🎯 Saiba o que estudar

Avançado com Treinador a partir de R$ 0,76/dia

Questões de Concurso Comentadas sobre problemas da língua culta em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 3.594 questões

Q3493271 Português
No que diz respeito à concordância nominal, assinale, a seguir, a alternativa que apresenta um problema de concordância
Alternativas
Q3478901 Português
Atencão: Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo - uma apresentação ao livro Mar sem fim, de Amyr Klink.


O moço e o mar

    Poucas pessoas poderão ter gozado da solidão como uma alternativa, ou seja, do convívio exclusivo consigo mesmo, com o usufruto de um prazer tão completo como faz Amyr Klink em suas longas viagens a bordo do barco Paratii. Este livro - Mar sem fim - descreve a viagem que começou em 31 de outubro de 1998 e durou cinco meses.

    Nela, ele deu a volta ao mundo mais curta, mais rápida e mais difícil que poderia ser feita, circunavegando a Antártica - muitas vezes tentada, nunca conseguida. Foi conviva das estrelas, cruzou neblinas, nevascas e geleiras, e desafiou mares temperamentais.

    Nada do que tiver contemplado nas breves paradas na Geórgia do Sul, ou do que possa ter restado de exótico na ilha de Bouvetoya, a mais isolada do planeta, será suficientemente inédito para ter impressionado o argonauta, muito mais ilhado ele mesmo do que aquele território ignoto e inóspito. Por mais surpreendentes que possam ser a flora e a fauna marinhas, que o marinheiro encontrou protegidas da loucura furiosa da humanidade predadora de pés firmes no chão, nada terá superado a graça que ele achou nos porões da própria alma, ao atravessar com destemor, mas com respeito, as fronteiras da vida.

   Quem concorde com a dura frase em que Sartre afirma que "o inferno são os outros" está convidado a visitar o céu que cada um contém em si mesmo e que Amyr Klink se dispôs a nos revelar em mais este fascinante relato de seu caso de amor com o mar. A saga desse brasileiro transporta a mitologia grega para nossos dias, nos induzindo a crer com sua viagem que o fardo de viver pode ser mais leve, intrépido e digno de ser carregado. 


(Adaptado de: NÊUMANE, José. In: KLINK, Amyr. Mar sem fim. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, orelha)
 As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
Alternativas
Q3475274 Português
Assinale a alternativa que apresenta uma frase escrita de acordo com a norma culta da Língua Portuguesa.
Alternativas
Q3474134 Português
Preencha corretamente as lacunas da frase a seguir, respeitando a norma culta da Língua Portuguesa:

"Gostaria de entender (I) _____ o projeto foi alterado tão abruptamente, (II) _____ as justificativas apresentadas não foram convincentes o suficiente. Além disso, ninguém soube explicar o (III) _____ da alteração."

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta para as lacunas (I), (II) e (III). 
Alternativas
Q3473258 Português
Medicamentos disponíveis do Brasil


Tanto o Wegovy quanto o Mounjaro estão aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e podem ser prescritos pelos médicos no tratamento da obesidade.

A tirzepatida, aliás, chegou efetivamente às farmácias brasileiras no início de maio, apesar de já estar liberada desde outubro de 2023.

Por enquanto, esses fármacos não estão disponíveis da rede pública, embora já existam discussões preliminares sobre a eventual incorporação delas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Quem precisa fazer o tratamento, portanto, precisa pagar do próprio bolso um valor que supera os R$ 1,2 mil por mês.

Vale lembrar que, como a obesidade é uma doença crônica, esses remédios precisam ser tomados de modo contínuo, sem interrupção.

Desde abril, a Anvisa também mudou as regras sobre a prescrição das chamadas "canetas emagrecedoras": a partir de agora, as receitas médicas precisarão ser retiradas nas farmácias.

O objetivo é aumentar o controle do uso dessas substâncias e, segundo a agência, "proteger a saúde coletiva do consumo irracional" dessas medicações.

Vale lembrar aqui outro nome que ficou famoso nesse universo: o Ozempic.

Assim como o Wegovy, ele também tem como princípio ativo a semaglutida. Mas o que muda aqui é a dosagem e a finalidade de uso.

Há, então, três opções de semaglutida disponíveis nas farmácias hoje: o Ozempic (injeção de 1 miligrama, prescrita contra o diabetes tipo 2), o Rybelsus (comprimidos de 3,7 ou 14 mg, também usados no diabetes) e o Wegovy (injeção de 2,4 mg, utilizada contra a obesidade).

Mais novidades para o futuro?

Uma enorme quantidade de pesquisas sobre medicamentos para perda de peso ainda está em andamento.

Diferentes grupos de pesquisa testam doses mais altas desses remédios e novas formas de fazer o tratamento, como por meio de comprimidos orais.

Há também a possibilidade de outros princípios ativos ainda mais potentes chegarem ao mercado nos próximos anos.

Isso significa que o vencedor final das terapias contra a obesidade ainda não foi determinado.

O professor Naveed Sattar, da Universidade de Glasgow, na Escócia, afirma que a quantidade de pesquisas em andamento significa que podemos estar nos aproximando do ponto em que "a prevenção da obesidade também poderá ser possível".

No entanto, segundo ele, "seria muito melhor" tornar a sociedade mais saudável para evitar que mais pessoas desenvolvam a obesidade.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj3jmldpxvzo 
"Quem precisa fazer o tratamento, portanto, precisa pagar do próprio bolso um valor que supera os R$ 1,2 mil por mês.
Vale lembrar que, como a obesidade é uma doença crônica, esses remédios precisam ser tomados de modo contínuo, sem interrupção."
Com base na ortografia e no uso de expressões de acordo com a norma culta da língua, assinale a alternativa incorreta
Alternativas
Q3456806 Português
De acordo com Irandé Antunes (Aula de Português: encontro e interação, 2003), o ensino de oralidade deveria abordar 
Alternativas
Q3455936 Português
Assinale a alternativa em que a norma-padrão de concordância verbal foi plenamente respeitada.
Alternativas
Q3453823 Português
A norma-padrão de regência verbal e nominal está respeitada em: 
Alternativas
Q3453817 Português
Está em conformidade com a norma-padrão de concordância nominal e verbal a frase:
Alternativas
Q3452700 Português

O texto seguinte servirá de base para responder a questão.



Auto Riso



Conheci Vitor no trabalho e logo se tornou um conselheiro para mim. Ele tinha mais experiência e equilibrava suas ações com bom senso. Sempre aprendi muito com ele, tanto pela vivência quanto pela forma descontraída de encarar a vida.



Vitor era português e, ao invés de se incomodar com piadas sobre sua nacionalidade, as usava a seu favor. Durante discussões sobre textos no trabalho, propunha:



— Se eu, que sou português, entender, qualquer um entenderá!



Todos riam, e sua frase se tornou uma marca. Ele acabou se tornando referência para textos bem escritos.



Outro episódio memorável foi uma confraternização da sua turma de faculdade. Empolgado, ele reencontrou os amigos e, no dia seguinte, comentou:



— Descobri que sou antiquado. Fui o único que não trocou de carro... nem de mulher!



Rimos muito. Mas o mais valioso era sua capacidade de rir de si mesmo, sem arrogância. Ele me ensinou que a verdadeira autoconfiança permite ver graça em si, sem medo do julgamento.



"Aquele que não consegue rir de si mesmo, deixa esse trabalho para os outros."


Antonio Carlos Sarmento - Texto Adaptado


https://cronicaseagudas.com/2022/03/20/auto-riso/



Leia o trecho do texto a seguir:

"Se eu, que sou português, entender, qualquer um entenderá!"

Considerando os vícios de linguagem, analise a construção da frase dita por Vitor e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3451702 Português
Assinale a alternativa que apresenta erro de concordância verbal ou nominal:
Alternativas
Q3450747 Português

Os impactos ambientais da computação

Intensivo em uso de energia e água, o setor responde por 1,7% das emissões de carbono na atmosfera; uma nova área de pesquisa surge para lidar com o problema 

     Parte essencial da vida moderna, a computação está em todos os lugares. É difícil imaginar o cotidiano sem os recursos do mundo digital, como internet, redes sociais, streaming de vídeo, programas de inteligência artificial e os mais variados
aplicativos. Governos, organizações e empresas de diversos setores dependem cada vez mais das tecnologias da informação e comunicação (TIC). O crescente aumento da demanda computacional, contudo, gera impactos no meio ambiente. Estima-se que entre 5% e 9% da energia elétrica consumida no mundo se destine à infraestrutura de TI e comunicações em geral e ao seu uso. A Agência Internacional de Energia (IEA) alerta para uma tendência de forte aumento nessa demanda. O gasto energético de data centers, instalações com robusto poder de armazenamento e processamento de dados, e dos setores de inteligência artificial (IA) e criptomoedas, segundo a entidade, poderá dobrar no mundo em 2026 em relação a 2022, quando foi de 460 terawatts-hora (TWh) – naquele mesmo ano, o Brasil consumiu 508 TWh de energia elétrica.

     “O uso de energia é inerente à computação”, constata a cientista da computação Sarajane Marques Peres, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e pesquisadora do Centro de Inteligência Artificial C4AI, financiado por FAPESP e IBM. [...] 

     “Todas as nossas atividades digitais, como navegar na internet, acessar redes sociais, participar de videoconferências e enviar fotos para os amigos, têm, em última instância, efeitos sobre o ambiente”, aponta a cientista da computação Thais Batista, presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e professora do Departamento de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

     A energia destinada aos data centers é usada não apenas para a operação dos servidores, mas também para manter em funcionamento seu sistema de refrigeração. “Por trabalharem sem parar em processamento numérico, os computadores aquecem, emitem calor e precisam ser resfriados e mantidos em uma temperatura razoavelmente baixa”, ressalta o cientista da computação Marcelo Finger, do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. “A depender da matriz que produz essa energia, haverá mais ou menos efeitos nocivos no ambiente”, afirma Peres, referindo-se à emissão de dióxido de carbono (CO₂) quando são queimados combustíveis fósseis para a obtenção da energia elétrica utilizada.

     Google, Microsoft, Apple, Amazon e outras grandes multinacionais de tecnologia, as chamadas big techs, comprometeram-se a zerar suas emissões de carbono até 2030 – segundo especialistas ouvidos pela reportagem, não há indícios de que esse objetivo possa ser atingido. Em 2023, último ano com dados disponíveis, as emissões dessas companhias cresceram principalmente por causa dos sistemas de inteligência artificial, que demandam grande poder de processamento – e, portanto, elevada carga energética – para serem treinados e funcionar.

     O aumento do consumo de energia e da emissão de carbono não é o único fator que preocupa. O uso intensivo de água por data centers para manter em operação seus sistemas de refrigeração, bem como a emissão de calor no ambiente, também acendem um sinal de alerta. “O consumo hídrico é uma preocupação mais recente, visto que a maioria dos grandes data centers usa refrigeração líquida para seus equipamentos de grande porte”, ressalta o bacharel em computação científica Álvaro Luiz Fazenda, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus de São José dos Campos. Uma das soluções é usar fontes de água não potável para realizar os processos de resfriamento.

     A exploração muitas vezes insustentável de elementos terras-raras e outros minerais, como silício, cobre e lítio, usados para a produção de discos rígidos, chips e baterias, e o descarte de computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos que rapidamente se tornam obsoletos, também elevam a pressão da computação sobre os ecossistemas. [...] 

     Buscando enfrentar o problema, uma nova área de estudos, conhecida como computação verde ou sustentável, tem ganhado força no Brasil e no mundo. “Ela se refere ao conjunto de práticas, técnicas e procedimentos aplicados à fabricação, ao uso e ao descarte de sistemas computacionais com a finalidade de minimizar seu impacto ambiental”, explica o pesquisador da UFABC.

 A fim de alcançar esse objetivo, várias práticas têm sido propostas, como elevar a eficiência energética de hardwares e softwares, permitindo que realizem as mesmas operações consumindo menos energia. Projetar sistemas mais duradouros, reparáveis e recicláveis, que reduzam a geração de lixo eletrônico, é outra abordagem, assim como priorizar o emprego de materiais sustentáveis na produção e operação de dispositivos computacionais e o uso de energias renováveis em data centers. [...] 

     Reduzir o gasto energético dos sistemas de inteligência artificial foi o que tentaram fazer os pesquisadores da startup chinesa DeepSeek. O chatbot DeepSeek-V3, lançado no fim de janeiro, causou surpresa ao apresentar desempenho comparável ao dos modelos da OpenAI e do Google, mas com custo substancialmente menor.

     “O DeepSeek é um exemplo de que é possível desenvolver IA de boa qualidade usando menos recursos computacionais e energia”, ressalta o cientista da computação Daniel de Angelis Cordeiro, da EACH-USP. “Investir em pesquisa de algoritmos mais eficientes e em melhorias na gestão dos recursos computacionais usados nas etapas de treinamento e inferência pode contribuir para a criação de uma IA mais sustentável.” [...] 


Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/os-impactosambientais-da-computacao/ Acesso em: 15 mar. 2025. 

Tendo em vista as regras de colocação pronominal da língua portuguesa, assinale a alternativa em que a reescrita proposta mantém-se condizente com a norma-padrão.
Alternativas
Q3440753 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
O último tabu” (12º§), a que se refere o autor, pode ser ilustrado com a seguinte passagem do texto: 
Alternativas
Q3440748 Português
“Me corrige”, pede o pronome


   Me parece cada vez mais claro que o pronome átono em início de frase, como o que acabo de cometer, será o último dos últimos tabus normativos a ser quebrado pelo inexorável abrasileiramento da língua que se entende e se pratica como nossa norma culta.

   É claro que me refiro à língua escrita. Sabe-se que, falando, a maior parte dos brasileiros iniciaria assim esta frase: “Se sabe que...”. Isso inclui pessoas de alta escolaridade e não exclui situações em que a comunicação prevê certa cerimônia.

   Já nos anos 1920, no poema “Pronominais”, Oswald de Andrade brincava com esse descompasso: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido./ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro”.

   O poeminha de Oswald é a mais famosa defesa literária do pronome átono como abre-alas, mas não a única. Desde o modernismo, que tinha entre suas bandeiras aproximar a língua dos livros da que se falava nas ruas, muitos escritores fazem questão de contrariar os sábios nesse quesito.

   Ao incorrer em suposto crime de lesa-gramática, têm como móvel a busca da coloquialidade e como defesa a liberdade autoral. No entanto, o que passa como natural em romances, crônicas leves e depoimentos desencanados na internet não é admitido de modo algum em textos mais formais. Cem anos depois, o tal crime insiste em não prescrever.

   (Saiba, caro leitor, que a abertura desta coluna – um pronome átono inaugurando não apenas a frase, mas o texto inteiro! – só pôde chegar até você porque o colunista brigou por ela, jogando na mesa a grave carta da metalinguagem. A regra de qualquer jornal digno desse nome é tratar o pronome átono em início de período como erro clamoroso, e ponto final.)

   No livro “Oficina de Texto”, um guia de redação sensatamente equilibrado entre tradição e modernidade, o linguista Carlos Alberto Faraco e o romancista Cristovão Tezza escrevem o seguinte: “Resta praticamente uma única regra universal na colocação de pronomes da língua-padrão escrita: jamais comece uma sentença com pronome átono”.

   Logo em seguida reconhecem que talvez esse não seja bem o único mandamento restante. Para poupar dor de cabeça com revisores e corretores de provas, dizem, vale a pena seguir também a regra “bastante duvidosa” das tais palavras atrativas, como “que”, “quando” e “não”, que sempre puxariam o pronome átono para junto de si: “Não se sabe”, “Quando me dei conta...” etc.

   No mais, Faraco e Tezza dão ao leitor a bússola de colocação pronominal que julgo definitiva: “Prefira a forma que soar melhor”. Se você é brasileiro e não se chama Michel Temer, isso exclui quase certamente a mesóclise (insiste e corrigir-te-ei), além de limitar a lusitana ênclise, isto é, o pronome átono que vem depois do verbo: “Dê-me isso”. Nossa inclinação é naturalmente proclítica.

   O gramático Manuel Said Ali (1861-1953) foi um pioneiro defensor da colocação de pronomes à moda da casa, contra o lusocentrismo dominante em sua época e ainda hoje presente na gramática normativa.

   Argumentava que “a pronúncia brasileira diversifica da lusitana; daí resulta que a colocação pronominal em nosso falar espontâneo não coincide perfeitamente com a do falar dos portugueses”.

   Tudo isso é lindo, mas convém ter sempre em mente o último tabu. Me faça o favor de contrariar sua fala e escrever “Faça-me o favor”, a menos que queira marcar uma posição. Se prepare, nesse caso, para as consequências.


(RODRIGUES, Sérgio. “Me corrige”, pede o pronome. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)
Segundo o texto, em início de período, a posição enclítica do pronome oblíquo átono ainda é norma:
Alternativas
Q3440743 Português
Você se considera uma pessoa empática? Estudo revela que existe uma idade onde se alcança o auge da empatia


De acordo com a equipe de psicólogos do estudo, isso sugere que as respostas empáticas são desenvolvidas ao longo da vida

   Pessoas no início da vida adulta apresentam maior capacidade de empatia, isto é, de se colocarem no lugar do outro, como mostram evidências de um novo estudo publicado na revista científica Social Cognitive and Affective Neuroscience.

   Os psicólogos que estudaram o tema descobriram que os jovens adultos são especialmente sensíveis à chamada dor social, que envolve situações de constrangimento, sofrimento e tristeza. Esta faixa etária (dos 20 até os 40 anos) tem a tendência de sentir mais empatia por outras pessoas que vivenciam a dor social do que os adolescentes (10 a 19 anos) ou adultos mais velhos (mais de 60 anos).

   “Este estudo fornece insights valiosos sobre a natureza complexa das respostas empáticas a outros com dor que atingem o pico na fase adulta jovem, como visto em suas avaliações comportamentais da intensidade da dor sentida por outros”, afirma Heather Ferguson, pesquisadora principal do artigo e professora de psicologia em Kent.

   De acordo com a pesquisa, isso sugere que as respostas empáticas são desenvolvidas ao longo da vida, conforme a experiência social e a exposição a diferentes situações sociais e relacionadas à dor aumentam.

   Por outro lado, os dados mostraram que depois dos 60, as pessoas tendem a não sentir uma empatia tão forte ao observar a dor de outras pessoas.

  “No entanto, o cérebro se torna cada vez mais reativo a ver outros com dor à medida que envelhecemos, o que sugere que adultos mais velhos sentiram empatia no momento em que viram as fotografias de dor – mas foram menos precisos posteriormente ao avaliar a intensidade dessa dor”, conclui.


(Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/noticia. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
Apesar de empregada com alguma frequência, qual estrutura NÃO está em conformidade com a linguagem padrão no título “Você se considera uma pessoa empática? Estudo revela que existe uma idade onde se alcança o auge da empatia”?
Alternativas
Q3439911 Português

Texto para a questão.


Dentista faz tatuagem em homenagem à esposa que morreu após acidente aéreo no AC: “Minha melhor amiga”



    “Éramos um casal muito abençoado, exemplos, muitas pessoas nos pediam conselhos como casal. Fomos muito felizes. Não é porque ela morreu, mas minha esposa me fez muito feliz e tenho certeza de que a fiz feliz. Era minha melhor amiga”.

    A declaração é do dentista Bruno Fernando dos Santos, marido da biomédica Amélia Cristina Rocha, que morreu dois meses após a queda de um avião em Manoel Urbano, interior do Acre, em março. Amélia e Bruno, que também estava no voo, estavam juntos há sete anos e oficializaram a união em abril de 2022.

    Para eternizar o amor que sentia pela esposa, Bruno fez uma tatuagem com as digitais do casal, uma frase sobre o sorriso de Amélia e um versículo bíblico. “O coração é formado pela digital dela e a minha, das nossas identidades [RG]. Do lado direito é a dela e do lado esquerdo a minha. Tem um violão, por que ela gostava muito de tocar, tem vídeos nossos cantando, e a frase significa o que me fez apaixonar por ela. O que nos conectou foi o sorriso dela, sempre falava que o que mais gostava era o sorriso dela”, contou.

    Amélia foi a primeira paciente transferida para unidade especializada no Amazonas. Ela chegou a ser extubada no dia 25 de março, mas continuou na UTI, seguindo com o tratamento. Com uma pneumonia e infecção hospitalar, no dia 24 de maio a biomédica teve uma piora e morreu.



Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).

No trecho “sempre falava que o que mais gostava era o sorriso dela”, que é parte da fala de uma pessoa que aparece mencionada no texto, ocorre um desvio típico da oralidade, o qual, segundo a gramática normativa, seria corrigido com a
Alternativas
Q3439355 Português
   “quando o estudante chega à escola com seis ou sete anos, domina uma certa quantidade das possibilidades da língua, isto é, ele sabe muito, mas ainda não domina (muitos?) recursos, seja porque não são muito utilizados no ambiente social no qual ele vive e aprendeu o que conhece da língua, seja porque são recursos que não mais ocorrem na língua falada.”

Sírio Possenti. Por que (não) ensinar gramática na escola, p. 87-88.

Partindo do que diz Possenti, diante do uso da variante não padrão da concordância nominal (do tipo “os menino”) na redação de um estudante do Fundamental I, é coerente fazer o seguinte raciocínio: 
Alternativas
Q3437587 Português
Texto para a questão.

Dentista é suspeita de causar lesão permanente no rosto de paciente após procedimentos estéticos

    Uma dentista é investigada após uma paciente denunciar que ficou com uma deformação permanente no rosto, além de cicatrizes, fibrose e dor persistente, segundo laudo da Polícia Civil. A operação aconteceu em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, a profissional é suspeita de ter feito procedimentos que devem ser feitos apenas por médicos.
    A paciente relatou, segundo a PC, que passou por lifting e blefaroplastia, que têm o objetivo, respectivamente, de reduzir linhas de expressão e remoção do excesso de pele nas pálpebras.
    Em nota, o Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO) disse que está em curso uma apuração disciplinar, que tramita sob sigilo. Segundo CRO, lifting e blefaroplastia são vedados aos cirurgiões‑dentistas.
    A investigação cumpriu mandados de busca e apreensão no espaço que a profissional usava e apreendeu documentos, prontuários e dispositivos eletrônicos na terça‑feira (29). Segundo a polícia, os itens serão analisados para identificar outras vítimas e confirmar o crime. Os procedimentos de lifting facial e blefaroplastia são expressamente proibidos para profissionais da odontologia, informou a PC.

Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).
A passagem “procedimentos que devem ser feitos apenas por médicos” poderia ser reescrita com mais propriedade, para se adequar ao contexto específico da saúde, se a forma “feitos” fosse substituída por 
Alternativas
Q3435921 Português
Leia o texto a seguir para responder a questão.

Texto:

        A coerência e a coesão são elementos fundamentais para a construção de um texto bem estruturado e compreensível. A coerência textual garante a lógica e a unidade de sentido, permitindo que as ideias se relacionem de maneira clara e sem contradições. Já a coesão textual refere-se aos mecanismos linguísticos que asseguram a conexão entre as partes do texto, como pronomes, conjunções, advérbios, sinônimos e expressões referenciais.

        A coerência é essencial para a construção de qualquer discurso, pois possibilita que o leitor acompanhe o desenvolvimento do raciocínio sem dificuldades, tornando a mensagem compreensível e eficaz. Além de organizar as ideias, ela estabelece um fluxo lógico que guia o leitor ao longo do texto. Um texto coerente apresenta estrutura clara, com uma introdução que expõe o tema, um desenvolvimento que aprofunda as ideias principais e uma conclusão que sintetiza os pontos abordados.

        Por sua vez, a coesão contribui para a fluidez da leitura, evitando repetições desnecessárias e garantindo a ligação adequada entre os elementos do texto. Conectivos como “portanto”, “porque” e “além disso” estabelecem relações lógicas entre as orações, enquanto pronomes retomam termos já mencionados, facilitando a clareza e a economia linguística. A escolha criteriosa dos conectivos e a variação lexical são essenciais para manter o interesse do leitor e evitar a monotonia.

        Quando a coerência e a coesão não são observadas, o texto se torna confuso e fragmentado. A falta de coerência pode gerar contradições e lacunas que comprometem a compreensão da mensagem, como quando há mudanças abruptas de assunto sem explicação. Já a ausência de coesão faz com que as frases fiquem desconectadas, dificultando a articulação das ideias. Além disso, o mau uso dos recursos coesivos pode provocar ambiguidades e prolixidade, prejudicando a clareza textual. O uso excessivo de pronomes, por exemplo, pode tornar a referência a determinados termos pouco evidente, confundindo o leitor. Para garantir a eficácia da comunicação escrita, é essencial equilibrar coerência e coesão. A coesão assegura a ligação entre as partes do texto, enquanto a coerência mantém a lógica e a unidade de sentido. Juntas, essas características demonstram domínio da norma culta e organização das ideias, tornando o discurso mais claro, preciso e eficiente.

        Algumas estratégias podem ajudar a aprimorar esses aspectos. Planejar previamente a estrutura do texto permite organizar as ideias de forma coesa e coerente. O uso adequado de conectivos contribui para a clareza das relações entre os argumentos. Revisar o texto após a escrita ajuda a identificar falhas que possam comprometer sua compreensão. Ler o texto em voz alta é uma técnica eficaz para perceber problemas de fluidez e conexão. Além disso, buscar feedback de outras pessoas pode fornecer uma visão externa sobre a clareza e a estrutura do conteúdo.

        Outro fator essencial para a produção de um bom texto é o domínio dos recursos gramaticais. O conhecimento das regras de concordância, regência, pontuação e ortografia, por exemplo, evita equívocos que podem comprometer a compreensão da mensagem.

        Mesmo que um texto seja bem estruturado e apresente coesão e coerência, erros gramaticais podem enfraquecê-lo, tornando a leitura truncada e prejudicando sua credibilidade. Assim, aliar competência gramatical à organização das ideias garante um texto claro, preciso e eficaz.

        Dominar a coerência, a coesão e os recursos gramaticais é essencial para a produção de textos bem articulados e eficazes. Esses elementos asseguram clareza e organização às ideias, tornando a comunicação escrita mais precisa, fluida e impactante.

(Teoria do texto - fragmento - publicado por ISEM - turma ENEM)
“A coerência é essencial para a construção de qualquer discurso, pois possibilita que o leitor acompanhe o desenvolvimento do raciocínio sem dificuldades, tornando a mensagem compreensível e eficaz. Além de organizar as ideias, ela estabelece um fluxo lógico que guia o leitor ao longo do texto.”
Se substituirmos “A coerência” por “As conexões lógicas” temos: 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: CPCON Órgão: Prefeitura de Pombal - PB Provas: CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Arquiteto | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Arquivista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Assistente Social | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Bioquímico | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Cirurgião Dentista Protesista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Contador | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Educador Físico | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Enfermeiro 30H/40H | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Engenheiro Agrônomo | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Engenheiro Civil | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Engenheiro de Alimentos | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Farmacêutico | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Fisioterapeuta | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Fonoaudiólogo | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Odontólogo (Pacientes Especiais) | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Auditor | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Psiquiatra | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Radiologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Clínico Geral | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Urologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Plantonista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Veterinário | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Nutricionista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Odontólogo | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Psicopedagogo Clínico | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Psicólogo | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Terapeuta Ocupacional | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Cardiologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Dermatologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Gastroenterologista Pediatra | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Ginecologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Obstetra | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Oftalmologista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Ortopedista | CPCON - 2025 - Prefeitura de Pombal - PB - Médico Especialista Pediatra |
Q3429866 Português

Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.


TEXTO III 


Um milagre


(Graciliano Ramos)


    R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.

    A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.

    Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.

Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.

Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.

    A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.

Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.



(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)

Assinale a alternativa em que a versão apresentada entre parêntese, como sendo correspondente ao trecho original, apresenta uma inadequação gramatical.
Alternativas
Respostas
561: B
562: C
563: A
564: A
565: A
566: A
567: C
568: D
569: B
570: A
571: A
572: B
573: C
574: B
575: B
576: C
577: A
578: D
579: B
580: B