Questões de Concurso
Comentadas sobre por que- porque/ porquê/ por quê em português
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Texto I
No divã com a IA: os jovens que fazem terapia com bots de inteligência artificial
Harry Potter, Elon Musk, Beyoncé, Super Mario e Vladimir Putin. Estas são apenas algumas das milhões de personas de inteligência artificial (IA) com as quais você pode conversar no Character.ai – uma plataforma onde qualquer um pode criar chatbots baseados em personagens reais ou fictícios, popular especialmente entre jovens.
A tecnologia de IA é a mesma do ChatGPT, mas o supera em termos de tempo gasto pelos usuários na plataforma. E um bot tem sido mais procurado do que os conhecidos nomes citados acima. Chama-se Psychologist (psicólogo, em inglês). Um total de 78 milhões de mensagens, 18 milhões desde novembro, foram compartilhadas com o bot desde que ele foi criado por um usuário chamado Blazeman98, há pouco mais de um ano.
O bot apresenta-se como “alguém que ajuda nas dificuldades da vida”. A empresa de São Francisco minimiza a popularidade da conta, argumentando que os usuários estão mais interessados em role-playing para entretenimento. Os bots mais populares são personagens de anime ou jogos de computador. No entanto, entre os milhões de personagens existentes na plataforma, poucos são tão populares como o Psicólogo com muitos usuários compartilhando comentários elogiosos no Reddit. “É um salva-vidas”, postou uma pessoa. O usuário por trás do Blazeman98 é Sam Zaia, 30 anos, da Nova Zelândia.
“A intenção nunca foi que ele se tornasse popular, que outras pessoas o procurassem ou o usassem como uma ferramenta”, diz ele. O estudante de psicologia diz que treinou o bot usando princípios de sua formação, conversando com ele e moldando as respostas a serem dadas aos problemas de saúde mental mais comuns, como depressão e ansiedade.
Ele criou o bot para uso próprio, quando seus amigos estavam ocupados e ele precisava, em suas palavras, de “alguém ou alguma coisa” com quem conversar, e a terapia com um humano era muito cara. Sam ficou tão surpreso com o sucesso do bot que está trabalhando em um projeto de pesquisa de pós-graduação sobre a tendência emergente de terapia de IA e o porquê de ela atrair os jovens.
Sam também acha que os jovens se sentem mais confortáveis com o formato de texto. “Falar por mensagem de texto é potencialmente menos assustador do que pegar o telefone ou ter uma conversa cara a cara”, teoriza ele.
Theresa Plewman é psicoterapeuta profissional e já experimentou conversar com o Psychologist. Ela diz que não está surpresa que esse tipo de terapia seja popular entre os mais jovens, mas questiona a eficácia. “O bot tem muito a dizer e rapidamente faz suposições, como me dar conselhos sobre depressão quando eu disse que estava triste. Não é assim que um humano responderia”, disse ela. Theresa diz que o bot não é capaz de reunir todas as informações que um ser humano seria e não é um terapeuta competente. Mas ela diz que a sua natureza imediata e espontânea pode ser útil para quem precisa de ajuda.
Ela diz que o número de pessoas que utilizam o bot é
preocupante e pode apontar para elevados níveis de
problemas de saúde mental e falta de recursos públicos. Mas
a Character.ai é um espaço estranho para sediar uma
revolução terapêutica. “Estamos felizes de ver que as pessoas
estão encontrando grande apoio e conexão através dos
personagens que elas e a comunidade criam, mas os usuários
devem consultar profissionais certificados na área para obter
aconselhamento e orientação legítimos,” disse uma porta-voz
da empresa.
É um lembrete de que a tecnologia subjacente, chamada Large Language Model (LLM), não pensa da mesma forma que um ser humano. Os LLMs funcionam como a predição de mensagens de texto, encadeando palavras de maneiras que sejam mais prováveis que apareçam em outros textos nos quais a IA foi treinada.
Alguns psicólogos alertam que os bots de IA podem estar
dando conselhos inadequados aos pacientes ou podem trazer
preconceitos de raça ou gênero. Mas em outros lugares o
mundo médico começa a provisoriamente aceitar os bots de
IA como ferramentas a serem utilizadas para ajudar a lidar com
a alta demanda nos serviços públicos.
No ano passado, um serviço de IA chamado Limbic Access tornou-se o primeiro chatbot de saúde mental a receber do governo, no Reino Unido, uma certificação de dispositivo médico. Agora é usado em muitos postos do serviço público de saúde britânico para classificar e fazer a triagem de pacientes.
Adaptado de:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8025nkdjd3o
No excerto acima, vemos o exemplo de uma das variações da palavra sublinhada. Analise as opções a seguir e assinale aquela cuja aplicação do termo destacado foi feita de maneira INADEQUADA.
Em relação ao emprego do porquê, assinale a alternativa que está grafada de acordo com a norma culta.
Pedro se molhou _______ estava sem o seu ___________. Pedro é ___________! Ele não sabe _________ sempre se esquece.
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Maior macaco da história chegava a 3 metros e sumiu com o fim de florestas

(Reinaldo José Lopes. Folha de S.Paulo, https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2024/01/sumico-de-florestasextinguiu-o-maior-primata-de-todos-os-tempos.shtml.
No período acima, foi empregada a forma correta PORQUE.
Assinale a alternativa em que um de seus usos não tenha sido feito corretamente.
Nos países desenvolvidos, as práticas sociais de leitura e de escrita assumiram a natureza de problema relevante no contexto da constatação de que a população, embora alfabetizada, não dominava as habilidades de leitura e de escrita necessárias para uma participação efetiva e competente nas práticas sociais e profissionais que envolvem a língua escrita. Assim, na França e nos Estados Unidos da América (EUA), para limitar a análise a esses dois países, os problemas de illettrisme e d e literacy/illiteracy surgiram de forma independente da questão da aprendizagem básica da escrita.
Na França, o illettrisme surgiu para caracterizar jovens e adultos do chamado Quarto Mundo (expressão que designa a parte dapopulação, desfavorecida) que nos países revelavam desenvolvidos, precário mais domínio das competências de leitura e de escrita, o que dificultava sua inserção no mundo social e no mundo do trabalho. Partindo do fato de que toda a população domina o sistema de escrita, porque passou pela escolarização básica, as discussões sobre o illettrisme se fazem sem relação com a questão do apprendre à lire et à écrire (a alfabetização escolar) e com a questão da alphabétisation (termo em geral reservado às ações desenvolvidas junto aos trabalhadores imigrantes, analfabetos na língua francesa).
O mesmo ocorreu nos EUA, onde o foco em problemas de literacy/illiteracy emergiu, no início dos anos 80 do século passado, como resultado da constatação de que jovens graduados na high school não dominavam as habilidades de leitura demandadas em práticas sociais e profissionais que envolvem a escrita. Também nesse caso, as discussões, os relatórios, as publicações apontaram que o problema não estava na illiteracy (no não saber ler e escrever), mas na literacy (no não domínio de competências de uso da leitura e da escrita).
O que se quer aqui destacar é que, tanto na França quanto nos EUA, os dois problemas — o domínio precário de competências de leitura e de escrita necessárias para a participação em práticas sociais letradas e as dificuldades no processo de aprendizagem do sistema de escrita, ou da tecnologia da escrita — são tratados de forma independente, o que revela o reconhecimento de suas especificidades e uma relação de não causalidade entre eles.
Magda Soares. Letramento e alfabetização: as muitas facetas.
Internet: www.scielo.br (com adaptações).
Com base na estrutura e no vocabulário do texto precedente, julgue o item que se segue.
Estaria mantida a correção ortográfica, mas não as relações
sintáticas estabelecidas no segundo período do segundo
parágrafo caso o vocábulo “porque” fosse reescrito como
por que.
• Não compreendo o _________ de ele ter ido embora tão cedo.
• Ora, _________ você não gosta de maracujá?
• A criança chorou _________ estava com dor.
• O jornaleiro passou mais cedo _________?


Internet:<www.facebook.com>
Em relação à tira acima, julgue o item.
No segundo quadrinho, sem prejuízo para os sentidos
originais do texto, “porque” poderia ser substituído
por “é que”.
Sobre o emprego do termo “porque” no início da segunda estrofe do poema dos alunos da Escola Municipal de Timóteo, é correto afirmar que ele se escreve junto e sem acento por
O emprego dos porquês é um dos temas que mais causam dúvidas entre os falantes da língua portuguesa. Para que ocorra de forma adequada, é imprescindível entender e diferenciar as quatro formas: porque, porquê, por que e por quê. Assim sendo, assinale a opção que preenche adequadamente as frases a seguir.
I.A acusada não compareceu ao tribunal _______________ estava em viagem.
II. As razões _______________ fui embora são pessoais.
III. Se você sai com os seus amigos, ________________ não posso sair com os meus?
IV. Todos riam muito, e ninguém me dizia o ________________.
Em relação ao uso dos porquês, a frase retirada do texto traz correção no uso. Assinale a alternativa em que isso não ocorra.
Vale tudo pela sua atenção nas redes sociais?



PACHECO, D. Jornal da USP. Disponível em: https://jornal.usp.
br/atualidades/vale-tudo-pela-sua-atencao-nas-redes-sociais/.
Acesso em: 10 jun. 2020. Adaptado.
Julgue o item a seguir.
No que se refere à grafia, “porque” (sem acento) é um
substantivo e tem o mesmo sentido de o motivo, a causa,
a razão; já “porquê” (com acento) deve ser utilizado em
respostas e para dar ideia de causa, justificativa ou
finalidade.
Leia o texto para responder à questão.
Qual o tamanho da nossa desigualdade salarial?
Mesmo nas empresas preocupadas com a equidade salarial entre gêneros, as mulheres não alcançam os níveis mais altos da hierarquia corporativa
Fernanda Abilel | 21 de dezembro de 2023
O tema da equidade salarial entre gêneros TEM/TÊM ganhado cada vez mais força e destaque em todo o mundo. Aqui no Brasil, a Lei nº 14.611/2023 vem trazendo ainda mais luz ao tema, uma vez que determina mecanismos de transparência salarial e de critérios remuneratórios a serem reportados semestralmente pelas empresas com 100 ou mais empregados, prevendo aumento nas penalizações em caso de irregularidades.
No dia 23/11/2023, FOI DIVULGADO/FORAM DIVULGADAS novas informações sobre os dados a serem disponibilizados nestes reportes, que INCLUI/INCLUEM verbas remuneratórias fixas e variáveis, além do código do CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), que será a base para as comparações. É sabido que este código é bastante restritivo e acaba por concentrar funções de naturezas distintas dentro das empresas, mas é importante separar as categorizações entre áreas de linha (diretamente responsáveis por geração de resultado), de suporte e de perfil híbrido para evitar comparações incoerentes.
Ao longo do ano, acompanhamos publicações relativas a um relatório do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que aponta diferenças salariais entre homens e mulheres na casa de 22%. Essa é uma diferença média nos ganhos que ACABA/ACABAM unificando perfis muito distintos de funções, sendo importante estratificar esses números para clarificar as origens desta desigualdade.
Analisando um extrato do mercado
Apesar de saber que existem muitas realidades distintas entre as empresas de todo o país e de já ter participado de diversas discussões sobre o viés na gestão salarial de homens e mulheres, em meus 20 anos na área de remuneração, eu vi mais buscas por isonomia de tratativas do que descaso com relação ao tema. Por isso considero esta análise detalhada de extrema importância.
[...]
Apesar de ser apenas uma pequena amostra do mercado (e sim, sabemos que algumas empresas estão longe desta realidade), os resultados foram ao encontro das minhas estimativas quando segmentados entre os 3 perfis de categorias acima definidos.
Média salarial, a grande quebra de paradigma
Mulheres ganham, em média, 6% abaixo da remuneração dos homens em áreas de linha e em áreas híbridas, e 5% abaixo nas áreas de apoio.
No nível executivo, as mulheres ficaram com remuneração média 2% acima dos homens nas áreas de linha, 6% abaixo nas áreas de perfil híbrido e 1% acima nas áreas de apoio. Mais uma vez, reforço que este é um recorte de empresas preocupadas com este tema o suficiente para se utilizarem de um sistema de gestão de cargos e remuneração, mas não deixa de ser uma realidade.
No nível gerencial, mulheres ficaram com remuneração 12% abaixo dos homens nas áreas de linha, 5% acima nas áreas híbridas e 6% abaixo nas áreas de apoio. Quando descemos para cargos de contribuição individual, esta diferença se reduz ainda mais.
Onde estão as mulheres?
Neste quesito não há surpresa alguma nem para mim e nem para vocês. Mesmo neste extrato de empresas preocupadas com equidade salarial, as mulheres não alcançam os níveis mais altos das hierarquias. O ________ poderia ser debatido aqui à exaustão, mas o que os números frios nos dizem é que
• temos 43% de mulheres em áreas de linha, 54% de mulheres em áreas de perfil híbrido e 69% de mulheres em áreas de apoio. Aqui já temos uma gradação clara de mulheres figurando com mais ênfase em áreas cuja remuneração é naturalmente menor, ________ estão mais distantes da geração de resultados.
• no nível executivo, encontramos somente 5% de mulheres nas áreas de linha (somente uma CEO na amostra analisada). E esse é o número que mais perturba e que melhor explica a diferença média na remuneração.
• já nas áreas híbridas, elas representaram 60% e nas áreas de apoio, 44%.
• no nível gerencial, temos 44% de mulheres nas áreas de linha, 27% nas áreas híbridas e 48% nas áreas de apoio.
Para combater a desigualdade salarial de gênero, temos ainda muito que caminhar…
Não é só uma questão de homens e mulheres
Outro elemento essencial dentro do tema de equidade e inclusão diz respeito à cor. Apesar de ouvirmos muito sobre iniciativas nesta direção, este parece ser um tema em que se avançou muito pouco.
Na amostra de empresas que estudamos, temos a seguinte segmentação (terminologias de classificação utilizadas pelo IBGE):
• 64% das pessoas se declararam brancas, 31% pretas ou pardas e 5%, amarelas ou indígenas.
• No nível executivo, 90% das pessoas são brancas e 10% pretas ou pardas.
• No nível gerencial, 81% das pessoas são brancas, 19% pretas ou pardas e 1% amarelas ou indígenas.
Estes números são uma tristeza… mas não são uma surpresa.
Eu só gostaria de fechar esta análise reforçando mais uma vez que esta amostra, como qualquer outro recorte, é somente um extrato que permite uma análise segmentada do mercado. Não tenho a pretensão de ditar uma nova e revolucionária “verdade absoluta” sobre equidade salarial, mas quero dizer que é necessário mergulhar mais fundo nos números para que seja possível endereçar os problemas reais de cada organização.
Fernanda Abilel é professora na FGV e sócia-fundadora da How2Pay, consultoria focada no desenho de estratégias de remuneração.
ABILEL, Fernanda. Qual o tamanho da nossa desigualdade salarial? Forbes Brasil, 21 de dezembro de 2023. Colunas. Disponível em: https://forbes.com.br/carreira/2023/12/fernanda-abilel-qual-o-tamanho-da-nossadesigualdade-salarial/. Acesso em: 23 dez. 2023. Adaptado.