Questões de Concurso
Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português
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“...racismo é, portanto, uma forma de preconceito cruel que ainda atinge uma grande parcela da população mundial.”
O calçado certo
Vinícius Possebon

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saude/ - adaptação)
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No sentido da praia, os motoristas encontravam MOROSIDADE em todo o caminho.
Sem acarretar prejuízo a frase, a palavra destacada pode ser substituída por, exceto:
Leia o texto, para responder à questão.
O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: cinco horas de suplício, uma crucificação. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me aterraram. Abandonei os cadernos, não deixei que as moscas me comessem.
Assim, aos nove anos, ainda não sabia ler.
Ora, uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da cama. Novidade: meu velho nunca se dirigia a mim. E eu, engolido o café, beijava-lhe a mão, porque isso era praxe, mergulhava na rede e adormecia. Então, espantado, entrei no quarto, peguei com repugnância o antipático objeto e voltei à sala. Aí recebi ordem para me sentar e abrir o volume.
Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. No meio do capítulo meu pai pôs-se a conversar comigo, perguntou-me se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava de uma história, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Alinhei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito.
Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos, o lenhador e outros personagens da história agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. À noite meu pai pediu novamente o volume, e a cena da véspera se reproduziu: leitura emperrada, mal-entendidos, explicações. Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso. E, no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo.
Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais para mim e não podiam durar.
(Graciliano Ramos. Infância. 5. ed. São Paulo:
Livraria Martins Editora, 1961. Excerto adaptado)
Leia o texto, para responder à questão.
O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: cinco horas de suplício, uma crucificação. Não há prisão pior que uma escola primária do interior. A imobilidade e a insensibilidade me aterraram. Abandonei os cadernos, não deixei que as moscas me comessem.
Assim, aos nove anos, ainda não sabia ler.
Ora, uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da cama. Novidade: meu velho nunca se dirigia a mim. E eu, engolido o café, beijava-lhe a mão, porque isso era praxe, mergulhava na rede e adormecia. Então, espantado, entrei no quarto, peguei com repugnância o antipático objeto e voltei à sala. Aí recebi ordem para me sentar e abrir o volume.
Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. No meio do capítulo meu pai pôs-se a conversar comigo, perguntou-me se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava de uma história, exigiu atenção e resumiu a parte já lida. Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Alinhei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se, ressurgia, vacilante, nas trevas do meu espírito.
Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos, o lenhador e outros personagens da história agitaram-me o sono. Dormi com eles, acordei com eles. À noite meu pai pediu novamente o volume, e a cena da véspera se reproduziu: leitura emperrada, mal-entendidos, explicações. Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso. E, no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo.
Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais para mim e não podiam durar.
(Graciliano Ramos. Infância. 5. ed. São Paulo:
Livraria Martins Editora, 1961. Excerto adaptado)
Considere as seguintes frases do texto:
• A imobilidade e a insensibilidade me aterraram.
• Principiei. Mastigando as palavras, gaguejando…
• Alinhei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa…
Os termos em destaque nas frases são empregados como sinônimos, respectivamente, de
A questão diz respeito ao Texto. Leia-o atentamente antes de respondê-la.

Fisioterapia cria projeto AME o Próximo
A iniciativa surgiu da vontade de ajudar ao próximo. Estudantes do curso de Fisioterapia da Universidade Regional de Blumenau (FURB), em parceria com a professora Fabiana Maciel Boos e com o apoio do coordenador do curso, professor José Francisco Albiero, criaram o projeto “AME o Próximo”, que tem como objetivo proporcionar a população conhecimento científico a respeito da doença Atrofia Muscular Espinhal, conhecida popularmente como AME.
A AME é uma doença genética rara, degenerativa e muitas vezes letal, que afeta a capacidade do paciente de caminhar, comer e, muitas vezes, respirar. A Fisioterapia, por sua vez, atua na prevenção e reabilitação da capacidade física e funcional das pessoas, aplicando técnicas e métodos em benefício do próximo. [...]
Disponível em: https://www.furb.br/web/1704/noticias/fisioterapia-cria-projeto-ame-o-proximo/8721. Acesso em: 25/jun/2021. [adaptado]
VOTO FEMININO
Em 1791, no marco da Revolução Francesa, que havia eclodido em 1789, a escritora Olympe de Gouges redigiu, como complemento à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã". Adversária de Robespierre, acabou na guilhotina. Em 1792, a escritora Mary Wollstonecraft publicou na Inglaterra o ensaio “Uma Defesa dos Direitos da Mulher”, considerado precursor do feminismo. No século XIX, os membros do Parlamento britânico e a própria rainha Vitória se opuseram aos projetos de leis que visavam à igualdade da mulher. Essa ideia só encontrou certo apoio no cartismo, movimento de reivindicação dos direitos da classe trabalhadora, e em alguns intelectuais liberais. Em 1903, foi formada no Reino Unido a WSPU – Women’s Social and Political Union (União Social e Política das Mulheres). Como forma de alcançar seus objetivos e para tentar exercer pressão em meios políticos e sociais, suas integrantes recorreram a diversos métodos, como marchas de protesto e greves de fome, mas foram brutalmente reprimidas. A Primeira Guerra Mundial pôs fim a esse movimento. No entanto, o conflito criou as condições para que as mulheres demonstrassem seu valor e energia à pátria, o que rendeu o reconhecimento de seus direitos eleitorais. Desse modo, no dia 6 de fevereiro de 1918, permitiu-se que as mulheres britânicas maiores de 30 anos pudessem votar. Em 1920, a idade foi reduzida para 21 anos. Também após a guerra, em 1919, a Alemanha, sob o governo da República de Weimar, consagrou o voto feminino. Na América, os primeiros países a reconhecer esse direito foram o Canadá (1918), com exceção da província de Quebec (1952), e os Estados Unidos (1920). Neste último país, já desde os primeiros anos da independência, lutava-se pela conquista desse direito. Destaca-se a figura de Margaret Brent, que, em 1647, de sua fazenda em Maryland, advogou por um lugar na legislatura. As mulheres puderam votar no Equador em 1929 e no Brasil e no Uruguai, em 1932. Na Guatemala, em 1945, estabeleceu-se para elas um voto restringido, excluindo as analfabetas, que também passaram a poder votar vinte anos depois. O voto feminino na Argentina passou a ser permitido em 1947, sob a gestão de Maria Eva Duarte de Perón, a cargo da Secretaria do Trabalho e Previdência, que solicitou sua inclusão, no cumprimento do acordado na Ata de Chapultepec. Nesse mesmo ano, foi implantado na Venezuela. Em 1949, foi a vez do Chile e da Costa Rica. No México, em 1935, foi formada a Frente Única Pró Direitos da Mulher; no entanto, o voto feminino só foi conquistado em 1953. Em 1961, foi a vez do Paraguai. Na Espanha, em 1931, a Constituição da Segunda República estabeleceu o direito de sufrágio para os maiores de 23 anos, contemplando a igualdade para ambos os sexos. E, surpreendentemente, as suíças só puderam votar pela primeira vez em 1971. (365 Dias que mudaram o mundo. São Paulo: Planeta, 2014, p.
Um navio "fantasma" apareceu na costa do Condado de Cork, na Irlanda, levado pelo mau tempo que atingiu a Europa em decorrência da tempestade Dennis. O barco, abandonado pela tripulação, foi encontrado em meio às rochas de uma vila de pescadores em Ballycotton por uma pessoa que passava pelo local. O navio parece ter ficado à deriva por mais de um ano, percorrendo milhares de quilômetros no Oceano Atlântico desde que foi abandonado no sudeste das Bermudas em 2018. "É uma chance em um milhão", disse John Tattan, gerente de operações da Royal National Lifeboat Institution (RNLI) de Ballycotton. Em entrevista ao jornal Irish Examiner, ele afirmou que "nunca havia visto nada desta forma em termos de abandono". Mas qual é a história por trás deste navio misterioso sem tripulação? Construído em 1976, o navio, de nome Alta, teve uma série de proprietários e nomes — mais recentemente, navegava com a bandeira da Tanzânia. Autoridades de vários países sabiam que a embarcação estava à deriva no oceano. Ela tinha sido vista pela última vez em setembro de 2019 por um navio da Marinha Real Britânica. A saga que levou a embarcação para a Irlanda começou em setembro de 2018, quando navegava da Grécia para o Haiti, ainda com tripulação a bordo. Mas problemas não identificados levaram a uma queda de energia na embarcação, e o Alta ficou à deriva em alto mar por 20 dias, a cerca de 2,1 mil quilômetros a sudeste das Bermudas, segundo a Guarda Costeira dos EUA, que estava ciente da situação. Como restavam apenas dois dias de comida a bordo para a tripulação, a autoridade marítima americana lançou comida e outros suprimentos de uma aeronave. Quando um furacão se aproximou, decidiram resgatar os 10 tripulantes do navio avariado e levá-los para Porto Rico.
(O mistério do navio fantasma que apareceu na costa da Irlanda após uma tempestade.) Trecho extraído do G1. 2020. Disponível em:< https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/02/18/omisterio-do-navio-fantasma-que-apareceu-na-costa-dairlanda-apos-uma-tempestade.ghtml
MORRE RICHARD WAGNER
Nascido no dia 22 de maio de 1813, em Leipzig, Wilhelm Richard Wagner foi uma das figuras mais representativas do Romantismo alemão. Exemplo de artista multifacetado, foi compositor, diretor de orquestra, poeta, ensaísta, dramaturgo e teórico musical. Em sua produção destacam-se as óperas, que ele denominou “dramas musicais”, para as quais assumiu, também, o livreto e a cenografia.
Para Wagner, ao contrário da ópera italiana, a música era o meio de chegar ao drama. Alcançou o sucesso como compositor com as óperas “Der fliegende Holländer” (O holandês voador, 1841) e “Tannhäuser (1844), que seguiam a tradição romântica de Weber e Meyerbeer. Em uma série de ensaios entre 1849 e 1852, desenvolveu sua ideia da “obra de arte total”, isto é, uma obra que sintetizasse todas as artes poéticas, visuais, musicais e cênicas, formando uma unidade dramática. Com ela, transformou o pensamento musical da época. Wagner plasmou sua teoria na primeira metade da sua monumental tetralogia “O anel do Nibelungo” (1848-1874).
Com o tempo, suas ideias sobre a relação entre a música e o teatro evoluíram, levando-o a reintroduzir algumas formas operísticas tradicionais nas obras da sua última etapa, como em “Os mestres cantores de Nuremberg” (1867).
As obras de Wagner, particularmente as de seu último período plenamente romântico, se destacam por sua textura contrapontística, riqueza cromática, harmonia, orquestração e um elaborado uso dos “leitmotivs” – temas musicais associados a caracteres específicos ou elementos dentro da trama –, dos quais foi o criador. Seu uso é especialmente notável em Lohengrin (1847). Wagner foi pioneiro em vários avanços da linguagem musical e teve clara influência no desenvolvimento da música clássica europeia. Sua ópera “Tristão e Isolda” (1859) foi considerada o ponto de partida da música contemporânea.
A influência de Wagner se estendeu à filosofia, à literatura, às artes visuais e ao teatro. Sob a proteção do rei Luis II da Baviera, construiu seu próprio teatro de ópera, o Bayreuth Festspielhaus, para encenar suas obras como ele as concebia, caracterizadas por suas percepções inovadoras. Ali, estrearam “Parsifal” (1877 - 1882) e a tetralogia do “Anel”. Atualmente, suas obras mais importantes continuam a ser representadas ali, em um festival anual. Escreveu muito sobre música, teatro e política – obras às vezes controversas, especialmente as que destilam conteúdo antissemita.
Wagner conquistou grande reconhecimento musical, apesar da sua personalidade veemente, de suas opiniões frequentemente provocadoras sobre música, política e sociedade, e de suas vivências turbulentas. Morreu em Veneza, no dia 13 de fevereiro de 1883, deixando uma profunda marca no desenvolvimento artístico da nossa época. (365 Dias que mudaram o mundo. São Paulo: Planeta, 2014, p. 98).
MORRE RICHARD WAGNER
Nascido no dia 22 de maio de 1813, em Leipzig, Wilhelm Richard Wagner foi uma das figuras mais representativas do Romantismo alemão. Exemplo de artista multifacetado, foi compositor, diretor de orquestra, poeta, ensaísta, dramaturgo e teórico musical. Em sua produção destacam-se as óperas, que ele denominou “dramas musicais”, para as quais assumiu, também, o livreto e a cenografia.
Para Wagner, ao contrário da ópera italiana, a música era o meio de chegar ao drama. Alcançou o sucesso como compositor com as óperas “Der fliegende Holländer” (O holandês voador, 1841) e “Tannhäuser (1844), que seguiam a tradição romântica de Weber e Meyerbeer. Em uma série de ensaios entre 1849 e 1852, desenvolveu sua ideia da “obra de arte total”, isto é, uma obra que sintetizasse todas as artes poéticas, visuais, musicais e cênicas, formando uma unidade dramática. Com ela, transformou o pensamento musical da época. Wagner plasmou sua teoria na primeira metade da sua monumental tetralogia “O anel do Nibelungo” (1848-1874).
Com o tempo, suas ideias sobre a relação entre a música e o teatro evoluíram, levando-o a reintroduzir algumas formas operísticas tradicionais nas obras da sua última etapa, como em “Os mestres cantores de Nuremberg” (1867).
As obras de Wagner, particularmente as de seu último período plenamente romântico, se destacam por sua textura contrapontística, riqueza cromática, harmonia, orquestração e um elaborado uso dos “leitmotivs” – temas musicais associados a caracteres específicos ou elementos dentro da trama –, dos quais foi o criador. Seu uso é especialmente notável em Lohengrin (1847). Wagner foi pioneiro em vários avanços da linguagem musical e teve clara influência no desenvolvimento da música clássica europeia. Sua ópera “Tristão e Isolda” (1859) foi considerada o ponto de partida da música contemporânea.
A influência de Wagner se estendeu à filosofia, à literatura, às artes visuais e ao teatro. Sob a proteção do rei Luis II da Baviera, construiu seu próprio teatro de ópera, o Bayreuth Festspielhaus, para encenar suas obras como ele as concebia, caracterizadas por suas percepções inovadoras. Ali, estrearam “Parsifal” (1877 - 1882) e a tetralogia do “Anel”. Atualmente, suas obras mais importantes continuam a ser representadas ali, em um festival anual. Escreveu muito sobre música, teatro e política – obras às vezes controversas, especialmente as que destilam conteúdo antissemita.
Wagner conquistou grande reconhecimento musical, apesar da sua personalidade veemente, de suas opiniões frequentemente provocadoras sobre música, política e sociedade, e de suas vivências turbulentas. Morreu em Veneza, no dia 13 de fevereiro de 1883, deixando uma profunda marca no desenvolvimento artístico da nossa época. (365 Dias que mudaram o mundo. São Paulo: Planeta, 2014, p. 98).
MORRE RICHARD WAGNER
Nascido no dia 22 de maio de 1813, em Leipzig, Wilhelm Richard Wagner foi uma das figuras mais representativas do Romantismo alemão. Exemplo de artista multifacetado, foi compositor, diretor de orquestra, poeta, ensaísta, dramaturgo e teórico musical. Em sua produção destacam-se as óperas, que ele denominou “dramas musicais”, para as quais assumiu, também, o livreto e a cenografia.
Para Wagner, ao contrário da ópera italiana, a música era o meio de chegar ao drama. Alcançou o sucesso como compositor com as óperas “Der fliegende Holländer” (O holandês voador, 1841) e “Tannhäuser (1844), que seguiam a tradição romântica de Weber e Meyerbeer. Em uma série de ensaios entre 1849 e 1852, desenvolveu sua ideia da “obra de arte total”, isto é, uma obra que sintetizasse todas as artes poéticas, visuais, musicais e cênicas, formando uma unidade dramática. Com ela, transformou o pensamento musical da época. Wagner plasmou sua teoria na primeira metade da sua monumental tetralogia “O anel do Nibelungo” (1848-1874).
Com o tempo, suas ideias sobre a relação entre a música e o teatro evoluíram, levando-o a reintroduzir algumas formas operísticas tradicionais nas obras da sua última etapa, como em “Os mestres cantores de Nuremberg” (1867).
As obras de Wagner, particularmente as de seu último período plenamente romântico, se destacam por sua textura contrapontística, riqueza cromática, harmonia, orquestração e um elaborado uso dos “leitmotivs” – temas musicais associados a caracteres específicos ou elementos dentro da trama –, dos quais foi o criador. Seu uso é especialmente notável em Lohengrin (1847). Wagner foi pioneiro em vários avanços da linguagem musical e teve clara influência no desenvolvimento da música clássica europeia. Sua ópera “Tristão e Isolda” (1859) foi considerada o ponto de partida da música contemporânea.
A influência de Wagner se estendeu à filosofia, à literatura, às artes visuais e ao teatro. Sob a proteção do rei Luis II da Baviera, construiu seu próprio teatro de ópera, o Bayreuth Festspielhaus, para encenar suas obras como ele as concebia, caracterizadas por suas percepções inovadoras. Ali, estrearam “Parsifal” (1877 - 1882) e a tetralogia do “Anel”. Atualmente, suas obras mais importantes continuam a ser representadas ali, em um festival anual. Escreveu muito sobre música, teatro e política – obras às vezes controversas, especialmente as que destilam conteúdo antissemita.
Wagner conquistou grande reconhecimento musical, apesar da sua personalidade veemente, de suas opiniões frequentemente provocadoras sobre música, política e sociedade, e de suas vivências turbulentas. Morreu em Veneza, no dia 13 de fevereiro de 1883, deixando uma profunda marca no desenvolvimento artístico da nossa época. (365 Dias que mudaram o mundo. São Paulo: Planeta, 2014, p. 98).