Questões de Concurso Sobre português

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Q3697109 Português
Leia o texto para responder à questão:

Nem todo humano

    Nina é um ímã de maluco.
    As pessoas acham que o fato de você estar com um cachorro é permissão para puxar conversa sobre cachorros, o clima, política, economia, urbanismo, ecologia. Isso também acontece quando você tem um bebê humano, mas já passei, tem tempo, dessa fase.
    Nina e eu caminhando na rua. Do nada, um senhor compartilha a informação de que a filha dele tem um cachorro parecido e que, portanto (?!), eu também devo ser médica. Tudo o que ele queria, obviamente, era contar para alguém que tem uma filha médica. Sorri amarelo e fugi, poupando o senhor da minha opinião sobre médicos, de uma forma geral.
    Entramos no parque. Um doido vem na minha direção e grita “animais têm alma sim!”. Concordei, é claro. E fomos na direção oposta ao doido e ao lugar para onde eu queria ir.
    Sentamos em um banco do parque. Quer dizer, eu sentei no banco, Nina deitou no chão. Uma senhora estaciona do nosso lado. E, depois de fazer cafuné na Nina por uns bons cinco minutos, me diz que ela deveria estar de focinheira. A vontade que me deu de dizer quem eu acho que deveria estar de focinheira, minha gente, nem conto.
    Nem todo humano, mas sempre um humano. De nada adianta toda a minha apresentação mal-encarada e poucos-amigos.
    Eu culpo a Nina e essa carinha fofa e simpática dela. Aposto que se eu morasse com um dobermann, nada disso acontecia.


(Carolina Vigna. Nem todo humano. Disponível em: https://rascunho.com.br/ cronistas/carolina-vigna/nem-todo-humano/. Acesso em 04/05/2025. Adaptado)
Com base na leitura da crônica, é correto afirmar que a autora
Alternativas
Q3697108 Português
Leia a tirinha a seguir:

Captura_de tela 2025-10-30 115321.png (378×414)
(Quino. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 2008)

Assinale a alternativa que melhor explica o sentido da tira.
Alternativas
Q3697107 Português
Leia o texto para responder à questão:

    A obesidade é uma doença que afeta 1 bilhão de pessoas, 12,5% da população mundial. No entanto, estima-se que em 2035 os obesos serão 54% da população, revelando uma tendência de crescimento exponencial. Embora a obesidade não seja uma doença mental, como a anorexia, a bulimia e a compulsão, uma grande parte das pessoas obesas apresentam sofrimentos ligados à alimentação e ao corpo, ora causa da obesidade, ora consequência da obesidade e, muito frequentemente, tanto causa como consequência da obesidade. A gordofobia encontra-se na raiz de quadros de ansiedade e depressão, alimentados pelos estigmas em torno do corpo gordo: doente, preguiçoso, incapaz etc. Os estigmas também colaboram para o aumento de comportamentos alimentares disfuncionais, que levam ao ganho de peso, prendendo o sujeito num ciclo infinito.
    Pesquisas recentes realizadas pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde – NUPENS indicam que a causa mais frequente da obesidade, e seu aumento exponencial nas últimas décadas, estão relacionados com o consumo de ultraprocessados. Assim me parece importante compreender o que leva o sujeito ao consumo desses produtos. Não se trata, é claro, de desresponsabilizar o sujeito por suas escolhas, mas de considerar até que ponto o sujeito pode de fato escolher?
    Numa pesquisa já antiga, Michael Pollain afirma que com 1 dólar você pode comprar cerca de 250 calorias de comida in natura, mas com esse mesmo dólar você pode comprar 1.200 calorias de comida ultraprocessada! Então, quando moramos em um país em que uma única banana custa mais caro do que um pacote de macarrão instantâneo, pensemos se seria justo responsabilizar apenas o sujeito por escolher ultraprocessados e ganhar peso em consequência disto.


(Camila Junqueira. Mudanças no critério diagnóstico da obesidade: O que o psicanalista tem a ver com isso?. Disponível em: https://deptodepsicanalise.blogspot.com/2025/02/ mudancas-no-criterio-diagnostico-da.html. Acesso em: 30/04/2025)
No que se refere às pesquisas que relacionam o aumento da obesidade ao consumo de alimentos ultraprocessados pela população, a autora 
Alternativas
Q3697106 Português
Leia o texto para responder à questão:

    A obesidade é uma doença que afeta 1 bilhão de pessoas, 12,5% da população mundial. No entanto, estima-se que em 2035 os obesos serão 54% da população, revelando uma tendência de crescimento exponencial. Embora a obesidade não seja uma doença mental, como a anorexia, a bulimia e a compulsão, uma grande parte das pessoas obesas apresentam sofrimentos ligados à alimentação e ao corpo, ora causa da obesidade, ora consequência da obesidade e, muito frequentemente, tanto causa como consequência da obesidade. A gordofobia encontra-se na raiz de quadros de ansiedade e depressão, alimentados pelos estigmas em torno do corpo gordo: doente, preguiçoso, incapaz etc. Os estigmas também colaboram para o aumento de comportamentos alimentares disfuncionais, que levam ao ganho de peso, prendendo o sujeito num ciclo infinito.
    Pesquisas recentes realizadas pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde – NUPENS indicam que a causa mais frequente da obesidade, e seu aumento exponencial nas últimas décadas, estão relacionados com o consumo de ultraprocessados. Assim me parece importante compreender o que leva o sujeito ao consumo desses produtos. Não se trata, é claro, de desresponsabilizar o sujeito por suas escolhas, mas de considerar até que ponto o sujeito pode de fato escolher?
    Numa pesquisa já antiga, Michael Pollain afirma que com 1 dólar você pode comprar cerca de 250 calorias de comida in natura, mas com esse mesmo dólar você pode comprar 1.200 calorias de comida ultraprocessada! Então, quando moramos em um país em que uma única banana custa mais caro do que um pacote de macarrão instantâneo, pensemos se seria justo responsabilizar apenas o sujeito por escolher ultraprocessados e ganhar peso em consequência disto.


(Camila Junqueira. Mudanças no critério diagnóstico da obesidade: O que o psicanalista tem a ver com isso?. Disponível em: https://deptodepsicanalise.blogspot.com/2025/02/ mudancas-no-criterio-diagnostico-da.html. Acesso em: 30/04/2025)
Com base na leitura do texto, é correto afirmar que a autora
Alternativas
Q3697105 Português
Leia a tira para responder à questão:

Captura_de tela 2025-10-30 115044.png (404×490)

(Bill Watterson. Calvin e Haroldo. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CryXA07rM_g/. Acesso em 04/05/2025)
A partir dos elementos verbais e não verbais presentes no 3º quadro, é correto concluir que o garoto Calvin 
Alternativas
Q3697104 Português
Leia a tira para responder à questão:

Captura_de tela 2025-10-30 115044.png (404×490)

(Bill Watterson. Calvin e Haroldo. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CryXA07rM_g/. Acesso em 04/05/2025)
A partir da leitura da tira, é correto concluir que o garoto Calvin faz um cartaz
Alternativas
Q3697003 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Dispositivo pode substituir cloro no tratamento de água e auxiliar na saúde das pessoas

        Os sistemas de tratamento de água são essenciais na vida dos seres humanos. São eles os responsáveis por garantir a qualidade e transporte do líquido até a casa de cada cidadão. Atualmente grande parcela do tratamento ao redor do mundo é realizada com o uso de cloro. Entretanto, por mais que a técnica seja eficaz contra microrganismos, ela pode gerar subprodutos tóxicos à saúde e exige cuidados no transporte e armazenamento, podendo afetar diretamente os seres humanos e o meio ambiente.
    
        Pensando nessa questão, pesquisadores do Instituto de Química da USP de São Carlos desenvolveram um dispositivo capaz de contornar esse problema. O mecanismo, ao invés de utilizar cloro, purifica a água a partir do uso de peróxido de hidrogênio, também conhecido como água oxigenada.
    
        O tratamento de água a partir desse composto não só auxilia no seu tratamento como não gera subprodutos prejudiciais à saúde. Marcos Lanza, professor do Instituto de Química de São Carlos e responsável pelo grupo de pesquisa, comenta que processos como a peróxido gênese são estudados há muito tempo. “O uso de peróxido de hidrogênio para o tratamento de água, em larga escala, é muito caro, e por isso é pouco utilizado nas estações. Nós desenvolvemos esse dispositivo pensando justamente em baratear o custo do reagente.”
    
        O aparelho desenvolvido produz, monitora e libera peróxido de hidrogênio na água em tempo real. Robson Souto, doutorando e pesquisador do Instituto de Química, detalha que a reação que ocorre no interior do dispositivo baseia-se na adição de oxigênio atmosférico à água, gerando o peróxido de hidrogênio. Ele complementa que o composto gerado é altamente oxidante e muito eficiente.
    
        Além do tratamento de água, o dispositivo pode ser utilizado para outras finalidades industriais. “No sistema, o peróxido de hidrogênio produzido pode ser utilizado, por exemplo, para uma aplicação de síntese na indústria química. Uma das áreas possíveis de utilização é na indústria de polpa de papel, para a produção de folha sulfite.
    
        Além do custo elevado, o peróxido de hidrogênio tem um tempo de vida curto, levando a uma preferência no uso de cloro nas estações de tratamento. Assim, o dispositivo desenvolvido possui muita utilidade em espaços mais afastados das estações de tratamento, já que a produção de peróxido é controlada de acordo com a necessidade. Além disso, o professor comenta que a armazenagem do composto é mais simples em relação ao cloro, visto que ele consegue se misturar com a água facilmente.
    
        O projeto ainda não está no mercado. De acordo com os pesquisadores, algumas empresas já consultaram a situação da patente, mas desistiram ao notarem os altos custos de desenvolvimento. “Nós estamos em uma escala ‘bancada-piloto’, mas é o máximo que conseguimos alcançar por enquanto. Teríamos que ter mais recursos e investimentos para aumentarmos nosso espaço, para montarmos uma grande planta”, afirma Marcos.

Fonte: https://jornal.usp.br/radio-usp/dispositivo-pode-substituir-cloro-notratamento-de-agua-e-auxiliar-na-saude-das-pessoas/ (adaptado). 
Se o verbo baratear estivesse flexionado na 3ª pessoa do plural do futuro do pretérito do indicativo, sua forma seria: 
Alternativas
Q3697002 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Dispositivo pode substituir cloro no tratamento de água e auxiliar na saúde das pessoas

        Os sistemas de tratamento de água são essenciais na vida dos seres humanos. São eles os responsáveis por garantir a qualidade e transporte do líquido até a casa de cada cidadão. Atualmente grande parcela do tratamento ao redor do mundo é realizada com o uso de cloro. Entretanto, por mais que a técnica seja eficaz contra microrganismos, ela pode gerar subprodutos tóxicos à saúde e exige cuidados no transporte e armazenamento, podendo afetar diretamente os seres humanos e o meio ambiente.
    
        Pensando nessa questão, pesquisadores do Instituto de Química da USP de São Carlos desenvolveram um dispositivo capaz de contornar esse problema. O mecanismo, ao invés de utilizar cloro, purifica a água a partir do uso de peróxido de hidrogênio, também conhecido como água oxigenada.
    
        O tratamento de água a partir desse composto não só auxilia no seu tratamento como não gera subprodutos prejudiciais à saúde. Marcos Lanza, professor do Instituto de Química de São Carlos e responsável pelo grupo de pesquisa, comenta que processos como a peróxido gênese são estudados há muito tempo. “O uso de peróxido de hidrogênio para o tratamento de água, em larga escala, é muito caro, e por isso é pouco utilizado nas estações. Nós desenvolvemos esse dispositivo pensando justamente em baratear o custo do reagente.”
    
        O aparelho desenvolvido produz, monitora e libera peróxido de hidrogênio na água em tempo real. Robson Souto, doutorando e pesquisador do Instituto de Química, detalha que a reação que ocorre no interior do dispositivo baseia-se na adição de oxigênio atmosférico à água, gerando o peróxido de hidrogênio. Ele complementa que o composto gerado é altamente oxidante e muito eficiente.
    
        Além do tratamento de água, o dispositivo pode ser utilizado para outras finalidades industriais. “No sistema, o peróxido de hidrogênio produzido pode ser utilizado, por exemplo, para uma aplicação de síntese na indústria química. Uma das áreas possíveis de utilização é na indústria de polpa de papel, para a produção de folha sulfite.
    
        Além do custo elevado, o peróxido de hidrogênio tem um tempo de vida curto, levando a uma preferência no uso de cloro nas estações de tratamento. Assim, o dispositivo desenvolvido possui muita utilidade em espaços mais afastados das estações de tratamento, já que a produção de peróxido é controlada de acordo com a necessidade. Além disso, o professor comenta que a armazenagem do composto é mais simples em relação ao cloro, visto que ele consegue se misturar com a água facilmente.
    
        O projeto ainda não está no mercado. De acordo com os pesquisadores, algumas empresas já consultaram a situação da patente, mas desistiram ao notarem os altos custos de desenvolvimento. “Nós estamos em uma escala ‘bancada-piloto’, mas é o máximo que conseguimos alcançar por enquanto. Teríamos que ter mais recursos e investimentos para aumentarmos nosso espaço, para montarmos uma grande planta”, afirma Marcos.

Fonte: https://jornal.usp.br/radio-usp/dispositivo-pode-substituir-cloro-notratamento-de-agua-e-auxiliar-na-saude-das-pessoas/ (adaptado). 
Observe o trecho: “O projeto ainda não está no mercado.” Assinale a alternativa que classifica corretamente as classes gramaticais das palavras destacadas.
Alternativas
Q3697001 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Dispositivo pode substituir cloro no tratamento de água e auxiliar na saúde das pessoas

        Os sistemas de tratamento de água são essenciais na vida dos seres humanos. São eles os responsáveis por garantir a qualidade e transporte do líquido até a casa de cada cidadão. Atualmente grande parcela do tratamento ao redor do mundo é realizada com o uso de cloro. Entretanto, por mais que a técnica seja eficaz contra microrganismos, ela pode gerar subprodutos tóxicos à saúde e exige cuidados no transporte e armazenamento, podendo afetar diretamente os seres humanos e o meio ambiente.
    
        Pensando nessa questão, pesquisadores do Instituto de Química da USP de São Carlos desenvolveram um dispositivo capaz de contornar esse problema. O mecanismo, ao invés de utilizar cloro, purifica a água a partir do uso de peróxido de hidrogênio, também conhecido como água oxigenada.
    
        O tratamento de água a partir desse composto não só auxilia no seu tratamento como não gera subprodutos prejudiciais à saúde. Marcos Lanza, professor do Instituto de Química de São Carlos e responsável pelo grupo de pesquisa, comenta que processos como a peróxido gênese são estudados há muito tempo. “O uso de peróxido de hidrogênio para o tratamento de água, em larga escala, é muito caro, e por isso é pouco utilizado nas estações. Nós desenvolvemos esse dispositivo pensando justamente em baratear o custo do reagente.”
    
        O aparelho desenvolvido produz, monitora e libera peróxido de hidrogênio na água em tempo real. Robson Souto, doutorando e pesquisador do Instituto de Química, detalha que a reação que ocorre no interior do dispositivo baseia-se na adição de oxigênio atmosférico à água, gerando o peróxido de hidrogênio. Ele complementa que o composto gerado é altamente oxidante e muito eficiente.
    
        Além do tratamento de água, o dispositivo pode ser utilizado para outras finalidades industriais. “No sistema, o peróxido de hidrogênio produzido pode ser utilizado, por exemplo, para uma aplicação de síntese na indústria química. Uma das áreas possíveis de utilização é na indústria de polpa de papel, para a produção de folha sulfite.
    
        Além do custo elevado, o peróxido de hidrogênio tem um tempo de vida curto, levando a uma preferência no uso de cloro nas estações de tratamento. Assim, o dispositivo desenvolvido possui muita utilidade em espaços mais afastados das estações de tratamento, já que a produção de peróxido é controlada de acordo com a necessidade. Além disso, o professor comenta que a armazenagem do composto é mais simples em relação ao cloro, visto que ele consegue se misturar com a água facilmente.
    
        O projeto ainda não está no mercado. De acordo com os pesquisadores, algumas empresas já consultaram a situação da patente, mas desistiram ao notarem os altos custos de desenvolvimento. “Nós estamos em uma escala ‘bancada-piloto’, mas é o máximo que conseguimos alcançar por enquanto. Teríamos que ter mais recursos e investimentos para aumentarmos nosso espaço, para montarmos uma grande planta”, afirma Marcos.

Fonte: https://jornal.usp.br/radio-usp/dispositivo-pode-substituir-cloro-notratamento-de-agua-e-auxiliar-na-saude-das-pessoas/ (adaptado). 
No que se refere à ortografia de palavras da língua portuguesa, bancada-piloto é um exemplo de uso correto de hífen. Nesse sentido, qual a única alternativa que NÃO apresenta outro uso correto de hífen?
Alternativas
Q3697000 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Dispositivo pode substituir cloro no tratamento de água e auxiliar na saúde das pessoas

        Os sistemas de tratamento de água são essenciais na vida dos seres humanos. São eles os responsáveis por garantir a qualidade e transporte do líquido até a casa de cada cidadão. Atualmente grande parcela do tratamento ao redor do mundo é realizada com o uso de cloro. Entretanto, por mais que a técnica seja eficaz contra microrganismos, ela pode gerar subprodutos tóxicos à saúde e exige cuidados no transporte e armazenamento, podendo afetar diretamente os seres humanos e o meio ambiente.
    
        Pensando nessa questão, pesquisadores do Instituto de Química da USP de São Carlos desenvolveram um dispositivo capaz de contornar esse problema. O mecanismo, ao invés de utilizar cloro, purifica a água a partir do uso de peróxido de hidrogênio, também conhecido como água oxigenada.
    
        O tratamento de água a partir desse composto não só auxilia no seu tratamento como não gera subprodutos prejudiciais à saúde. Marcos Lanza, professor do Instituto de Química de São Carlos e responsável pelo grupo de pesquisa, comenta que processos como a peróxido gênese são estudados há muito tempo. “O uso de peróxido de hidrogênio para o tratamento de água, em larga escala, é muito caro, e por isso é pouco utilizado nas estações. Nós desenvolvemos esse dispositivo pensando justamente em baratear o custo do reagente.”
    
        O aparelho desenvolvido produz, monitora e libera peróxido de hidrogênio na água em tempo real. Robson Souto, doutorando e pesquisador do Instituto de Química, detalha que a reação que ocorre no interior do dispositivo baseia-se na adição de oxigênio atmosférico à água, gerando o peróxido de hidrogênio. Ele complementa que o composto gerado é altamente oxidante e muito eficiente.
    
        Além do tratamento de água, o dispositivo pode ser utilizado para outras finalidades industriais. “No sistema, o peróxido de hidrogênio produzido pode ser utilizado, por exemplo, para uma aplicação de síntese na indústria química. Uma das áreas possíveis de utilização é na indústria de polpa de papel, para a produção de folha sulfite.
    
        Além do custo elevado, o peróxido de hidrogênio tem um tempo de vida curto, levando a uma preferência no uso de cloro nas estações de tratamento. Assim, o dispositivo desenvolvido possui muita utilidade em espaços mais afastados das estações de tratamento, já que a produção de peróxido é controlada de acordo com a necessidade. Além disso, o professor comenta que a armazenagem do composto é mais simples em relação ao cloro, visto que ele consegue se misturar com a água facilmente.
    
        O projeto ainda não está no mercado. De acordo com os pesquisadores, algumas empresas já consultaram a situação da patente, mas desistiram ao notarem os altos custos de desenvolvimento. “Nós estamos em uma escala ‘bancada-piloto’, mas é o máximo que conseguimos alcançar por enquanto. Teríamos que ter mais recursos e investimentos para aumentarmos nosso espaço, para montarmos uma grande planta”, afirma Marcos.

Fonte: https://jornal.usp.br/radio-usp/dispositivo-pode-substituir-cloro-notratamento-de-agua-e-auxiliar-na-saude-das-pessoas/ (adaptado). 
A proposta dos pesquisadores da USP, além de tratar a água, apresenta potencial de aplicação em outros contextos. Considerando as informações do texto, é possível inferir que:
Alternativas
Q3696999 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Dispositivo pode substituir cloro no tratamento de água e auxiliar na saúde das pessoas

        Os sistemas de tratamento de água são essenciais na vida dos seres humanos. São eles os responsáveis por garantir a qualidade e transporte do líquido até a casa de cada cidadão. Atualmente grande parcela do tratamento ao redor do mundo é realizada com o uso de cloro. Entretanto, por mais que a técnica seja eficaz contra microrganismos, ela pode gerar subprodutos tóxicos à saúde e exige cuidados no transporte e armazenamento, podendo afetar diretamente os seres humanos e o meio ambiente.
    
        Pensando nessa questão, pesquisadores do Instituto de Química da USP de São Carlos desenvolveram um dispositivo capaz de contornar esse problema. O mecanismo, ao invés de utilizar cloro, purifica a água a partir do uso de peróxido de hidrogênio, também conhecido como água oxigenada.
    
        O tratamento de água a partir desse composto não só auxilia no seu tratamento como não gera subprodutos prejudiciais à saúde. Marcos Lanza, professor do Instituto de Química de São Carlos e responsável pelo grupo de pesquisa, comenta que processos como a peróxido gênese são estudados há muito tempo. “O uso de peróxido de hidrogênio para o tratamento de água, em larga escala, é muito caro, e por isso é pouco utilizado nas estações. Nós desenvolvemos esse dispositivo pensando justamente em baratear o custo do reagente.”
    
        O aparelho desenvolvido produz, monitora e libera peróxido de hidrogênio na água em tempo real. Robson Souto, doutorando e pesquisador do Instituto de Química, detalha que a reação que ocorre no interior do dispositivo baseia-se na adição de oxigênio atmosférico à água, gerando o peróxido de hidrogênio. Ele complementa que o composto gerado é altamente oxidante e muito eficiente.
    
        Além do tratamento de água, o dispositivo pode ser utilizado para outras finalidades industriais. “No sistema, o peróxido de hidrogênio produzido pode ser utilizado, por exemplo, para uma aplicação de síntese na indústria química. Uma das áreas possíveis de utilização é na indústria de polpa de papel, para a produção de folha sulfite.
    
        Além do custo elevado, o peróxido de hidrogênio tem um tempo de vida curto, levando a uma preferência no uso de cloro nas estações de tratamento. Assim, o dispositivo desenvolvido possui muita utilidade em espaços mais afastados das estações de tratamento, já que a produção de peróxido é controlada de acordo com a necessidade. Além disso, o professor comenta que a armazenagem do composto é mais simples em relação ao cloro, visto que ele consegue se misturar com a água facilmente.
    
        O projeto ainda não está no mercado. De acordo com os pesquisadores, algumas empresas já consultaram a situação da patente, mas desistiram ao notarem os altos custos de desenvolvimento. “Nós estamos em uma escala ‘bancada-piloto’, mas é o máximo que conseguimos alcançar por enquanto. Teríamos que ter mais recursos e investimentos para aumentarmos nosso espaço, para montarmos uma grande planta”, afirma Marcos.

Fonte: https://jornal.usp.br/radio-usp/dispositivo-pode-substituir-cloro-notratamento-de-agua-e-auxiliar-na-saude-das-pessoas/ (adaptado). 
O texto apresenta uma inovação tecnológica desenvolvida por pesquisadores da USP de São Carlos para o tratamento de água. Com base nas informações do texto, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3696985 Português
 A correta identificação do tipo de oração depende da função sintática que a oração subordinada desempenha em relação à principal, e não apenas da presença de conjunções integrantes. Com base nessas informações, analise o período abaixo:
"Era necessário que todos se unissem para resolver o problema."

Assinale a alternativa que indica corretamente o tipo de oração subordinada substantiva destacada.
Alternativas
Q3696980 Português
Parte-se do princípio de que todo estudante possui potencial para aprender com sucesso e desenvolver autonomia em seus estudos. Ensinar a aprender e incentivar o aluno a refletir sobre seu próprio processo de aprendizagem, ainda que seja um investimento de longo prazo, é uma tarefa viável e essencial dentro do campo educacional. Nesse contexto, o ensino de estratégias de aprendizagem desempenha papel central, contribuindo significativamente para a melhoria do desempenho escolar e para o desenvolvimento de competências cognitivas mais amplas. As estratégias de aprendizagem podem ser ensinadas também a alunos com baixo rendimento escolar. Todos os estudantes podem aprender a ampliar suas anotações, destacar ideias principais em um texto, monitorar a compreensão durante a leitura, utilizar técnicas de memorização, elaborar resumos, entre outras práticas. Pesquisas indicam que o treinamento nessas estratégias tem se mostrado eficaz, promovendo não apenas o uso imediato e adequado dos recursos aprendidos, mas também uma melhora significativa no desempenho escolar como um todo.
Fonte: BORUCHOVITCH, Evely. Estratégias de aprendizagem e desempenho escolar: considerações para a prática educacional. Psicologia: reflexão e crítica, v. 12, n. 2, p. 361-376, 1999.


Assinale a alternativa que destoe do significado apontado no texto.
Alternativas
Q3696794 Português
Para Abramovay et al. (2012), os jovens trazem consigo grande diversidade de características, envolvendo-se em relações
Alternativas
Q3696468 Português
Leia a frase a seguir:

Em seu estudo ____________ respeito de um bairro pobre, o pesquisador deu ênfase ____________ falta de condições materiais de seus moradores, as quais são fundamentais para garantir, _____________ pessoas, o exercício de suas culturas.

Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas da frase.
Alternativas
Q3696467 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Humilhação social: um problema político em Psicologia

    A visão dos bairros pobres parece, às vezes, ainda mais impiedosa do que a visão de ambientes arruinados: não são bairros que o tempo veio corroer ou as guerras vieram abalar, são bairros que mal puderam nascer para o tempo e para a história. Um bairro proletário não é feito de ruínas. Ocorre que ali o trabalho humano sobre a natureza e sobre a cidade parece interceptado. As formas de um bairro pobre não figuram como destroços ou como edifícios decaídos, realidades fúnebres, mas em que podem restar impressionantes qualidades arqueológicas: em suas linhas corroídas e em suas formas parcialmente quebradas pode persistir a memória de uma gente.
    No bairro pobre, menos de ruína, o espetáculo mais parece feito de interrupção: as linhas e as formas estão incompletas, não puderam se perfazer. Faltam os instrumentos, faltam os materiais que suportariam o trabalho humano para a configuração de um mundo, para a fisionomia de uma cultura.
    Para a carpintaria, pode faltar madeira ou formão, um martelo, um alicate. A alvenaria é sempre adiada, interminável: a compra de tijolos, areia, massa e uma janela às vezes consumiria o salário de mais de cinco meses. Como pensar no tamanho de uma pequena horta se, quando não falta o quintal, faltam as sementes e o adubo? As rodas do samba ou os forrós contentam-se às vezes com um só pandeiro. As procissões vão sem velas e nas festas do padroeiro pode faltar a imagem do santo.
    Eis o que ouvimos de Ecléa Bosi: a mobilidade extrema e insegura das famílias pobres, migrantes ou nômade-urbanas, impede a sedimentação do passado. Os retratos, o retrato de casamento, os panos e peças do enxoval, os objetos herdados, toda esta coleção de bens biográficos não logra acompanhar a odisseia dos miseráveis. São transferidos, são abandonados ou são vendidos a preços irrisórios. A espoliação econômica manifesta-se ao mesmo tempo como espoliação do passado. E ainda: “... não há memória para aqueles a quem nada pertence. Tudo o que se trabalhou, criou, lutou, a crônica da família ou do indivíduo vão cair no anonimato ao fim de seu percurso errante. A violência que separou suas articulações, desconjuntou seus esforços, esbofeteou sua esperança, espoliou também a lembrança de seus feitos”.

(José Moura Gonçalves Filho, “Humilhação social: um problema político em Psicologia”, Psicologia USP. Adaptado)
Considere o trecho a seguir:

•  “No bairro pobre, menos de ruína, o espetáculo mais parece feito de interrupção: as linhas e as formas estão incompletas, não puderam se perfazer.” (2º parágrafo)

Assinale a alternativa que apresenta corretamente uma reescrita do trecho em conformidade com a norma-padrão e com as relações de sentido originais.
Alternativas
Q3696466 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Humilhação social: um problema político em Psicologia

    A visão dos bairros pobres parece, às vezes, ainda mais impiedosa do que a visão de ambientes arruinados: não são bairros que o tempo veio corroer ou as guerras vieram abalar, são bairros que mal puderam nascer para o tempo e para a história. Um bairro proletário não é feito de ruínas. Ocorre que ali o trabalho humano sobre a natureza e sobre a cidade parece interceptado. As formas de um bairro pobre não figuram como destroços ou como edifícios decaídos, realidades fúnebres, mas em que podem restar impressionantes qualidades arqueológicas: em suas linhas corroídas e em suas formas parcialmente quebradas pode persistir a memória de uma gente.
    No bairro pobre, menos de ruína, o espetáculo mais parece feito de interrupção: as linhas e as formas estão incompletas, não puderam se perfazer. Faltam os instrumentos, faltam os materiais que suportariam o trabalho humano para a configuração de um mundo, para a fisionomia de uma cultura.
    Para a carpintaria, pode faltar madeira ou formão, um martelo, um alicate. A alvenaria é sempre adiada, interminável: a compra de tijolos, areia, massa e uma janela às vezes consumiria o salário de mais de cinco meses. Como pensar no tamanho de uma pequena horta se, quando não falta o quintal, faltam as sementes e o adubo? As rodas do samba ou os forrós contentam-se às vezes com um só pandeiro. As procissões vão sem velas e nas festas do padroeiro pode faltar a imagem do santo.
    Eis o que ouvimos de Ecléa Bosi: a mobilidade extrema e insegura das famílias pobres, migrantes ou nômade-urbanas, impede a sedimentação do passado. Os retratos, o retrato de casamento, os panos e peças do enxoval, os objetos herdados, toda esta coleção de bens biográficos não logra acompanhar a odisseia dos miseráveis. São transferidos, são abandonados ou são vendidos a preços irrisórios. A espoliação econômica manifesta-se ao mesmo tempo como espoliação do passado. E ainda: “... não há memória para aqueles a quem nada pertence. Tudo o que se trabalhou, criou, lutou, a crônica da família ou do indivíduo vão cair no anonimato ao fim de seu percurso errante. A violência que separou suas articulações, desconjuntou seus esforços, esbofeteou sua esperança, espoliou também a lembrança de seus feitos”.

(José Moura Gonçalves Filho, “Humilhação social: um problema político em Psicologia”, Psicologia USP. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a introdução de vírgulas em trecho do texto preserva o sentido original e atende à norma-padrão. 
Alternativas
Q3696465 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Humilhação social: um problema político em Psicologia

    A visão dos bairros pobres parece, às vezes, ainda mais impiedosa do que a visão de ambientes arruinados: não são bairros que o tempo veio corroer ou as guerras vieram abalar, são bairros que mal puderam nascer para o tempo e para a história. Um bairro proletário não é feito de ruínas. Ocorre que ali o trabalho humano sobre a natureza e sobre a cidade parece interceptado. As formas de um bairro pobre não figuram como destroços ou como edifícios decaídos, realidades fúnebres, mas em que podem restar impressionantes qualidades arqueológicas: em suas linhas corroídas e em suas formas parcialmente quebradas pode persistir a memória de uma gente.
    No bairro pobre, menos de ruína, o espetáculo mais parece feito de interrupção: as linhas e as formas estão incompletas, não puderam se perfazer. Faltam os instrumentos, faltam os materiais que suportariam o trabalho humano para a configuração de um mundo, para a fisionomia de uma cultura.
    Para a carpintaria, pode faltar madeira ou formão, um martelo, um alicate. A alvenaria é sempre adiada, interminável: a compra de tijolos, areia, massa e uma janela às vezes consumiria o salário de mais de cinco meses. Como pensar no tamanho de uma pequena horta se, quando não falta o quintal, faltam as sementes e o adubo? As rodas do samba ou os forrós contentam-se às vezes com um só pandeiro. As procissões vão sem velas e nas festas do padroeiro pode faltar a imagem do santo.
    Eis o que ouvimos de Ecléa Bosi: a mobilidade extrema e insegura das famílias pobres, migrantes ou nômade-urbanas, impede a sedimentação do passado. Os retratos, o retrato de casamento, os panos e peças do enxoval, os objetos herdados, toda esta coleção de bens biográficos não logra acompanhar a odisseia dos miseráveis. São transferidos, são abandonados ou são vendidos a preços irrisórios. A espoliação econômica manifesta-se ao mesmo tempo como espoliação do passado. E ainda: “... não há memória para aqueles a quem nada pertence. Tudo o que se trabalhou, criou, lutou, a crônica da família ou do indivíduo vão cair no anonimato ao fim de seu percurso errante. A violência que separou suas articulações, desconjuntou seus esforços, esbofeteou sua esperança, espoliou também a lembrança de seus feitos”.

(José Moura Gonçalves Filho, “Humilhação social: um problema político em Psicologia”, Psicologia USP. Adaptado)
O trecho “... não há memória para aqueles a quem nada pertence.” (4º parágrafo) pode ser reescrito, em conformidade com a norma-padrão de concordância e regência, como:
Alternativas
Q3696464 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Humilhação social: um problema político em Psicologia

    A visão dos bairros pobres parece, às vezes, ainda mais impiedosa do que a visão de ambientes arruinados: não são bairros que o tempo veio corroer ou as guerras vieram abalar, são bairros que mal puderam nascer para o tempo e para a história. Um bairro proletário não é feito de ruínas. Ocorre que ali o trabalho humano sobre a natureza e sobre a cidade parece interceptado. As formas de um bairro pobre não figuram como destroços ou como edifícios decaídos, realidades fúnebres, mas em que podem restar impressionantes qualidades arqueológicas: em suas linhas corroídas e em suas formas parcialmente quebradas pode persistir a memória de uma gente.
    No bairro pobre, menos de ruína, o espetáculo mais parece feito de interrupção: as linhas e as formas estão incompletas, não puderam se perfazer. Faltam os instrumentos, faltam os materiais que suportariam o trabalho humano para a configuração de um mundo, para a fisionomia de uma cultura.
    Para a carpintaria, pode faltar madeira ou formão, um martelo, um alicate. A alvenaria é sempre adiada, interminável: a compra de tijolos, areia, massa e uma janela às vezes consumiria o salário de mais de cinco meses. Como pensar no tamanho de uma pequena horta se, quando não falta o quintal, faltam as sementes e o adubo? As rodas do samba ou os forrós contentam-se às vezes com um só pandeiro. As procissões vão sem velas e nas festas do padroeiro pode faltar a imagem do santo.
    Eis o que ouvimos de Ecléa Bosi: a mobilidade extrema e insegura das famílias pobres, migrantes ou nômade-urbanas, impede a sedimentação do passado. Os retratos, o retrato de casamento, os panos e peças do enxoval, os objetos herdados, toda esta coleção de bens biográficos não logra acompanhar a odisseia dos miseráveis. São transferidos, são abandonados ou são vendidos a preços irrisórios. A espoliação econômica manifesta-se ao mesmo tempo como espoliação do passado. E ainda: “... não há memória para aqueles a quem nada pertence. Tudo o que se trabalhou, criou, lutou, a crônica da família ou do indivíduo vão cair no anonimato ao fim de seu percurso errante. A violência que separou suas articulações, desconjuntou seus esforços, esbofeteou sua esperança, espoliou também a lembrança de seus feitos”.

(José Moura Gonçalves Filho, “Humilhação social: um problema político em Psicologia”, Psicologia USP. Adaptado)
Considere os trechos a seguir:

•  “As formas de um bairro pobre não figuram como destroços...” (1º parágrafo)
•  “... a mobilidade extrema e insegura das famílias pobres, migrantes ou nômade-urbanas, impede a sedimentação do passado.” (4º parágrafo)

No contexto em que foram empregadas, as palavras destacadas têm como sinônimos, correta e respectivamente,
Alternativas
Q3696463 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:

Humilhação social: um problema político em Psicologia

    A visão dos bairros pobres parece, às vezes, ainda mais impiedosa do que a visão de ambientes arruinados: não são bairros que o tempo veio corroer ou as guerras vieram abalar, são bairros que mal puderam nascer para o tempo e para a história. Um bairro proletário não é feito de ruínas. Ocorre que ali o trabalho humano sobre a natureza e sobre a cidade parece interceptado. As formas de um bairro pobre não figuram como destroços ou como edifícios decaídos, realidades fúnebres, mas em que podem restar impressionantes qualidades arqueológicas: em suas linhas corroídas e em suas formas parcialmente quebradas pode persistir a memória de uma gente.
    No bairro pobre, menos de ruína, o espetáculo mais parece feito de interrupção: as linhas e as formas estão incompletas, não puderam se perfazer. Faltam os instrumentos, faltam os materiais que suportariam o trabalho humano para a configuração de um mundo, para a fisionomia de uma cultura.
    Para a carpintaria, pode faltar madeira ou formão, um martelo, um alicate. A alvenaria é sempre adiada, interminável: a compra de tijolos, areia, massa e uma janela às vezes consumiria o salário de mais de cinco meses. Como pensar no tamanho de uma pequena horta se, quando não falta o quintal, faltam as sementes e o adubo? As rodas do samba ou os forrós contentam-se às vezes com um só pandeiro. As procissões vão sem velas e nas festas do padroeiro pode faltar a imagem do santo.
    Eis o que ouvimos de Ecléa Bosi: a mobilidade extrema e insegura das famílias pobres, migrantes ou nômade-urbanas, impede a sedimentação do passado. Os retratos, o retrato de casamento, os panos e peças do enxoval, os objetos herdados, toda esta coleção de bens biográficos não logra acompanhar a odisseia dos miseráveis. São transferidos, são abandonados ou são vendidos a preços irrisórios. A espoliação econômica manifesta-se ao mesmo tempo como espoliação do passado. E ainda: “... não há memória para aqueles a quem nada pertence. Tudo o que se trabalhou, criou, lutou, a crônica da família ou do indivíduo vão cair no anonimato ao fim de seu percurso errante. A violência que separou suas articulações, desconjuntou seus esforços, esbofeteou sua esperança, espoliou também a lembrança de seus feitos”.

(José Moura Gonçalves Filho, “Humilhação social: um problema político em Psicologia”, Psicologia USP. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a palavra destacada foi empregada em sentido figurado.
Alternativas
Respostas
27601: D
27602: C
27603: B
27604: E
27605: C
27606: A
27607: A
27608: B
27609: D
27610: C
27611: D
27612: D
27613: C
27614: B
27615: D
27616: A
27617: E
27618: B
27619: A
27620: D