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PNEU FURADO.
O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu furado. De pé ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha.
Tão bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um homem dizendo "Pode deixar". Ele trocaria o pneu.
- Você tem macaco? - perguntou o homem.
- Não - respondeu a moça.
- Tudo bem, eu tenho - disse o homem - Você tem estepe?
- Não - disse a moça.
- Vamos usar o meu - disse o homem.
E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar da moça. Terminou no momento em que chegava o ônibus que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de boca aberta, vendo o ônibus se afastar.
Dali a pouco chegou o dono do carro.
- Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.
- É. Eu... Eu não posso ver pneu furado. Tenho que trocar.
- Coisa estranha.
- É uma compulsão. Sei lá.
(Luís Fernando Veríssimo. Livro: Pai não entende nada. L&PM, 1991).
Assinale a opção correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.
TEXTO I
Do descobridor de talentos. Aquele cara que tem uma agência de testar e selecionar artistas para circo, teatro, televisão, o diabo. Tava ele lá, no seu escritório, no último andar do Empire State Building, quando a secretária anunciou o próximo candidato.
— Pode entrar, meu filho.
O rapaz, tímido, entrou.
— Que é que você sabe fazer?
— Sei imitar passarinho.
— IMITAR PASSARINHO??? — berrou o descobridor, pedavida. — Imitar passarinho!!! Pô! Então eu estou aqui no meu trabalho, cheio de coisas pra fazer e o senhor vem me importunar pra dizer que imita passarinho. Rua! Rua!!!
O cara olhou muito triste pro descobridor, caminhou até a janela do escritório e saiu voando.
(Ziraldo. Literatura Comentada. São Paulo: Abril Educação, 1982. P.75.)
Os participantes mais jovens, por outro lado, não perderam peso, independentemente de beberem água antes da refeição ou não.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ articles/cw89e6n4487o.
Adaptado Assinale a opção que contenha a nova pontuação sem alteração do sentido original:
CINEMA E ARTE
Na década de vinte, a maneira mais útil de abordar o cinema, para a criação ou a reflexão, era considerá-lo arte autônoma. É possível que a tese da especificidade cinematográfica ainda venha no futuro a produzir fatos práticos e teóricos. Atualmente, porém, os melhores filmes e as melhores ideias sobre o cinema decorrem implicitamente de sua total aceitação como algo esteticamente equívoco, ambíguo, impuro. O cinema é tributário de todas as linguagens, artísticas ou não, e mal pode prescindir desses apoios que eventualmente digere. Fundamentalmente arte de personagens e situações que se projetam no tempo, é sobretudo ao teatro e ao romance que o cinema se vincula. A história da arte cinematográfica poderia limitar-se, sem correr o risco de deformação fatal, ao tratamento de dois temas, a saber, o que o cinema deve ao teatro e o que deve à literatura. O filme só escapa a esses grilhões quando desistimos de encará-lo como obra de arte e ele começa a nos interessar como fenômeno. Não é na estética, mas na sociologia que refulge a originalidade do cinema como arte viva do século XX.
(Paulo Emílio Salles Gomes, in VV. AA. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 1967, pp. 105-106)
Acerca do texto, julgue as assertivas abaixo:
I. Em “Na década de vinte, a maneira mais útil de abordar o cinema, para a criação ou a reflexão, era considerá-lo arte autônoma” o uso da primeira vírgula justifica-se por separar adjunto adverbial antecipado no discurso.
II. Em “Atualmente, porém, os melhores filmes e as melhores ideias sobre o cinema decorrem implicitamente de sua total aceitação (...)” o uso da primeira vírgula pode ser retirado, sem prejuízo de correção gramatical.
III. Em “Atualmente, porém, os melhores filmes e as melhores ideias sobre o cinema decorrem implicitamente de sua total aceitação como algo esteticamente equívoco, ambíguo, impuro” o vocábulo em destaque tem valor explicativo.
IV. Em “ao tratamento de dois temas, a saber, o que o cinema deve ao teatro e o que deve à literatura” o uso das vírgulas justifica-se por indicar expressões de explicação.
Analise e marque a alternativa correta.
“Entre os itens menos interessantes estão um projetor, telas de iMac e escrivaninhas.”
Neste trecho o uso da vírgula acontece para:
Considere o texto a seguir para responder à próxima questão.
“Segunda-feira. Amanheço com uma pontinha de febre. Nada grave, mas o homem, desde que sinta uma pontinha de febre, deveria ter direito a ficar na cama e não fazer absolutamente nada que não fosse viver a sua febre. O ideal seria recolher-se a uma Casa de Saúde, cercado de enfermeiras, de batas alvíssimas, que lhe fizessem perguntas carinhosas. Quando se está doente, mesmo que tudo não passe de uma pontinha de febre, é preciso proceder como doente. Vestir um pijama claro, tomar banho e comer (torradas, maçãs descascadas, sucos de fruta), na cama. As pessoas da família devem estar por perto e, de vez em quando, a mulher, se o doente for casado, deve pôr-lhe a mão na testa e dizer coisas que o envaideçam – por exemplo: ‘Eu gosto tanto quando você está doente. A gente fica mais junto um do outro’. Então, o doente abre os olhos (o bom doente é aquele que mantém os olhos fechados), sorri e, tomando a mão da esposa, aperta-a docemente. Tudo isto é ridículo, mas necessário ao doente. Todos os doentes, quanto menos grave for a doença, mais precisam de carinhos formais; exatamente, os ridículos. Cá estou, com uma pontinha de febre, que ninguém levou a sério. Nem eu. Mas gostaria de ser tratado como doente. À tarde, terei que sair para fazer uma entrevista. Vestir paletó e gravata – duas peças que nenhum doente, mesmo que seja um resfriado, deveria vestir. Depois de vestido, suarei na testa. Tomarei o automóvel... E ninguém perguntará se estou melhorzinho. A ciência médica progrediu e já não se tomam tantos cuidados com quem tem doença ‘micha’. Para se ser bem tratado é preciso que se tenha uma lesão cardíaca, um acidente de circulação ou uma leucemia. Com uma pontinha de febre não adianta fazer fita porque ninguém liga”.
(A consolação da doença, por Antônio Maria, com adaptações).