Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3921813 Português
Para responder à questão, leia o início do capítulo VI do romance Iracema, do escritor José de Alencar.


    Martim vai a passo e passo por entre os altos juazeiros que cercam a cabana do Pajé.

    Era o tempo em que o doce aracati1 chega do mar e derrama a deliciosa frescura pelo árido sertão. A planta respira; um suave arrepio erriça2 a verde coma3 da floresta.

    O cristão contempla o ocaso do sol. A sombra, que desce dos montes e cobre o vale, penetra sua alma. Lembra-se do lugar onde nasceu, dos entes queridos que ali deixou. Sabe ele se tornará a vê-los algum dia?

    Em torno carpe4 a natureza o dia que expira. Soluça a onda trépida5 e lacrimosa; geme a brisa na folhagem [...].

    Iracema parou em face do jovem guerreiro:

    — É a presença de Iracema que perturba a serenidade no rosto do estrangeiro?

    Martim pousou brandos olhos na face da virgem:

    — Não, filha de Araquém; tua presença alegra como a luz da manhã. Foi a lembrança da pátria que trouxe a saudade ao coração presago6 .

    — Uma noiva te espera?

     O forasteiro desviou os olhos. Iracema dobrou a cabeça sobre a espádua como a tenra7 palma da carnaúba, quando a chuva peneira8 na várzea.

    — Ela não é mais doce do que Iracema, a virgem dos lábios de mel, nem mais formosa! murmurou o estrangeiro.

    — A flor da mata é formosa quando tem rama que a abrigue e tronco onde se enlace. Iracema não vive n’alma de um guerreiro: nunca sentiu a frescura do seu sorriso.

    Emudeceram ambos, com os olhos no chão, escutando a palpitação dos seios que batiam opressos.


(Iracema, 2006.)


1 aracati: brisa do vento.

2 erriçar: arrepiar.

3 coma: copa de árvores frondosas.

4 carpir: lamentar.

5 trépido: trêmulo.

6 presago: que adivinha.

7 tenro: delicado.

8 peneirar: chuviscar.
O narrador faz uso da figura de linguagem conhecida como personificação (figura pela qual o narrador empresta características humanas a seres inanimados, a animais, a mortos ou a ausentes) no seguinte trecho:
Alternativas
Q3921812 Português
Para responder à questão, leia o início do capítulo VI do romance Iracema, do escritor José de Alencar.


    Martim vai a passo e passo por entre os altos juazeiros que cercam a cabana do Pajé.

    Era o tempo em que o doce aracati1 chega do mar e derrama a deliciosa frescura pelo árido sertão. A planta respira; um suave arrepio erriça2 a verde coma3 da floresta.

    O cristão contempla o ocaso do sol. A sombra, que desce dos montes e cobre o vale, penetra sua alma. Lembra-se do lugar onde nasceu, dos entes queridos que ali deixou. Sabe ele se tornará a vê-los algum dia?

    Em torno carpe4 a natureza o dia que expira. Soluça a onda trépida5 e lacrimosa; geme a brisa na folhagem [...].

    Iracema parou em face do jovem guerreiro:

    — É a presença de Iracema que perturba a serenidade no rosto do estrangeiro?

    Martim pousou brandos olhos na face da virgem:

    — Não, filha de Araquém; tua presença alegra como a luz da manhã. Foi a lembrança da pátria que trouxe a saudade ao coração presago6 .

    — Uma noiva te espera?

     O forasteiro desviou os olhos. Iracema dobrou a cabeça sobre a espádua como a tenra7 palma da carnaúba, quando a chuva peneira8 na várzea.

    — Ela não é mais doce do que Iracema, a virgem dos lábios de mel, nem mais formosa! murmurou o estrangeiro.

    — A flor da mata é formosa quando tem rama que a abrigue e tronco onde se enlace. Iracema não vive n’alma de um guerreiro: nunca sentiu a frescura do seu sorriso.

    Emudeceram ambos, com os olhos no chão, escutando a palpitação dos seios que batiam opressos.


(Iracema, 2006.)


1 aracati: brisa do vento.

2 erriçar: arrepiar.

3 coma: copa de árvores frondosas.

4 carpir: lamentar.

5 trépido: trêmulo.

6 presago: que adivinha.

7 tenro: delicado.

8 peneirar: chuviscar.
A voz do personagem Martim parece se mesclar intimamente à voz do narrador no seguinte trecho:
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Q3921809 Português
Para responder à questão, leia o capítulo IV do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.


     Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. [...]

    Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. [...]

    A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?

    — Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia...

     — Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra; adeus.


(Quincas Borba, 2012.)
“Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu.” (2° parágrafo)

No contexto em que se insere, a conjunção sublinhada expressa ideia de
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Q3921806 Português
Para responder à questão, leia o capítulo IV do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.


     Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. [...]

    Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. [...]

    A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?

    — Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia...

     — Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra; adeus.


(Quincas Borba, 2012.)
Contida na fala do médico de Quincas Borba de que “filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra” (5o parágrafo) está a seguinte oposição:
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Q3921765 Português
    Os povos indígenas tiveram participação expressiva nas Eleições Municipais de 2024. Foram 9 prefeitos eleitos. Em 2020, foram 8 indígenas conduzidos ao cargo de chefe do Poder Executivo Municipal; nas eleições de 2016, foram 6. Para o cargo de vereador, foram eleitos 241 indígenas nas cinco regiões do país. Em 2020, foram 181 e nas eleições de 2016 foram 168. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
(www.gov.br, 09.10.2024.)

Os dados do excerto demonstram a
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Q3921764 Português
   Majur Harachell Traytowu, da comunidade bororo Apido Paru em Rondonópolis (MT), ficou conhecida, em 2021, como a primeira mulher transexual a liderar uma aldeia indígena. “A gente fez um breve estudo, e parece que existe ‘cacica’ [feminino de cacique]. Então, estão me tratando mais como ‘cacica’”, conta ela, que assim prefere ser chamada. Uma dificuldade que ela conta não ter enfrentado foi transfobia dentro da comunidade. “Nunca ninguém me questionou [como líder]. Nunca falaram nada. Nunca tive esse problema”, afirma Majur, que considera que o respeito às pessoas trans é uma realidade no povo bororo, mas não é uma constante entre todos os povos indígenas.
(Vinícius Lisboa. https://agenciabrasil.ebc.com.br, 26.01.2023. Adaptado.)

Considerando a relação entre poder e identidade de gênero, o excerto revela que
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Q3921762 Português
     Os indígenas estão tendo maior acesso às universidades públicas. Em 2022, pouco mais de 6 mil indígenas estavam matriculados em uma das 26 instituições de Ensino Superior da Amazônia Legal. Esse número é três vezes maior do que em 2013, primeiro ano de aplicação da Lei Federal de Cotas (12.711/2012). Entre 2012 e 2022, o total de estudantes indígenas matriculados cresceu 245% nessa região. Por outro lado, em 10 anos, de 2012 a 2022, 53757 indígenas se matricularam em cursos de graduação públicos na Amazônia Legal, mas apenas 5327 concluíram os estudos, o que representa uma taxa de conclusão inferior a 10%.
(Daniela Souza et al. https://infoamazonia.org, 14.10.2024. Adaptado.)

Os dados abordados no excerto sobre a Amazônia Legal revelam que
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Q3921761 Português
   Centenas de artefatos revelaram uma complexa rede comercial dos astecas, que incluía trocas com sociedades rivais para obter diferentes tipos de obsidiana. Os astecas usavam esse vidro vulcânico para fazer ferramentas, peças ornamentais ou objetos religiosos há séculos. O antropólogo Diego Matadamas-Gomora e sua equipe de pesquisa ficaram surpresos com a variedade de tipos de obsidiana encontrados na antiga capital, que supera a encontrada em outros locais da Mesoamérica. A descoberta também lança luz sobre como a sociedade asteca evoluiu antes da queda do império em 1520, ao mostrar como o uso da obsidiana mudou ao longo do tempo.
(Ashley Strickland. www.cnnbrasil.com.br, 16.05.2025. Adaptado.)

O uso do vidro vulcânico pelos astecas, como retratado no excerto, revela a
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Q3921760 Português
    Na tradição africana, a palavra falada, além de seu valor fundamental, possui um caráter sagrado que se associa à sua origem divina e às forças ocultas nela depositadas. A tradição oral, que não se limita aos contos e lendas nem aos relatos míticos e históricos, é a grande escola da vida, recobrindo e englobando todos os seus aspectos. Nela, o espiritual e o material não se dissociam. Falando segundo a compreensão de cada pessoa, ela se coloca ao alcance de todos.
    A tradição oral é, ao mesmo tempo, religião, conhecimento, ciência natural, aprendizado de ofício, história, divertimento e recreação. Baseada na prática e na experiência, ela se relaciona à totalidade do ser humano e, assim, contribui para criar um tipo especial de pessoa e moldar sua alma.
(Nei Lopes e Luiz Antonio Simas. Filosofias africanas: uma introdução, 2022. Adaptado.)

De acordo com o excerto, na tradição africana, a linguagem verbal
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Q3921752 Português
Para responder à questão, leia o início da famosa Carta de achamento do Brasil, escrita por Pero Vaz de Caminha.


     Senhor,

    Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza sobre a nova do achamento desta vossa terra nova, que agora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar notícias disso a Vossa Alteza, e o farei o melhor possível, ainda que, para bem contar e falar, eu saiba pior que todos fazer. Entretanto, tome Vossa Alteza a minha ignorância por boa vontade e por certo creia que, sem aformosear1 ou afear2 , não contarei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu. Da marinhagem3 e das singraduras4 do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza porque o não saberei fazer e também porque são os pilotos que devem ter esse cuidado. E, portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo.

(Carta de achamento do Brasil, 2021.)


1 aformosear: embelezar.

2 afear: enfeiar, tornar feio.

3 marinhagem: manobras náuticas, ou seja, aspectos técnicos da navegação a vela.

4 singradura: percurso marítimo realizado ao longo de um dia.
Em “Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza sobre a nova do achamento desta vossa terra nova, [...] não deixarei também de dar notícias disso a Vossa Alteza”, a locução conjuntiva “Posto que” introduz uma oração adverbial que expressa ideia de
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Q3921751 Português
Para responder à questão, leia o início da famosa Carta de achamento do Brasil, escrita por Pero Vaz de Caminha.


     Senhor,

    Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza sobre a nova do achamento desta vossa terra nova, que agora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar notícias disso a Vossa Alteza, e o farei o melhor possível, ainda que, para bem contar e falar, eu saiba pior que todos fazer. Entretanto, tome Vossa Alteza a minha ignorância por boa vontade e por certo creia que, sem aformosear1 ou afear2 , não contarei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu. Da marinhagem3 e das singraduras4 do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza porque o não saberei fazer e também porque são os pilotos que devem ter esse cuidado. E, portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo.

(Carta de achamento do Brasil, 2021.)


1 aformosear: embelezar.

2 afear: enfeiar, tornar feio.

3 marinhagem: manobras náuticas, ou seja, aspectos técnicos da navegação a vela.

4 singradura: percurso marítimo realizado ao longo de um dia.
No trecho “sem aformosear ou afear, não contarei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu”, Caminha diz que será
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Q3921750 Português
Para responder à questão, leia o início da famosa Carta de achamento do Brasil, escrita por Pero Vaz de Caminha.


     Senhor,

    Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza sobre a nova do achamento desta vossa terra nova, que agora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar notícias disso a Vossa Alteza, e o farei o melhor possível, ainda que, para bem contar e falar, eu saiba pior que todos fazer. Entretanto, tome Vossa Alteza a minha ignorância por boa vontade e por certo creia que, sem aformosear1 ou afear2 , não contarei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu. Da marinhagem3 e das singraduras4 do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza porque o não saberei fazer e também porque são os pilotos que devem ter esse cuidado. E, portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo.

(Carta de achamento do Brasil, 2021.)


1 aformosear: embelezar.

2 afear: enfeiar, tornar feio.

3 marinhagem: manobras náuticas, ou seja, aspectos técnicos da navegação a vela.

4 singradura: percurso marítimo realizado ao longo de um dia.
“não deixarei também de dar notícias disso a Vossa Alteza, e o farei o melhor possível, ainda que, para bem contar e falar, eu saiba pior que todos fazer.”
No trecho sublinhado, o escrivão Caminha vale-se claramente de um recurso retórico cujo objetivo é simular
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Q3921621 Português

O conceito é exato: trabalhar sem endereço fixo, viajando pelo mundo. Há anos já falamos sobre nomadismo digital e como essa modalidade de viagem pode unir o útil ao agradável. Mas, afinal, será que dá mesmo para reunir o melhor dos dois mundos e viajar trabalhando (ou trabalhar viajando)? A que se deve isso? Muito à chamada “revolução do trabalho” da última década. E, em especial, à onda de trabalho remoto que fez o número de trabalhadores autônomos crescer desde 2020, em razão da pandemia, favorecendo essa liberdade de se trabalhar em qualquer lugar do mundo.


(www.terra.com.br, 24.05.2025. Adaptado.)


A condição de trabalho dos chamados “nômades digitais” estabeleceu-se diante

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Q3921617 Português

Atualmente, a família de trabalhadores é múltipla e as novas gerações vindas dos anos 1970, 1980 e 1990 têm características sociopolíticas diferentes. Não são mais os trabalhadores manuais orientados pelas grandes organizações sindicais e políticas que pesam na dinâmica das relações sociais, mas os estudantes, os técnicos, trabalhadores intelectuais mobilizados na economia dos serviços (setor terciário), o telemarketing etc. Esses formam os novos batalhões de classes média-baixas urbanas e precárias que têm acesso aos ganhos públicos e ao emprego, mas de maneira intermitente.


(Christophe Ventura. https://outraspalavras.net, 06.08.2013. Adaptado.)


De acordo com o excerto, a classe trabalhadora contemporânea é

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Q3921616 Português

Pesquisadores desenvolveram mecanismos que possibilitam aos novos sistemas de inteligência artificial (IA) explicar sua cadeia de processamento passo a passo. De fato, as mensagens geradas por esses novos sistemas podem parecer uma linha estruturada de raciocínio lógico, o que parece muito surpreendente. No entanto, essas explicações são falaciosas. Quando os grandes modelos de linguagem, usados pelas IAs, afirmam “estar pensando” sobre um problema, o que fazem é apenas gerar probabilisticamente mais texto com base em valores intermediários de processamento, não necessariamente relatando os processos computacionais usados para chegar à resposta. Quando solicitados a explicar seu raciocínio, esses modelos constroem uma narrativa plausível e, muitas vezes, sugerem que seguiram uma lógica estruturada, quando na verdade fizeram meros cálculos textuais probabilísticos.


(https://g1.globo.com, 23.06.2025. Adaptado.)


O trecho da notícia revela que

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Q3921614 Português
Fomos, durante muito tempo, embalados com a história de que somos a humanidade e nos alienamos desse organismo de que somos parte, a Terra, passando a pensar que ele é uma coisa e nós, outra: a Terra e a humanidade. Eu não percebo que exista algo que não seja natureza. Tudo é natureza. O cosmos é natureza. Tudo em que eu consigo pensar é natureza. Nós, a humanidade, vamos viver em ambientes artificiais produzidos pelas grandes corporações, que são os donos da grana.
(Ailton Krenak. O amanhã não está à venda, 2020.)
No excerto, escrito pelo líder indígena Ailton Krenak, há uma reflexão sobre a
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Q3921613 Português

Após sete anos da aprovação da Reforma Trabalhista de 2017, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas mostra que sete em cada dez trabalhadores brasileiros autônomos gostariam de ter carteira assinada. O sonho do trabalho formal é maior entre os mais pobres. A pesquisa mostra que 75,6% dos autônomos com renda de até um salário mínimo gostaria de ter um trabalho com carteira assinada. Já entre aqueles com renda entre um e três salários mínimos, o nível chega 70,8%. Segundo essa pesquisa, os autônomos têm baixos salários e a renda, por sua vez, tem forte variação. O salário de 19,8% dos trabalhadores informais pode oscilar mais de 20% de um mês para o outro. Já entre os trabalhadores com carteira assinada, a oscilação é de apenas 4,7%.


(https://iclnoticias.com.br, 28.08.2024. Adaptado.)


Essa pesquisa demonstra

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Q3921604 Português

O nome da rapsódia é Macunaíma, mas não é só Macunaíma. Mário de Andrade quis dizer alguma coisa do seu protagonista e acrescentou ao título um atributo paradoxal: o herói sem nenhum caráter.


(Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crítica literária e ideológica, 2003.)


No contexto da obra, o atributo “o herói sem nenhum caráter” justifica-se em razão da

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Q3921603 Português

Para responder à questão, leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.


   

      E foi obedecendo a essa ordem de ideias que [Policarpo Quaresma] comprou aquele sítio, cujo nome — Sossego — cabia tão bem à nova vida que adotara, após a tempestade que o sacudira durante quase um ano. [...]


    Ele foi contente. Como era tão simples viver na nossa terra! Quatro contos de réis por ano, tirados da terra, facilmente, docemente, alegremente! Oh! terra abençoada! Como é que toda a gente queria ser empregado público, apodrecer numa banca, sofrer na sua independência e no seu orgulho? Como é que se preferia viver em casas apertadas, sem ar, sem luz, respirar um ambiente epidêmico, sustentar-se de maus alimentos, quando se podia tão facilmente obter uma vida feliz, farta, livre, alegre e saudável?


    E era agora que ele chegava a essa conclusão, depois de ter sofrido a miséria da cidade e o emasculamento1 da repartição pública, durante tanto tempo! Chegara tarde, mas não a ponto de que não pudesse, antes da morte, travar conhecimento com a doce vida campestre e a feracidade2 das terras brasileiras. Então pensou que foram vãos aqueles seus desejos de reformas capitais nas instituições e costumes: o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola, um culto pelo seu solo ubérrimo3, para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.


(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2011.)


1emasculamento: perda da virilidade, perda da força ou do vigor.

2feracidade: fertilidade.

3ubérrimo: extremamente úbere (ou seja, fértil).

Sufixação é o processo de formação de palavras por meio de sufixo. É formada pelo acréscimo de um sufixo superlativo a seguinte palavra do texto:
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Q3921602 Português

Para responder à questão, leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.


   

      E foi obedecendo a essa ordem de ideias que [Policarpo Quaresma] comprou aquele sítio, cujo nome — Sossego — cabia tão bem à nova vida que adotara, após a tempestade que o sacudira durante quase um ano. [...]


    Ele foi contente. Como era tão simples viver na nossa terra! Quatro contos de réis por ano, tirados da terra, facilmente, docemente, alegremente! Oh! terra abençoada! Como é que toda a gente queria ser empregado público, apodrecer numa banca, sofrer na sua independência e no seu orgulho? Como é que se preferia viver em casas apertadas, sem ar, sem luz, respirar um ambiente epidêmico, sustentar-se de maus alimentos, quando se podia tão facilmente obter uma vida feliz, farta, livre, alegre e saudável?


    E era agora que ele chegava a essa conclusão, depois de ter sofrido a miséria da cidade e o emasculamento1 da repartição pública, durante tanto tempo! Chegara tarde, mas não a ponto de que não pudesse, antes da morte, travar conhecimento com a doce vida campestre e a feracidade2 das terras brasileiras. Então pensou que foram vãos aqueles seus desejos de reformas capitais nas instituições e costumes: o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola, um culto pelo seu solo ubérrimo3, para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.


(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2011.)


1emasculamento: perda da virilidade, perda da força ou do vigor.

2feracidade: fertilidade.

3ubérrimo: extremamente úbere (ou seja, fértil).

“o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola [...] para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.” (3º parágrafo)


Em relação ao trecho que o antecede, o trecho sublinhado expressa ideia de

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Respostas
14101: C
14102: C
14103: B
14104: A
14105: C
14106: D
14107: A
14108: B
14109: D
14110: D
14111: C
14112: B
14113: D
14114: C
14115: B
14116: D
14117: E
14118: C
14119: D
14120: B