Questões de Concurso
Sobre pontuação em português
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Nesse período do texto, as aspas na expressão “crescimento negativo” têm a finalidade de
Leia o texto a seguir.
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
[...]
Disponível em: <https://www.culturagenial.com/poema-e-agora-jose-carlosdrummond-de-andrade/>. Acesso em: 23 ago. 2023.
Na frase “E agora, José?”, usa-se a vírgula para
Texto 2
Doutor Félix
Para o pensamento geral, bom advogado é aquele que participa do Tribunal do Júri Popular. Advogado bom de tribuna logo cai na graça do povo. “Viu como ele fala? Tem medo não. O promotor se levantou também e, se o juiz não entra no meio! Sei não, a coisa ficaria feia.” [...]
O público ouvia com atenção e não se ouvia um pio na assistência, mesmo porque não era galinheiro. Ninguém duvidava da condenação, mas a curiosidade era grande. O que iria fazer doutor Félix? Como iria sair daquela? Ele, sempre competente, acostumado a ganhar, na certa iria perder aquela batalha.
[...]
ISAIAS, Davi. Crônicas da Goiabeira – volume I. Goiânia: 2008. Editora
América.
comum no interior e em tempos idos, mas praticamente extinta
na vida urbana, [...]” (1º§). É correto afirmar que a vírgula destacada se dá para: A vírgula é usada para sinalizar as separações breves de sentido entre termos próximos, isto é, as inversões e as intercalações. Nesse sentido, o uso da vírgula é indicado para: separar verbos e nomes de seus respectivos complementos; marcar a elipse de um verbo; isolar expressões corretivas, explicativas e escusativas; separar sujeito e verbo.
O travessão é um sinal que se assemelha a um hífen prolongado e pode ser utilizado na substituição de doispontos, parênteses e vírgula em um texto. Também é possível usar o travessão como substituto do hífen e viceversa, devido à similaridade existente entre esses sinais, que se verifica tanto representação gráfica quanto no uso.
Assinale a frase que mostra uma interrogação total.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
O homem não vive só de pão, nem de know-how, segurança, filhos ou sexo. As pessoas no mundo inteiro empregam o máximo de tempo que podem em atividades que, na luta para sobreviver e reproduzir-se, parecem sem sentido. Em todas as culturas, as pessoas contam histórias e recitam poesia. Elas gracejam, riem, caçoam. Cantam e dançam. Decoram superfícies. Executam rituais. Refletem sobre as causas da sorte e do azar e têm crenças acerca do sobrenatural que contradizem tudo o mais que conhecem sobre o mundo. Inventam teorias sobre o universo e o lugar que nele ocupam.
Como se isso já não fosse suficientemente intrigante, quanto mais biologicamente frívola e vã é uma atividade, mais as pessoas a exaltam. Arte, literatura, música, sátira, religião e filosofia são consideradas não só deleitantes, mas nobres. São a melhor obra da mente, o que faz a vida digna de ser vivida. Por que nos empenhamos pelo trivial e pelo fútil e os vivenciamos como sublimes? Para muitas pessoas instruídas, essa pergunta parece horrivelmente filistina, até imoral. Mas ela é inevitável para quem quer que se interesse pela constituição biológica do Homo sapiens.
PINKER, Steven. Como a mente funciona. São Paulo: Cia das Letras, 1998. p. 546. [Fragmento].
Leia o texto abaixo para responder a questão.
Cara de Lua
Clarice, a professora, bate palmas para começar a aula.
– Vamos lá, quem fez a redação sobre um fantasma? [...]
– Davi! – aponta Clarice. – Gostaria de ler para nós o que escreveu?
– [...] posso contar como é o fantasma da minha casa porque sei de cor.
– Conte! Conte! – dizem os seus colegas.
– Meu fantasma se chama Cara de Lua – começa Davi. [...]
– E por que se chama Cara de Lua? – pergunta Carolina.
– Fui eu quem lhe deu esse nome! – diz Davi, rindo. E ele gosta!
– Conte mais! – pede Artur.
– Bom, durante o dia ele dorme. [...] acho que dorme grudado na parede.
– E à noite, ele se desgruda? – pergunta a professora.
– Sim. E boceja, e se espreguiça assim! – explica Davi, imitando-o. [...]
– Eu quero conhecê-lo! – diz Anita, entusiasmada. [...]
Davi perguntou à professora se queria ir também, mas ela disse que não, pois já era muito grande para essas coisas. Davi acha que, no fundo, a professora tem é medo de fantasmas.
FAMILIAR, Juan José Gutierrez (org.). Contos de 1 minuto. Barueri, SP: Girassol, 2012, p. 68-69. Fragmento.
Leia o texto abaixo para responder à questão.
Preço do livro é o que mais desmotiva novos leitores, segundo pesquisa inédita
O preço dos livros é determinante na escolha do leitor brasileiro — ou do leitor em potencial — de comprar ou não um exemplar, conforme mostra uma pesquisa inédita divulgada pela consultoria Nielsen em parceria com a Câmara Brasileira do Livro.
O estudo fez um panorama de quem são os consumidores de livros no país, concluindo que hoje 16% da população brasileira tem esse hábito — ou seja, afirma ter pago por ao menos um exemplar nos últimos 12 meses. Desses leitores, 57% são mulheres. Entre as pessoas que não compram livros, 35% respondem que o principal motivo é julgar o produto caro demais, uma percepção quase homogênea entre todas as classes sociais. O valor salgado pontua na pesquisa acima de outros fatores como a ausência de lojas por perto ou a falta de tempo para leitura.
É curioso perceber, no entanto, que 85% dos brasileiros que não se identificam como compradores de livros ainda afirmam que a leitura é uma atividade importante ou muito importante, e a maioria deles diz ter intenção de ler mais no próximo ano. A percepção comum de que o livro é caro no Brasil alarma o mercado editorial, que costuma trabalhar com previsões de lucro modestas e teme a desvalorização do produto, dada a quantidade de descontos que têm virado regra na indústria.
Basta ver que 55% dos compradores de livros impressos, segundo a pesquisa, preferem o varejo online, que trabalha com descontos bem mais agressivos que as livrarias físicas. 64% dos compradores de livros nas plataformas virtuais afirmam ter sido estimulados por descontos, enquanto nas lojas presenciais essa taxa fica em 43%. Os motivos citados pelos compradores como decisivos são, acima de tudo, os preços, logo seguidos por comodidades como frete grátis, velocidade de entrega e disponibilidade.
A pesquisa da Nielsen foi realizada em outubro por meio de um questionário com 16 mil pessoas com mais de 18 anos, com marjem de erro de 0,8 ponto percentual.
PORTO, Walter. Preço do livro é o que mais desmotiva novos leitores, segundo
pesquisa inédita. Folha de São Paulo. Adaptado. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/12/preco-do-livro-e-o-que-mais
desmotiva-novos-leitores-segundo-pesquisa-inedita.shtml. Acesso em
09/12/2023.
I.Melina, uma mulher determinada, alcançou todos os seus objetivos.
II.O livro é interessante, mas não consigo lê-lo, por causa da falta de tempo.
III.Joana comprou uma blusa, uma saia e, um par de sapatos novos.
Está (ão) CORRETA (S) a (s) seguinte (s) proposição (ões).
Arte, cultura e patrimônio para quem?
Eu não sei você, mas nunca tive a honra de ser convidada a conhecer o terceiro andar do Palácio do Planalto. Mesmo se tivesse, não saberia identificar, no fino desenho talhado na madeira, que o relógio no corredor se tratava de uma rara peça de relojoaria de Martinot, com traçado de André-Charles Boulle. Se alguma pessoa mais versada nos sinuosos caminhos da mobília francesa me contasse tais detalhes, acrescentando, ainda, que se tratava de um presente de Luís XIV, rei da França, a D. João VI, rei de Portugal, que o trouxe para o Brasil com vinda da corte portuguesa, em 1808, minha resposta não poderia ser outra: e o que é que um símbolo do pacto colonial entre duas monarquias escravocratas faz adornando a capital da República?
Que nenhum curador de arte do Palácio do Planalto jamais tenha feito essa pergunta é um sintoma do traço que permanece entre as transições do poder pelas quais passou nosso país em mais de 500 anos de história: nunca houve ruptura da hegemonia branca nos espaços de poder e, por consequência, nos espaços que definem o que é arte, o que é cultura, o que é patrimônio. Antes que me acusem de fazer apologia da destruição de obras de valor "inestimável": não faço, absolutamente. Quero, apenas, chamar a atenção para a disputa de narrativa acerca dos símbolos de poder em uma democracia. O que se propõe é a democratização do acesso e da oportunidade de fruição, pela sociedade, da arte produzida e preservada historicamente pelas elites econômicas.
Há uma longa distância entre celebrar e apreciar o valor da história e da técnica de uma obra de arte de 200 anos e elegê-la como mártir de um atentado violento à democracia brasileira, como têm feito alguns discursos que em muito se assemelham ao que poderiam defender, sem pudor, os monarquistas que ocuparam a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio de Janeiro, nos últimos anos.
A leitura crítica do patrimônio cultural de origem colonial é um dos desafios impostos à política de educação patrimonial a ser fortalecida pelo Estado brasileiro a partir dos acontecimentos em 8 de janeiro. Quantas obras de artistas negros foram selecionadas pela curadoria de arte dos Palácios dos Três Poderes? Por que não convidar os artistas negros a representar os próprios sonhos e aspirações?
Dos escombros de mais uma grave afronta à democracia surge a oportunidade de avançar no compromisso simbólico firmado na passagem da faixa ao novo presidente, que a recebeu do povo brasileiro. O povo brasileiro quer subir a rampa, quer entrar no palácio e, ao entrar, quer se deparar também com representações de suas celebrações e corpos que sejam mais do que a interpretação erudita de uma beleza e de uma alegria exóticas, essencialistas.
Di Cavalcanti começou a pintar aos 11 anos — a quantos jovens brasileiros é dada a mesma oportunidade? Quantos poderão acompanhar e aprender com o trabalho de restauro das obras destruídas? Quantos deles não serão brancos? Considerando a relevância do movimento modernista na renovação das diversas expressões artísticas brasileiras, que crítica se faz à exclusão de artistas negros de um movimento de vanguarda que se propôs construir uma nova identidade nacional?
São perguntas incômodas para um momento de crise, mas que devem ser feitas, sob o risco de que a restauração do patrimônio cultural destruído por atos de terrorismo seja também a restauração de uma narrativa conhecida sobre o valor de uma arte excludente, elitista, cuja apreciação e fruição é para poucos privilegiados. É também nesse vácuo de participação social e de identificação entre os símbolos do poder e a vida vivida pela população, que o fascismo sabe tão bem manipular, que cresce o ódio que culminou nas cenas que nos abateram naquele triste domingo.
O patrimônio cultural acautelado pelo Iphan é de todos, na letra na lei, mas é preciso, ainda, que seja para todos, não como imposição estética das elites ao povo que se pretende "educar", mas como construção coletiva, que não apague a memória dos vencidos e dos explorados em nome da conservação de bens "inestimáveis".
A vinda da família real portuguesa para o Brasil, além de trazer nos cofres mobília francesa, triplicou, em 13 anos, o número de africanos e afrodescendentes escravizados no país. Diante da necessidade de elencar prioridades de gastos do governo federal, talvez a restauração do relógio de Martinot possa aguardar o socorro ao Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, que, não por acaso, passou os últimos quatro anos — também — sob ataque de bolsonaristas extremistas e raivosos.
(FERREIRA, Bruna da Silva. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/ opi-
niao/2023/02/5071292-artigo-arte-cultura-e-patrimonio-para-quem.html)
