Para responder à questão, leia o início do capítulo VI do romance Iracema, do escritor José de Alencar.
Martim vai a passo e passo por entre os altos juazeiros
que cercam a cabana do Pajé.
Era o tempo em que o doce aracati1
chega do mar e derrama a deliciosa frescura pelo árido sertão. A planta respira;
um suave arrepio erriça2
a verde coma3
da floresta.
O cristão contempla o ocaso do sol. A sombra, que desce
dos montes e cobre o vale, penetra sua alma. Lembra-se do
lugar onde nasceu, dos entes queridos que ali deixou. Sabe
ele se tornará a vê-los algum dia?
Em torno carpe4
a natureza o dia que expira. Soluça a
onda trépida5
e lacrimosa; geme a brisa na folhagem [...].
Iracema parou em face do jovem guerreiro:
— É a presença de Iracema que perturba a serenidade
no rosto do estrangeiro?
Martim pousou brandos olhos na face da virgem:
— Não, filha de Araquém; tua presença alegra como a luz
da manhã. Foi a lembrança da pátria que trouxe a saudade
ao coração presago6
.
— Uma noiva te espera?
O forasteiro desviou os olhos. Iracema dobrou a cabeça
sobre a espádua como a tenra7
palma da carnaúba, quando
a chuva peneira8
na várzea.
— Ela não é mais doce do que Iracema, a virgem dos
lábios de mel, nem mais formosa! murmurou o estrangeiro.
— A flor da mata é formosa quando tem rama que a abrigue e tronco onde se enlace. Iracema não vive n’alma de um
guerreiro: nunca sentiu a frescura do seu sorriso.
Emudeceram ambos, com os olhos no chão, escutando a
palpitação dos seios que batiam opressos.
(Iracema, 2006.)
1 aracati: brisa do vento.
2 erriçar: arrepiar.
3 coma: copa de árvores frondosas.
4 carpir: lamentar.
5 trépido: trêmulo.
6 presago: que adivinha.
7 tenro: delicado.
8 peneirar: chuviscar.
A voz do personagem Martim parece se mesclar intimamente
à voz do narrador no seguinte trecho:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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