Questões de Concurso Sobre português

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Q3391980 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembrando de Guarapari, Araxá, Bertioga, Salvador –, mas nosso julho era sempre na fazenda. Não havia escolha, e ninguém reclamava.

     Quando menino, me parecia uma distância enorme a percorrer. Só mais tarde me dei conta de que aquelas terras de meus avós ficavam a 14 km da Praça Sete, o umbigo de Belo Horizonte, município ao qual acabaram sendo integralmente incorporadas. Ficava tão perto que, com a família em férias, meu pai seguia todas as manhãs para o batente em seu consultório.

    A sensação de lonjura que me dava tinha a ver com a progressiva piora nas condições dos caminhos sobre os quais, lotado, trafegava o nosso carro – primeiro, um Chevrolet 1939, depois uma sucessão de Kombis, única solução automobilística para um casal que se desdobrou numa dezena de crias.

    O asfalto não tardava a dar lugar ao calçamento, e este a uma estrada de terra, à qual não faltavam “costelas”, ondulações que me faziam pensar no plano inclinado de um tanque onde se esfrega a roupa. A certa altura, entrava em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio do Matadouro Municipal.

     A fazenda parecia longe, também, pela diferença de temperatura, no inverno muito mais baixa do que em Belo Horizonte. O frio era revoltante aos domingos, quando, nuns restos ainda escuros de madrugada, nossos pais nos acordavam para a missa das 6, a uns poucos quilômetros dali, na capela do sanatório que meu avô fizera construir.

    Acho que comecei a perder a fé religiosa naquelas madrugadas em que me obrigavam a deixar o bem-bom das cobertas e seguir, em jejum, para a missa das 6. Foi lá que adquiri o direito irrevogável a uma vaga no Paraíso, não importando que pecados tenha cometido desde então, e quantos venha a cometer ainda. Estará assim compensado, espero, o sofrimento térmico que passei, com o Rodrigo e o Otávio, meus irmãos parelhos, quando nosso pai, um cavalheiro, nos mandava apear do carro e seguir a pé, cedendo a alguém de mais idade (na época, praticamente não havia quem não o fosse) três assentos ainda quentes no Chevrolet 1939.


(Humberto Werneck, https://www.estadao.com.br/cultura/ humberto-werneck/na-toca-mas-viajando/, 05.03.2025. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a alteração da posição do pronome em relação ao verbo, indicada entre colchetes, está em conformidade com a norma-padrão.
Alternativas
Q3391979 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembrando de Guarapari, Araxá, Bertioga, Salvador –, mas nosso julho era sempre na fazenda. Não havia escolha, e ninguém reclamava.

     Quando menino, me parecia uma distância enorme a percorrer. Só mais tarde me dei conta de que aquelas terras de meus avós ficavam a 14 km da Praça Sete, o umbigo de Belo Horizonte, município ao qual acabaram sendo integralmente incorporadas. Ficava tão perto que, com a família em férias, meu pai seguia todas as manhãs para o batente em seu consultório.

    A sensação de lonjura que me dava tinha a ver com a progressiva piora nas condições dos caminhos sobre os quais, lotado, trafegava o nosso carro – primeiro, um Chevrolet 1939, depois uma sucessão de Kombis, única solução automobilística para um casal que se desdobrou numa dezena de crias.

    O asfalto não tardava a dar lugar ao calçamento, e este a uma estrada de terra, à qual não faltavam “costelas”, ondulações que me faziam pensar no plano inclinado de um tanque onde se esfrega a roupa. A certa altura, entrava em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio do Matadouro Municipal.

     A fazenda parecia longe, também, pela diferença de temperatura, no inverno muito mais baixa do que em Belo Horizonte. O frio era revoltante aos domingos, quando, nuns restos ainda escuros de madrugada, nossos pais nos acordavam para a missa das 6, a uns poucos quilômetros dali, na capela do sanatório que meu avô fizera construir.

    Acho que comecei a perder a fé religiosa naquelas madrugadas em que me obrigavam a deixar o bem-bom das cobertas e seguir, em jejum, para a missa das 6. Foi lá que adquiri o direito irrevogável a uma vaga no Paraíso, não importando que pecados tenha cometido desde então, e quantos venha a cometer ainda. Estará assim compensado, espero, o sofrimento térmico que passei, com o Rodrigo e o Otávio, meus irmãos parelhos, quando nosso pai, um cavalheiro, nos mandava apear do carro e seguir a pé, cedendo a alguém de mais idade (na época, praticamente não havia quem não o fosse) três assentos ainda quentes no Chevrolet 1939.


(Humberto Werneck, https://www.estadao.com.br/cultura/ humberto-werneck/na-toca-mas-viajando/, 05.03.2025. Adaptado)
No trecho “Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em qualquer lugar, desde que ensolarado…” (1o parágrafo), as expressões destacadas podem ser, correta e respectivamente, substituídas por:
Alternativas
Q3391978 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembrando de Guarapari, Araxá, Bertioga, Salvador –, mas nosso julho era sempre na fazenda. Não havia escolha, e ninguém reclamava.

     Quando menino, me parecia uma distância enorme a percorrer. Só mais tarde me dei conta de que aquelas terras de meus avós ficavam a 14 km da Praça Sete, o umbigo de Belo Horizonte, município ao qual acabaram sendo integralmente incorporadas. Ficava tão perto que, com a família em férias, meu pai seguia todas as manhãs para o batente em seu consultório.

    A sensação de lonjura que me dava tinha a ver com a progressiva piora nas condições dos caminhos sobre os quais, lotado, trafegava o nosso carro – primeiro, um Chevrolet 1939, depois uma sucessão de Kombis, única solução automobilística para um casal que se desdobrou numa dezena de crias.

    O asfalto não tardava a dar lugar ao calçamento, e este a uma estrada de terra, à qual não faltavam “costelas”, ondulações que me faziam pensar no plano inclinado de um tanque onde se esfrega a roupa. A certa altura, entrava em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio do Matadouro Municipal.

     A fazenda parecia longe, também, pela diferença de temperatura, no inverno muito mais baixa do que em Belo Horizonte. O frio era revoltante aos domingos, quando, nuns restos ainda escuros de madrugada, nossos pais nos acordavam para a missa das 6, a uns poucos quilômetros dali, na capela do sanatório que meu avô fizera construir.

    Acho que comecei a perder a fé religiosa naquelas madrugadas em que me obrigavam a deixar o bem-bom das cobertas e seguir, em jejum, para a missa das 6. Foi lá que adquiri o direito irrevogável a uma vaga no Paraíso, não importando que pecados tenha cometido desde então, e quantos venha a cometer ainda. Estará assim compensado, espero, o sofrimento térmico que passei, com o Rodrigo e o Otávio, meus irmãos parelhos, quando nosso pai, um cavalheiro, nos mandava apear do carro e seguir a pé, cedendo a alguém de mais idade (na época, praticamente não havia quem não o fosse) três assentos ainda quentes no Chevrolet 1939.


(Humberto Werneck, https://www.estadao.com.br/cultura/ humberto-werneck/na-toca-mas-viajando/, 05.03.2025. Adaptado)
Considere as passagens:

•  … nosso julho era sempre na fazenda. (1o parágrafo)
•  … entrava em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio do Matadouro Municipal. (4o parágrafo)
•  … deixar o bem-bom das cobertas e seguir, em jejum, para a missa das 6. (6o parágrafo)

As expressões destacadas apresentam, correta e respectivamente, circunstâncias de: 
Alternativas
Q3391977 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembrando de Guarapari, Araxá, Bertioga, Salvador –, mas nosso julho era sempre na fazenda. Não havia escolha, e ninguém reclamava.

     Quando menino, me parecia uma distância enorme a percorrer. Só mais tarde me dei conta de que aquelas terras de meus avós ficavam a 14 km da Praça Sete, o umbigo de Belo Horizonte, município ao qual acabaram sendo integralmente incorporadas. Ficava tão perto que, com a família em férias, meu pai seguia todas as manhãs para o batente em seu consultório.

    A sensação de lonjura que me dava tinha a ver com a progressiva piora nas condições dos caminhos sobre os quais, lotado, trafegava o nosso carro – primeiro, um Chevrolet 1939, depois uma sucessão de Kombis, única solução automobilística para um casal que se desdobrou numa dezena de crias.

    O asfalto não tardava a dar lugar ao calçamento, e este a uma estrada de terra, à qual não faltavam “costelas”, ondulações que me faziam pensar no plano inclinado de um tanque onde se esfrega a roupa. A certa altura, entrava em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio do Matadouro Municipal.

     A fazenda parecia longe, também, pela diferença de temperatura, no inverno muito mais baixa do que em Belo Horizonte. O frio era revoltante aos domingos, quando, nuns restos ainda escuros de madrugada, nossos pais nos acordavam para a missa das 6, a uns poucos quilômetros dali, na capela do sanatório que meu avô fizera construir.

    Acho que comecei a perder a fé religiosa naquelas madrugadas em que me obrigavam a deixar o bem-bom das cobertas e seguir, em jejum, para a missa das 6. Foi lá que adquiri o direito irrevogável a uma vaga no Paraíso, não importando que pecados tenha cometido desde então, e quantos venha a cometer ainda. Estará assim compensado, espero, o sofrimento térmico que passei, com o Rodrigo e o Otávio, meus irmãos parelhos, quando nosso pai, um cavalheiro, nos mandava apear do carro e seguir a pé, cedendo a alguém de mais idade (na época, praticamente não havia quem não o fosse) três assentos ainda quentes no Chevrolet 1939.


(Humberto Werneck, https://www.estadao.com.br/cultura/ humberto-werneck/na-toca-mas-viajando/, 05.03.2025. Adaptado)
De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que a família do autor era
Alternativas
Q3391976 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    Janeiro, na casa onde me criei, podia transcorrer em qualquer lugar, desde que ensolarado – estou me lembrando de Guarapari, Araxá, Bertioga, Salvador –, mas nosso julho era sempre na fazenda. Não havia escolha, e ninguém reclamava.

     Quando menino, me parecia uma distância enorme a percorrer. Só mais tarde me dei conta de que aquelas terras de meus avós ficavam a 14 km da Praça Sete, o umbigo de Belo Horizonte, município ao qual acabaram sendo integralmente incorporadas. Ficava tão perto que, com a família em férias, meu pai seguia todas as manhãs para o batente em seu consultório.

    A sensação de lonjura que me dava tinha a ver com a progressiva piora nas condições dos caminhos sobre os quais, lotado, trafegava o nosso carro – primeiro, um Chevrolet 1939, depois uma sucessão de Kombis, única solução automobilística para um casal que se desdobrou numa dezena de crias.

    O asfalto não tardava a dar lugar ao calçamento, e este a uma estrada de terra, à qual não faltavam “costelas”, ondulações que me faziam pensar no plano inclinado de um tanque onde se esfrega a roupa. A certa altura, entrava em nosso campo de visão, à direita, o soturno prédio do Matadouro Municipal.

     A fazenda parecia longe, também, pela diferença de temperatura, no inverno muito mais baixa do que em Belo Horizonte. O frio era revoltante aos domingos, quando, nuns restos ainda escuros de madrugada, nossos pais nos acordavam para a missa das 6, a uns poucos quilômetros dali, na capela do sanatório que meu avô fizera construir.

    Acho que comecei a perder a fé religiosa naquelas madrugadas em que me obrigavam a deixar o bem-bom das cobertas e seguir, em jejum, para a missa das 6. Foi lá que adquiri o direito irrevogável a uma vaga no Paraíso, não importando que pecados tenha cometido desde então, e quantos venha a cometer ainda. Estará assim compensado, espero, o sofrimento térmico que passei, com o Rodrigo e o Otávio, meus irmãos parelhos, quando nosso pai, um cavalheiro, nos mandava apear do carro e seguir a pé, cedendo a alguém de mais idade (na época, praticamente não havia quem não o fosse) três assentos ainda quentes no Chevrolet 1939.


(Humberto Werneck, https://www.estadao.com.br/cultura/ humberto-werneck/na-toca-mas-viajando/, 05.03.2025. Adaptado)
Um dos motivos pelos quais o autor tinha a sensação de que era longo o percurso que costumava fazer até a fazenda da família era o fato de
Alternativas
Q3391902 Português

Leia o Texto II para responder à questão.

    Nunca houve tanto diagnóstico de transtorno neurológico infantil. Em apenas um ano, entre 2022 e 2023, cerca de 200 mil crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foram matriculados em salas de aula comuns no Brasil, um aumento de 50% segundo o Censo de Educação Básica. Mais do que uma questão para as famílias, esse cenário reflete um novo desafio nos colégios, que só deve crescer neste ano: o de como lidar com salas de alunos cada vez mais diversas e complexas.

    Toda criança atípica tem direito a adaptação escolar para que consiga acompanhar pedagogicamente sua turma. “O papel da escola é ensinar da maneira que a criança aprende. A professora colocar todo mundo na cadeira, passar uma fórmula e, se o aluno não atingir a nota, ele é que é errado não é a essência da escola”, afirma a neuropsicopedagoga Ingrid Garrido. “O cérebro da criança atípica não funciona desse jeito. Então é essa criança que vai sempre para a coordenação, é essa que vão achar que é mal educada.”

    “Quando saímos da licenciatura não estamos preparados nem para os alunos considerados típicos, quanto mais para os atípicos. Aprende-se na marra!”, brinca a professora Rosangela Senger, que está há 33 anos na profissão e já teve sala em que um aluno tinha TEA, três TDAH e um TOD (transtorno opositor desafiador). Para Rosangela, trabalhar em parceria com a família e os terapeutas é o melhor caminho, independentemente da necessidade em questão. “Não acredito que seja papel somente da escola oferecer a formação ao professor, mas este precisa buscar um aprofundamento para que seus alunos se desenvolvam da melhor forma. Mas te digo: ultimamente, a falta de limite, interesse e respeito de alunos considerados típicos é a nossa maior luta diária.”


(Luciana Garbin. Há cada vez mais diagnóstico de TDAH, autismo e outros transtornos: pais e escolas estão preparados? Disponível em: www.estadao.com.br/cultura, 12.02.2025. Adaptado)

A frase que está em conformidade com a norma-padrão de pontuação, concordância e colocação pronominal é: 
Alternativas
Q3391898 Português

Leia o Texto I para responder à questão.


    Toda criança aprende. A condição humana é aprendida. Há alguns equívocos muito presentes nas tradições educacionais e pedagógicas atuais, a maioria deles sustentada por uma concepção inatista de aprendizagem. Fundamenta-se no pressuposto de que já nascemos com certas disposições para aprender ou não. Isso gera controvérsias e complexidades: alguns teriam as “capacidades” de aprendizagem, outros e outras não “teriam” essas qualidades.

    Para nossa concepção de educação, os chamados bloqueios de aprendizagem devem ser analisados em sua totalidade, muito mais como um problema da tradição pedagógica autoritária e da forma conservadora de organizar a escola e o currículo do que uma suposta “falha” da criança. Hoje, a ditadura da sociedade tecnológica, a apelação consumista, a raridade de espaços humanizadores, a lacuna na formação artística, teatral, musical, fazem com que a indústria cultural seja um grande poluente sonoro e visual, chegando aos corações e mentes das crianças sem dispositivos de crítica da proposta pedagógica da escola, na direção de mostrar outra música, outro repertório, outras brincadeiras, outras danças.

    Criar espaços de humanização, de exposição serena das crianças a outras coordenadas antropológicas, a outra atmosfera de sentido, a outra música, de outra arte, de alegria, de teatro, de conversas, ajuda muito a “desbloquear” qualquer pessoa! A escola, para mim, deve ter clareza de ser contraponto, competente e lúcido, à indústria cultural alienante e consumista. Mostrar os grandes mestres e mestras da humanidade, neste tempo especial de aprender, é um trunfo inaudito! O conhecimento sensível e a sensibilidade esclarecida são os condutores do afeto e da lucidez crítica. Ensinar a pensar e a sentir!

    Precisamos superar os ritos classificatórios e meritocráticos tradicionais. Os pais e professores podem começar avaliando o contexto pleno da criança, seu mundo, seus estímulos, internos e externos, ouvindo suas queixas, aceitando suas versões, buscando superar as contradições que levam àquele resultado. Relativizar as notas escolares, hoje, pode ser um bom começo; depreende-se que a nota é resultante de uma estrutura baseada na memória e na retenção de informação. Ora, tomada estritamente, esta suposta qualidade mnemônica assemelha-se ao depositário de um “chip”, que está disponível na internet, o Google ou o ChatGPT “sabem” mais de quantidade ou de volume de informação do que a escola.

    A Escola que eu sonho é mais do que informação e memória, é aquela capaz de transformar a informação em algo subjetivo, agradável, pertinente, com sentido para a vida das crianças e dos adolescentes! Isto é o que se designa como aprendizagem significativa, que guarda sentido para a criança, para seu universo, para seu mundo. E dele, como sujeito, a criança poderá alçar aos mais longínquos horizontes.



(César Nunes. Toda criança aprende – aprender é existir. In: Da educação que ama ao amor que educa. Principis, 2023. Adaptado)

Considerando o contexto em que se encontram, a palavra destacada no trecho “Há alguns equívocos muito presentes nas tradições educacionais...” pertence à mesma classe de palavras que a destacada no trecho:
Alternativas
Q3391895 Português

Leia o Texto I para responder à questão.


    Toda criança aprende. A condição humana é aprendida. Há alguns equívocos muito presentes nas tradições educacionais e pedagógicas atuais, a maioria deles sustentada por uma concepção inatista de aprendizagem. Fundamenta-se no pressuposto de que já nascemos com certas disposições para aprender ou não. Isso gera controvérsias e complexidades: alguns teriam as “capacidades” de aprendizagem, outros e outras não “teriam” essas qualidades.

    Para nossa concepção de educação, os chamados bloqueios de aprendizagem devem ser analisados em sua totalidade, muito mais como um problema da tradição pedagógica autoritária e da forma conservadora de organizar a escola e o currículo do que uma suposta “falha” da criança. Hoje, a ditadura da sociedade tecnológica, a apelação consumista, a raridade de espaços humanizadores, a lacuna na formação artística, teatral, musical, fazem com que a indústria cultural seja um grande poluente sonoro e visual, chegando aos corações e mentes das crianças sem dispositivos de crítica da proposta pedagógica da escola, na direção de mostrar outra música, outro repertório, outras brincadeiras, outras danças.

    Criar espaços de humanização, de exposição serena das crianças a outras coordenadas antropológicas, a outra atmosfera de sentido, a outra música, de outra arte, de alegria, de teatro, de conversas, ajuda muito a “desbloquear” qualquer pessoa! A escola, para mim, deve ter clareza de ser contraponto, competente e lúcido, à indústria cultural alienante e consumista. Mostrar os grandes mestres e mestras da humanidade, neste tempo especial de aprender, é um trunfo inaudito! O conhecimento sensível e a sensibilidade esclarecida são os condutores do afeto e da lucidez crítica. Ensinar a pensar e a sentir!

    Precisamos superar os ritos classificatórios e meritocráticos tradicionais. Os pais e professores podem começar avaliando o contexto pleno da criança, seu mundo, seus estímulos, internos e externos, ouvindo suas queixas, aceitando suas versões, buscando superar as contradições que levam àquele resultado. Relativizar as notas escolares, hoje, pode ser um bom começo; depreende-se que a nota é resultante de uma estrutura baseada na memória e na retenção de informação. Ora, tomada estritamente, esta suposta qualidade mnemônica assemelha-se ao depositário de um “chip”, que está disponível na internet, o Google ou o ChatGPT “sabem” mais de quantidade ou de volume de informação do que a escola.

    A Escola que eu sonho é mais do que informação e memória, é aquela capaz de transformar a informação em algo subjetivo, agradável, pertinente, com sentido para a vida das crianças e dos adolescentes! Isto é o que se designa como aprendizagem significativa, que guarda sentido para a criança, para seu universo, para seu mundo. E dele, como sujeito, a criança poderá alçar aos mais longínquos horizontes.



(César Nunes. Toda criança aprende – aprender é existir. In: Da educação que ama ao amor que educa. Principis, 2023. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a palavra destacada está empregada em sentido próprio.
Alternativas
Q3391805 Português
Assinalar a alternativa em que todas as palavras são oxítonas.
Alternativas
Q3391801 Português
Pechada


        O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo chamado de “Gaúcho”. Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado.
        — Aí, Gaúcho!
        — Fala, Gaúcho!
        Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão grandes assim. Afinal, todos falavam português. Variava a pronúncia, mas a língua era uma só. E os alunos não achavam formidável que num país do tamanho do Brasil todos falassem a mesma língua, só com pequenas variações?
        — Mas o Gaúcho fala “tu”! — disse o gordo Jorge, que era quem mais implicava com o novato.
     — E fala certo — disse a professora. — Pode-se dizer “tu” e pode-se dizer “você”. Os dois estão certos. Os dois são português.
        O gordo Jorge fez cara de quem não se entregara.
        Um dia, o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que acontecera.         
        — O pai atravessou a sinaleira e pechou.
        — O quê?
        — O pai. Atravessou a sinaleira e pechou.
        A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do menino atravessara uma sinaleira e pechara. Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo.
        — O que foi que ele disse, tia? — quis saber o gordo Jorge.
        — Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou.
        — E o que é isso?
        — Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu.
        — Nós vinha...
        — Nós vínhamos.
      — Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho e deu uma pechada noutro auto. 
        A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia admitir que não o entendera. Não com o gordo Jorge rindo daquele jeito.
        “Sinaleira”, obviamente, era sinal, semáforo. “Auto” era automóvel, carro. Mas “pechar” o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? Só muitos dias depois a professora descobriu que “pechar” vinha do espanhol e queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o gordo Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro apelido. Pechada.
        — Aí, Pechada!
        — Fala, Pechada!

Fonte: Revista Nova. Luis Fernando Veríssimo.
Em determinado momento no texto, a professora faz uma observação à fala do Rodrigo (Gaúcho) com o intuito de fazer uma correção gramatical. Isso ocorre porque a fala dele se apresenta como:
Alternativas
Q3391555 Português
De acordo com Neumann e Ribeiro (2020), é parte da história do ocidente que somente as mulheres brancas burguesas fossem consideradas como mulheres. As demais eram vistas e tratadas como animais, no sentido profundo de seres sem gênero, fêmeas sem características de feminilidade. No Brasil, nos últimos dez anos, a taxa de homicídios para cada 100 mil mulheres negras aumentou 15,4%, enquanto entre as não negras houve uma queda de 8%. No entanto, todo esse cenário não foi capturado pelos feminismos brancos ocidentais.
Assinale a alternativa que, segundo as autoras, explica essa não captura.
Alternativas
Q3391416 Português
Assinalar a alternativa em que ambas as palavras estão grafadas corretamente?
Alternativas
Q3391415 Português
Na frase abaixo, as aspas foram utilizadas para:

O termo "bullying" tem origem na língua inglesa, sendo derivado da palavra "bully". 
Alternativas
Q3391153 Português
 Em relação ao uso da pontuação, assinalar a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3391150 Português
Assinalar a alternativa em que o sujeito é classificado como inexistente.
Alternativas
Q3391148 Português
Em qual das alternativas o uso de crase está INCORRETO?
Alternativas
Q3391043 Português

Internet: <www.repositorio.unip.brf> (com adaptações).

No que diz respeito às estruturas linguísticas e gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


A correção gramatical e o sentido original do texto seriam mantidos caso fosse suprimido o fragmento “estudos das” do trecho “pesquisas realizadas sobre o antraz e estudos das formas de contágio de doenças”, resultando na seguinte reescrita: pesquisas realizadas sobre o antraz e as formas de contágio de doenças.

Alternativas
Q3391042 Português

Internet: <www.repositorio.unip.brf> (com adaptações).

No que diz respeito às estruturas linguísticas e gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


No primeiro período do último parágrafo do texto, a substituição da forma verbal “proporcionaram” pela estrutura foram proporcionadas por manteria a correção gramatical do texto.

Alternativas
Q3391041 Português

Internet: <www.repositorio.unip.brf> (com adaptações).

No que diz respeito às estruturas linguísticas e gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


No último período do quarto parágrafo, a expressão “visto que” poderia ser substituída, sem prejuízo à correção gramatical do texto, por haja visto que.

Alternativas
Q3391040 Português

Internet: <www.repositorio.unip.brf> (com adaptações).

No que diz respeito às estruturas linguísticas e gramaticais do texto, julgue o item seguinte.


No quarto parágrafo, ficariam mantidos a correção gramatical e os sentidos textuais caso a sentença “Essa é uma atuação fundamental, visto que, com o domínio e o aprimoramento de técnicas de industrialização, a população mundial passou a consumir alimentos industrializados cotidianamente.” fosse reescrita da seguinte maneira: A ação da veterinária populacional é primordial, porque as pessoas universais passam a comer, no dia a dia, alimentos feitos pelo domínio e o aperfeiçoamento de métodos industriais.

Alternativas
Respostas
35641: D
35642: B
35643: A
35644: D
35645: E
35646: E
35647: A
35648: E
35649: C
35650: B
35651: A
35652: A
35653: C
35654: C
35655: C
35656: D
35657: C
35658: E
35659: E
35660: E