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Questões de Concurso Sobre português

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Q4088434 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Qual a luz mais antiga do Universo que já observamos


Existem expressões tão comuns que deixam de causar impacto, mas, ao serem reconsideradas, revelam dimensões surpreendentes. É o caso das descobertas de astros a bilhões de anos-luz de distância. Quando se lembra que um ano-luz equivale a cerca de nove trilhões de quilômetros, torna-se evidente a imensidão do percurso da luz até a Terra. Embora seja uma unidade de distância, o ano-luz também indica o tempo de viagem da luz.

A tecnologia permite observar vestígios do passado remoto do Universo graças a uma luz extremamente antiga que atravessou o espaço até chegar a nós. Isso suscita questões fundamentais: a luz é eterna? Qual é a mais antiga já observada?

A luz mais antiga detectada provém do fundo cósmico de micro-ondas, emitido quando o Universo tinha cerca de trezentos mil anos.

No início, o Universo era extremamente quente e composto por um plasma denso. Nesse período, os fótons não podiam se deslocar livremente devido às constantes colisões com partículas carregadas.

Com a expansão e o resfriamento do Universo, prótons e elétrons se combinaram, formando átomos de hidrogênio. Esse processo, chamado recombinação, permitiu que os fótons passassem a viajar livremente, marcando o momento em que o Universo se tornou transparente. A radiação liberada nesse instante permanece até hoje e constitui um registro essencial da formação do cosmos.

Essa radiação está presente em todo o espaço e é percebida, em parte, no ruído visual de antigos televisores analógicos, resultado da radiação cósmica de fundo que percorreu bilhões de anos até chegar à Terra.

Ao considerar objetos individuais, estrelas antigas próximas não fornecem a luz mais antiga observada, pois sua proximidade faz com que a radiação recebida seja relativamente recente. O caso de uma estrela muito antiga, cuja luz leva cerca de duzentos anos para chegar até nós, ilustra essa diferença entre idade do objeto e idade da luz.

As luzes mais antigas observadas provêm, na verdade, de galáxias muito distantes, cuja radiação foi emitida quando o Universo ainda possuía apenas algumas centenas de milhões de anos. Essa luz viajou por bilhões de anos até ser detectada.

Entre esses registros, há galáxias cuja luz foi emitida quando o Universo tinha cerca de trezentos milhões de anos, resultando em uma radiação com mais de treze bilhões de anos.

Ao observar essas luzes, não vemos os objetos como são atualmente, mas como eram no momento da emissão da radiação. Trata-se, portanto, de uma observação do passado.

Quanto à natureza da luz, as leis da física indicam que a energia não se perde, apenas se transforma. Como a luz é uma forma de energia, ela não desaparece. Os fótons podem ser convertidos em matéria, absorvidos por átomos ou transferir energia para elétrons, mas essa energia permanece no sistema.

Mesmo quando deixa de existir como partícula independente, a energia associada à luz pode ser novamente emitida sob outra forma. Em uma situação ideal, sem interação com outras partículas, um fóton poderia existir indefinidamente.

Assim, conclui-se que a luz não possui prazo de validade: ela pode se transformar, mas nunca é completamente destruída, permanecendo como parte contínua da dinâmica energética do Universo.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy81kxkvmpno.adaptado. 
As produções discursivas podem assumir diferentes formas de organização, variando conforme seus objetivos comunicativos, a forma de apresentação das informações e o modo como os conteúdos são estruturados ao longo do texto.

Assinale a alternativa correta quanto à classificação tipológica e ao gênero do texto apresentado sobre a luz no Universo.
Alternativas
Q4088432 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Qual a luz mais antiga do Universo que já observamos


Existem expressões tão comuns que deixam de causar impacto, mas, ao serem reconsideradas, revelam dimensões surpreendentes. É o caso das descobertas de astros a bilhões de anos-luz de distância. Quando se lembra que um ano-luz equivale a cerca de nove trilhões de quilômetros, torna-se evidente a imensidão do percurso da luz até a Terra. Embora seja uma unidade de distância, o ano-luz também indica o tempo de viagem da luz.

A tecnologia permite observar vestígios do passado remoto do Universo graças a uma luz extremamente antiga que atravessou o espaço até chegar a nós. Isso suscita questões fundamentais: a luz é eterna? Qual é a mais antiga já observada?

A luz mais antiga detectada provém do fundo cósmico de micro-ondas, emitido quando o Universo tinha cerca de trezentos mil anos.

No início, o Universo era extremamente quente e composto por um plasma denso. Nesse período, os fótons não podiam se deslocar livremente devido às constantes colisões com partículas carregadas.

Com a expansão e o resfriamento do Universo, prótons e elétrons se combinaram, formando átomos de hidrogênio. Esse processo, chamado recombinação, permitiu que os fótons passassem a viajar livremente, marcando o momento em que o Universo se tornou transparente. A radiação liberada nesse instante permanece até hoje e constitui um registro essencial da formação do cosmos.

Essa radiação está presente em todo o espaço e é percebida, em parte, no ruído visual de antigos televisores analógicos, resultado da radiação cósmica de fundo que percorreu bilhões de anos até chegar à Terra.

Ao considerar objetos individuais, estrelas antigas próximas não fornecem a luz mais antiga observada, pois sua proximidade faz com que a radiação recebida seja relativamente recente. O caso de uma estrela muito antiga, cuja luz leva cerca de duzentos anos para chegar até nós, ilustra essa diferença entre idade do objeto e idade da luz.

As luzes mais antigas observadas provêm, na verdade, de galáxias muito distantes, cuja radiação foi emitida quando o Universo ainda possuía apenas algumas centenas de milhões de anos. Essa luz viajou por bilhões de anos até ser detectada.

Entre esses registros, há galáxias cuja luz foi emitida quando o Universo tinha cerca de trezentos milhões de anos, resultando em uma radiação com mais de treze bilhões de anos.

Ao observar essas luzes, não vemos os objetos como são atualmente, mas como eram no momento da emissão da radiação. Trata-se, portanto, de uma observação do passado.

Quanto à natureza da luz, as leis da física indicam que a energia não se perde, apenas se transforma. Como a luz é uma forma de energia, ela não desaparece. Os fótons podem ser convertidos em matéria, absorvidos por átomos ou transferir energia para elétrons, mas essa energia permanece no sistema.

Mesmo quando deixa de existir como partícula independente, a energia associada à luz pode ser novamente emitida sob outra forma. Em uma situação ideal, sem interação com outras partículas, um fóton poderia existir indefinidamente.

Assim, conclui-se que a luz não possui prazo de validade: ela pode se transformar, mas nunca é completamente destruída, permanecendo como parte contínua da dinâmica energética do Universo.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy81kxkvmpno.adaptado. 
Esse processo, chamado recombinação, permitiu que os fótons passassem a viajar livremente, marcando o momento em que o Universo se tornou transparente.

Assinale a alternativa correta quanto ao emprego dos sinais de pontuação no trecho apresentado.
Alternativas
Q4088358 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
A separação silábica CORRETA das palavras retiradas do texto está na opção: 
Alternativas
Q4088357 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
No trecho “Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo”, o termo “Ela” refere-se a
Alternativas
Q4088356 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
No texto, a relação semântica corretamente identificada é a de que
Alternativas
Q4088355 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
No trecho “Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas”, o autor reforça a crítica à ideia de que 
Alternativas
Q4088354 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
A reescrita que elimina a ambiguidade e preserva a clareza é:
Alternativas
Q4088353 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
A alternativa cuja reescrita mantém o sentido e segue a norma padrão é:
Alternativas
Q4088352 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
No trecho “O balde seco posa de cidadão de bem”, o texto reforça a ideia de que o(a) 
Alternativas
Q4088351 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
No contexto do texto, a expressão “sinceridade de última hora” indica uma atitude de 
Alternativas
Q4088350 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
Na passagem “Tudo parece dizer: ‘Aqui sempre foi assim’”, a aparência da casa produz um efeito de
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Q4088349 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
No trecho em que o quintal talvez “pedisse um minuto para se reconhecer”, a formulação sugere que o(a)
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Q4088348 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
No trecho “Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia”, as vírgulas ajudam a mostrar que a palavra “coitado”
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Q4088347 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
No fechamento do texto, a ideia defendida é a de que o cuidado verdadeiro 
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Q4088346 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
Na construção global do texto, a ironia funciona, principalmente, para
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Q4088345 Português
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O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

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Na frase “Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil”, o texto sugere concluir que
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Q4088344 Português
Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
A oposição entre “conviver com o problema” e “ser flagrado convivendo com ele” mostra que, para o texto, o incômodo maior de muita gente está no(a)
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Q4088343 Português
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O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
No trecho em que o quintal “descobre de repente sua vocação para a limpeza”, o efeito de sentido construído é o de que o(a)
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Leia o texto e responda à questão.

O quintal que só fica bonito para visita

    No bairro, existe um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro: o quintal de ocasião. Ele passa semanas convivendo em paz com o mato mais confiante, com a garrafa plástica que “depois eu junto”, com o balde que “não tem problema nenhum” e com o pneu velho que, misteriosamente, um dia ainda “vai servir para alguma coisa”. Mas basta surgir a notícia de uma visita, e acontece o milagre. O quintal, antes entregue à própria filosofia, descobre de repente sua vocação para a limpeza.
    É quase emocionante.
   A vassoura, que andava aposentada num canto, volta ao serviço como se tivesse sido convocada para uma missão de honra. Os recipientes com água parada desaparecem em velocidade suspeita. O mato é aparado com a energia de quem quer não apenas organizar a casa, mas reescrever a própria história. Em poucas horas, o cenário muda tanto que, se o quintal pudesse falar, talvez pedisse um minuto para se reconhecer.
    Nessas horas, a casa ganha até um certo ar de inocência. Tudo parece dizer: “Aqui sempre foi assim. Organizado, limpo, preventivo, quase exemplar.” O balde seco posa de cidadão de bem. A calha desentupida ostenta uma honestidade recente. O vasinho virado para baixo age como se nunca tivesse colaborado com mosquito algum. E o morador, com a serenidade de um artista diante da obra pronta, recebe a visita com a tranquilidade de quem acabou de vencer uma disputa particular contra a vergonha.
    Não é exatamente mentira. Também não chega a ser verdade. É um tipo de sinceridade de última hora.
    O mais engraçado é que esse impulso de arrumação não nasce do amor pela ordem, nem de uma súbita paixão pela saúde pública. Nasce do velho desconforto de ser visto. Muita gente não se incomoda tanto com o risco. Incomoda-se com o olhar sobre o risco. Conviver com o problema parece aceitável. Ser flagrado convivendo com ele já é uma afronta moral, quase uma ofensa à reputação doméstica.
    E assim seguimos, numa estranha pedagogia da aparência: limpa-se quando alguém vai olhar, corrige-se quando alguém vai notar, previne-se quando alguém vai perguntar. Como se o mosquito da dengue fosse um fiscal sensível à agenda alheia. Como se a água parada respeitasse o calendário das visitas. Como se o perigo tivesse a delicadeza de esperar a casa estar despenteada para agir.
    Mas o quintal, coitado, não entende de cerimônia. Ele não sabe a diferença entre terça comum e dia de inspeção. O mosquito também não. A larva não suspende expediente porque o morador prometeu cuidar “amanhã sem falta”. Do ponto de vista do risco, a desculpa é sempre um enfeite inútil.
    Talvez a lição esteja justamente aí, onde a ironia perde a graça e vira conselho. Cuidado de verdade não é o que se faz para impressionar visita. É o que se repete quando ninguém está olhando. Saúde não combina com faxina teatral, dessas que entram em cena só para aplauso rápido. Ela prefere a disciplina modesta, sem plateia, sem anúncio e sem heroísmo.
    No fim, o quintal arrumado para visita é melhor do que o quintal largado de vez, claro. Já ajuda. Mas o ideal seria uma revolução menos dramática e mais constante. Porque prevenir não é posar para parecer responsável. É escolher ser responsável até nos dias em que a vassoura não tem testemunhas.

Fonte: Banca Examinadora
Ao considerar o hábito descrito de “um fenômeno curioso, silencioso e muito brasileiro”, o texto sugere que o comportamento retratado
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CPCON Órgão: UEPB Prova: CPCON - 2026 - UEPB - Almoxarife |
Q4088185 Português
Leia o Texto 04 para responder à questão.

Texto 04

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Disponível em: https://www.instagram.com.br/niquel.nausea. Acesso em: 24 fev. 2026.
Com base na leitura do Texto 04, analise as proposições a seguir.

I- O personagem sugere que beber água piora a insônia.
II- Há quebra de expectativa no terceiro quadrinho com a sugestão de uma dica de saúde questionável.
III- No texto, podem ser inferidas críticas ao uso do álcool e à medicação sem orientação médica como alternativas para tratar insônia.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Respostas
6601: B
6602: A
6603: A
6604: B
6605: E
6606: C
6607: D
6608: A
6609: B
6610: E
6611: C
6612: A
6613: D
6614: B
6615: E
6616: D
6617: A
6618: C
6619: B
6620: D