Questões de Concurso Comentadas sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

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Q3246730 Português
Leia o texto para responder à questão.


Censura às artes não é nova na história e vai além de ditaduras


    Desde que surgiram nas primeiras civilizações, arte e cultura sempre se mostraram propícias à manipulação. Prova disso veio na forma da censura, criando um longo histórico de poderes dominantes se apropriando desses dois campos. Quando países como a Itália anunciam, em 2021, o fim da censura a filmes dentro de seu território, essa discussão ganha novos capítulos.

    A professora Maria Cristina Castilho Costa, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, conta que o processo de censura na sociedade não é novo: “A censura não é de jeito nenhum um recurso só usado em ditaduras. Ela sempre existiu na sociedade, desde que surgiu a cultura, porque a cultura é uma ordem, um sistema hegemônico, e as pessoas nem sempre se identificam com essa cultura hegemônica. Então, cria-se um conflito entre o que os cidadãos pensam e o que pensa a cultura hegemônica”.

    No caso do Brasil, a censura ao cinema se instaurou logo quando a sétima arte se consagrava como meio de comunicação, no início do século 20. Enquanto isso, segmentos da sociedade organizam-se em torno da preocupação com o poder de influência que ela poderia ter sobre os espectadores.

(André Derviche, “Censura às artes não é nova na história e vai além de ditaduras”. Em: https://jornal.usp.br/atualidades, 06.05.2021. Adaptado) 
Considere as passagens:

•  ... e as pessoas nem sempre se identificam com essa cultura hegemônica. (2° parágrafo)
•  ... a censura ao cinema se instaurou logo quando a sétima arte se consagrava como meio de comunicação... (3° parágrafo)

Os termos destacados são sinônimos, correta e respectivamente, de: 
Alternativas
Q3245646 Português
Leia o texto para responder à questão.


Censura às artes não é nova na história e vai além de ditaduras

   Desde que surgiram nas primeiras civilizações, arte e cultura sempre se mostraram propícias à manipulação. Prova disso veio na forma da censura, criando um longo histórico de poderes dominantes se apropriando desses dois campos. Quando países como a Itália anunciam, em 2021, o fim da censura a filmes dentro de seu território, essa discussão ganha novos capítulos.

    A professora Maria Cristina Castilho Costa, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, conta que o processo de censura na sociedade não é novo: “A censura não é de jeito nenhum um recurso só usado em ditaduras. Ela sempre existiu na sociedade, desde que surgiu a cultura, porque a cultura é uma ordem, um sistema hegemônico, e as pessoas nem sempre se identificam com essa cultura hegemônica. Então, cria-se um conflito entre o que os cidadãos pensam e o que pensa a cultura hegemônica”.

    No caso do Brasil, a censura ao cinema se instaurou logo quando a sétima arte se consagrava como meio de comunicação, no início do século 20. Enquanto isso, segmentos da sociedade organizam-se em torno da preocupação com o poder de influência que ela poderia ter sobre os espectadores.


(André Derviche, “Censura às artes não é nova na história e vai além de ditaduras”. Em: https://jornal.usp.br/atualidades, 06.05.2021. Adaptado)
Considere as passagens:

•  ... e as pessoas nem sempre se identificam com essa cultura hegemônica. (2o parágrafo)
•  ... a censura ao cinema se instaurou logo quando a sétima arte se consagrava como meio de comunicação... (3o parágrafo)

Os termos destacados são sinônimos, correta e respectivamente, de: 
Alternativas
Q3244905 Português

Leia o Texto I para responder à questão.


Texto I


    As mudanças climáticas têm potencial de impacto extremamente relevante sobre o setor de saneamento e a vida das pessoas em geral. O impacto é de tal ordem que provoca desabrigados, fome e migrações em busca de melhores condições para sobrevivência.

    As consequências das mudanças de padrão de chuvas trazem ainda outras questões relevantes, como conflitos de uso, quando da ocorrência de secas, e potenciais desastres, quando da ocorrência de cheias. Os conflitos provocados pela falta de oferta geram dificuldades de alocação de água e disputas entre usuários. As cheias provocam, muitas vezes, situações de desastre que impactam vidas e trazem prejuízos econômicos. 

    A resiliência precisa ser construída com o objetivo de reduzir o impacto dos desastres sobre as populações, de modo a possibilitar a adaptação a novos regimes hidrológicos. Outras medidas de adaptação podem atuar sobre a oferta de água, necessitando intervenções estruturais, como a implantação de dessalinizadores, reúso, estruturas de armazenamento de água e interligação de bacias, às vezes até mesmo como sistemas redundantes.

    Há, por fim, a necessidade de serem adotadas medidas que induzam ao uso racional da água e que atuem na redução da demanda. Já há uma preocupação com redução de perdas em sistemas de distribuição, mas também é necessário o incentivo à introdução de equipamentos poupadores, na área residencial ou industrial. 



(Meio ambiente, mudança climática e segurança hídrica –

Brazil Water Week. Disponível em: https://brazilwaterweek.com.br.

Adaptado)

Considere os trechos a seguir:


•  As mudanças climáticas têm potencial de impacto extremamente relevante... (1º parágrafo)


•  Outras medidas de adaptação podem atuar sobre a oferta de água... (3º parágrafo)



Considerando o contexto em que estão empregados e preservando seu sentido, os termos destacados podem ser substituídos, respectivamente, por:

Alternativas
Q3235780 Português
Assinale a única expressão que pode substituir os elementos em destaque no trecho "A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natalia Resende, disse ao Estadão que a piora na condição de rios como o Tietê já era esperada por causa da estiagem prolongada que afetou o Estado e todo o País." mantendo seu sentido original.
Alternativas
Q3235779 Português
Na oração "A ascensão de Pedro na empresa foi muito rápida, e o levou à assunção do cargo de CEO em menos de 10 anos." a relação entre as palavras destacadas é uma relação de
Alternativas
Q3235777 Português
Mancha de poluição no Tietê atinge 207 km


A mancha de poluição no Rio Tietê aumentou 47 km entre 2023 e 2024, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica. Agora já são 207 km de rio poluído, a maior extensão desde 2012, quando a mancha chegou a 240 km. No ano passado era de 160 km, o que dá um aumento de 29%. A qualidade da água foi monitorada em 576 km do rio, da nascente, em Salesópolis, Grande São Paulo, até Barra Bonita, no interior. A extensão total do rio é de 1.100 km. A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natalia Resende, disse ao Estadão que a piora na condição de rios como o Tietê já era esperada por causa da estiagem prolongada que afetou o Estado e todo o País. "Tivemos diminuição nos volumes de água, o que traz menos oxigenação, menos movimentação da água e maior concentração de nutrientes e esgoto na água", afirmou a secretária. A aposta do governo para reverter esse quadro, disse ela, é o programa Integra Tietê, lançado no ano passado, com o objetivo de, até 2029, ter R$ 23 bilhões investidos na ampliação da rede de saneamento básico, desassoreamento, melhorias no monitoramento da qualidade da água, recuperação de fauna e flora, entre outras medidas. O programa prevê a universalização do saneamento - toda a população atendida com água e esgoto até 2029.


José Maria Tomazela

Jornal O Estado de São Paulo, 21 de setembro de 2024.
Encontramos nas últimas linhas do texto uma palavra pouco comum, "desassoreamento", que, a partir do contexto em que é empregada, podemos afirmar que significa:
Alternativas
Q3234303 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



A Inteligência artificial deve ser para todos


Ricardo Henriques*


    A rápida evolução de novas ferramentas de inteligência artificial (IA) reforçou a preocupação com seus impactos no mercado do trabalho. Com o potencial de automatizar atividades cognitivas complexas e eliminar empregos, algo que o economista Joseph Schumpeter chamaria de destruição criativa, a IA, sobretudo a generativa, tem o poder de transformar radicalmente a relação das pessoas com o labor.

    Apesar disso, 77% dos trabalhadores brasileiros dizem não se sentir ameaçados por uma virtual substituição. A conclusão é do estudo “Avanço da Tecnologia é Ameaça ou Oportunidade às Carreiras”, de 2023, feito pela plataforma de inteligência Futuros Possíveis.

    É, no mínimo, surpreendente – para não dizer míope – essa percepção, dado que já vivemos em um contexto de flexibilização de direitos, de plataformização dos trabalhadores e de crescente substituição do humano pela máquina. Tecnologias como ChatGPT, Whisper e DALL-E 2 são capazes de realizar uma gama cada vez mais ampla de tarefas, desde manipulação e análise de texto, geração de imagens e reconhecimento de fala, inimagináveis outrora.

    Há nítidos sinais de iminente obsolescência do profissional criativo mediano e daqueles com competências abaixo desse requisito. O relatório “Artificial Intelligence Index Report 2023”, elaborado pela Universidade de Stanford, aponta que a proporção de empresas que adotaram IA, em 2022, mais do que dobrou desde 2017. Segundo as empresas, o principal resultado ao adotar soluções de IA foi a redução de custos através da automação de processos.

    Os efeitos da IA, no entanto, são heterogêneos entre países, setores e empresas. Daron Acemoglu e Pascual Restrepo argumentam, em artigo de 2018, que a automação tende a reduzir a demanda por empregos que envolvam habilidades baseadas em rotinas. Contudo, esse processo é contrabalanceado pelo aumento de produtividade via economia de custos gerada pela automação. Com isso, aumenta-se a demanda por mão de obra altamente qualificada em tarefas não automatizadas. Uma das implicações é uma possível incompatibilidade entre os requisitos solicitados pelas novas tecnologias e as habilidades ofertadas pela força de trabalho de um país, sobretudo quando o setor educacional não define políticas que acompanham essa demanda.

    Os autores mostram ainda que tal descompasso limita os ganhos de produtividade na introdução dessas novas tarefas intensivas em tecnologia. Isso acontece porque as novas competências requeridas exigem profissionais altamente qualificados e, portanto, escassos. A um só tempo, os trabalhadores com habilidades substituíveis pela automação podem enfrentar perdas substanciais, enquanto aqueles com habilidades complementares à IA podem se beneficiar, gerando aumento da desigualdade entre e no interior dos países.

    Diante dos desafios e oportunidades trazidos pela IA, é crucial implementar políticas públicas cada vez mais adaptativas. Isso inclui ofertar uma educação focada na capacidade de aprender a aprender ao longo da vida, com o desenvolvimento de competências como letramento digital profundo, pensamento crítico e criativo, resolução de problemas, adaptabilidade e comunicação para lidar com tecnologias que transformam, de forma acelerada, as organizações e seus processos de trabalho. Além disso, os sistemas de proteção social devem proteger os trabalhadores vulneráveis e os que demorarem a realizar uma transição laboral de forma a amortecer e compensar os efeitos negativos da automação no mercado de trabalho. Isso é, particularmente, importante para o contexto brasileiro e latinoamericano.

    Segundo relatório da Cepal, de 2021, o Brasil ainda se encontra em um estágio intermediário de desenvolvimento tecnológico, o mesmo do Leste Europeu e do Oriente Médio. Ou seja, ainda enfrentamos desafios de acesso à internet em diversas regiões no país. Ademais, formamos poucos profissionais em áreas como ciência da computação e investimos relativamente pouco em Pesquisa e Desenvolvimento, o que nos distancia da fronteira em inovação em IA.

    Superar essas lacunas requer um ecossistema de inovação colaborativo entre academia, empresas e governo, a fim de fortalecer o posicionamento estratégico do Brasil nessa agenda. Enfrentar as consequências da IA na contemporaneidade demanda, portanto, educação de qualidade com altas expectativas, qualificação e requalificação profissional e desenvolvimento de habilidades complementares à tecnologia, a fim de maximizar os benefícios dessa revolução tecnológica sem volta. Mas, sobretudo, requer também cuidado e compromisso ético. O avanço dessas tecnologias não pode ocorrer de maneira desregulada e sem que estejamos atentos para proteger a população mais vulnerável de possíveis impactos negativos.


*Economista, superintendente-executivo do Instituto Unibanco e professor associado da Fundação Dom Cabral.

Disponível em: https://oglobo.globo.com/economia/ricardo-henriques/coluna/2023/05/. Acesso em: jan. 2024. [Adaptado]

Considerando o contexto de uso, a expressão “iminente obsolescência do profissional criativo mediano” significa, denotativamente, 
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Q3233195 Português
A urgente necessidade de aumentar a resiliência cibernética do Brasil


        Nos últimos anos, o Brasil e o mundo têm enfrentado desafios significativos no que diz respeito à segurança cibernética, com ataques frequentes que expõem a premente necessidade de construirmos uma cultura de segurança no ambiente digital. A recente violação ao sistema de pagamentos da União (Sistema Integrado de Administração Financeira — Siafi), cujas suspeitas indicam que houve roubo e uso indevido de credenciais de servidores públicos, resultou no desvio de R$ 3,5 milhões em recursos da União, estimativa atual do governo, e é um dos casos que reforçam a importância de acelerar a implementação de uma política nacional de cibersegurança.

        Essa política deve não apenas estabelecer normas e regulamentações robustas para proteger os sistemas nacionais mas também garantir a construção de uma cultura nacional de proteção no ciberespaço e a rápida atualização das estratégias de defesa em resposta às ameaças emergentes. A resiliência cibernética do Brasil, no cenário digital, depende da capacidade de o país proteger suas infraestruturas críticas e dados sensíveis, como os que foram utilizados nessa violação, contra invasores mal-intencionados.

      Nesse contexto complexo, a atuação da sociedade civil organizada e dos setores produtivos é de extrema relevância, devendo colaborar estreitamente com o Estado em relação às principais demandas deste bem como às preocupações dos cidadãos e dos mais diversos segmentos da economia. A principal colaboração, neste momento, deve se concentrar em garantir insumos ao desenvolvimento da Estratégia Nacional de Cibersegurança. Esse trabalho está sendo realizado pelo Comitê Nacional de Cibersegurança, sob a coordenação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI).

     Essa prática, que países como EUA, Reino Unido e, mais recentemente, Chile já implementaram, visa fornecer um panorama detalhado dos desafios e das necessidades relacionados à segurança cibernética com olhar multissetorial e sistêmico bem como prioridades e medidas para atendê-los. O objetivo é assegurar que esse documento seja um verdadeiro compromisso nacional abrangente e alinhado com as necessidades reais do país, tanto nos aspectos econômicos e de segurança quanto no aspecto social, uma vez que todos esses ataques têm influência direta sobre os cidadãos.

      Além disso, a relevância do GSI e os investimentos realizados para o fortalecimento da ação da Polícia Federal (PF) são inquestionáveis. O GSI desempenha um papel crucial na coordenação das ações de defesa cibernética em nível nacional, enquanto a PF, com o trabalho imprescindível de investigação, necessita de recursos adicionais (e não de cortes) para expandir sua capacidade tecnológica e operacional. Investir na infraestrutura, capacitação e ferramentas necessárias para essas instituições é essencial para que possam, efetivamente, educar, prevenir, identificar e responder a incidentes cibernéticos.

     A proteção no espaço digital não é apenas uma questão tecnológica, mas, sim, de segurança aos ativos nacionais. O Brasil, ao fortalecer sua infraestrutura cibernética e criar políticas eficazes, não apenas aumenta a própria resiliência mas também contribui para a estabilidade e a busca da segurança global no combate aos cibercriminosos. Portanto, é imperativo que haja um compromisso contínuo e reforçado do governo e de toda a sociedade para enfrentar esses desafios com a seriedade e a urgência que eles requerem.

    Ao considerar o futuro da cibersegurança no Brasil, é fundamental que todas as medidas sejam tomadas não apenas reativamente, mas, principalmente, proativamente. Se queremos vencer essa batalha, precisamos estar sempre um passo à frente dos criminosos cibernéticos, com políticas e práticas que se adaptam, rapidamente, às novas tecnologias e aos métodos de ataque. Para tanto, devemos atuar na construção de uma cultura nacional nesse tema, com a implementação efetiva de uma política de cibersegurança. Só assim, o Brasil poderá assegurar a integridade de sua infraestrutura crítica e a proteção de seus cidadãos no ambiente digital. 

Disponível em: https ://www.correiobraz iliense.com.br. Aces so em: 07 maio 2024. [Adaptado] 
No sexto parágrafo, a palavra “resiliência” pode ser substituída, sem alteração no sentido, por 
Alternativas
Q3232678 Português
A não-aceitação

    Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa. Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.
    Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.
    Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291.)
Assinale o fragmento textual que contém intensificação.
Alternativas
Q3232676 Português
A não-aceitação

    Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa. Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.
    Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.
    Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291.)
Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.” (2º§) Assinale o vocábulo que pode substituir, sem alteração de sentido, o termo destacado anteriormente. 
Alternativas
Q3232675 Português
A não-aceitação

    Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa. Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.
    Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.
    Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291.)
Assinale a alternativa cuja expressão destacada NÃO pode ser substituída pela palavra a seguir indicada, por comprometer o valor semântico.
Alternativas
Q3232671 Português
Crônica de um amor anunciado

   Toda pessoa apaixonada é um publicitário em potencial. Não anuncia cigarros, hidratantes ou máquinas de lavar, mas anuncia seu amor, como se vivê-lo em segredo diminuísse sua intensidade.
    O hábito começa na escola. O caderno abarrotado de regras gramaticais, fórmulas matemáticas e lições de geografia, e lá, na última página, centenas de corações desenhados com caneta vermelha. Parece aula de ciências, mas é introdução à publicidade. Em breve se estará desenhando corações em árvores, escrevendo atrás da porta do banheiro e grafitando a parede do corredor: Suzana ama João.
    A partir de uma certa idade, a veia publicitária vai tornando-se mais discreta. Já não anunciamos nossa paixão em muros e bancos de jardim. Dispensa-se a mídia de massa e parte-se para o telemarketing. Contamos por telefone mesmo, para um público selecionado, as últimas notícias da nossa vida afetiva. Mas alguns não resistem em seguir propagando com alarde o seu amor. Colocam anúncios de verdade no jornal, geralmente nos classificados: Kika, te amo. Beto, volta pra mim?! Everaldo, não me deixe por essa loira de farmácia. Joana, foi bom pra você também?
    O grau máximo de profissionalismo é atingido quando o apaixonado manda colocar sua mensagem num outdoor em frente à casa da pessoa amada. O recado é para ela, mas a cidade inteira fica sabendo que alguém está tentando recuperar seu amor. Em grau menor de assiduidade, há casos em que apaixonados mandam despejar de um helicóptero pétalas de rosas no endereço do namorado, ou gastam uma fortuna para que a fumaça de um avião desenhe as iniciais do casal no céu. A criatividade dos amantes é infinita.
    O amor é uma coisa íntima, mas todos nós temos a necessidade de torná-lo público. É a nossa vitória contra a solidão. Assim como as torcidas de futebol comemoram seus títulos com buzinaços, foguetório e cantorias, queremos também alardear nossa conquista pessoal, dividir a alegria de ter alguém que faz nosso coração bater mais forte. É por isso que, mesmo não sendo adepta do estardalhaço, me consterno por aqueles que amam escondido, amam em silêncio, amam clandestinamente. Mesmo que funcione como fetiche, priva o prazer de ter um amor compartilhado.

(Martha Medeiros. Disponível em: http://pensador.uol.com.br/cronicas_de_marta_medeiros_sobre_amor/. Acesso em: outubro de 2024.)
Os trechos a seguir foram retirados do texto; assinale a alternativa em que a associação não traz prejuízo ao sentido da frase.
Alternativas
Q3232669 Português
Crônica de um amor anunciado

   Toda pessoa apaixonada é um publicitário em potencial. Não anuncia cigarros, hidratantes ou máquinas de lavar, mas anuncia seu amor, como se vivê-lo em segredo diminuísse sua intensidade.
    O hábito começa na escola. O caderno abarrotado de regras gramaticais, fórmulas matemáticas e lições de geografia, e lá, na última página, centenas de corações desenhados com caneta vermelha. Parece aula de ciências, mas é introdução à publicidade. Em breve se estará desenhando corações em árvores, escrevendo atrás da porta do banheiro e grafitando a parede do corredor: Suzana ama João.
    A partir de uma certa idade, a veia publicitária vai tornando-se mais discreta. Já não anunciamos nossa paixão em muros e bancos de jardim. Dispensa-se a mídia de massa e parte-se para o telemarketing. Contamos por telefone mesmo, para um público selecionado, as últimas notícias da nossa vida afetiva. Mas alguns não resistem em seguir propagando com alarde o seu amor. Colocam anúncios de verdade no jornal, geralmente nos classificados: Kika, te amo. Beto, volta pra mim?! Everaldo, não me deixe por essa loira de farmácia. Joana, foi bom pra você também?
    O grau máximo de profissionalismo é atingido quando o apaixonado manda colocar sua mensagem num outdoor em frente à casa da pessoa amada. O recado é para ela, mas a cidade inteira fica sabendo que alguém está tentando recuperar seu amor. Em grau menor de assiduidade, há casos em que apaixonados mandam despejar de um helicóptero pétalas de rosas no endereço do namorado, ou gastam uma fortuna para que a fumaça de um avião desenhe as iniciais do casal no céu. A criatividade dos amantes é infinita.
    O amor é uma coisa íntima, mas todos nós temos a necessidade de torná-lo público. É a nossa vitória contra a solidão. Assim como as torcidas de futebol comemoram seus títulos com buzinaços, foguetório e cantorias, queremos também alardear nossa conquista pessoal, dividir a alegria de ter alguém que faz nosso coração bater mais forte. É por isso que, mesmo não sendo adepta do estardalhaço, me consterno por aqueles que amam escondido, amam em silêncio, amam clandestinamente. Mesmo que funcione como fetiche, priva o prazer de ter um amor compartilhado.

(Martha Medeiros. Disponível em: http://pensador.uol.com.br/cronicas_de_marta_medeiros_sobre_amor/. Acesso em: outubro de 2024.)
Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho “A criatividade dos amantes é infinita.” (4º§) está INCORRETA.
Alternativas
Q3232667 Português
Crônica de um amor anunciado

   Toda pessoa apaixonada é um publicitário em potencial. Não anuncia cigarros, hidratantes ou máquinas de lavar, mas anuncia seu amor, como se vivê-lo em segredo diminuísse sua intensidade.
    O hábito começa na escola. O caderno abarrotado de regras gramaticais, fórmulas matemáticas e lições de geografia, e lá, na última página, centenas de corações desenhados com caneta vermelha. Parece aula de ciências, mas é introdução à publicidade. Em breve se estará desenhando corações em árvores, escrevendo atrás da porta do banheiro e grafitando a parede do corredor: Suzana ama João.
    A partir de uma certa idade, a veia publicitária vai tornando-se mais discreta. Já não anunciamos nossa paixão em muros e bancos de jardim. Dispensa-se a mídia de massa e parte-se para o telemarketing. Contamos por telefone mesmo, para um público selecionado, as últimas notícias da nossa vida afetiva. Mas alguns não resistem em seguir propagando com alarde o seu amor. Colocam anúncios de verdade no jornal, geralmente nos classificados: Kika, te amo. Beto, volta pra mim?! Everaldo, não me deixe por essa loira de farmácia. Joana, foi bom pra você também?
    O grau máximo de profissionalismo é atingido quando o apaixonado manda colocar sua mensagem num outdoor em frente à casa da pessoa amada. O recado é para ela, mas a cidade inteira fica sabendo que alguém está tentando recuperar seu amor. Em grau menor de assiduidade, há casos em que apaixonados mandam despejar de um helicóptero pétalas de rosas no endereço do namorado, ou gastam uma fortuna para que a fumaça de um avião desenhe as iniciais do casal no céu. A criatividade dos amantes é infinita.
    O amor é uma coisa íntima, mas todos nós temos a necessidade de torná-lo público. É a nossa vitória contra a solidão. Assim como as torcidas de futebol comemoram seus títulos com buzinaços, foguetório e cantorias, queremos também alardear nossa conquista pessoal, dividir a alegria de ter alguém que faz nosso coração bater mais forte. É por isso que, mesmo não sendo adepta do estardalhaço, me consterno por aqueles que amam escondido, amam em silêncio, amam clandestinamente. Mesmo que funcione como fetiche, priva o prazer de ter um amor compartilhado.

(Martha Medeiros. Disponível em: http://pensador.uol.com.br/cronicas_de_marta_medeiros_sobre_amor/. Acesso em: outubro de 2024.)
No trecho “O amor é uma coisa íntima, mas todos nós temos a necessidade de torná-lo público.” (5º§), o vocábulo em destaque pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, na frase por: 
Alternativas
Q3232639 Português
Leia o Texto II e responda à questão:

Texto II

Tanto Querer

Quando a gente se encontra, cresce no peito
Um gosto de vida
Um sorriso, tanto querer

É quando a luz da saudade
Acende de um jeito
Se faz tanto tempo a gente não quer nem saber

Agora será como sempre
Eterno, presente
Certeza que mesmo distante, em nós resistiu

Seja luar, amanhecer
Saudade vem e vai
Amor é o que me levará a você


Geraldo Azevedo / Nando Cordel. Tanto querer. Disponível em: https://www.letras.mus.br/geraldo-azevedo/99838/.  Acesso em: 17 set. 2024.
No fragmento “Quando a gente se encontra, cresce no peito”, o termo “cresce” pode ser substituído sem alteração de sentido pelo termo:
Alternativas
Q3232637 Português
Leia o Texto II e responda à questão:

Texto II

Tanto Querer

Quando a gente se encontra, cresce no peito
Um gosto de vida
Um sorriso, tanto querer

É quando a luz da saudade
Acende de um jeito
Se faz tanto tempo a gente não quer nem saber

Agora será como sempre
Eterno, presente
Certeza que mesmo distante, em nós resistiu

Seja luar, amanhecer
Saudade vem e vai
Amor é o que me levará a você


Geraldo Azevedo / Nando Cordel. Tanto querer. Disponível em: https://www.letras.mus.br/geraldo-azevedo/99838/.  Acesso em: 17 set. 2024.
No Texto II, o termo “quando”, extraído do fragmento “Quando a gente se encontra, cresce no peito”, indica:
Alternativas
Q3232627 Português
Leia o Texto I e responda à questão:

Texto I

APRENDA A CHAMAR A POLÍCIA

    Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.
    Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço.
    Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa.
    Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
    Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma:
    — Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro de escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!
    Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.
    Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
    No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
    — Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão. Eu respondi:
    — Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.


VERÍSSIMO, Luís Fernando. Aprenda a chamar a polícia. Disponível em: https://armazemdetexto.blogspot.com/2020/07/cronica-aprenda-chamar-policia-Aprenda a chamar a polícia. luis.html. Acesso em: 18 set. 2024.
Na passagem “Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa", o termo “sorrateiramente” significa:
Alternativas
Q3232589 Português
Leia o texto para responder à questão.

Cuidado!

    Se você viu o título desta coluna e imaginou ler um alerta importante, acertou... mas só pela metade. Existe algo que merece, sem dúvida, nossa atenção especial. Estou falando de cuidado, a gentileza com as pessoas, a responsabilidade assumida com alguém ou o carinho e a atenção de fazer o melhor que podemos fazer.
    No meu trabalho, equilibrar arrojo com cautela em relação às informações é essencial para prover conteúdo e análises bem fundamentados, úteis, atualizados e práticos. Esse zelo com o que faço é mais do que uma mera questão de profissionalismo. É respeito com quem dedica tempo e atenção para consumir o conteúdo que produzo. O cuidado que coloco em cada palestra, em cada post em minhas redes sociais é percebido e valorizado. E isso se reflete na confiança que as pessoas depositam em mim. O maior valor do cuidado é interno, não externo. Ou seja, quem cuida do que faz cuida, acima de tudo, de si próprio. Fazer com cuidado traz um sentimento de missão cumprida, de fazer a sua parte.
    Empresas que abraçam os princípios – cuidado com o meio ambiente, com a sociedade e com as próprias empresas – não só contribuem para um mundo melhor, mas também inspiram mais confiança e admiração de clientes. Vivemos um paradoxo interessante: enquanto os valores nas empresas se consolidam, vemos uma nova geração entrando no mercado de trabalho com uma esperança quase cega na tecnologia, especialmente na inteligência artificial. Muitos jovens imaginam que, como a inteligência artificial poderá fazer “tudo”, eles não precisam se dedicar com o mesmo empenho a realizar e aprender tarefas que ficarão obsoletas.
    Ledo engano. A inteligência artificial veio para ficar e mudar nossa forma de viver e trabalhar, mas o cuidado, o capricho e a dedicação são exatamente os elementos humanos que não serão substituídos por máquinas. São a atenção aos detalhes, a responsabilidade e a gentileza que fazem toda a diferença tanto na vida profissional quanto na pessoal. O que não vai mudar, independentemente de qualquer revolução tecnológica, o que nunca perde o valor é o cuidado. Portanto, cuidado com o cuidado.

(Ricardo Amorim, O Estado de S.Paulo, 24 de julho de 2024. Adaptado)
No trecho do 2º parágrafo – No meu trabalho, equilibrar arrojo com cautela em relação às informações… – a expressão destacada pode ser substituída, mantendo-se o sentido original, por:
Alternativas
Q3231847 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.  


    Agora, os pequenos sinais estão em toda parte. Artifícios inteligentes tomam decisões no lugar das pessoas de carne e osso. No trânsito, quem resolve se você vai virar à esquerda ou à direita é um algoritmo, que lhe dá ordens pela tela eletrônica. Por um sistema parecido, o taxista fica sabendo qual será o passageiro e em que endereço deve apanhá-lo. Ninguém escapa. Às vezes mais, às vezes menos, todo mundo segue a batuta de programas informatizados que dirigem a rotina das populações conectadas. O batimento cardíaco dos anônimos, o tráfego aéreo, as ebulições das bolsas de valores, a sensação de que gostam ou não gostam da gente: tudo passa pelos dígitos. O que antes gostávamos de chamar de “livre-arbítrio” se reduziu, enfim, ao arbítrio das máquinas. 

    Sinais, muitos sinais. O eleitorado se apoia em filminhos da internet para escolher em quem votar. Muita mentira passa por aí, já sabemos. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anuncia que sua maior preocupação é conter a disseminação daquelas cenas perfeitas, irretocavelmente verossímeis, em que um candidato, na frente das câmeras, diz, com todas as sílabas escandidas, uma frase que jamais pronunciou – tudo obra da cibernética. Esse tipo de truque maligno grassou nas eleições da vizinha Argentina, e já se anteveem complicações do lado de cá da fronteira.

    Na imprensa de todos os continentes, as redações decretam normas de conduta para regular o uso de ferramentas de inteligência artificial por seus profissionais. As chances de sucesso são exíguas. A inteligência artificial soterra a atividade jornalística sem deixar a ninguém um tempinho que seja para respirar. Cada vez mais ela nos regula, sem ser regulada por nós.

    Agora, esses pequenos sinais que estão em toda parte nos mostram que foi posto um limite virtual – apenas virtual, por enquanto – para a aventura humana sobre a Terra. A cada dia, o humano perde relevância. O humano, depreciadamente humano, deixa de ser protagonista do seu próprio destino. Pobre humano. O único evento no qual ainda exerce um papel de relevo é o aquecimento global, na sua tragédia final, o antropoceno. Fora isso, sobrou-lhe um bico de coadjuvante.


(Eugênio Bucci. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/

eugenio-bucci/alem-do-humano/. Acesso em 25.05.2024. Adaptado)


No trecho do 3º parágrafo – … as redações decretam normas de conduta para regular o uso de ferramentas de inteligência artificial… –, o vocábulo destacado apresenta sentido de
Alternativas
Q3231846 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.  


    Agora, os pequenos sinais estão em toda parte. Artifícios inteligentes tomam decisões no lugar das pessoas de carne e osso. No trânsito, quem resolve se você vai virar à esquerda ou à direita é um algoritmo, que lhe dá ordens pela tela eletrônica. Por um sistema parecido, o taxista fica sabendo qual será o passageiro e em que endereço deve apanhá-lo. Ninguém escapa. Às vezes mais, às vezes menos, todo mundo segue a batuta de programas informatizados que dirigem a rotina das populações conectadas. O batimento cardíaco dos anônimos, o tráfego aéreo, as ebulições das bolsas de valores, a sensação de que gostam ou não gostam da gente: tudo passa pelos dígitos. O que antes gostávamos de chamar de “livre-arbítrio” se reduziu, enfim, ao arbítrio das máquinas. 

    Sinais, muitos sinais. O eleitorado se apoia em filminhos da internet para escolher em quem votar. Muita mentira passa por aí, já sabemos. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anuncia que sua maior preocupação é conter a disseminação daquelas cenas perfeitas, irretocavelmente verossímeis, em que um candidato, na frente das câmeras, diz, com todas as sílabas escandidas, uma frase que jamais pronunciou – tudo obra da cibernética. Esse tipo de truque maligno grassou nas eleições da vizinha Argentina, e já se anteveem complicações do lado de cá da fronteira.

    Na imprensa de todos os continentes, as redações decretam normas de conduta para regular o uso de ferramentas de inteligência artificial por seus profissionais. As chances de sucesso são exíguas. A inteligência artificial soterra a atividade jornalística sem deixar a ninguém um tempinho que seja para respirar. Cada vez mais ela nos regula, sem ser regulada por nós.

    Agora, esses pequenos sinais que estão em toda parte nos mostram que foi posto um limite virtual – apenas virtual, por enquanto – para a aventura humana sobre a Terra. A cada dia, o humano perde relevância. O humano, depreciadamente humano, deixa de ser protagonista do seu próprio destino. Pobre humano. O único evento no qual ainda exerce um papel de relevo é o aquecimento global, na sua tragédia final, o antropoceno. Fora isso, sobrou-lhe um bico de coadjuvante.


(Eugênio Bucci. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao/

eugenio-bucci/alem-do-humano/. Acesso em 25.05.2024. Adaptado)


Considere os trechos a seguir.


•  … cenas perfeitas, irretocavelmente verossímeis, em que um candidato, na frente das câmeras, diz… (2º parágrafo)


•  Pobre humano. O único evento no qual ainda exerce um papel de relevo é o aquecimento global… (4º parágrafo)


As expressões destacadas podem ser, correta e respectivamente, substituídas por:

Alternativas
Respostas
781: C
782: C
783: B
784: D
785: A
786: E
787: A
788: A
789: B
790: C
791: C
792: A
793: B
794: D
795: A
796: D
797: E
798: C
799: E
800: B