Questões de Concurso Sobre regência em português

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Q4305592 Português

Instruções: A questão refere-se ao texto de Ailton Krenak.



Do sonho e da terra



(Disponível em: Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras: 2019 – texto adaptado especialmente para essa prova).

Analise a regência do verbo “apropriar” no trecho a seguir, retirado do texto:

“Ele não é algo de que alguém possa se apropriar”.

Considerando a norma-padrão da língua portuguesa, assinale a alternativa em que a regência verbal está INCORRETA.
Alternativas
Q4305045 Português
Brasil reduz pobreza, mas amplia desigualdades, mostra estudo


     O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 aponta que o Brasil avançou, no ano de 2025, em 34 (71%) dos 48 indicadores estudados para análise do processo de enfrentamento das desigualdades. Os avanços apontados pelo estudo são relativos, principalmente, à melhoria de renda média, ao aumento do mercado de trabalho, à redução da pobreza, além de maior segurança alimentar e acesso aos serviços básicos.

     Índices de saúde - como redução da desnutrição infantil e de idosos; educação - como queda do analfabetismo; e segurança - como redução da taxa de homicídios registrados de jovens de 15 a 29 anos, também melhoraram. Do total de indicadores analisados, oito pioraram e seis se mantiveram estáveis. Entre as pioras estão: ampliação do número de mulheres que recebem remuneração inferior à dos homens; agravamento da concentração da renda; tributação menor conforme a renda é maior; condições mais desfavoráveis à população negra; aumento da concentração dos piores indicadores sociais no Norte e Nordeste.

     Para os responsáveis pelo relatório, os indicadores que apresentaram piora revelam que os principais mecanismos de reprodução das desigualdades permanecem ativos.

       "O crescimento econômico beneficiou diferentes grupos sociais, mas não foi suficiente para reduzir as disparidades históricas de renda, gênero, raça e território", destaca o relatório.

       O relatório publicado neste ano é a quarta edição. O primeiro foi publicado em 2023. A última publicação traz análises atuais sobre indicadores de 2025, com exceção de algumas bases de dados não atualizadas anualmente. Um exemplo são os indicadores derivados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que analisam gastos com transporte e carga tributária a cada dois anos. Outro caso é o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), divulgado em 2024, após seis anos da pesquisa anterior.

     Na avaliação da diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, Adriana Marcolino, a indisponibilidade desses indicadores atualizados em 2025 não interfere no comparativo com as edições anteriores do relatório.

      "Nesses casos, a gente olha o dado em comparação com o mesmo dado do ano anterior, então isso não cria um viés de tempo. Os indicadores que a gente acompanha já indicam tendências pelo fato de já termos quatro anos de relatórios".

        No prefácio da publicação, Betina Ferraz Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil e economista-chefe do Pnud Brasil, avalia que a análise dos indicadores contribui para um aprofundamento de índices divulgados por diversas organizações e vão além do conceito de desenvolvimento humano com base exclusivamente em indicadores econômicos de saúde e educação.

       "Os números médios escondem uma realidade mais complexa: os avanços foram reais e, ao mesmo temро, profundamente desiguais", destaca.


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-
08/familias-brasileiras-perderam-r-625-bilhoes-para-bets-em-2025
(adaptado)

Considere o seguinte trecho do primeiro parágrafo: Os avanços apontados pelo estudo são relativos, principalmente, à melhoria de renda média, ao aumento do mercado de trabalho, à redução da pobreza... Sobre os aspectos de regência e o emprego do sinal indicativo de crase nesse fragmento, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4303910 Português
Assinale a alternativa em que a preposição destacada indica assunto.
Alternativas
Q4302071 Português
Considerando o adequado emprego das preposições, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas dos trechos a seguir, retirados do texto.

• “são entidades responsáveis ________ promover o ensino, a pesquisa e a extensão”.
• “Essas instituições, em resumo, cumprem um papel estratégico no desenvolvimento do país, promovendo conhecimento, principalmente ________ pesquisas”.
• “um incêndio de grandes proporções atingiu o Museu Nacional, instituição ________ gestão da UFRJ”.
Alternativas
Q4302001 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Programa de educação ambiental traz saberes locais para escolas públicas


A presença da emergência climática nos currículos escolares ainda avança em ritmos distintos ao redor do mundo.


Diante das mudanças climáticas, educadores brasileiros têm buscado nos saberes locais as soluções para incluir crianças e adolescentes no debate sobre o clima e ações de sustentabilidade. Desenvolvido e implementado pela Tewá 225, o programa Movimento Sustentável, uma iniciativa da Auren Energia, promoveu acesso à educação socioambiental para mais de 2 mil estudantes e professores na rede pública em seis estados brasileiros. O projeto ampliou o domínio de técnicas sustentáveis ligadas aos territórios onde aconteceram as formações, como sistemas naturais, consumo de recursos e mudanças climáticas.


Ao todo, 40 escolas públicas, localizadas em Pernambuco, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e São Paulo, receberam formações voltadas para educadores que fortalecem a compreensão sobre sustentabilidade e aplicação desses conhecimentos em sala de aula. Segundo dados da Tewá, foram mobilizados 144 profissionais, que elaboraram 266 atividades.


Além do incentivo formativo, as escolas que atingiram as metas de atividades previstas em seu programa, com caráter gamificado e ligado aos saberes locais, receberam investimentos entre R$ 2 mil e R$ 5 mil para implementar as ações no território onde estão localizadas.


A metodologia das trilhas formativas é alinhada à BNCC (Base Nacional Comum Curricular). A proposta organiza o aprendizado em ciclos semestrais interconectados, permitindo que conteúdos complexos sejam assimilados de forma progressiva e adaptada às realidades dos municípios.


Adaptar a metodologia à cultura local é parte da premissa do programa Movimento Sustentável. Para Fernanda Mallak, diretora técnica da Tewá 225, os conteúdos sobre cada bioma e os recursos naturais presentes nos territórios são essenciais para a elaboração das formações.


"O estudo só faz sentido quando está conectado à realidade do território e à cultura que aquele estudante reconhece como dele. É a diferença entre decorar um conceito e se sentir pertencente a ele", explica ela. "Aqui entram também os saberes tradicionais, que muitas vezes precedem todo o nosso conhecimento técnico de sustentabilidade."


No entanto, ainda existem alguns desafios para a incorporação das práticas sustentáveis no ensino básico, sobretudo questões estruturais ligadas à evasão escolar, infraestrutura precária das escolas e alta rotatividade de professores. "Como engajar uma comunidade escolar que muitas vezes opera no limite, com o docente sobrecarregado e sem as condições mínimas de permanência?", questiona Mallak. "Qualquer iniciativa que ignore esse terreno tende a não se sustentar", defende ela.


Para ela, as oficinas devem ser organizadas de forma que não gerem mais carga de trabalho para os profissionais da educação. Ações como a inserção do educador ambiental no ambiente escolar podem aliviar essa sobrecarga, além de oferecer material didático pré-elaborado para o docente. "A ideia é entrar como apoio numa estrutura que já está pressionada, e não como mais uma demanda", explica.


A metodologia desenvolvida pelo projeto varia conforme a realidade do território, considerando os diferentes contextos urbanos, rurais e de comunidades tradicionais contempladas. Em escolas indígenas, o trabalho é feito completamente conectado com as lideranças, responsáveis por transmitir o conhecimento para membros mais jovens de seu povo.


O diálogo com lideranças é uma forma de conectar a realidade escolar com os saberes tradicionais de cada território, mas também envolve a comunidade no processo formativo de adultos e crianças. "O trabalho é com a comunidade escolar como um todo, tendo o educador e/ou professor como ponto de multiplicação para os estudantes, famílias e, consequentemente, para o entorno", conclui Mallak.


Fonte: TOYAMA, Laura. Programa de educação ambiental traz saberes locais para escolas públicas. CNN Brasil, [S. l.], 19 jun. 2026. Disponível em:

https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/programa-de-educacao-ambien tal-traz-saberes-locais-para-escolas-publicas/. Acesso em: 9 ago. 2026.

"Ao todo, 40 escolas públicas, localizadas em Pernambuco, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e São Paulo, receberam formações voltadas para educadores que fortalecem a compreensão sobre sustentabilidade e aplicação desses conhecimentos em sala de aula.
Considerando a regência do adjetivo 'voltadas' empregado no trecho acima, analise as asserções a seguir.
I.O termo 'voltadas', no trecho, está corretamente regido pela preposição 'para', havendo, contudo, outras regências admitidas pela norma-padrão para esse mesmo adjetivo, a depender do sentido pretendido.
PORQUE
II.O termo 'voltadas' admite, além da preposição 'para', o emprego das preposições 'a' e 'contra', conforme reconhecido por dicionários de regência de referência, sendo 'a' empregada com valor semelhante, em alguns contextos, a 'para', e 'contra' associada à ideia de oposição.
A respeito das asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4301021 Português

Leia o texto e responda à questão.


A JANELA QUE VIAJAVA


Quando a antiga kombi azul apareceu pela primeira vez na praça, muita gente pensou que fosse apenas mais um veículo da Prefeitura. As portas se abriram, porém, e revelaram prateleiras cheias de livros.

Na lateral, uma placa anunciava: “Biblioteca em Movimento”.

Nos primeiros dias, os adultos se aproximavam com cautela. As crianças, menos desconfiadas, escolhiam histórias e sentavam-se sob as árvores. Aos poucos, quem passava a caminho do trabalho começou a reservar alguns minutos para folhear jornais, romances ou manuais. O veículo não levava apenas livros: criava uma pausa no ritmo apressado da praça.

Certa manhã, seu Antônio devolveu um livro sobre hortas domésticas e contou que havia plantado temperos em latas reaproveitadas. Na semana seguinte, trouxe fotografias das mudas e explicou o processo a dois jovens. A leitura, que começara silenciosa, transformou-se em conversa e experiência compartilhada.

O projeto também enfrentava dificuldades. Em dias de chuva, o movimento diminuía; alguns títulos eram muito procurados, enquanto outros permaneciam meses nas estantes. A equipe passou, então, a registrar os empréstimos e a ouvir sugestões dos moradores. Com esses dados, reorganizou o acervo e definiu novos pontos de parada.

Meses depois, a kombi continuava com a mesma pintura gasta. Ainda assim, já não parecia um veículo antigo. Para muitos moradores, tornara-se uma janela: não porque mostrasse uma paisagem pronta, mas porque ajudava cada leitor a enxergar possibilidades que antes passavam despercebidas.


Fonte: texto autoral, elaborado exclusivamente para esta prova.

A equipe redigiu orientações sobre o uso do acervo. Assinale a alternativa CORRETA quanto à regência.
Alternativas
Q4300613 Português
"A gente quer que eles sejam __________, que pensem por si mesmos, que sejam criativos e _________. Mas, muitas vezes, a nossa própria ansiedade nos leva a podar essas qualidades, a buscar a _________ em vez do pensamento _________. É um __________.

Queremos filhos que inovem, mas temos medo de que eles errem.

Queremos que sejam fortes, mas os superprotegemos de cada arranhão.

Queremos que se expressem, mas nos frustramos quando a expressão deles não se encaixa nas nossas expectativas.

[...] o cérebro aprende pelo experimentar, pelo erro, pela tentativa e acerto. Se tiramos essas oportunidades, estamos, sem querer, limitando o desenvolvimento de suas capacidades mais __________."



(Disponível em: https://vidasimples.co/colunista/o-centro-da-tempestade-mora-em-nos/# cultivando-o-solo-interno-ferramentas-para-a-sua-calma. Acesso em: 31 jul. 2026. Adaptado.)
Analise as sentenças a seguir quanto à regência verbal:

I.Em "mas nos frustramos quando a expressão deles não se encaixa nas nossas expectativas", o verbo "encaixar-se" rege o complemento indireto pela preposição "em".

II.O verbo "encaixar-se" pode reger seu complemento também com a preposição "entre", a depender do contexto e do sentido pretendido. É o que acontece em: "Às vezes, as crianças não se encaixam entre nossas expectativas de pais e suas próprias vontades".

III.Em "mas os superprotegemos de cada arranhão", o verbo "proteger-se" (na variação superproteger-se) pede complemento indireto. Nesse caso, o complemento "cada arranhão" está regido pela preposição "de", mas também seria possível a preposição "contra".


É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4297248 Português

"Um leitor da Flip comentou que achou o livro da escritora interessante."



Assinale a alternativa que identifica corretamente o vício de linguagem presente no período.

Alternativas
Q4297242 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Como escolas e famílias formam novos leitores



A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho.


Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância.


A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura.


Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo.


'Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso'.


As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância − e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças.


'Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas − hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês −, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores'.


A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo.


'Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar'.


Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida.


As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas.


Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida.



BRASIL. Ministério da Educação. Como escolas e famílias formam novos leitores. Brasília, 24 jul. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2026/julho/como-escola s-e-familias-formam-novos-leitores. Acesso em: 11 ago. 2026. Adaptado.

"A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo."



Com base na regência do verbo 'aproximar', no trecho, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q4296980 Português

Diagnóstico do câncer: estamos diante da próxima grande transformação?



Por Fernando Maluf





(Disponível em: forbes.com.br/colunas/2026/07/diagnostico-do-cancer-estamos-diante-da-proxima-grandetransformacao/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Considerando aspectos de regência e o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas do trecho a seguir, retirado do texto:

“Ainda são necessários estudos maiores, acompanhamentos por mais tempo e avaliações em diferentes populações para definir exatamente como esses exames serão incorporados........ prática clínica. Também existe um desafio importante relacionado ..... custo e....... acesso aos exames, fatores que podem limitar......utilização inicialmente”.
Alternativas
Q4296827 Português
Leia o texto abaixo e responda à questão.

Título: Precisamos conversar

O grupo da família se chamava “Família Unida para Sempre”, embora, de tempos em tempos, alguém saísse ofendido e precisasse ser adicionado novamente.
Naquela terça-feira, às 7h12, quando a maioria ainda procurava coragem para levantar da cama, a tia Márcia escreveu:
— Precisamos conversar.
Foram apenas duas palavras, mas tiveram o efeito de um alarme de incêndio.
Às 7h13, a avó respondeu com uma imagem de “Bom dia” em que um gatinho segurava uma xícara de café, cercado por rosas brilhantes. Provavelmente não tinha entendido a gravidade da situação, ou talvez considerasse que nenhum problema familiar resistiria a um gatinho com café.
Às 7h14, o tio Roberto perguntou:
— Aconteceu alguma coisa?
Às 7h15, ele mesmo enviou um áudio de quatro minutos e trinta e sete segundos. Ninguém sabia como era possível produzir um áudio tão longo para perguntar se alguma coisa tinha acontecido. No meio da gravação, ouviam-se uma porta batendo, um cachorro latindo e alguém dizendo:
— Roberto, você vai querer pão?
A prima Júlia, de dezesseis anos, mandou apenas uma figurinha de um homem desmaiando. Em seguida, escreveu:
— Gente, tô nervosa.
O avô digitou:
— Quem está falando?
Embora participasse do grupo havia seis anos, ele ainda parecia surpreso com a presença de outras pessoas ali.
O pai, sempre prático, escreveu:
— Márcia, diga logo o que houve.
A mensagem foi visualizada por todos. Tia Márcia, porém, não respondeu.
Durante os dez minutos seguintes, a imaginação da família trabalhou com uma eficiência jamais vista. A mãe suspeitou de uma briga. O tio Roberto achou que alguém estivesse doente. Júlia perguntou se os pais pretendiam se separar, embora ninguém tivesse mencionado casamento algum. A avó enviou uma oração em letras maiúsculas, seguida de sete mãos juntas e três corações.
Então surgiu no grupo um número desconhecido:
— Bom dia. Quem é?
Era o entregador de gás. A avó o havia adicionado por engano.
Antes que alguém pudesse removê-lo, o homem escreveu:
— Também fiquei preocupado. Espero que esteja tudo bem.
Às 7h31, tia Márcia finalmente reapareceu:
— Calma, gente! Eu só queria saber quem vai levar a salada para o almoço de domingo.
Houve um silêncio digital.
O tio Roberto respondeu com outro áudio, desta vez de seis minutos. O pai saiu do grupo. A prima Júlia mandou uma figurinha de uma senhora fechando uma janela com violência. A mãe escreveu:
— Márcia, você não pode mandar “precisamos conversar” e desaparecer!
A tia explicou que havia entrado no banho e deixado o celular carregando.
A avó, tentando restaurar a paz, enviou mais um “Bom dia”, agora com um bebê fantasiado de girassol. Depois perguntou:
— Afinal, quem vai levar a salada?
Ninguém respondeu.
Foi então que o entregador de gás, ainda no grupo, escreveu:
— Eu posso levar. Faço uma ótima salada de batata. 
A proposta foi aceita imediatamente. Ele recebeu o endereço, o horário e três receitas diferentes enviadas pela avó.
No domingo, apareceu com a salada e um botijão novo, por garantia. Tornou-se amigo da família, ganhou o apelido de “primo do gás” e passou a participar de todos os almoços.
Quanto ao pai, foi adicionado novamente ao grupo.
Duas horas depois, saiu outra vez.

Fonte: Banca Elaborado
Na ata do grupo, a frase deve seguir a norma-padrão quanto à concordância, à regência, ao uso do acento indicativo de crase e à posição dos pronomes. Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4295384 Português
O papel das cores nas aranhas


Quando se fala de coloração animal, provavelmente os exemplos mais populares são camaleões, que mudam de cor e se camuflam, ou aves que fazem danças exuberantes. Mas, quando o assunto são aranhas, é pouco provável que a cor delas seja a primeira característica que venha à mente.

No entanto, há muitos exemplos de aranhas com cores chamativas (ao menos, aos nossos olhos) e com funções fantásticas. Essas colorações podem, por exemplo, atrair presas, evitar predação, chamar a atenção de parceiros e controlar a temperatura corporal.

Algumas espécies de aranha da família Araneidae, que dependem de os insetos ficarem presos em suas teias para se alimentarem, são amarelas.

Essa característica levou os cientistas a se questionarem sobre o porquê de essas espécies terem essa cor. Principal hipótese: essa coloração imita a cor de flores, atraindo, assim, insetos polinizadores, os quais, de longe, não são capazes de diferenciar a aranha de uma flor.

Resultado: o inseto acaba caindo na teia e virando alimento para a aranha.

Então, ter coloração amarela seria uma estratégia evolutiva de aranhas que imitam flores? Nem sempre. Talvez, isso possa ajudá-las a não serem vistas por suas presas. Soa estranho, não? Afinal, amarelo é uma cor chamativa na natureza, e estamos acostumados a associar camuflagem a cores mais apagadas ou escuras, como um padrão esverdeado, cinza ou marrom.

Estratégias de camuflagem não são definidas por cores específicas, mas, sim, pela semelhança de cor entre o corpo do animal e o local onde ele se encontra. Seja em folhas (decompostas ou não) ou galhos, seja em frutos ou flores, animais camuflados diminuem a chance de serem vistos tanto por suas presas quanto seus predadores, por se assemelharem a algum desses 'fundos'.

Aranhas da família Thomisidae, por exemplo, ficam em flores de diferentes cores e podem mudar de coloração conforme o local onde estão. Mas essa alteração ocorre lentamente, podendo levar dias. Na França, em 2002, pesquisadores, por meio de estimativas matemáticas, viram que aranhas da espécie Thomisus onustus, nativas da Eurásia e África, podiam se camuflar em flores de cor rosa, minimizando a probabilidade de detecção por aves que as predam, e essa observação também vale para aranhas amarelas em flores amarelas.
"Essa característica levou os cientistas a se questionarem sobre o porquê de essas espécies terem essa cor."
Considerando a regência do verbo 'levar', no trecho em análise, julgue as afirmativas a seguir:
I.O verbo 'levar' apresenta regência transitiva direta, sendo 'os cientistas' o complemento verbal exigido pela construção, ao passo que a sequência 'a se questionarem sobre o porquê de essas espécies terem essa cor' constitui oração subordinada adverbial final, indicando a finalidade da ação expressa pelo verbo.
PORQUE
II.Orações introduzidas pela preposição 'a' seguida de verbo no infinitivo exercem função de adjunto adverbial de finalidade quando vinculadas a verbos de sentido causativo ou indutivo, como ocorre com 'levar' no sentido de motivar alguém a uma ação.


A respeito das asserções, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4291561 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


O direito do paciente


    O Estatuto do Paciente, em vigor no Brasil desde abril passado, traz uma série de direitos e garantias a quem necessita de cuidados médicos. Entre as novidades da recente legislação está a chamada “diretiva antecipada de vontade”, ou DAV. Trata-se de um documento que assegura ao paciente a realização de seus desejos previamente manifestados por escrito, numa bem-vinda valorização de sua liberdade de escolha.

    O paciente poderá decidir sobre o tipo de tratamento a que aceita ser submetido, ou não, no caso de uma doença grave, irreversível ou em estágio terminal que o deixe incapaz de manifestar sua vontade. Agora o desejo prévio do paciente deverá ser respeitado pela família e pelos profissionais de saúde.

    Além disso, ao assegurar a autonomia da vontade do paciente, o Estatuto contribui para acabar com o drama da família e atenuar os conflitos éticos dos profissionais de saúde. Agora a família não precisará mais carregar o peso de uma tomada de decisão, seja escolhendo um tratamento inútil que apenas prolonga a vida do ente querido, seja descartando-o. E, se for da vontade do paciente, o médico poderá deixar de fazer manobras de ressuscitação, de mantê-lo ligado a um respirador ou de alimentá-lo por via venosa.

    A diretiva antecipada de vontade não é um instrumento obrigatório. O paciente que não manifestar previamente sua vontade em relação aos cuidados médicos que gostaria de receber estará sujeito às decisões de sua família e do profissional de saúde responsável por seu tratamento médico.


(O Estado de S. Paulo. www.estadao.com.br, 19.05.2026. Adaptado)
Assinale o trecho do texto reescrito em que a expressão destacada está em conformidade com a norma-padrão de regência verbal.
Alternativas
Q4290945 Português
Leia o período.

O servidor compareceu ____ reunião convocada pela direção e apresentou os documentos solicitados ____ autoridade responsável pela análise do processo.

Considerando as regras de regência e do emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.
Alternativas
Q4290064 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão:


A Bola


        O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola.


        O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse “Legal!”. Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa. 


        – Como é que liga? – perguntou.


        – Como, como é que liga? Não se liga.


        O garoto procurou dentro do papel de embrulho. – Não tem manual de instrução?


        O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.


        – Não precisa manual de instrução.


        – O que é que ela faz?


        – Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.


        – O quê?


        – Controla, chuta…


        – Ah, então é uma bola.


        – Claro que é uma bola.


        – Uma bola, bola. Uma bola mesmo.


        – Você pensou que fosse o quê?


        – Nada, não.


        O garoto agradeceu, disse “Legal” de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Baú, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente.


        O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina.


        O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.


        – Filho, olha.


        O garoto disse “Legal” mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.


(Luis Fernando Veríssimo. “A bola”. Comédias para se ler na escola, 2001. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a frase construída a partir do texto obedece à norma-padrão de regência nominal.
Alternativas
Q4289939 Português
Leia o texto para responder à questão:


As crianças deixadas para trás


    O instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), com o apoio das fundações Bracell, Itaú, VélezReyes+, Van Leer e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), lançou recentemente um indicador que mede a cobertura da educação infantil no Brasil. Vistos de cima, os dados sobre as matrículas das crianças de 0 a 5 anos de idade transmitem a sensação de que tudo vai bem, mas não vai: a análise dos dados revela uma persistente negligência das autoridades públicas no cuidado da primeira infância.

    Uma emenda à Constituição, de 2009, tornou obrigatória a matrícula das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. E o prazo para o País alcançar a universalização, que é um índice de matrícula acima de 95%, era até 2016. Segundo o Iede, 94,6% das crianças frequentavam a pré-escola em 2025, o que até permitiria inferir que falta pouco para o Brasil bater a meta.

    Mas, passados dez anos, o que se vê são desigualdades intoleráveis entre municípios, Estados e regiões. Segundo o Iede, 876 municípios brasileiros – ou 16% do total – ainda não alcançaram nem a marca de 90% das crianças matriculadas na pré-escola. Não é exagero afirmar que mais de 300 mil crianças vivem à margem do direito constitucional à educação infantil.

    O local de nascimento de uma criança pode definir quem tem ou não o direito universal à educação. Enquanto no Piauí 100% das crianças frequentam a pré-escola, no Amapá esse índice não chega a 70%. Aliás, o Norte lidera os indicadores negativos: 29% dos municípios da região têm menos de 90% das crianças na pré-escola.

     A atual realidade não autoriza otimismo. Tudo isso é muito triste, porque a Constituição fez muitas promessas aos cidadãos: uma delas é a de que o Brasil combateria as desigualdades regionais e outra é a de que as crianças deveriam ser tratadas, pelo Estado, pela família e pela sociedade, com “absoluta prioridade”. Mas, decerto porque as crianças não votam, as autoridades públicas brasileiras decidiram não honrar o compromisso firmado com todas elas, deixando-as, assim, para trás.


(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 03.05.2026. Adaptado)
Considere as passagens:

•     a análise dos dados revela uma persistente negligência das autoridades públicas no cuidado da primeira infância. (1° parágrafo)
•     Uma emenda à Constituição, de 2009, tornou obrigatória a matrícula das crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. (2° parágrafo)

De acordo com a norma-padrão, os trechos destacados podem ser substituídos, respectivamente, por:
Alternativas
Q4289933 Português
Leia o texto para responder à questão:


Memórias de um aprendiz de escritor


    Cresci ouvindo histórias. Porque tinham histórias a contar, eles: meus pais, meus tios, nossos vizinhos. Eram, na maioria, emigrantes. Da Rússia. Lá tinham vivido, como seus antepassados, em pequenas aldeias, em meio a uma lírica miséria, lendo a Bíblia, praticando a religião e trabalhando como artesãos e pequenos comerciantes. A ruína do império czarista, nos anos que precederam a Revolução de 1917, acarretou também a destruição desse pequeno mundo.

    Contar histórias. Eis uma coisa que meus pais sabiam fazer particularmente bem, com graça e humor; sabiam transformar pessoas em personagens, acontecimentos em situações ou cenas.

    De minha mãe adquiri o gosto pela leitura. Éramos pobres, não indigentes; não chegávamos a passar fome, mas tínhamos de economizar. Apesar disso nunca me faltou dinheiro para livros. Minha mãe me levava à tradicional Livraria do Globo e eu podia escolher à vontade. Desde pequeno estava lendo. De tudo, como até hoje: Monteiro Lobato e revistas em quadrinhos, divulgação científica e romances.

    Ler. Lembro-me: uma manhã, acordo cedo. Não são seis horas ainda. Vou para a salinha da frente, abro a janela, pego um livro (são as aventuras do Camundongo Mickey). Leio um pouco. Olho pela janela. No leito da rua, uma pomba debica entre as pedras. Levanta a cabecinha e fixa em mim um pequeno olho escuro, duro como um grão. Mickey e a pomba. Por onde andará a pomba porto-alegrense que à tênue luz da madrugada parou um instante de bicar para olhar o garoto com o livro na mão? Não sei, não sei de nada.

    Monteiro Lobato era meu autor preferido. Mas eu também lia o “Tesouro da Juventude”, uma enciclopédia infanto-juvenil em dezoito volumes. Curioso, eu queria saber tudo: por que chove? Quem depois de morta foi rainha? Lia, lia. Deitado num sofá, o livro servindo como barreira entre a criança e o mundo. Isto: o livro é uma barreira; mas é também a porta. A porta para um mundo imaginário, onde eu vivia grande parte de meu tempo.


(Moacyr Scliar. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar. 1996. Adaptado)
Lembro-me: uma manhã, acordo cedo. [...] Por onde andará a pomba porto-alegrense que à tênue luz da madrugada parou um instante de bicar para olhar o garoto com o livro na mão? (4° parágrafo)

De acordo com a norma-padrão, as passagens destacadas admitem, respectivamente, as seguintes reescritas:
Alternativas
Q4289792 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


A subjetividade do tribunal racial


    A ex-oficial de chancelaria Flávia Goes de Medeiros foi exonerada do Itamaraty há poucas semanas por não ter sido considerada apta a se beneficiar do sistema de cotas, por meio do qual ingressou na instituição por concurso em 2024. O futuro da sra. Medeiros no serviço público está em discussão na Justiça, mas seu caso lança nova luz sobre o velho problema das tais “bancas de heteroidentificação”, verdadeiros tribunais raciais que, pautados por critérios absolutamente subjetivos, determinam, com base no olhar, quem é preto ou pardo o suficiente para ser digno de reparação histórica.

    A Lei n° 15.142/2025 determina que podem concorrer a 30% das vagas reservadas no serviço público aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos, conforme os critérios utilizados pelo IBGE. Porém, o mesmo diploma legal estabelece que essa autodeclaração deve ser submetida a um procedimento de confirmação. Em outras palavras: o Estado que afirma confiar na palavra do cidadão para fins censitários é o mesmo que, no que concerne aos concursos públicos, demonstra não ter tanta confiança assim.

    É no meio dessa confusão que as tais bancas de heteroidentificação, encarregadas de avaliar os traços fenotípicos dos candidatos, têm espaço de sobra para praticar uma espécie de “achismo” racial, chamemos assim. Não há parâmetros objetivos capazes de definir a partir de que tom de pele ou traço facial alguém deixou de ser negro. O resultado é este a que assistimos na administração e nas universidades públicas: a prevalência das percepções individuais dos membros dos tribunais raciais sobre critérios verificáveis de admissão, como, por exemplo, a condição socioeconômica dos postulantes.

    Como bem observou ao Estadão o professor Wilson Gomes, da Universidade Federal da Bahia, causa espanto a normalização, no Brasil, de uma polícia racial encarregada de examinar o tamanho do nariz ou dos lábios de uma pessoa, o tipo de cabelo, a tonalidade da pele e outros traços distintivos para decidir quem tem direito a se beneficiar de uma política pública. A descrição do professor Gomes pode soar desconfortável para muitos, mas é exatamente isso o que tem ocorrido.

    É óbvio que fraudes existem e têm de ser combatidas. Mas isso não justifica a institucionalização de um sistema que confere enormes poderes a terceiros para arbitrar identidades raciais que, repita-se, a lei autoriza que sejam autodeclaradas.

    O País precisa debater sem paixões a existência dessas bancas de heteroidentificação. Na República, a vigência de políticas públicas não pode depender da avaliação pessoal de servidores incapazes de oferecer o que a própria Constituição exige deles: objetividade.


(Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 02.06.2026. Adaptado)
Considere as seguintes passagens:

... por não ter sido considerada apta a se beneficiar do sistema de cotas... (1° parágrafo)
... parâmetros objetivos capazes de definir... (3° parágrafo)
... o Estado que afirma confiar na palavra... (2° parágrafo)

Assinale a alternativa em que as expressões destacadas estão expressas por seus respectivos antônimos e de acordo com a norma-padrão de regência.
Alternativas
Q4289786 Português
Leia a tira de Dik Browne a seguir para responder à questão:



(Disponível em: https://www.instagram.com/hagar_ohorrivel/)
Assinale alternativa em que o enunciado do texto está reescrito de acordo com a norma-padrão de regência e de crase.
Alternativas
Q4286875 Português
Marque a alternativa em que a preposição destacada apresenta o sentido de assunto.
Alternativas
Respostas
201: D
202: B
203: E
204: C
205: B
206: D
207: D
208: B
209: B
210: A
211: B
212: D
213: A
214: B
215: D
216: E
217: E
218: B
219: D
220: E