Questões de Concurso
Comentadas sobre pontuação em português
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Disponível em: https://pi.agenciasebrae.com.br/culturaempreendedora/bora-ali-no-piaui-sera-lancada-em-portugal/ Acesso em: 02 fev. 2026.
A vírgula é essencial para organizar orações e estruturar sintaticamente o texto. Com base na análise do enunciado principal da peça publicitária, que integra uma campanha veiculada para despertar o interesse do público português pelo Piauí, assinale a alternativa que justifica corretamente o emprego da vírgula
Leia o texto para responder à questão.
O Brasil tem, hoje, quase 670 mil presos distribuídos em 1.563 unidades prisionais pelo País. Desses presídios, menos da metade oferece cursos profissionalizantes a detentos.
Sul-mato-grossense de 42 anos, Leandro Oliveira, o Léo, foi um dos poucos que aprenderam uma profissão na prisão. Hoje, vive uma nova realidade. “Ali eu descobri algo que eu não sabia. Eu não sabia que tinha facilidade para ensinar. Lá dentro me tornei professor de informática. Fui professor de capacitação pessoal e profissional. Fui formado lá dentro. Lá dentro eu virei palestrante. Pessoas vieram de outros locais para, lá dentro, ouvir uma palestra minha”, e a elogiaram, afirma.
Léo é egresso do sistema penitenciário paulista, cumpriu sua pena, e o empreendedorismo representou a chave para uma nova vida. A trajetória mostra que, além da história pessoal de superação, a ressocialização é repleta de desafios.
A Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo (SAP-SP) destina só 2% do orçamento a ações de ressocialização, segundo auditoria do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Ainda conforme a SAP, em muitas unidades prisionais há vagas para os cursos oferecidos, a participação é facultativa, e o benefício depende do interesse do detento.
Leandro mostrou interesse. Hoje gestor universitário, ele passou meia década na Penitenciária de Assis, no interior paulista, por tráfico de drogas. Encontrou na proposta educacional do sistema um recomeço. Durante a reclusão, foi professor de informática, mestre de cerimônias, professor de capacitação profissional e palestrante. Além de seu emprego formal, Léo encabeça, hoje, um curso de desenvolvimento profissional para pessoas que, assim como ele, procuram por uma “virada de chave”. Quem passa pela formação é orientado sobre apresentação e vocabulário apropriado para entrevistas de emprego. “É ter um cartão de visita de uma maneira que não agrida a cultura, a identidade do aluno”, reforça.
A socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) Maiara Corrêa reforça a efetividade de ações educativas na redução da reincidência, embora saliente que o retorno ao crime não é motivado por um único fator. Em um país de cadeias superlotadas, o retorno ao sistema prisional é ainda mais sensível. “Com muita gente, há outros problemas. Surgem o desemprego, a marginalização, o estigma e, aí, a reincidência criminal”, diz Maiara.
Outro problema das prisões brasileiras é a forte presença das facções, que cooptam presos. Essa dependência pode seguir após a liberdade.
(Lucas Thaynan, Cindy Damasceno, Bruno Ponceano, Marcos Müller, O Estado de S. Paulo, 15 de junho de 2025. Adaptado)
Leia:
Vivemos em uma era de excesso de estímulos e escassez de silêncio. A constante conectividade, embora promova acesso à informação, nos rouba a capacidade de escuta profunda e contemplação. O silêncio, necessário e raro, é essencial para o pensamento crítico e para a saúde emocional.
Em relação ao trecho acima, marque V para verdadeiro ou F para falso. Em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) A forma verbal “nos rouba” apresenta pronome oblíquo átono em ênclise.
( ) Em “O silêncio, necessário e raro, é essencial”, o trecho entre vírgulas é um aposto explicativo.
( ) O sujeito da oração “Vivemos em uma era de excesso de estímulos e escassez de silêncio” é elíptico, identificado pela desinência verbal.
( ) A conjunção “embora” introduz oração subordinada adverbial causal, cuja ideia é exprimir o motivo pelo qual a conectividade conduz a efeitos negativos.
O novo sistema de segurança, o qual foi desenvolvido por engenheiros de diversas partes do mundo, foi implementado com sucesso. O sistema, que tinha sido testado durante meses, apresentou resultados surpreendentes. A implementação, embora desafiadora, foi concluída antes do prazo.
I. Os professores, que participaram do congresso, receberão certificação.
II. Os professores que participaram do congresso receberão certificação.
Sobre o uso das vírgulas e a semântica, assinale a alternativa correta:
Sobre os elementos de coesão, é correto afirmar que:
[Sucuri, cascavel, coral, caninana.]1 O Brasil é um país com uma grande diversidade de cobras. Sejam elas venenosas ou não, de uma mesma cor ou de cores diferentes, há muitas pessoas que temem cruzar o caminho desses répteis.
De todas as cobras, o título de “campeã” de picadas de pessoas no Brasil pertence à jararaca (cobras do gênero Bothrops), segundo informações do Instituto Butantan, instituição de pesquisa sediada na cidade de São Paulo. No país, 69,3% dos acidentes envolvendo serpentes são de picada de jararaca — considerando só o estado de São Paulo, o número chega a 90% dos casos.
A jararaca tem uma característica marcante chamada policromatismo: seu padrão de cor varia de cobra para cobra, abrangendo [“tons marrons escuros ou claros, verdes, acinzentados ou amarelos”]2, informa o Butantan. O animal apresenta também manchas geralmente mais escuras na lateral do corpo.
O comprimento dos machos é de aproximadamente 1 metro, ao passo que as fêmeas chegam a 1,5 metro — o motivo é que elas precisam de espaço para abrigar os embriões, pois carregam os ovos no interior do corpo.
Essa cobra pode ser encontrada da Bahia ao Rio Grande do Sul, normalmente em áreas de Mata Atlântica, além de regiões da Argentina e do Paraguai que fazem fronteira com o Brasil.
O efeito do veneno da jararaca muda conforme a idade do réptil. Nos exemplares juvenis, tem ação anticoagulante. Já no caso de jararacas adultas, a ação inflamatória é mais intensa.
Em adultos, os principais sintomas, segundo o Butantan, são dor e inchaço local, além da possibilidade de sangramento em mucosas (como gengivas). Há ainda o risco de complicações, como infecção e necrose na região da picada e insuficiência renal.
Para evitar ser picado, use calçados fechados, de preferência de cano alto quando for andar em meio ao mato. Ao manipular folhas, lenhas, palhas, lixo ou entulho (que podem servir de abrigo para diferentes cobras), é importante usar luvas.
Se avistar uma jararaca na natureza, mantenha distância e não toque o animal. Em áreas urbanas e residenciais, as autoridades competentes, como Corpo de Bombeiros e serviços de controle de zoonoses, devem ser acionadas para capturar a cobra.
O soro antiofídico é o único tratamento eficaz contra picadas de serpentes venenosas. Quanto antes for feita a aplicação, sempre com acompanhamento médico, menores são as chances de complicações.
Somente na região das Américas, estima-se que 57 mil pessoas por ano sejam mordidas por serpentes venenosas, com uma taxa de letalidade de 0,6%. No entanto, estima-se que esses números sejam ainda subnotificados, já que muitos casos sequer são reportados às autoridades médicas.
Fonte: National Geographic Brasil. Adaptado.
A ILUSÃO DA CLAREZA IMEDIATA
Vivemos em uma época que idolatra a rapidez. A informação precisa ser instantânea, a resposta deve surgir antes mesmo da formulação completa da pergunta, e o pensamento, comprimido em fragmentos facilmente consumíveis, parece ter se tornado mais um produto na prateleira do cotidiano. Nesse cenário, emerge uma curiosa inversão: quanto mais acessível se torna o conteúdo, menos disposição temos para compreendê-lo em profundidade.
A linguagem, que outrora exigia elaboração, silêncio e tempo, passa a ser pressionada por uma lógica de eficiência. Não se trata apenas de comunicar, mas de comunicar rapidamente. A clareza, nesse contexto, deixa de ser resultado de um processo intelectual e passa a ser confundida com simplificação extrema. No entanto, simplificar não é, necessariamente, esclarecer.
Há uma diferença substancial entre tornar algo inteligível e reduzi-lo a um esboço empobrecido. O primeiro movimento exige domínio, articulação e consciência das nuances; o segundo, frequentemente, implica supressão, perda e, em muitos casos, distorção. Ao privilegiarmos o imediato, abrimos mão da densidade — e, com ela, da possibilidade de compreender o mundo em sua complexidade.
Esse fenômeno não se limita ao campo da linguagem. Ele se infiltra nas relações humanas, na forma como debatemos ideias e até mesmo na maneira como construímos nossas convicções. Opiniões são formadas com base em recortes, julgamentos são proferidos sem maturação, e o diálogo cede espaço a monólogos simultâneos, nos quais ninguém escuta, mas todos respondem.
Paradoxalmente, nunca tivemos tanto acesso à informação, e, ainda assim, somos cada vez mais suscetíveis à superficialidade. Isso ocorre porque o acesso, por si só, não garante assimilação. Pelo contrário, pode produzir a ilusão de conhecimento — uma sensação enganosa de domínio que dispensa o esforço real de compreender.
A ilusão da clareza imediata, portanto, não reside apenas na linguagem, mas na forma como nos relacionamos com o saber. Quando acreditamos que entender é o mesmo que consumir rapidamente, substituímos o pensamento pelo reflexo, a análise pela reação e o conhecimento pela aparência de saber.
Talvez o maior risco não seja a ignorância declarada, mas a convicção apressada. Afinal, quem reconhece que não sabe ainda pode aprender; mas quem acredita que já compreendeu, dificilmente se dispõe a pensar novamente.
Os ensaios da primeira parte deste livro tentam analisar alguns casos do que chamei redução estrutural, isto é, o processo por cujo intermédio a realidade do mundo e do ser se torna, na narrativa ficcional, componente de uma estrutura literária, permitindo que seja estudada em si mesma, como algo autônomo. O meu propósito é fazer uma crítica integradora, capaz de mostrar (não apenas enunciar teoricamente, como é hábito) de que maneira a narrativa se constitui a partir de materiais não literários, manipulados a fim de se tornarem aspectos de uma organização estética regida pelas suas próprias leis, não as da natureza, da sociedade ou do ser. No entanto, natureza, sociedade e ser parecem presentes em cada página, tanto assim que o leitor tem a impressão de estar em contato com realidades vitais, de estar aprendendo, participando, aceitando ou negando, como se estivesse envolvido nos problemas que eles suscitam.
Antonio Candido. Prefácio. In: O discurso e a cidade.
São Paulo, Rio de Janeiro: Duas Cidades, Ouro sobre Azul, 2004, p. 9.
Julgue o item seguinte, acerca dos sentidos e estruturas linguísticas do texto de Antonio Candido.
No segundo período, a vírgula empregada após "crítica integradora" destaca a enunciação do sentido dado pelo autor do texto a um ato crítico integrador, que, segundo ele, é aquele que resiste à manipulação dos dados externos, a fim de evitar uma representação distorcida da realidade.
Ainda antes do dia de São José, o prefeito inaugurou a escola, que teve a construção — com telhas de cerâmica que nenhuma casa de trabalhador poderia ter — concluída no verão. O prédio recebeu o nome de Antônio Peixoto, pai dos Peixoto. Homem que, diziam, foi proprietário da fazenda, mas nunca havia posto os pés ali. Todos os moradores estiveram presentes à inauguração: as mulheres de lenço na cabeça; os homens de chapéu e enxada na mão; as crianças rindo da novidade, um pequeno prédio de três salas, e sem o tal banheiro que ninguém tinha mesmo. Da família Peixoto se fez presente também a irmã mais velha, que nunca havia visto por ali. (...) Quando retiraram o papel que cobria a placa com o nome de seu pai falecido, ela quase caiu, num choro convulsivo que fez com que seus irmãos a amparassem para que não desabasse de vez no chão. Nenhuma palavra de agradecimento a meu pai, que, na noite em que celebrava o jerê de santa Bárbara, havia pedido, quase ordenado, o cumprimento da promessa de construção da escola feita à santa no passado. Mas ele estava lá, em pé, um dos primeiros da audiência, segurando a mão de Domingas, e ao lado de minha mãe, com o rosto satisfeito. Pouco importava, poderia ver em seu semblante a luta que havia travado com as forças da encantada santa Bárbara para que tivéssemos um destino diferente do seu, para que não fôssemos analfabetos. Meu pai não sabia nem mesmo assinar o nome, e fez o que estava ao seu alcance para trazer uma escola para a fazenda, para que aprendêssemos letra e matemática.
Itamar Vieira Júnior. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2018, p. 95-96.
Julgue o item que se segue, em relação ao texto precedente.
No quarto período, são separados por ponto e vírgula os itens da enumeração que se referem aos moradores presentes à inauguração ― a saber, as mulheres, os homens e as crianças, e seus respectivos epítetos, tomados como um conjunto ― enquanto os itens que descrevem a escola são separados pela conjunção "e" e por vírgula, o que indica a ausência de continuidade de sentido entre os termos coordenados.
I - No texto, encontra-se como funções de linguagem predominantes a metalinguística e a referencial.
II - O nível de linguagem predominante no texto é o nível formal, com rigor gramatical.
III - O fragmento (“complicações agudas e crônicas(...) retinopatia, nefropatia e neuropatia”) apresenta o vício de linguagem denominado eco.
IV - No trecho “... doenças cardíacas e cerebrovasculares, sendo, portanto, prioridade em saúde pública.” O emprego das vírgulas é opcional.
Está correto o que se afirma em: