Questões de Concurso Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

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Q4381898 Português

Leia o texto abaixo para responder à questão.

O rato da cidade e o rato do campo



Um rato, que morava na cidade, foi convidado por outro, que morava no campo, o qual levou o rato da cidade até sua cova, onde comeram ambos, coisas do campo, ervas e raízes. Disse o rato da cidade ao outro:

— Por certo, compadre, tenho dó de ti, e da pobreza em que vives. Vem comigo morar na cidade, verás a riqueza e a fartura que experimentas.

Aceitou o rato do campo, e foram ambos para uma casa grande e rica, e dentro da despensa estavam comendo boas comidas e muitas, quando de súbito entrou o despenseiro, e dois gatos com ele. Os ratos fugiram. O de casa achou logo seu buraco, o de fora subiu pela parede, dizendo:

— Fiquem com sua fartura; que eu mais quero comer raízes no campo sem sobressaltos, onde não há gato, nem ratoeira.

É como se diz, “mais vale magro no mato, que gordo na boca do gato”.

https://escolakids.uol.com.br/portugues/contos-curtinhos.htm acesso em 26 de abril de 2026.

No trecho “Fiquem com sua fartura; que eu mais quero comer raízes no campo sem sobressaltos”, o adjetivo que substitui convenientemente a expressão “sem sobressaltos”, mantendo o sentido original do texto, é:
Alternativas
Q4381347 Português
Utilize o texto abaixo para responder a questão.


    A manufatura de lentes de óculos envolve etapas de corte, modelagem e polimento para garantir precisão e qualidade.

    Em algumas fábricas, há equipamentos modernos que realizam essas operações de forma automatizada.

    Após o polimento, as lentes são submetidas à aplicação de tratamentos que aumentam sua resistência.

    Em seguida, as lentes são avaliadas, e aquelas que atendem aos padrões são encaminhadas à montagem dos óculos.

    Ao final, os produtos são cuidadosamente verificados para que apresentem as características adequadas ao uso.
Considerando o sentido das palavras empregadas no texto, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4380207 Português

Leia o texto para responder à questão.



Desconectados


    Cerca de 18 milhões de brasileiros, ou 9,5% da população acima de 10 anos, não tinham acesso à internet em 2025, de acordo com o módulo de tecnologia da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE.


    É um contingente espantoso dado o papel central da internet no acesso a serviços públicos, financeiros e educacionais. Isso sem contar o fato de que há um amplo mercado de trabalho organizado em torno da integração digital, como o de motoristas de serviços de aplicativos e de entregas.


    Embora o preço seja um entrave ao acesso para 25,9% dos 4 milhões de domicílios brasileiros “desconectados”, a principal razão para a falta de conexão digital não é financeira. Em 36,5% dos domicílios sem acesso digital, nenhum morador sabia usar a internet, um verdadeiro descalabro.


    O analfabetismo digital custa caro ao Brasil, impedindo que o País saia da armadilha da baixa produtividade. A internet não é apenas uma ferramenta de trabalho cada vez mais relevante, mas um meio essencial para a redução de trâmites burocráticos, para agilizar a comunicação e para franquear acesso à educação e à saúde, entre outras finalidades.


    Durante o necessário período de isolamento social provocado pela pandemia de covid-19, por exemplo, foi a internet que permitiu interações humanas e de trabalho. Graças a ela, crianças não perderam o ano escolar por completo e empresas continuaram produzindo, o que impediu uma depressão econômica ainda maior do que a que se viu no período de 2020/2021.


    Por tudo isso, urge que o País trabalhe para democratizar ainda mais o acesso e para educar sua população a utilizar os meios digitais.


    Instrumento de desenvolvimento e inserção, o acesso à internet precisa não só ser acelerado, mas também dominado pela população brasileira, tão carente de oportunidades e cada vez mais na retaguarda de indicadores globais de educação e de competitividade.


(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 13.07.2026. Adaptado)

Considere as passagens:


• É um contingente espantoso dado o papel central da internet no acesso a serviços públicos, financeiros e educacionais. (2o parágrafo)


• Embora o preço seja um entrave ao acesso para 25,9% dos 4 milhões de domicílios brasileiros “desconectados”... (3o parágrafo)


• A internet não é apenas uma ferramenta de trabalho cada vez mais relevante, mas um meio essencial para a redução de trâmites burocráticos... (4o parágrafo)


No contexto em que estão empregados, os termos destacados significam, correta e respectivamente:

Alternativas
Q4380154 Português
No trecho “Na verdade, a solução não está no relógio”, a expressão destacada produz um efeito de sentido relacionado à argumentação desenvolvida no texto. Assinale a alternativa que indica a interpretação correta desse emprego. 
Alternativas
Q4380153 Português

Considerando o sentido das palavras no texto, analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa correta.



I. Em “Atividades antes prazerosas” (l. 23), o vocábulo “prazerosas” pode ser substituído por “agradáveis” sem alteração significativa de sentido.


II. Em “ansiedade frequente” (l. 38), o vocábulo “frequente” pode ser substituído por “intensa”, mantendo-se a ideia expressa no trecho.


III. Em “Isolado, não quer dizer nada” (l. 22), o vocábulo “isolado” pode ser substituído por “recorrente” sem alteração significativa de sentido. 

Alternativas
Q4379760 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

' El Niño de proporções gigantescas': o alerta da ONU para fenômeno que põe planeta em 'águas desconhecidas'.

O mundo entrou em uma "zona de perigo de eventos climáticos extremos" à medida que os efeitos do El Niño começam a ser sentidos globalmente, alertou António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da ONU, divulgou os dados mais recentes sobre o fenômeno natural indicando que este El Niño pode ser o mais forte em mais de 70 anos e durar pelo menos até fevereiro de 2027.
O El Niño altera os padrões climáticos em diferentes partes do mundo, provocando secas em algumas regiões e tufões mais intensos e enchentes em outras. São esperadas, por exemplo, chuvas acima da média em partes do leste da África, do sul do Brasil e do sul dos Estados Unidos, aumentando o risco de enchentes.
Meteorologistas também afirmam que o El Niño elevará as temperaturas em alguns lugares, somando-se ao aumento da temperatura global provocado pelas mudanças climáticas causadas pela atividade humana.
"O El Niño está ganhando proporções gigantescas diante dos nossos olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está entrando em águas desconhecidas, e essas águas estão ficando mais quentes", disse Guterres, da ONU.
A BBC conversou com governos e cientistas sobre as medidas adotadas em diferentes partes do mundo para reduzir o risco de mortes, deslocamentos de populações e danos ambientais. Sistemas de alerta precoce foram reforçados, assim como o envio preventivo de assistência médica, mas a intensidade deste episódio preocupa especialmente devido aos riscos para grupos mais vulneráveis.
A OMM, agência da ONU, afirmou ter realizado uma "grande mobilização" para fazer com que suas previsões sobre possíveis eventos climáticos extremos associados ao El Niño cheguem ao maior número possível de comunidades.
"O El Niño tem potencial para causar um enorme impacto em comunidades e economias de todo o mundo", alertou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
O El Niño é um fenômeno natural que se desenvolve no oceano Pacífico e está associado a uma mudança nos padrões dos ventos. Essa alteração permite que águas quentes avancem para leste e liberem calor na atmosfera.
A temperatura do mar nas regiões central e leste do Pacífico tropical subiu acentuadamente nos últimos meses — um sinal claro de que o El Niño está se intensificando.
Na principal região do Pacífico usada para acompanhar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar ficou mais de 2°C acima da média nas últimas semanas, nível que já colocaria este episódio na categoria de "muito forte".
E a expectativa é que ultrapasse até mesmo esse patamar. As previsões indicam que, na média mensal, a temperatura da superfície do mar pode chegar perto de 4°C acima da média.
Isso faria deste o El Niño mais forte desde pelo menos 1950 — e possivelmente com grande folga em relação aos anteriores.
Abaixo da superfície do Pacífico, as temperaturas são ainda mais excepcionais: em alguns locais, estão mais de 8°C acima da média.
Temperaturas do mar acima do normal também são esperadas em outras partes do mundo, entre elas o oceano Índico, o Atlântico tropical e regiões próximas à costa da Austrália.
Por causa da rica vida marinha da Austrália, as alterações na temperatura dos oceanos são motivo de especial preocupação no país.
Nos últimos anos, a Austrália tem sido atingida por ondas de calor marinhas, impulsionadas pelas mudanças climáticas.
O El Niño é um fenômeno natural, mas tende a provocar o tipo de calor extremo que também contribui para esses desastres, disse à BBC Alistair Hobday, pesquisador-chefe da agência científica da Austrália.
Neste ano, as previsões de ondas de calor marinhas indicam que a Grande Barreira de Corais será poupada das condições mais severas, dando aos corais mais tempo para se recuperar.
"[Mas] o sul da Austrália vem sofrendo impactos severos", disse Hobday.
Na última vez em que uma onda de calor marinha atingiu o sul da Austrália e a Tasmânia, pinguins ficaram sem alimento, houve mortandade de peixes, proliferação de algas que reduziu os níveis de oxigênio na água e aumento na presença de águas-vivas.
A Austrália adotou recentemente sistemas de alerta antecipado para eventos extremos no mar. Com isso, é possível, por exemplo, organizar apoio financeiro ao setor pesqueiro, transferir espécies essenciais para áreas mais seguras e reforçar o monitoramento dos corais.
Mas este episódio caminha para ser sem precedentes — e Hobday admite estar bastante preocupado.
STALLARD, Esme; POYNTING, Mark; DALE, Becky. 'El Niño de proporções gigantescas': o alerta da ONU para o fenômeno que põe planeta em 'águas desconhecidas'. BBC News Brasil, 3 set. 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm2q5nl0pg3o. Acesso em:17 set. 2026.
"A temperatura do mar nas regiões central e leste do Pacífico tropical subiu acentuadamente nos últimos meses — um sinal claro de que o El Niño está se intensificando."
Considerando o sentido assumido pela palavra 'intensificando' no contexto, assinale a alternativa que apresenta um termo que pode substituí-la sem prejuízo do sentido essencial.
Alternativas
Q4379658 Português

Leia o trecho da crônica “Minhas fila” a seguir para responder à questão.

A fila é um sofrimento. É mesmo? Depende de como você encara uma fila. Em primeiro lugar, você não pode levar a fila a sério. Existem filas e filas. Uma fila de banco, por exemplo, é completamente diferente de uma fila de padaria.

A pior fila, por consenso, é a fila do banco. Sim, você começa a sofrer com ela no dia anterior. Amanhã vou ter de ir ao banco. E você já dorme com aquela fila na cabeça. Sonha com ela. Ela vai até à rua. Ninguém está feliz na fila do banco, já notou? O sujeito que está ali está sofrendo. Já chega sofrendo. Ele sabe que vai sair dali um pouco mais pobre, no mínimo.

Mas o pior na fila do banco é que a gente, que está mais atrás, olha a quantidade de papelzinho que o da frente tem na mão e logo pensa: isso vai longe. E quando a menina do caixa pede licença e sai para obter uma orientação do gerente lá na outra sala? Todo mundo olha o relógio. E a inveja que a gente fica do segundo da fila? Dá vontade de matar o sujeito. E aquele que disfarça? Está só com um papelzinho na mão. Mas quando chega na vez dele, abre uma pasta. Uma pasta!

Mas toda fila tem seus encantos (basta saber curtir). Menos a fila da fome, esperando comida. Não dá para olhar para a foto (na primeira página dos jornais) daqueles brasileiros e fazer brincadeira. Aquela fila é uma coisa muito séria, gente.

(Mário Prata, Minhas tudo. Adaptado)

Considere as passagens a seguir:
•  E aquele que disfarça? Está só com um papelzinho na mão… (3º parágrafo)
•  Mas toda fila tem seus encantos (basta saber curtir).     Menos a fila da fome, esperando comida. (4º parágrafo)
Os termos destacados podem ser substituídos, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Q4379656 Português

Leia o trecho da crônica “Minhas fila” a seguir para responder à questão.

A fila é um sofrimento. É mesmo? Depende de como você encara uma fila. Em primeiro lugar, você não pode levar a fila a sério. Existem filas e filas. Uma fila de banco, por exemplo, é completamente diferente de uma fila de padaria.

A pior fila, por consenso, é a fila do banco. Sim, você começa a sofrer com ela no dia anterior. Amanhã vou ter de ir ao banco. E você já dorme com aquela fila na cabeça. Sonha com ela. Ela vai até à rua. Ninguém está feliz na fila do banco, já notou? O sujeito que está ali está sofrendo. Já chega sofrendo. Ele sabe que vai sair dali um pouco mais pobre, no mínimo.

Mas o pior na fila do banco é que a gente, que está mais atrás, olha a quantidade de papelzinho que o da frente tem na mão e logo pensa: isso vai longe. E quando a menina do caixa pede licença e sai para obter uma orientação do gerente lá na outra sala? Todo mundo olha o relógio. E a inveja que a gente fica do segundo da fila? Dá vontade de matar o sujeito. E aquele que disfarça? Está só com um papelzinho na mão. Mas quando chega na vez dele, abre uma pasta. Uma pasta!

Mas toda fila tem seus encantos (basta saber curtir). Menos a fila da fome, esperando comida. Não dá para olhar para a foto (na primeira página dos jornais) daqueles brasileiros e fazer brincadeira. Aquela fila é uma coisa muito séria, gente.

(Mário Prata, Minhas tudo. Adaptado)

Tal como empregada no contexto, a palavra “consenso” (2º parágrafo) tem sinônimo e antônimo, respectivamente, em:
Alternativas
Q4379571 Português
A infinita fiadeira


   A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.

  E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cacimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.

   Para a mãe-aranha aquilo não passava de mau senso. Para que tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.

   — Não faço teias por instinto.

   — Então, faz por quê?

   — Faço por arte.

   Benzia-se a mãe, rezava o pai. Mas nem com preces. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após concertação, a mandaram chamar. A mãe:

   — Minha filha, quando é que assentas as patas na parede?

   E o pai:

   — Já eu me vejo em palpos de mim…

   Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:

   — Estamos recebendo queixas do aranhal.

   — O que é que dizem, mãe?

   — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.

   Até que se decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. Não tendo nunca digerido um machito. E organizaram um amoroso encontro.

   — Vai ver que custa menos que engolir mosca – disse a mãe.

  E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?

   A aranhiça levou o namorado a visitar a sua coleção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria prova de seu amor.

   A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime.

  Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, apresentou-se no mundo dos humanos, logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?

   — Faço arte.

   — Arte?

  E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais velho, lembrou-se que houvera um tempo, em tempos de que já se perdera memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos – chamados de obras de arte – tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembrava bem de que tipos. Aranhas, ao que parece.


COUTO, Mia. A infinita fiadeira. In: COUTO, Mia. O fio das missangas: contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
“Os pais, após concertação, a mandaram chamar.”

No contexto do texto em evidência, o vocábulo “concertação” pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, por:
Alternativas
Q4379570 Português
A infinita fiadeira


   A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.

  E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cacimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.

   Para a mãe-aranha aquilo não passava de mau senso. Para que tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.

   — Não faço teias por instinto.

   — Então, faz por quê?

   — Faço por arte.

   Benzia-se a mãe, rezava o pai. Mas nem com preces. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após concertação, a mandaram chamar. A mãe:

   — Minha filha, quando é que assentas as patas na parede?

   E o pai:

   — Já eu me vejo em palpos de mim…

   Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:

   — Estamos recebendo queixas do aranhal.

   — O que é que dizem, mãe?

   — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.

   Até que se decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. Não tendo nunca digerido um machito. E organizaram um amoroso encontro.

   — Vai ver que custa menos que engolir mosca – disse a mãe.

  E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?

   A aranhiça levou o namorado a visitar a sua coleção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria prova de seu amor.

   A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime.

  Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, apresentou-se no mundo dos humanos, logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?

   — Faço arte.

   — Arte?

  E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais velho, lembrou-se que houvera um tempo, em tempos de que já se perdera memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos – chamados de obras de arte – tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembrava bem de que tipos. Aranhas, ao que parece.


COUTO, Mia. A infinita fiadeira. In: COUTO, Mia. O fio das missangas: contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
No trecho “— Vai ver que custa menos que engolir mosca – disse a mãe”, a expressão destacada exerce função de modalização discursiva, sendo corretamente classificada como um modalizador:
Alternativas
Q4379569 Português
A infinita fiadeira


   A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.

  E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cacimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.

   Para a mãe-aranha aquilo não passava de mau senso. Para que tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.

   — Não faço teias por instinto.

   — Então, faz por quê?

   — Faço por arte.

   Benzia-se a mãe, rezava o pai. Mas nem com preces. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após concertação, a mandaram chamar. A mãe:

   — Minha filha, quando é que assentas as patas na parede?

   E o pai:

   — Já eu me vejo em palpos de mim…

   Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:

   — Estamos recebendo queixas do aranhal.

   — O que é que dizem, mãe?

   — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.

   Até que se decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. Não tendo nunca digerido um machito. E organizaram um amoroso encontro.

   — Vai ver que custa menos que engolir mosca – disse a mãe.

  E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?

   A aranhiça levou o namorado a visitar a sua coleção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria prova de seu amor.

   A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime.

  Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, apresentou-se no mundo dos humanos, logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?

   — Faço arte.

   — Arte?

  E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais velho, lembrou-se que houvera um tempo, em tempos de que já se perdera memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos – chamados de obras de arte – tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembrava bem de que tipos. Aranhas, ao que parece.


COUTO, Mia. A infinita fiadeira. In: COUTO, Mia. O fio das missangas: contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
Acerca da palavra “senão”, no contexto discursivo a seguir, é correto afirmar que:

“A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade.”
Alternativas
Q4379467 Português


(Disponível em: cnnbrasil.com.br/comportamento/cultura/quando-jogar-videogame-deixa-de-ser-so-diversao/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 

No trecho “Na verdade, a solução não está no relógio”, a expressão destacada produz um efeito de sentido relacionado à argumentação desenvolvida no texto. Assinale a alternativa que indica a interpretação correta desse emprego. 
Alternativas
Q4379466 Português


(Disponível em: cnnbrasil.com.br/comportamento/cultura/quando-jogar-videogame-deixa-de-ser-so-diversao/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Considerando o sentido das palavras no texto, analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa correta.
I. Em “Atividades antes prazerosas” (l. 23), o vocábulo “prazerosas” pode ser substituído por “agradáveis” sem alteração significativa de sentido.
II. Em “ansiedade frequente” (l. 38), o vocábulo “frequente” pode ser substituído por “intensa”, mantendo-se a ideia expressa no trecho.
III. Em “Isolado, não quer dizer nada” (l. 22), o vocábulo “isolado” pode ser substituído por “recorrente” sem alteração significativa de sentido.
Alternativas
Q4378935 Português
    Todo aquele que adquiriu uma habilidade pouco comum sente prazer em exercitá-la até que a domine sem esforço ou que já não possa aperfeiçoá-la. Esta motivação para a atividade começa na primeira infância: o menino que sabe plantar bananeira acaba perdendo o gosto de andar com os pés. Muitos trabalhos proporcionam o mesmo prazer que os jogos de habilidade. O trabalho de um advogado ou de um político deve produzir um prazer similar ao que experimentamos ao jogar bridge, mas de uma forma mais agradável. Naturalmente, aqui não se trata apenas de um exercício de habilidade, mas de superação de um adversário hábil. Porém, ainda que não exista este elemento de competição, a execução de proezas difíceis nos é sempre agradável.
    O homem capaz de fazer acrobacias com um aeroplano experimenta um prazer tão grande que, por ele, está disposto a arriscar a vida. Imagino que um bom cirurgião, malgrado as dolorosas circunstâncias em que realiza seu trabalho, obtém satisfação da requintada precisão de suas operações. O mesmo tipo de prazer, embora de forma menos intensa, é obtido em muitos trabalhos de natureza mais humilde. Já ouvi falar até de homens que gostam do trabalho de abrir poços. Todo trabalho que exija habilidade pode causar prazer, desde que a habilidade requerida seja variável ou possa ser indefinidamente aperfeiçoada. Sem tais condições, o trabalho deixará de ser interessante quando a pessoa alcançar o grau máximo de habilidade. O atleta bem-sucedido em corridas de cinco mil metros rasos deixará de obter prazer com essa ocupação quando chegar a uma idade em que já não lhe for possível bater suas marcas anteriores.
    Felizmente, existem muitíssimos trabalhos em que as novas circunstâncias exigem novas habilidades — e uma pessoa pode continuar melhorando, pelo menos até alcançar a idade madura. Em alguns tipos de trabalhos qualificados, como a política, por exemplo, parece que a melhor idade do homem se acha entre os sessenta e os setenta anos; o motivo é que nessa classe de profissões é imprescindível ter uma grande experiência no trato com os demais. Por isso os políticos bem-sucedidos podem ser mais felizes aos setenta anos do que outros homens da mesma idade. Seus únicos concorrentes nesse aspecto são os que dirigem grandes negócios.

Bertrand Russell. A conquista da felicidade. 5. ed.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017 (com adaptações 
Mantendo-se os sentidos e a correção gramatical do texto, a palavra “malgrado” (segundo parágrafo) poderia ser substituída por
Alternativas
Q4378694 Português

TEXTO I

O HOMEM E A SERPENTE



    O filho de um camponês pisou, por acaso, na cauda de uma serpente, que se virou e o mordeu, de tal forma que o jovem veio a falecer.

    O pai, furioso, pegou seu machado e, perseguindo a serpente, cortou-lhe parte da cauda. Então, a cobra, como vingança, começou a picar o gado do agricultor, causando-lhe grandes prejuízos na fazenda.

    Assim, o Agricultor achou melhor tentar fazer as pazes com a Serpente e levou comida e mel à entrada da sua toca. Ao chegar lá, disse-lhe:

    - Vamos esquecer tudo e perdoar um ao outro? Talvez tenhas razão em castigar o meu filho e vingar-te do meu gado, mas certamente que eu tinha razão em tentar vingar-me dele. Agora que estamos ambos satisfeitos, por que não havemos de nos tornar amigos?

- Não! De modo algum – disse a Serpente, completando – leva os teus presentes. Tu nunca poderás esquecer a morte do teu filho, nem eu a perda da minha cauda. Fonte: ESOPO. Fábulas de Esopo. O homem e a serpente.



Fonte: 82 Fábulas de Esopo em prosa. O homem e a serpente. Fonte: 82 Fábulas de Esopo em prosa. (adaptado).(adaptado).

Assinale a alternativa que contenha diferentes nomes que representem o mesmo personagem na história lida no texto I:
Alternativas
Q4378587 Português
Na frase “É preciso usar a água com moderação, evitando desperdícios”, a palavra “moderação” significa:
Alternativas
Q4378585 Português
Em “Ao fim de um período de quatro anos, essas horas excedentes são unidas para virar um dia adicional.” (1º parágrafo), a palavra “adicional” poderia ser substituída, nesse contexto, por: 
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Q4378061 Português
Por que Nordeste é a região do Brasil com mais risco de terremoto


    Há um certo alívio no Brasil com a ideia de que o país está protegido de terremotos, por estar localizado no centro de uma placa tectônica, quando estes fenômenos acontecem com mais frequência em áreas de encontros de placas.

    Mas há uma região brasileira mais propensa aos abalos sísmicos do que as demais: o Nordeste. Isso acontece devido a uma particularidade da crosta terrestre sob boa parte dos Estados nordestinos.

    Para explicar por que a espessura da crosta é mais fina na chamada Província Borborema, nome do bloco rochoso que forma parte significativa do Nordeste brasileiro, especialistas se valem de uma metáfora: é como um queijo derretido que, puxado, vai ficando mais fininho, mais ralo no meio.

    Sob o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, a crosta terrestre tem de 30 a 35 quilômetros de espessura — em alguns pontos, até menos do que isso. É mais fina do que a média mundial, que passa dos 40 quilômetros, chegando a 70 quilômetros na região do Himalaia. Na região dos oceanos, são cerca de 10 quilômetros.

    Acredita-se que isso tenha origem no período Cretáceo, entre 136 milhões e 65 milhões de anos atrás. Como os blocos que formam os continentes estão em movimento sobre o manto (camada da Terra localizada entre a crosta e o núcleo), o que conhecemos hoje como a África e a América do Sul se separaram naquela época.

    Exatamente nessa região onde hoje está o Nordeste, a crosta teria se esticado um pouco mais do que o restante, em um processo de acomodação das placas.

    O resultado foi esse adelgaçamento atípico. "É o chamado efeito de estiramento", explica o engenheiro de estruturas Marcelo Bianco, professor na Universidade de São Paulo (USP) — ele chegou a estudar a crosta da região em pesquisas que realizou na Universidade de Weimar, na Alemanha, onde realizou seu mestrado e doutorado.

    "É uma região que sofreu o processo de estiramento com a abertura do [Oceano] Atlântico [na formação dos continentes]", diz o geofísico Aderson Farias do Nascimento, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). "Em regiões assim, muitas vezes há o acúmulo, com facilidade, de forças que podem desencadear terremotos."

Fonte: BBC. Adaptado.
Considerando a frase “É uma região que sofreu o processo de estiramento com a abertura do [Oceano] Atlântico [...]" (8º parágrafo), assinalar a alternativa que apresenta um sinônimo de “estiramento”.
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Q4377921 Português

O Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos (5 de maio) foi criado para alertar a população sobre os riscos à saúde causados pelo uso indiscriminado de medicamentos e pela automedicação.

O uso incorreto de medicamentos ou o seu consumo sem critérios médicos podem prejudicar a saúde, causando intoxicações, problemas mais graves ou até mesmo a morte.

A automedicação, ou seja, o uso de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, sem a avaliação prévia de um médico ou dentista, conforme o caso, deve ser evitada. O que é eficaz para uns pode ser nocivo a outros, pois o problema de saúde pode ser bastante diferente, apesar da aparente semelhança dos sintomas percebidos.

Todo medicamento é um remédio, mas nem todo remédio é um medicamento. Existem vários tratamentos, produtos e cuidados que ajudam a combater doenças ou aliviar dores e que não são medicamentos, como, por exemplo, a acupuntura, a fisioterapia ou as caminhadas. Para ser considerado medicamento no Brasil, o respectivo produto precisa ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Alimentos, mesmo aqueles comercializados em formas tipicamente farmacêuticas, como cápsulas e comprimidos, também não são medicamentos. Manter uma alimentação equilibrada é indispensável para uma boa saúde, mas um alimento não pode ser anunciado como responsável pela cura de doenças.

Medicamentos tampouco são bens de consumo comuns, como roupas, sapatos e artigos de higiene pessoal. Eles são bens de saúde, por isso não podem ser anunciados como produtos de livre mercado.

Qualquer produto terapêutico, independentemente de sua natureza (animal, vegetal, mineral ou sintética), deve ser considerado medicamento e sua fabricação e comercialização devem ser registradas na Anvisa. Para que um medicamento seja registrado e comercializado, é necessária uma análise criteriosa da documentação administrativa e técnico-científica relacionada à qualidade, à segurança e à eficácia do produto para garantir o seu uso terapêutico correto.

Após a obtenção do registro pela empresa e quando o medicamento já está sendo comercializado, cabe à farmacovigilância identificar, avaliar e monitorar a ocorrência dos possíveis eventos adversos relacionados ao seu uso. O objetivo desse monitoramento é garantir que os benefícios do produto sejam maiores que os riscos por ele causados. Também são importantes para a farmacovigilância informações que digam respeito aos eventos adversos gerados por desvios de qualidade, à inefetividade terapêutica, a erros de medicação, ao uso de medicamentos com indicações não aprovadas no registro, ao seu uso abusivo, bem como a intoxicações e interações medicamentosas.

Para aumentar a segurança do uso de medicamentos e estimular a notificação de erros de medicação, a Anvisa implantou, em 2019, um sistema novo de notificações nacional de eventos adversos provocados por medicamentos e de relatos de casos de erros de medicação em serviços de saúde, o VigiMed. O acesso ao sistema é rápido e fácil, o que facilita a notificação e, consequentemente, as ações preventivas da Agência.

Internet: www.artigo.anvisa.gov.br (com adaptações).

Pelos sentidos do texto, conclui-se que a expressão “inefetividade terapêutica” (oitavo parágrafo) significa
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Q4377292 Português
A demência é o pior desafio do envelhecimento


    No Brasil, a faixa etária que mais cresce é a dos que estão acima dos 65 anos. Em números arredondados: em 2010 eram 20 milhões, contingente que aumentou para 22 milhões no Censo de 2022.
    Os demógrafos definem o índice de envelhecimento dividindo o número de habitantes com mais de 65 anos pelo de crianças entre zero e 14 anos. Em 2010, o índice era de 30%, ou seja, 30 pessoas com mais de 65 anos para cada 100 crianças. Em 2022, esse índice subiu para 55%.
   Graças à redução da fecundidade e dos nascimentos, a pirâmide etária no Brasil começou a mudar de formato a partir dos anos 1990. A base foi se alargando com o passar dos anos, como aconteceu nos países mais ricos. A diferença é que neles as mudanças ocorreram em mais de 60 anos; aqui, em metade desse tempo.
    O envelhecimento dos brasileiros é visível nas ruas e no ambiente familiar. Em meados do século 19, Machado de Assis descreveu "um velho gaiteiro de cinquenta anos" num de seus contos. Hoje, quando perdemos um parente de 70 anos, dizemos que morreu moço. O envelhecimento interfere na organização da sociedade. A Previdência Social terá condições de pagar aposentadorias mensais até os 90 anos, enquanto o número dos que chegam ao mercado de trabalho não para de diminuir? As empresas continuarão a considerar velhos e demitir funcionários de 50 ou 60 anos?
    Na área da saúde, as consequências poderão ser trágicas. Os brasileiros envelhecem mal: quando chegam aos 60 anos, mais da metade sofre de hipertensão arterial; o número de pessoas com diabetes deve andar perto dos 20 milhões; os índices de obesidade com seu cortejo de complicações aumentam a cada pesquisa do Vigitel.
    Nessa faixa etária, é cobrada a conta do fumo, do abuso de álcool e de drogas ilícitas, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados. Hoje, cerca de 80% dos atendimentos no SUS são de problemas crônicos que requerem controle pelo resto da vida. Doenças cardiovasculares e câncer são as principais causas de óbito. Criado no fim dos anos 1980, o sistema único não foi pensado para lidar com essa realidade.
      Estamos preparados para enfrentar problemas dessa magnitude? Claro que não. Se o Japão, a Suécia e a Finlândia não estão, nós, neste país continental com tantas diferenças regionais, baixo nível educacional e distribuição de renda imoral, é que estaríamos?
     De todos os desafios do envelhecimento, nenhum se compara ao das demências, tragédia que cai nos ombros dos familiares sem que o SUS esteja preparado para ajudá-los. Uma pessoa incapaz de se vestir, tomar banho, comer sozinha ou entender o que se passa ao redor exige cuidados dia e noite, geralmente a cargo de uma mulher da família, obrigada a **interromper a carreira e a vida pessoal **por anos consecutivos.


Autor: Drauzio Varella - GZH (adaptado)
No segmento “Nessa faixa etária, é cobrada a conta do fumo, do abuso de álcool e de drogas ilícitas...”, a expressão “é cobrada a conta” foi empregada em sentido figurado para indicar:
Alternativas
Respostas
21: B
22: D
23: C
24: B
25: C
26: D
27: A
28: B
29: B
30: A
31: C
32: B
33: C
34: D
35: C
36: B
37: D
38: D
39: B
40: D