A literatura como remédio: os clássicos e a saúde da alma
Desde muito, os livros vêm sendo responsáveis por grandes transformações em direções e com efeitos muito variáveis. Vivenciada como uma operação essencialmente solitária
e subjetiva, a leitura de obras literárias foi sempre considerada uma experiência tão poderosa quanto perigosa. E, se nem
sempre se tenha explicitado a necessidade da supervisão, a
importância, pelo menos, da interlocução é algo que aparece
como elemento fundamental no contexto da experiência da
leitura. Assim, fica evidente que não basta simplesmente
incentivar ou promover a leitura de obras literárias, mas que
é preciso também, de alguma forma, acompanhá-la.
Ainda que essencialmente solitária, a leitura pode ser algo
excessivamente pesado e difícil para se enfrentar sozinho.
Por outro lado, se vencidas as dificuldades iniciais de falta de
hábito e compreensão, o grande poder mobilizador da leitura
praticamente exige uma dinâmica de expressão e compartilhamento, concretizada numa situação de interlocução, para
que esse processo ocorra de forma saudável e produtiva do
ponto de vista da humanização.
Um dos exemplos mais interessantes nesse sentido
talvez seja a biblioterapia, que propõe a leitura de obras
literárias como recurso psicoterapêutico. Abordagem fundamentada na teoria de catarse de Aristóteles e na psicanálise freudiana, a biblioterapia surgiu como proposta ainda na
década de 1940, porém só mais recentemente, no contexto
da busca de abordagens alternativas para os efeitos patológicos causados pelo acirramento da dinâmica desumanizadora
da vida moderna, que ela passou a ser mais difundida e utilizada em diversos contextos e modalidades.
Concomitantemente, porém com um grau de difusão
significativamente maior, cabe assinalar o aparecimento dos
grupos de leitura ou clubes do livro, onde leitores se reúnem
para compartilhar sensações, impressões e opiniões suscitadas pela leitura de determinada obra. Tais dinâmicas, ainda
pouco estudadas, porém em franco processo de expansão,
parecem operar como elemento incentivador da prática da
leitura, ao mesmo tempo em que possibilitam o desdobramento do processo reflexivo, formativo e humanizador que a
experiência literária propicia.
(Dante Gallian. São Paulo: Martin Claret, 2019; ePUB. Adaptado)
Estão em conformidade com a norma-padrão de pontuação as vírgulas acrescentadas no seguinte trecho:
Incorreta. Gabarito oficial da banca:
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