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Questões de Concurso Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

Foram encontradas 20.087 questões

Q1057804 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Houve um tempo em que o jornalismo investigativo vivia de entrevistas confidenciais que pessoas bem informadas sobre algum assunto de interesse davam a repórteres em que confiavam, em troca de não terem sua identidade revelada.
    Eram tempos em que uma caneta, um bloquinho e uma agenda de telefones privilegiada constituíam todo o básico de investigação de qualquer jornalista. Um profissional sério desprezava até os gravadores de fita cassete, que, em geral, intimidavam os entrevistados. A palavra gravada precisava ser cuidadosamente medida e calculada. Em off, a conversa corria mais solta. Assim nasciam os grandes furos.
    Por óbvio, naquele tempo já havia pequenos aparelhos desenvolvidos pelas agências de espionagem internacionais que permitiam instalar dispositivos de gravação e filmagem disfarçados de abajures, canetas, óculos e até botões de roupa. Nada disso, porém, era de fácil acesso às pessoas comuns – o que só mudaria com o advento dos smartphones, a partir do final da década de 1990.
    A cumplicidade entre internet e dispositivos móveis de captação de som, imagem e informação, com a possibilidade de retransmissão instantânea do material captado, alterou de vez a relação entre o homem moderno e seu ambiente social. Começava, nesse momento, a grande derrocada da privacidade como a conhecemos um dia.
    A primeira rede social via internet nos moldes atuais, a Classmates, surgiu em 1995, nos Estados Unidos e Canadá. Era voltada para a troca de informações entre estudantes universitários. Desde então, as redes se multiplicaram e acabaram por se transformar nos principais polos de disseminação de informação do planeta. A maior rede disponível hoje, o Facebook, foi criada em 2004 por estudantes de Harvard e reúne mais de 2,2 bilhões de usuários, entre pessoas reais, perfis falsos e robôs.
    Por meio das redes, a indústria e o comércio sabem o que mais consumimos, presidentes são eleitos e derrubados, e os pecados que gostaríamos de ver escondidos são tornados públicos.
    O onipresente olho nos acompanha a cada passo que damos, reconhecendo-nos quando circulamos, pretensamente anônimos, em meio às multidões dos blocos carnavalescos.
(Luiza Pastor. Redes sociais destruíram ideia de privacidade, diz pesquisadora. www1.folha.uol.com.br, 28.06.2019. Adaptado) 
Considere a seguinte passagem do texto:
“A primeira rede social via internet nos moldes atuais, a Classmates, surgiu em 1995, nos Estados Unidos e Canadá. Era voltada para a troca de informações entre estudantes universitários. Desde então, as redes se multiplicaram e acabaram por se transformar nos principais polos de disseminação de informação do planeta.” (5o parágrafo)
Nesse trecho, o vocábulo que expressa sentido de meio é:
Alternativas
Q1057617 Português
Leia o texto para responder à questão.

Vão-livre do Masp vira casa para crianças e adultos.

    Deitado sobre um colchão, Hippierre Freitas, 34, estica o pescoço para ver as horas. Da sua cama improvisada no meio do vão-livre do Masp, ele avista um dos relógios eletrônicos da avenida Paulista e se situa no horário. “É meu relógio particular”, diz ele, enfiado debaixo de uma pilha de cobertores. O mesmo colchão serve de “habitação” para a vira-lata Maloqueira, a única distração capaz de mobilizar a atenção do grupo de dez meninos, que também têm como casa o espaço entre os famosos pilares vermelhos da construção de Lina Bo Bardi.
    Em comum, histórias de agressão, de desestruturação familiar, conflitos na comunidade onde vivem ou ameaças são o que mantém crianças e adultos longe de casa, de acordo com a Secretaria de Assistência Social.
    Viver nas ruas para fugir de conflitos familiares não é exclusividade das crianças. Há 13 anos vivendo nas calçadas da Paulista, Thiago Rodrigo Simões, 29, conta que tem casa e família no extremo da zona leste da capital, mas mantém a rotina de alternar duas semanas dormindo no chão do vão-livre do Masp com uma semana em que volta para casa “para tomar banho e trocar de roupa.” Eles aqui na rua são a minha família de verdade, me sinto mais confortável aqui do que na minha casa. Tenho um estilo aventureiro”, diz ele, que divide o colchão com Hippierre e a cachorra.
    Sobre a escolha do vão-livre para se instalar, Thiago cita a segurança como principal atrativo. “Aqui tem muitas câmeras. Se eu der alguma coisa na sua mão, os policiais ali já ficam ligados”, diz ele apontando uma base da Polícia Militar instalada no outro lado da avenida, em frente ao Parque Trianon.
    Enquanto isso, uma equipe do museu montava um palco a poucos metros do colchão para uma atração musical. “Agora vou ver um show de graça sem nem sair da minha cama”, diz Thiago. “O vão, como o próprio nome diz, é livre, e deve ser ocupado.”
(Folha de S. Paulo, 09.06.2019. Adaptado)
Na frase – Viver nas ruas para fugir de conflitos familiares não é exclusividade das crianças. – a palavra que substitui o termo em destaque, sem alteração de sentido, é:
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Q1057541 Português
Na passagem – Naquela manhã de sábado ele tomava seu gim-tônica no terraço, e a mulher um banho de sol, estirada de maiô à beira da piscina… –, o verbo tomar está implícito no trecho destacado: “a mulher [tomava] um banho de sol”.
Observando-se os dois contextos, é correto afirmar que esse verbo,
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Q1057534 Português
Leia o texto, para responder à questão.

Piscina

    Era uma esplêndida residência, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e tendo ao lado uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem.
    Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e magras, lata d’água na cabeça. De vez em quando surgia sobre a grade a carinha de uma criança, olhos grandes e atentos, espiando o jardim. Outras vezes eram as próprias mulheres que se detinham e ficavam olhando.
   Naquela manhã de sábado ele tomava seu gim-tônica no terraço, e a mulher um banho de sol, estirada de maiô à beira da piscina, quando perceberam que alguém os observava pelo portão entreaberto.
    Era um ser encardido, cujos molambos em forma de saia não bastavam para defini-la como mulher. Segurava uma lata na mão, e estava parada, à espreita, silenciosa como um bicho. Por um instante as duas mulheres se olharam, separadas pela piscina.
    De súbito pareceu à dona da casa que a estranha criatura se esgueirava, portão adentro, sem tirar dela os olhos. Ergueu-se um pouco, apoiando-se no cotovelo, e viu com terror que ela se aproximava lentamente: já transpusera o gramado, atingia a piscina, agachava-se junto à borda de azulejos, sempre a olhá-la, em desafio, e agora colhia água com a lata. Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabeça – e em pouco sumia-se pelo portão.
    Lá no terraço o marido, fascinado, viu toda a cena. Não durou mais de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra como os instantes tensos de silêncio e de paz que antecedem um combate.
    Não teve dúvida: na semana seguinte vendeu a casa.
(Fernando Sabino, A mulher do vizinho. Adaptado)
Os adjetivos esplêndida (1º parágrafo) e cautelosa (5º parágrafo) têm antônimos, respectivamente, em:
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Q1057296 Português
Feliz dia, pai!

    Meu pai não faz churrasco. Também não cozinha um ovo. Não é força de expressão, é real mesmo. Se ele tentar fazer torrada, é capaz de esquecer que tem que ligar a torradeira na tomada. É bem possível que nem o café com leite ele acerte, deve errar na proporção.
    Ele sempre foi o cara da estrutura, que faz as compras, prepara o ambiente para o pessoal chegar, coloca música. Em bebidas, meu pai é ótimo. Não tem quem faça caipira melhor do que ele, mesmo que seus carroschefes sejam o Campari e a gin tônica.
     Ele é a pessoa mais educada e sensível que eu conheço, se existe uma unanimidade nesse mundo, é o meu pai. Isso tudo torna qualquer ambiente em que ele esteja um lugar ainda mais agradável e inesquecível. Algumas das minhas memórias mais legais, relativas a grandes jantares e tudo mais, foram na minha casa, utilizando-se de toda essa cancha do velho. A imagem é sempre a mesma: ele atrás do bar, fazendo drinks para os convidados, enquanto observa como está o nível de bebida nos copos, de forma que jamais estejam vazios.
    Ou seja, ele virou pai sem deixar de ser o cara que sempre foi. E esse é um primeiro grande aprendizado.
    Lógico que hoje em dia o pique nem é mais o mesmo, a agenda de encontros é cada vez menor e o maior apetite atualmente é por receber todos os netos em casa. Muda o público, mas não o cacoete da hospitalidade. Chegando lá, a lareira está sempre acesa, os brinquedos das crianças à disposição, a mesa de jantar lindíssima e uma outra de centro na sala de estar com várias entradinhas para todos os gostos.
    Esse bastão já tá trocando de mão. É a minha hora de pôr em prática todos os ensinamentos e o exemplo para que, finalmente, ele possa relaxar e curtir como convidado, não mais como anfitrião.
    Agora, o maior aprendizado de toda essa relação é perceber que ser pai não é só cuidar diretamente, mas dar atenção aos detalhes que nós, os filhos, só vamos entender quando chegar a nossa vez.
Fonte: Diogo Carvalho. In: Jornal Zero Hora, Caderno Destemperados. 9/08/2019, página 2.
Com base nas informações do texto e nas relações existentes entre as partes que o compõem, assinale a alternativa que poderia substituir o termo em destaque no último período e manter o sentido original. “Agora, o maior aprendizado de toda essa relação é perceber que ser pai não é só cuidar diretamente, mas dar atenção aos detalhes que nós, os filhos, só vamos entender quando chegar a nossa vez”.
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Q1057126 Português
Quando uma pessoa nos conta alguma coisa e pede segredo é o mesmo que pedir:
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Q1056933 Português
Leia o texto para responder à questão.

Cientistas estudam forma de "curar" o envelhecimento

    Um dos mitos da Grécia Antiga, que remonta a 700 a.C., conta a história de amor de Eos, a deusa do amanhecer, e Titono, irmão mais velho do rei de Troia. Eos se apaixonou por Titono e pediu ao deus Zeus que concedesse a ele a imortalidade dos deuses. Mas se esqueceu de pedir eterna juventude. Titono viveu por anos a fio, definhando, esquecido pela própria Eos, que o trancou em um quarto escuro até que, finalmente, ele se transformou em uma cigarra.
    Alguns milênios depois, a longa busca da humanidade pela vida e juventude eternas ganha contornos científicos. O primeiro laboratório biomédico dos Estados Unidos dedicado inteiramente a pesquisar o envelhecimento foi criado em 1999 em São Francisco, a poucos quilômetros do Vale do Silício, com a missão de acabar com as doenças relacionadas à passagem do tempo.
    Mas é a Fundação SENS, criada em 2009 pelo cientista da computação inglês Aubrey de Grey, entre outros nomes, que desperta as maiores polêmicas na comunidade científica. Na visão de Grey, o envelhecimento deve ser tratado como um fenômeno simples, e nosso corpo visto como uma máquina ou uma engenhoca que pode ser consertada. “O motivo de termos carros que ainda rodam após cem anos é o fato de eliminarmos os estragos antes mesmo de as portas caírem. O mesmo vale para o corpo humano”, afirma o britânico.
    Para desenvolver seu modelo de pesquisa, Aubrey de Grey olhou para os principais processos que levam ao envelhecimento conhecidos hoje, como perda e degeneração das células. Para ele. basta tratá-los e pronto: nossos problemas de saúde que surgem com a idade acabariam. “Não haveria limite, assim como não há limite para os carros funcionarem. Morreríamos somente de causas que não têm a ver com quanto tempo atrás nascemos. Impactos de asteroides, acidentes etc.”, diz.
(Marília Marasciulo. Galileu. https://revistagalileu.globo.com , 30.07.2019. Adaptado)
Considere o emprego dos vocábulos destacados no seguinte trecho do texto:
Para desenvolver seu modelo de pesquisa, Aubrey de Grey olhou para os principais processos que levam ao envelhecimento conhecidos hoje, como perda e degeneração das células. Para ele, basta tratá-los e pronto: nossos problemas de saúde que surgem com a idade acabariam. (4o parágrafo)
Em suas duas ocorrências, o vocábulo em destaque pode ser substituído, com o sentido original preservado, respectivamente, por:
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Q1056914 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder à questão que a ele se refere.

Troque o modo "ocupado" por "produtivo" e dê resultados, em vez de desculpas 

Foto: D-Keine via Getty Images.

Disponível em: <https://epocanegocios.globo.com/colunas/Futuro-do-trabalho/noticia/2019/05/>. Acesso em: 16 abr. 2019.
Considere o trecho: “Uma das grandes fábulas da produtividade neste século é o busyness, primo ocupado do business (negócio), e que indica algo como ‘estar atarefado em excesso’”. (Linhas 1-2) A palavra “fábulas”, no trecho acima, tem como antônimo o termo
Alternativas
Q1056913 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder à questão que a ele se refere.

Troque o modo "ocupado" por "produtivo" e dê resultados, em vez de desculpas 

Foto: D-Keine via Getty Images.

Disponível em: <https://epocanegocios.globo.com/colunas/Futuro-do-trabalho/noticia/2019/05/>. Acesso em: 16 abr. 2019.
Considere o trecho: “Em nome do perfeccionismo, o ocupado procrastina e, constantemente, multitarefa, trabalhando em duas ou mais coisas concomitantemente.” (Linhas 25-26)
Tendo em vista o contexto em que foi empregada, a palavra “procrastina” significa
Alternativas
Q1056766 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões que a ele se referem.

A ECOLOGIA DA ORELHA



Fonte: SCHLÖGL, Emerli. A ecologia da orelha. Disponível em: <https://ipfer.com.br/gper/wp-content/uploads/sites/2/2018/02/ensino-religioso-5-ano.pdf>. Acesso em: 5 maio 2019. Adaptado.
Considerando o fragmento “[...] que deprecia e desanima o outro [...] (linha 13), assinale a alternativa que contém, respectivamente, palavras de sentido oposto às palavras nele destacadas.
Alternativas
Q1056762 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões que a ele se referem.

A ECOLOGIA DA ORELHA



Fonte: SCHLÖGL, Emerli. A ecologia da orelha. Disponível em: <https://ipfer.com.br/gper/wp-content/uploads/sites/2/2018/02/ensino-religioso-5-ano.pdf>. Acesso em: 5 maio 2019. Adaptado.
Conforme o texto, “ecologia da orelha” significa:
Alternativas
Q1056761 Português
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões que a ele se referem.

A ECOLOGIA DA ORELHA



Fonte: SCHLÖGL, Emerli. A ecologia da orelha. Disponível em: <https://ipfer.com.br/gper/wp-content/uploads/sites/2/2018/02/ensino-religioso-5-ano.pdf>. Acesso em: 5 maio 2019. Adaptado.
Das alternativas a seguir, qual a que define a palavra “relva” (linha 8), conforme empregada no texto?
Alternativas
Q1055260 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão.


Acumulada em R$ 275 mi,

Mega-Sena regular chega a patamar da Mega da Virada




https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/05/09/estimada-em-r-275-mi-mega-sena-regular-chega-a-patamar-da-mega-da-virada.htm
Acessado em 15/05/2019
Em A última vez que alguém cravou as seis dezenas foi no concurso 2.135, em 20 de março, quando uma aposta única de Salvador (BA) levou R$ 32,7 milhões (linhas 7 a 9), o termo cravou é sinônimo de
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Q1054752 Português

Texto: Tempo de lembrar, tempo de esquecer

        No começo era só uma fratura resultante de uma queda de bicicleta. Mas ao contrário do que os médicos esperavam, e ao contrário do que suas boas condições de saúde faziam supor – aos vinte e três anos era forte, robusto, não tinha doença alguma –, a situação foi se complicando, e lá pelas tantas ele precisou baixar no hospital para uma cirurgia. O que foi feito através do SUS; ajudante de pedreiro, ele não tinha condições para se internar de outra maneira.

         O hospital ficava num bairro da periferia. Era pequeno, mas razoavelmente aparelhado. Colocaram-no num quarto, junto com outros cinco pacientes, todos idosos. O paciente da cama ao lado da sua estava em coma – e, pelo jeito, há muito tempo. Ele ficou olhando para o homem. Que, por alguma razão, o perturbava. Quem identificou a causa de sua perturbação foi a atendente que estava de plantão naquela noite. Você é parecidíssimo com este velho, comentou ela. A expressão “este velho” não era depreciativa; como a própria atendente explicou, ninguém sabia quem era o homem. Ele tinha sido abandonado na porta do hospital anos antes. Não sabia dizer quem era, de onde viera; “Desconhecido número 31” era a identidade que figurava no prontuário. Por causa de suas precárias condições, fora ficando, e agora estava em fase terminal.

         A história impressionou profundamente o rapaz. Sobretudo por causa de uma lembrança que, desde criança, o intrigava. Ele sabia que tinha um avô vivo (o outro avô, e as avós, haviam falecido). Mas nunca vira esse homem, não sabia nem que jeito tinha. Cada vez que perguntava aos pais, eles desconversavam. Lá pelas tantas fora morar sozinho; os contatos com a família agora eram esporádicos, e o misterioso paradeiro do avô já não era assunto das conversas.

         E se aquele homem fosse seu avô? Não era impossível. Os pais, pobres, mal conseguiam sustentar os filhos; arcar com a responsabilidade de cuidar do velho teria sido para eles carga pesada.

        Com auxílio das muletas, aproximou-se da cama do ancião. “Vovô”, murmurou baixinho, e deu-se conta de que pela primeira vez estava usando aquela palavra. Esperou uns minutos, chamou de novo: “Vovô”. Teve a impressão de que o homem havia se mexido, de que um tênue sorriso se esboçara em seu rosto. Ia tentar mais uma vez, mas neste momento a atendente entrou, dizendo que estava na hora de dormir. Ele voltou para a cama. No dia seguinte os pais viriam visitá-lo e o mistério se esclareceria. O que fariam se tal acontecesse? Para isso, ele tinha uma resposta: se ofereceria para cuidar do recém-achado avô. Coisa difícil, mas daria um jeito. E, pensando nisso, adormeceu.

        Quando acordou eram sete da manhã. A cama do lado estava vazia. O velho morreu, disse outro paciente, já levaram o corpo. Pouco depois chegaram os pais. Traziam laranjas, traziam até uma barrinha de chocolate. Expressaram a certeza de que, naquele hospital, o filho iria melhorar.

         O rapaz não disse nada. Não havia o que dizer. Como diz o Eclesiastes, há um tempo para lembrar, e um tempo para esquecer. Durante muito tempo ele lembrara o avô. Agora chegara o tempo de esquecer.

Moacyr Scliar

Histórias que os jornais não contam - crônicas. Rio de Janeiro: Agir, 200

“Traziam laranjas, traziam até uma barrinha de chocolate” (6º. Parágrafo). Na frase, uma gradação é percebida pela palavra sublinhada. Esse uso expressa a ideia de:
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Ano: 2019 Banca: IADES Órgão: CRF-RO Prova: IADES - 2019 - CRF-RO - Contador |
Q1054700 Português
Texto 2 para responder à questão.

O envelhecimento e o farmacêutico


BRANDÃO, Aloísio. Disponível em: <http://www.cff.org.br>.
Acesso em: 6 jul. 2019, com adaptações.
Nos trechos “O fortalecimento da atenção primária, com foco na prevenção de doenças crônicas” (linhas 16 e 17) e “o difícil problema da limitação de recursos para o setor no qual pesa a demanda de medicamentos” (linhas de 19 a 21), os vocábulos sublinhados significam, respectivamente,
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Q1054520 Português
LEIA O TEXTO 02 PARA RESPONDER À QUESTÃO.

TEXTO 02

Rodrigo Ratier: Vamos repensar a noção de bom aluno?

Quando reforçamos apenas a disciplina e a obediência, estamos sufocando a atitude crítica que queremos obter

    Eles estão sempre lá, atentos ao que você diz, prontos para responder o que você pergunta. Mãos levantadas, se voluntariam para ir à lousa resolver exercícios. Com indisfarçável orgulho, quase nunca erram na interpretação de texto. É verdade que monopolizam a participação, irritando - às vezes, acomodando - o restante da classe. Mas, quando cedemos a palavra à turma, ela costuma ser exclusividade desse grupo que nos acostumamos a classificar como “os bons alunos”.
    É confortável ter esse tipo de estudante em sala. Eles não reclamam, não dão trabalho, concordam com o que você faz e só querem agradar. Mas autores clássicos da Educação têm uma opinião diferente sobre essa turma. Para o sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002), não se trata de bons alunos, mas de alunos dóceis. Bourdieu entende a docilidade como negativa, algo como uma disciplina submissa. Alunos dóceis são assim chamados porque aprenderam a desempenhar o papel que os docentes e a escola esperam deles: ordeiros, comportados e estudiosos. Como essas geralmente são as características mais valorizadas pelos professores, esses estudantes acabam recompensados com boas notas. O que não quer dizer que tenham sido bem formados...
    “A verdadeira Educação cria cidadãos indóceis e difíceis de governar.” Por anos, tive essa frase do filósofo francês Nicolas de Condorcet (1743-1794) colada na borda do meu monitor. Queria algo que me lembrasse desse papel disruptivo da Educação. Era um recado para o Rodrigo professor, mas também para o Rodrigo estudante. Por muito tempo fui um aluno dócil, certinho e querido pelos professores. Acho que me desenvolvi muito mais quando consegui me tornar mais questionador. É uma conquista agridoce, incômoda. Na escola e no trabalho, arranjei uma dose maior de confusão. Mas, com o tempo, creio que me tornei mais útil - necessário, no melhor dos casos - aos grupos em que atuava.
    Trata-se, também, de uma busca por uma prática mais coerente com o discurso. Valorizamos os “estudantes críticos”, mas o que é a crítica senão o questionamento, a não aceitação de ordens e argumentos sem justificativas e evidências? Ocorre que, muitas vezes, repreendemos o impulso questionador dos alunos, identificando neles “rebeldia” ou “desrespeito”. De fato, muitas vezes as falas de crianças e jovens são agressivas, mas penso que nossa tarefa é ajudá-los a encontrar o tom da divergência positiva em vez de simplesmente falar “não é assim, seja obediente que você vai se dar bem” - isso é exatamente o que estamos dizendo ao reforçar apenas os comportamentos dóceis. No fundo, é uma discussão sobre o tipo de sociedade que queremos para o futuro. Há quem defenda que o mundo será um lugar melhor com mais pessoas dizendo “sim, senhor”. Eu prefiro um planeta em que as palavras de ordem sejam “peraí... por quê?”. E você?

Rodrigo Ratier é repórter especial de NOVA ESCOLA e doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) Disponível em: <https://novaescola.org.br/conteudo/12168/vamos-repensar-a-nocao-de-bom-aluno>. Acesso em 25 mai.2019.
No texto o autor faz uso de algumas palavras que designam o que um aluno dócil deve ser: ORDEIROS, COMPORTADOS E ESTUDIOSOS. Tais palavras pertencem ao mesmo campo semântico que:
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Q1053838 Português
Na frase do texto “...como tudo na vida, o café deve ser consumido com moderação”, a expressão destacada pode ser substituída, sem problemas de alteração no sentido, por
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Q1053795 Português
Leia o texto para responder à questão.
TEXTO 2
Malfadada tecnologia
    Sob o comando de Lúcifer, a tela conseguiu hipnotizar multidões de mulheres, homens, crianças mantidos on line. Antes, podíamos alegar não ter visto a mensagem enviada, por estarmos longe do computador. A tela jogou por terra essa possibilidade. Não satisfeito, criou o WhatsApp. Cinco minutos depois de enviar um email, o inimigo manda um WhatsApp para cobrar a resposta. Desafetos mais ansiosos executam as duas operações simultaneamente. (Drauzio Varella, Folha de S.Paulo. 28.10.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há palavras com sentido figurado.
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Q1053727 Português
Leia o texto para responder à questão.

Por que temos filhos?

    A pergunta do título comporta vários níveis de resposta. No plano biológico, a reprodução é um imperativo, fazendo parte de várias das definições de vida. Mas a biologia é só parte da história. A paternidade também encerra dimensões culturais, econômicas e emocionais.
    Inspirado em “Anti-Pluralism”, de William Galston, arrisco algumas reflexões sobre a matéria.
    Até o começo do século 19, filhos eram um ativo econômico. Ajudavam desde cedo com o trabalho doméstico, colaborando para o bem-estar da família, e ainda faziam as vezes de plano de aposentadoria para os pais.
    Hoje, contudo, crianças ficaram caras. E, para piorar, elas demoram muito até começar a trazer contribuições econômicas. Como observa Galston, no espaço de dois séculos, a criação de filhos deixou de ser um bem privado para tornar-se um bem público.
    Embora a paternidade possa trazer recompensas emocionais, do ponto de vista estritamente econômico, ela favorece a sociedade como um todo, enquanto a maior parte dos custos recai sobre os genitores.
    E por que crianças beneficiam a sociedade? A crer na análise de economistas como Julian Simon, riqueza são pessoas. Quanto mais gente, melhor, já que são indivíduos que têm ideias (além de consumir produtos) e são as novas ideias que vêm assegurando o brutal aumento de produtividade a que assistimos nos últimos 200 anos.
    E isso nos coloca diante de um dos grandes dilemas dos tempos modernos. Para assegurar a sustentabilidade da exploração dos recursos naturais do planeta, precisaríamos estabilizar ou até reduzir a população. Só que fazê-lo é uma espécie de suicídio econômico, já que ficaria muito difícil manter taxas positivas de crescimento, sem as quais instituições como previdência e até democracia representativa podem entrar em colapso.
(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo. 18.11.2018. Adaptado)
Considere as frases:
•  No plano biológico, a reprodução é um imperativo... •  A paternidade também encerra dimensões culturais... •  ... do ponto de vista estritamente econômico...
As expressões destacadas nas frases têm como sinônimos adequados ao contexto
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Q1053631 Português
Leia o texto para responder à questão.

Por que temos filhos?

    A pergunta do título comporta vários níveis de resposta. No plano biológico, a reprodução é um imperativo, fazendo parte de várias das definições de vida. Mas a biologia é só parte da história. A paternidade também encerra dimensões culturais, econômicas e emocionais.
    Inspirado em “Anti-Pluralism”, de William Galston, arrisco algumas reflexões sobre a matéria.
    Até o começo do século 19, filhos eram um ativo econômico. Ajudavam desde cedo com o trabalho doméstico, colaborando para o bem-estar da família, e ainda faziam as vezes de plano de aposentadoria para os pais.
    Hoje, contudo, crianças ficaram caras. E, para piorar, elas demoram muito até começar a trazer contribuições econômicas. Como observa Galston, no espaço de dois séculos, a criação de filhos deixou de ser um bem privado para tornar- -se um bem público.
    Embora a paternidade possa trazer recompensas emocionais, do ponto de vista estritamente econômico, ela favorece a sociedade como um todo, enquanto a maior parte dos custos recai sobre os genitores.
    E por que crianças beneficiam a sociedade? A crer na análise de economistas como Julian Simon, riqueza são pessoas. Quanto mais gente, melhor, já que são indivíduos que têm ideias (além de consumir produtos) e são as novas ideias que vêm assegurando o brutal aumento de produtividade a que assistimos nos últimos 200 anos.
    E isso nos coloca diante de um dos grandes dilemas dos tempos modernos. Para assegurar a sustentabilidade da exploração dos recursos naturais do planeta, precisaríamos estabilizar ou até reduzir a população. Só que fazê-lo é uma espécie de suicídio econômico, já que ficaria muito difícil manter taxas positivas de crescimento, sem as quais instituições como previdência e até democracia representativa podem entrar em colapso.
(Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo. 18.11.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em cuja redação há emprego de palavra ou expressão em sentido figurado.
Alternativas
Respostas
8421: C
8422: C
8423: E
8424: B
8425: E
8426: C
8427: A
8428: E
8429: A
8430: E
8431: D
8432: A
8433: B
8434: A
8435: C
8436: A
8437: B
8438: B
8439: A
8440: E