Questões de Concurso Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

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Q3151441 Português

Black Friday: como os robôs influenciam você na disputa por pechinchas


A Black Friday e a onda de compras de Natal chegaram. Mas qualquer pechincha envolvendo um novo console ou aquela placa de vídeo disputada provavelmente será abocanhada por um exército de robôs trabalhando para aqueles que procuram ter lucro com os preços baixos nesse período.


Esses robôs (bots) são programas em funcionamento constante que afetam o comércio online há anos. Mas, desde a pandemia de covid-19, o comércio eletrônico aumentou consideravelmente.


E qual o problema que eles causam? Bem, os robôs de varejo vasculham todas as páginas de sites de comércio por todo o mundo de olho no momento exato em que um item é colocado à venda. E, daí, eles alertam seus administradores para que possam vencer a multidão de consumidores em busca de preços baixos. Alguns dos programas até compram automaticamente o produto, mais rapidamente do que qualquer ser humano é capaz.


É por isso que algumas mercadorias ficam fora de estoque em lojas comuns, mas estão disponíveis por milhares de dólares a mais do que o preço inicial em sites como o eBay.


Isso é apenas "a ponta do iceberg", diz Thomas Platt, da empresa de gerenciamento de robôs Netacea. Robôs abocanham o estoque de tudo, de brinquedos fofinhos a coleções de filmes.


Se houver um nicho de mercado ou um lançamento de alto padrão, "essas indústrias serão alvo dos algoritmos", explica Platt.


Em 2020, o lançamento da placa de vídeo de jogos para PC da Nvidia, a 3080, ilustrou "o caso mais extremo do que os robôs podem fazer", disse um dos moderadores do fórum do Reddit, um grupo de caçadores de pechinchas que se ajudam a encontrar peças de computadores.


Menos de um segundo após o lançamento, todas as peças acabaram. Os usuários em sites de varejo não viram um botão 'comprar agora', mas sim, um botão 'esgotado', já que todo o estoque tinha sido imediatamente adquirido por robôs, com uma ou outra pessoa sortuda lá no meio da lista de compradores.


Rob Burke, ex-diretor de comércio eletrônico internacional da grande varejista internacional GameStop, diz que os robôs sempre foram um problema.


"Às vezes, mais de 60% do tráfego no nosso site, representando centenas de milhões de visitas por dia, era de robôs que monitoram preços. Especialmente, às vésperas de grandes lançamentos." Essa situação cria um certo dilema ético para as lojas.


"Por um lado, você só quer vender o produto. Então, quem se importa se foi um robô ou um cliente real? Por outro, se nenhum, ou muito poucos de seus clientes reais puderem adquirir um produto com você, eles naturalmente buscarão outro lugar para comprar." 


https://www.bbc.com/portuguese/articles/ced97pvj35po.adaptado.

O caso mais extremo do que os robôs podem fazer, disse um dos "moderadores" do fórum do Reddit, um grupo de caçadores de pechinchas que se ajudam a encontrar peças de computadores.
O sinônimo que representa o vocábulo destacado, nesta frase, é:
Alternativas
Q3148958 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão,


A fila do mineiro



Um comportamento é digno de atenção aqui. Mineiro não forma fila. Ele faz um semicírculo. Um paredão que avança lentamente, ocupando a extensão inteira da calçada. Jamais vi uma fila indiana em Minas, um atrás do outro, como no padrão internacional.


O conjunto irradia espontaneamente para os cantos e laterais. Não se dispõe de maneira uniformizada, em linha reta, como acontece nos demais Estados do país.


Rompe-se com aquele sentimento de rebanho, conduzido pelo vaqueiro em fileira devido às trilhas estreitas e obstáculos das pastagens. É uma fila livre da fila. Todos sabem quando é a sua vez, não há desrespeito ao espaço alheio, à preferência do antecessor.


De modo nenhum, esse movimento de se espalhar é um jeito criativo de furar fila. Existe em cada um a consciência do momento em que se chegou ali e a fixação mental de seu lugar.


A fila se distribui horizontalmente em qualquer ambiente. Pode ser numa unidade de saúde, numa entrevista de emprego, numa balada, na entrada de um restaurante, para realizar algum concurso, para ingressar na escola, para colher autógrafos de um autor, para entrar num estádio ou teatro.


Todo mineiro dá um passo à frente antes da hora, transgredindo a delimitação prévia. Pensei primeiramente que era um recurso para ampliar o campo de visão e espiar o quanto faltava para o final. Até que reparei que tem mais a ver com o afeto: ele reencontra amigos e colegas na fila e puxa assunto lado a lado. Arruma um grupo. Arruma uma panelinha. Arruma um bando. Arruma um clube da esquina.


Tanto que é o único povo no Brasil que conversa no elevador. Fila, então, é sua chance de começar um comício.


 É impressionante a sua capacidade de criar raízes nas casualidades. Mesmo quando não conhece ninguém, resgata algum parentesco ou afinidade perguntando onde a pessoa mora, onde nasceu, onde estudou, com o que trabalha. O sobrenome desperta uma família que desemboca num laço remoto, ou uma cidade lembra um parente que resulta numa observação espirituosa, e se estabelece a magia. O mineiro vai questionando exaustivamente, rodeando, numa investigação da intimidade sem precedentes. Sempre acaba achando um ponto em cruz para tricotar coincidências, para firmar convergências.


É o que batizo de "visita de rua". Mineiro não realiza visitas unicamente em casa, mas também efetua abordagens no meio de seu trajeto, pescando colóquios e audiências.


Assim o tempo passa mais rapidamente, o desconforto se transforma em prazer, e nem parece que você estava aguardando algo. Fica, inclusive, com o gosto amargo de ter que se despedir das amizades. É comum se mostrar contrariado ao ser chamado para o guichê ou balcão. Só em Minas, a fila é melhor do que o atendimento.


Fabrício Carpinejar


https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/9/27/a-fila-do-mineiro

No texto "A fila do mineiro", de Fabrício Carpinejar, observa-se a riqueza de recursos semânticos utilizados para descrever o comportamento cultural dos mineiros em filas. Com base nos conceitos de sinonímia, antonímia, homonímia, paronímia, polissemia e ambiguidade, analise as afirmativas e escolha a alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q3147818 Português
        Ela me incomoda tanto que fiquei oco. Estou oco desta moça. E ela tanto mais me incomoda quanto menos reclama. Estou com raiva. Uma cólera de derrubar copos e pratos e quebrar vidraças. Como me vingar? Ou melhor, como me compensar? Já sei: amando meu cão que tem mais comida do que a moça. Por que ela não reage? Cadê um pouco de fibra? Não, ela é doce e obediente.
         Essa moça não sabia que ela era o que era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava.
         Eu poderia resolver pelo caminho mais fácil, matar a menina-infante, mas quero o pior: a vida. Os que me lerem, assim, levem um soco no estômago para ver se é bom. A vida é um soco no estômago.

Clarice Lispector. A hora da estrela.
Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações). 

Julgue o item que se segue, a respeito de aspectos linguísticos e semânticos do texto apresentado anteriormente.


No primeiro parágrafo, existe uma relação de sinonímia entre os vocábulos “raiva” e “cólera” (quarto e quinto períodos, respectivamente).

Alternativas
Q3147816 Português
        Não é a paz que lhe interessa. Eles se preocupam é com a ordem, o regime desse mundo.
       O problema deles é manter a ordem que lhes faz ser patrões. Essa ordem é uma doença em nossa história.
       Para nós a terra é uma boca, a alma de um búzio. O tempo é o caracol que enrola essa concha. Encostamos o ouvido nesse búzio e ouvimos o princípio, quando tudo era antigamente.
     A guerra nunca partiu, filho. As guerras são como as estações do ano: ficam suspensas, a amadurecer no ódio da gente miúda.

Mia Couto. O último voo do flamingo.
Lisboa: Editorial Caminho, 2013 (com adaptações). 

Acerca de aspectos semânticos e gramaticais do texto precedente, julgue o próximo item. 


No segundo parágrafo, o vocábulo “problema” foi empregado no sentido de disfunção, perturbação, defeito, imperfeição, falha.

Alternativas
Q3147814 Português
        Não é a paz que lhe interessa. Eles se preocupam é com a ordem, o regime desse mundo.
       O problema deles é manter a ordem que lhes faz ser patrões. Essa ordem é uma doença em nossa história.
       Para nós a terra é uma boca, a alma de um búzio. O tempo é o caracol que enrola essa concha. Encostamos o ouvido nesse búzio e ouvimos o princípio, quando tudo era antigamente.
     A guerra nunca partiu, filho. As guerras são como as estações do ano: ficam suspensas, a amadurecer no ódio da gente miúda.

Mia Couto. O último voo do flamingo.
Lisboa: Editorial Caminho, 2013 (com adaptações). 

Acerca de aspectos semânticos e gramaticais do texto precedente, julgue o próximo item. 


Embora o verbo partir seja polissêmico na língua portuguesa, ele está empregado com um sentido específico no último parágrafo do texto, significando ir-se embora.

Alternativas
Q3147779 Português
O navio negreiro

Castro Alves

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar
(...)

E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
(...)

Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
(...)

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...

A partir da leitura dos excertos precedentes do poema O navio negreiro, de Castro Alves, julgue o item a seguir. 


No primeiro verso do poema, o termo “dantesco” tem o mesmo sentido do vocábulo caótico.

Alternativas
Q3147777 Português
Índios

Legião Urbana
Quem me dera, ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha
(...)

Quem me dera, ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente

Quem me dera, ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
(...)

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício de insistir
Nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto precedente, que apresenta um trecho da letra da canção Índios, interpretada pela banda Legião Urbana, julgue o próximo item. 


O conteúdo do segmento “(...) quem tem mais do que precisa ter / Quase sempre se convence que não tem o bastante” pode ser resumido coerentemente, de acordo com os sentidos do texto, como os abastados acreditam que têm menos do que necessitam.

Alternativas
Q3147771 Português
JOÃO GRILO – Já fui barco, fui navio,
                           Mas hoje sou escaler.
                          Já fui menino, fui homem,
                          Só me falta ser mulher.
                          Valha-me Nossa Senhora (...)

A COMPADECIDA – Não, João, por que eu iria me zangar? Aquele é o versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Não deixa de ser uma oração, uma invocação. Tem umas graças, mas isso até a torna alegre e foi coisa de que eu sempre gostei. (...)

PADRE (ajoelhando-se) – Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus.

JOÃO GRILO – Antes de respondermos, lembrem-se de dizer, em vez de “agora e na hora de nossa morte”, “agora na hora de nossa morte”, porque do jeito que nós estamos, está tudo misturado.

TODOS – Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora na hora de nossa morte. Amém.

Ariano Suassuna. Auto da Compadecida.
26 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1993 (com adaptações)

Em relação à linguagem, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, que apresenta um trecho da obra dramatúrgica Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, julgue os seguintes itens. 


Na fala d’A Compadecida, o vocábulo “graças” é empregado com o sentido de benevolências, compatível com o cunho religioso do texto.

Alternativas
Q3147768 Português
JOÃO GRILO – Já fui barco, fui navio,
                           Mas hoje sou escaler.
                          Já fui menino, fui homem,
                          Só me falta ser mulher.
                          Valha-me Nossa Senhora (...)

A COMPADECIDA – Não, João, por que eu iria me zangar? Aquele é o versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Não deixa de ser uma oração, uma invocação. Tem umas graças, mas isso até a torna alegre e foi coisa de que eu sempre gostei. (...)

PADRE (ajoelhando-se) – Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus.

JOÃO GRILO – Antes de respondermos, lembrem-se de dizer, em vez de “agora e na hora de nossa morte”, “agora na hora de nossa morte”, porque do jeito que nós estamos, está tudo misturado.

TODOS – Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora na hora de nossa morte. Amém.

Ariano Suassuna. Auto da Compadecida.
26 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1993 (com adaptações)
Em relação à linguagem, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, que apresenta um trecho da obra dramatúrgica Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, julgue os seguintes itens. 
Na segunda fala de João Grilo, o emprego da conjunção ‘e’ no trecho ‘agora e na hora de nossa morte’ indica a existência de dois momentos distintos, que se transformam, na proposta apresentada pelo personagem, sob o argumento de que “está tudo misturado”, em um único momento específico.
Alternativas
Q3147682 Português
        É bem verdade que um número considerável de brasileiros utiliza outros idiomas como sua língua primeira. Há os usuários da LIBRAS, a língua brasileira de sinais, que é um idioma pleno e totalmente diferente do português; há os falantes das línguas originárias do Brasil que não foram extintas durante esses séculos de colonização (no censo de 2010, pouco menos de 140 mil dessas pessoas disseram não usar o português em família); há falantes das diversas línguas de colonização que aportaram aqui especialmente no final do século XIX e no começo do XX (o talian dos migrantes italianos, o hunsrückisch ou o pommeranisch dos alemães, entre várias outras, como o árabe, o japonês, o polonês); e há também falantes de línguas que chegaram com migrações mais recentes, como a dos sírios, haitianos e venezuelanos. Parte dessa diversidade, inclusive, é hoje reconhecida por atos legais que, nos últimos anos, concederam a certos idiomas originários (o baníwa e o tukano, por exemplo) e a algumas línguas de herança (como o pommeranisch) o estatuto de línguas oficiais de seus municípios.

Caetano W. Galindo. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português.
São Paulo: Companhia das Letras, 2023 (com adaptações).

Considerando a significação de palavras e construções empregadas no texto precedente, julgue o item a seguir. 


Existe uma relação de paronímia entre as expressões “LIBRAS” e “língua brasileira de sinais” (segundo período do texto). 

Alternativas
Q3147681 Português
        É bem verdade que um número considerável de brasileiros utiliza outros idiomas como sua língua primeira. Há os usuários da LIBRAS, a língua brasileira de sinais, que é um idioma pleno e totalmente diferente do português; há os falantes das línguas originárias do Brasil que não foram extintas durante esses séculos de colonização (no censo de 2010, pouco menos de 140 mil dessas pessoas disseram não usar o português em família); há falantes das diversas línguas de colonização que aportaram aqui especialmente no final do século XIX e no começo do XX (o talian dos migrantes italianos, o hunsrückisch ou o pommeranisch dos alemães, entre várias outras, como o árabe, o japonês, o polonês); e há também falantes de línguas que chegaram com migrações mais recentes, como a dos sírios, haitianos e venezuelanos. Parte dessa diversidade, inclusive, é hoje reconhecida por atos legais que, nos últimos anos, concederam a certos idiomas originários (o baníwa e o tukano, por exemplo) e a algumas línguas de herança (como o pommeranisch) o estatuto de línguas oficiais de seus municípios.

Caetano W. Galindo. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português.
São Paulo: Companhia das Letras, 2023 (com adaptações).

Considerando a significação de palavras e construções empregadas no texto precedente, julgue o item a seguir. 


No texto, os vocábulos “idioma” e “língua” são empregados como sinônimos, assim como as formas verbais “aportaram” e “chegaram”. 

Alternativas
Q3147680 Português
        É bem verdade que um número considerável de brasileiros utiliza outros idiomas como sua língua primeira. Há os usuários da LIBRAS, a língua brasileira de sinais, que é um idioma pleno e totalmente diferente do português; há os falantes das línguas originárias do Brasil que não foram extintas durante esses séculos de colonização (no censo de 2010, pouco menos de 140 mil dessas pessoas disseram não usar o português em família); há falantes das diversas línguas de colonização que aportaram aqui especialmente no final do século XIX e no começo do XX (o talian dos migrantes italianos, o hunsrückisch ou o pommeranisch dos alemães, entre várias outras, como o árabe, o japonês, o polonês); e há também falantes de línguas que chegaram com migrações mais recentes, como a dos sírios, haitianos e venezuelanos. Parte dessa diversidade, inclusive, é hoje reconhecida por atos legais que, nos últimos anos, concederam a certos idiomas originários (o baníwa e o tukano, por exemplo) e a algumas línguas de herança (como o pommeranisch) o estatuto de línguas oficiais de seus municípios.

Caetano W. Galindo. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português.
São Paulo: Companhia das Letras, 2023 (com adaptações).

Considerando a significação de palavras e construções empregadas no texto precedente, julgue o item a seguir. 


São antônimos os vocábulos “final” e “começo” (segundo período).

Alternativas
Q3147679 Português
        É bem verdade que um número considerável de brasileiros utiliza outros idiomas como sua língua primeira. Há os usuários da LIBRAS, a língua brasileira de sinais, que é um idioma pleno e totalmente diferente do português; há os falantes das línguas originárias do Brasil que não foram extintas durante esses séculos de colonização (no censo de 2010, pouco menos de 140 mil dessas pessoas disseram não usar o português em família); há falantes das diversas línguas de colonização que aportaram aqui especialmente no final do século XIX e no começo do XX (o talian dos migrantes italianos, o hunsrückisch ou o pommeranisch dos alemães, entre várias outras, como o árabe, o japonês, o polonês); e há também falantes de línguas que chegaram com migrações mais recentes, como a dos sírios, haitianos e venezuelanos. Parte dessa diversidade, inclusive, é hoje reconhecida por atos legais que, nos últimos anos, concederam a certos idiomas originários (o baníwa e o tukano, por exemplo) e a algumas línguas de herança (como o pommeranisch) o estatuto de línguas oficiais de seus municípios.

Caetano W. Galindo. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português.
São Paulo: Companhia das Letras, 2023 (com adaptações).

  Imagem associada para resolução da questão


Considerando a significação de palavras e construções empregadas no texto precedente, julgue o item a seguir. 


No último período, o emprego da palavra “atos” gera ambiguidade, uma vez que ela pode significar o mesmo que documentos ou o mesmo que ações.  

Alternativas
Q3146660 Português
        Por que estimam os homens o ouro e a prata, mais que os outros metais? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam os diamantes e as pedras preciosas mais que as outras pedras? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam mais as sedas que as lãs? Porque têm alguma coisa de luz. Pela luz avaliam os homens a estimação das coisas, e avaliam bem, porque, quanto mais têm de luz, mais têm de perfeição. Vede o que notou Santo Tomás: neste mundo visível, umas coisas são imperfeitas, outras perfeitas, outras perfeitíssimas. E nota ele, com sutileza e advertência angélica, que as perfeitíssimas têm luz e dão luz; as perfeitas não têm luz, mas recebem luz; as imperfeitas nem têm luz, nem a recebem. Os planetas, as estrelas e o elemento do fogo, que são criaturas sublimes e perfeitíssimas, têm luz e dão luz; o elemento do ar e o da água, que são criaturas diáfanas e perfeitas, não têm luz, mas recebem luz; a terra e todos os corpos terrestres, que são criaturas imperfeitas e grosseiras, nem têm luz, nem recebem luz, antes a rebatem e deitam de si. Ora, não sejamos terrestres, já que Deus nos deu uma alma celestial; recebamos a luz, amemos a luz, busquemos a luz e conheçamos que nem temos, nem podemos, nem Deus nos pode dar bem nenhum que seja verdadeiro bem, sem luz.

Padre Antônio Vieira. Sermão do nascimento da Virgem Maria.
In: Sermões. Erechim: Edelbra, 1998.
Internet:<literaturabrasileira.ufsc.br>  (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, referente aos indícios contextuais, à organização retórica e à construção dos sentidos no texto precedente.


No penúltimo período, o termo “estrelas” é hipônimo da expressão “criaturas sublimes e perfeitíssimas”, que, por sua vez, é hipônimo da palavra “luz”.

Alternativas
Q3146659 Português
        Por que estimam os homens o ouro e a prata, mais que os outros metais? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam os diamantes e as pedras preciosas mais que as outras pedras? Porque têm alguma coisa de luz. Por que estimam mais as sedas que as lãs? Porque têm alguma coisa de luz. Pela luz avaliam os homens a estimação das coisas, e avaliam bem, porque, quanto mais têm de luz, mais têm de perfeição. Vede o que notou Santo Tomás: neste mundo visível, umas coisas são imperfeitas, outras perfeitas, outras perfeitíssimas. E nota ele, com sutileza e advertência angélica, que as perfeitíssimas têm luz e dão luz; as perfeitas não têm luz, mas recebem luz; as imperfeitas nem têm luz, nem a recebem. Os planetas, as estrelas e o elemento do fogo, que são criaturas sublimes e perfeitíssimas, têm luz e dão luz; o elemento do ar e o da água, que são criaturas diáfanas e perfeitas, não têm luz, mas recebem luz; a terra e todos os corpos terrestres, que são criaturas imperfeitas e grosseiras, nem têm luz, nem recebem luz, antes a rebatem e deitam de si. Ora, não sejamos terrestres, já que Deus nos deu uma alma celestial; recebamos a luz, amemos a luz, busquemos a luz e conheçamos que nem temos, nem podemos, nem Deus nos pode dar bem nenhum que seja verdadeiro bem, sem luz.

Padre Antônio Vieira. Sermão do nascimento da Virgem Maria.
In: Sermões. Erechim: Edelbra, 1998.
Internet:<literaturabrasileira.ufsc.br>  (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, referente aos indícios contextuais, à organização retórica e à construção dos sentidos no texto precedente.


Identifica-se, no texto, relação de antonímia nos seguintes pares de palavras: “imperfeitas” e “perfeitas” (oitavo período); “fogo” e “água” (décimo período); “recebem” e “rebatem” (penúltimo período). 

Alternativas
Q3146478 Português
        Ao primeiro contato com um texto qualquer, por mais simples que ele pareça, normalmente o leitor se defronta com a dificuldade de encontrar unidade por trás de tantos significados que ocorrem na sua superfície. Numa crônica ou numa pequena fábula, por exemplo, surgem personagens diferentes, lugares e tempos desencontrados e ações as mais diversas. Na primeira leitura, parece impossível encontrar qualquer ponto para o qual convirjam tantas variáveis e que dê unidade à aparente desordem. Mas, quando se trata de um bom texto, por trás do aparente caos, há ordem. Quando, após várias leituras, encontra-se o fio condutor, a primeira impressão de desagregação cede lugar à percepção de que o texto tem harmonia e coerência. Para exemplificar o que foi dito, vamos ler uma pequena fábula de Monteiro Lobato e tentar demonstrar que, a partir da observação dos dados concretos da superfície, pode-se chegar à compreensão de significados mais abstratos, que dão unidade e organização ao texto.

José Luiz Fiorin; Francisco Platão Savioli.
Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2007, p. 35. 

Considerando as informações e estruturas linguísticas do texto precedente, julgue o seguinte item.


No primeiro período, há relações de sentido baseadas na antonímia entre “mais simples” e “dificuldade”.

Alternativas
Q3146470 Português
        Pode-se verificar em que medida, em Dom Casmurro, Machado de Assis inova o tema: em primeiro lugar, ele abandona o clichê da mulher simultaneamente romântica e entediada, mesmo porque o leitor, por acompanhar a narrativa desde o foco de Bento Santiago, não tem acesso à interioridade de Capitu. Esse é, pois, o segundo elemento inovador proposto por Machado de Assis: a perspectiva é dada pelo marido traído, que, porém, nunca domina inteiramente a situação. Assim como não consegue conduzir sua vida de modo independente, permitindo que outros resolvam seus problemas, ele não tem sucesso ao tentar controlar a narração, razão porque o leitor não fica plenamente convencido do adultério de Capitu. O narrador não é, pois, inteiramente confiável, já que Machado de Assis semeia ao longo do texto uma série de dúvidas e incertezas, que minam a convicção que Bento Santiago procura transmitir. O romance acaba por abalar as certezas que se poderia ter em relação a seu assunto, já que o juízo relativamente à infidelidade conjugal de Capitu fica em suspenso. Por essa atitude, pode-se medir a coragem de Machado de Assis ao tratar a questão; afinal, seus precursores, entre os quais os renomados Gustave Flaubert e Eça de Queirós, não titubearam ao condenar as esposas pérfidas, pois essas prevaricam aos olhos do leitor. Além disso, a sociedade brasileira da época de Machado de Assis era fortemente machista, e a mera suspeita de adultério era motivo suficiente para um marido condenar a esposa. Evidencia-se o modo como o escritor brasileiro aceita compor um romance na contracorrente das ideologias vigentes e das tendências literárias dominantes. Ao romper com os paradigmas literários e sociais relativos ao adultério e à condição da mulher na sociedade brasileira, ele produz uma obra revolucionária que acabou por se converter em um clássico respeitado pela história da literatura brasileira.

Regina Zilberman. Recepção e leitura no horizonte da literatura.
In: Alea: Estudos Neolatinos. V. 10, N. 1, janeiro-junho 2008, p. 95 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, referente à leitura do texto precedente.


As expressões “em primeiro lugar” (primeiro período) e “o segundo elemento” (segundo período) contribuem para a progressão textual coerente em direção à ideia principal: “O narrador não é, pois, inteiramente confiável” (quarto período).

Alternativas
Q3146420 Português
        Retardei o passo. A tarde estava brilhante, mas o calor era o do inferno, os transeuntes a desfilarem pela fornalha com uma expressão de condenados, os rostos lustrosos, o olhar pesado. Um homem de terno branco esbarrou em mim. Caiu-lhe a pasta. Resmungou enquanto se inclinava para apanhá-la. A culpa fora minha e por isso pensei em voltar-me para pedir-lhe desculpas, mas prossegui preguiçosamente pela rua afora. Para que desculpas? Fazia calor e era cansativo ser amável num calor assim. A vontade queria o ócio. O corpo queria nudez. Voltei a cara para o céu ardente. Havia poucas nuvens, mas a tempestade já conspirava no ar. Melhor escolher um outro dia, não? Afinal, tio Samuel não me esperava mesmo, talvez fosse até aborrecê-lo com a minha presença, os loucos estranham às vezes a invasão nos seus mundos.

Lygia Fagundes Telles. Verão no Aquário. Rio de Janeiro:
Livraria José Olympio Editora, 1978, p. 100 (com adaptações).  

Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item subsecutivo.


No sexto período, a forma verbal “fora” poderia ser substituída, sem prejuízo do sentido e da correção gramatical do texto, por tinha sido.

Alternativas
Q3146404 Português
        No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal. Dentre esses círculos, foi sem dúvida o da família aquele que se exprimiu com mais força e desenvoltura em nossa sociedade. E um dos efeitos decisivos da supremacia incontestável, absorvente, do núcleo familiar — a esfera, por excelência, dos chamados “contatos primários”, dos laços de sangue e de coração — está em que as relações que se criam na vida doméstica sempre forneceram o modelo obrigatório de qualquer composição social entre nós. Isso ocorre mesmo onde as instituições democráticas, fundadas em princípios neutros e abstratos, pretendem assentar a sociedade em normas antiparticularistas.

Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil.
São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 146.

Em relação às propriedades linguísticas e semânticas do texto precedente, julgue o item seguinte.


No primeiro período do texto, o deslocamento do termo “excepcionalmente” para imediatamente antes do verbo “pode” não alteraria os sentidos do texto nem prejudicaria sua correção gramatical, desde que fosse empregada uma vírgula logo após aquele termo.

Alternativas
Q3146403 Português
        No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal. Dentre esses círculos, foi sem dúvida o da família aquele que se exprimiu com mais força e desenvoltura em nossa sociedade. E um dos efeitos decisivos da supremacia incontestável, absorvente, do núcleo familiar — a esfera, por excelência, dos chamados “contatos primários”, dos laços de sangue e de coração — está em que as relações que se criam na vida doméstica sempre forneceram o modelo obrigatório de qualquer composição social entre nós. Isso ocorre mesmo onde as instituições democráticas, fundadas em princípios neutros e abstratos, pretendem assentar a sociedade em normas antiparticularistas.

Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil.
São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 146.

Em relação às propriedades linguísticas e semânticas do texto precedente, julgue o item seguinte.


No último período do texto, o vocábulo “onde” indica o lugar ou contexto em que também ocorre “o modelo obrigatório” a que se refere o autor no período imediatamente anterior. 

Alternativas
Respostas
1421: B
1422: D
1423: C
1424: E
1425: C
1426: E
1427: C
1428: E
1429: C
1430: E
1431: C
1432: C
1433: E
1434: E
1435: E
1436: C
1437: C
1438: C
1439: E
1440: C