Questões de Concurso Sobre pontuação em português

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Q4123528 Português
Como as redes sociais afetam a saúde mental? 

        Desde o seu surgimento do Orkut, em 2004, os debates sobre o impacto das redes sociais na saúde mental só _________ se intensificado nos últimos anos. O uso crescente dessas plataformas redefiniu a maneira como as pessoas interagem, se informam e até mesmo se percebem. No entanto, enquanto essas redes __________ conteúdos que oferecem oportunidades de conexão e aprendizado, também trazem desafios significativos para o bem-estar psicológico dos usuários. Como veremos, estudos recentes destacam que questões como ansiedade, depressão e baixa autoestima _________ ligação com o uso excessivo ou inadequado de redes sociais. Ao mesmo tempo, essas plataformas possuem potencial para promover saúde mental e apoio emocional quando utilizadas de forma consciente. 

        Nas últimas duas décadas, o uso das redes sociais cresceu de forma exponencial. Segundo dados de estudos recentes, mais de 4,8 bilhões de pessoas acessam alguma plataforma social regularmente, gastando em média 2 horas e 31 minutos por dia conectadas. Esse número impressionante revela não apenas o papel central dessas ferramentas na vida cotidiana, mas também sua capacidade de influenciar comportamentos e emoções.

        Essa capilaridade, impulsionada por avanços tecnológicos, trouxe benefício, mas também desafios significativos. Pesquisas indicam que o aumento do uso está diretamente associado _ sintomas de ansiedade e depressão em jovens adultos. De acordo com um estudo publicado em 2024, a hiperconexão pode interferir na qualidade do sono e na regulação emocional, prejudicando a saúde mental dos usuários. Outro aspecto relevante é o impacto nas interações sociais presenciais. O uso excessivo das redes pode levar ao isolamento, já que muitos substituem relacionamentos face _ face por interações digitais. Outrossim, esse comportamento, segundo especialistas, enfraquece vínculos interpessoais e induz _ solidão. 

        Os impactos negativos das redes sociais são uma preocupação crescente. Estudos mostram que usar inadequadamente essas plataformas pode desencadear uma série de problemas emocionais e comportamentais. Um dos aspectos mais prejudiciais é a comparação social. Muitos usuários se comparam constantemente com as vidas idealizadas que veem nas redes, o que leva à insatisfação pessoal e à baixa autoestima. Esse comportamento afeta particularmente adolescentes e jovens adultos, que estão mais vulneráveis a julgamentos sociais. 

        Os efeitos negativos não param por aí. Entre os impactos mais comuns estão o bullying virtual: adolescentes, em especial, enfrentam o cyberbullying, que pode levar a traumas psicológicos graves; interferência no sono: a luz azul das telas e o hábito de verificar redes sociais antes de dormir afetam a qualidade do sono, prejudicando a saúde mental; superexposição a informações negativas: O acesso contínuo a notícias perturbadoras contribui para o aumento do estresse e da ansiedade. Esses fatores mostram que o uso excessivo, e não supervisionado, das redes sociais pode ser tão prejudicial quanto outros comportamentos de risco. 

https://spdm.org.br/blogs/como-as-redes-sociais-afetam-a-saude-mental/ Texto adaptado. 
Leia as possibilidades de reescrita da seguinte construção frasal: A facilidade de acesso à informação, impulsionada por avanços tecnológicos, embora tenha trazido benefícios para a sociedade, revela desafios significativos: pesquisas indicam que o aumento do uso está diretamente relacionado à ansiedade e à depressão.
I - A facilidade de acesso à informação – impulsionada por avanços tecnológicos, apesar que tenha trazido benefícios para a sociedade, revela desafios significativos: Pesquisas indicam que o aumento do uso está diretamente relacionado à ansiedade e à depressão.
II - A facilidade de acesso à informação, impulsionada por avanços tecnológicos, ainda que tenha trazido benefícios para a sociedade, revela desafios significativos: pesquisas indicam que o aumento do uso está diretamente relacionado à ansiedade e à depressão.
III - A facilidade de acesso à informação – impulsionada por avanços tecnológicos – embora tenha trazido benefícios para a sociedade, revela desafios significativos: pesquisas indicam que o aumento do uso está diretamente relacionado à ansiedade e à depressão.
Qual(is) está(ão) correta(s), de acordo com a norma padrão? 
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Q4123372 Português
Analise as sentenças a seguir quanto ao uso da vírgula (em todas as ocorrências):

I.O medo de mostrar fragilidades, ficou menor do que a vontade de aprender.

II.Quando somos crianças, o movimento do corpo é natural.

III.A criança corre, sobe em árvores, pula, se abaixa e se levanta sem sequer pensar.

Está correto o uso da vírgula em:
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Q4123235 Português
Anac libera testes para entrega de produtos com drones

Por Rafael Battaglia

Publicado em 12 ago 2020, 17h00


As aeronaves poderão ser usadas para serviços de delivery, a exemplo de outras iniciativas pelo mundo. Mas ainda é cedo para dizer que os drones chegaram para ficar.


        Já pensou receber aquela pizza de sábado à noite via drone? Um dia, quem sabe, talvez seja possível. Nesta semana, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) autorizou que empresas passem a testar o uso de drones para a entrega de produtos - como serviços de delivery.

         A primeira empresa a receber o CAVE (Certificado de Autorização de Voo Experimental) foi a Speedbird, que desde o ano passado trabalha em conjunto com empresas como a iFood para analisar como os drones podem ser usados em seus sistemas de entrega. Em setembro de 2019, a Speedbird entrou em contato com a agência para solicitar a emissão do certificado, e os primeiros testes foram realizados em janeiro deste ano.

        Em nota, o iFood disse que os testes acontecerão em Campinas (SP) e podem começar ainda em 2020. A empresa irá instalar uma central dentro de um shopping da região para entregar comidas da praça de alimentação. Os drones funcionarão na primeira parte do trajeto - a última continuará a ser feita pelos entregadores.

        A autorização, por ora, é válida até agosto de 2021, e permite testes BVLOS (sigla em inglês para “além da linha de visão”), que é quando o operador do drone não precisa ter contato visual com ele para poder operá-lo. Apesar disso, os voos só poderão ser feitos durante o dia, respeitando uma distância máxima de 2,5 quilômetros do ponto de decolagem. O drone autorizado a fazer os testes é o DLV-1. Ele pesa 9 kg, voa a até 32 km/h e consegue carregar encomendas de até 2 kg - se alguém pedisse duas pizzas, as coisas já ficariam mais difíceis.  


[Adaptado] BATTAGLIA. R. Anac libera testes para entrega de produtos com drones. Revista Superinteressante.
Disponível em: <https://super.abril.com.br/tecnologia/anac-libera-testes-para-entrega-de-produtos-com-drones/>. Acesso
em: 17 ago. 2020
O uso da interrogação na primeira frase do texto indica que:
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Q4122704 Português

Por que a IA jamais será consciente, segundo um Nobel de Física


     Alguém ainda precisa fazer uma série de TV sobre a possibilidade de a inteligência artificial ser consciente ou não. Nos últimos meses, esse debate pegou fogo. Houve desde trocas de ofensas entre cientistas no Twitter (X) até abaixo-assinado chamando de "pseudociência" teorias que indicam que as IAs nunca poderão ser conscientes.

    Esse é um debate altamente polarizado. De um lado, há aqueles que defendem que sim, as IAs podem se tornar conscientes, se é que já não o são. Um dos grandes expoentes desse campo é Patrick Butlin, da Universidade de Oxford. Com colegas, escreveu um célebre estudo que traz uma longa lista de critérios que eles analisam para ter certeza se uma IA é consciente. Com base neles, analisou as IAs atuais e chegou a duas conclusões.

    A primeira é que nenhuma IA do presente é consciente (ainda que várias atinjam vários dos critérios, mas não todos). A segunda é que não existe nenhuma barreira técnica para construir uma IA que satisfaça todos os indicadores de consciência. Em outras palavras, na visão dele, as IAs podem, sim, ter consciência. Nessa mesma linha, o pesquisador Kyle Fish (que trabalha para a Anthropic) gosta de dizer que existe hoje uma chance de 15% a 20% de que as IAs do presente tenham alguma forma de consciência.

    Nos anos 1980, o físico (e vencedor do Prêmio Nobel) Roger Penrose postulou que humanos observando esses sistemas "de fora" conseguem ver essas verdades. Logo, a compreensão consciente humana não pode ser reduzida a nenhum algoritmo. E nenhum computador conseguirá replicá-la.

    Essa ideia ganhou dimensões ainda mais interessantes quando Penrose começou a trabalhar com o anestesiologista Stuart Hameroff. Hameroff pesquisa um dos grandes mistérios da medicina: ninguém sabe como os anestésicos gerais funcionam.

    Eles desligam a consciência, mas deixam intactas as demais funções cerebrais. Isso é difícil de explicar pela teoria padrão de que a consciência emerge da atividade elétrica do cérebro. Para entender onde ela "mora", seria importante então entender o efeito dos anestésicos.

    Ao ler o livro de Penrose sobre a irredutibilidade computacional da mente, ele teve uma ideia. Os anestésicos atuam sobre estruturas dos neurônios chamadas microtúbulos. Na sua visão, essas estruturas funcionam como computadores quânticos, que vivem em superposição até "colapsarem" de forma orquestrada.

    Se ela estiver correta, as IAs jamais poderão ser conscientes. E nem os computadores quânticos, que possuem coerência quântica, mas não a estrutura "orquestrada" da mente humana. Em outras palavras: aplique um anestésico em um ser consciente e sua consciência cessará temporariamente. Aplique um anestésico em uma IA e o máximo que pode acontecer é um curto-circuito.


Ronaldo Lemos. Disponível em https://www1.folha.uol. com.br/colunas/ronaldolemos/2026/04/ acesso em 26 de abril de 2026(Adaptado).

No segmento “vivem em superposição até ‘colapsarem’ de forma orquestrada”, o uso das aspas em “colapsarem”, considerado o encadeamento argumentativo do texto, assinala um emprego em que o termo
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Q4122374 Português
Assinale a alternativa cuja pontuação está corretamente empregada.
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Q4121782 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Durante muito tempo, o turismo foi associado à ideia de liberdade. Viajar significava escolher o destino, o que ver, como experimentar o mundo. Um exercício de autonomia individual − com as restrições, claro, do bolso de cada um. Essa imagem, entretanto, não explica bem o turismo contemporâneo.


Hoje, o ato de viajar é governado por três fatores que raramente aparecem juntos no debate público: o desejo individual, a mediação digital e a geopolítica. Quando combinados, fica mais claro o que está acontecendo com o turismo global. Ele bateu recorde em 2025 — 1,5 bilhão de visitas internacionais, segundo a ONU — mas nunca foi tão regulado, filtrado e, de certa forma, antecipado.


Vamos começar pelo indivíduo. Ainda existe a ideia de que viajar nos transforma, amplia horizontes, nos torna mais tolerantes, mais interessantes. Essa crença vem de longe. Mark Twain escreveu que "viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e as mentes limitadas".


Na prática, acontece muitas vezes o oposto. A filósofa Agnes Callard, num ensaio na revista The New Yorker, coloca isso de um jeito meio desconfortável: o turista já sabe, antes de partir, o que será quando voltar. "Viajar é um bumerangue", escreve. "É algo que te devolve exatamente ao lugar de onde você partiu." Viajamos para confirmar o que já esperávamos, não para desfazer expectativas. A viagem, assim, não rompe com o cotidiano, ela só o reproduz em outro cenário.


Soma-se a isso a proliferação dos algoritmos, cada vez mais treinados e afiados. Destinos já não são descobertos, e sim sugeridos. Experiências não são vividas espontaneamente, mas antecipadas, roteirizadas e, acima de tudo, registradas. O que antes se vivia para depois compartilhar, hoje se vive (quase que somente) para compartilhar.


(Disponível em: https://l1nk.dev/ia9oaaq. Acesso em 16 mai. 2026. Adaptado.)

Considere o excerto a seguir para analisar as sentenças a respeito da pontuação:


Durante muito tempo, o turismo foi associado à ideia de liberdade. Viajar significava escolher o destino, o que ver, como experimentar o mundo. Um exercício de autonomia individual − com as restrições, claro, do bolso de cada um. Essa imagem, entretanto, não explica bem o turismo contemporâneo.


I.A vírgula após a palavra "tempo" foi utilizada para separar o adjunto adverbial de tempo que está anteposto ao verbo.


II.As vírgulas usadas no trecho sublinhado estão corretamente aplicadas porque elas separam orações coordenadas assindéticas, isto é, sem a utilização de conectivos.


III.O travessão foi usado de modo equivocado, destacando o aposto explicativo. A única pontuação possível nesse contexto seria a vírgula.


IV.As duas vírgulas, antes e depois de "entretanto", são desnecessárias porque em caso de conjunção adversativa, usa-se apenas depois dela.


É correto o que se afirma em:

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Q4120817 Português
A literatura como remédio: os clássicos e a saúde da alma

        Desde muito, os livros vêm sendo responsáveis por grandes transformações em direções e com efeitos muito variáveis. Vivenciada como uma operação essencialmente solitária e subjetiva, a leitura de obras literárias foi sempre considerada uma experiência tão poderosa quanto perigosa. E, se nem sempre se tenha explicitado a necessidade da supervisão, a importância, pelo menos, da interlocução é algo que aparece como elemento fundamental no contexto da experiência da leitura. Assim, fica evidente que não basta simplesmente incentivar ou promover a leitura de obras literárias, mas que é preciso também, de alguma forma, acompanhá-la.

        Ainda que essencialmente solitária, a leitura pode ser algo excessivamente pesado e difícil para se enfrentar sozinho. Por outro lado, se vencidas as dificuldades iniciais de falta de hábito e compreensão, o grande poder mobilizador da leitura praticamente exige uma dinâmica de expressão e compartilhamento, concretizada numa situação de interlocução, para que esse processo ocorra de forma saudável e produtiva do ponto de vista da humanização.

        Um dos exemplos mais interessantes nesse sentido talvez seja a biblioterapia, que propõe a leitura de obras literárias como recurso psicoterapêutico. Abordagem fundamentada na teoria de catarse de Aristóteles e na psicanálise freudiana, a biblioterapia surgiu como proposta ainda na década de 1940, porém só mais recentemente, no contexto da busca de abordagens alternativas para os efeitos patológicos causados pelo acirramento da dinâmica desumanizadora da vida moderna, que ela passou a ser mais difundida e utilizada em diversos contextos e modalidades.

        Concomitantemente, porém com um grau de difusão significativamente maior, cabe assinalar o aparecimento dos grupos de leitura ou clubes do livro, onde leitores se reúnem para compartilhar sensações, impressões e opiniões suscitadas pela leitura de determinada obra. Tais dinâmicas, ainda pouco estudadas, porém em franco processo de expansão, parecem operar como elemento incentivador da prática da leitura, ao mesmo tempo em que possibilitam o desdobramento do processo reflexivo, formativo e humanizador que a experiência literária propicia.

(Dante Gallian. São Paulo: Martin Claret, 2019; ePUB. Adaptado)
Estão em conformidade com a norma-padrão de pontuação as vírgulas acrescentadas no seguinte trecho:
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Q4120680 Português
Texto CG7A1

        Desde os anos 1960, a expansão demográfica, as alterações climáticas e o aquecimento global tornaram-se temas centrais nas pautas de diversas nações. O cenário ambiental global enfrenta um ponto de inflexão, com sinais evidentes de que a Terra não consegue mais sustentar o ritmo acelerado de exploração e consumo dos recursos naturais.

        As demandas da sociedade e das esferas governamentais para a incorporação de critérios de sustentabilidade nas práticas administrativas e operacionais da administração pública têm se consolidado como uma realidade. Assim, os órgãos públicos têm sido convocados a desempenhar seu papel na criação de uma cultura institucional que, por meio de práticas ambientais sustentáveis, promova a gestão eficiente dos recursos, tanto naturais quanto econômicos, e dos resíduos gerados em suas atividades, além de combater o desperdício e aumentar sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. Diante desse contexto, faz-se necessário promover um novo padrão de desenvolvimento que leve em conta, além dos indicadores de eficiência econômica, a preservação da sustentabilidade ambiental.

        A Constituição Federal de 1988 incorporou o conceito de desenvolvimento sustentável por meio de diversos dispositivos expressos e de princípios implícitos, com o objetivo de promover o bem-estar coletivo sob a perspectiva da solidariedade ao mesmo tempo em que respeita a dignidade humana e assegura o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, capaz de atender às necessidades das gerações presentes e futuras. Nesse contexto constitucional, torna-se indispensável conciliar o crescimento econômico e o desenvolvimento social com a defesa e a proteção do meio ambiente, tanto na esfera pública quanto na privada.

        No Brasil, destacam-se instrumentos legais como a Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), criada em 1999 com o objetivo de incentivar os órgãos públicos a adotar práticas sustentáveis. Coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a A3P é um programa voluntário que abrange as esferas federal, estadual e municipal e que busca conscientizar os gestores públicos sobre a importância das questões socioambientais. Por meio dessa agenda, promovem-se o uso eficiente dos recursos naturais, a redução de despesas institucionais e a minimização dos impactos ambientais adversos gerados pelas atividades administrativas.

Internet:<https://irbcontas.org.br>  (com adaptações). 

Julgue o seguinte item, referente às estruturas linguísticas e ao vocabulário empregados no texto CG7A1.


Dadas as relações de sentido que se estabelecem entre os períodos que formam o terceiro parágrafo, a coerência e a correção gramatical seriam mantidas caso fosse inserido o conectivo Entretanto, seguido de vírgula, antes da expressão "Nesse contexto institucional", da seguinte maneira: Entretanto, nesse contexto institucional (...).

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Q4120560 Português
Texto CG6A1

        A consolidação de um Estado comprometido com a boa governança, a eficiência e a integridade exige o reconhecimento de que a incorporação de tecnologias digitais avançadas, entre elas, a inteligência artificial (IA), deixou de representar mera inovação administrativa para se firmar como exigência estrutural da administração pública contemporânea.

       Assim como os direitos fundamentais sociais dependem de políticas públicas adequadamente formuladas, os instrumentos de fiscalização demandam novas capacidades analíticas capazes de lidar com a complexidade crescente da gestão estatal. A IA, nesse sentido, emerge como ferramenta auxiliar indispensável para ampliar a capacidade do Estado de identificar riscos, interpretar dados massivos e orientar decisões estratégicas.

        No âmbito do controle externo, os tribunais de contas assumem protagonismo natural nesse processo de transformação. O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN), guardião da legalidade e da racionalidade das políticas públicas, encontra-se diante do desafio de produzir uma atuação que seja, simultaneamente, tecnicamente sofisticada e constitucionalmente orientada. Isso implica compreender que a adoção de IA não se limita à implementação de ferramentas, mas exige a formação de servidores capazes de interagir criticamente com esses sistemas, avaliando seus limites, seus vieses e seus impactos. Trata-se, em última análise, de reconhecer que o exercício contemporâneo da fiscalização depende de agentes públicos dotados de letramento digital específico, condição indispensável para assegurar uma atuação estatal responsável e alinhada aos valores constitucionais.

Leonardo Medeiros Junior. O TCE do futuro: IA que ajuda, humanos que decidem.
In: Revista do TCE, Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte,
v. 27, n.º 1, dez./2025, p. 26 (com adaptações). 

Em relação aos sentidos e a aspectos linguísticos e discursivos do texto CG6A1, julgue o item a seguir.


No trecho "O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN), guardião da legalidade e da racionalidade das políticas públicas, encontra-se diante do desafio" (terceiro parágrafo), o segmento isolado entre vírgulas é formado majoritariamente por adjetivos e exerce a função de vocativo, pois constitui uma interpelação. 

Alternativas
Q4120529 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A história extraordinária de Hércules, o urso que um casal adotou e criou como parte da família


Desde o momento em que Hércules chegou à casa de Andy e Maggie Robin em Sheriffmuir, perto da cidade de Dunblane, no centro da Escócia, os três se tornaram inseparáveis.


Começavam o dia tomando café da manhã juntos na cozinha (café adoçado com leite condensado e açúcar, ovos e salsichas) e passavam o resto do dia brincando, treinando ou simplesmente fazendo companhia um ao outro.


Mas, embora se comportassem claramente como uma família, eram, sem dúvida, um trio muito incomum.


Hércules — ou Herc, como seus amigos o chamavam — não era um ser humano; era um urso.


Sim, um urso-pardo (Ursus arctos horribilis) que o casal adotou quando ele era um filhote de nove meses e que, quando cresceu, tinha mais de 2,5 metros de altura e pesava mais de 190 quilos.


Maggie sempre se interessou por animais. Criada em uma fazenda na Escócia, ela diz que seu primeiro amor foram os cavalos. Quando criança, aprendeu a montar e ganhou prêmios em competições de salto.


Então, quando seu marido, Andy — um lenhador carismático e campeão de luta livre, mais de 15 anos mais velho que ela —, sugeriu adotar um filhote de urso, ela não hesitou nem por um segundo.


"Lembro-me da primeira vez que Andy me disse: 'O que você diria se eu lhe contasse que estou pensando em adotar um filhote de urso?' O que eu jamais imaginei foi a vida que teríamos, que isso se transformaria em uma relação mágica", conta Maggie à BBC.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpwp2v2x8xqo-fragmento

"Lembro-me da primeira vez que Andy me disse: 'O que você diria se eu lhe contasse que estou pensando em adotar um filhote de urso?' O que eu jamais imaginei foi a vida que teríamos, que isso se transformaria em uma relação mágica", conta Maggie à BBC.
Analise as afirmativas a seguir, com base na pontuação empregada no trecho. Com base nas regras de pontuação, assinale a alternativa correta:
I.As aspas foram usadas incorretamente, pois não se admite discurso direto dentro de relato jornalístico.
II.Os dois-pontos após 'disse' introduzem corretamente o discurso direto da personagem.
III.A vírgula após 'teríamos' está correta, pois separa o sujeito do predicado.
IV.A vírgula antes de 'conta' isola a expressão que identifica quem narra a informação, organizando o discurso direto.
Assinale a alternativa que apresenta as proposições corretas.
Alternativas
Q4119673 Português
A questão se refere ao Estatuto Social da FENAC S/A.
Analise as partes que seguem: A Assembleia Geral reunir-se á, ordinariamente, ate o dia 30 de abril de cada ano (1ª parte), em hora e local previamente divulgados aos membros, de forma sigilosa (2ª parte), e extraordinariamente, sem que os interesses sociais o exigirem, com observância dos preceitos legais (3ª parte).
Acerca das partes, pode-se afirmar que:
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Q4119435 Português
“Escola tem papel importante para identificar ansiedade em jovens”, diz psiquiatra


Falta de ar, tremor e crise de choro foram alguns dos sintomas que afetaram 26 estudantes no dia 8 de abril, na escola Ageu Magalhães, em Recife. Um episódio de crise de ansiedade coletiva é “uma situação atípica”, de acordo com o professor de psiquiatria da infância e adolescência da Universidade de São Paulo (USP), Guilherme Polanczyk.

“Quando olhamos alguém em crise, ficamos ansiosos, é uma situação aguda e intensa, é muito particular, só podemos fazer hipóteses sobre o que aconteceu, eventualmente é que todos foram expostos a uma situação extrema de estresse e provavelmente já tinham alguma fragilidade emocional”, afirmou Polanczyk à CNN.

De acordo com Polanczyk, diversos fatores contribuem para evolução de quadros de ansiedade, “situações do ambiente, da família, da escola, exposições a situações traumáticas contam muito”. O psiquiatra reforçou que identificar os casos precocemente é essencial para que a criança ou adolescente receba acompanhamento médico.

“A ansiedade e depressão são experiências emocionais que as pessoas muitas vezes não compartilham com quem está a sua volta, mas medo e preocupação aparecem no comportamento, pais precisam estar sintonizados para identificar esses comportamentos.”

“A escola também tem papel muito importante, ela promove o desenvolvimento de pessoas, saúde mental é parte fundamental para esse desenvolvimento, para que tenham essa ideia de promoção de saúde mental, identificação de problemas”, completou.

O especialista ainda reforçou que há estudos nacionais e internacionais que apontam que o período mais agudo da pandemia de Covid-19 contribuiu para o aumento de casos de ansiedade e depressão na população em geral, e em especial em jovens.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou 25% no primeiro ano da pandemia. O levantamento aponta que jovens e mulheres foram os mais atingidos.

(Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/escola-tempapel-importante-para-identificar-ansiedade-em-jovens-diz-psiquiatra/. Acesso em: 05/05/2022.)
Assinale, a seguir, a alternativa em que o livre comentário sobre o assunto tratado no texto NÃO apresenta inadequação quanto à pontuação. 
Alternativas
Q4119239 Português
Toda ciência tem um drama humano em seu fundo. Mais do que uma curiosidade, a ciência visa resolver algum problema. Estuda-se astronomia e cosmologia para entender os fenômenos cósmicos, a geologia visa entender os fenômenos físicos e químicos do planeta, a sociologia quer tornar compreensível o modo de ser das sociedades, enquanto a história é a ciência que estuda o que já passou. A questão antropológica fundamental diz respeito ao "ser humano". Como vive, como age, como habita, como sente, como trabalha, como produz, como se organiza e se movimenta, como cria arte, religião ou qualquer forma de linguagem, como se expressa e se comunica.

(Disponível em: https://acesse.one/ki3f9eb. Acesso em: 15 mai. 2026. Adaptado.)

Analise as sentenças a seguir:
I.No trecho sublinhado, as vírgulas foram usadas pelo mesmo motivo em todo o trecho: separar termos ou orações coordenadas assindéticas.
II.As aspas, simples ou duplas, podem ser usadas por vários motivos e são um sinal de pontuação. No contexto em análise, as aspas foram usadas em "ser humano" para indicar que a expressão tem outro sentido, diferente do que comumente denota. 
III.No trecho "Mais do que uma curiosidade, a ciência visa resolver algum problema", a vírgula foi usada porque há uma oração subordinada adverbial (nesse caso comparativa), que exerce a mesma função do adjunto adverbial e está anteposta ao verbo. Essa mesma sentença poderia ser reescrita sem a vírgula, assim: A ciência visa resolver um problema mais do que uma curiosidade.


É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4119162 Português
Texto para responder à questão.

Apesar de tudo, a educação avançou


Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, mais de 70% dos estudantes do ensino médio não têm conhecimento suficiente em português e matemática. No último Pisa, a principal avaliação escolar do mundo, entre 79 países, o Brasil foi o 57º em leitura, o 66º em ciências e o 70º em matemática. A educação básica no País é ruim. Mas já foi muito pior. As conquistas desde a Constituição de 88 foram expressivas. Em nota técnica – Fim de uma Era. Desafios para a atuação federal na Educação Básica –, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) traçou os últimos 30 anos de evolução, insuficiências e desafios das políticas educacionais.

Em 1988, o Brasil tinha os piores indicadores entre seus pares nas Américas. A média de anos de estudo dos brasileiros de 25 a 65 anos era de 5,1 anos – no Chile, Paraguai e Peru eram, respectivamente, 8,9, 8,8 e 8,2. Só 33% das crianças completavam o primário – no Uruguai e Panamá eram 95% e 91%. Menos de 18% dos jovens cursavam o secundário – no México e Argentina eram 83% e 95%.

Havia falta de vagas nas escolas; os professores tinham baixa escolaridade, não recebiam formação específica e ganhavam salários irrisórios; o financiamento era escasso e mal distribuído; faltavam parâmetros mínimos para as redes escolares; inexistia um sistema de avaliação; e a falta de clareza na sociedade sobre a importância da educação era generalizada.

De lá para cá, o Brasil construiu um dos melhores sistemas de avaliação entre os países em desenvolvimento, as competências do governo federal, Estados e municípios foram detalhadas, a formação e remuneração dos professores melhoraram substancialmente e os recursos cresceram e passaram a ser fiscalizados com mais rigor. Hoje, o financiamento por aluno é cinco vezes maior, quase todas as crianças têm acesso a uma escola e a taxa de término do primário saltou de 33% para 80%.

Mas, apesar desses avanços quantitativos, qualitativamente os resultados estão bem aquém do desejável. “O Brasil se empenhou em organizar e fortalecer o ensino público”, resumem os pesquisadores do Ipea, “e o resultado foi esse: a criança começa aprendendo em níveis razoáveis e termina o ensino médio com uma inaptidão irrazoável.”

O desafio de uma evolução nacional passa necessariamente pela articulação federativa. No Brasil o ensino fundamental é primordialmente de responsabilidade dos municípios; o médio, dos Estados; e o superior, da União. O governo federal não atua diretamente sobre os resultados da educação básica, mas pode aprimorá-los por meio da coordenação, financiamento e avaliação.

Em 2009, o Sistema Nacional de Educação foi inserido na Constituição para articular a cooperação federativa com vistas ao alcance das metas do Plano Nacional de Educação. Mas as atuais comissões intergovernamentais ou têm caráter protocolar, como a que discute os parâmetros do Fundo Nacional da Educação Básica (Fundeb), ou não contam com a participação de Estados e municípios, como o Conselho Deliberativo do FNDE. Falta uma instância única com legitimidade para congregar não só os gestores da Educação, mas os da Fazenda e Planejamento nos três níveis de governo.

Como resume o Ipea, uma boa articulação federal entre coordenação, financiamento e avaliação pode estabelecer bases curriculares flexíveis, adaptáveis às inovações pedagógicas e demandas do mercado de trabalho; diminuir iniquidades salariais dos professores por meio de uma complementação mais equitativa via Fundeb; construir processos formativos direcionados às lacunas de aprendizado e aptos a mensurar as competências desenvolvidas pelos estudantes; e estimular trocas das melhores práticas entre municípios e Estados.

As conquistas da última geração, sobretudo no acesso e fluxo escolares, mostram que os preceitos constitucionais sobre educação estão no caminho certo. Mas a geração presente precisará de muito esforço para capitalizar esses ganhos e materializar esses preceitos não só em uma educação aberta a todos, mas de excelência para cada um.

(Apesar de tudo, a educação avançou. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, nº 46.823, 28/12/2021. Notas e Informações, p. A3.)
Apresenta desvio no emprego da vírgula a recombinação da ordem sintática dos sintagmas no período que está em:
Alternativas
Q4119069 Português
(Prefeitura Municipal de Curitiba. Disponível em:
https://mid-noticias.curitiba.pr.gov.br/2022/00346427.jpg.
Acesso em 04.04.2026)
Considere a passagem:
“Quem ama, vacina.”
Embora normalmente não se empregue vírgula entre sujeito e predicado, esse sinal de pontuação é possível pela norma-padrão em passagens como essa, por marcar com clareza o fim de um sujeito oracional, ou seja, casos em que uma oração inteira exerce a função de sujeito.
Assinale a alternativa em que a vírgula foi empregada corretamente pelo mesmo motivo.
Alternativas
Q4119065 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    Quando eu era pequeno, assistia eletrizado àqueles filmes de cadeia em branco e preto. Os prisioneiros vestiam uniforme e planejavam fugas de tirar o fôlego na cadeira do cinema.

    Em 1989, vinte anos depois de formado médico cancerologista, fui gravar um vídeo sobre AIDS na enfermaria da Penitenciária do Estado, construção projetada pelo arquiteto Ramos de Azevedo nos anos 20, no complexo do Carandiru, em São Paulo. Quando entrei e a porta pesada bateu atrás de mim, senti um aperto na garganta igual ao das matinês do cine Rialto, no Brás.

    Nas semanas que se seguiram, as imagens do presídio não me saíram da cabeça. Os presos na soleira das celas, o carcereiro com a barba por fazer, um PM de metralhadora distraído na muralha, ecos na galeria mal iluminada, o cheiro, a ginga da malandragem, tuberculose, caquexia, solidão e a figura calada do Dr. Getúlio, meu ex-aluno no cursinho, que cuidava dos presos com AIDS.

    Duas semanas depois, procurei o dr. Manoel Schechtman, responsável pelo departamento médico do sistema prisional, e me ofereci para fazer um trabalho voluntário de prevenção à AIDS. Na conversa, o Dr. Manoel me explicou que a situação da epidemia na Penitenciária não era das piores se comparada à dos 7.200 presos da Casa de Detenção, o maior presídio do país, situado no mesmo complexo, de frente para a movimentada avenida Cruzeiro do Sul, vizinho do metrô, a dez minutos da praça da Sé, quilômetro zero de São Paulo.

    O trabalho começou em 1989 e dura até hoje. Com o apoio da Universidade Paulista (UNIP), uma instituição particular de São Paulo, fizemos pesquisas epidemiológicas sobre a prevalência do HIV, organizamos palestras, gravamos vídeos, editamos a revista em quadrinhos Vira-Latas, e atendi doentes. Com os anos, ganhei confiança e pude andar com liberdade pela cadeia. Ouvi histórias, fiz amizades verdadeiras, aprendi medicina e muitas outras coisas. Na convivência, penetrei alguns mistérios da vida no cárcere, inacessíveis se eu não fosse médico.

    Neste livro, procuro mostrar que a perda da liberdade e a restrição do espaço físico não conduzem à barbárie, ao contrário do que muitos pensam. Em cativeiro, os homens, como os demais grandes primatas (orangotangos, gorilas, chimpanzés e bonobos), criam novas regras de comportamento com o objetivo de preservar a integridade do grupo. Esse processo adaptativo é regido por um código penal não escrito, como na tradição anglo-saxônica, cujas leis são aplicadas com extremo rigor:

    – Entre nós, um crime jamais prescreve, doutor.

    Pagar a dívida assumida, nunca delatar o companheiro, respeitar a visita alheia, não cobiçar a mulher do próximo, exercer a solidariedade e o altruísmo recíproco, conferem dignidade ao homem preso, o desrespeito é punido com desprezo social, castigo físico ou pena de morte:

    – No mundo do crime, a palavra empenhada tem mais força do que um exército.

    Não é objetivo deste livro denunciar um sistema penal antiquado, apontar soluções para a criminalidade brasileira ou defender direitos humanos de quem quer que seja. Como nos velhos filmes, procuro abrir uma trilha entre personagens da cadeia: ladrões, estelionatários, traficantes, estupradores, assassinos e o pequeno grupo de funcionários desarmados que toma conta deles.

    A narrativa será interrompida pelos interlocutores, para que o leitor possa apreciar-lhes a fluência da linguagem, as figuras de estilo e as gírias que mais tarde ganham as ruas.

    Por razões éticas, os casos descritos nem sempre se passaram com os personagens a que foram atribuídos. Como diz a malandragem:

    – Numa cadeia, ninguém conhece a moradia da verdade.


(Drauzio Varella, Estação Carandiru. Adaptado)
Considere a seguinte passagem:
“Como nos velhos filmes, procuro abrir uma trilha entre personagens da cadeia: ladrões, estelionatários, traficantes, estupradores, assassinos e o pequeno grupo de funcionários desarmados que toma conta deles.” (10o parágrafo).
O emprego do sinal de dois-pontos, nesse contexto, é responsável por anunciar uma
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Q4118201 Português

O texto a seguir refere-se à questão.



Texto 1


ENTENDA POR QUE SER MULTITAREFA É UM MITO QUE FAZ MAL AO CÉREBRO


    Participar de uma reunião, checar mensagens e adiantar um relatório ao mesmo tempo. Quem nunca sentiu um certo orgulho por conseguir fazer várias coisas simultaneamente? Mas, a longo prazo, a vida multitarefas, ou multitasking, cobra seu preço. Chegar ao fim do dia com a cabeça a mil e não conseguir dormir é um clássico. Viver com a sensação de cansaço também. Por essas e outras, seria sensato parar de glorificar esse comportamento e, sempre que possível, fazer uma coisa de cada vez.



Ninguém ganha com o multitasking 


    Multitarefa não é só realizar duas ou mais tarefas ao mesmo tempo. Alternar entre uma ação e outra ou executar várias atividades seguidas, sem pausas, são variações sobre o mesmo tema: uma tentativa de dar conta das mil e uma demandas do dia a dia. Com a divisão desproporcional das funções domésticas e do cuidado, as mulheres tendem a desenvolver ainda mais essa “capacidade”. 


    Pesquisadores que estudam o impacto do multitasking nos processos mentais garantem que a nossa mente não foi projetada para lidar com várias tarefas ao mesmo tempo. Por exemplo, o renomado neurocientista Earl Miller, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, acredita que só podemos ter um ou dois pensamentos de cada vez.


    Até a produtividade pode ser prejudicada. Ao contrário do que parece, alternar entre tarefas pode tornar tudo mais lento. Um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology mostra que, ao mudar de atividade, o cérebro precisa se reajustar, retomar o raciocínio e lembrar as “regras” de cada função. O multitasking também nos impede de executar algumas ações no “piloto automático”, o que nos poupa alguns recursos mentais.



Pane no sistema cerebral


     Um estudo da Cardiff University, do Reino Unido, indica que o multitasking tende a reconfigurar nossas conexões cerebrais, reduzindo a capacidade de manter o foco e de prestar atenção. Isso pode resultar em vários problemas, como um aumento na quantidade de erros e acidentes. Uma pesquisa de 2018, por exemplo, descobriu que adultos são mais propensos a cometer deslizes ao dirigir se estiverem realizando outras tarefas ao mesmo tempo, como ajustar o Waze ou checar o WhatsApp.


    A falta de atenção também prejudica a memória, já que é preciso estar presente para que as experiências se fixem. Além disso, ao pular de uma tarefa para outra sem pausa, nosso cérebro não tem tempo de consolidar o que aprendeu ou de alcançar pensamentos mais profundos.


    O multitasking também reduz a criatividade, que é estimulada quando a mente está livre de exigências complexas. “Muitas vezes, não estamos conseguindo memorizar as coisas porque não estamos presente de verdade, mas divididos em multitarefas no presencial e no online. Existe uma ilusão de que a atenção pode ser dividida, o que não é verdade”, explica Natália Mota, neurocientista e psiquiatra computacional.


    Lidar com tarefas simultâneas também pode sobrecarregar o sistema nervoso e gerar sensação de urgência constante, o que contribui para o aumento da ansiedade. Tudo isso, a médio prazo, abre caminho ao esgotamento mental e ao burnout. 



Monotasking e seus benefícios 


    Em um mundo que valoriza o multitasking como uma habilidade desejável, focar uma atividade por vez (monotasking) é cada vez mais difícil. Na correria, também parece que não temos outra opção. Mas poderíamos, pelo menos, parar de romantizar esse processo, reconhecer as suas consequências e evitar essa prática quando possível.


    Um bom primeiro passo para quem deseja adotar o monotasking é limitar as distrações, começando pelos momentos de lazer — por exemplo, deixar o celular de lado enquanto assiste a séries. Já no trabalho, isso pode significar tanto procurar um local mais silencioso ou desligar notificações. Vale também agendar horários específicos para checar emails, mensagens e outras atividades que costumam nos distrair.


    Mas esse talvez seja um preço necessário para perceber o que está em excesso ou o que consome mais tempo do que deveria. Essa mudança pode levar a transformações mais profundas. E o cérebro agradece.



Disponível em:

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/entenda-por-queser-multitarefa-e-um-mito-que-faz-mal-ao-cerebro.shtml. Acesso em: 10 dez. de 2025.


Assinale a alternativa em que o uso da(s) vírgula(s) se justifica porque ela(s) isola(m) uma oração adverbial descolocada de sua posição canônica. 
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Q4117987 Português
Texto 1


Clichês na ponta da língua


     Outro dia, queixei-me da cacofonia provocada pelo bater dos martelos na mídia. A frequência com que os jornais, sites e a turma do rádio e da televisão se referem a “bater o martelo”, para dizer que alguém tomou uma decisão, é ensurdecedora — aliás, ensurdecedora também é uma palavra de ensurdecer. Até há pouco, só os juízes e leiloeiros batiam o martelo e, mesmo assim, discretamente. Hoje, pelo bater do martelo à nossa volta, é incrível que ainda consigamos nos escutar.


    “Bater o martelo” é um clichê, uma expressão que nos vem à ponta da língua ou ao teclado sem que precisemos pensar. Clichês têm vida própria e, quase sempre, sem razão de ser. “Na ponta do lápis”, para indicar um cálculo feito com precisão, é outro. Como usar um lápis se não for pela ponta que contém o grafite? Já “na ponta da faca” é o contrário. Quando ouço falar num picadinho feito “na ponta da faca”, pergunto-me se a lâmina, e não a ponta, não seria mais prática para o cozinheiro.


    Uma frase que comece por “Na verdade...” também me intriga. Eu próprio às vezes me distraio e a uso. Mas alguém começará uma frase por “Na mentira...”? E o que dizer de “pontuar” no sentido de garantir, afirmar, deixar claro? “Fulano pontuou que sua dieta o proíbe de comer carambola” ou coisa assim. Se temos o verbo pontuar, por que não o verbo virgular, para significar uma coisa que talvez ainda não se possa afirmar com certeza? “Fulano virgulou que...”


    Incompreensível também é chamar de “bloquinho” um megabloco de Carnaval composto de 1 milhão de figurantes. Aliás, o correto seria nem chamá-lo de bloco, se por bloco entende-se historicamente um grupo de foliões em cortejo pelas ruas, cantando e dançando ao som de surdos e tamborins. Um amontoado de gente na fila do gargarejo de um palco, pulando de um pé para o outro e tentando ver o artista pelo telão, não é um bloco — é um show como outro qualquer, com ou sem Carnaval.


    Eu sei, essas ranhetices são firulas, para as quais a voz do povo não está nem aí. Pronto — virgulei.



CASTRO, Ruy. Clichês na ponta da língua. Folha de S.Paulo [edição virtual], São Paulo, 18 fev. 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/02/cliches-na-ponta-da lingua.shtml. Acesso em: 06 abr. 2026. 
No encerramento do Texto 1, ao empregar a expressão “Pronto — virgulei”, o autor 
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Q4117702 Português

Texto 3


A cena em que um participante do BBB encurrala uma colega num canto da despensa e tenta beijá-la não é "exceção de reality". Acontece aos montes, todo dia, em festa, elevador, corredor de empresa, transporte. O detalhe que dá vontade de vomitar é outro: ali há câmeras ligadas 24 horas. Se, com iluminação, microfone e contrato, o sujeito se sente autorizado a fazer isso, imagine fora do enquadramento.


Na última década, parte do país aprendeu a falar de assédio, abuso, importunação, consentimento. Há cartazes em elevadores, alertas em bares, códigos em aplicativos, discursos potentes. Mesmo assim, a estrutura que mantém a violência contra a mulher segue impávida; parte dos homens se comporta como se o corpo alheio fosse um território negociável.


Na pesquisa Visível e Invisível (Fórum Brasileiro de Segurança Pública/Datafolha), 37,9% das mulheres relataram algum tipo de assédio, em 2021; 46,7% em 2023 e 49,6% em 2025. No mesmo ano, 20,5% receberam cantadas e comentários desrespeitosos no trabalho. E quando a violência atravessa a porta de casa, a escala não diminui: o DataSenado aponta que 3 em cada 10 brasileiras já sofreram violência doméstica.


Há uma questão fundamental: a virada de consciência aconteceu do lado de cá. As mulheres, em larga escala, reconhecem violência de gênero, nomeiam o abuso, trocam ferramentas de proteção. O problema é a assimetria de impacto que ainda alcança poucos homens para quem esse comportamento arcaico é inaceitável e precisa ser combatido.


Para muitos, ainda é "mal-entendido", "papel do homem".


Cadê educação sobre respeito e limites (não como "palestra", mas como formação), campanhas permanentes voltadas a meninos e homens? Reality expulsa em 24 horas, mas na vida aqui fora mulheres continuam morrendo.


JORGE, Mariliz Pereira. Importunação sexual ao vivo na TV. Folha de S.Paulo, São Paulo, 20 jan. 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2026/01/importuna cao-sexual-ao-vivo-na-tv.shtml. Acesso em: 20 jan. 2026. [Adaptado]. 

Em textos escritos, recursos gráficos como as aspas podem assumir diferentes funções discursivas, dependendo do contexto de uso e do efeito de sentido pretendido. No texto apresentado, o emprego de aspas em expressões como “exceção de reality” e “papel do homem” relaciona-se a um efeito linguístico de
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Q4116546 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


SONHO REAL


— Mãe, eu quero ser rei, amado por todo mundo.

Com muita fama e muito dinheiro.

Quando não estiver reinando, apareço na tevê, nos jornais e nas revistas, dou entrevista, faço comercial, gravo disco e jogo na Seleção.

— Rei administra o seu povo e não fica só no oba-oba, meu filho.

E, depois, nem tem rei mais, quase só presidentes ...

— Xi! Já vi que você ta boiando! ...

Não quero ser rei da pátria, não quero nada disso. 

Quero ser um rei mais importante quero ser rei do futebol!!.

JOSÉ, Elias. Segredinhos de amor. São Paulo: Moderna, 1991, p. 18

Na frase "Mãe, eu quero ser rei, amado por todo mundo.", qual é a função da vírgula colocada logo após a palavra "Mãe"?
Alternativas
Respostas
541: D
542: D
543: D
544: A
545: B
546: D
547: B
548: E
549: E
550: B
551: E
552: C
553: E
554: C
555: A
556: B
557: C
558: C
559: A
560: C