Questões de Concurso
Sobre pontuação em português
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Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
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A importância de se ter qualidade de vida
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1--------Qualidade de vida é um cotidiano em que há equilíbrio entre as responsabilidades e os
2--prazeres, garantidos por boa saúde, realização pessoal e facilidade ao lidar com as tarefas
3--diárias. Ela certamente depende de vários fatores para que o indivíduo alcance esse equilíbrio,
4--como, por exemplo: poder aquisitivo; infra-estrutura do habitat em que se vive; relação que se
5--mantém com o trabalho; administração do próprio tempo; nível de satisfação que se obtém com
6--o conjunto das atividades diárias; conforto ao qual se tem acesso; estado de saúde; e, acima de
7--tudo, modo pessoal de se encarar tudo isso. A expressão “qualidade de vida” nos permite
8--concebê-la como a forma com que cada um de nós vive o seu dia-a-dia no que diz respeito ao
9--estilo (escolhas adotadas durante toda a vida) e às condições de vida (envolve moradia,
10--escolaridade, saúde, transporte, segurança e, em geral, aspectos materiais da vida
11--historicamente determinados e socialmente construídos).
12------Por outro lado, qualidade de vida também significa apresentar boas condições de aptidão
13--física para realizar esforços regulares, implicando na capacidade de realizar atos motores
14--diversificados envolvidos nas tarefas do cotidiano, mantendo a homeostase do organismo sem
15--maiores alterações durante os esforços. Desta maneira, do ponto de vista biomecânico, ao
16--realizar uma atividade cotidiana, um indivíduo debilitado e com pouca massa muscular utiliza
17--muitas unidades motoras, o que acaba por caracterizar um esforço de alta intensidade. Observe-se
18--que, com idosos não condicionados, podem ocorrer 18 elevações perigosas na pressão arterial e
19--na frequência cardíaca em situações comuns, como a de subir escadas, que poderiam ser
20--abrandadas por meio do aumento da massa muscular e da força despendida quando da realização
21--de exercícios com peso.
22--------A qualidade de vida difere de pessoa para pessoa e tende a se alterar ao longo da vida.
23--Os principais benefícios proporcionados pela atividade física e pelo alcance de uma qualidade de
24--vida satisfatória são os efeitos antropométricos, neuromusculares, metabólicos e psicológicos
25--favoráveis. A qualidade de vida de muitas pessoas poderia sofrer modificações significativas se
26--alguns de seus hábitos fossem alterados, combinados com a implementação de ações
27--preventivas de saúde que pudesse gerar um estilo de vida saudável. Programas de atividade
28--física bem organizada podem suprir __ diversas necessidades individuais, multiplicando __
29--oportunidades de se obter prazer e, consequentemente, otimizando __ qualidade de vida.
30--------A Federação Internacional de Educação Física elaborou o “Manifesto Mundial de Educação
31--Física – 2000”, o qual representa um importante acontecimento na história dessa área do
32--conhecimento, pois pretende reunir, em um único documento, as propostas e discussões
33--efetivadas no decorrer do século XX no âmbito desta entidade. O manifesto expressa os ideais
34--contemporâneos de valorização da vida ativa, ou seja, ratifica a relação entre atividade física,
35--saúde e qualidade de vida, e prioriza o combate ao sedentarismo como objetivo da Educação
36--Física (formal e não formal), por meio da educação para a recreação ativa de forma continuada.
37--Com base no que é postulado nesse documento, devem continuar sendo instituídas políticas para
38--aumentar a participação individual em alguma atividade física, com o intuito de melhorar a saúde
39--e a qualidade de vida da população. Deve-se, além disso, conscientizar e estimular a população
40--sobre a prática de atividades físicas como fator de promoção de saúde e prevenção de doenças
41--crônicas não transmissíveis. É importante, igualmente, criar e oferecer novas sistemáticas para
42--aumentar o nível e a regularidade da prática de atividades físicas nos espaços públicos e
43--privados; por fim, e não menos fundamental, é preciso oferecer orientações sobre: práticas
44--saudáveis de vida; controle de peso corporal; risco de uso indiscriminado do tabaco, álcool e
45--medicamentos; a necessidade de aferição constante da pressão arterial e glicemia em postos
46--situados em locais de fácil acesso às comunidades. Tais iniciativas promovem o bem-estar
47--biopsicossocial e melhoram a qualidade de vida das pessoas em geral.
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(Disponível em: https://www.fef.unicamp.br/fef/sites/uploads/deafa/qvaf/ppqvat_cap19.pdf – textoadaptado especialmente para esta prova).
Sobre os parênteses em destaque na linha 36, analise as seguintes assertivas:
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I. Se houvesse a troca de “formal e não formal” pelo novo excerto “em todas as épocas”, seria imperioso substituí-los por vírgulas.
II. Poderiam ser suprimidos, juntamente com as informações presentes em seu interior, sem prejudicar a compreensão da mensagem original.
III. Poderiam ser substituídos por travessões, conservando, assim mesmo, a originalidade das ideias expressas na frase.
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Quais estão corretas?
Instrução: As questões de números 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
Mar em fúria
01 As origens da epidemia de alergia são ambientais e nutricionais. Há três níveis nos quais o
02 meio ambiente tem um impacto sobre a alergia: o ar livre, ambientes fechados e o interior de
03 nosso corpo. A toxidade em cada um desses ambientes é um golpe duplo. Primeiro, ela danifica
04 as superfícies de nosso corpo, como a pele ou o revestimento dos tratos respiratório ou
05 gastrointestinal e, então, promove uma reação alérgica a substâncias que normalmente seriam
06 toleradas. O que você come e seu estado nutricional afetam a resposta corporal a cada um
07 desses níveis.
08 Hoje, ir ao supermercado é como caminhar por um campo minado. Enquanto você empurra
09 seu carrinho pelos corredores, você logo vasculha as prateleiras em busca das palavras sem
10 glúten ou laticínios. Sua adorada pizza ou massa favorita são riscadas do cardápio se você for
11 alérgico ao trigo. Parece que as coisas básicas que costumavam nos sustentar se viraram contra
12 nós e uma nova ameaça nos espreita a cada esquina. Este é de fato um novo mundo estranho,
13 que as gerações antigas não reconheceriam.
14 Como chegamos a este ponto?
(Disponível em: A Solução para as Alergias. GALLAND, Leo & GALLAND, Jonathan. São Paulo: Madras, 2016 – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa de pontuação INCORRETA.
Instrução: As questões de números 01 a 05 referem-se ao texto abaixo.
.....
Poluição do ar
.....
01---------A poluição do ar é a contaminação do ambiente interno ou externo por qualquer agente
02--químico, físico ou biológico que modifique as características naturais da atmosfera. Dispositivos
03--de combustão doméstica, veículos motorizados, instalações industriais e incêndios florestais são
04--fontes comuns de poluição do ar. Poluentes de grande preocupação para a saúde pública incluem
05--material particulado, monóxido de carbono, ozônio, dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre. A
06--poluição do ar externo e interno causa doenças respiratórias e outras e é uma importante fonte
07--de morbidade e mortalidade.
08---------A poluição do ar mata cerca de sete milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano. Os
09--dados da OMS mostram que quase toda a população global (99%) respira ar que excede os limites
10--das diretrizes da OMS contendo altos níveis de poluentes, com países de baixa e média renda
11--sofrendo as maiores exposições. A OMS está apoiando os países a lidar com a poluição do ar.
12---------Desde o smog* que paira sobre as cidades até a fumaça dentro de casa, a poluição do ar
13--representa uma grande ameaça à saúde e ao clima. Os efeitos combinados da poluição do ar
14--ambiente (exterior) e doméstico causam milhões de mortes prematuras todos os anos, em grande
15--parte como resultado do aumento da mortalidade por acidente vascular cerebral, doença cardíaca,
16--doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão e infecções respiratórias agudas.
17---------As crianças, idosos e gestantes são mais suscetíveis às doenças relacionadas à poluição do
18--ar. Genética, comorbidades, nutrição e fatores sociodemográficos também afetam a
19--suscetibilidade de uma pessoa à poluição do ar.
20---------Os poluentes não apenas afetam severamente a saúde pública, mas também o clima e os
21--ecossistemas da Terra em todo o mundo. A maioria das políticas para reduzir a poluição do ar
22--oferece uma estratégia “ganha-ganha” tanto para a saúde quanto para o clima. Níveis mais baixos
23--de poluição do ar resultam em melhor saúde cardiovascular e respiratória das populações, tanto
24--a longo quanto a curto prazo.
25---------A OMS fornece suporte técnico em nível nacional sobre as melhores práticas para reduzir
26--a poluição do ar e implementar estratégias de mitigação, e emprega uma série de ferramentas
27--para avaliar a eficácia e viabilidade dos esforços de redução.
....
*Termo usado para definir a poluição que se acumula na atmosfera. (Disponível em: https://www.who.int/health-topics/air-pollution#tab=tab_1 – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a frase que apresenta pontuação correta.
Instrução: As questões de números 01 a 05 referem-se ao texto abaixo.
...
A importância da saúde mental para o bem-estar
..
01--------A saúde mental é um importante fator que possibilita o ajuste necessário para lidar com as
02--emoções positivas e negativas. Investir em estratégias que possibilitem o equilíbrio das funções
03--mentais é essencial para um convívio social mais saudável.
04--------Além de ser determinante para a estabilidade física, a saúde mental está relacionada à
05--qualidade da interação individual e coletiva. No cenário atual, buscar alternativas que
06--possibilitem a harmonia nessas relações é uma urgente necessidade.
07--------A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que o conceito de saúde é bem mais
08--abrangente que a simples ausência de doença: é um completo estado de bem-estar físico, mental
09--e social e, dessa forma, merece atenção em todas as suas vertentes.
10--------Assim como a física, a saúde mental é uma parte integrante e complementar à manutenção
11--das funções orgânicas. Nesse contexto, a promoção da saúde mental é essencial para que o
12--indivíduo tenha a capacidade necessária de executar suas habilidades pessoais e profissionais.
13--------Sumariamente, o bom estado mental confere ao homem o amplo exercício de seus direitos
14--sociais e de cidadania. Assegura ainda as condições de interação social para uma convivência
15--familiar mais harmônica e segura.
16--------Desse modo, entender a importância da estabilidade mental e sua intensa relação com o
17--bem-estar é fundamental. Possibilita, assim, a compreensão da importância de utilizar a
18--capacidade individual para a percepção de valores e virtudes inerentes à construção da
19--coletividade.
20--------Como parte importante das medidas de prevenção às doenças mentais, a atenção primária a
21--alguns hábitos do cotidiano precisa ser considerada. Muito provavelmente ocorrerá um aumento
22--expressivo do número de doentes desta natureza – e isso em caráter global.
23--------Fatores como o envelhecimento da população, a acentuação dos problemas sociais e
24--econômicos e os desajustes familiares concorrem para o surgimento de desequilíbrios
25--emocionais. Em geral, eles evoluem para transtornos mentais e físicos cada vez mais
26--desafiadores.
27--------Nesse contexto, destacamos os hábitos mais prejudiciais à saúde mental: pensamentos
28--negativos, vício em jogos, álcool e drogas e uso excessivo de Internet.
...
(Disponível em: https://hospitalsantamonica.com.br/a-saude-mental-e-a-importancia-dela-na-vida-daspessoas/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a frase que está com pontuação INCORRETA.
UM ABRAÇO EM PELÉ
1 Eu ainda não tive o prazer de lhe ser apresentado, meu caro Pelé, mas agora, com o fato de termos sido condecorados juntos pelo governo de França - você no grau de Cavaleiro e eu no de Oficial: e mais justo me pareceria o contrário - vamos certamente nos conhecer e tornar amigos. Ninguém mais que você merece tão alta distinção, sobretudo por ter sido conferida espontaneamente - pois ninguém mais que você tem levado o nome do Brasil para fora de nossas fronteiras. Da Sibéria à Patagônia todo mundo conhece Pelé; e eu estou certo de que você entraria fácil na lista das dez personalidades mais famosas de nossos dias.
2 Não posso disfarçar o orgulho que a condecoração me causa, embora seja, de natureza, avesso a honrarias; e orgulho tanto maior porque nela estamos juntos: preto e branco (as cores do meu Botafogo!) e também as cores irmãs de nossa integração racial. Sim, caro Pelé, nós representamos, em face da comenda que nos é conferida, o Brasil racialmente integrado, o Brasil sem ódio e sem complexos, o Brasil que olha para o futuro sem medo porque, apesar dos pesares, é bom de mulher, bom de música, bom de poesia, bom de pintura, bom de arquitetura e bom de bola. Particularmente por isso considero-me feliz de estar a seu lado no momento em que nos colocarem no peito a condecoração.
3 Que você tenha sido distinguido pela Ordem Nacional do Mérito da França nada me parece mais natural. A França sempre deu um alto valor ao gênio, e você, meu grande Pelé, é um gênio completo, porque o seu futebol representa um reflexo imediato de sua cabeça nos seus pés. Eu não sou gênio, não. Eu tenho que pensar um bocado para que a mão transmita direito o que a cabeça lucubrou. Meus gols são mais raros que os seus. Você é com justa razão chamado o Rei. Quanto a mim, que rei sou eu?
4 Mas nada disso turva a satisfação que sinto em ser o seu Coutinho nesta nova investida do Brasil na área internacional. Parabéns, meu caro Pelé. Parabéns e o melhor abraço aqui do seu irmãozinho!
Disponível em: https://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/prosa/um-abraco-em-pele
“Você é com justa razão chamado o Rei.”; a frase abaixo cuja estrutura altera o sentido original desse segmento é:
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 5.
O mercado movimentado por pessoas com 50 anos ou mais já abrange 54 milhões de consumidores e pode chegar a 90 milhões até 2045 no Brasil. A perspectiva sinaliza oportunidades de negócios na chamada economia da longevidade, que movimenta R$ 1,6 trilhão por ano no país. O crescimento do número de consumidores maduros abre espaço para empreendedores que querem investir em serviços de saúde, lazer e turismo, além de áreas relacionadas ao bem-estar econômico e social.
Embora conhecido, o consumidor dessa faixa etária ainda não é plenamente atendido e há espaços para novos negócios. Os empreendedores que trabalham com negócios da longevidade devem ouvir com atenção os consumidores para conhecer suas demandas, e reforçar cuidados com um atendimento mais individualizado. Espaços mais iluminados, produtos com rótulos maiores e atendentes treinados para responder dúvidas são algumas das medidas necessárias para fidelizar esse público.
Estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado no ano passado mostrou que a proporção de idosos (mais de 65 anos) no Brasil pode saltar dos 7,3%, em 2010, para 40,3% em 2100. O percentual de jovens (menos de 15 anos) pode cair de 24,7% para 9%. Hoje, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 10,5% da população brasileira tem mais de 65 anos.
Segundo Layla Vallias, consultora de marketing especializada em consumidor sênior, as pessoas com mais de 50 anos são protagonistas de um novo modo de consumir. “Hoje é comum que as pessoas mais novas dependam das gerações anteriores que fizeram dinheiro”, afirma Layla. Com isso, não são mais os filhos adultos que tomam a decisão de compra, mas sim os pais e avós.
A consultora explica que o comportamento do consumidor muda a partir dos 50, quando há, segundo ela, uma reflexão sobre a maturidade. Por isso, a economia da longevidade considera uma faixa etária que ainda não alcançou os benefícios dos direitos previdenciários ou gratuidade nos transportes, a partir dos 60 anos.
“As mulheres são protagonistas dessa revolução da maturidade. Elas acumulam mais papéis dentro da família e são as que mais sofrem preconceito etário”, afirma Layla. Ela diz ainda que há espaço para o mercado de confecção de roupas e produtos estéticos ou para manter a vida sexual saudável. “São mulheres ativas e que querem entrar em uma drogaria e encontrar produtos específicos para elas”, conclui a consultora.
(Folha de São Paulo, 20.05.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa na qual o acréscimo da vírgula está de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.


Leia a tirinha abaixo:
TEXTO II

Disponível em: https://revistatrip.uol.com.br/trip/o-pai-do-armandinho-o-menino-de-cabelo-azul-que-reflete-sobre-arte-a-politica-e-direitos-humanos
Disponível em https://www20.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2017/01/12/noticiasjornalopinia o,3679334/aonde-vai-a-humanidade.shtml. Acesso em 14/11/2020.
Tipos de chás e seus benefícios
Equipe Editorial do Tua Saúde

(Disponível em: https://www.tuasaude.com/tipos-de-cha-e-seus-beneficios/ - texto adaptado especialmente para esta prova.)

Considerando o emprego correto dos sinais de pontuação, analise as assertivas a seguir:
I. O uso das aspas na linha 12 deve-se à mesma situação de ocorrência das linhas 26 e 27, em ambas as situações, marca-se a ocorrência de uma palavra ou de um trecho fora de seu contexto usual.
II. Na linha 13, o emprego da vírgula hachurada deve-se à ocorrência de um objeto indireto deslocado.
III. O emprego dos travessões, nas linhas 24 e 25, isola uma palavra que retoma algo dito anteriormente e esses sinais poderiam ser substituídos por vírgulas.
Quais estão corretas?
TEXTO I
Quanto custa uma vida
Um vírus mortal assolou o mundo, por volta de 1910, sendo responsável por epidemias que se tornaram eventos comuns, principalmente nas cidades, durante os meses de verão, deixando milhares de crianças e adultos paralíticos.
Foi a descoberta, em 1952-55, da vacina, por Jonas Salk, que reduziu a incidência da doença de centenas de milhares de casos para menos de um milhar por ano e, no início dos anos sessenta, Albert Sabin, médico polaco, descobriu uma vacina oral, as célebres gotinhas, que ainda hoje fazem parte do plano de vacinação e que quase conseguiu eliminar a poliomielite em todo o mundo. Este médico renunciou aos direitos de patente, o que facilitou a utilização da vacina em todo o Mundo.
Nessa altura trabalhava-se em nome da ciência e da humanidade.
Certamente, os CEO (Chief Executive Officer) das multinacionais farmacêuticas diriam agora “que a investigação de novos fármacos é muito dispendiosa e com a existência das patentes podem recuperar os custos e continuar a inovar”.
A investigação é de fato muito cara. Contudo, as grandes empresas farmacêuticas deixaram há muito de fazer investigação e compram-na às universidades ou empresas mais pequenas.
Foi o que se passou com as vacinas contra a covid-19, com a agravante que a investigação foi paga com dinheiros públicos.
O problema é que a Big Pharma não quer só recuperar os custos da investigação, mas alcançar grandes lucros a curto prazo.
Os CEO contestam e afirmam que fixam o preço tendo em conta o “valor” que os seus produtos têm um grande valor terapêutico, e salvam muitas vidas, e é por isso que têm de ser caros.
Interrogamo-nos assim: quanto é que custa uma vida? Todas as outras medidas realizadas nos hospitais, no ambulatório e na saúde pública, até mesmo a oferta da água potável, também salvam vidas e o seu preço não é inflacionado.
As empresas aumentam os preços das suas mercadorias convertendo-as em produtos financeiros para especulação nos mercados.
Os maiores acionistas de muitas das grandes empresas farmacêuticas, que são empresas de investimento, geram ativos importantes como os fundos de pensões, a dívida pública, os patrimônios pessoais, etc., com valores várias vezes superiores ao nosso PIB.
No meu entender, a isto se deve os preços dos medicamentos e a proteção das patentes por oito a 12 anos.
Se não mudarmos este modelo, não vamos usufruir das inovações terapêuticas no futuro próximo, como agora os países mais pobres não irão receber suficientes vacinas contra a covid-19.
O monopólio das patentes é muito bom para as empresas, mas péssimo para os serviços de saúde.
A afirmação de políticos e comentadores midiáticos de que a União Europeia devia ter pago mais às grandes empresas farmacêuticas com a frase “o barato sai caro” é, sem dúvida, uma inversão de valores. Estes deveriam, sim, defender as propostas da OMS de suspensão das patentes.
Segundo as Nações Unidas, “milhões de pessoas são deixadas para trás quando se trata do acesso aos medicamentos e tecnologias que podem assegurar a sua saúde e bem-estar. O fracasso em reduzir os preços dos medicamentos patenteados está a dar como resultado que a milhões de pessoas se lhes negue o tratamento para salvar a sua vida em doenças como a sida, tuberculose, malária, hepatites virais, doenças não contagiosas e doenças raras (High Level Panel, 2015)”. Impõem-se exigir, pelo menos, a suspensão das patentes durante a pandemia.
Numa carta dirigida ao governo, em novembro passado, a Associação de Médicos pelo Direito à Saúde (AMPDS) associou-se a mais de 370 organizações internacionais exigindo a limitação da atribuição de patentes sobre as vacinas e medicamentos para a covid-19, tendo em conta os seus valores de defesa intransigente do direito à saúde, como um direito humano fundamental e da dignidade profissional dos médicos.
No entanto, vários governos, entre os quais os dos Estados Unidos, Japão e outros países ricos, votaram contra a suspensão das patentes das vacinas para a covid-19 durante a pandemia, numa reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Sendo as vacinas e os medicamentos um bem público, de carácter universal, instamos para que se vote um plano de suspensão das patentes nas vacinas contra o SARS-CoV-2, na próxima reunião da OMC.
Igualmente, alertamos para a necessidade de uma cobertura universal da vacina, não deixando para trás uma grande parte da população dos países pobres, de acordo com as posições da União Europeia e das Nações Unidas, particularmente a da Organização Mundial da Saúde.
Jaime Teixeira Mendes
(Disponível em: https://www,publico.pt/.Publicado em 15/03/2021. Adaptado.)
No quarto parágrafo, o autor emprega as aspas com o propósito de:
Texto 1
Brasil cria roupa contra a covid
Pesquisadores brasileiros produziram um tecido capaz de inativar o novo coronavírus. Os testes preliminares, feitos no último mês, apontaram que o produto têxtil desenvolvido consegue neutralizar mais de 99,9% das partículas virais em até um minuto. Além disso, foi comprovada a eficácia no combate a outras doenças virais, como sarampo e caxumba. A descoberta poderá ser usada não só para vestuário, mas também em outras funções, como cortinas e forro de estofados de locais públicos.
Pesquisador do laboratório, Raphael Bergamini afirmou que o tecido tem grande potencial de funcionamento em situações de exposição à doença: "Por ter essa inativação tão rápida do vírus, as chances de contaminação da doença caem muito. Se um médico que tem contato com pacientes contaminados manuseia a máscara e coça os olhos, por exemplo, o vírus já teria sido neutralizado, porque essa estrutura funciona não só como uma barreira física, mas química também".
Além da produção de máscaras, aventais e outros equipamentos para profissionais da Saúde, o tecido representa uma mudança de cenário. "Uma vez que o protocolo de produção é homologado e está testado, ele condiciona a indústria têxtil, não só da parte fashion, mas também a logística. Provadores de loja, cortinas de teatro, assentos de avião ... Se nós aplicarmos esse químico, dá uma proteção e tranquilidade maior para as pessoas que estão frequentando o ambiente. Tirando a parte hospitalar, a gente vislumbra outros mercados e toda uma mudança de cenário", explicou o coordenador Adriano Passos.
Por ser um material com bom custo-benefício, o acesso pode ser mais fácil. Raphael Bergamini ressaltou a importância dessa facilitação: "Nós auxiliamos o laboratório nesse projeto de aplicação química e na estruturação, e eles já estão produzindo. O preço é acessível, muito mais do que a prata utilizada em outros tecidos. E nós vamos doar uma produção-piloto que fizemos para hospitais. É tudo muito novo, então ainda estamos decidindo para onde doar"
Maria Clara Matturo
(Adaptado de: Jornal O Dia, Rio de Janeiro, 15/07/2020)
No terceiro parágrafo, o longo trecho entre aspas representa, em relação à primeira frase, uma:
Texto para responder às questões 1 a 8.
Ucrânia e o mundo civilizado
Cobertura ocidental sobre Ucrânia. Na CBS: "Este não é um lugar como o Iraque ou o Afeganistão. Esta é uma cidade relativamente civilizada, relativamente europeia". Na ITV britânica: "O impensável aconteceu. Esta não é uma nação em desenvolvimento do terceiro mundo-esta é a Europa!". Na BBC: "É muito emocionante para mim porque vejo europeus com olhos azuis e cabelos loiros sendo mortos".
Há quase meio milhão de refugiados da Ucrânia, metade deles para a Polônia, a mesma que há pouco mandava tropas para bater em refugiados. Há relatos de africanos e de brasileiros barrados em trens fugindo da Ucrânia. Enfatizar que nossa dor é seletiva -geográfica e racialmente -não apaga a realidade da dor (na Ucrânia, é real e cruel); apenas ressalta que nossa empatia é proporcional à humanidade que concedemos a quem sofre.
Raça é uma fronteira, nos lembra Achiume em "Racial Borders". Regimes formais (status de refugiado) e informais (ser aceito em um trem) conferem privilégios raciais a uns e imobilidade a outros. A quem chamamos civilizados, a compaixão. Aos bárbaros, a penúria. O maior campo de refugiados do mundo, no Quênia, continua ameaçado de fechar. Sanções econômicas dos EUA continuam a levar o Afeganistão à fome.
No livro "History of White People", Painter nos lembra que o reconhecimento de povos do Leste Europeu como igualmente brancos no Ocidente foi objeto de disputa. Foi por ter admirado a beleza de um crânio oriundo das montanhas do Cáucaso na Rússia, aliás, que Blumenbach, em 1795, classificou o grupo europeu como caucasiano.
A anedota persiste e nos lembra que raça é, ao mesmo tempo, arbitrária e poderosa. No mesmo século 18, o termo "civilização" era inventado para separar europeus dos bárbaros colonizados (nós, no caso). Por baixo do derramar de sangue da guerra, desumano e inútil, reside paradoxalmente a chave para compreender a nossa humanidade: todos sangramos, nós que somos seletivos no olhar.
Thiago Amparo Folha de São Paulo, 03/03/2022
O emprego da vírgula marca a elipse de um verbo em:
Texto 1
Clonar para biodiversidade
Em dezembro de 2020, o Centro de Conservação de Vida Selvagem do Colorado, nos EUA, foi palco de um nascimento histórico. Elizabeth Ann é o primeiro clone de uma espécie de furão ameaçada de extinção: o furão-de-patas-pretas. Ela é cópia de um ancestral que morreu na década de 1980 e teve suas células congeladas, uma fêmea chamada Willa. À primeira vista, o fato não impressiona. Afinal, quem não se lembra da ovelha Dolly, em 1996? Nas últimas décadas, a clonagem de mamíferos tornou-se lugar comum, utilizada constantemente para clonar animais de criação, esporte e domésticos. O que tem de tão especial neste novo clone?
A novidade não está na técnica, mas no uso. Elizabeth Ann foi criada com uma técnica muito similar à da ovelha Dolly. Óvulos de uma fêmea doméstica doadora foram coletados e tiveram seus núcleos removidos. O material genético de Willa foi então inserido neles, e um estímulo elétrico fez com que começassem a se dividir. O embrião foi implantado em uma fêmea doméstica, dentro de um esquema "barriga de aluguel”. Mas Elizabeth Ann não é um animal de criação ou de corrida, nem um pet. Ela é o primeiro mamífero clonado para um programa de conservação ambiental.
A espécie — furão-de-patas-pretas (Mustela nigripes) — já foi considerada extinta nos EUA na década de 1970, provavelmente devido à caça desenfreada do cão-da-pradaria, que era seu prato preferido. Na década de 1980, no entanto, foi descoberta uma pequena colônia destes animais, e teve início um programa de conservação. Não foi fácil, porque apenas sete animais conseguiram se reproduzir, o que diminui muito a diversidade genética dos descendentes, aumentando inclusive a suscetibilidade a doenças.
Uma estratégia para aumentar a diversidade é introduzir genes de populações diferentes, mas como fazer isso em uma espécie em extinção, onde todos os indivíduos são geneticamente muito próximos? Elizabeth Ann vem para resolver este problema. Ela traz genes de um animal que morreu há 35 anos, com uma diversidade genética três vezes maior do que a encontrada na população existente. É como se todos os furões-de-patas-pretas fossem primos de primeiro grau, e ela, uma estrangeira de um país distante.
Elizabeth Ann, agora sexualmente madura, após seu primeiro aniversário, aguarda a escolha do parceiro, que está sendo cuidadosamente selecionado entre os machos da espécie. E preciso, segundo os tratadores, escolher o macho mais “cavalheiro”, porque não se pode correr o risco de um namorado mais brutamontes machucar a única fonte de genes diferentes. Se ela conseguir se reproduzir e ter descendentes saudáveis, seu caso pode marcar o início de novos programas de conservação e reintrodução de genes para outras espécies em extinção.
O sucesso do programa em furões pode beneficiar muito mais do que os furões em si. Pode ser uma prova de conceito e atrair interesse e financiamento para repetir o processo com outras espécies. Clonar animais selvagens sempre foi um desafio muito maior do que animais domésticos, até porque as técnicas de criação e reprodução em cativeiro não são tão bem estabelecidas para espécies com as quais a Humanidade não convive tanto. O Zoológica de San Diego, por exemplo, está nos primeiros estágios para tentar o mesmo processo com o rinoceronte-branco-do-Norte, espécie da qual existem hoje só dois indivíduos. O sucesso de Elizabeth Ann pode servir para impulsionar programas como esse.
Clones normalmente nos levam a pensar em cópias e redução de diversidade. Elizabeth Ann vem para nos lembrar que clonagem e modificação genética são apenas ferramentas. O que fazemos com elas depende de nossa criatividade, ética e recursos. Clones podem ser usados para promover biodiversidade, e quem sabe, resgatar mais espécies em extinção.
Natália Pastenak
(O Globo, 31 de janeiro de 2022)
O emprego da vírgula introduzindo comentário da autora com valor de possibilidade ocorre em:
Texto I
À natureza nos ensina a agir coletivamente
Clarice Cudischevitch
Por que peixes nadam em cardumes? Como pássaros voam em bando tão harmonicamente? O que motivou pessoas a não usarem máscara em uma pandemia? Um dos fenômenos mais fascinantes das ciências da vida é, justamente, o conflito entre o comportamento individual e o coletivo. Mas ele não é exclusivo do mundo biológico. O ecólogo Simon Levin o extrapola para as ciências sociais buscando entender condutas de uma espécie em particular: a humana.
Isso porque, embora a seleção natural atue nas diferenças entre indivíduos, a cooperação existe na natureza desde o nível celular até em diferentes animais. Diretor do Centro de BioComplexidade e professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Princeton (EUA), Levin aplica a matemática, sua formação original, para estudar essas duas tendências conflitantes.
Na biologia, elas já são relativamente conhecidas. Pela seleção natural, os organismos mais aptos a sobreviver têm mais chances de passar suas características para os descendentes e, assim, perpetuar seus genes. Em “O Gene Egoista”, o biólogo Richard Dawkins afirma que um comportamento coletivo, como voar em bando, é adotado por conferir maior probabilidade de sobrevivência a uma linhagem genética.
Quando falamos de interações humanas, no entanto, a conversa é mais complexa. Se peixes nadam em cardumes para benefício mútuo — lutar contra predadores, por exemplo —, adotar um comportamento coletivo que gere benefícios em maior escala para a sociedade geralmente implica restringir ações individuais. “Precisamos aprender com a natureza como alcançar a cooperação”, diz Levin.
Na matemática, é a teoria dos jogos, técnica que modula o comportamento estratégico de agentes em diferentes situações, que dá conta de entender essas relações. Um exemplo clássico: se as pessoas priorizassem o transporte público ao carro, o congestionamento diminuiria, beneficiando a todos. Nesse cenário, no entanto, indivíduos acabariam saindo de carro para aproveitar o fluxo do trânsito, voltando a sobrecarregar as vias. Para a coletividade, seria melhor a cooperação do que ações individuais egoístas.
Essa mistura de matemática com sociologia e toques de biologia é útil para entender a pandemia da Covid-19. Levin, que passou mais de 40 anos estudando a dinâmica de doenças infecciosas, explica que, no caso do coronavirus, aplicamos modelos que predizem a disseminação do vírus, as diferenças entre pacientes com e sem sintomas e outros aspectos que ajudam a pensar em estratégias. Mas falta o componente social.
“Vemos grupos que hesitaram em se vacinar. Por quê?”, questiona Levin. “Há os que se recusaram a usar máscaras. China, Japão e Ásia em geral são países mais abertos a esse tipo de proteção, enquanto outros, como a Suécia, resistiram. Entender isso é um problema das ciências sociais.”
Levin vai além: como decisões coletivas são tomadas? Como normas sociais são criadas e mantidas? Como indivíduos interagem? Um de seus estudos do momento quer entender a dinâmica das polarizações políticas. “Pessoas fazem parte de grupos diferentes, que às vezes se sobrepõem. Desenvolvemos modelos em que os indivíduos mudam suas opiniões ou migram de grupo baseados em interações com outras pessoas.”
Modelos desse tipo também são aplicados em contextos internacionais. Analisam, por exemplo, não apenas as relações entre nações, mas também as influências de organizações como ONU e OMS nas decisões e mudanças de posicionamento dos países.
Disponível em https://cienciafundamental.blogfolha.uol.com.br/ 2021/02/27/a-natureza-nos-ensina-a-agir-coletivamente/ (Adaptado)
No quarto parágrafo, o uso do travessão duplo justifica-se por:
Texto l
A prata é pior do que o bronze?
Daqui a uma semana os Jogos Olímpicos de Inverno começam em Pequim. Cerca de 3.000 atletas disputarão a competição mais importante de suas vidas. Poucos serão campeões, a maioria não subirá no pódio, e isso faz parte do esporte.
Não sei se você já reparou que, na entrega de medalhas, o terceiro lugar geralmente está sorrindo, enquanto a expressão do segundo colocado às vezes é de decepção. Por que a prata é vista por muitos competidores como sendo pior do que o bronze? Há anos, especialistas tentam explicar essa questão.
A resposta pode estar na cara, literalmente. Uma das pesquisas mais relevantes foi publicada em 1995 no Journal of Personality and Social Psychology.
O professor de psicologia Thomas Gilovich e seus colegas gravaram a reação de medalhistas de prata e de bronze durante os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992 — quando os atletas descobriram suas colocações e na cerimônia de premiação. Depois, mostraram o vídeo a estudantes sem revelar as posições finais. A análise foi a de que, em geral, quem levou o bronze estava mais satisfeito.
Os pesquisadores também entrevistaram mais de cem medalhistas em uma competição amadora nos Estados Unidos e pediram que eles qualificassem a própria performance. Os que ficaram em terceiro pareciam mais felizes e aliviados por estarem no pódio, enquanto os vice-campeões se sentiam derrotados porque se compararam aos primeiros colocados. A sensação era a de que não ganharam a prata, mas, sim, perderam o ouro.
Outra pesquisa de 2006 na mesma publicação analisou a expressão facial de medalhistas de ouro, prata e bronze e dos que terminaram em quinto lugar na competição olímpica de judô em Atenas - 2004. Os terceiros colocados tinham um sorriso mais espontâneo, o que significa usar músculos da face que deixam os olhos apertados e geram os "pés-de-galinha". A reação dos medalhistas de prata, segundo aos autores, mostrou que eles estavam apenas sendo educados, não felizes. O famoso sorriso amarelo.
Um estudo feito pela London School of Economics após os Jogos Paraolímpicos de Londres de 2012 revelou resultados parecidos. Respostas emocionais influenciadas pelo que poderia ter acontecido, não pelo que de fato ocorreu. A margem da performance também era relevante: psicologicamente, ganhar a prata por pouco, em vez do bronze, seria menos decepcionante.
É possível ter empatia em situações cotidianas. Há quem fique feliz com o aumento de salário, mas talvez se desanime ao saber que o colega de escritório ganhou um ainda maior. Quem quer perder cinco quilos e emagrece seis comemora, mas, se a ideia era perder dez quilos e são cinco a menos na balança, a sensação pode ser de derrota.
Muitas vezes, O ser humano se diminui quando se compara, ou quando pensa no que poderia ter feito. Todos, em uma escala maior ou menor, já passaram por isso.
Em competições que envolvem disputa de terceiro lugar, o medalhista de bronze vem de uma vitória, enquanto o de prata, de uma derrota. No esporte, há várias formas de lidar com um segundo lugar. Alguns atletas transformam a decepção em combustível para treinar mais duro e tentar vencer na próxima. Outros reconhecem e apreciam o tamanho do feito que conquistaram após anos de dedicação. Mais uma lição que os Jogos Olímpicos nos ensinam sobre as emoções humanas.
Marina lIzidro
(Folha de São Paulo, 29 de janeiro de 2022)
No quarto parágrafo, o emprego do travessão expressa uma relação de sentido que pode ser explicitada pela seguinte palavra:
Em relação à pontuação, assinalar a alternativa CORRETA:
Texto para as questões de 01 a 12.
s
TEXTO 1
s
Atalhos
s
Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol.
Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se nos momentos de afeto, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.
Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.
Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela.
O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.
A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.
Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação. Pra enrolação, atalho.
s
MEDEIROS, Martha. Atalhos, 2004.{adaptado)
Marque a opção em que a virgula foi empregada para separar a oração subordinada adverbial anteposta à principal.