Questões de Concurso Sobre orações subordinadas substantivas: subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas... em português

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Q4343166 Português
O dicionário

Era uma vez um tanoeiro, demagogo, chamado Bernardino, o qual em cosmografia professava a opinião de que este mundo é um imenso tonel de marmelada, e em política pedia o trono para a multidão. Com o fim de a pôr ali, pegou de um pau, concitou os ânimos e deitou abaixo o rei; mas, entrando no paço, vencedor e aclamado, viu que o trono só dava para uma pessoa, e cortou a dificuldade sentando-se em cima.
– Em mim – bradou ele –, podeis ver a multidão coroada. Eu sou vós, vós sois eu.
O primeiro ato do novo rei foi abolir a tanoaria, indenizando os tanoeiros, prestes a derrubá-lo, com o título de Magníficos. O segundo foi declarar que, para maior lustre da pessoa e do cargo, passava a chamar-se, em vez de Bernardino, Bernardão. Particularmente encomendou uma genealogia a um grande doutor dessas matérias, que em pouco mais de uma hora o entroncou a um tal ou qual general romano do século IV, Bernardus Tanoarius; – nome que deu lugar à controvérsia, que ainda dura, querendo uns que o rei Bernardão tivesse sido tanoeiro, e outros, que isto não passe de uma confusão deplorável com o nome do fundador da família. Já vimos que esta segunda opinião é a única verdadeira.
Como era calvo desde verdes anos, decretou Bernardão que todos os seus súbditos fossem igualmente calvos, ou por natureza ou por navalha, e fundou esse ato em uma razão de ordem política, a saber, que a unidade moral do Estado pedia a conformidade exterior das cabeças. Outro ato em que revelou igual sabedoria foi o que ordenou que todos os sapatos do pé esquerdo tivessem um pequeno talho no lugar correspondente ao dedo mínimo, dando assim aos seus súditos o ensejo de se parecerem com ele, que padecia de um calo. O uso dos óculos em todo o reino não se explica de outro modo, senão por uma oftalmia que afligiu a Bernardão, logo no segundo ano do reinado. A doença levou-lhe um olho, e foi aqui que se revelou a vocação poética de Bernardão, porque, tendo-lhe dito um dos seus dois ministros, chamado Alfa, que a perda de um olho o fazia igual a Aníbal – comparação que o lisonjeou muito –, o segundo ministro, Ômega, deu um passo adiante, e achou-o superior a Homero, que perdera ambos os olhos. Esta cortesia foi uma revelação; e como isto prende com o casamento, vamos ao casamento.
Tratava-se, em verdade, de assegurar a dinastia dos Tanoarius. Não faltavam noivas ao novo rei, mas nenhuma lhe agradou tanto como a moça Estrelada, bela, rica e ilustre. Esta senhora, que cultivava a música e a poesia, era requestada por alguns cavalheiros, e mostrava-se fiel à dinastia decaída. Bernardão ofereceu-lhe as coisas mais suntuosas e raras, e, por outro lado, a família bradava-lhe que uma coroa na cabeça valia mais que uma saudade no coração; que não fizesse a desgraça dos seus, quando o ilustre Bernardão lhes acenava com o principado; que os tronos não andavam a rodo, e mais isto, e mais aquilo. Estrelada, porém, resistia à sedução.
Não resistiu muito tempo, mas também não cedeu tudo. Como entre os seus candidatos preferia secretamente um poeta, declarou que estava pronta a casar, mas seria com quem lhe fizesse o melhor madrigal, em concurso. Bernardão aceitou a cláusula, louco de amor e confiado em si: tinha mais um olho que Homero, e fizera a unidade dos pés e das cabeças.
Concorreram ao certame, que foi anônimo e secreto, vinte pessoas. Um dos madrigais foi julgado superior aos outros todos; era justamente o do poeta amado. Bernardão anulou por um decreto o concurso, e mandou abrir outro; mas então, por uma inspiração de insigne maquiavelismo, ordenou que não se empregassem palavras que tivessem menos de trezentos anos de idade. Nenhum dos concorrentes estudara os clássicos: era o meio provável de os vencer.
Não venceu ainda assim porque o poeta amado leu à pressa o que pôde, e o seu madrigal foi outra vez o melhor. Bernardão anulou esse segundo concurso; e, vendo que no madrigal vencedor as locuções antigas davam singular graça aos versos, decretou que só se empregassem as modernas e particularmente as da moda. Terceiro concurso, e terceira vitória do poeta amado.
Bernardão, furioso, abriu-se com os dois ministros, pedindo-lhes um remédio pronto e enérgico, porque, se não ganhasse a mão de Estrelada, mandaria cortar trezentas mil cabeças. Os dois, tendo consultado algum tempo, voltaram com este alvitre:
– Nós, Alfa e Ômega, estamos designados pelos nossos nomes para as cousas que respeitam à linguagem. A nossa ideia é que Vossa Sublimidade mande recolher todos os dicionários e nos encarregue de compor um vocabulário novo, que lhe dará a vitória.
Bernardão assim fez, e os dois meteram-se em casa durante três meses, findos os quais depositaram nas augustas mãos a obra acabada, um livro a que chamaram Dicionário de Babel, porque era realmente a confusão das letras. Nenhuma locução se parecia com a do idioma falado; as consoantes trepavam nas consoantes, as vogais diluíam-se nas vogais, palavras de duas sílabas tinham agora sete e oito, e vice-versa, tudo trocado, misturado, nenhuma energia, nenhuma graça, uma língua de cacos e trapos.
– Obrigue Vossa Sublimidade esta língua por um decreto, e está tudo feito.
Bernardão concedeu um abraço e uma pensão a ambos, decretou o vocabulário, e declarou que ia fazer-se o concurso definitivo para obter a mão da bela Estrelada. A confusão passou do dicionário aos espíritos; toda a gente andava atônita. Os farsolas cumprimentavam-se na rua pelas novas locuções: diziam, por exemplo, em vez de: Bom dia, como passou? – Pflerrgpxx, rouph, aa? A própria dama, temendo que o poeta amado perdesse afinal a campanha, propôs-lhe que fugissem; ele, porém, respondeu que ia ver primeiro se podia fazer alguma coisa. Deram noventa dias para o novo concurso e recolheram-se vinte madrigais. O melhor deles, apesar da língua bárbara, foi o do poeta amado. Bernardão, alucinado, mandou cortar as mãos aos dois ministros e foi a única vingança. Estrelada era tão admiravelmente bela, que ele não se atreveu a magoá-la, e cedeu.
Desgostoso, encerrou-se oito dias na biblioteca, lendo, passeando ou meditando. Parece que a última coisa que leu foi uma sátira do poeta Garção, e especialmente estes versos, que pareciam feitos de encomenda:
O raro Apeles,
Rubens e Rafael, inimitáveis
Não se fizeram pela cor das tintas;
A mistura elegante os fez eternos.

(ASSIS, Machado de. Páginas Recolhidas. Rio de Janeiro: Garnier, 1899. Adaptado.)
No período “Como era calvo desde verdes anos, decretou Bernardão que todos os seus súbditos fossem igualmente calvos, ou por natureza ou por navalha, [...]” (4º§), a disposição das orações e dos conectivos estabelece uma específica arquitetura lógica e gramatical. Sob a perspectiva da sintaxe do período composto, assinale a afirmativa que analisa corretamente as relações de subordinação e a função dos termos nessa estrutura.
Alternativas
Q4342856 Português

Considerando a estrutura sintática dos períodos apresentados na Coluna 01 abaixo, associe corretamente as orações aos respectivos tipos de orações subordinadas substantivas indicados na Coluna 02, de acordo com a função exercida por cada oração.



Coluna 01


(__)A comissão tinha certeza de que os resultados seriam divulgados após a conclusão da análise.


(__)É indispensável que os candidatos apresentem a documentação exigida dentro do prazo.


(__)O regulamento estabelece que os recursos devem ser apresentados mediante fundamentação específica.


(__)Os pesquisadores insistiram em que os dados fossem reavaliados antes da publicação definitiva.


(__)A principal preocupação da equipe era que o procedimento comprometesse a integridade dos registros.



Coluna 02


I. Oração subordinada substantiva objetiva indireta.


II. Oração subordinada substantiva completiva nominal.


III. Oração subordinada substantiva subjetiva.


IV. Oração subordinada substantiva objetiva direta.


V. Oração subordinada substantiva predicativa.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta da correlação entre a Coluna 01 e a Coluna 02:

Alternativas
Q4341942 Português
Leia o texto e responda a questão:

 Mulheres leem mais, mas homens ainda dominam as listas de mais vendidos

Apesar de representarem 61% dos leitores, mulheres ainda são minoria nas listas de mais vendidos As mulheres representam a maioria dos consumidores de livros no Brasil, correspondendo a 61% do total, enquanto os homens respondem por apenas 39%. Apesar disso, quando se observam as listas de livros mais vendidos, são os escritores homens que dominam — uma contradição que revela desigualdades enraizadas no mercado editorial e na própria formação cultural desde a infância.
Uma das explicações para essa disparidade está nos estímulos recebidos ainda na infância. Enquanto as meninas são incentivadas a desenvolver hábitos ligados ao conhecimento, à leitura e à calma, os meninos são direcionados para atividades físicas e de ação, que acabam sendo incompatíveis com a prática da leitura. Esse condicionamento precoce contribui para que, na vida adulta, muitos homens demonstrem resistência em ingressar no universo da literatura, especialmente no campo dos romances e da ficção.
Masculinidade e resistência à ficção
A resistência masculina à leitura de ficção está também associada a questões de masculinidade. Para Pedro Pacífico, o Bookster, em geral, os homens foram pouco estimulados a lidar com seus sentimentos e com histórias que envolvem amor, intrigas e emoções. Isso gerou uma visão equivocada de que a leitura de romances e ficção seria uma atividade associada ao universo feminino. "A literatura ensina sobre o outro, sobre nós mesmos, sobre a capacidade de respeitar o diferente", e isso, como se destaca, não tem relação com gênero.
O papel do marketing editorial
O mercado editorial também contribui para perpetuar esse cenário. Como as mulheres são o público consumidor predominante, as estratégias de marketing são majoritariamente voltadas para elas, deixando de lado iniciativas que poderiam atrair o público masculino. Esse ciclo reforça ainda mais a distância dos homens em relação à literatura de ficção.
O que os homens leitores consomem
Quando leem, os homens tendem a optar por livros mais utilitários, com temáticas como empreendedorismo, liderança e biografias de grandes empresários. A literatura e a ficção ficam frequentemente de lado, o que evidencia que a chamada "masculinidade frágil" impacta até mesmo as escolhas no universo da leitura.
A expectativa é de que esse cenário se transforme, com mais autoras mulheres nas listas de mais vendidos e com homens superando o preconceito em relação aos romances e à ficção — um aprendizado que, segundo a análise, dificilmente se encontra em obras de caráter puramente utilitarista.

(https://www.cnnbrasil.com.br/pop/mulheres-leem-mais-mashomens-ainda-dominam-as-listas-de-maisvendidos/#goog_rewarded)
Analise e assinale a alternativa que apresenta a classificação correta da oração abaixo:
“Ele tinha certeza de que alguém tinha pegado o livro.”
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Q4335510 Português
A digital da solidão


    A polpa digital mudou de função. Além da digital tradicional que nos identifica, deixa rastros eletrônicos que revelam confidências e inconfidências. Dizem que o homem moderno não está mais sozinho. Carrega no bolso um aparelho que o conecta ao mundo inteiro, às multidões, aos amigos de infância que mal se lembram dele e aos desconhecidos que compartilham fotografias de cães e gatos fazendo coisas extraordinárias. É a era da comunicação total, dizem os ufanistas. Nunca estivemos tão próximos uns dos outros. Pois eu digo: nunca estivemos tão magnificamente sós. Talvez porque, como já suspeitava Schopenhauer, a convivência não elimina a solidão – apenas a distrai por alguns instantes.

    O celular é o grande paradoxo do nosso tempo. Prometeu-nos companhia e nos entregou solidão. Uma solidão que fica na polpa digital, colorida, que vibra e faz barulhinhos. Antes, quando um sujeito estava só, ele sabia que estava só. Doía, mas passava. Sentava-se numa cadeira, olhava pela janela e contemplava o vazio existencial com a dignidade de quem sabe que está vivo e, portanto, irremediavelmente sozinho.

    Hoje não. Hoje a solidão vem camuflada. O sujeito está ali, sozinho no quarto, na cama, no sofá, no ônibus, mas não se sente só porque está rolando o dedo na telinha, vendo vidas alheias, curtindo, comentando, reagindo com emojis que expressam sentimentos que ele nem sabe se realmente sente. É uma solidão acompanhada, se é que isso faz algum sentido. E não faz. No fundo, é apenas mais uma tentativa de fugir do tédio – aquele vazio que surge quando a vontade não está ocupada com desejos imediatos.

    O curioso é que ninguém admite. Pergunte a qualquer pessoa se ela se sente solitária e ela dirá que não, que tem centenas de amigos (no Facebook), milhares de seguidores (no Instagram), conexões profissionais (no LinkedIn), e está sempre em contato com todo mundo. Sempre. A toda hora. É o que ela diz.

     A Organização Mundial da Saúde declarou que temos um problema de saúde pública mundial nas mãos. Desde 2014, quando as redes sociais se expandiram e se tornaram onipresentes como o ar que respiramos (só que bem menos saudáveis), os índices de depressão e suicídio dispararam, especialmente entre os jovens.

    O celular nos roubou algo precioso: o direito ao ócio, à contemplação, ao devaneio. Não somos ingênuos. Sabemos que o celular está nos tornando mais solitários, mais ansiosos, mais distraídos. Sabemos que as redes sociais foram desenhadas para viciar, que cada curtida libera uma “dosezinha” de dopamina. Sabemos tudo isso e continuamos, dedo no scroll, olho na tela, alma no limbo.

    O que fazer, então? Jogar o celular pela janela e voltar para a idade do telefone de discar? Claro que não. O celular é uma ferramenta maravilhosa, revolucionária, indispensável. O problema não é o aparelho, é o que fizemos dele.

    Talvez a solução seja simples, embora difícil: aprender a estar só de verdade. Desligar o celular de vez em quando. Sentar numa cadeira e olhar pela janela. Deixar o tédio vir, a inquietação, o silêncio. Descobrir que a solidão não é tão terrível assim – e que é justamente na solidão que o indivíduo pode se libertar da influência constante dos outros e se aproximar de si mesmo. Porque no fim das contas, a solidão é inevitável. É a condição humana. Aceitá-la como companheira é condição básica para nossa sanidade mental.

(Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlos-starling/. Acesso em: maio de 2026. Fragmento.)

No 6º§ do texto, o autor constrói o seguinte período: “Sabemos que as redes sociais foram desenhadas para viciar, que cada curtida libera uma “dosezinha” de dopamina.” Do ponto de vista sintático, considerando a relação de dependência estabelecida no período composto, as orações sublinhadas são classificadas, respectivamente, como:
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Q4328339 Português
TEXTO I

O retorno do limite


A queda de Maduro restabelece uma verdade elementar da política internacional que o mundo tentou esquecer: ordem não nasce do consenso; nasce da capacidade de impor limites quando o consenso fracassa

Ana Paula Henkel
09 jan 2026


    Em dezembro de 1989, sob a presidência de G. W. Bush, tropas americanas cruzaram o Panamá para capturar Manuel Noriega, um ditador transformado em narcotraficante de Estado. Em maio de 2011, já sob Barack Obama, forças especiais dos Estados Unidos entraram em território paquistanês para eliminar Osama bin Laden, o homem mais procurado do mundo. 

    Agora, em janeiro de 2026, a captura de Nicolás Maduro recoloca esse mesmo fio histórico em movimento. Não se trata apenas da queda de um ditador latino-americano, mas do retorno explícito de uma lógica de poder que havia sido suspensa, terceirizada ou disfarçada por décadas: a soberania real exige capacidade de agir – e disposição para fazê-lo. Três presidentes, três operações cirúrgicas, três decisões tomadas sem consulta prévia ao Congresso – e apenas uma delas passou a ser tratada como escândalo institucional. A operação que levou Maduro sob custódia americana não inaugura uma era. Ela encerra um intervalo. 

    A imprensa que hoje se apressa em questionar a legalidade da ação esquece – ou prefere esquecer – um detalhe essencial: o precedente existe. Ele não é obscuro nem controverso. Ele é histórico. Alguns analistas de ocasião decidiram redescobrir a Constituição americana justamente agora, questionando a ausência de consulta prévia ao Congresso como se isso fosse um ato inédito. Não é.

    Noriega e Bin Laden foram capturados ou eliminados sem autorização legislativa prévia. Em nenhum dos dois casos, os Estados Unidos enfrentaram uma crise institucional, nem a Casa Branca foi acusada de “golpismo institucional”. Ao contrário: as ações foram entendidas como exercício legítimo do poder executivo em defesa da segurança nacional. 

    Obama autorizou a operação contra Bin Laden sem consulta prévia e foi amplamente elogiado por isso. A legalidade não foi questionada, a legitimidade menos ainda. O que mudou não foi o procedimento. Foi o presidente. [...] O debate atual não é jurídico. É político. E, mais profundamente, estético. Trump não se encaixa no imaginário moral da imprensa progressista. Logo, seus atos, ainda que idênticos aos de seus antecessores, passam a ser tratados como ameaça institucional. Essa inversão revela mais sobre quem acusa do que sobre quem decide. 

    Nicolás Maduro não era apenas um ditador autoritário à frente de um estado falido. Ele comandava um regime integrado ao narcotráfico internacional, sustentado por redes transnacionais de crime, com proteção ativa de potências adversárias dos Estados Unidos. A Venezuela havia se tornado um nó estratégico em uma teia que ligava o Caribe ao Oriente Médio, passando por Havana, Teerã, Moscou e Pequim. Ignorar isso é fingir que o mundo de 2026 ainda é o de 1996. [...]

A Doutrina Monroe (1823)

    Proclamada em 1823 pelo presidente James Monroe, a Doutrina Monroe estabeleceu um princípio simples e duradouro: o Hemisfério Ocidental não estaria mais aberto à colonização ou interferência de potências europeias. Em troca, os Estados Unidos se comprometeriam a não intervir nos assuntos internos do Velho Mundo. Não era um gesto imperial, mas defensivo. A jovem república americana afirmava que sua segurança dependia da estabilidade estratégica de seu entorno imediato – uma noção elementar de soberania em um sistema internacional ainda regido pela força. 

    Ao longo dos séculos, a doutrina foi reinterpretada, expandida e, por vezes, instrumentalizada, mas seu núcleo permaneceu intacto: nenhuma grande potência tolera a consolidação de adversários estratégicos em sua vizinhança direta. O que muda não é o princípio, mas o método. Em 2026, a captura de Nicolás Maduro não revive a Doutrina Monroe em sua forma original; ela reafirma sua lógica essencial em um mundo multipolar, no qual a disputa não se dá mais por colônias formais, mas por infraestrutura crítica, influência política e controle indireto de Estados falidos. [...]

     A captura de Maduro não representa assim uma reedição caricata da Doutrina Monroe do século 19. Representa algo mais direto: o reconhecimento de que nenhuma potência pode permitir que seu entorno estratégico imediato se transforme em base avançada de adversários globais. Não se trata de imperialismo. Trata-se de geopolítica elementar.

    China, Rússia e Irã avançaram na América Latina porque puderam. Avançaram porque encontraram vácuos. Avançaram porque, durante anos, os Estados Unidos hesitaram, recuaram ou se limitaram a sanções simbólicas. A Venezuela foi o laboratório mais avançado desse processo. A operação que capturou Maduro é, nesse sentido, um freio de arrumação – tardio, mas inequívoco. [...]

A América Latina: antes e depois

    Antes da captura de Maduro, a América Latina vivia uma fragmentação silenciosa. Governos ideologicamente alinhados a regimes autoritários conviviam com democracias frágeis, enquanto a influência chinesa crescia de forma constante, pouco contestada.

    Depois da operação, o cenário mudou. Não porque todos passaram a apoiar Washigton – não passaram –,mas porque a ilusão de que os Estados Unidos haviam abdicado do hemisfério caiu por terra. A região voltou a ser estratégica. E isso, por si só, já altera comportamentos, discursos e alianças. [...]

    Na Europa, a reação foi previsível: preocupação formal, condenações retóricas, apelos à legalidade internacional. O continente, cada vez mais dependente da proteção americana, vive o paradoxo de criticar aquilo que o sustenta. Na Ásia, o recado foi entendido com mais clareza. Precedentes importam. A ideia de que líderes ou estruturas fora do território americano estão automaticamente protegidos por formalismos jurídicos foi relativizada. 

    O mundo entrou, definitivamente, em uma fase pós-ilusória. A crença de que normas sobreviveriam sem um poder que as apoiasse mostrou-se insustentável. Por tempo demais, o Ocidente confundiu prudência com paralisia, diálogo com abdicação e legalismo com fraqueza. Ao fazê-lo, abriu espaço para regimes que não compartilham seus valores, mas que se beneficiam de suas hesitações. A captura de Maduro marca o momento em que essa ambiguidade estratégica começa a se fechar. Não por nostalgia de um passado imperial, mas por reconhecimento de que a liberdade não se sustenta sozinha – ela exige guardiões dispostos a agir.

    O mundo que emerge após janeiro de 2026 é menos confortável para ditadores, menos previsível para burocracias internacionais e mais exigente para aliados hesitantes. É um mundo em que a aposta na erosão lenta das democracias passa a ter custo real; em que a simetria moral entre regimes livres e regimes autoritários se torna insustentável; e em que o Hemisfério Ocidental volta a ser entendido não como zona neutra, mas como espaço civilizacional.

    A História não voltou por nostalgia. Voltou porque foi chamada, voltou por omissão, por excesso de tolerância, por esquecimento das lições mais básicas do poder. E, desta vez, ela bateu à porta com força suficiente para ser ouvida de leste a oeste.


Fonte: HENKEL, Ana Paula. O retorno do limite. https://revistaoeste.com/revista/edicao-304/oretorno-do-limite/ 
A partir das regras da gramática normativa da Língua Portuguesa, analise as proposições abaixo e assinale a alternativa correta.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: SELECON Órgão: Prefeitura de Araçás - BA Provas: SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Assistente Administrativo - Secretaria de Saúde | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Intérprete de Libras | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Agente de Almoxarifado | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Secretário Escolar I | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Técnico Municipal de Controle Interno | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Agente de Patrimônio | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Assistente Administrativo - Setor de Esportes, cultura e Lazer | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Auxiliar de Classe | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Fiscal Ambiental | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Fiscal de Obras | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Fiscal Sanitário | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Técnico em Saúde Bucal | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Técnico de Nutrição | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Técnico de Enfermagem | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Assistente Administrativo - Assistência Social | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Assistente Administrativo - Contabilidade e Finanças | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Assistente Administrativo - Obras e Serviços de Engenharia | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Técnico Agrícola/Agropecuária | SELECON - 2026 - Prefeitura de Araçás - BA - Topógrafo |
Q4324798 Português

Leia o texto a seguir.


Brasileiros sacaram em abril R$ 482,8 milhões esquecidos em bancos


    Os brasileiros sacaram, em abril deste ano, R$ 482,8 milhões em valores esquecidos no sistema financeiro, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Banco Central (BC). No total, o Sistema de Valores a Receber (SVR) já devolveu R$ 15 bilhões a clientes bancários.


    Até abril, ainda havia R$ 10,3 bilhões disponíveis para saque, mas, no mês passado, o governo federal transferiu parte dos recursos do SVR para o programa Desenrola Brasil 2.0. Segundo o Ministério da Fazenda, R$ 5,7 bilhões já foram destinados ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), fundo público que servirá como garantia para renegociação de dívidas no programa de combate à inadimplência.


    Os valores transferidos ao FGO ainda podem ser reivindicados pelos titulares. Um edital de chamamento público deverá ser publicado para regulamentar o procedimento de contestação e devolução dos recursos.


    Após a publicação, os cidadãos terão prazo de 30 dias para pedir os valores transferidos ao fundo público. Caso não haja contestação, o dinheiro será incorporado definitivamente ao FGO.


    O SRV é um serviço do BC por meio do qual o cidadão pode consultar se ele próprio, sua empresa ou pessoa falecida tem dinheiro esquecido em algum banco, consórcio ou outra instituição, como financeiras e corretoras.


    Para a consulta, não é preciso fazer login, basta informar o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e data de nascimento ou o Cadastro de Pessoa Jurídica (CNPJ) e a data de abertura da empresa, inclusive para empresas já fechadas.


    Caso haja algum valor, é preciso acessar o sistema e verificar quanto há para receber, a origem desse valor, a instituição que deve fazer a devolução; além de informações de contato e outras adicionais. Para isso, é necessário fazer login com a conta Gov.br, nos níveis prata ou ouro e verificação em duas etapas.


Fonte: https://www.jb.com.br/economia/2026/06/1059916-brasileiros-

sacaram-em-abril-rs-4828-milhoes-esquecidos-em-bancos.html. Excerto

adaptado. Acesso em 11/06/2026

“Para isso, é necessário fazer login com a conta Gov.br, nos níveis prata ou ouro e verificação em duas etapas” (7º parágrafo). A oração em destaque classifica-se como:
Alternativas
Q4324550 Português
TEXTO I


Governo avalia aporte de R$ 6 bilhões nos Correios para conter rombo


Possível injeção de recursos públicos é discutida enquanto empresa tenta recuperar equilíbrio financeiro


Fábio Bouéri


   O governo federal analisa a possibilidade de destinar até R$ 6 bilhões para reforçar o caixa dos Correios. A medida é discutida como alternativa para reduzir o impacto do prejuízo acumulado e dar sustentação ao plano de recuperação financeira da estatal.

   A proposta ainda está em fase de avaliação. Integrantes da equipe econômica defendem cautela antes de qualquer decisão definitiva. A prioridade, neste momento, é acompanhar os resultados das medidas internas já adotadas para reorganizar as contas.

   Correios seguem sob pressão

  A empresa enfrenta um cenário considerado delicado, com sucessivos resultados negativos e aumento das despesas operacionais. O rombo financeiro acumulado elevou o nível de preocupação dentro do governo e ampliou a discussão sobre possíveis formas de socorro.

  Mesmo assim, a liberação imediata de recursos não é tratada como certa. A ideia é observar se o plano de ajuste, iniciado recentemente, será suficiente para melhorar o desempenho sem necessidade de novo aporte direto do Tesouro.

  No fim do ano passado, a estatal buscou reforçar o caixa por meio da contratação de empréstimos com garantia pública. O objetivo foi ganhar fôlego financeiro e viabilizar a execução de um pacote de reestruturação administrativa e operacional.

   Entre as medidas previstas estão cortes de custos, revisão de contratos e mudanças na estrutura de funcionamento. A empresa também passou a estudar novas frentes de atuação para ampliar receitas e reduzir a dependência das atividades tradicionais.

  Outro eixo do plano envolve a venda de imóveis considerados ociosos. A estratégia inclui a negociação de prédios administrativos, galpões e terrenos em diferentes regiões do país. A expectativa é levantar recursos para fortalecer o caixa e modernizar a operação logística.

   Os valores desses ativos variam de acordo com a localização e tamanho. Alguns imóveis possuem alto valor comercial e podem gerar entrada relevante de capital. A direção da estatal aposta no fato de que essas medidas, combinadas, podem reduzir a necessidade de um aporte direto e acelerar o processo de recuperação financeira.


Fonte: BOUÉRI, Fábio. Governo avalia aporte de R$ 6 bilhões nos Correios para conter rombo. https://revistaoeste.com/revista/economia/governo-avalia-aporte-de-r-6-bilhoes-noscorreios-para-conter-rombo/
Leia as afirmações abaixo sobre elementos constitutivos do texto I antes de julgar o que se pede.

I. Em “A ideia é observar se o plano de ajuste, iniciado recentemente, será suficiente para melhorar o desempenho” (4º par.) – a conjunção integrante destacada inicia uma oração subordinada substantiva subjetiva.
II. Em “um pacote de reestruturação administrativa e operacional” (5º par.), nota-se a presença de um Substantivo formado por derivação prefixal e sufixal e que é modificado por dois vocábulos de natureza adjetiva.
III. Em “A empresa também passou a estudar novas frentes de atuação para ampliar receitas e reduzir a dependência das atividades tradicionais.” (6º par.), nota-se em destaque a presença de dois vocábulos homônimos perfeitos de mesma classe gramatical.
IV. Em “Os valores desses ativos variam de acordo com a localização e tamanho.” (8º par.), o elemento coesivo destacado poderia ser corretamente substituído por “consoante” sem necessidade de ajustes no contexto.

Pode-se dizer que está correto o que se afirmou apenas em
Alternativas
Q4310546 Português

Leia o texto a seguir.


Todo mundo quer, quase ninguém sabe usar


Diego Teixeira


    O maior obstáculo da inteligência artificial na pequena empresa brasileira não é dinheiro nem tecnologia. É entendimento.


    Todo empresário brasileiro já ouviu falar em inteligência artifi cial. O curioso é que o maior obstáculo para usá-la não é dinheiro, tecnologia nem acesso. É saber o que fazer com ela. Uma pesquisa da Serasa Experian, divulgada neste mês de julho, ouviu mais de 1.500 pequenas e médias empresas em todo o país e encontrou um retrato revelador: quase seis em cada dez empresários que usam ou pretendem usar inteligência artificial apontam o ganho de produtividade como principal benefício. Ao mesmo tempo, mais de 40% admitem que a maior barreira é uma só. Não sabem o que existe, nem por onde começar.


    Repare no que esse dado diz. A barreira não é preço, não é infraestrutura, não é resistência à tecnologia, é desconhecimento! O desejo já venceu, o que falta é repertório e o problema é maior do que parece: segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria, menos da metade dos brasileiros tem domínio médio ou alto de tarefas digitais complexas, categoria que inclui justamente o uso de inteligência artificial. Toda revolução tecnológica cria uma nova forma de analfabetismo. A desta década, pode ser o não saber conversar com uma inteligência artificial.


    Esse desconhecimento tem rosto conhecido. O dono de uma pequena empresa ouve falar de IA e imagina robôs, servidores, consultorias caras, algo reservado às grandes corporações. Não percebe que a mesma tecnologia já está no aplicativo de mensagens que ele usa todos os dias. Redigir uma proposta comercial, responder clientes fora do horário, resumir contratos, organizar o fluxo de caixa, preparar uma apresentação: tarefas que a IA executa em segundos, por uma assinatura mensal que custa menos que um almoço executivo. A tecnologia deixou de ser privilégio, mas agora o diferencial agora é saber usá-la! [...]


Fonte: <https://www.jb.com.br/brasil/opiniao-artigos/2026/07/1060329-todo-mundo-quer-quase-ninguem sabe-usar.html>  . Acesso em 23/07/2026


“O curioso é que o maior obstáculo para usá-la não é dinheiro, tecnologia nem acesso” (2º parágrafo). Em termos sintáticos, a oração em destaque classifi ca-se como:
Alternativas
Q4310163 Português
Texto para o item.


Taxar ultraprocessados pode reduzir doenças crônicas e mortes


    Mantido no ritmo atual, o ganho de peso da população adulta brasileira deve levar ao surgimento de 10 milhões de novos casos de doenças crônicas evitáveis – como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares – entre 2024 e 2044. Nessas duas décadas, estima‑se que a proporção de adultos com sobrepeso no país passe de 57% para 75%, resultando em cerca de 1 milhão de mortes.
    Diante desse cenário, o epidemiologista Leandro Rezende e sua equipe na Universidade Federal de São Paulo simularam o impacto que a imposição de taxas sobre os alimentos ultraprocessados poderia gerar na saúde da população. Os ultraprocessados são uma categoria de alimentos industrializados aos quais são adicionados altos teores de açúcar, gordura e sal com a finalidade de aumentar sua durabilidade ou palatabilidade.
    Os resultados, publicados no American Journal of Preventive Medicine, mostram que cobrar mais por esses alimentos gera um efeito protetivo proporcional ao tributo. Impor uma taxa de 10% pode restringir a 67% o total de adultos com sobrepeso em 2044, evitando 526 mil casos de doenças e 71 mil mortes. Se a taxação chegasse a 50%, a frequência de sobrepeso baixaria para 50%, prevenindo 1,8 milhão de adoecimentos.
    Segundo Rezende, o estudo avança ao estimar o impacto sobre o conjunto dos alimentos ultraprocessados, e não sobre itens isolados, como as bebidas açucaradas. Como o efeito da alimentação depende do padrão geral, ações voltadas a toda a categoria tendem a apresentar maior eficácia na redução do excesso de peso.
    Especialistas ressaltam, contudo, que a tributação não resolve o problema isoladamente. A resposta ao aumento de preços depende do ambiente alimentar e de condições sociais. Para maximizar os resultados, a taxação deve vir acompanhada de políticas públicas complementares, como subsídios a alimentos in natura, regulação da publicidade e ações de educação alimentar que tornem as escolhas saudáveis mais acessíveis a toda a população. 

Internet: <revistapesquisa.fapesp.br> (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.



No período “estima‑se que a proporção de adultos com sobrepeso no país passe de 57% para 75%,”, o segmento “que a proporção de adultos com sobrepeso passe de 57% para 75%” exerce a função sintática de sujeito da forma verbal “estima".

Alternativas
Q4305051 Português
Brasil reduz pobreza, mas amplia desigualdades, mostra estudo


     O Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026 aponta que o Brasil avançou, no ano de 2025, em 34 (71%) dos 48 indicadores estudados para análise do processo de enfrentamento das desigualdades. Os avanços apontados pelo estudo são relativos, principalmente, à melhoria de renda média, ao aumento do mercado de trabalho, à redução da pobreza, além de maior segurança alimentar e acesso aos serviços básicos.

     Índices de saúde - como redução da desnutrição infantil e de idosos; educação - como queda do analfabetismo; e segurança - como redução da taxa de homicídios registrados de jovens de 15 a 29 anos, também melhoraram. Do total de indicadores analisados, oito pioraram e seis se mantiveram estáveis. Entre as pioras estão: ampliação do número de mulheres que recebem remuneração inferior à dos homens; agravamento da concentração da renda; tributação menor conforme a renda é maior; condições mais desfavoráveis à população negra; aumento da concentração dos piores indicadores sociais no Norte e Nordeste.

     Para os responsáveis pelo relatório, os indicadores que apresentaram piora revelam que os principais mecanismos de reprodução das desigualdades permanecem ativos.

       "O crescimento econômico beneficiou diferentes grupos sociais, mas não foi suficiente para reduzir as disparidades históricas de renda, gênero, raça e território", destaca o relatório.

       O relatório publicado neste ano é a quarta edição. O primeiro foi publicado em 2023. A última publicação traz análises atuais sobre indicadores de 2025, com exceção de algumas bases de dados não atualizadas anualmente. Um exemplo são os indicadores derivados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que analisam gastos com transporte e carga tributária a cada dois anos. Outro caso é o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), divulgado em 2024, após seis anos da pesquisa anterior.

     Na avaliação da diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, Adriana Marcolino, a indisponibilidade desses indicadores atualizados em 2025 não interfere no comparativo com as edições anteriores do relatório.

      "Nesses casos, a gente olha o dado em comparação com o mesmo dado do ano anterior, então isso não cria um viés de tempo. Os indicadores que a gente acompanha já indicam tendências pelo fato de já termos quatro anos de relatórios".

        No prefácio da publicação, Betina Ferraz Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Brasil e economista-chefe do Pnud Brasil, avalia que a análise dos indicadores contribui para um aprofundamento de índices divulgados por diversas organizações e vão além do conceito de desenvolvimento humano com base exclusivamente em indicadores econômicos de saúde e educação.

       "Os números médios escondem uma realidade mais complexa: os avanços foram reais e, ao mesmo temро, profundamente desiguais", destaca.


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-
08/familias-brasileiras-perderam-r-625-bilhoes-para-bets-em-2025
(adaptado)

No terceiro parágrafo do texto, lê-se: Para os responsáveis pelo relatório, os indicadores que apresentaram piora revelam que os principais mecanismos de reprodução das desigualdades permanecem ativos. Sobre a função sintática e morfológica dos dois termos que no fragmento acima, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4302805 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão


TEXTO I


Banhos de mar


    Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda.


    Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes do sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente inaudito em sair de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que nos levaria para Olinda, ainda na escuridão?


    De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu acordava às quatro e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Vestíamos depressa e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que assim devia ser: em jejum. (...)


    Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me tornava uma criança completa de alegria. E me serviu como promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me agarrava, dentro de uma infância muito feliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.


    O mar de Olinda era muito perigoso. Davam-se alguns passos em um fundo raso e de repente caía-se num fundo de dois metros, calculo.


    Outras pessoas também acreditavam em tomar banho de mar quando o sol nascia. Havia um salva-vidas que, por uma ninharia de dinheiro, levava as senhoras para o banho: abria os dois braços, e as senhoras agarravam-se a eles para lutar contra as ondas fortíssimas do mar.


    O cheiro do mar me invadia e me embriagava. As algas boiavam. Oh, bem sei que não estou transmitindo o que significavam como vida pura esses banhos em jejum, com o sol se levantando pálido ainda no horizonte. Bem sei que estou tão emocionada que não consigo escrever. O mar de Olinda era muito iodado e salgado. E eu fazia o que no futuro sempre iria fazer: com as mãos em concha, eu as mergulhava nas águas e trazia um pouco de mar até minha boca: eu bebia diariamente o mar, de tal modo queria me unir a ele.


    Não demorávamos muito. O sol já se levantara todo, e meu pai tinha que trabalhar cedo. Mudávamos de roupa nas cabinas, e a roupa ficava impregnada de sal. Meus cabelos salgados me colavam na cabeça.


    Então esperávamos, ao vento, a vinda do bonde para Recife. No bonde a brisa ia secando meus cabelos duros de sal.


    A quem devo pedir que na minha vida se repita a felicidade? Como sentir com a frescura da inocência o sol vermelho se levantar? Nunca mais?


    Nunca mais. Nunca.


Clarice Lispector. A descoberta do Mundo.

pp. 249-251. Editora Nova fronteira, Rio, 1984

No período “Eu me agarrava, dentro de uma infância muito feliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.” (4º parágrafo), a oração destacada constitui uma
Alternativas
Q4302618 Português

Em uma atividade de análise sintática de orações, um aluno examinou o período a seguir:


“Embora muitos professores reconheçam que a avaliação formativa é essencial para a aprendizagem dos alunos, ainda há escolas em que se privilegiam atividades avaliativas focadas apenas na nota, sob uma abordagem punitiva e classificatória”. 


Na compreensão do estudante, trata-se de um período composto por subordinação em que:


- A oração “Embora muitos professores reconheçam” é uma subordinada adverbial concessiva, pois apresenta um fato que poderia levar a uma conclusão diferente da apresentada na oração principal;  


- A oração “que a avaliação formativa é essencial para a aprendizagem dos alunos” é classificada como subordinada substantiva objetiva direta, porque completa o sentido do verbo “reconheçam” e especifica aquilo que os professores percebem;


- A oração “ainda há escolas” é coordenada sindética adversativa, pois o “ainda” estabelece oposição à ideia da primeira oração;


- A oração “em que se privilegiam atividades avaliativas” é a principal, visto que apresenta o núcleo da informação;


- A oração “focadas apenas na nota” é uma subordinada adjetiva restritiva reduzida de particípio, que delimita as atividades privilegiadas. 


Assinale a alternativa que apresenta a resposta docente adequada quanto à classificação das orações na análise do aluno. 

Alternativas
Q4302003 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Programa de educação ambiental traz saberes locais para escolas públicas


A presença da emergência climática nos currículos escolares ainda avança em ritmos distintos ao redor do mundo.


Diante das mudanças climáticas, educadores brasileiros têm buscado nos saberes locais as soluções para incluir crianças e adolescentes no debate sobre o clima e ações de sustentabilidade. Desenvolvido e implementado pela Tewá 225, o programa Movimento Sustentável, uma iniciativa da Auren Energia, promoveu acesso à educação socioambiental para mais de 2 mil estudantes e professores na rede pública em seis estados brasileiros. O projeto ampliou o domínio de técnicas sustentáveis ligadas aos territórios onde aconteceram as formações, como sistemas naturais, consumo de recursos e mudanças climáticas.


Ao todo, 40 escolas públicas, localizadas em Pernambuco, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e São Paulo, receberam formações voltadas para educadores que fortalecem a compreensão sobre sustentabilidade e aplicação desses conhecimentos em sala de aula. Segundo dados da Tewá, foram mobilizados 144 profissionais, que elaboraram 266 atividades.


Além do incentivo formativo, as escolas que atingiram as metas de atividades previstas em seu programa, com caráter gamificado e ligado aos saberes locais, receberam investimentos entre R$ 2 mil e R$ 5 mil para implementar as ações no território onde estão localizadas.


A metodologia das trilhas formativas é alinhada à BNCC (Base Nacional Comum Curricular). A proposta organiza o aprendizado em ciclos semestrais interconectados, permitindo que conteúdos complexos sejam assimilados de forma progressiva e adaptada às realidades dos municípios.


Adaptar a metodologia à cultura local é parte da premissa do programa Movimento Sustentável. Para Fernanda Mallak, diretora técnica da Tewá 225, os conteúdos sobre cada bioma e os recursos naturais presentes nos territórios são essenciais para a elaboração das formações.


"O estudo só faz sentido quando está conectado à realidade do território e à cultura que aquele estudante reconhece como dele. É a diferença entre decorar um conceito e se sentir pertencente a ele", explica ela. "Aqui entram também os saberes tradicionais, que muitas vezes precedem todo o nosso conhecimento técnico de sustentabilidade."


No entanto, ainda existem alguns desafios para a incorporação das práticas sustentáveis no ensino básico, sobretudo questões estruturais ligadas à evasão escolar, infraestrutura precária das escolas e alta rotatividade de professores. "Como engajar uma comunidade escolar que muitas vezes opera no limite, com o docente sobrecarregado e sem as condições mínimas de permanência?", questiona Mallak. "Qualquer iniciativa que ignore esse terreno tende a não se sustentar", defende ela.


Para ela, as oficinas devem ser organizadas de forma que não gerem mais carga de trabalho para os profissionais da educação. Ações como a inserção do educador ambiental no ambiente escolar podem aliviar essa sobrecarga, além de oferecer material didático pré-elaborado para o docente. "A ideia é entrar como apoio numa estrutura que já está pressionada, e não como mais uma demanda", explica.


A metodologia desenvolvida pelo projeto varia conforme a realidade do território, considerando os diferentes contextos urbanos, rurais e de comunidades tradicionais contempladas. Em escolas indígenas, o trabalho é feito completamente conectado com as lideranças, responsáveis por transmitir o conhecimento para membros mais jovens de seu povo.


O diálogo com lideranças é uma forma de conectar a realidade escolar com os saberes tradicionais de cada território, mas também envolve a comunidade no processo formativo de adultos e crianças. "O trabalho é com a comunidade escolar como um todo, tendo o educador e/ou professor como ponto de multiplicação para os estudantes, famílias e, consequentemente, para o entorno", conclui Mallak.


Fonte: TOYAMA, Laura. Programa de educação ambiental traz saberes locais para escolas públicas. CNN Brasil, [S. l.], 19 jun. 2026. Disponível em:

https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/programa-de-educacao-ambien tal-traz-saberes-locais-para-escolas-publicas/. Acesso em: 9 ago. 2026.

"O estudo só faz sentido quando está conectado à realidade do território e à cultura que aquele estudante reconhece como dele."
Considerando a classificação das orações que compõem o período acima, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4301953 Português
Resta a esperança de que a experiência diária das crianças, menos oprimidas por esse vício, inspire adultos a se livrarem dele dentro de casa e nos espaços de interação social. (7º parágrafo)  
A oração sublinhada se classifica como subordinada substantiva do seguinte tipo: 
Alternativas
Q4300726 Português
Leia o Texto IV para responder à questão:


Texto IV


‘Temi que meu filho tivesse câncer cerebral, mas ele havia sido envenenado com vitamina D’


Hazel Martin

BBC News - 18 abril 2026


    O menino Roo, de sete anos, ficou doente no início do ano passado. Sintomas como sua perda de peso e muita sede levaram seus médicos e seus pais a recear que ele pudesse ter um tumor no cérebro.

    Mas as investigações concluíram que ele havia sido acidentalmente envenenado com uma overdose de vitamina D, prescrita para tratar das suas dores crescentes.

    A concentração do frasco de vitamina D3 em gotas consumido por Roo era cerca de sete vezes maior do que o normal. Ele fazia parte de um dentre dois lotes com defeito de produção que foram distribuídos no Reino Unido.

    A dosagem levou Roo a sofrer lesão renal aguda e um especialista contou à BBC que a criança teria morrido, se tivesse levado o tratamento prescrito até o fim.

    A vitamina D é um nutriente vital que regula o cálcio e o fosfato, mantendo a saúde dos ossos, dentes e músculos. Milhões de adultos a consomem na forma de suplementos, que são vendidos nas farmácias.

    Mas, no Reino Unido, a vitamina D em dosagem mais alta, receitada pelos médicos, ainda é classificada como suplemento alimentar e não é regulamentada pelo órgão regulador britânico, a MHRA (Agência Reguladora de Remédios e Produtos para Assistência Médica, na sigla em inglês).

    O órgão britânico responsável pelo acompanhamento das vitaminas e suplementos alimentares é a Agência de Padrões Alimentares (FSA, na sigla em inglês).

    AMHRA afirma que trabalha em conjunto com a FSA para manter a segurança do público. Mas um especialista contou à BBC que o órgão regulador de remédios deveria buscar mudanças na forma de regulamentação dos suplementos vitamínicos.

Em dezembro de 2024, Roo recebeu prescrição de uma alta dose de vitamina D3 em gotas por 12 semanas, para tentar diminuir a sua intensa dor nas pernas.

    [...]

    “Ele teve hipercalcemia e os médicos ficaram muito preocupados com esse nível tão alto de cálcio no sangue", conta a mãe.

    “Eles examinavam se poderia ser um tumor cerebral e estávamos meio que nos preparando para que ele fizesse uma ressonância magnética do cérebro.”

    O misterioso caso de Roo também foi analisado por equipes do Hospital Real Infantil de Glasgow, na Escócia. E uma ligação telefônica casual com um endocrinologista forneceu a peça que faltava no quebra-cabeça.

    Um colega de Manchester, na Inglaterra, havia perguntado se ele sabia de algum “lote ruim” de vitamina D3. E, com os detalhes do lote, a equipe que cuidava de Roo conseguiu identificar o frasco que o menino ainda usava para tomar as gotas todos os dias.

     “Deduzimos dali que era o seu corpo fazendo algo estranho porque, basicamente, ele foi envenenado por aquele lote ruim”, conta Hobbs-Sargeant.

    [...]


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9vl3g72rkwo. Acesso em: 24 abr. 2026.
Os fragmentos do Texto IV apresentam usos do se:
I- “A dosagem levou Roo a sofrer lesão renal aguda e um especialista contou à BBC que a criança teria morrido, se tivesse levado o tratamento prescrito até o fim.”
II- “Eles examinavam se poderia ser um tumor cerebral e estávamos meio que nos preparando para que ele fizesse uma ressonância magnética do cérebro.”
III- “Um colega de Manchester, na Inglaterra, havia perguntado se ele sabia de algum “lote ruim” de vitamina D3.”

Assinale a alternativa que apresenta a CORRETA classificação do item, na ordem de ocorrência.
Alternativas
Q4298865 Português
'Corpo de celular': veja os sinais perigosos na sua postura e como reverter a rota

As preocupações com os efeitos do tempo passado diante das telas costumam se concentrar na mente. No entanto, o uso frequente de celulares e outros dispositivos também provoca consequências físicas importantes.

Descobertas recentes indicam que esses aparelhos alteram a postura do pescoço, prejudicam a visão, afetam a coordenação motora e reduzem a força muscular. Há também preocupações com o aparecimento de rugas e com a possibilidade de alguns desses problemas físicos contribuírem para declínios cognitivos e outras complicações.

Apesar disso, existem medidas capazes de reduzir os danos provocados pelo uso excessivo da tecnologia.

Uma das principais consequências está relacionada à postura. Ao olhar para a tela do celular, muitas pessoas inclinam a cabeça para a frente, aumentando consideravelmente a pressão sobre o pescoço.

Com o tempo, essa posição prejudica os discos da coluna, desgasta articulações e músculos e até reduz a capacidade pulmonar. Essa condição, conhecida como "pescoço tecnológico", também altera de forma permanente a aparência do corpo.

Exercícios realizados com orientação profissional ajudam a corrigir o problema, mas mudanças simples também podem ser adotadas imediatamente. Recomenda-se segurar o celular em uma posição mais elevada e manter a tela na altura dos olhos, a uma distância aproximada de um braço. A mesma orientação vale para os monitores de computador.

Também é importante realizar pausas frequentes durante o uso das telas, interrompendo a atividade por alguns minutos em intervalos regulares.

Outra preocupação diz respeito à pele. A repetição constante do movimento de inclinar e dobrar o pescoço contribui para o surgimento de rugas.

Os relógios inteligentes também acarretam problemas de pele quando permanecem continuamente no pulso. A região sob o aparelho torna-se escura e úmida, criando condições favoráveis ao surgimento de fungos, irritações e eczemas. 

Além disso, o contato prolongado danifica a barreira de proteção da pele e aumenta a sensibilidade a materiais como níquel, borracha, látex e outras substâncias presentes nos dispositivos. A recomendação é retirar o relógio com frequência, lavar a pele e, quando necessário, utilizar cremes protetores.

A visão também é afetada pela mudança de hábitos provocada pela tecnologia. A incidência de miopia vem aumentando há décadas, mas estudos indicam que o problema não está, necessariamente, no esforço de olhar para objetos próximos.

Pesquisas realizadas ao longo de muitos anos mostraram que o tempo passado em ambientes externos exerce efeito protetor sobre a visão. A luz natural estimula processos importantes na retina e interfere no desenvolvimento dos olhos.

Como o uso de aparelhos eletrônicos contribui para que as pessoas permaneçam mais tempo em ambientes fechados, a tecnologia prejudica a visão de forma indireta.

Por isso, especialistas recomendam aumentar o tempo passado ao ar livre, utilizando protetor solar e óculos escuros para evitar os efeitos prejudiciais da exposição excessiva ao sol.

Outro ponto de atenção é a força das mãos, cada vez mais considerada um indicador da saúde geral. Estudos mostram que a força de aperto está relacionada à expectativa de vida e que ela vem diminuindo em diversos países, principalmente entre pessoas mais jovens.

Esse enfraquecimento está associado ao crescimento do trabalho sedentário diante de computadores e à redução de atividades físicas.

Uma forma simples de avaliar a força das mãos é apertar uma bola de tênis e manter a pressão por alguns segundos. Caso haja dificuldade, exercícios específicos ajudam, mas o mais importante é melhorar a condição física como um todo por meio da prática regular de atividades.

A tecnologia também interfere nas habilidades motoras responsáveis pela coordenação entre mente e corpo. Embora o uso de telas possa aprimorar movimentos como clicar e deslizar os dedos, pesquisas apontam efeitos negativos sobre a coordenação motora de forma mais ampla, especialmente nas habilidades motoras finas.

Nas crianças, o aumento do tempo de tela associa-se a menor coordenação motora, o que merece atenção porque essa capacidade se relaciona ao desenvolvimento acadêmico e cognitivo.

A orientação dos especialistas não é proibir as telas, mas incluir conscientemente atividades manuais no cotidiano.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz9lq9de80lo.adaptado.
Há também preocupações com o aparecimento de rugas e com a possibilidade de alguns desses problemas físicos contribuírem para declínios cognitivos e outras complicações.
A respeito das relações morfossintáticas presentes no período, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4289444 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.


A governança nacional é importante para o crescimento econômico dos países?


    O papel das instituições no crescimento econômico dos países tem sido uma das áreas mais dinâmicas de pesquisa em economia. Nesse contexto, as instituições são conceituadas como um conjunto de regras, procedimentos de conformidade e normas de comportamento moral e ético com o propósito de orientar as ações individuais para a maximização da riqueza ou utilidade dos princípios. Nessa perspectiva, a mudança institucional desempenha um papel fundamental na formação da trajetória das sociedades ao longo do tempo e, consequentemente, influencia a direção do desempenho econômico.

     O institucionalismo abrange diversas disciplinas, como economia, ciência política e sociologia, com ênfase em governança, regimes, isomorfismo e legitimidade. A institucionalização é o regime pelo qual processos sociais, obrigações ou eventos adquirem o status de regra no pensamento e na ação social.

     A Teoria Institucional sustenta que instituições de alta qualidade estabelecem as diretrizes de governança, o que, por sua vez, exerce uma influência direta sobre o crescimento econômico, na promoção de processos sustentáveis e desenvolvimento. Portanto, o progresso econômico das sociedades está intrinsecamente relacionado à estrutura institucional de governança. Os governos desempenham um papel crucial ao abraçar a ideia de boa governança na formulação e execução de políticas apropriadas, pois países com bons sistemas de governança tendem a ser mais prósperos, felizes e enfrentar menos problemas socioambientais.

     Estudos reforçam que instituições políticas e econômicas moldam os incentivos sociais, determinando se os países prosperam ou fracassam. Nesse marco, a governança nacional é entendida como o conjunto de mecanismos institucionais, políticos e administrativos que asseguram o exercício da autoridade estatal e a capacidade do governo de formular e implementar políticas públicas efetivas. Essa definição distingue-se de conceitos correlatos como "qualidade institucional" - mais ampla e difusa - e de "instituições políticas" ou "instituições econômicas", ao enfatizar o papel sistêmico da governança na coordenação entre Estado, sociedade e economia.

    A governança nacional engloba sistemas e processos projetados para assegurar responsabilidade, transparência, capacidade de resposta, Estado de direito, estabilidade, justiça, inclusão, empoderamento e ampla participação - sendo, assim, um dos principais fatores que explicam as disparidades de desempenho entre os países.

    Nesse sentido, conjectura-se que a qualidade da governança nacional demonstra sua eficácia em diversas áreas, incluindo a atração de investimento direto estrangeiro; o fomento do empreendedorismo; a promoção da responsabilidade social corporativa; e o estímulo ao crescimento econômico. Além disso, instituições solidas podem contribuir para atender às necessidades sociais dos cidadãos e impulsionar o progresso social.



Fonte: SANTOS, T. M.; VASCONCELOS, A. C; GUIMARÃES, D. B. A governança nacional e importante para o crescimento econômico dos países? Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v.60, e2025- 0024, 2026 (com adaptações).
Analise o seguinte trecho do texto: O papel das instituições no crescimento econômico dos países tem sido uma das áreas mais dinâmicas de pesquisa em economia.

Quanto à classe gramatical e à função sintático-semântica do vocábulo em nesse trecho, assinale a alternativa CORRETА.
Alternativas
Q4285342 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.

Além do tempo de tela: o que os mais jovens têm feito no celular?

Qualidade da interação e dos conteúdos acessados precisa estar no centro do debate sobre saúde mental entre crianças e adolescentes

Por Luiz Zoldan*

        Reduzir a crise de saúde mental entre jovens ao “tempo de tela” é uma explicação confortável – e perigosamente insuficiente. O debate público precisa de um ajuste urgente: mais do que contar horas, é preciso entender a qualidade da interação desses adolescentes com os dispositivos digitais. 

        Em consultórios, escolas e ambientes de trabalho, a constatação é recorrente: a forma como os jovens se relacionam consigo mesmos, com os outros e com o mundo mudou profundamente. E as telas ocupam um papel central nessa transformação. 

        Vivemos em uma realidade na qual nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão expostos a fatores que afetam a saúde mental, especialmente entre crianças e adolescentes.

        A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de um em cada dez adolescentes já manifesta um uso problemático de redes sociais, com perda de controle e consequências negativas no dia a dia. 

        Estudos consistentes associam o uso excessivo de telas à piora nos indicadores de saúde mental. Cerca de 25% dos adolescentes que passam mais de 4 horas diárias em frente a telas apresentam sintomas recentes de ansiedade ou depressão. Evidências longitudinais também confirmam que o aumento do tempo de exposição está ligado a um maior risco de sofrimento emocional a longo prazo. 

        O Brasil figura entre os países com maior tempo de tela no mundo, ultrapassando 5 horas diárias apenas em smartphones. Entre os adolescentes brasileiros, os números são ainda mais alarmantes, chegando a quase 6 horas em dias de semana e ultrapassando 8 horas nos fins de semana.

        O cenário nacional é marcado por três desafios: o acesso a smartphones em idades cada vez mais precoces, a desigualdade no acesso à educação digital e a fragilidade na mediação por parte de famílias e escolas. Diante disso, cresce a percepção entre os próprios jovens de que algo não vai bem: quase metade deles já considera que as redes sociais impactam negativamente pessoas da sua idade. 

        Ainda assim, é crucial qualificar a leitura desses dados. A própria ciência mostra que o impacto não é uniforme. O uso passivo, caracterizado pela rolagem infinita e pela comparação social, está mais associado ao malestar. Por outro lado, usos mais ativos e focados na conexão podem ter um efeito protetor. O problema central, portanto, não é apenas o tempo, mas o padrão de uso. Comportamentos compulsivos e de dependência estão mais ligados a desfechos negativos do que o número absoluto de horas.

        Nesse contexto, avanços como a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ao ambiente digital são essenciais, pois reconhecem a vulnerabilidade de crianças e adolescentes nesse ecossistema. Essas iniciativas buscam responsabilizar as plataformas, proteger dados e reduzir a exposição a conteúdos nocivos. Contudo, a regulação, sozinha, não resolve. Ela cria um ambiente mais seguro, mas não substitui a educação, o vínculo afetivo e o desenvolvimento de repertório emocional.

        Durante anos, a principal recomendação foi limitar o tempo de tela. Embora essa abordagem continue relevante, especialmente para crianças mais novas, hoje sabemos que é insuficiente. O verdadeiro problema não é apenas o que acontece nas telas, mas o que deixa de acontecer fora delas: sono de qualidade, atividade física, convivência e a própria construção da identidade são processos insubstituíveis para o desenvolvimento psíquico. 

        O uso excessivo de telas, por exemplo, está diretamente ligado a um sono mais curto e de pior qualidade – um dos principais gatilhos para o sofrimento mental. Idealmente, um uso de qualidade envolve interações sociais reais, consumo de conteúdos educativos ou criativos e intencionalidade, sem prejudicar o sono. Em contrapartida, a utilização de risco é aquela em que há comportamento compulsivo, comparação social constante, exposição a conteúdos negativos e a substituição de experiências presenciais por virtuais.

        Com base em evidências científicas e na prática clínica, algumas medidas são fundamentais. Para as famílias, é preciso estabelecer acordos claros, evitar o uso de aparelhos antes de dormir (especialmente porque um terço dos adolescentes os utiliza depois da meia-noite), acompanhar os conteúdos acessados e, acima de tudo, dar o exemplo. Isso implica reconhecer que muitos adultos também mantêm uma relação excessiva, distraída e pouco saudável com as telas, o que compromete o ensino da autorregulação.

        Nas escolas, o desafio vai além da simples restrição: passa pela promoção da alfabetização digital e midiática, pelo desenvolvimento de competências socioemocionais e pela criação de espaços de convivência offline que favoreçam o pertencimento, o diálogo e a construção da identidade. Isso inclui a promoção de conversas qualificadas sobre corpo, gênero, autoestima e relações sociais, temas profundamente atravessados pela lógica das redes. 

        Para os profissionais de saúde, investigar o padrão de uso digital tornou-se parte indispensável da avaliação clínica, assim como sono, alimentação e atividade física. Ainda assim, o enfrentamento desse problema não é responsabilidade somente de indivíduos, famílias e consultórios. O desafio exige que empresas de tecnologia e políticas públicas atuem de forma mais firme na limitação de mecanismos de design viciantes e persuasivos e na implementação de estratégias integradas entre saúde, educação e regulação digital.

        A relação entre os jovens e a tecnologia não é um “problema” a ser eliminado, mas uma realidade a ser gerenciada com inteligência. É preciso superar a lógica simplista de “mais ou menos tempo de tela” e adotar uma abordagem mais sistêmica e que considere o  contexto, o conteúdo e a intenção de cada interação. No fim das contas, o maior indicador de sucesso não é quantas horas um jovem passa conectado, mas sua capacidade de se desconectar com liberdade, propósito e, acima de tudo, saúde mental.

*Luiz Zoldan é psiquiatra e gerente médico do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/alem-dotempo-de-tela-o-que-os-mais-jovens-tem-feito-no-celular/.
No trecho: "A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de um em cada dez adolescentes já manifesta um uso problemático de redes sociais.", do ponto de vista da estrutura do período e da análise sintática, é corretor afirmar que:
Alternativas
Q4285012 Português

Analise a imagem abaixo: 



Imagem associada para resolução da questão


Disponível em: https://www.facebook.com/zepensanu/. Acesso em: 05 jun. 2026.



Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e falsas ( F ) com base na imagem.



( ) A mensagem principal é transmitida por meio de linguagem não verbal.


( ) O texto apresenta uma contradição que atua na quebra da lógica textual.


( ) O adjetivo “presos” refere-se ao substantivo “telefones” em sentido denotativo.


( ) O período é formado por duas orações, uma subordinada e outra principal.


( ) As formas verbais “eram” e “éramos” são conjugações do verbo ‘ser’ no pretérito imperfeito do indicativo, 1ª e 3ª pessoa do plural, respectivamente.



Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.

Alternativas
Q4281315 Português
Leia o texto a seguir e responda a questão.


Além do tempo de tela: o que os mais jovens têm feito no celular?

Qualidade da interação e dos conteúdos acessados
precisa estar no centro do debate sobre saúde mental
entre crianças e adolescentes

Por Luiz Zoldan*


      Reduzir a crise de saúde mental entre jovens ao “tempo de tela” é uma explicação confortável – e perigosamente insuficiente. O debate público precisa de um ajuste urgente: mais do que contar horas, é preciso entender a qualidade da interação desses adolescentes com os dispositivos digitais.

          Em consultórios, escolas e ambientes de trabalho, a constatação é recorrente: a forma como os jovens se relacionam consigo mesmos, com os outros e com o mundo mudou profundamente. E as telas ocupam um papel central nessa transformação. Vivemos em uma realidade na qual nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão expostos a fatores que afetam a saúde mental, especialmente entre crianças e adolescentes.

         A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de um em cada dez adolescentes já manifesta um uso problemático de redes sociais, com perda de controle e consequências negativas no dia a dia.

      Estudos consistentes associam o uso excessivo de telas à piora nos indicadores de saúde mental. Cerca de 25% dos adolescentes que passam mais de 4 horas diárias em frente a telas apresentam sintomas recentes de ansiedade ou depressão. Evidências longitudinais também confirmam que o aumento do tempo de exposição está ligado a um maior risco de sofrimento emocional a longo prazo.

     O Brasil figura entre os países com maior tempo de tela no mundo, ultrapassando 5 horas diárias apenas em smartphones. Entre os adolescentes brasileiros, os números são ainda mais alarmantes, chegando a quase 6 horas em dias de semana e ultrapassando 8 horas nos fins de semana.

      O cenário nacional é marcado por três desafios: o acesso a smartphones em idades cada vez mais precoces, a desigualdade no acesso à educação digital e a fragilidade na mediação por parte de famílias e escolas. Diante disso, cresce a percepção entre os próprios jovens de que algo não vai bem: quase metade deles já considera que as redes sociais impactam negativamente pessoas da sua idade.

       Ainda assim, é crucial qualificar a leitura desses dados. A própria ciência mostra que o impacto não é uniforme. O uso passivo, caracterizado pela rolagem infinita e pela comparação social, está mais associado ao malestar. Por outro lado, usos mais ativos e focados na conexão podem ter um efeito protetor. O problema central, portanto, não é apenas o tempo, mas o padrão de uso. Comportamentos compulsivos e de dependência estão mais ligados a desfechos negativos do que o número absoluto de horas.

      Nesse contexto, avanços como a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ao ambiente digital são essenciais, pois reconhecem a vulnerabilidade de crianças e adolescentes nesse ecossistema. Essas iniciativas buscam responsabilizar as plataformas, proteger dados e reduzir a exposição a conteúdos nocivos. Contudo, a regulação, sozinha, não resolve. Ela cria um ambiente mais seguro, mas não substitui a educação, o vínculo afetivo e o desenvolvimento de repertório emocional.

       Durante anos, a principal recomendação foi limitar o tempo de tela. Embora essa abordagem continue relevante, especialmente para crianças mais novas, hoje sabemos que é insuficiente. O verdadeiro problema não é apenas o que acontece nas telas, mas o que deixa de acontecer fora delas: sono de qualidade, atividade física, convivência e a própria construção da identidade são processos insubstituíveis para o desenvolvimento psíquico.

       O uso excessivo de telas, por exemplo, está diretamente ligado a um sono mais curto e de pior qualidade – um dos principais gatilhos para o sofrimento mental. Idealmente, um uso de qualidade envolve interações sociais reais, consumo de conteúdos educativos ou criativos e intencionalidade, sem prejudicar o sono. Em contrapartida, a utilização de risco é aquela em que há comportamento compulsivo, comparação social constante, exposição a conteúdos negativos e a substituição de experiências presenciais por virtuais.

        Com base em evidências científicas e na prática clínica, algumas medidas são fundamentais. Para as famílias, é preciso estabelecer acordos claros, evitar o uso de aparelhos antes de dormir (especialmente porque um terço dos adolescentes os utiliza depois da meia-noite), acompanhar os conteúdos acessados e, acima de tudo, dar o exemplo. Isso implica reconhecer que muitos adultos também mantêm uma relação excessiva, distraída e pouco saudável com as telas, o que compromete o ensino da autorregulação.

       Nas escolas, o desafio vai além da simples restrição: passa pela promoção da alfabetização digital e midiática, pelo desenvolvimento de competências socioemocionais e pela criação de espaços de convivência offline que favoreçam o pertencimento, o diálogo e a construção da identidade. Isso inclui a promoção de conversas qualificadas sobre corpo, gênero, autoestima e relações sociais, temas profundamente atravessados pela lógica das redes.

       Para os profissionais de saúde, investigar o padrão de uso digital tornou-se parte indispensável da avaliação clínica, assim como sono, alimentação e atividade física. Ainda assim, o enfrentamento desse problema não é responsabilidade somente de indivíduos, famílias e consultórios. O desafio exige que empresas de tecnologia e políticas públicas atuem de forma mais firme na limitação de mecanismos de design viciantes e persuasivos e na implementação de estratégias integradas entre saúde, educação e regulação digital.

       A relação entre os jovens e a tecnologia não é um “problema” a ser eliminado, mas uma realidade a ser gerenciada com inteligência. É preciso superar a lógica simplista de “mais ou menos tempo de tela” e adotar uma abordagem mais sistêmica e que considere o contexto, o conteúdo e a intenção de cada interação. No fim das contas, o maior indicador de sucesso não é quantas horas um jovem passa conectado, mas sua capacidade de se desconectar com liberdade, propósito e, acima de tudo, saúde mental.


*Luiz Zoldan é psiquiatra e gerente médico do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental


Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/alem-dotempo-de-tela-o-que-os-mais-jovens-tem-feito-no-celular/. 
No trecho: "A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de um em cada dez adolescentes já manifesta um uso problemático de redes sociais.", do ponto de vista da estrutura do período e da análise sintática, é corretor afirmar que:
Alternativas
Respostas
21: C
22: A
23: B
24: D
25: B
26: A
27: D
28: A
29: C
30: D
31: B
32: B
33: D
34: D
35: D
36: B
37: C
38: A
39: D
40: A