexto de falta de saneamento. “Eu citaria principalmente as diarreias causadas por vírus, como o rotavírus, que podem ser transmitidas pela água. O tratamento adequado [da água] evitaria esse tipo de doença. Existem também uma infinidade de bactérias que podem causar a diarreia. As mais conhecidas são as salmonelas e as shigellas. Há também os protozoários, como por exemplo as giárdias. Podemos falar também dos coccídios, como o cryptosporidium, que causam diarreia principalmente em crianças. E também pelos vermes, como é o caso da estrongiloidíase, por exemplo. Na verdade, ele penetra pela pele e assim provoca diarreia. As fezes contaminadas, com ovos de strongyloides, se desenvolvem em larvas no solo, e se não têm umdestino adequado, vão infectar novos indivíduos. Assim, eu diria que no reino dos microorganismos e até dos vermes existe uma infinidade de doenças que podem ser transmitidas pela falta de saneamento”, conclui.


É importante lembrar que a diarreia ainda é uma causa importante de mortalidade, principalmente entre crianças. Dados de 2018 do Ministério da Saúde mostram que houve quase 80 mil internações causadas por diarreia e que as regiões com maior mortalidade são o Nordeste e o Norte do país.


Outras doenças que assolam o país são as que são transmitidas tendo mosquitos como vetores. Dengue e chikungunya infectam milhares de brasileiros todos os anos, levando, muitas vezes, a óbitos. Até o mês de março de 2023 foram 117 mortes por dengue e 6 por chikungunya. Embora não tenha o mesmo ciclo oral-fecal que a maioria das doenças causadas por falta de saneamento básico, essas enfermidades são transmitidas através de mosquitos que se desenvolvem em água parada.


Segundo o Dr. Marcelo, “esses locais servem de criadouros para os vetores, que são os mosquitos. Eles vão transmitir a doença de uma pessoa para a outra. Então o saneamento e a limpeza do ambiente são fatores que vão contribuir bastante para evitá-las. Mesmo que não sejam doenças que são transmitidas pela água ou que passam de indivíduo a indivíduo pelas fezes. O ambiente limpo é fundamental para evitar o criadouro desses vetores, uma vez que eles se estabelecem geralmente num ambiente úmido e mal capinado”.


(Adaptado de: Equipe do Portal Drauzio Varella. Quais doenças podem ser causadas pela falta de saneamento básico? Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/saude-publica/quais-doencas-podem-ser-causadas-pela-falta-de-saneamento-basico/. Acesso em: 20 fev. 2024).

Sobre os recursos linguísticos usados no trecho “Mesmo que não sejam doenças que são transmitidas pela água ou que passam de indivíduo a indivíduo pelas fezes. O ambiente limpo é fundamental para evitar o criadouro desses vetores, uma vez que eles se estabelecem geralmente num ambiente úmido e mal capinado”, considere as afirmativas a seguir.

I. O pronome “eles” foi usado para evitar a repetição da expressão “indivíduo a indivíduo”, citada anteriormente.

II. A conjunção “e”, ao ligar as expressões “ambiente úmido e mal capinado”, apresenta um efeito de sentido de oposição.

III. A expressão “mesmo que” pode ser substituída pela locução “ainda que”, porque ambas apresentam equivalência semântica.

IV. O termo “para” pode ser substituído pela expressão “a fim de”, porque ambos têm sentido de finalidade.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3902210 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



A falta de saneamento básico não é uma novidade na realidade brasileira. Desde recursos colocados em prática por povos originários, a fim de separar a água para consumo e locais para dejetos, passando pela construção dos Arcos da Lapa, o primeiro aqueduto do país, até chegarmos aos sistemas de esgoto atuais, é notório que boa parte da população não consegue ter acesso aos sistemas de saneamento. Atualmente, existem no Brasil cerca de 100 milhões de brasileiros que não possuem rede de esgoto e 35 milhões sem acesso à água tratada, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Uma das principais consequências desse cenário é o surgimento de doenças, algumas delas fatais, entre essa população.


Define-se como saneamento básico “o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas”, de acordo com a Lei 11.445/07. Basicamente, trata-se de um direito, garantido pela Constituição, ao acesso à água potável e a um sistema eficaz de descarte e tratamento de dejetos, como fezes e urina.


Segundo o Dr. Marcelo de Carvalho Ramos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), médico infectologista e que retornou recentemente de um projeto da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), após ter atuado durante seis meses na província de Nampula, em Moçambique, o acesso ao saneamento básico é um dos principais meios de prevenir o aparecimento de um grande número de doenças. “Com o saneamento básico se consegue prevenir doenças, principalmente, porque interrompemos um ciclo de transmissão que chamamos de fecal-oral. O acesso à água de boa qualidade e em quantidade adequada, juntamente com o encaminhamento correto das fezes, são fundamentais para diminuir a quantidade de doenças. Pois [o saneamento] evita a transmissão e a aquisição delas, uma vez que a água é um veículo importante para transmissão de diversas doenças”, diz.


De fato, de acordo com o Ministério da Saúde (DATASUS, 2021), em 2021, foram registradas cerca de 130 mil internações causadas pelas doenças de veiculação hídricas, ou seja, provocadas por contaminação da água. Mas quais são essas doenças e quais os riscos que a população sem acesso ao saneamento básico corre em relação a sua saúde? “As principais doenças causadas pela falta de saneamento básico são: doenças diarreicas por Escherichia coli, Hepatite A, cólera, leptospirose, febre tifoide, verminoses, giardíase, amebíase, dengue, chikungunya e contaminação por metais pesados como mercúrio”, explicou a Dra. Cláudia Maruyama, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.


ODr. Alexandre Schwarzbold, infectologista, professor de medicina da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica mais em detalhe a ocorrência de leptospirose. “Trata-se de uma bactéria que é transmitida a partir do contato com a urina dos ratos. Então, nesses lugares onde não há saneamento, a água entra em contato com a urina dos roedores que contaminada pela bactéria leptospira pode ser transmitida aos humanos. Essa contaminação da água com a urina se dá principalmente depois de enchentes e períodos de chuvas, e acaba aumentando a chance de infectar pessoas”, diz.


Para o Dr. Marcelo, as diarreias, que podem ter diversas causas, são as principais enfermidades relacionadas a esse contexto de falta de saneamento. “Eu citaria principalmente as diarreias causadas por vírus, como o rotavírus, que podem ser transmitidas pela água. O tratamento adequado [da água] evitaria esse tipo de doença. Existem também uma infinidade de bactérias que podem causar a diarreia. As mais conhecidas são as salmonelas e as shigellas. Há também os protozoários, como por exemplo as giárdias. Podemos falar também dos coccídios, como o cryptosporidium, que causam diarreia principalmente em crianças. E também pelos vermes, como é o caso da estrongiloidíase, por exemplo. Na verdade, ele penetra pela pele e assim provoca diarreia. As fezes contaminadas, com ovos de strongyloides, se desenvolvem em larvas no solo, e se não têm umdestino adequado, vão infectar novos indivíduos. Assim, eu diria que no reino dos microorganismos e até dos vermes existe uma infinidade de doenças que podem ser transmitidas pela falta de saneamento”, conclui.


É importante lembrar que a diarreia ainda é uma causa importante de mortalidade, principalmente entre crianças. Dados de 2018 do Ministério da Saúde mostram que houve quase 80 mil internações causadas por diarreia e que as regiões com maior mortalidade são o Nordeste e o Norte do país.


Outras doenças que assolam o país são as que são transmitidas tendo mosquitos como vetores. Dengue e chikungunya infectam milhares de brasileiros todos os anos, levando, muitas vezes, a óbitos. Até o mês de março de 2023 foram 117 mortes por dengue e 6 por chikungunya. Embora não tenha o mesmo ciclo oral-fecal que a maioria das doenças causadas por falta de saneamento básico, essas enfermidades são transmitidas através de mosquitos que se desenvolvem em água parada.


Segundo o Dr. Marcelo, “esses locais servem de criadouros para os vetores, que são os mosquitos. Eles vão transmitir a doença de uma pessoa para a outra. Então o saneamento e a limpeza do ambiente são fatores que vão contribuir bastante para evitá-las. Mesmo que não sejam doenças que são transmitidas pela água ou que passam de indivíduo a indivíduo pelas fezes. O ambiente limpo é fundamental para evitar o criadouro desses vetores, uma vez que eles se estabelecem geralmente num ambiente úmido e mal capinado”.


(Adaptado de: Equipe do Portal Drauzio Varella. Quais doenças podem ser causadas pela falta de saneamento básico? Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/saude-publica/quais-doencas-podem-ser-causadas-pela-falta-de-saneamento-basico/. Acesso em: 20 fev. 2024).

Em relação aos recursos linguístico-semânticos empregados em “Pois [o saneamento] evita a transmissão e a aquisição delas, uma vez que a água é um veículo importante para transmissão de diversas doenças”, considere as afirmativas a seguir.

I. O termo “pois” introduz uma oração com sentido explicativo em relação ao enunciado anterior.

II. O pronome “delas” faz referência direta ao termo “doenças” citado anteriormente.

III. A expressão “uma vez que” introduz uma oração que indica a consequência de uma ação apresentada anteriormente.

IV. A palavra “para” tem papel de concluir uma informação apresentada anteriormente.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2024 - UNESP - Bibliotecário |
Q3888601 Português

Leia o texto para responder à questão.



Amenizar a dor



    Com o acelerado envelhecimento da população mundial, governos devem estar mais atentos à assistência médica na fase final da vida.


    Sistemas de saúde podem, sim, aliviar a dor até a chegada desse momento, com os cuidados paliativos – o conjunto de serviços prestados por equipe multidisciplinar (medicina, enfermagem, psicologia, fisioterapia, nutrição, terapia ocupacional etc.) que visam tratar sintomas e melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares.


    Mas a Organização Mundial da Saúde estima que só 1 em cada 10 pessoas que precisam desses cuidados no mundo tenha acesso a eles.


    No Brasil, a atenção das políticas públicas ao tema é incipiente. Desde 2002, existe o Programa Nacional de Assistência à Dor e Cuidados Paliativos e, desde lá, foram criadas portarias com foco em oncologia.


    Só em 2018, uma resolução dispôs diretrizes para a organização dos cuidados paliativos no SUS. Mais importante: estabeleceu que qualquer pessoa afetada por doença aguda ou crônica potencialmente terminal, não só câncer, é elegível para o acesso ao serviço.


    Espera-se que o incremento da política de cuidados paliativos torne o fim da vida de muitos brasileiros mais humanizado e menos dolorido.



(Editorial. Folha de S.Paulo, 19.12.2023. Adaptado)

As equipes multidisciplinares dedicam-se __________ melhora da qualidade de vida de pacientes e familiares, estando atentas ________ demandas de cada caso. Não podem abster-se, portanto, ________ cuidados paliativos compatíveis _______ cada situação vivenciada.



De acordo com a norma-padrão, as lacunas da frase devem ser preenchidas, respectivamente, com: 

Alternativas
Q3888011 Português
Assinale a frase, baseada no romance Dom Casmurro, que mostra erro de concordância da palavra “meio”.
Alternativas
Respostas
10221: B
10222: A
10223: D
10224: B
10225: E
10226: A
10227: C
10228: D
10229: A
10230: D
10231: C
10232: C
10233: C
10234: A
10235: C
10236: E
10237: C
10238: A
10239: E
10240: B