Questões de Concurso Sobre orações subordinadas adjetivas: restritivas, explicativas em português

Foram encontradas 1.503 questões

Q4418235 Português
Considere o seguinte período, extraído de um relatório de avaliação institucional:

"Os pesquisadores que participaram da primeira etapa receberam os resultados preliminares."

Durante a revisão, sugeriu-se inserir vírgulas antes e depois da oração "que participaram da primeira etapa", sem modificar as demais palavras. O revisor observou que essa alteração produziria uma diferença relevante na interpretação do grupo mencionado.

Considerando os efeitos sintáticos e semânticos da pontuação, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4418066 Português
Durante a análise de um texto institucional, um revisor observou que determinados adjetivos modificavam substantivos de maneira distinta, ora delimitando o conjunto de elementos mencionados, ora acrescentando características explicativas. A interpretação adequada dessas construções era necessária para preservar o sentido das informações apresentadas.

Considere o período:

"Os servidores que estavam capacitados concluíram a atividade, enquanto os demais aguardaram novas orientações." 

Caso a expressão "que estavam capacitados" seja substituída por "capacitados", mantendo-se a ausência de vírgulas, assinale a afirmativa CORRETA sobre o sentido da construção resultante.
Alternativas
Q4416304 Português

Governo cria política nacional para alunos superdotados, mas veta triagem obrigatória nas escolas

Nova legislação prevê cadastro nacional e atendimento especializado para estudantes com altas habilidades; identificação anual em massa e centros de referência ficaram de fora do texto final.


A Lei nº 15.436/2026 foi publicada nesta quinta-feira (18) no Diário Oficial da União e estabelece diretrizes para reconhecimento, acompanhamento e desenvolvimento de estudantes com altas habilidades ou superdotação em todo o país.

Entre as medidas previstas, estão a criação de um cadastro nacional, a oferta de atendimento educacional especializado e a possibilidade de flexibilização da trajetória escolar.

A nova política também passa a contemplar estudantes com dupla excepcionalidade — os que, além das altas habilidades, apresentam alguma deficiência, transtorno do espectro autista ou outro transtorno do neurodesenvolvimento.

Segundo o Censo Escolar de 2025, cerca de 56mil estudantes brasileiros foram formalmente identificados com altas habilidades ou superdotação. Entidades que atuam na área, porém, afirmam que o número está longe de refletir a realidade, já que muitos alunos nunca são reconhecidos pelo sistema educacional.

 

O que muda

A legislação define altas habilidades ou superdotação como uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por potencial intelectual elevado, intensa curiosidade, grande capacidade de aprendizagem e profundo envolvimento em temas de interesse.

Para esses estudantes, a lei prevê atendimento educacional especializado complementar à escolarização regular. Entre as possibilidades estão programas de enriquecimento curricular, aprofundamento de conteúdos, agrupamento por áreas de interesse e aceleração dos estudos.

Também passa a ser permitida a progressão flexível, com avanço em disciplinas específicas, além da aceleração completa da trajetória escolar quando houver indicação pedagógica.

 

Cadastro nacional

Um dos principais pontos da nova política é a criação do Cadastro Nacional de Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação, que ficará sob responsabilidade do Ministério da Educação (MEC).

A ferramenta deverá reunir informações da educação básica e superior para mapear esse público e subsidiar a formulação de políticas públicas. Embora a criação de um cadastro semelhante já estivesse prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação desde 2015, a medida nunca saiu do papel.

 

O que foi vetado

Apesar da sanção, o governo retirou trechos aprovados pelo Congresso Nacional.

O principal veto atingiu os dispositivos que criavam uma triagem educacional anual para identificação precoce de estudantes com altas habilidades ou superdotação. Na justificativa enviada ao Congresso, o Executivo argumentou que a medida poderia gerar burocracia e atrasar o acesso ao atendimento especializado.

Também foi vetada a exigência de avaliação multidimensional realizada por equipe especializada para formalizar a identificação desses estudantes. Segundo o governo, a medida poderia criar barreiras operacionais, especialmente em redes de ensino com menor estrutura técnica.

Outro trecho barrado previa a criação de centros de referência em cada unidade da federação. O Executivo alegou que a proposta não apresentou estimativa de impacto orçamentário e financeiro.

 

Adesão será voluntária

A implementação da política dependerá da adesão de estados, Distrito Federal e municípios. O governo federal poderá oferecer apoio técnico e financeiro, conforme disponibilidade orçamentária.

 Os vetos ainda serão analisados pelo Congresso Nacional, que poderá mantê-los ou derrubá-los em sessão conjunta de deputados e senadores.

 

Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/06/19/governo-cria-politica-nacional-para-alunos-superdotados-mas-veta-triagem-obrigatoria-nas-escolas.ghtml. Acesso em: 08 jul. 2026. Adaptado.

Tendo por base o uso ou a ausência da vírgula, em relação aos termos enumerados em 1 e em 2, aponte a alternativa correta dentre os itens a seguir.
• “Os vetos ainda serão analisados pelo Congresso Nacional, que¹ poderá mantê-los ou derrubá-los [...]”
• “O principal veto atingiu os dispositivos que² criavam uma triagem educacional anual [...]” 
Alternativas
Q4415556 Português
Leia o trecho:
“A agricultura sustentável exige conhecimento técnico, planejamento e integração entre diferentes saberes. Nesse contexto, os profissionais que atuam junto às comunidades rurais precisam compreender que suas orientações devem considerar as características locais e respeitar os conhecimentos construídos pelos agricultores. A adoção de práticas agroecológicas, quando associada ao acompanhamento técnico adequado, favorece o desenvolvimento de sistemas produtivos mais eficientes e ambientalmente responsáveis.”
(Elaborado com base em: BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. Disponível em: https://www.gov.br/mda/pt-br. Acesso em: 7 jul. 2026.)
Considerando os aspectos linguísticos presentes no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4415404 Português
Sobre o período “A professora nova disse que o aluno que estudar terá sucesso”, é correto afirmar: 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FSA Órgão: FSA-SP Prova: FSA - 2026 - FSA-SP - Eletricista |
Q4408112 Português
O uso das vírgulas organiza as relações sintáticas na frase e impede ambiguidades. Assinale a alternativa em que o emprego da vírgula atende RIGOROSAMENTE à norma-padrão: 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FSPSS Órgão: FSPSS Prova: FSPSS - 2026 - FSPSS - Fonoaudiólogo |
Q4406137 Português
Assinale a afirmativa em que a palavra “onde” está usada corretamente. 
Alternativas
Q4404017 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Leia os trechos a seguir.
I. “... os donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos ...”
II. “... o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução ...”

Com relação à classificação gramatical e a função sintática do termo “que” em destaque, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4404016 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Releia o seguinte trecho do texto.
“O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa...”
Considerando a sintaxe e o uso da pontuação, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4403967 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Leia os trechos a seguir.
I. “... os donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos ...”
II. “... o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução ...”
Com relação à classificação gramatical e a função sintática do termo “que” em destaque, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4403966 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Releia o seguinte trecho do texto.
“O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa...”
Considerando a sintaxe e o uso da pontuação, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4403918 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Leia o seguinte excerto do texto.
“O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região. Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses.”

Nesse excerto, a vírgula utilizada antes do trecho “em grande parte ingleses” tem como função: 
Alternativas
Q4403917 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Leia os trechos a seguir.
I. “... os donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos ...”
II. “... o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução ...”

Com relação à classificação gramatical e a função sintática do termo “que” em destaque, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4403916 Português
A língua “secreta” dos mineiros da cidade de
Carlos Drummond

Criada no início do século 20 pelos trabalhadores das minas de ferro de Itabira, a Guinlagem do Camaco continua viva. O futuro, no entanto, é incerto com fim próximo da exploração do minério na região.

Uma cidade, um poeta. O nome de Itabira é quase indissociável de Carlos Drummond de Andrade. O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa ao virar de cabeça para baixo os formalismos da poesia vigente até então. Mas o que pouca gente sabe é que naquele mesmo local surgiu uma outra revolução linguística: a Guinlagem do Camaco.

O surgimento dessa linguagem ‘secreta’ está diretamente ligado ao contexto da exploração do minério na região.

Foi dentro das minas itabiranas, no começo do século 20, que os trabalhadores encontraram uma forma de se comunicar sem serem entendidos pelos patrões, em grande parte ingleses. Era também uma maneira de dar um troco nos donos das minas, que falavam no idioma materno quando não queriam ser compreendidos pelos empregados.

À primeira vista, as regras são simples. O princípio do Camaco é inverter os fonemas das sílabas das palavras, embaralhando os sons e tornando as frases praticamente incompreensíveis para quem está de fora. “Sovê lafa guinlagem”, por exemplo, é “Você fala linguagem?”. “Guinlagem do Camaco” é “Linguagem do Macaco”. Assim, famosa introdução do poema E agora, José, de Drummond, viraria “E aroga, Sujé?”.

Mas nem tudo é lógica. Algumas palavras mais curtas se transformam em vocábulos que fogem a essa regra. “Não” vira “ônis”. “Qualquer”, “ualquiquelque”.

Essa é a magia da linguagem para o músico Rafael Formiga, um falante do Camaco. “As palavras criam um sentido dentro de um fonema pela inversão. E nos lugares onde você vai falar, mesmo com alguma diferença, todo mundo se entende. Tem uns detalhes muito ricos de linguagem e ao mesmo tempo quem vê de fora não entende e fica meio perdido, porque é normal que a gente procure regra”, diz ele.

“Isso demonstra uma capacidade de construção e de resistência incrível”, explica o historiador e museólogo Paulo Assuero, também falante do Camaco. “Eram recém-libertos, em grande parte analfabetos. E tinham que dar soluções de como dizer as coisas que eles queriam sem que os ingleses entendessem. Virou uma provocação, expandiu”, complementa o professor, também residente em Itabira.

Das minas de ferro, o Camaco tomou as ruas. Virou a língua que os filhos falavam para conversar entre si, sem que os pais entendessem – ou a que os jovens usavam para fazer piada com forasteiros.

[...]

A linguagem da resistência

Na casa de Mauro de Alvarenga, o Camaco já é uma tradição. “Meus pais falavam quando não queriam ser entendidos por mim e pelos meus irmãos – até que nós aprendemos. Mas eles tinham aprendido com meu avô, que era ferreiro e fazia peças para as locomotivas de mineração. Ele trouxe o Camaco para dentro de casa e foi passando de geração para geração”, conta.

Nas mãos do cineasta Breno Alvarenga, filho de Mauro, a história da linguagem secreta da cidade de Drummond acabou virando tema do documentário Camaco (2022), premiado no Festival de Gramado nas categorias “Melhor Curta Júri da Crítica” e “Melhor Montagem”. O filme reconstrói o caráter de resistência da linguagem entre os trabalhadores da mineração.

“O Camaco nasce de um contexto muito politizado, de muita resistência. Funcionava também como forma de organizar greves, pedir aumentos, sem que fossem boicotados desde o começo”, explica Breno.

“Foi uma subcultura de sujeitos mais subalternizados, marginalizados e que por isso demorou muito a ser valorizado, porque a elite não via uma riqueza naquilo.

Os pobres se comunicavam, mas os poderosos não entendiam. Isso é muito raro, porque geralmente a linguagem aparta as pessoas e são geralmente os mais ricos que conseguem acessar novas linguagens, não os mais pobres. Ela começa dessa inversão”, ressalta o diretor de cinema itabirano.

De acordo com o linguista e pesquisador Geuderson Marchiori, que pesquisou o tema na sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Camaco pode ser considerado uma linguagem secreta ou até mesmo um jargão técnico.

No entanto, segundo ele, que rastreou falantes até a década de 1920, há uma função similar à de um quilombo. “A linguagem possibilita a convergência dessas populações minorizadas, que utilizam o Camaco como um território de luta e resistência. Embora o senso comum aponte o quilombo como um local de negros escravizados em fuga, o quilombo é um local de reorganização, de segurança, onde essas populações puderam se libertar da exploração e se reorganizar para resistir”, complementa. [...]

CORRÊA, Fábio. A língua “secreta” dos mineiros da cidade de Carlos Drummond. DW Brasil. 2 jun. 2026. Disponível em: https://www. dw.com/pt-br/a-l%C3%ADngua-secreta-dos-mineiros-da-cidade-decarlos-drummond/a-77344661. Acesso em: 11 jun. 2026. [Fragmento]
Releia o seguinte trecho do texto.
“O escritor, nascido em 1902, na cidade de 113 mil habitantes na Região Central de Minas Gerais, revolucionou a língua portuguesa...”

Considerando a sintaxe e o uso da pontuação, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4402123 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Garimpando o solo atrás de avanços tecnológicos


Em 2004, dois físicos da Universidade de Manchester, no Reino Unido, utilizaram uma fita adesiva comum para isolar, pela primeira vez, uma folha atômica de grafite, inaugurando uma nova classe de materiais. Conhecido como grafeno, o material conduzia eletricidade tão bem quanto o cobre, destacava-se como um excelente condutor de calor e, embora sua estrutura muito compacta de carbono o tornasse denso, sua espessura ultrafina conferia extrema flexibilidade. A própria obtenção do grafeno foi considerada um feito surpreendente na época, dado que se julgava impensável que materiais cristalinos formados por apenas uma camada atômica fossem estáveis. O impacto da descoberta foi tão significativo que a dupla recebeu o Nobel de Física.

Embora mais de duas décadas tenham se passado desde a descoberta, cientistas continuam explorando essa classe de materiais, conhecida como materiais bidimensionais (2D) ou lamelares. Esses materiais consistem em uma ou poucas camadas atômicas e exibem comportamentos físicos que, muitas vezes, desaparecem em suas formas tridimensionais, ampliando o leque de potenciais aplicações tecnológicas.

A física Ingrid Barcelos, pesquisadora do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), chefia um dos grupos brasileiros dedicados ao estudo desses materiais. A pesquisa de Barcelos é centrada na investigação de materiais 2D derivados de filossilicatos, minerais encontrados na natureza, e conta com financiamento da FAPESP. Segundo Barcelos, embora os filossilicatos sejam muito abundantes na natureza, eles ainda são pouco estudados. A pesquisadora ressalta que, devido ao seu baixo custo quando comparados a materiais 2D sintéticos, esses minerais se apresentam como opções acessíveis para aplicações tecnológicas, destacando-se como escolhas mais sustentáveis por terem origem natural e não passarem por processamento prévio, gerando menor impacto ambiental no descarte.

Os filossilicatos são formados pela combinação de átomos de silício e oxigênio, que se organizam em camadas empilhadas, compondo o mineral. À semelhança do procedimento pioneiro com o grafeno, Barcelos utiliza fitas adesivas para esfoliar, ou seja, separar as camadas desses minerais, produzindo flocos de espessuras nanométricas. Conforme explica a pesquisadora, a separação em camadas ultrafinas só é viável porque as interações entre as diferentes camadas sobrepostas são fracas o suficiente para permitir a clivagem, ao passo que as ligações entre os átomos de cada camada mantêm a integridade estrutural. Barcelos ilustra esse processo comparando-o a um pacote de folhas de papel do qual se pode retirar folha por folha, sendo cada qual uma camada atômica. 

Barcelos aponta que os filossilicatos possuem características físicas de isolantes elétricos. De acordo com a pesquisadora, no universo dos materiais 2D, poucos apresentam esse comportamento; o nitreto de boro hexagonal, um dos mais utilizados, possui custo elevado para a obtenção de alta qualidade cristalina e produção concentrada em poucos locais, o que limita o seu acesso. Entre os filossilicatos estudados por Barcelos está o talco, um material 2D derivado da pedra-sabão. Essa rocha, abundante em Minas Gerais, é utilizada na fabricação de utensílios de cozinha e foi o material escolhido pelo artista Aleijadinho para esculpir suas obras.

Em 2018, a equipe publicou um estudo na revista ACS Photonics sobre as propriedades do talco para o desenvolvimento de dispositivos optoeletrônicos. Para investigar como a luz se propaga em escala nanométrica, os pesquisadores combinaram a nano-espectroscopia de infravermelho à microscopia óptica de varredura no campo próximo tipo espalhamento (s-SNOM), revelando como a radiação trafega em seu interior.

Em outro estudo, publicado em 2025 na revista Nanoscale, o grupo descreveu como o talco suporta a formação de fônon-poláritons, que são quasipartículas originadas da interação intensa entre a luz e as vibrações atômicas do cristal, permitindo entender como a radiação se propaga no material.

As propriedades físicas de materiais 2D ampliam seu campo de aplicação: enquanto alguns atuam na eletrônica flexível com circuitos dobráveis, outros, como o grafeno, já são incorporados a plásticos para reforçar sua resistência. Embora o talco e outros minerais permaneçam em estágios incipientes de caracterização, a investigação de matérias-primas abundantes e baratas abre caminho para a criação de futuros dispositivos optoeletrônicos, nanofotônicos e emissores quânticos de luz.


https://revistapesquisa.fapesp.br/garimpando-o-solo-atras-de-avancos-t ecnologicos/.adaptado.
Esses materiais consistem em uma ou poucas camadas atômicas e exibem comportamentos físicos que, muitas vezes, desaparecem em suas formas tridimensionais, ampliando o leque de potenciais aplicações tecnológicas.

Analise as assertivas a seguir acerca da sintaxe do período.

I.A oração introduzida pelo pronome relativo "que" exerce a função de oração subordinada substantiva completiva nominal, pois completa o sentido do substantivo "comportamentos".
II.O segmento "em uma ou poucas camadas atômicas" exerce a função de objeto direto preposicionado do verbo "consistem", por completar diretamente o sentido desse verbo.
III.A expressão "muitas vezes" encontra-se intercalada entre vírgulas e exerce função de adjunto adverbial de frequência no interior da oração subordinada adjetiva.
IV.A forma verbal "ampliando" introduz uma oração reduzida de gerúndio com valor de resultado em relação às informações anteriormente apresentadas no período.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4401971 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Reator aumenta conversão de energia solar em química e produz mais hidrogênio a partir da água


Uma equipe do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), integrante do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em Campinas, São Paulo, elevou em oito vezes a eficiência da fotoeletrólise, uma tecnologia experimental que converte energia solar em química para produzir gás hidrogênio a partir da água. Os pesquisadores também desenvolveram um método de fabricação em larga escala para o reator utilizado no processo, empregando materiais atóxicos e acessíveis, o que resultou em cinco pedidos de patente. Os resultados do estudo foram estampados na capa da revista científica ACS Energy Letters em setembro de 2025. O experimento representa um avanço na viabilização da fotoeletrólise para uso industrial, contando com financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O gás hidrogênio figura como insumo essencial para a indústria química, em especial na fabricação de fertilizantes, sendo também um substituto potencial para os combustíveis fósseis. A queima de um quilograma de hidrogênio libera cerca de três vezes mais energia do que a de um quilograma de gasolina, com a vantagem de emitir apenas água, sem gases de efeito estufa. Atualmente, mais de setenta por cento da produção global de hidrogênio decorre da reforma do gás metano, processo que gera cerca de dez quilogramas de dióxido de carbono para cada quilograma do gás produzido. Em virtude disso, métodos alternativos vêm sendo desenvolvidos no Brasil e no mundo para obter o chamado hidrogênio verde, caracterizado por baixas emissões de carbono.

Uma dessas alternativas é a eletrólise, que emprega correntes elétricas de fontes renováveis, como eólica e solar, para separar as moléculas de água em oxigênio e hidrogênio. Contudo, a eletrólise responde por menos de um por cento da produção comercial global por ser uma tecnologia cara, devido aos custos da infraestrutura de conexão e dos eletrodos feitos de ligas metálicas. Para baratear o processo, linhas de pesquisa apostam na fotoeletrólise, que integra a captação solar e a produção de hidrogênio em um único equipamento. O fotoeletrolisador é composto por eletrodos denominados fotoânodo e fotocátodo; ao receber luz solar, o fotoânodo gera cargas positivas que convertem a água em oxigênio e prótons, enquanto os prótons são atraídos ao fotocátodo para interagir com elétrons solares e formar o hidrogênio.

O maior obstáculo da fotoeletrólise é a reduzida eficiência dos fotoânodos. Desde 2019, o físico Flávio Leandro de Souza, da Universidade Federal do ABC (UFABC), lidera no LNNano uma equipe dedicada ao aprimoramento de fotoânodos compostos por hematita — um óxido de ferro abundante, estável em água e com boa absorção solar, mas pouco eficiente na conversão energética. Para superar a limitação, a equipe desenvolveu uma tinta de hematita acrescida de pequenas doses de alumínio e zircônio, elementos também abundantes no país. Souza destacou que a pigmentação permitiu atingir quase o limite teórico de eficiência do material na conversão da energia solar em química.

A equipe do LNNano aplicou a tinta de hematita em cem placas de vidro de um centímetro quadrado cada, atuando como fotoânodos. Dez dessas placas conectadas em série formavam metade do protótipo do reator, alojadas em um recipiente retangular com circulação de água e janelas transparentes para a entrada de luz. Com o intuito de avaliar os fotoânodos, a outra metade do reator utilizou eletrodos padrão de platina acoplados a um painel solar comercial.

Os dispositivos operaram de maneira estável por mais de cem horas em laboratório sob a luz de um simulador solar de grande área, desenvolvido pelo físico Renato Gonçalves, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP) e coautor do estudo. Dois protótipos também passaram por testes ao ar livre ao longo de um dia ensolarado. Análises de toxicidade das amostras coletadas indicaram que a água do reator pode ser descartada com segurança, sem necessidade de tratamentos especiais.

Por fim, Souza informou que a etapa seguinte da pesquisa envolve a montagem de um protótipo independente de painéis solares, composto por dez fotoânodos de hematita e dez fotocátodos de óxido de cobre fabricados pelo mesmo método, com previsão para o primeiro semestre de 2026. O pesquisador do CNPEM explicou que a fotoeletrólise desponta como uma alternativa de baixo custo para a produção de hidrogênio verde em demandas moderadas, permitindo a instalação direta de estações nos locais industriais onde o insumo é necessário, em vez de exigir o engarrafamento e o transporte do gás.


https://revistapesquisa.fapesp.br/reator-aumenta-conversao-de-energia -solar-em-quimica-e-produz-mais-hidrogenio-a-partir-da-agua/.adaptado.
Uma dessas alternativas é a eletrólise, que emprega correntes elétricas de fontes renováveis, como eólica e solar, para separar as moléculas de água em oxigênio e hidrogênio.

Analise as assertivas a seguir acerca da pontuação empregada no trecho.

I.A vírgula empregada após "eletrólise" isola a oração subordinada adjetiva explicativa iniciada pelo pronome relativo "que", a qual acrescenta uma informação explicativa sobre o termo antecedente.
II.A eliminação da primeira vírgula, após "renováveis", mantendo-se a vírgula após "solar", preserva a correção gramatical do trecho.
III.A vírgula empregada após "solar" assinala o término da expressão exemplificativa intercalada "como eólica e solar", retomando a sequência da oração iniciada por "que emprega correntes elétricas de fontes renováveis".
IV.A retirada da vírgula após "renováveis" preserva a correção gramatical, pois a expressão "como eólica e solar" exerce função de complemento verbal.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4400930 Português

Observe as duas construções:



I — Os servidores que participaram da capacitação receberam os certificados.


II — Os servidores, que participaram da capacitação, receberam os certificados. Embora apresentem palavras semelhantes, a utilização ou não das vírgulas produz diferenças importantes na interpretação das informações apresentadas.


Considerando as regras de pontuação e os efeitos de sentido produzidos pelas orações subordinadas adjetivas, assinale a alternativa correta. 

Alternativas
Q4400011 Português
Leia o texto a seguir.


Interminável. Inesgotável. Imprescindível

Cal Gomes


Desde o final do ano passado, com o comunicado do vocalista David Coverdale de que estaria se aposentando, uma sequência de notícias sobre o Deep Purple, clássica e essencial banda de hard rock, foi surgindo na mídia.

Primeiro, no início de agosto, Glenn Hughes também afirmou, em um comunicado oficial, que não iria mais fazer shows ao vivo por problemas de saúde. O vocalista e baixista, de 74 anos, que foi extremamente importante para a banda, gravando 3 ótimos álbuns, vai precisar passar por uma cirurgia no coração. Glenn, no entanto, não informou se também não mais gravará novos álbuns.

Dias antes, o Deep Purple lançava o seu novo trabalho: Splat!, ao mesmo tempo que o vocalista Ian Gillan, nas entrevistas de divulgação do disco e da turnê mundial que já começou, voltou a citar os seus graves problemas de visão que vem enfrentando. E, em um dos primeiros shows do lançamento de Splat!, nos EUA, o guitarrista Richie Blackmore, depois de 3 décadas afastado da banda, esqueceu os longos, vários e sérios atritos com os membros do Purple, subiu ao palco ao lado deles para tocar um dos clássicos do Rock: Smoke on the Water.

Fonte:https://www.jb.com.br/colunistas/cult-pop-e-rock/2026/08/1060648-interminavel-inesgotavel-imprescindivel.html. Acesso em 22/08/2026. Excerto. 
“Primeiro, no início de agosto, Glenn Hughes também afirmou, em um comunicado oficial, que não iria mais fazer shows ao vivo por problemas de saúde” (2º parágrafo). A oração em destaque, do ponto de vista sintático, classifica-se como subordinada:
Alternativas
Q4399383 Português
DESPERDÍCIO DE ALIMENTOS: UM PROBLEMA GLOBAL


   Os alimentos são desperdiçados em toda a cadeia alimentar, desde a produção agrícola, que inclui a superprodução sazonal e o manejo inadequado das rotas de venda de alimentos frescos, especialmente frutas, vegetais e peixe, até o lixo doméstico, que transforma os alimentos em resíduos. Este não é apenas um problema econômico, mas também um problema ecológico. […]
    Embora os percentuais de perdas variem de país para país, os resultados são preocupantes e exigem ações coordenadas a serem tomadas e implementadas a fim de reverter a situação. A ordem de prioridade proposta pela FAO dá uma hierarquia de ações com um grau de coerência: prevenção, aproveitamento, reciclagem, substituição, incineração de resíduos com recuperação de energia e eliminação sem recuperação de energia. […] O desperdício de alimentos é um grave problema mundial que precisa ser enfrentado e que deve levar à geração de círculos virtuosos para transformar a perda em uso.
    Portanto, o combate ao desperdício é uma tarefa de todos. E nós temos a oportunidade de sermos protagonistas nesse desafio. Já é comum vermos ONGs, empresas e instituições dedicadas a essa causa, mas somente elas, não são suficientes. Precisamos do envolvimento coletivo de toda a sociedade. Afinal, se cada um colaborar com a sua parte, no seu dia a dia, podemos fazer a diferença e ter um mundo mais sustentável.


GALLO, Alicia. El desperdicio de alimentos: un problema global. Página/12, [S. l.], 13 out. 2022. Disponível em: https://www.pagina12.com.br; https://www.ejemplos.co/br/texto argumentativo. (Adaptado). Acesso em: 6 out. 2026.
Considere o período a seguir, extraído do texto:
"O desperdício de alimentos é um grave problema mundial que precisa ser enfrentado e que deve levar à geração de círculos virtuosos para transformar a perda em uso."
Sobre os pronomes relativos destacados, é correto afirmar que:
Alternativas
Q4398802 Português
A importância da Ética no ambiente de trabalho


    Hoje, no Dia Internacional da Ética, reafi rmamos a importância desse valor em todas as áreas de uma empresa. A ética no ambiente de trabalho envolve a adoção de valores e princípios, como a honestidade, transparência, respeito mútuo, integridade, garantias de direitos, responsabilidade socioambiental, entre outros que orientam as relações entre colaboradores e a empresa, assim como entre a empresa e seus clientes, fornecedores e a sociedade em geral.

    Muitas empresas enfrentam desafi os éticos no ambiente de trabalho, como assédio moral e sexual, discriminações, corrupção e o desrespeito às leis trabalhistas. Nesse cenário, é essencial que as empresas não só dialoguem na perspectiva axiológica e valorativa do conceito, mas que sejam proativas na promoção de uma cultura ética no ambiente de trabalho. Isso signifi ca, principalmente, adotar medidas de preleção, bem como desenvolver mecanismos para denunciar e combater todo e qualquer tipo de violação de direitos (dentro e fora da empresa).

     Um dos aspectos fundamentais da ética no ambiente de trabalho é a promoção do trabalho decente. Isso envolve oferecer condições adequadas de trabalho, com respeito às normas de segurança e saúde ocupacional, assim como garantir remuneração justa e condições de trabalho dignas e livres de discriminações e violências. Além disso, o trabalho decente também implica oferecer oportunidades de desenvolvimento profi ssional, treinamento e capacitação, bem como valorizar e reconhecer o trabalho realizado pelos colaboradores.

    O conceito de trabalho decente foi criado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1999 e, desde então, tem sido adotado por várias organizações e empresas ao redor do mundo. O objetivo do conceito é promover condições de trabalho justas e dignas para todas as pessoas, contribuindo para o desenvolvimento social, econômico, sustentável e principalmente, para a redução da pobreza.

     Tal discussão merece destaque, uma vez que o Brasil resgatou 918 vítimas de trabalho escravo em 2023, recorde para um 1º trimestre em 15 anos. Só no ano de 2022 mais de 2,5 mil pessoas foram resgatadas do trabalho análogo à escravidão no Brasil, sendo que o número de pessoas nessa condição subiu para 127% em relação a 2019[1]. E por trabalho escravo, nós temos que é todo trabalho forçado, com jornadas exaustivas, condições degradantes, remunerações incompatíveis e outras violações de direitos, ferindo o princípio e o valor da ética, que apesar de tantos avanços conceituais sobre e o quanto esse conceito está presente nos princípios e valores empresariais, ainda presenciamos uma contradição ao analisarmos as severas violações de direitos cometidas por empresas.

    Nesse aspecto, em que há um aumento das desigualdades sociais, ambientais e econômicas, refl etidas nos números alarmantes de resgates de trabalho análogo a escravidão e outras violações de direitos (Brasil é o 9º país mais desigual do mundo), é imprescindível que a ética (somada a outros princípios), assegure na prática, o respeito à vida e a promoção da dignidade humana para todas as pessoas. Mas, outros esforços precisam co-existir, como o aprimoramento dos mecanismos de compliance, que são fundamentais para a garantia do cumprimento das leis e regulamentos relacionados às leis trabalhistas e determinações internacionais.

    Para implementar esses mecanismos, as empresas devem estabelecer políticas e procedimentos claros, realizar auditorias (em especial, a due diligence em direitos humanos) e monitoramentos para avaliar o cumprimento das leis e normas, bem como estabelecer canais de denúncia para que os funcionários, funcionárias e toda a comunidade envolvida na cadeia de valor, possam reportar eventuais violações.


Disponível em: https://www.ethos.org.br/opinioes-e-analises/ a-importancia-da-etica-no-ambiente-de-trabalho/. Acesso em: 27 ago. 2026.
Analise as assertivas abaixo sobre a classificação das orações subordinadas em trechos do texto "A importância da Ética no ambiente de trabalho":

I. No trecho “...mecanismos de compliance, que são fundamentais para a garantia do cumprimento das leis...”, a oração destacada é classificada como subordinada adjetiva explicativa.
II. Na passagem “...é essencial que as empresas não só dialoguem na perspectiva axiológica...”, a oração em negrito exerce a função de sujeito da oração principal, sendo, portanto, uma subordinada substantiva subjetiva.
III. No segmento “...uma vez que o Brasil resgatou 918 vítimas de trabalho escravo...”, a oração introduzida pela locução conjuntiva destaca uma consequência, classificando-se como subordinada adverbial consecutiva. 
IV. No trecho “...estabelecer canais de denúncia para que os funcionários [...] possam reportar eventuais violações.”, a oração destacada indica a finalidade da ação principal, classificando-se como subordinada adverbial final.

Está(ão) CORRETA(S) apenas a(s) assertiva(s):
Alternativas
Respostas
21: D
22: B
23: D
24: D
25: D
26: D
27: C
28: E
29: C
30: E
31: C
32: C
33: E
34: C
35: A
36: D
37: D
38: B
39: C
40: E