Questões de Concurso Comentadas sobre problemas da língua culta em português

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Q3485481 Português
De acordo com o texto dos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, MEC, 1998), “professores e gramáticos puristas continuam a exigir que se escreva (e até que se fale no Brasil!): O livro de que eu gosto não estava na biblioteca; Vocês vão assistir a um filme maravilhoso; O garoto cujo pai conheci ontem é meu aluno; Eles se vão lavar / vão lavar-se naquela pia (...)” em lugar de outras formas já fixadas na escrita e estendidas na fala. Isso ocorre porque: 
Alternativas
Q3482984 Português
Analise as assertivas e assinale onde o uso dos porquês está aplicado de acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa. 
Alternativas
Q3482328 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Princípios da Análise de Discurso Crítica 


Análise de Discurso Crítica é uma abordagem científica interdiscursiva para estudos críticos da linguagem como prática social. A transdisciplinaridade explica-se pelo fato de esta análise não somente aplicar outras teorias, mas também romper fronteiras epistemológicas, operacionalizando e transformando teorias para os propósitos da abordagem crítica no ensino de língua materna (FAIRCLOUGH, 2003). Assim, a Análise de Discurso Crítica constitui-se pela operacionalização de diversas disciplinas e estudos, dentre os quais destacamos aqui, com base em Fairclough (2001), os estudos fundadores de Bakhtin (1997) e Foucault (1977, 2003).


Tomando o cuidado de não reduzir um pensador como Bakhtin a um punhado de conceitos desligados do contexto histórico e político em que foram produzidos, é possível reconhecer em Bakhtin o pensador proponente da teoria de ideologia; da noção de dialogismo na linguagem.


Nos ensaios filosóficos sobre a linguagem, Bakhtin (2002, p.123) aponta a "verdadeira substância da língua" no processo social da interação verbal. Seguindo preceitos do Materialismo Histórico, indica a enunciação como a realidade da linguagem e como estrutura socioideológica, de modo a priorizar não só a atividade da linguagem, mas também sua relação indissolúvel com seus usuários. 


Bakhtin (1997, p.290) apresenta uma visão dialógica e polifônica da linguagem, segundo a qual mesmo os discursos aparentemente não dialógicos, como textos escritos, são sempre parte de uma cadeia dialógica, na qual respondem a discursos anteriores e antecipam discursos posteriores de variadas formas. A interação é entendida como operação polifônica, que retoma vozes anteriores e posteriores da cadeia de interações verbais, e não só uma operação entre as vozes do locutor e do ouvinte: "cedo ou tarde, o que foi ouvido e compreendido de modo ativo encontrará um eco no discurso ou no comportamento subsequente do ouvinte" (p.291).


Mais uma fonte fundadora da compreensão da linguagem como espaço de luta de poder são os trabalhos de Foucault. Dentre outras noções, são relevantes para a Análise de Discurso Crítica as noções foucaultianas do aspecto constitutivo do discurso; da interdependência das práticas discursivas; da natureza discursiva do poder; da natureza política do discurso e da natureza discursiva da mudança social (FAIRCLOUGH, 2001). 


Foucault (2003, p.10) problematiza a função constitutiva do discurso, concebendo a linguagem como uma prática que constitui o social, os objetos e os sujeitos sociais. Analisar discursos, nessa perspectiva, é especificar formações discursivas interdependentes, bem como sistemas de regras que possibilitam a ocorrência de certos enunciados em determinados tempos, lugares e instituições. Conforme Foucault (2003, p.66), "toda tarefa crítica, pondo em questão as instâncias de controle, deve analisar ao mesmo tempo as regularidades discursivas através das quais elas se formam; e toda descrição genealógica deve levar em conta os limites que interferem nas formações reais". Da ideia de regulação social 'do que pode ou não ser dito' em práticas situadas - o que traz à tona tanto relações interdiscursivas quanto relações entre o discursivo e o não essencialmente discursivo - origina-se o conceito fundamental para a Análise de Discurso Crítica de ordem de discurso: a totalidade de práticas discursivas dentro de uma instituição ou sociedade e o relacionamento entre elas (FAIRCLOUGH, 1989).


Como alerta Brait (2008, p.9-10), "ninguém, em sã consciência, poderia dizer que Bakhtin tenha proposto formalmente uma teoria ou análise do discurso", entretanto, "também não se pode negar que o pensamento bakhtiniano representa, hoje, uma das maiores contribuições para os estudos da linguagem (...)", tendo motivado "o nascimento de uma análise dialógica do discurso".


https://www.scielo.br/j/bak/a/Vzfxj5xTVBsLvpZkk4K9 GBz/. Adaptado.
Dentre outras noções, são relevantes para a Análise de Discurso Crítica as noções foucaultianas do aspecto constitutivo do discurso.

Inversões frasais são ótimas para enriquecer a forma culta, mas podem confundir o leitor.

A frase em questão, colocada na sequência dos termos essenciais aos acessórios, é reescrita da seguinte forma:
Alternativas
Q3480611 Português
Das orações abaixo, há pleonasmo na alternativa:
Alternativas
Q3471696 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Esquecer é uma função normal da memória

Esquecer-se de coisas no dia a dia pode ser um pouco irritante ou, à medida que envelhecemos, um pouco assustador. Mas é parte da função normal da memória, permitindo-nos seguir em frente ou abrir espaço para novas informações.

As nossas memórias não são, na verdade, tão confiáveis quanto pensamos. Mas que nível de esquecimento é normal? Analisemos as evidências.

Quando nos lembramos de algo, nossos cérebros precisam aprender a memória, mantê-la segura e recuperá-la quando necessário. E o esquecimento ocorre em qualquer parte desse processo.

Ao receber informação sensorial pela primeira vez, o cérebro não processa tudo. Assim, usamos nossa atenção para filtrar as informações importantes.

Isso significa que, quando codificamos nossas experiências, codificamos principalmente aquilo em que prestamos atenção.

Quando alguém se apresenta em um jantar enquanto prestamos atenção em outra coisa, não codificamos o nome. É uma falha de memória, mas é totalmente normal e bastante comum.

Hábitos e estrutura, como sempre colocar as chaves no mesmo lugar para que não tenhamos que codificar sua localização, ajudam-nos a contornar o problema.

Ensaiar também é importante para a memória. As memórias que mais duram são aquelas que ensaiamos e recontamos, embora, muitas vezes, adaptamo-las a cada releitura e, provavelmente, nos lembremos do último ensaio em vez do evento real em si.

Na década de 1880, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus ensinou a um grupo de pessoas sílabas sem sentido, que elas nunca tinham ouvido antes, e analisou o quanto lembraram delas ao longo do tempo. Ele mostrou que, sem ensaio, a maior parte da nossa memória desaparece dentro de um ou dois dias.

No entanto, as pessoas que ensaiaram as sílabas, repetindo-as em intervalos regulares, puderam lembrar por mais de um dia o número de sílabas.

Mas essa necessidade de ensaio pode ser outra causa do esquecimento diário. Quando vamos ao supermercado, codificamos onde estacionamos o carro, mas quando entramos na loja, ocupamo-nos de outras coisas que precisamos lembrar, como nossa lista de compras. Como resultado, esquecemos a localização do carro.

Outra coisa que nos revela característica do esquecimento: podemos esquecer informações específicas, mas lembrar da essência. Quando saímos da loja e percebemos que não lembramos onde estacionamos o carro, provavelmente lembramos se era à esquerda ou à direita da porta da loja, no limite do estacionamento ou mais para o centro.

E, assim, em vez de ter que percorrer todo o estacionamento até encontrá-lo, fazemos a busca em uma área relativamente definida.

À medida que as pessoas envelhecem, elas se preocupam mais com a memória. É verdade que nosso esquecimento se torna mais pronunciado.

Quanto mais tempo vivemos, temos mais experiências e lembranças. Mas as experiências têm muito em comum, o que significa que pode se tornar complicado separar esses eventos em nossa memória.

Se você só passou férias na praia na Espanha uma vez, você se lembrará com grande clareza. Agora, se você já foi de férias para a Espanha muitas vezes, visitou diversas cidades em momentos diferentes, lembrar se algo aconteceu na primeira vez em Barcelona ou na segunda, ou se seu irmão estava nas férias em Maiorca ou Ibiza, torna-se mais desafiador.

A sobreposição de memórias, ou interferência, atrapalha a recuperação de informação. Imagine arquivar documentos no seu computador. Ao iniciar o processo, você tem um sistema claro, em que saberá onde encontrar cada documento que guardar.

Mas à medida que mais e mais documentos entram, fica difícil decidir a qual das pastas ele pertence. Você também começa a colocar muitos documentos em uma pasta porque todos eles estão relacionados a um mesmo item.

Isso significa que, com o tempo, torna-se difícil recuperar o documento certo quando precisar dele, seja porque você não consegue saber onde o colocou, ou porque sabe onde ele deve estar, mas há muitas outras coisas para pesquisar.

Mas não esquecer também pode ser perturbador. O transtorno de estresse pós-traumático é um exemplo de uma situação em que as pessoas não conseguem esquecer. A memória é persistente, não desaparece e, muitas vezes, interrompe a vida diária.

Há experiências semelhantes com memórias persistentes no luto ou em casos de depressão, condições que dificultam o esquecimento de informações negativas, quando esquecer seria extremamente útil.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/c72gx0x7zl1o.adaptado.
'Por que' esquecer é uma função normal da memória
Assinale a opção correta do termo destacado de acordo com as regras gramaticais: 
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Q3471510 Português
Conforme a norma culta da Língua Portuguesa, assinale a alternativa em que a regência verbal está correta:
Alternativas
Q3471504 Português
Considerando a norma culta da Língua Portuguesa, assinale a alternativa em que a regência nominal está correta: 
Alternativas
Q3471451 Português
Considere as frases abaixo:

1- Eles estão __________ cansados; 2- Os doces estão _________ ruins; e 3- Você tem ___________ colegas de trabalho.

A alternativa que preenche corretamente as lacunas é:
Alternativas
Q3468861 Português
Observe as frases a seguir e destaque a única que não apresenta nenhum erro de concordância verbal e nominal.
Alternativas
Q3468767 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Comparando as mutações genéticas dessas populações, os pesquisadores concluíram que a especialização em humanos ocorreu por volta de cinco mil anos atrás. Nessa época, terminava o "período úmido africano": por conta de mudanças cíclicas na órbita da Terra, o norte da África tem períodos alternados de umidade (caracterizado por alguma presença de lagos e florestas) e completamente desérticos. Estamos na fase mais seca, e conhecemos a região hoje como deserto do Saara.


Com a mudança de clima, as populações de mosquitos que viviam ali não encontravam mais animais para se alimentar e água para botar ovos. Daí se aproximaram das civilizações humanas, como as que viviam no rio Nilo. Não à toa, o nome Aedes aegypti faz referência ao Egito.


Por meio de registros históricos, sabemos que o espalhamento do mosquito pelo mundo só ocorreu no século 17 − em especial, com o tráfico de escravizados partindo da África para as Américas. O A. aegypti picava a tripulação e colocava os ovos nos barris de água dos navios.


A América do Sul e a Central proporcionaram o ambiente perfeito para o mosquito. A temperatura ideal para o desenvolvimento do Aedes aegypti é de 22ºC a 32ºC (4). Some isso à abundância de chuvas, e dá para dizer que os bichinhos encontraram um continente para chamar de seu.


(Super Interessante, março 2024)
Marque a alternativa em que "muito" ou "bastante" está mal empregado.
Alternativas
Q3459336 Português
Assinale a alternativa correta, segundo o padrão culto de língua:
Alternativas
Q3457843 Português
Em qual das alternativas a concordância verbal e nominal está correta?
Alternativas
Q3457172 Português
No trecho “Nós precisamos entender a razão pela qual alguns discordaram do projeto”, o termo destacado pode ser substituído por: 
Alternativas
Q3457170 Português
Qual frase está redigida em conformidade com a norma-padrão de concordância e regência? 
Alternativas
Q3453512 Português
Em consonância com o Decreto n. 5.626/2005, de acordo com art. 14, § 1º, “para garantir o atendimento educacional especializado e o acesso previsto no caput, as instituições federais de ensino devem [...] complete o excerto a seguir:
“VI - adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado de segunda língua, na correção das provas escritas, valorizando o aspecto semântico e reconhecendo a ___________ manifestada no aspecto formal da Língua Portuguesa”. 
Alternativas
Q3449788 Português
FELIZ ANO NOVO COM A CERTEZA DE MUITO AMOR


(1º§) Este ano, quero aprender algo mais, algo que ainda nem sei o que é. Quero, em comparação com os anos anteriores, amar e me dedicar bem mais ao outro. Será um ano promissor, fértil e de realizações, mas preciso assumir uma posição, bem rápido, quão mais rápido seja possível.

(2º§) Este ano, quero ser mais, ouvir mais, saber mais, dizer mais vezes a palavra não e pensar mais vezes ao dizer a palavra sim, e vice-versa. Quero decidir minha vida, amar e amar tão intensamente, para, então, me sentir feliz!

(3º§) Este ano, quero prestar mais a atenção ao cheiro das coisas. Preciso ouvir tudo de coração; sentir tocar na minha pele as vibrações positivas, quero abraçar meu próximo e saborear o doce dos pequenos e grandes momentos da vida.

(4º§) Este ano, quero ser uma ave sem precisar me estipular limites. Quero me conhecer mais, olhar para o meu íntimo e ver como realmente sou eu.

(5º§) Este ano, quero tirar as máscaras que ainda restam e sem que as pessoas percebam, o meu eu vá aparecendo e conquistando, agradando, causando sutis escândalos.

(6º§) Este ano, quero continuar atenta a tudo, prestando atenção às cores dos relacionamentos que surgem e desaparecem.

(7º§) Este ano, sei que será diferente dos demais, alguns já não estão mais tão perto e outros estão apenas pensando em se aconchegar.

(8º§) Este ano, eu quero saber diferenciar o ontem do hoje, quero medir o que há de bom ou ruim, o suficiente, o bastante para eu reforçar o amor a alguém, à minha volta. Quero além de sentir o cheiro das coisas, saber lidar com todos os cheiros, enxergar as flores do jardim e tocar na mais linda e perfumada de todas elas.

(9º§) Este ano, a tendência da paixão é certa e a decepção pode ser perigosa e triste. Não que ser peregrina, preciso criar um nexo para minha vida.

(10º§) Este ano está com cara de bossa-nova. Sinto o cheiro da melodia no ar. Suave e harmonioso na minha pele, no meu peito, no meu interior.

(11º§) Este ano, eu estou começando a compor. Será um ano de tentativas e de vitórias!

(12º§) Este ano, sim, serei bela como a vida, ardente de paixão para aumentar o brilho de nossas vidas. Fixe a ideia de que o melhor virá junto com o Ano Novo. Junte suas forças e lute por seu grande amor!

(13º§) Quero sugar o mel das coisas boas da vida e com ele vou me deliciar da doçura dos meus sonhos. Nada de sombra e luzes artificiais. Somente luz natural.

(14º§) O que eu realmente quero para este ano, é morrer de amor! Simplesmente morrer de amor! Entenda agora e venha comigo!


(Por: Cláudia K. da Luz) – (Texto adaptado)


(https://www.pensador.com/textos_de_feliz_ano_novo)
Marque a frase que apresenta desvio / erro no uso do “Porquê”
Alternativas
Q3437975 Português
O atendimento ao público requer a adoção de um vocabulário apropriado que demonstre a capacidade que o atendente possui de se comunicar bem, tornando as informações mais claras, a partir do correto emprego das concordâncias nominais e verbais. Leia os exemplos a seguir e destaque a única alternativa correta. 
Alternativas
Q3437959 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que se verifica regência nominal incorreta. 
Alternativas
Q3437003 Português
Analise as alternativas a seguir e assinale aquela em que a sentença dada está em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa.
Alternativas
Q3424162 Português

Leia o texto abaixo e, em seguida, responda:


O inventário


(Rubem Braga)



   Peço a um amigo que me ajude neste transe melancólico; aluguei uma casa mobiliada, e o velho casal de proprietários fez uma lista de seus trecos para eu conferir. A lista é minuciosa e, por isso, imensa; são mil grandes e pequenas coisas, duas marquesas, um quadro a carvão representando São Francisco de Assis (mas o desenho é ruim e o santo está gordo), uma horrível, incomodíssima cômoda de metal, dois choapinos, um espelho quadrado que agora será visitado pela minha cara e talvez por hábito me faça meio parecido com esse velho chileno que sofre do coração.


   Ah, sim, o piano. O velho quer levar o antigo piano alemão; resisto; quero o piano; não sei tocar, mas me agrada ter em casa um piano; não seria possível deixar o piano? Os velhos se consultam; sim, ficará o piano. Em compensação há essa absurda mesa de pôquer que eles insistem em deixar, enorme, horrível, esses quadros a óleo detestáveis que eles elogiam tanto e que eu meterei todos dentro de um armário, um tinteiro de cobre, uma estatueta japonesa, coisas antigas como um violetero onde jamais colocarei violetas, um licoreiro que nunca verá licor, um paraguero que sonha com os guarda-chuvas d’antanho, e essa feia mesita ratona, e essas coisas inúteis de metal e cristal, o relógio de cuco com o passarinho sempre cantando errado, pobre passarinho extraviado no tempo...


   A lista é terrivelmente misteriosa; eu terei de apresentar, ao sair desta casa, tantos ganchos de pendurar roupa e tantos cinzeirinhos de cobre; e já que insisti pelo piano, tenho de me conformar com a presença de um enorme e sinistro mueble musiquero, onde se guardam velhos tangos e valsas.


   Meu amigo confere as coisas, de lista na mão, e a velha vai repetindo os nomes e apontando os objetos, numa ladainha interminável; bocejo no meio de meu reino desordenado e precário; uma a uma terei de entregar um dia todas essas coisas de volta a esses velhos; e para eles são coisas de certo modo sagradas, com o longo contato de seus olhos e de suas mãos, coisas de suas vidas que incorporaram minutos e anos, lembranças, palavras, emoções. Bocejo, depois fumo; nego-me a examinar, como eles gostariam, o detalhe de cada coisa, e minha indiferença parece que vagamente os ofende. Creio que sentem no fundo da alma um ódio deste estranho que vai morar em sua casa, com suas coisas; sou um intruso, o mais antipático dos intrusos, o intruso que paga o direito de ser intruso. E então eles ficam mais minuciosos. Gastam meia hora para acrescentar na lista algumas coisinhas sem importância que tinham omitido, são avaros do que me alugam...


   Partem. Chego à janela, vejo-os que fecham com todo o cuidado o portão. E sorrio. Esses velhos são uns insensatos. Arrolaram centenas de cacarecos inúteis e se esqueceram do mais importante, do que me atraiu a esta casa, dos bens sem preço que um vândalo poderia destruir e, entretanto, não estão no inventário; daqueles bens que, se sumissem, fariam esses dois velhos desfalecer de espanto e dor; o que eles não compraram com dinheiro, mas com o longo amor, o longo, cotidiano carinho: as árvores altas, belas, ainda úmidas da chuva da noite, brilhando, muito verdes, ao sol. 



Braga, Rubem. 150 crônicas escolhidas / Rubem Braga; seleção e prefácio André Seffrin. – 1. ed. – São Paulo: Global Editora, 2023.

Releia o trecho e responda: “e talvez por hábito me faça meio parecido com esse velho chileno que sofre do coração.” Observe a palavra sublinhada e o seu emprego na sentença, que se insere nos apontamentos de concordância nominal. Agora, leia as construções abaixo, nas quais aparece essa palavra, e aponte aquela em que há DESVIO de concordância nominal:
Alternativas
Respostas
721: B
722: D
723: A
724: A
725: A
726: E
727: A
728: C
729: D
730: A
731: B
732: E
733: C
734: B
735: A
736: A
737: D
738: E
739: E
740: A