Questões de Concurso Sobre orações subordinadas adjetivas: restritivas, explicativas em português

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Q4443462 Português
    O sol funciona esplêndido em cima da praia. Abre-se o espaço largamente. Custa admitir que a vida se cava em escritórios tristonhos, nas jaulas dos guichês, repartições, filas, cemitérios do homem. 

    Amo esta distância verde, este cheiro de sal, esta paz. Seria um absurdo mitológico se um submarino atômico surgisse à tona e nos destruísse, a nós que apenas pedimos um pouco mais de intimidade com a vida. 

    Dispomos aqui dos instrumentos essenciais a um momento de equilíbrio: a persistência do coração, o trabalho do fígado e dos rins, eliminando os venenos, a persistência do ar iodado, a água salgada, elementos suficientes ao mistério linear de viver e sentir. Não fosse uma gaivota faminta, nem perceberíamos este espinho interior a denunciar as vastas solidões que dominamos, sofrimento, pressentimento, aniquilamento. 

    Há pequenos vermes ocultos na areia para que a nossa tranquilidade não seja alarmante. Obrigações a cumprir, amores a sonhar, coisas a fazer formam figuras abstratas que se misturam, se deformam e se quebram. Baste o sol, baste o céu azul, baste a escura arraia da vida dormindo maldormida em nossas profundezas submarinas. 

Paulo Mendes Campos. Dois pensamentos na praia. 30 de maio de 1959 (com adaptações).


Julgue o item a seguir, relativo a aspectos linguísticos do texto precedente.  
No segmento "figuras abstratas que se misturam" (quarto parágrafo), a colocação proclítica do pronome "se" é motivada pela natureza desenvolvida da oração subordinada na qual ele se insere. 
Alternativas
Q4438267 Português
Leia o Texto 1 para responder à questão.


Texto 1

(...) como é que, ao longo dos últimos 2 mil ou 3 mil anos, nós construímos a ideia de humanidade? Será que ela não está na base de muitas das escolhas erradas que fizemos, justificando o uso da violência? A ideia de que os brancos europeus podiam sair colonizando o resto do mundo estava sustentada na premissa de que havia uma humanidade esclarecida que precisava ir ao encontro da humanidade obscurecida, trazendo-a para essa luz incrível.

Esse chamado para o seio da civilização sempre foi justificado pela noção de que existe um jeito de estar aqui na Terra, uma certa verdade, ou uma concepção de verdade, que guiou muitas das escolhas feitas em diferentes períodos da história. Agora, no começo do século XXI, algumas colaborações entre pensadores com visões distintas originadas em diferentes culturas possibilitam uma crítica dessa ideia. Somos mesmo uma humanidade?

Pensemos nas nossas instituições mais bem consolidadas, como universidades ou organismos multilaterais, que surgiram no século XX: Banco Mundial, Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização das Nações Unidas (ONU), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Quando a gente quis criar uma reserva da biosfera em uma região do Brasil, foi preciso justificar para a Unesco por que era importante que o planeta não fosse devorado pela mineração.

Para essa instituição, é como se bastasse manter apenas alguns lugares como amostra grátis da Terra. Se sobrevivermos, vamos brigar pelos pedaços de planeta que a gente não comeu, e os nossos netos ou tataranetos — ou os netos de nossos tataranetos — vão poder passear para ver como era a Terra no passado.

Essas agências e instituições foram configuradas e mantidas como estruturas dessa humanidade. E nós legitimamos sua perpetuação, aceitamos suas decisões, que muitas vezes são ruins e nos causam perdas, porque estão a serviço da humanidade que pensamos ser. As andanças que fiz por diferentes culturas e lugares do mundo me permitiram avaliar as garantias dadas ao integrar esse clube da humanidade. E fiquei pensando: “Por que insistimos tanto e durante tanto tempo em participar desse clube, que na maioria das vezes só limita a nossa capacidade de invenção, criação, existência e liberdade?”. Será que não estamos sempre atualizando aquela nossa velha disposição para a servidão voluntária? Quando a gente vai entender que os Estados nacionais já se desmancharam, que a velha ideia dessas agências já estava falida na origem?

Em vez disso, seguimos arrumando um jeito de projetar outras iguais a elas, que também poderiam manter a nossa coesão como humanidade. Como justificar que somos uma humanidade se mais de 70% estão totalmente alienados do mínimo exercício de ser?


KRENAK, Aílton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 10-14.
Na oração explicativa “porque estão a serviço da humanidade que pensamos ser”, o pronome relativo que introduz uma:
Alternativas
Q4437793 Português
Cora Coralina

Os pais da noiva tinham resolvido que o casamento da filha se faria ali mesmo, na chácara, à boa moda antiga, com mesada de doces, churrasco, muita empada, leitoa, frango assado, boas comidas e abundantes bebidas.

Armou-se o altar na sala da frente. Cobriu-se a mesa do civil com um lindo atoalhado de plástico. Vieram os convidados. Veio o vigário, veio o juiz e veio o escrivão. Testemunhas e a roda dos parentes. Fizeram o casamento. A moça sempre fora alta, grandalhona, fornida de carnes e de bons quartos. Naquele vestido branco, rodado, de babados subindo e descendo, de véu e grinalda, inda mais reforçada parecia.

Como a festança era mesmo de arromba, fogos pipocando, música chegando e muita gente entrando e saindo, ninguém mais reparou nos noivos que, depois de posarem para o retrato de praxe, na cabeceira da mesa e de cortarem juntos o bolo artístico, se misturaram com os convidados e cada qual se achou à vontade e sem constrangimento.

O juiz e o vigário deixaram-se ficar numa roda de amigos, conversando com advogados, escrivães, gente do foro.

O baile tinha começado. A moçada saracoteava alegre. Os que não eram de dança
rodeavam a mesa posta, com pratos, copos e garrafas. Espetos de churrasco e bandas de leitão se cruzavam por todos os lados.

Boas comidas, muita bebida e os donos da casa pondo o pessoal à vontade, incansáveis, não cabendo em si de contentes com o casamento daquela primeira filha. Nada alegra tanto o coração da criatura como mesa posta, carne assada, bebidas de graça e falta de cerimônia. Quem contestar esta verdade simples, não merece dois vinténs de crédito.

Bem por isso mesmo diz o caboclo: a alegria vem das tripas — barriga cheia, coração alegre. O que é pura verdade.

A orquestra assoprava valsas e boleros com furor. Os pares girando. Os namorados namorando. Os que não dançavam se encostavam pelas mesas e, quem já estava farto, fazia roda, bebia café, fumava cigarro e contava piadas.

Quando a festança ia mais animada, lá pelas tantas, ouviu-se um corre-corre pelos
quartos e corredores.

Logo mais aparecia na sala o dono da casa, ansioso e afobado, se desculpando e pedindo ao juiz e ao vigário fazerem o favor de acabar com a festa porque a noiva estava com dor de parto e a assistente já tinha chegado...

“Isto é que se chama aproveitar o tempo”, comentou um convidado, “numa só festa, casa a filha e chega a cegonha...” Fonte: https://contobrasileiro.com.br/o-casamento-e-a-cegonhaconto-de-cora-coralina/2026.

Considere as duas versões da frase:

I. A noiva que estava ansiosa saiu da sala.
II. A noiva, que estava ansiosa, saiu da sala.

Sobre o emprego das vírgulas e o sentido produzido nas duas construções, assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q4437094 Português
Assinale a alternativa em que o emprego das vírgulas está de acordo com a norma-padrão. 
Alternativas
Q4436761 Português
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa no que diz respeito ao emprego dos pronomes relativos e à sintaxe de regência, assinale a alternativa em que a regência e o emprego do pronome relativo "que" estão CORRETOS.
Alternativas
Q4436656 Português
• Texto para a questão.


Tradição x inovação qual geração tem o melhor trabalhador?


    Vivemos um momento inédito no mercado de trabalho: pela primeira vez, diversas gerações coexistem nas mesmas empresas. Tradicionalistas (nascidos antes de 1945), Baby Boomers (1946-1964), Geração X (1965-1980), Millennials (1981-1996) e a Geração Z (nascida a partir de 1997) compartilham espaços, valores e rotinas profissionais. 

    Essa convivência intergeracional, embora rica em diversidade, também tem provocado tensões e exigido adaptações rápidas por parte de lideranças e organizações. A digitalização também acentuou as diferenças. Jovens nativos digitais, da Geração Z, adaptam-se rapidamente a novas tecnologias, preferem feedbacks instantâneos e têm uma expectativa de progresso acelerado na carreira. Por outro lado, profissionais mais experientes acumulam décadas de conhecimento tácito, resiliência e capacidade de planejamento de longo prazo.

    O impacto prático dessas diferenças já é visível. Departamentos de recursos humanos vêm reformulando políticas para atrair e reter talentos de todas as idades. Programas de mentoria reversa, flexibilização de horários, home office, e capacitação digital são exemplos de iniciativas que buscam harmonizar o convívio e promover a troca de experiências entre gerações. 

    Mas os estigmas ainda persistem: jovens são vistos como impacientes e descomprometidos; veteranos, como resistentes à mudança. O futuro do trabalho será, inevitavelmente, plural. Organizações que souberem integrar diferentes gerações com respeito, abertura e inteligência emocional sairão na frente. Afinal, não se trata de escolher entre a experiência ou a ousadia, mas de reconhecer que o progresso nasce do diálogo entre o passado, o presente e o futuro.


Revista Vidi – economia sustentável – janeiro de 2026.
Analise a organização sintática do texto, especificamente no que se refere aos processos de coordenação e subordinação, e marque a alternativa correta.
Alternativas
Q4434955 Português
Assinale a alternativa em que o emprego das vírgulas está de acordo com a norma-padrão.
Alternativas
Q4434406 Português

Leia o período:


"Os servidores receberam as solicitações dos usuários e as encaminharam ao setor competente, que deverá analisá-las antes da resposta definitiva."


Assinale a alternativa que apresenta análise correta dos elementos de coesão.

Alternativas
Ano: 2026 Banca: FGV Órgão: SES-TO Provas: FGV - 2026 - SES-TO - Administrador Hospitalar | FGV - 2026 - SES-TO - Físico | FGV - 2026 - SES-TO - Inspetor em Vigilância Sanitária - Farmacêutico | FGV - 2026 - SES-TO - Fisioterapeuta | FGV - 2026 - SES-TO - Gestor em Saúde | FGV - 2026 - SES-TO - Nutricionista | FGV - 2026 - SES-TO - Fonoaudiólogo | FGV - 2026 - SES-TO - Perfusionista | FGV - 2026 - SES-TO - Pesquisador Docente em Saúde Pública | FGV - 2026 - SES-TO - Inspetor em Vigilância Sanitária - Arquiteto | FGV - 2026 - SES-TO - Psicólogo | FGV - 2026 - SES-TO - Inspetor em Vigilância Sanitária - Enfermeiro | FGV - 2026 - SES-TO - Tecnólogo | FGV - 2026 - SES-TO - Inspetor em Vigilância Sanitária - Engenheiro Ambiental | FGV - 2026 - SES-TO - Terapeuta Ocupacional | FGV - 2026 - SES-TO - Inspetor em Vigilância Sanitária Engenheiro de Alimentos | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Cirurgião Cardiovascular | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE – Cirurgião Cardiovascular Pediátrico | FGV - 2026 - SES-TO - Inspetor em Vigilância Sanitária - Engenheiro Químico | FGV - 2026 - SES-TO - Médico | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Cirurgião Geral | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Alergista e Imunologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Cirurgião Oncológico | FGV - 2026 - SES-TO - Analista em Controle de Zoonoses | FGV - 2026 - SES-TO - Assistente Social | FGV - 2026 - SES-TO - Auditor em Saúde | FGV - 2026 - SES-TO - Biólogo em Saúde | FGV - 2026 - SES-TO - Biomédico | FGV - 2026 - SES-TO - Enfermeiro | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE – Cirurgião Pediátrico | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Cirurgião Plástico | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Anestesiologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Intensivista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Cardiologia | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Mastologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Cardiologista Pediátrico | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Nefrologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Cirurgia Cabeça e Pescoço | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Oftalmologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Neonatologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Neurocirurgião | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Ortopedista e Traumatologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Otorrinolaringologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Pediatra | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Psiquiatra | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Neurologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Ultrassonografista (Medicina Fetal) | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Urologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE – Cirurgião Vascular | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Gastroenterologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Ginecologista-Obstetra | FGV - 2026 - SES-TO - Enfermeiro Obstetra | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Hematologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE – Hematologista Pediátrico | FGV - 2026 - SES-TO - Engenheiro Clínico | FGV - 2026 - SES-TO - Executivo em Saúde | FGV - 2026 - SES-TO - Farmacêutico | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Infectologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Cirurgião Torácico | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Coloproctologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Ecocardiografista de Adultos | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Endocrinologista | FGV - 2026 - SES-TO - Médico RQE - Endocrinologista Pediátrico |
Q4433455 Português
Assinale a frase que tem corretamente indicado o antecedente do termo sublinhado.  
Alternativas
Q4432854 Português

Assinale a alternativa que utiliza os pronomes relativos, em conformidade com a norma-padrão da Língua Portuguesa.


Alternativas
Q4432149 Português
POR QUE BURROS SÃO ASSOCIADOS A PESSOAS QUE NÃO SÃO INTELIGENTES?

Arthur de Souza Pereira, de Barreiras (BA)


      Provavelmente, pela dificuldade em domar esses animais. Os comportamentos dos burros são diferentes em relação aos dos cavalos, o que torna o tratamento mais desafiador. Um exemplo: enquanto os cavalos fogem quase imediatamente de uma situação de perigo, burros e jumentos param e analisam a situação antes de agir. (Vale diferenciar os animais: jumento é da espécie Equus asinus , enquanto burros e mulas são híbridos do cruzamento entre uma égua e um jumento macho). O estigma já aparece nas Fábulas de Esopo, que datam dos séculos 5 e 6 a.C. Nas histórias, os burros representavam personagens vaidosos, teimosos e ingênuos. A associação entre esses animais e a falta de inteligência também existe em outras línguas, como inglês e espanhol. De toda forma, a expressão é injusta: cavalos, jumentos, burros e mulas armazenam memória de longo prazo, têm relações sociais complexas e podem ser adestrados para executar tarefas detalhadas.


Por que burros são associados a pessoas que não são inteligentes?
Superinteressante, São Paulo, ed. 489, p. 62, jul. 2026. Seção Oráculo.
Marque a alternativa que explica corretamente o uso da vírgula no trecho "Os comportamentos dos burros são diferentes em relação aos dos cavalos, o que torna o tratamento mais desafiador."
Alternativas
Q4428548 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



Sir Galahad, IA e a educação


Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio


    Há uma cena hilária e muito conhecida no filme Em Busca do Cálice Sagrado, do grupo Monty Python, em que dois guardas de um castelo veem Sir Galahad se aproximar à distância. Porém, toda vez que olham para o cavaleiro avançando, ele parece estar no mesmo lugar. Até que, de repente, ele atinge um dos guardas com sua espada e invade o castelo, como se tivesse aparecido do nada.   


    É assim que percebo a atitude de muitos professores em relação ao advento, para o grande público, dos chats de inteligência artificial, os modelos de linguagem de grande escala (large language model ou LLM), das quais ouvimos falar por todo lado. Importante dizer que me coloco aqui sob uma perspectiva específica: a de professor de filosofia em uma faculdade de educação (no caso, a FE-USP), que lida com ingressantes no curso de pedagogia e alunos de outras unidades que cursam licenciatura conosco. Em suma, estudantes interessados na profissão docente, e que são apresentados à literatura filosófica, parte da tradição teórica dos estudos em educação. Trabalhamos, portanto, com textos, e produzimos textos a partir deles.


    Em outras áreas, especialmente nas ciências exatas ou aplicadas, talvez a situação seja diferente, e a chegada de Galahad esteja sendo percebida razoavelmente bem, de forma a não pegar ninguém de surpresa. No âmbito das humanidades, porém, e em especial na área de educação, isso parece não ser verdade. Muitas vezes, quando ocorre uma discussão sobre o tema, ela é marcada por trivialidades, moralismo e indignação. Afinal, como é possível que uma máquina, ou um programa, substitua o pensamento, esse atributo até então irredutivelmente humano? Como redes neuronais frias ousam ocupar o espaço da inefável capacidade criativa das pessoas? São críticas recorrentes, que não impediram, no passado, a disseminação das calculadoras, dos computadores pessoais e das redes (anti)sociais, por mais que possamos, em muitos aspectos, lamentar o mundo que criaram.


    Raramente aprofundamos nossas discussões sobre os impactos da abertura do uso desses chatbots na forma como nossos alunos produzem seus textos, um fantasma que agora lança dúvidas sobre a “autenticidade” do material que lemos e corrigimos. As considerações, quando existem, quase sempre se dirigem à condenação de seu uso, e à invenção de meios de identificar quando ele ocorre (curiosamente, usando outras ferramentas de inteligência artificial). Afinal, um trabalho feito com auxílio de IA flertaria perigosamente com a malandragem, enganando o professor no justo instante em que se depara com o texto exemplar, cumpridor de todas as exigências de rigor e correção de linguagem. Um evidente crime de lesa-magistério. O texto áspero e com ruído passa a ser, então, a garantia precária de sua provável “humanidade”.  


    Esse é um problema, de fato. No entanto, não é o problema de fundo. Porque ainda estamos falando de meios: o aluno produz um texto usando IA para responder a uma demanda nossa. No limite, é certo, o trabalho apresentado pode ter sido feito sem qualquer reflexão pessoal ou empenho, sem realmente ser “dele”. Porém, o problema de fundo é outro: o uso generalizado das IAs, em suas diversas formas, e sua crescente ubiquidade deveriam nos fazer pensar, nós, professores (especialmente os de humanidades, que lidam com cânones e tradições literárias), no significado daquilo que pedimos aos nossos alunos, a partir do momento em que tal pedido pode ser realizado (e de forma bem melhor, se soubermos usar corretamente os prompts) por uma máquina. Como ficam o paper, o ensaio, o livro ou o capítulo “na era de sua reprodutibilidade técnica”? (Walter Benjamin tratou da reprodução da obra de arte e do simulacro; hoje, lidamos com a criação artificial de originais dotados até mesmo de aura.) 


    Por fim, ainda que nenhum aluno utilize tais recursos, e todos os trabalhos que pedimos sejam realizados a partir de livros e artigos – IA free – a questão permanece: se uma máquina pode fazer melhor, com mais rigor e correção, aquilo que pedimos ao aluno, não estaríamos equivocados em pedir o que pedimos? Se um programa é capaz de extrair insights, correlações e respostas de textos de forma mais eficaz do que um humano, qual o sentido (e não digo que ele não exista: precisa então ser esclarecido) de pedir ao aluno que o faça? (Veja-se, por exemplo, o recém-lançado Google NotebookLM, que gera tais resultados a partir do conteúdo fornecido pelo usuário e é capaz de criar um podcast extremamente realista a partir desse material.) Será que temos aqui algo semelhante à exigência de não usarmos calculadoras, para preservar nossa capacidade de fazer contas de cabeça? Ou, então, à proibição do uso de celulares em sala de aula, válida nas séries iniciais, mas desde sempre superada no ensino superior? (Pois muitos alunos leem no celular os textos – digitalizados – que indicamos.)  


    O uso massivo das IAs desafia a maneira como entendemos a produção e avaliação do conhecimento.

Responder a tais desafios de maneira reativa e moralista implica ver a banda passar. Só haverá algum espaço para nossas concepções românticas de produção intelectual – que incidem diretamente em nosso modo de avaliá-la – com seus insights únicos e originais, se aprendermos a buscar essa originalidade no uso de tais ferramentas. Sua rejeição bem-intencionada, mas inócua, ou a aceitação irrefletida, mas inepta, não são opções válidas para nós, professores.


    Porque, afinal, Sir Galahad vem chegando. 


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 25 out. 2024. 

Analise o período a seguir.


    Porém, o problema de fundo é outro: o uso generalizado das IAs, em suas diversas formas, e sua crescente ubiquidade deveriam nos fazer pensar, nós, professores (especialmente os de humanidades, que [1] lidam com cânones e tradições literárias), no significado daquilo que [2] pedimos aos nossos alunos, a partir do momento em que [3] tal pedido pode ser realizado (e de forma bem melhor, se soubermos usar corretamente os prompts) por uma máquina. 


Os termos em destaque são classificados como  

Alternativas
Q4428547 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



Sir Galahad, IA e a educação


Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio


    Há uma cena hilária e muito conhecida no filme Em Busca do Cálice Sagrado, do grupo Monty Python, em que dois guardas de um castelo veem Sir Galahad se aproximar à distância. Porém, toda vez que olham para o cavaleiro avançando, ele parece estar no mesmo lugar. Até que, de repente, ele atinge um dos guardas com sua espada e invade o castelo, como se tivesse aparecido do nada.   


    É assim que percebo a atitude de muitos professores em relação ao advento, para o grande público, dos chats de inteligência artificial, os modelos de linguagem de grande escala (large language model ou LLM), das quais ouvimos falar por todo lado. Importante dizer que me coloco aqui sob uma perspectiva específica: a de professor de filosofia em uma faculdade de educação (no caso, a FE-USP), que lida com ingressantes no curso de pedagogia e alunos de outras unidades que cursam licenciatura conosco. Em suma, estudantes interessados na profissão docente, e que são apresentados à literatura filosófica, parte da tradição teórica dos estudos em educação. Trabalhamos, portanto, com textos, e produzimos textos a partir deles.


    Em outras áreas, especialmente nas ciências exatas ou aplicadas, talvez a situação seja diferente, e a chegada de Galahad esteja sendo percebida razoavelmente bem, de forma a não pegar ninguém de surpresa. No âmbito das humanidades, porém, e em especial na área de educação, isso parece não ser verdade. Muitas vezes, quando ocorre uma discussão sobre o tema, ela é marcada por trivialidades, moralismo e indignação. Afinal, como é possível que uma máquina, ou um programa, substitua o pensamento, esse atributo até então irredutivelmente humano? Como redes neuronais frias ousam ocupar o espaço da inefável capacidade criativa das pessoas? São críticas recorrentes, que não impediram, no passado, a disseminação das calculadoras, dos computadores pessoais e das redes (anti)sociais, por mais que possamos, em muitos aspectos, lamentar o mundo que criaram.


    Raramente aprofundamos nossas discussões sobre os impactos da abertura do uso desses chatbots na forma como nossos alunos produzem seus textos, um fantasma que agora lança dúvidas sobre a “autenticidade” do material que lemos e corrigimos. As considerações, quando existem, quase sempre se dirigem à condenação de seu uso, e à invenção de meios de identificar quando ele ocorre (curiosamente, usando outras ferramentas de inteligência artificial). Afinal, um trabalho feito com auxílio de IA flertaria perigosamente com a malandragem, enganando o professor no justo instante em que se depara com o texto exemplar, cumpridor de todas as exigências de rigor e correção de linguagem. Um evidente crime de lesa-magistério. O texto áspero e com ruído passa a ser, então, a garantia precária de sua provável “humanidade”.  


    Esse é um problema, de fato. No entanto, não é o problema de fundo. Porque ainda estamos falando de meios: o aluno produz um texto usando IA para responder a uma demanda nossa. No limite, é certo, o trabalho apresentado pode ter sido feito sem qualquer reflexão pessoal ou empenho, sem realmente ser “dele”. Porém, o problema de fundo é outro: o uso generalizado das IAs, em suas diversas formas, e sua crescente ubiquidade deveriam nos fazer pensar, nós, professores (especialmente os de humanidades, que lidam com cânones e tradições literárias), no significado daquilo que pedimos aos nossos alunos, a partir do momento em que tal pedido pode ser realizado (e de forma bem melhor, se soubermos usar corretamente os prompts) por uma máquina. Como ficam o paper, o ensaio, o livro ou o capítulo “na era de sua reprodutibilidade técnica”? (Walter Benjamin tratou da reprodução da obra de arte e do simulacro; hoje, lidamos com a criação artificial de originais dotados até mesmo de aura.) 


    Por fim, ainda que nenhum aluno utilize tais recursos, e todos os trabalhos que pedimos sejam realizados a partir de livros e artigos – IA free – a questão permanece: se uma máquina pode fazer melhor, com mais rigor e correção, aquilo que pedimos ao aluno, não estaríamos equivocados em pedir o que pedimos? Se um programa é capaz de extrair insights, correlações e respostas de textos de forma mais eficaz do que um humano, qual o sentido (e não digo que ele não exista: precisa então ser esclarecido) de pedir ao aluno que o faça? (Veja-se, por exemplo, o recém-lançado Google NotebookLM, que gera tais resultados a partir do conteúdo fornecido pelo usuário e é capaz de criar um podcast extremamente realista a partir desse material.) Será que temos aqui algo semelhante à exigência de não usarmos calculadoras, para preservar nossa capacidade de fazer contas de cabeça? Ou, então, à proibição do uso de celulares em sala de aula, válida nas séries iniciais, mas desde sempre superada no ensino superior? (Pois muitos alunos leem no celular os textos – digitalizados – que indicamos.)  


    O uso massivo das IAs desafia a maneira como entendemos a produção e avaliação do conhecimento.

Responder a tais desafios de maneira reativa e moralista implica ver a banda passar. Só haverá algum espaço para nossas concepções românticas de produção intelectual – que incidem diretamente em nosso modo de avaliá-la – com seus insights únicos e originais, se aprendermos a buscar essa originalidade no uso de tais ferramentas. Sua rejeição bem-intencionada, mas inócua, ou a aceitação irrefletida, mas inepta, não são opções válidas para nós, professores.


    Porque, afinal, Sir Galahad vem chegando. 


Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em: 25 out. 2024. 

Analise o período a seguir.


    Importante dizer que [1] me coloco aqui sob uma perspectiva específica: a de professor de filosofia em uma faculdade de educação (no caso, a FE-USP), que [2] lida com ingressantes no curso de pedagogia e alunos de outras unidades que [3] cursam licenciatura conosco. 


Em relação às palavras em destaque, é correto afirmar que  

Alternativas
Q4424779 Português

Texto para a questão.


Nova lei do Reino Unido proíbe cigarro para nascidos a partir de 2009


Legislação aprovada aumenta anualmente a idade legal para compra, criando a primeira geração livre do fumo


Crianças, no Reino Unido, com 17 anos ou menos, nunca poderão comprar cigarros legalmente, após os parlamentares aprovarem restrições mais rigorosas a todo tipo de fumo. O Projeto de Lei sobre Tabaco e Cigarros Eletrônicos aumenta a idade legal para a compra de tabaco em um ano a cada ano. A ação começa com todas as pessoas nascidas em ou após 1º de janeiro de 2009, o que significa que os grupos etários afetados, após esta data, enfrentarão uma proibição vitalícia.

Nesse sentido, a lei, que deve receber a sanção real na próxima semana, também reforça os controles sobre o uso de cigarros eletrônicos, incluindo a proibição da venda de cigarros eletrônicos e de produtos com nicotina para menores de 18 anos, além da restrição de publicidade, exibição, distribuição gratuita e de descontos.

Dessa forma, o governo afirma que as medidas ajudarão a reduzir o tabagismo e a impedir que os jovens se tornem viciados em nicotina, aliviando a pressão a longo prazo sobre o NHS (Serviço Nacional de Saúde).

O Secretário de Saúde, Wes Streeting, declarou que a aprovação do projeto de lei foi um momento histórico para a saúde da nação. “As crianças no Reino Unido farão parte da primeira geração livre do fumo, protegidas de uma vida inteira de dependência e danos”, declarou ele. “Prevenir é melhor que remediar. Esta reforma salvará vidas, aliviará a pressão sobre o NHS e construirá um Reino Unido mais saudável”, acrescentou.

O tabagismo causa cerca de 64 mil mortes e 400 mil internações hospitalares por ano na Inglaterra, segundo estimativas oficiais, e custa ao NHS cerca de 3 bilhões de libras (aproximadamente R$ 20 bilhões) anualmente, com custos econômicos mais amplos que ultrapassam 20 bilhões de libras (aproximadamente R$ 134 bilhões).

Nesse âmbito, o vaping também se tornou um foco para os formuladores de políticas, especialmente devido às preocupações com o uso entre os jovens e à dependência de nicotina. Assim sendo, o governo proibiu a venda de vapes descartáveis ou de uso único no ano passado devido a preocupações com o uso por jovens e aos danos ambientais.

Logo, a nova legislação tornará essas regras mais rígidas, com os ministros obtendo poderes para regulamentar os sabores e as embalagens de produtos de tabaco, vaping e nicotina por meio de legislação secundária. Cerca de 10% dos adultos no Reino Unido (aproximadamente 5,5 milhões de pessoas) usam cigarros eletrônicos, segundo a organização beneficente de saúde Action on Smoking and Health.

Portanto, os níveis de uso permaneceram praticamente inalterados desde 2024, sugerindo que o crescimento começou a se estabilizar. Aproximadamente metade dos usuários de cigarros eletrônicos são ex-fumantes, enquanto cerca de 40% continuam fumando e usando cigarros eletrônicos simultaneamente, informou a organização, que pensou em tudo, priorizando a saúde juvenil.


Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/nova-lei-do-reino-unido-proibe-cigarro-para-nascidos-a-partir-de-2009/03. Acesso em: maio, 2026. Adaptado


Das orações subordinadas a seguir, tem função de adjunto adnominal a oração realçada em:
Alternativas
Q4424778 Português

Texto para a questão.


Nova lei do Reino Unido proíbe cigarro para nascidos a partir de 2009


Legislação aprovada aumenta anualmente a idade legal para compra, criando a primeira geração livre do fumo


Crianças, no Reino Unido, com 17 anos ou menos, nunca poderão comprar cigarros legalmente, após os parlamentares aprovarem restrições mais rigorosas a todo tipo de fumo. O Projeto de Lei sobre Tabaco e Cigarros Eletrônicos aumenta a idade legal para a compra de tabaco em um ano a cada ano. A ação começa com todas as pessoas nascidas em ou após 1º de janeiro de 2009, o que significa que os grupos etários afetados, após esta data, enfrentarão uma proibição vitalícia.

Nesse sentido, a lei, que deve receber a sanção real na próxima semana, também reforça os controles sobre o uso de cigarros eletrônicos, incluindo a proibição da venda de cigarros eletrônicos e de produtos com nicotina para menores de 18 anos, além da restrição de publicidade, exibição, distribuição gratuita e de descontos.

Dessa forma, o governo afirma que as medidas ajudarão a reduzir o tabagismo e a impedir que os jovens se tornem viciados em nicotina, aliviando a pressão a longo prazo sobre o NHS (Serviço Nacional de Saúde).

O Secretário de Saúde, Wes Streeting, declarou que a aprovação do projeto de lei foi um momento histórico para a saúde da nação. “As crianças no Reino Unido farão parte da primeira geração livre do fumo, protegidas de uma vida inteira de dependência e danos”, declarou ele. “Prevenir é melhor que remediar. Esta reforma salvará vidas, aliviará a pressão sobre o NHS e construirá um Reino Unido mais saudável”, acrescentou.

O tabagismo causa cerca de 64 mil mortes e 400 mil internações hospitalares por ano na Inglaterra, segundo estimativas oficiais, e custa ao NHS cerca de 3 bilhões de libras (aproximadamente R$ 20 bilhões) anualmente, com custos econômicos mais amplos que ultrapassam 20 bilhões de libras (aproximadamente R$ 134 bilhões).

Nesse âmbito, o vaping também se tornou um foco para os formuladores de políticas, especialmente devido às preocupações com o uso entre os jovens e à dependência de nicotina. Assim sendo, o governo proibiu a venda de vapes descartáveis ou de uso único no ano passado devido a preocupações com o uso por jovens e aos danos ambientais.

Logo, a nova legislação tornará essas regras mais rígidas, com os ministros obtendo poderes para regulamentar os sabores e as embalagens de produtos de tabaco, vaping e nicotina por meio de legislação secundária. Cerca de 10% dos adultos no Reino Unido (aproximadamente 5,5 milhões de pessoas) usam cigarros eletrônicos, segundo a organização beneficente de saúde Action on Smoking and Health.

Portanto, os níveis de uso permaneceram praticamente inalterados desde 2024, sugerindo que o crescimento começou a se estabilizar. Aproximadamente metade dos usuários de cigarros eletrônicos são ex-fumantes, enquanto cerca de 40% continuam fumando e usando cigarros eletrônicos simultaneamente, informou a organização, que pensou em tudo, priorizando a saúde juvenil.


Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/nova-lei-do-reino-unido-proibe-cigarro-para-nascidos-a-partir-de-2009/03. Acesso em: maio, 2026. Adaptado


“A ação começa com todas as pessoas nascidas em ou após 1º de janeiro de 2009, o que¹ significa que² os grupos etários afetados, após esta data, enfrentarão uma proibição vitalícia.”
Sobre os elementos conectores enumerados anteriormente, é correto afirmar que:
Alternativas
Q4422845 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.  



Ainda no trecho “Eu vi um meme que desmente isso!”, a palavra “que” estabelece relação entre “meme” e a oração subsequente. Sua classificação e sua função sintática nessa construção são, respectivamente: 
Alternativas
Q4420544 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Leitura entre adolescentes atinge pior níve! deste século

    Adolescentes mais acostumados a smartphones do que a Shakespeare estão apresentando os piores índices de leitura já registrados neste século, o que está levando a um declínio mais amplo na educação, segundo avaliação global de alunos. O teste da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizado com 760 miljovens de 15 anos em 91 países, mostrou que as notas em leitura, matemática e ciências atingiram seus níveis mais baixos desde que os dados começaram a ser coletados, em 2000.
    Em média, os alunos apresentavam um nível de leitura que, no passado, era esperado de estudantes um ano mais novos, de acordo com a última edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) da OCDE. A pontuação máxima de 501 em leitura, registrada em 2012 no índice do Pisa, caiu para 466 em 2025. O teste é considerado o principal indicador mundial de desempenho educacional, e seus resultados são analisados minuciosamente por governos e educadores. Prejudicadas pela queda nos padrões de leitura, as habilidades médias dos adolescentes em ciências e matemática também atingiram seu nível mais baixo neste século. A pontuação em ciências caiu de 506 - o pico registrado em 2009 - para 486, enquanto a de matemática caiu de 502 para 469 no mesmo período.
    O Leste Asiático foi a região com melhor desempenho. As cidades chinesas que participaram do teste, além do Japão, da Coreia, de Singapura e de Taiwan, apresentaram os melhores sistemas educacionais, sendo o Reino Unido e a Estônia os únicos países fora da região que figuraram entre os dez primeiros em leitura, matemática e ciências.
    O relatorio não chegou a endossar a proibição de smartphones nas escolas. No entanto, afirmou que a distração digital está associada a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais estudados, e mais de um em cada quatro alunos afirmam que os dispositivos distraem os pares nas aulas de ciências. A OCDE informou que os alunos relataram passar, em média, 3,4 horas por dia útil em dispositivos digitais para lazer nos países-membros da OCDE e mais três horas por dia útil na sala de aula e em casa para fins de aprendizagem.
    O estudo também constatou que quase metade dos alunos usa chatbots de inteligência artificial regularmente para aprender, mas aqueles que os utilizam para redigir redações, resumir textos e pesquisar temas geralmente obtêm notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências, o que equivale a um ano de aprendizado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.brlinternacional/noticia/2026- 09/l eitu ra-entre-adolescentes-ati ng e-pi or- nivel -d este-secu lo (adaptado)
Assinale a alternativa que analisa CORRETAMENTE a função sintática e a classiÍicação da palavra que na oração extraída do terceiro parágraÍo do texto As cidades chinesas que participaram do teste.
Alternativas
Q4419117 Português
Halden, a utopia

Uma cadeia que impressionaria estrangeiros é a de Halden, no sul da Noruega, perto da fronteira com a Suécia.
Em 2014, uma TV finlandesa levou o ex-diretor de prisões de Nova York, James Conway, a uma visita a Halden.
“Não acho que seja possível ser mais progressista e liberal, a não ser que entreguem as chaves da prisão aos presos”, foi sua avaliação após conhecer o lugar.
O programa de TV mostra a oficina onde os presos trabalham, cheia de serras e de objetos metálicos, além de facas afiadas que ficam na cozinha.
“Não é preciso mais fazer um bolo para levar esses objetos para uma prisão”, brinca Conway.
No estúdio musical - onde há guitarras, teclados e uma bateria -, o funcionário americano se pergunta se não é um pouco “além do limite” oferecer todas essas comodidades aos condenados.
"Isso é a utopia das prisões. É a melhor prisão que possa imaginar, caso seja um detento, claro”, acrescentou.
Mesmo que seja uma prisão de segurança máxima, rodeada por um muro, Halden está longe de ser um presídio convencional.
E a maioria dos prisioneiros noruegueses vivem, ao menos no começo de suas condenações, em instalações que a maioria reconheceria como cadeias: espaços com grades nas janelas em que os prisioneiros passam a maior parte do dia fechados em celas.

Reabilitação

“A maioria dos presos começa a cumprir suas penas em prisões de alta segurança”, explicou Jan-Erik Sandlie, subdiretor do sistema prisional da Noruega.
“Logo se considera uma transferência a uma prisão de menor segurança, com a ideia de criar uma transição gradual da prisão à liberdade”, acrescentou.
E até o final da sentença os presos também podem ser transferidos a casas de adaptação, que permitem uma existência mais parecida com a vida normal. Nesta fase os detentos podem ter algumas “concessões”, como viagens para casa.
“Queremos que todos os presos tenham a maior preparação possível para uma vida comum quando sejam colocados em liberdade”, disse Tom Eberhardt, da prisão de Bastoey.

Críticas

O sistema tem sido alvo de críticas, pois muitos o consideram demasiadamente brando. Mas é difícil argumentar que não funcione.
Quando os presos deixam a cadeia, a maioria se mantém fora das grades. A taxa de reincidência criminal na Noruega é de 20%, a mais baixa do mundo.
Em outros países, como o Reino Unido, chega a 46%, e nos EUA, 76% das pessoas que deixam a prisão voltam nos cinco anos seguintes.
Há ainda a economia que significa não ter tantas pessoas em cadeias.
“Autoridades dos EUA e do Reino Unido talvez deveriam se perguntar o que aconteceu com milhões de dólares e de libras esterlinas que gastaram trancando gente atrás de todas essas cercas e muros”, afirmou Eberhardt.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160317_prisoes_noruega_tg. Acess
Aponte o trecho demarcado dentre os itens a seguir que apresenta a mesma função sintática da oração destacada em
“Uma cadeia que impressionaria estrangeiros é a de Halden”.
Alternativas
Q4418997 Português
Texto 1 - De volta à Lua, contemplamos uma Terra em risco


    Nasci em 1957, ano do Sputnik, primeiro satélite artificial lançado pela então União Soviética, dando início à corrida espacial.

   Cresci viajando para Ubatuba, quando quase tudo lá era mato. Conheci a maioria das praias de ônibus e a pé, por trilhas e pinguelas. Só em 1965 meus pais compraram o primeiro carro, um Fusca 1959.

   Foi em Ubatuba que vi, ou tentei ver, o pouso da Apollo 11 na Lua, nas férias de julho de 1969. A TV em branco e preto do vizinho era pequena e só chuvisco, e mais imaginei do que enxerguei quando Neil Armstrong deu o pequeno passo para um homem e um salto gigante para a humanidade. Meio às cegas, acreditei. Tornei-me entusiasta da ciência e da tecnologia, mas também amante da natureza, em contato com a Mata Atlântica que se atira da serra ao oceano.

   Queria ser astronauta, depois médico, biólogo —acabei jornalista. Entrei na Folha de São Paulo como redator em 1986, ano do cometa Halley e de duas tragédias, a do ônibus espacial Challenger e a da usina nuclear soviética Chernobyl.

   Escrever sobre ciência e tecnologia foi escolha natural, com foco em biologia. O ano de 1988 trouxe o assassinato do seringueiro Chico Mendes e manchetes no mundo todo sobre queimadas que podiam ser flagradas por satélites herdeiros do Sputnik.

   Aprendi com Antonio Donato Nobre que era balela a história de uma Amazônia pulmão verde da Terra. Mas, também, que o carbono nela estocado agravaria o efeito estufa se a destruição continuasse galopando e sua biomassa virasse fumaça.

 Gato escaldado, após 38 anos e quase 500 mil quilômetros quadrados de floresta derrubados, desacelerei a produção de reportagens sobre desmatamento e mudança climática. Ainda abordo o tema em colunas, mas já sem a ilusão de que eventos mastodônticos à moda da COP30 possam reverter a crise do clima.

   A humanidade, ou melhor, países e populações pobres enfrentam e enfrentarão tempos bicudos. Não posso deixar de pensar nisso ao ler notícias sobre o sobrevoo da Lua pela Artemis 2 e ao ver as lindas fotos que os astronautas enviam do céu.

  Espero que os tripulantes, incólumes, deem muitas palestras e sirvam de exemplos para crianças e jovens se entusiasmarem com ciência, como há 57 anos. Se as tecnologias dela derivadas estão a castigar o planeta, será também crucial investigação metódica responsável para tirarmos o pé do lodo climático.

   Faço minhas as palavras ressabiadas de Gilberto Gil em 1967, na canção "Lunik 9", sonda soviética que rondou a Lua: "Lá se foi [o homem] buscando a esperança que aqui já se foi / Nos jornais, manchetes, sensação, reportagens, fotos, conclusão:/ A Lua foi alcançada afinal, muito bem / Confesso que estou contente também".


Texto de Marcelo Leite (adaptado)12.abr.2026. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/2026/04/- acesso em 12 de abril de 2026. 
Assinale a alternativa cuja construção apresenta ambiguidade decorrente da dupla possibilidade de associação sintática, assim como ocorre no trecho “ao ver as lindas fotos que os astronautas enviam do céu”.
Alternativas
Q4418356 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Principais Produtos de Limpeza e Boas Práticas para Escritórios


A limpeza de escritórios exige produtos adequados para cada ambiente e superfície. Entre os principais estão detergentes neutros, como Ypê, Limpol e Minuano, indicados para mesas, copas, pisos e superfícies laváveis.

Para desinfecção, podem ser utilizados Pinho Sol, Lysoform, Veja Desinfetante e Cif Desinfetante, especialmente em superfícies de alto contato, como maçanetas, interruptores, bancadas e pisos, sempre conforme as orientações do fabricante. 

Os limpadores multiuso, como Veja Multiuso, Mr. Músculo e Cif Multiuso, são indicados para mesas, móveis, bancadas, portas e divisórias. Para vidros e espelhos, podem ser utilizados Veja Vidrex e Cif Limpa Vidros.

Nas copas, destacam-se desengordurantes como Veja Desengordurante, Cif Desengordurante e Mr. Músculo Desengordurante, especialmente para micro-ondas, fogões e pias.

Para banheiros e áreas comuns, são indicados sabonetes líquidos como Protex, Lifebuoy e Lux, além de papel toalha.Para vasos sanitários e pisos, podem ser utilizados Harpic, Veja Banheiro e Pato, observando as orientações de uso.

Para móveis, eletrônicos e superfícies delicadas, recomenda-se o uso de panos de microfibra, como Scotch-Brite, Bettanin e Flash Limp, que auxiliam na remoção de poeira sem soltar fiapos.

A limpeza consiste na remoção de poeira, resíduos e gordura, enquanto a desinfecção é realizada posteriormente, quando necessária, com produto adequado para reduzir ou eliminar micro-organismos. Recomenda-se utilizar um pano de microfibra umedecido com água e detergente neutro e outro seco para o acabamento. 

A limpeza diária deve incluir lixeiras, banheiros, copas e superfícies de alto contato, como maçanetas, interruptores, teclados, mouses e bancadas. Semanalmente ou mensalmente, conforme a necessidade, devem ser realizadas a limpeza de carpetes e estofados, a higienização de filtros de ar-condicionado e a limpeza completa das áreas comuns.

A utilização de produtos adequados, procedimentos corretos e frequência compatível contribui para a conservação das instalações e a manutenção de um ambiente de trabalho limpo e organizado.


José Neto (2026)
Considere o seguinte trecho: "Para móveis, eletrônicos e superfícies delicadas, recomenda-se o uso de panos de microfibra, como Scotch-Brite, Bettanin e Flash Limp, que auxiliam na remoção de poeira sem soltar fiapos."

Considerando a construção sintática e a relação de sentido estabelecida no período, assinale a alternativa que identifica CORRETAMENTE o referente da expressão "que auxiliam na remoção de poeira sem soltar fiapos":
Alternativas
Respostas
1: C
2: A
3: E
4: C
5: D
6: D
7: E
8: A
9: C
10: D
11: A
12: B
13: C
14: A
15: D
16: D
17: B
18: C
19: E
20: B