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Questões de Concurso Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

Foram encontradas 20.086 questões

Ano: 2018 Banca: IESES Órgão: CRM-SC Prova: IESES - 2018 - CRM-SC - Médico Fiscal |
Q1281150 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão sobre seu conteúdo.

A moça em prantos

    O poeta encontrou uma pedra no meio do caminho, nunca esqueceu dessa pedra, que lhe deu assunto para o seu poema mais conhecido. Não sendo poeta, encontrei não uma, mas infinitas pedras no meio do caminho, e não só no meio, mas no início e no fim de cada caminho. Não me renderam um único poema, nem mesmo uma modesta crônica.
    Mas jamais esqueci a primeira moça que vi chorando. Eu devia ter seis ou sete anos, achava que só as crianças podiam e deviam chorar, tinham motivos bastante para isso, desde as fraldas molhadas nos primeiros meses de existência até a inexpugnável barreira dos “não pode”, que emparedam a infância e criam neuras para o resto da vida.
    Um adulto chorando era incompreensível para mim, um acontecimento pasmoso, uma aberração da natureza, pois os adultos podiam tudo e tudo lhes é permitido. E a moça era um adulto, ao menos para mim, embora ela fosse realmente moça, aí pelos 15 anos ou pouco mais.
    E chorava. Não abrindo o berreiro como as crianças, mas dolorosamente, e na certa misturando motivos.
    Mesmo assim fiquei imaginando a causa do seu pranto. Faltara à escola e por isso ficara sem sobremesa? Fora proibida de brincar na calçada? Queria ganhar uma bicicleta e fora convencida a continuar com o insípido velocípede?
    Vi muita gente chorando depois, homens feitos, mulheres maduras. Eu mesmo, quando levo meus trancos, repito o menino que ia para debaixo da mesa de jantar para poder chorar sem passar recibo da minha dor. Hoje, ficaria feio esconder-me debaixo das mesas, mas sei que é um bom lugar para isso. Melhor do que a cama, onde devemos fazer outras coisas. A moça que chorava não se escondera, chorava de mansinho, na verdade nem parecia estar chorando. Devia apenas estar muito triste porque misturava todos os motivos para a sua tristeza.
(Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 04/05/2003) 
Assinale a alternativa que apresenta o mesmo significado que a palavra INEXPUGNÀVEL:
Alternativas
Q1281107 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão sobre seu conteúdo.

Se essa ainda é a situação de Portugal e era, até bem pouco, a do Brasil, havemos de convir em que no Brasil-colônia, essencialmente rural, com a ojeriza que lhe notaram os nossos historiadores pela vida das cidades - simples pontos de comércio ou de festividades religiosas -, estas não podiam exercer maior influência sobre a evolução da língua falada, que, sem nenhum controle normativo, por séculos “voou com as suas próprias asas”.
(Celso Cunha, in A Língua Portuguesa e a Realidade Brasileira)
Assinale a única alternativa cujo significado para a palavra OJERIZA está INCORRETO:
Alternativas
Q1278701 Português

Imagem associada para resolução da questão

Internet: <www.objetosanimados.com.br>.

Considerando a tirinha acima, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q1278691 Português

Texto para a questão. 

Internet: <www.udesc.br> 

Assinale a alternativa que apresenta a reescritura correta do trecho “O telefone da instituição deve ser usado apenas para assuntos de cunho profissional e não pessoal”, mantendo seu significado.
Alternativas
Q1278686 Português
Texto para a questão. 

    A  sociedade  tolera  cada  vez  menos  condutas  inadequadas  na  prestação  de  serviços.  Por  isso,  o  servidor  deve  buscar  conhecimento  para  seu  próprio  desenvolvimento,  contribuindo  de  forma  responsável  em  busca  de  atualização,  flexibilidade  para  mudar  hábitos  e  habilidade  para  lidar  com  usuários.  O  patrimônio  mais  importante para as organizações públicas é o relacionamento  com  o  cidadão‐usuário  e  a  credibilidade,  confiabilidade  e  transparência  junto  à  sociedade.  A  postura  ética  e  profissional é fator primordial na qualidade do atendimento,  seja ele presencial, por telefone ou virtual. 

Internet: <www;vitoria.es.gov>
Na frase “A postura ética e profissional é fator primordial na qualidade do atendimento”, a palavra “postura” está empregada com o sentido de
Alternativas
Q1278685 Português
Texto para a questão. 

    A  sociedade  tolera  cada  vez  menos  condutas  inadequadas  na  prestação  de  serviços.  Por  isso,  o  servidor  deve  buscar  conhecimento  para  seu  próprio  desenvolvimento,  contribuindo  de  forma  responsável  em  busca  de  atualização,  flexibilidade  para  mudar  hábitos  e  habilidade  para  lidar  com  usuários.  O  patrimônio  mais  importante para as organizações públicas é o relacionamento  com  o  cidadão‐usuário  e  a  credibilidade,  confiabilidade  e  transparência  junto  à  sociedade.  A  postura  ética  e  profissional é fator primordial na qualidade do atendimento,  seja ele presencial, por telefone ou virtual. 

Internet: <www;vitoria.es.gov>
No que se refere às palavras empregadas no texto, assinale a alternativa que apresenta a indicação do antônimo correto.
Alternativas
Q1276052 Português
A cidade acordou mais cedo.

Primeiro foram os fogos. E ainda não eram seis da manhã. Depois os tiros. Em seguida, os voos de helicóptero. Assim amanheceu a Rocinha neste sábado. Por esse motivo, na favela e nos bairros que a contornam, como um abraço dos aflitos, não se pode dizer que seja sábado, dia de descanso.

Os helicópteros vêm e vão nesse sobrevoo que parece meio sem sentido. A cidade não pode descansar há muito. É sempre guerra em algum ponto. Leio nos jornais de hoje que a Urca também tem guerra de facções. Urca costumava ser deixada de lado nessa insana conquista de territórios, porque sempre foi bairro dos militares e alguns poucos privilegiados civis que conseguiram uma casa no belo e aconchegante bairro. Fui lá outro dia, comi uma caldeirada de frutos do mar, iguaria sem competidor, e olhei o Rio depois da água. É bela a vista de lá, como de resto, a cidade por natureza e destino continua linda. E cada vez mais à deriva, no seu próprio mar de baía.

Hoje, com a confusão na Rocinha, a Zona Sul acordou mais cedo. Ou não, diria Caetano, um dos seus ilustres moradores. A Zona Sul pode ter se acostumado depois de tantos anos de conflito na área conturbada, ou pode ter escolhido abafar o ruído da realidade atrás dos fones de ouvido.

O Rio é como um belo navio onde navegamos todos juntos, não importa qual seja a classe social. Ou nos salvamos juntos ou afundaremos. Há quem creia que a embarcação já aderna cansada de guerra. Nas mazelas do Brasil, coube a esta cidade intensa e bela viver em seu corpo a geografia das desigualdades. Somos todos vizinhos. Chapéu Mangueira entra em ebulição e o Leme fica trancado em casa, sem ter como sair e viver a vida naquela ponta bonita do mar de Copacabana. A Rocinha em disputa afeta um arco de bairros. Do lado de cá a Gávea, do lado de lá São Conrado. Outro dia, o Fallet-Fogueteiro acordou encrencado e fecharam-se as portas do bonito casario colonial de Santa Teresa que, ademais, há muito vive cercado.

Por sermos todos vizinhos, pelo menos o Rio não pode repetir o alienado e perverso enredo do Titanic de trancar os pobres e tentar salvar a primeira classe. A cidade é partida sim, mas é como uma grande casa de quartos contíguos. A fortuna separa, contudo a tragédia é compartilhada. Os fogos, tiros e voos desta manhã provam que não haverá futuro para o Rio que não seja comum. Pensamentos terminais e aflitos para um sábado que seria de descanso, se possível fosse.

https://g1.globo.com - Miriam Leitão - junho/18
O termo destacado tem o mesmo significado da palavra entre parêntese, exceto em:
Alternativas
Q1276011 Português
Por que o criador do botão “curtir” do Facebook apagou as redes sociais do celular

    “A tecnologia só deve prender nossa atenção nos momentos em que nós queremos, conscientemente, prestar atenção nela. Em todos os outros casos, deve ficar fora do nosso caminho.” Quem afirma isso não é um dos críticos tradicionais das redes sociais ou um psicólogo preocupado com o vício em internet, mas justamente o executivo responsável pela criação do botão curtir nos primórdios do Facebook, ___ mais de dez anos.
    Depois de perceber que as notificações de aplicativos como o próprio Facebook, Instagram e Twitter ocupavam boa parte do seu dia, eram distrativas e o afastavam das relações na vida real, o matemático Justin Rosenstein decidiu apagar todas as redes sociais, aplicativos de e-mails e notícias de seu iPhone, em busca de mais “presença” no mundo off-line. “Percebi que frequentemente estava usando meu telefone como uma muleta, para filmar momentos em tempo real, ou que meu telefone vibrava e me tirava do momento enquanto eu tentava ter uma conexão emocional profunda com alguém”, conta. “(Temos que) permitir que pessoas não se comuniquem apenas on-line e compartilhem fotos de si mesmas, mas efetivamente se encontrem e tenham conexões profundas e verdadeiras pessoalmente”.
    A principal consequência inesperada, segundo o executivo, é o fato de as redes sociais hoje prenderem nossa atenção independentemente da nossa intenção - ou de nossa vontade. “Muitas vezes, nos vemos subindo e descendo telas no telefone, e 30 minutos depois sentimos que não foi um tempo bem gasto, sentimos que perdemos um pedaço do dia”, diz. “Eu acho que é muito importante dar atenção ___ isso e fazer essas escolhas sobre como eu quero passar meu dia.”
    Rosenstein afirma que há outros aplicativos em seu telefone, como Google Maps, ou aplicativos de meditação ou notas, que são ótimos para transformar seu telefone em algo mágico no seu bolso. “Se eu quiser fazer um carro vir até mim, posso fazer isso. Se quiser saber o caminho para um lugar, também posso. Esses aplicativos são muito úteis. Para os outros... bem, eu ainda uso redes sociais, mas ao esperar até voltar para o computador, sou capaz de moderar meu comportamento com mais facilidade e gastar 20 minutos por dia fazendo isso, em vez de algo que estou constantemente checando, mesmo inconscientemente”.

http://www.bbc.com/... - adaptado.
Considerando-se seu sentido no texto, as palavras “efetivamente” (segundo parágrafo) e “inconscientemente” (quarto parágrafo) poderiam ser respectivamente substituídas, sem alteração de sentido ou incorreção gramatical, por:
Alternativas
Q1275964 Português

Considere as afirmativas feitas sobre o seguinte fragmento do texto:


De direito, tudo lhes é permitido. Na prática, muito lhes é negado. Formalmente, tudo está ao alcance de todos. Concretamente, uns têm braços mais longos do que outros.


I. A expressão “braços mais longos”, metaforicamente, indica que o acesso (a bens e direitos) é mais fácil para alguns do que para outros.

II. As palavras “formalmente” e “concretamente” admitem, respectivamente, o sentido de “em princípio” e “na realidade”.

III. A oposição “permitido” e “negado” sugere que a população afrodescendente goza de direitos que não estão formalizados na legislação.


Quais encontram respaldo no texto?

Alternativas
Q1275851 Português
Defina o significado da palavra “gavinha”:
Alternativas
Q1275823 Português
No contexto da oração “Os boatos sobre as plantas suspeitas que brotaram no quintal do seu Juca espalharam-se muito rapidamente.”. Assinale a alternativa que apresenta uma palavra sinônima do termo grifado:
Alternativas
Q1275723 Português
Leia o texto abaixo para responder a questão.

Sair da caixa é emergencial

Quando permanecemos por longo tempo com os mesmos sistemas de vida, com as mesmas formas de analisarmos os fatos e não nos conscientizamos que esta “robotização” de hábitos nos impede de assimilar novas ideias, tornando-nos inábeis para perceber uma situação sob outros ângulos. Apegados a um determinado padrão de conduta, invariavelmente encontraremos dificuldades para solucionar impasses.

Assim, devemos refletir sobre nossas atitudes frente aos desafios: se temos ousadia, se agimos com espírito investigativo, se exercitamos a iniciativa e a criatividade, se percebemos possíveis limites em nosso desempenho, se assumimos uma postura mais contributiva para o alcance de resultados. Isto tudo significa ir além do convencional e descortinar atalhos para impasses. A rigor, significa pensar e agir fora da caixa.

A flexibilidade é a característica do milênio, uma atitude imperativa de predispor nossa mente para uma realidade de mudanças rápidas. Sendo assim, pratiquemos o pensar e o agir fora da caixa, no mínimo aumentamos substancialmente as chances de nos realizarmos pessoal e profissionalmente.

(Texto adaptado. Gerente de carreiras do IBMECRJ, O Estado de São Paulo, 11 Novembro 2012. Disponível em: http://economia.estadao.com. br/noticias/geral,sair-da-caixa-e-emergencialimp-,958774. Acessado em: 15/04/2018)
De forma resumida, a expressão “sair da caixa” significa:
Alternativas
Q1275558 Português

Pouco ou nada a fazer


      A palavra “empatia” têm história recente. Surgiu há pouco mais de um século, mas foi somente depois de 1940 que passou a ter conotação parecida com “simpatia” ou “compaixão”. O conceito, segundo Steven Pinker, no livro Os Anjos Bons da Nossa Natureza, assim se resume: “A benevolência para com os outros depende _____ fazermos de conta que somos eles, sentindo o que sentem, pondo-nos no lugar deles, assumindo seu ponto _____ vista ou enxergando o mundo com os seus olhos”. Pela segunda vez, com um intervalo de apenas um ano, imagens de crianças sírias desfalecidas espumando pela boca assustaram o mundo – e, naturalmente, levaram a compaixão, simpatia e empatia _____ o drama escancarado.

      Mais de setenta pessoas morreram e outras 500 apresentaram sintomas de intoxicação após um ataque químico na cidade de Douma, próximo a Damasco. A indignação se dirigiu contra o ditador sírio Bashar Assad, cujas forças cercavam o local. O presidente americano Donald Trump, que está reinventando o conceito de diplomacia em tempo real, tuitou ameaçando retaliar. Mas nem mesmo o homem mais poderoso do mundo pôde evitar uma repetição da tragédia. “Nós só podemos olhar as cenas e lamentar, porque não há muito que se possa fazer para influenciar a situação”, diz o cientista político Peter Feaver, que foi assessor de segurança estratégica da Casa Branca entre 2005 e 2007. No ano passado, fotos de menores agonizando na cidade de Khan Sheikoun levaram Trump a disparar 59 mísseis Tomahawk contra as pistas de onde os aviões sírios partiram para realizar o ataque químico. Mas a estrutura foi reconstruída, e Assad continuou recorrendo a esse tipo de arsenal.

https://veja.abril.com.br/... - adaptado

Assinalar a alternativa que apresenta um sinônimo de “escancarado” (primeiro parágrafo) segundo seu sentido no texto:
Alternativas
Q1275516 Português

Ande como alguém feliz para ser feliz


      Uma pesquisa recente afirma que, para se sentir feliz, basta caminhar como uma pessoa alegre. Durante um experimento, uma série de pessoas foi testada para saber se estufar o peito e balançar os braços realmente traz mais felicidade do que passos pesados e olhares cabisbaichos. No estudo, o grupo teve de caminhar durante 15 minutos em uma esteira enquanto alguns fatores eram analisados. Os participantes foram acompanhados por câmeras com sensores de movimento. Na frente da esteira, uma tela mostrava as ações de um medidor – que pendia à esquerda quando caminhavam “deprimidos” e à direita quando “felizes”.

      ___ medida que os minutos iam passando, a equipe de pesquisadores pedia para que as pessoas tentassem jogar o medidor para a esquerda ou para a direita. Só que antes de começarem o teste físico, os convidados tiveram que ler uma lista de palavras positivas e negativas. Depois da caminhada, os participantes tiveram que escrever as palavras que lembravam. O resultado mostrou que quem caminhava de maneira mais triste conseguiu lembrar mais palavras tristes; e aqueles que andaram felizes se lembraram de mais palavras positivas.

      Para os pesquisadores, essa lógica está alinhada ___ de outros trabalhos publicados sobre o tema. Segundo tais pesquisas, andar como um líder pode aumentar as chances de se tornar um; e segurar uma caneta com os lábios pode aumentar a vontade de sorrir. Então não custa nada andar mais “animado” por aí. Vai que contagia.

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/... - adaptado

A palavra “alinhada” (quarto parágrafo) poderia ser substituída sem alteração de sentido (admitindo-se possíveis ajustes) por:
Alternativas
Q1275308 Português

Como nasce uma história

Fernando Sabino

Quando cheguei ao edifício, tomei o elevador que serve do primeiro ao décimo quarto andar. Era pelo menos o que dizia a tabuleta no alto da porta.

— Sétimo — pedi.

Eu estava sendo aguardado no auditório, onde faria uma palestra. Eram as secretárias daquela companhia que celebravam o Dia da Secretária e que, desvanecedoramente para mim, haviam-me incluído entre as celebrações.

A porta se fechou e começamos a subir. Minha atenção se fixou num aviso que dizia:

É expressamente proibido os funcionários, no ato da subida, utilizarem os elevadores para descerem.


Desde o meu tempo de ginásio sei que se trata de problema complicado, este do infinitivo pessoal. Prevaleciam então duas regras mestras que deveriam ser rigorosamente obedecidas, quando se tratava do uso deste traiçoeiro tempo de verbo. O diabo é que as duas não se complementavam: ao contrário, em certos casos francamente se contradiziam. Uma afirmava que o sujeito, sendo o mesmo, impedia que o verbo se flexionasse. Da outra infelizmente já não me lembrava. Bastava a primeira para me assegurar de que, no caso, havia um clamoroso erro de concordância.

Mas não foi o emprego pouco castiço do infinito pessoal que me intrigou no tal aviso: foi estar ele concebido de maneira chocante aos delicados ouvidos de um escritor que se preza.

Ah, aquela cozinheira a que se refere García Márquez, que tinha redação própria! Quantas vezes clamei, como ele, por alguém que me pudesse valer nos momentos de aperto, qual seja o de redigir um telegrama de felicitações. Ou um simples aviso como este:

É expressamente proibido os funcionários…

Eu já começaria por tropeçar na regência, teria de consultar o dicionário de verbos e regimes: não seria aos funcionários? E nem chegaria a contestar a validade de uma proibição cujo aviso se localizava dentro do elevador e não do lado de fora: só seria lido pelos funcionários que já houvessem entrado e portanto incorrido na proibição de pretender descer quando o elevador estivesse subindo. Contestaria antes a maneira ambígua pela qual isto era expresso:

… no ato da subida, utilizarem os elevadores para descerem. 

Qualquer um, não sendo irremediavelmente burro, entenderia o que se pretende dizer neste aviso. Pois um tijolo de burrice me baixou na compreensão, fazendo com que eu ficasse revirando a frase na cabeça: descerem, no ato da subida? Que quer dizer isto? E buscava uma forma simples e correta de formular a proibição:

É proibido subir para depois descer.

É proibido subir no elevador com intenção de descer.

É proibido ficar no elevador com intenção de descer, quando ele estiver subindo.

Descer quando estiver subindo! Que coisa difícil, meu Deus. Quem quiser que experimente, para ver só. Tem de ser bem simples:

Se quiser descer, não tome o elevador que esteja subindo.

Mais simples ainda: 

Se quiser descer, só tome o elevador que estiver descendo.

De tanta simplicidade, atingi a síntese perfeita do que Nelson Rodrigues chamava de óbvio ululante, ou seja, a enunciação de algo que não quer dizer absolutamente nada: 

Se quiser descer, não suba.

Tinha de me reconhecer derrotado, o que era vergonhoso para um escritor. Foi quando me dei conta de que o elevador havia passado do sétimo andar, a que me destinava, já estávamos pelas alturas do décimo terceiro.


— Pedi o sétimo, o senhor não parou! — reclamei.

O ascensorista protestou:

— Fiquei parado um tempão, o senhor não desceu. Os outros passageiros riram:

— Ele parou sim. Você estava aí distraído.

— Falei três vezes, sétimo! sétimo! sétimo!, e o senhor nem se mexeu — reafirmou o ascensorista.

— Estava lendo isto aqui — respondi idiotamente, apontando o aviso. Ele abriu a porta do décimo quarto, os demais passageiros saíram.

passageiros saíram. — Convém o senhor sair também e descer noutro elevador. A não ser que queira ir até o último andar e na volta descer parando até o sétimo.

— Não é proibido descer no que está subindo? Ele riu:

— Então desce num que está descendo

— Este vai subir mais? — protestei: — Lá embaixo está escrito que este elevador vem só até o décimo quarto.

— Para subir. Para descer, sobe até o último.

— Para descer sobe?

Eu me sentia um completo mentecapto. Saltei ali mesmo, como ele sugeria. Seguindo seu conselho, pressionei o botão, passando a aguardar um elevador que estivesse descendo. Que tardou, e muito. Quando finalmente chegou, só reparei que era o mesmo pela cara do ascensorista, recebendo-me a rir:

— O senhor ainda está por aqui? E fomos descendo, com parada em andar por andar. Cheguei ao auditório com 15 minutos de atraso. Ao fim da palestra, as moças me fizeram perguntas, e uma delas quis saber como nascem as minhas histórias. Comecei a contar:

— Quando cheguei ao edifício, tomei o elevador que serve do primeiro ao décimo quarto andar. Era pelo menos o que dizia a tabuleta no alto da porta.

Texto extraído de: SABINO, Fernando. A Volta Por Cima. Editora Record: Rio de Janeiro, 1990, p. 137



No texto, a palavra "mentecapo" poderia ser substituída, sem prejuízo de significado, por:
Alternativas
Q1275294 Português
Despedida
Rubem Braga
E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval – uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito – depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado – sem glória nem humilhação. Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras – com flores e cantos. O inverno – te lembras – nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.
Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Extraído de: BRAGA, Rubem. A Traição das Elegantes. Editora Sabiá: Rio de Janeiro, 1967, p. 83. 
Considere o período "Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito." e assinale a alternativa que traz sinônimos que podem ser utilizados adequada e respectivamente para as palavras sublinhadas:
Alternativas
Q1275185 Português

Texto adaptado de: https://super.abril.com.br/ciencia/computador-preve-os-proximos-acusados-de-corrupcao-no-brasil/

Analise as seguintes propostas de substituição de palavras no texto: I. ‘descarta’ (l.03) por ‘considera’. II. ‘aplicados’ (l.23) por ‘empregados’. III. ‘preveja’ (l.25) por ‘anteveja’.
Quais acarretam mudanças semânticas nas frases em que estão inseridas?
Alternativas
Q1274406 Português

(Clarice Niskier – Revista da Cultura – Disponível em www.livrariacultura.com.br – adaptação)

Considere o vocábulo “desbravar” (l. 37) e analise as assertivas a seguir:


I. Trata-se de verbo transitivo direto pertencente a primeira conjugação.

II. Poderia ser substituído pelo verbo “explorar” sem que isso alterasse o sentido do texto, mas seriam necessárias alterações na frase para que se mantivesse correta a estrutura sintática do período.

III. É formado por derivação prefixal com a inserção do prefixo des-.


Quais estão corretas?

Alternativas
Q1274405 Português

(Clarice Niskier – Revista da Cultura – Disponível em www.livrariacultura.com.br – adaptação)

Assinale a alternativa que NÃO apresenta emprego de linguagem figurada.
Alternativas
Q1272903 Português

(Fonte: Renata Volmério – Revista da C+ultura – disponível em: https://www.livrariacultura.com.br/revistadacultura/reportagens/decisoes – adaptação)

Considere o vocábulo “intrínseco” (l. 22) e analise as assertivas a seguir:


( ) No contexto em que é empregado, o vocábulo refere-se àquilo que é parte da natureza de alguém, característico ou próprio.

( ) Tal palavra poderia ser substituída por “inerente”, desconsiderando alterações estruturais no período, sem prejuízo do significado.

( ) “Intrínseco” é um sinônimo perfeito de “inato”, pois as duas palavras possuem o prefixo –in em seu radical.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Alternativas
Respostas
9121: B
9122: A
9123: C
9124: C
9125: C
9126: C
9127: D
9128: C
9129: C
9130: C
9131: D
9132: A
9133: B
9134: A
9135: A
9136: A
9137: A
9138: A
9139: D
9140: B