Questões de Concurso
Comentadas sobre problemas da língua culta em português
Foram encontradas 3.509 questões
"Os estudantes foram no laboratório para concluir a atividade prática prevista no cronograma da disciplina."
Assinale a alternativa que identifica corretamente o vício de linguagem presente.
I. "Faz-se necessário a remessa imediata dos documentos solicitados à Comissão de Finanças."
II. "Haviam muitos protocolos pendentes de análise na Secretaria Legislativa."
III. "A maioria dos vereadores votou favoravelmente ao projeto, que foi aprovado em primeira discussão."
IV. "Encaminham-se aos gabinetes parlamentares as emendas apresentadas ao projeto de lei orçamentária."
Julgue os itens quanto à correção gramatical, considerando a norma-padrão. Assinale a alternativa correta:
Assinale a frase que mostra esse problema.
O PUXADOR DE PALMAS
Antonio Prata
Não sei se é verdade que ao bater as botas vemos um túnel de luz – e taí um mistério que não tenho pressa em desvendar. O que venho descobrindo empiricamente é que quando uma pessoa muito especial parte, cria um túnel de luz do lado de cá, ajudando os que ficam a fazer a passagem. Tem o susto, a dor, mas aos poucos vão surgindo as memórias, histórias engraçadas vão brotando e quando você vê, um papo que começou com “meus pêsames” termina em risada.
Eu não conhecia direito o Marcão, mas ele era dessas pessoas que a gente não precisa conhecer direito pra conhecer bem. Vivia de guarda abaixada, o sorriso à mostra, principalmente quando falava da filha mais velha, Renatinha, minha amiga e colega de trabalho. Todo dia, há três anos, eu, a Renata, a Thais, o Chico e a Hela escrevemos uma série em longas reuniões Zoom. Quando o Marcão faleceu, não faz nem duas semanas, preparei-me pra uma Renata deprimida, calada: eu não contava com o túnel de luz. A cada dia a Renatinha traz uma história, uma memória, um traço do pai que nos leva às lágrimas ou às gargalhadas – não raro, ao mesmo tempo.
Anteontem ela nos contou que um dos maiores orgulhos do Marcão era ser “puxador de palmas”. Ele era aquele cara que no teatro ou num show aplaude primeiro, forte, convicto, arrastando milhares atrás de si.
Você pode achar que não há grande mérito em ser puxador de palmas. Que seria uma virtude caxias, tipo: ser o primeiro a chegar numa fila ou o primeiro a acordar na família. Nada disso.
Pedro, meu querido cunhado, mencionou outro dia como o entusiasmo está fora de moda. O arrebatamento é tratado como uma fraqueza. Ficar enlevado é coisa de criança. No mundo das redes sociais, com as opiniões transformadas em commodities, nos tornamos todos “brokers” de nós mesmos, num “day-trade” infernal. Nos exibimos em tempo real nessas vitrines virtuais, ansiosos para que nosso valor seja estabelecido hora a hora pelo número de views, likes, reposts.
Como todo mercado, é um terreno competitivo, hostil. Nos apresentamos, portanto, segurados pela ironia, alavancados pelo sarcasmo, contando com circuit breaker do cinismo. Sai um filme, um álbum novo, um livro, as pessoas consultam as opiniões de duas dúzias antes de dar um pio (ou, agora que mudou o nome, pontificar sobre o X da questão). Na dúvida, falam mal, como se não gostar decorresse de profunda atividade intelectual e o alumbramento de uma espécie de reflexo instintivo.
Diametralmente oposto aos habitantes desta savana vital está o puxador de palmas. O puxador de palmas não tá na bolsa de valores, tá na praça, tá na roda. O que diz com o aplauso é “não importa o que o cês acharam, eu adorei!”. Uma mente amolecida pelo sol da savana veria no “puxador de palmas” um líder. Um influenciador. Talvez lançasse um livro de autoajuda: “Aplauda antes para ser aplaudido depois – como gerir pessoas e liderar equipes”.
Não, amizade. O puxador de palmas não tá nem aí pro que os outros pensam, pra quem vem atrás, é o contrário. Ele é alguém que está à vontade dentro de si, despreocupado. Sua convicção não vem da análise macro e microeconômica das tendências culturais, vem do coração.
Esse é o tipo de assunto que surge toda vez que a Renatinha, no meio da lida, evoca o Marcão, orgulhoso puxador de palmas. De repente, do pranto faz-se o riso. Das mãos espalmadas faz-se o encanto. Faz-se de um Zoom uma aventura errante. De repente, não mais que de repente.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2024/05/o-puxa
dor-de-palmas.shtml. Acesso em: 24 mar. 2026.
Trechos como “O puxador de palmas não tá nem aí pro que os outros pensam [...]” e “[...] ‘não importa o que o cês acharam, eu adorei!’” evidenciam a presença de variantes linguísticas fora da norma-padrão. A respeito desse tema, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Considerando o gênero textual ao qual o texto pertence, o uso de variantes linguísticas fora da norma-padrão está inadequado.
( ) A utilização de variantes linguísticas fora da norma-padrão promove uma aproximação com o leitor e é coerente com o tema cotidiano tratado no texto.
( ) A presença de variantes linguística como “tá” e “o cês” indica que o autor do texto desconhece as regras da norma-padrão da língua portuguesa.
Uma resposta adequada para essa pergunta é:
I.O gerente informou ao supervisor que seu relatório seria encaminhado à diretoria no mesmo dia.
II.O pesquisador revisou cuidadosamente o artigo antes de submetê-lo à revista científica.
III.A professora encontrou a coordenadora quando saía de sua sala.
IV.Os estudantes participaram da palestra e registraram as principais informações apresentadas pelo conferencista.
V.Carlos avisou a Fernando que seu irmão chegaria mais tarde ao encontro.
Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas em que ocorre ambiguidade.
A juíza decidiu ...................... com muita ..................... o .......................... de prisão do réu, pois ele é um .................... cidadão na sua cidade.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
Analise as seguintes frases:
- Meu irmãozinho ainda não sabe ___________ nossos pais viajam tanto.
- Não podemos saber de tudo ____________ somos apenas humanos.
- Quero entender o _______ de tudo isso.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas dos trechos acima.
“Durante a reunião, o gerente esclareceu que o atraso na entrega dos materiais não comprometeria o cronograma da empresa. Ao final do encontro, pediu que os funcionários redigissem um relatório preciso, a fim de evitar equívocos na comunicação interna. A escolha adequada das palavras é fundamental para a clareza e a precisão da mensagem. Em língua portuguesa, algumas palavras apresentam semelhanças na escrita ou na pronúncia, mas possuem significados distintos, caracterizando relações de homonímia ou paronímia.”
Considerando esse aspecto, assinale a alternativa em que o emprego das palavras está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
Sabendo que os vocábulos destacados nos versos possuem formas distintas de emprego (POR QUE; PORQUE; POR QUÊ; PORQUÊ), das frases a seguir, o emprego desse vocábulo deve ocorrer pelo mesmo motivo do emprego nos versos, preenchendo a lacuna, sem infringir a norma culta em:
I- Por que você comprou esse livro?
II- As razões porque lutamos são nobres.
III- Não compreendi o porquê de tantas reclamações.
IV- Elas venderam a casa, por que?
O uso dos porquês está correto:
Os vícios de linguagem são construções que se afastam dos padrões estabelecidos pela gramática normativa. Com base nesse conceito, examine as frases abaixo.
I.Fazem três anos que me mudei.
II.Maria não chamou-me para a sua festa de aniversário.
Assinale a alternativa que apresenta o vício de linguagem presente nos dois enunciados.
Haja fígado para o perigoso mercado dos suplementos
A Anvisa, órgão responsável por regulamentar e controlar a qualidade de produtos que afetam a saúde humana, liberou em março de 2026 um texto alertando contra o uso excessivo de medicamentos e suplementos contendo cúrcuma, também conhecida como açafrão-daterra. O alerta é resultado de investigações internacionais que identificaram casos graves (embora raros) de danos ao fígado associados ao uso desses produtos.
A cúrcuma é um gênero de mais de 100 espécies de plantas cujas raízes são comumente usadas como tempero. Suas propriedades dão cor e sabor aos pratos e a tornam muito popular, sobretudo na culinária oriental. Além disso, a quantidade da molécula mais ativa na planta, a curcumina, não passa de 2% nas raízes e de 10% no tempero em pó comercial. Adicionada em pequenas quantidades na comida, é praticamente impossível ingerir quantidades perigosas da especiaria na alimentação.
As doses tóxicas podem ser atingidas somente na forma concentrada, vendida em suplementos e medicamentos fitoterápicos – derivados de plantas que possuem efeito comprovado para alguma doença (no caso da cúrcuma, a artrite) e que também contêm adjuvantes que podem aumentar a absorção da curcumina.
Mesmo que se repita muito por aí (incorretamente) que produtos naturais não têm efeitos colaterais, não é nada surpreendente que um extrato de plantas seja tóxico para os humanos. A vasta maioria das plantas na Terra não é comestível, apresentando graus variados de toxicidade.
Assim como cúrcuma demais pode lesar seu fígado, cafeína demais pode levar a parada cardíaca, a carambola é tóxica para pessoas com lesões renais, e a ingestão excessiva de lichias pode alterar o metabolismo de açúcar e lipídios (o que causa um número preocupante de mortes em crianças asiáticas). O fato de um produto ou insumo ser natural ou derivado de uma planta não remove qualquer molécula da realidade de que tudo possui uma quantidade tóxica.
Fonte: Nexo Jornal. Adaptado.
Considerando o uso dos porquês, assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE.
Daniela perguntou ao seu namorado: “Antônio, você gosta de chocolates?”. Ele respondeu: “Gosto. ______?”. Sem conseguir inventar uma desculpa, ela disse: “Ah, eu não gostaria de te explicar o ______.”. Antônio insistiu: “Mas eu só quero saber ______ você fez essa pergunta sem mais nem menos.”. Daniela respondeu, por fim: “É ______ eu queria saber que presente te dar de aniversário.”.