Questões de Concurso Sobre paralelismo sintático e semântico em português

Foram encontradas 607 questões

Q2727023 Português

Texto 1


Políticos bonitos têm vantagem nas eleições

1 “Essa eu ganho!”

2 Quem vê cara não vê plano eleitoral, mas isso pode importar menos do que

3 a gente imagina. (Ou talvez a gente já imagine mesmo.) “Será que

4 candidatos bonitos são mais propensos a serem eleitos?”, se perguntaram

5 os pesquisadores australianos Amy King e Andrew Leigh. Para descobrir,

6 eles colheram dados lá na Austrália mesmo – país onde o voto é obrigatório

7e onde os eleitores recebem cartões com fotos dos candidatos dos

8 principais partidos na hora de irem às urnas. “Selecionamos avaliadores

9 representativos do eleitorado para estimar a beleza dos candidatos dos

10 principais partidos e, então, estimamos o efeito da aparência nos votos da

11 eleição federal de 2004″, contam. “Os candidatos bonitos são, de fato, mais

12 propensos a serem eleitos, com um aumento médio de 1,5 a 2 pontos

13 percentuais nos votos recebidos”. O estudo aponta, ainda, que o efeito do

14 rostinho bonito é maior entre os candidatos homens do que entre as

15 mulheres. E também que a beleza importa mais nos eleitorados com maior

16 número de eleitores “apáticos” – aqueles que saíram de casa para votar só

17 porque foram obrigados. “Protesto”, será?


Thiago Perin


21 de outubro de 2010

Disponível em: http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/category/politica/.

Acesso em: 19 set. 2011.

Em “para estimar a beleza dos candidatos” (linha 9), a palavra em destaque não significa

Alternativas
Q2943542 Português

RECOMEÇOS PASSADOS E PRESENTES


01 ____ Em 2010 completam-se 100 anos da morte de Joaquim Nabuco e Brasília faz cinquenta anos. São duas efemérides

02 que dizem dos destinos da pátria de forma semelhante – ambas têm a ver com recomeços, ou tentativas de recomeço. Lembrar

03 de Nabuco é lembrar da abolição da escravatura, movimento do qual ele foi talvez o principal dos agentes, e com certeza o

04 mais elegante. Com a abolição pretendeu-se um recomeço. Com Brasília, 72 anos depois da abolição, pretendeu-se outro. Era a

05 aurora de um país destemido, porque avançava por sertões ignotos; dinâmico, porque ousara um empreendimento que só em

06 sonho outros ousariam; justo, porque na nova capital as diferenças de classe e de hierarquia se dissolveriam na homogeneidade

07 das superquadras e das vias expressas; e moderno, porque os terrenos baldios daquele naco do Planalto Central seriam

08 preenchidos por uma arquitetura de riscos deslumbrantemente avançados.

09 ____ Joaquim Nabuco (1849-1910) forma, com José Bonifácio, o Patriarca da Independência (1763-1838), a dupla de

10 maiores estadistas da história do Brasil. Eles merecem esse título não só pelo que fizeram, mas também pela ideia geral que os

11 movia – a ideia rara, lúcida e generosa de construção de uma nação. José Bonifácio está fora das datas redondas que serão

12 lembradas neste ano, mas é outro que personifica um recomeço – merece uma carona neste texto, por isso. Ele personifica a

13 independência, assim como Nabuco personifica a abolição. Ambos venceram, no sentido de que, em grande parte pelas

14 manobras de Bonifácio, o Brasil em 1822 se tornou independente, assim como, em grande parte pela pregação de Nabuco, a

15 escravidão foi legalmente abolida em 1888. Ambos perderam, porém, no que propunham como sequência necessária de tais

16 objetivos.

17 ____ Bonifácio ousou querer dotar o jovem estado brasileiro de um povo. Ora, um povo não podia ser formado por uma

18 sociedade dividida entre senhores e escravos. Daí que, três gerações antes de Nabuco, ele já propusesse a abolição da

19 escravidão. Falaram mais alto os interesses dos traficantes e dos senhores de escravos. Nabuco, se pegou a fortaleza escravista

20 já mais desgastada, pronta para o assalto final, não teve êxito na segunda parte de sua pregação: a distribuição de terras entre os

21 antigos escravos (ele dizia que a questão da “democratização do solo” era inseparável da emancipação) e o investimento num

22 sistema de educação abrangente o bastante para abrigá-los. Tal qual o de José Bonifácio, o recomeço pretendido por Nabuco

23 ficou pela metade.

24 ____ Que dizer do recomeço representado por Brasília? Há versões segundo as quais, entre os motivos que levaram o

25 presidente Juscelino Kubitschek a projetá-la, estaria a estratégia de fugir da pressão popular presente numa metrópole como o

26 Rio de Janeiro. Uma espúria síndrome de Versalhes contaminaria, desse modo, as nobres razões oficiais para a mudança da

27 capital. Mais perverso que a eventual mancha de origem, no entanto, é o destino que estava reservado à “capital da esperança”.

28 Meros quatro anos depois de inaugurada, ela viraria, com seu isolamento dos grandes centros e suas avenidas tão propícias à

29 investida dos tanques, a capital dos sonhos da ditadura militar. Hoje, é identificada com a corrupção e a tramoia. Pode ser

30 injusto. Falta demonstrar que, em outra cidade, a corrupção e a tramoia teriam curso menos desimpedido. Não importa. Para a

31 desgraça de Brasília, o estigma grudou-lhe na pele.

32 ____ “Falo, falo, e não digo o essencial”, costumava escrever Nelson Rodrigues. O essencial é o seguinte: nunca antes neste

33 país houve um governo tão imbuído da ideia de que veio para recomeçar a história. Embalado por um lado em seus próprios

34 mitos, e por outro em festivos, se não interesseiros, louvores internacionais, chega a esta quadra acreditando que preside a uma

35 inédita mudança de estruturas, na ordem interna, ao mesmo tempo em que é premiado com uma promoção pela comunidade

36 internacional. Assim como ocorreu pelo menos duas vezes, em décadas recentes – com o “desenvolvimentismo” de JK e com o

37 “milagre econômico” dos militares –, propaga-se a ideia de que “desta vez vai”. A noção de que se está reinaugurando o país

38 traz o duplo prejuízo de poder ser interpretada como um embuste, de um lado, e induzir ao autoengano, de outro. Não há

39 refundação possível. Raras são as oportunidades de recomeço. O poder das continuidades é sempre maior.

40 ____ P.S.: É ano novo. Bom recomeço, para quem acredita neles.


TOLEDO, R. P. Recomeços Passados e Presentes. Veja. São Paulo, ed. 2146, ano 43, n. 1, p. 102, 06 jan. 2010.

Nos trechos “São duas efemérides que dizem dos destinos da pátria de forma semelhante” (𝓁. 1-2) e “porque avançava por sertões ignotos” (𝓁. 5), as palavras sublinhadas significam, respectivamente:

Alternativas
Q2933215 Português

Hoje não escrevo

Carlos Drummond de Andrade


1______Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os

2 milhares de assuntos.

3 Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o

4 teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença

5 pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em

6 dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de

7 olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália,

8 purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.

9______O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo

10 o que ele ilumina. Tudo o que se faz sem você, porque com você não é possível contar.

11 Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau.

12 Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação

13 descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do

14 universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um

15 adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro

16 em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí,

17 camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a

18 revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.

19_____Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das

20 coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos,

21 verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Não é

22 todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra

23 situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.

[com adaptações]

http://www. memoriaviva.com .br/drummond/prosa03.htm

Com base no contexto, pode-se depreender que “marginália” (linha 7) e “crédulos” (linha 21) significam, respectivamente,

Alternativas
Q2926020 Português

As estruturas: "Em primeiro lugar ... " e "Depois, ... " atribuem ao texto valor semântico de:

Alternativas
Q2903503 Português

Leia o texto a seguir e responda às questões de nº 01 a 10.

A ARTE DE MORRER


Num artigo publicado na semana passada na Folha de São

Paulo, Ruy Castro narrou as extraordinárias circunstâncias da mor-

te do advogado Henrique Gandelman, um especialista em direitos

autorais que, entre outros feitos, dedicou anos à tarefa de trazer os

5 direitos sobre a obra de Villa-Lobos, desencaminhados mundo afo-

ra, para o espólio do artista. “Foi um trabalho de amor, poucos ama-

vam tanto Villa-Lobos”, escreve Ruy Castro. Gandelman, que estu-

dou música na juventude, era, além de defensor dos direitos, um

profundo conhecedor da obra do grande compositor brasileiro. No

10 dia 24 de setembro, ele ia dar uma palestra no Museu Villa-Lobos,

no Rio de Janeiro, e receber uma homenagem. Enquanto, no ca-

marim, esperava a hora de se apresentar, o sistema de som come-

çou a tocar a Floresta Amazônica. Gandelman, de mãos dadas com

a mulher, comentou: “Fico sempre arrepiado de ouvir isso. O Villa é

15 mesmo o maior”. E mais não disse, nem lhe foi perguntado. Soltou

um suspiro e caiu morto. Aneurisma. Tinha 80 anos.

É o caso de dizer, para cunhar uma expressão nova, que “a

vida imita a arte”.

Ruy Castro chamou a morte de Gandelman de “a morte ideal”.

20 O advogado morreu sob o impacto de uma emoção estética, e não

uma emoção estética qualquer, mas da obra predileta, ou uma das

obras prediletas, do artista predileto. Os santos morrem, ou morri-

am, com antevisões do paraíso. Santa Teresa de Ávila morreu di-

zendo: “Chegou enfim a hora, Senhor, de nos vermos face a face”.

25 São Francisco disse: "Seja bem-vinda, irmã morte”. A morte ideal,

na era dos santos, era acompanhada pelo transe mística. Numa

era laica, de valores racionalistas, como a nossa, a arte substitui 0

misticismo no provimento de uma elevação espiritual compatível

com esse momento grave entre todos que é o momento da morte.

30__O som de Villa-Lobos substitui a citara dos anjos que os místicos

começavam a ouvir na iminência da morte. Mas não é só nisso que a

morte ideal do homem de hoje se diferencia da do antigo. Morte ide-

al, hoje, é a morte repentina, sem dor, sem remédios e sem UTI, De

preferência, tão repentina que poupe até da consciência de que se

35 está morrendo. Os santos morriam tão conscientes da morte que até:

podiam saudar sua chegada. Antes deles, Sócrates morreu despe-

dindo-se dos amigos e filosofando sobre a morte. Para os gregos,

era a morte ideal. Em nosso tempo, um valor altamente apreciado é

a morte que nos poupe da angústia, ou do susto, ou do pânico, de

40 saber que se está morrendo. É uma espécie de ludíbrio que aplicamos

na morte. O.k., você chegou. Mas nem nos demos conta disso.

A visita foi humilhada por um anfitrião que nem olhou para a sua cara,

(Roberto Pompeu de Toledo, Revista Veja, 7 de outubro de 2009, com adaptações)

Leia as frases a seguir.


A morte do advogado ocorreu no Museu.

O advogado era conhecedor da obra de Villa-Lobos.

Reunindo-se as duas frases num só período, obtém-se, sem prejuízo semântico:

Alternativas
Q2903501 Português

Leia o texto a seguir e responda às questões de nº 01 a 10.

A ARTE DE MORRER


Num artigo publicado na semana passada na Folha de São

Paulo, Ruy Castro narrou as extraordinárias circunstâncias da mor-

te do advogado Henrique Gandelman, um especialista em direitos

autorais que, entre outros feitos, dedicou anos à tarefa de trazer os

5 direitos sobre a obra de Villa-Lobos, desencaminhados mundo afo-

ra, para o espólio do artista. “Foi um trabalho de amor, poucos ama-

vam tanto Villa-Lobos”, escreve Ruy Castro. Gandelman, que estu-

dou música na juventude, era, além de defensor dos direitos, um

profundo conhecedor da obra do grande compositor brasileiro. No

10 dia 24 de setembro, ele ia dar uma palestra no Museu Villa-Lobos,

no Rio de Janeiro, e receber uma homenagem. Enquanto, no ca-

marim, esperava a hora de se apresentar, o sistema de som come-

çou a tocar a Floresta Amazônica. Gandelman, de mãos dadas com

a mulher, comentou: “Fico sempre arrepiado de ouvir isso. O Villa é

15 mesmo o maior”. E mais não disse, nem lhe foi perguntado. Soltou

um suspiro e caiu morto. Aneurisma. Tinha 80 anos.

É o caso de dizer, para cunhar uma expressão nova, que “a

vida imita a arte”.

Ruy Castro chamou a morte de Gandelman de “a morte ideal”.

20 O advogado morreu sob o impacto de uma emoção estética, e não

uma emoção estética qualquer, mas da obra predileta, ou uma das

obras prediletas, do artista predileto. Os santos morrem, ou morri-

am, com antevisões do paraíso. Santa Teresa de Ávila morreu di-

zendo: “Chegou enfim a hora, Senhor, de nos vermos face a face”.

25 São Francisco disse: "Seja bem-vinda, irmã morte”. A morte ideal,

na era dos santos, era acompanhada pelo transe mística. Numa

era laica, de valores racionalistas, como a nossa, a arte substitui 0

misticismo no provimento de uma elevação espiritual compatível

com esse momento grave entre todos que é o momento da morte.

30__O som de Villa-Lobos substitui a citara dos anjos que os místicos

começavam a ouvir na iminência da morte. Mas não é só nisso que a

morte ideal do homem de hoje se diferencia da do antigo. Morte ide-

al, hoje, é a morte repentina, sem dor, sem remédios e sem UTI, De

preferência, tão repentina que poupe até da consciência de que se

35 está morrendo. Os santos morriam tão conscientes da morte que até:

podiam saudar sua chegada. Antes deles, Sócrates morreu despe-

dindo-se dos amigos e filosofando sobre a morte. Para os gregos,

era a morte ideal. Em nosso tempo, um valor altamente apreciado é

a morte que nos poupe da angústia, ou do susto, ou do pânico, de

40 saber que se está morrendo. É uma espécie de ludíbrio que aplicamos

na morte. O.k., você chegou. Mas nem nos demos conta disso.

A visita foi humilhada por um anfitrião que nem olhou para a sua cara,

(Roberto Pompeu de Toledo, Revista Veja, 7 de outubro de 2009, com adaptações)

No segmento "...na era dos santos, era acompanhada pelo transe..." (l. 26), as palavras em destaque guardam entre si relação semântica de:

Alternativas
Q2903490 Português

Leia o texto a seguir e responda às questões de nº 01 a 10.

A ARTE DE MORRER


Num artigo publicado na semana passada na Folha de São

Paulo, Ruy Castro narrou as extraordinárias circunstâncias da mor-

te do advogado Henrique Gandelman, um especialista em direitos

autorais que, entre outros feitos, dedicou anos à tarefa de trazer os

5 direitos sobre a obra de Villa-Lobos, desencaminhados mundo afo-

ra, para o espólio do artista. “Foi um trabalho de amor, poucos ama-

vam tanto Villa-Lobos”, escreve Ruy Castro. Gandelman, que estu-

dou música na juventude, era, além de defensor dos direitos, um

profundo conhecedor da obra do grande compositor brasileiro. No

10 dia 24 de setembro, ele ia dar uma palestra no Museu Villa-Lobos,

no Rio de Janeiro, e receber uma homenagem. Enquanto, no ca-

marim, esperava a hora de se apresentar, o sistema de som come-

çou a tocar a Floresta Amazônica. Gandelman, de mãos dadas com

a mulher, comentou: “Fico sempre arrepiado de ouvir isso. O Villa é

15 mesmo o maior”. E mais não disse, nem lhe foi perguntado. Soltou

um suspiro e caiu morto. Aneurisma. Tinha 80 anos.

É o caso de dizer, para cunhar uma expressão nova, que “a

vida imita a arte”.

Ruy Castro chamou a morte de Gandelman de “a morte ideal”.

20 O advogado morreu sob o impacto de uma emoção estética, e não

uma emoção estética qualquer, mas da obra predileta, ou uma das

obras prediletas, do artista predileto. Os santos morrem, ou morri-

am, com antevisões do paraíso. Santa Teresa de Ávila morreu di-

zendo: “Chegou enfim a hora, Senhor, de nos vermos face a face”.

25 São Francisco disse: "Seja bem-vinda, irmã morte”. A morte ideal,

na era dos santos, era acompanhada pelo transe mística. Numa

era laica, de valores racionalistas, como a nossa, a arte substitui 0

misticismo no provimento de uma elevação espiritual compatível

com esse momento grave entre todos que é o momento da morte.

30__O som de Villa-Lobos substitui a citara dos anjos que os místicos

começavam a ouvir na iminência da morte. Mas não é só nisso que a

morte ideal do homem de hoje se diferencia da do antigo. Morte ide-

al, hoje, é a morte repentina, sem dor, sem remédios e sem UTI, De

preferência, tão repentina que poupe até da consciência de que se

35 está morrendo. Os santos morriam tão conscientes da morte que até:

podiam saudar sua chegada. Antes deles, Sócrates morreu despe-

dindo-se dos amigos e filosofando sobre a morte. Para os gregos,

era a morte ideal. Em nosso tempo, um valor altamente apreciado é

a morte que nos poupe da angústia, ou do susto, ou do pânico, de

40 saber que se está morrendo. É uma espécie de ludíbrio que aplicamos

na morte. O.k., você chegou. Mas nem nos demos conta disso.

A visita foi humilhada por um anfitrião que nem olhou para a sua cara,

(Roberto Pompeu de Toledo, Revista Veja, 7 de outubro de 2009, com adaptações)

Em “Foi um trabalho de amor, poucos amavam tanto Villa-Lobos” (l. 6/7), se estabelece entre as duas orações relação semântica de:

Alternativas
Q2902568 Português

O seguinte trecho diz respeito às questões 04 e 05.


“muitas das tecnologias de que dispomos hoje nós sabemos usar, embora não saibamos como elas se produziram nem saibamos explicá-las.”

No trecho, podem ser identificadas, respectivamente, as seguintes relações semânticas:

Alternativas
Q2891955 Português

Associe as palavras dadas abaixo a seus respectivos significados e identifique a alternativa correta.


I. Acondicionar ( ) indiferente à moral

II. Incidente ( ) guardar, acomodar

III. Assento ( ) desastre, acontecimento

IV. Amoral ( ) contrário à moral

V. Acidente ( ) tornar dependente de condição, regular

VI. Acento ( ) sinal gráfico

VII. Condicionar ( ) lugar onde se senta

VIII. Imoral ( ) ocorrido, desentendimento

Alternativas
Q2882623 Português

SINGRANDO OS ARES

01 Esta vida airada de saltimbanco das letras ainda me mata.

02 Quando comecei a perpetrar meus livros, os escritores apenas escreviam. Hoje - é o que penso resignadamente, enquanto

03 afivelo o cinto e observo os letreiros de "não fumar" -, há períodos em que o escritor trabalha como funcionário do

04 departamento de vendas da editora e, nesse esforçado mister, às vezes viaja tanto que volta e meia, ao despertar num aposento

05 estranho, leva um certo tempo para descobrir em que cidade está. E eis-me de volta a um avião.

06 Nada como este avião, para lembrar como sou antigo. Tenho a impressão de que, se contasse o que eram as viagens de avião

07 dos velhos tempos, ia ser tido na conta de mentiroso. Escolha de menus na classe econômica, talheres de metal, pratos de

08 louça, refeições quentinhas, precedidas por aperitivos e acompanhadas por vinhos [...].

09 Ninguém pensava em problemas de segurança, não havia a revista e a inspeção a que hoje os passageiros têm de submeter-se.

10 Lembro com um arrepio o dia em que, por eu me encaixar à perfeição num tal perfil do terrorista que algum órgão de

11 segurança americano criou, quiseram me levar em cana em Chicago e quase levam mesmo, tendo os orixás me salvado pelo

12 gongo. E, desse tempo para cá, as coisas só fizeram piorar. Inevitável avaliar as pessoas que embarcaram comigo.

13 O de bigodinho que acaba de se sentar parece um pouco nervoso. Terá inserido em si um supositório explosivo, como agora

14 dizem que é a nova onda, em matéria de terrorismo? Quem vê cara não vê supositório. Só saberei, ou não, depois de chegarmos

15 ao destino.

16 Encaixei-me no que cinicamente chamam de poltrona e pressagiei o dia em que os comissários de bordo empregarão pés-de-

17 cabra para socar nos assentos os passageiros mais graudinhos. Isso com certeza será trombeteado como mais um serviço para

18 maior conforto do passageiro. Não há por que duvidar dessa possibilidade, pois é o mesmo tipo de argumento que vi faz pouco,

19 num comercial de tevê ou num anúncio de revista. Uma empresa agora não dá mais nada aos passageiros, com a possível

20 exceção de um copo de água de torneira. O resto é vendido, mas ela se gaba disso, enquanto anuncia um cardápio baratinho,

21 para os que tiverem uma queda de curva glicêmica durante o voo e precisarem comer alguma coisa. O que antes era incluído

22 no preço agora é cobrado à parte e isso é qualificado como vantagem para o passageiro.

23 Mas talvez a situação no Brasil não seja tão ruim. Já li sobre diversas novidades em matéria de viagem aérea que espero que

24 não sejam adotadas aqui. Uma delas é a cobrança pelo uso do banheiro do avião. Fico imaginando um passageiro sem um

25 vintém no bolso e sem cartão de crédito. Se o problema for xixi, menos mal, talvez. Pode dar para pedir aos demais que olhem

26 para o outro lado, enquanto a questão é resolvida da melhor forma viável, a necessidade é a mãe da invenção. Em casos mais

27 graves, quero crer que, movidos não tanto pela solidariedade quanto pelo instinto de sobrevivência, os passageiros nas

28 proximidades da vítima da infausta premência farão uma vaquinha para pagar o banheiro dela. Nada que, com boa vontade,

29 não possa ser resolvido e, como sempre, o mercado encontrará soluções.

30 Em outro exemplo, a companhia aérea cobra dobrado, se o traseiro do passageiro ultrapassa determinadas proporções. Isso

31 provavelmente é divulgado como um serviço espontâneo em prol da saúde pública, por incentivar a manutenção de um corpo

32 esbelto, sem enxúndias que façam mal ao organismo e ao bolso. No início, acredito que os gordinhos terão os fundilhos

33 medidos por funcionários especializados ou por nadegômetros eletrônicos, mas logo essa tarefa, por acarretar custos quiçá

34 onerosos, será repassada ao consumidor, que, ao comprar a passagem, terá de informar suas medidas posteriores, aceitando ter

35 de tomá-las novamente no check-in, nos casos em que houver a suspeita de que as declaradas não correspondam à realidade.

36 Não existe razão para crer que as mudanças vão parar aí. Não haverá de ser tão impossível assim que, ao menos em viagens

37 curtas como as entre o Rio e São Paulo, passem a ser aceitos passageiros em pé, como nos ônibus e trens urbanos. A preços

38 baixos, essas viagens talvez tivessem uma freguesia apreciável.

39 Quem sabe se, para quem more em Congonhas e se veja surpreendido em Guarulhos pela Mãe de Todos os Engarrafamentos,

40 não seria uma opção prática para voltar para casa antes da meia-noite. Mas chega de mau humor e caturrice, o avião já

41 aterrissou. Ligeiro sobressalto, depois que um comissário fez um pequeno discurso sobre a limpeza da aeronave para os

42 próximos passageiros. Seremos solicitados a realizar essa tarefa? Não, ainda não chegamos lá. Mas, dentro em breve, acho que

43 podemos esperar que nos cobrem uma porcentagem do valor do bilhete como taxa de faxina - mais um serviço de nossa

44 companhia aérea favorita.

RIBEIRO, João Ubaldo. Singrando os ares. O Globo, Domingo, 25 out. 2009.

Analise os três períodos a seguir, retirados do texto.


I. "...nesse esforçado mister, às vezes viaja tanto que volta e meia, ao despertar num aposento estranho, leva um certo tempo para descobrir em que cidade está" (e. 4-5).

II. "Encaixei-me no que cinicamente chamam de poltrona e pressagiei o dia em que os comissários de bordo empregarão pés-de-cabra para socar nos assentos os passageiros mais graudinhos" (e. 16-17).

III. "Mas chega de mau humor e caturrice, o avião já aterrissou" (e. 40-41).


Sem prejuízo da sintaxe e do sentido, assinale a alternativa em que os sinônimos podem substituir as palavras sublinhadas, na ordem das afirmativas.

Alternativas
Q2876023 Português

TEXTO 1

Festival Canavial 2009 movimenta a rede cultural da Zona da Mata Norte de PE

Jornal iTEIA

A região da Zona da Mata Norte do Estado - especificamente as cidades de Nazaré da Mata, Vicência, Goiana, Condado e Aliança – reunirá entre 20 de novembro e 5 de dezembro toda a riqueza cultural local no Festival Canavial 2009. Uma programação diversificada que abrangerá música como o Lançamento dos CD´s Maracatu Atômico – Kaosnavial de Jorge Mautner e o Maracatu Estrela de Ouro e Pretinhas do Congo de Goiana; danças com os encontros de coco de rodas, maracatus e caboclinhos; oficinas, aulas-espetáculo e seminários de formação de cultura popular, e o projeto itinerante Caminhos do Canavial (uma espécie de ônibus-biblioteca, devidamente padronizado, onde educadores levarão o fomento à leitura para onde não se tem acesso à leitura, a exemplo de engenhos, assentamentos e comunidades rurais).

“O festival tem acima de tudo, um cunho educacional, com uma programação diversificada montada na maioria das vezes dentro do próprio canavial”, diz um dos organizadores do projeto, o produtor cultural Afonso Oliveira. A última edição do festival aconteceu em 2007, mas a atividade começou a fazer parte da cena cultural da Zona da Mata Norte em 2006. O objetivo do Festival Canavial é contribuir com a Política Cultural da região hoje integrada no Movimento Canavial, ação responsável pela existência do grande número de projetos culturais executados pelos diversos Pontos de Cultura e grupos Culturais.

“Grande parte da programação desenvolvida para o Festival Canavial se apresenta através de projetos premiados pelo Ministério da Cultura e pela Fundarpe, discussões, seminários, oficinas artísticas, consolidando uma política para a Zona da Mata Norte”, esclarece Afonso Oliveira. A Mata Norte vem há 15 anos expressando uma das cenas culturais mais ricas de Pernambuco.

“É hoje a região de maior produção cultural fora da Região Metropolitana e o Festival é um panorama desse movimento”, lembra Oliveira. As atrações se concentrarão em sete pontos de cultura escolhidos pelo Ministério da Cultura e pela Fundarpe (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco), pelas escolas públicas, praças públicas, engenhos, distritos e sedes dos grupos culturais.

Os pontos de cultura são iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil que firmam convênio com órgãos de cultura do Estado e Ministério da Cultura para articular e impulsionar ações que já existem nas comunidades envolvendo Arte e Educação, Cidadania com Cultura e Cultura com Economia Solidária.

(Fonte: http://www.iteia.org.br/festival-canavial-2009-movimenta-arede- cultural-da-zona-da-mata-norte-de-pe)

Analise o enunciado “... onde educadores levarão o fomento à leitura para onde não se tem acesso à leitura...” (texto 1) e aponte a construção abaixo que melhor mantenha a correspondência semântica com o termo em destaque:

Alternativas
Q2809239 Português
not valid statement found

A partir da leitura do texto II, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q2785219 Português
not valid statement found

No contexto da frase o sistema poderia entrar em colapso, NÃO é sinônima de colapso a palavra:

Alternativas
Q2732140 Português

DEFESA DOS NARDONI PEDE JÚRI AO VIVO NA TV


1 O advogado Roberto Podval deverá pedir à Justiça que o julgamento de seus clientes, Alexandre Nardoni, 31, e Anna Carolina Jatobá, 26, seja televisionado em rede nacional. Nesta semana, ele já pediu que em sua argumentação possa também usar como prova nabo, cenoura, banana e alho. Os legumes, diz ele, serão usados para questionar o trabalho dos peritos.

2 Caso o juiz não aceite, a defesa ameaça se retirar do tribunal, forçando o adiamento do julgamento. O casal é acusado de assassinar Isabella Nardoni, filha de Alexandre, no dia 29 de março de 2008. Ambos negam. O julgamento está marcado para começar na próxima segunda.

3 Segundo o defensor, a possibilidade de falar na TV deverá atenuar a imagem negativa que o casal tem na sociedade.

4 Em entrevista à Folha ontem, ele também disse que, usando os alimentos durante o júri, espera conseguir provar que não há uma certeza sobre a existência de sangue no apartamento do casal, de onde a garota foi jogada do sexto andar.

5 O reagente Bluestar Forensic, usado pelo Instituto de Criminalística para detectar manchas de sangue, também age com diversos produtos, entre eles os legumes, frutas e temperos citados, conforme o advogado. A defesa entende que o reagente, que será levado ao julgamento, não é preciso para definir se as manchas encontradas no imóvel eram sangue.

6 O promotor que atua no caso, Francisco Cembranelli, diz que a tese é infundada. "Eu não acredito que as polícias científicas de todo o mundo usem um produto que dá positivo com qualquer gênero alimentício", disse à Folha na quarta.

7 "Por que o FBI [polícia federal americana] e a Scotland Yard [polícia britânica] usam? Restaria concluir que a Justiça americana já deve ter condenado muita gente dizendo que matou e espalhou sangue, quando era nabo da cozinheira descuidada." Ontem, ele não foi encontrado para comentar o pedido de televisionamento.

TALITA BEDINELLI & AFONSO BENITES da Folha de S.Paulo.


Assinale a opção em que a relação semântica de sinonímia entre a expressão destacada e a expressão entre parênteses é incorreta:

Alternativas
Q2732092 Português
A relação entre os significados das palavras “Ébrios” (l.28) e “sóbrios” (l.29) é a mesma que se dá entre
Alternativas
Q2732084 Português

O item em destaque nos trechos abaixo que NÃO se refere à palavra ou expressão à direita é

Alternativas
Q2732082 Português

No trecho “... a insana curiosidade do ser humano.” (l.15-16), a palavra em destaque tem o sentido de

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Q3001235 Português

Em "Todavia , era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava ...", a palavra grifada NÃO tem a mesma equivalência semântica que:

Alternativas
Q3001198 Português

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


O homem que espalhou o deserto


1_____Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome, filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia-a-dia constante, de manhã à noite.

2_____ Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas

3_____ A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas.

4_____ Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.

5_____ Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores havia afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.

6_____ Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.

7_____ Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava uma árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo.

8_____ E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores.Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.

9_____ E, enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E, enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho a sua profissão.



Ignácio de Loyola Brandão

Em "...chamando os incautos" . o termo grifado remete à:

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Q2950500 Português

Na frase do pensador romano Cícero (106 - 43 a. C) — O amigo certo se reconhece numa situação incerta. — o emprego dos antônimos expressa

Alternativas
Respostas
541: B
542: A
543: A
544: A
545: D
546: B
547: A
548: A
549: A
550: D
551: E
552: B
553: A
554: D
555: D
556: D
557: B
558: B
559: C
560: E