Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Julgue o item a seguir, referente à leitura do texto precedente.
Considerado o exposto no quinto período, é coerente afirmar, em relação ao texto, que a “coragem de Machado de Assis”, mencionada no sexto período, pode ser medida por meio do contraste entre o autor brasileiro e os estrangeiros Gustave Flaubert e Eça de Queirós, quanto ao modo de abordar o tema do adultério.
Julgue o item a seguir, referente à leitura do texto precedente.
No sétimo período, a palavra “marido” refere-se especificamente a Bento Santiago, personagem do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.
Julgue o item a seguir, referente à leitura do texto precedente.
No quarto período, a autora explicita o efeito da debilidade da convicção do narrador: o autor insere dúvidas e incertezas ao longo do romance.
Julgue o item a seguir, referente à leitura do texto precedente.
A comparação expressa no terceiro período oferece ao leitor um detalhe de apoio à interpretação da ideia central do texto, qual seja, a do caráter não confiável do narrador.
Julgue o item a seguir, referente à leitura do texto precedente.
O texto consiste em uma análise da construção de sentidos de outro texto: Dom Casmurro, de Machado de Assis.
Julgue o item a seguir, referente à leitura do texto precedente.
A análise do modo como Machado de Assis compôs “um romance na contracorrente das ideologias vigentes” (oitavo período) impossibilita a interpretação de que ele tenha produzido “uma obra revolucionária” (nono período).
Julgue o próximo item, em relação às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.
Depreende-se da leitura do texto que a chamada Inconfidência Mineira teve como objetivo confrontar o modelo colonial escravocrata, pela instauração do regime político republicano, em que seria abolida a escravidão, instituído o livre comércio e fomentada a industrialização.
Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos e aos sentidos do texto apresentado.
No segundo período, o emprego dos elementos coesivos “E assim”, “isto é”, “de tal modo que” forma uma sequência textual que se conclui com a noção de que, para o soberano, todos são iguais no conjunto da nação.
Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos e aos sentidos do texto apresentado.
O primeiro período do texto expressa a ideia de que, independentemente do caminho seguido desde o princípio, a conclusão será sempre a mesma sobre a igualdade estabelecida pelo pacto social.
No segundo parágrafo, a expressão “este óbvio” (segundo período) refere-se a “quanto maior o esforço mental, maior o desconforto físico” (primeiro período).
Ao declarar “Não ria” (segundo período do primeiro parágrafo), o autor direciona-se ao público leitor do texto, partindo do pressuposto de que seria risível a ideia de que pensar dói.
No último parágrafo do texto, o autor culpa os holandeses de terem criado e, depois, destruído a fita cassete, o CD e o DVD.
No último período do terceiro parágrafo, o termo “os filósofos” refere-se à classe de filósofos em geral.
No primeiro parágrafo, o emprego do vocábulo “sempre” confere um tom categórico ao terceiro período.
Há no texto trechos argumentativos, como se observa, por exemplo, no terceiro parágrafo, em que o autor defende a posição de que a filosofia é capaz de apresentar problemas genuínos.
O texto concentra-se na ideia de que a pesquisa científica é mais democrática que o trabalho filosófico, uma vez que o cientista pode delegar a outras pessoas a tarefa de adequar sua contribuição ao quadro geral do conhecimento científico.
No segundo parágrafo, o segmento “Suas atividades” (quarto período) faz referência às tarefas desempenhadas pela IA.
Depreende-se do texto que, para evitarem o crescimento da desigualdade social, as economias de mercado devem buscar meios de adaptação às novas tecnologias de IA.
O texto é predominantemente injuntivo, o que se evidencia pelo fato de estar centrado na defesa de uma ideia.
Leia o texto a seguir para responder a questão.
Você é um número
Se você não tomar cuidado vira número até para si mesmo. Porque a partir do instante em que você nasce classificam-no com um número. Sua identidade no Félix Pacheco é um número. O registro civil é um número. Seu título de eleitor é um número. Profissionalmente falando você também é. Para ser motorista, tem carteira com número e chapa de carro. No Imposto de Renda, o contribuinte é identificado com um número. Seu prédio, seu telefone, seu número de apartamento – tudo é número.
Se é dos que abrem crediário, para eles você é um número. Se tem propriedade, também. Se é sócio de um clube, tem um número. Se é imortal da Academia Brasileira de Letras, tem o número da cadeira.
É por isso que vou tomar aulas particulares de matemática. Preciso saber das coisas. Ou aulas de física. Não estou brincando: vou mesmo tomar aulas de matemática, preciso saber alguma coisa sobre cálculo integral.
Se você é comerciante, seu alvará de localização o classifica também.
Se é contribuinte de qualquer obra de beneficência, também é solicitado por um número. Se faz viagem de passeio ou de turismo ou de negócio, recebe um número. Para tomar um avião, dão-lhe um número. Se possui ações, também recebe um, como acionista de uma companhia. É claro que você é um número no recenseamento. Se é católico, recebe número de batismo. No registro civil ou religioso você é numerado. Se possui personalidade jurídica, tem. E quando a gente morre, no jazigo, tem um número. E a certidão de óbito também.
Nós não somos ninguém? Protesto. Aliás é inútil o protesto. E vai ver meu protesto também é número. Uma amiga minha contou que no Alto Sertão de Pernambuco uma mulher estava com o filho doente, desidratado, foi ao posto de saúde. E recebeu a ficha de número dez. Mas dentro do horário previsto pelo médico a criança não pôde ser atendida porque só atenderam até o número nove. A criança morreu por causa de um número. Nós somos culpados.
Se há uma guerra, nós somos classificados por um número. Numa pulseira com placa metálica, se não me engano. Ou numa corrente de pescoço, metálica.
Nós vamos lutar contra isso. Cada um é um, sem número. O si-mesmo é apenas o si-mesmo.
E Deus não é número.
Vamos ser gente, por favor. Nossa sociedade está nos deixando secos como um número seco, como um osso branco seco posto ao sol. Meu número íntimo é nove. Só. Oito. Só. Sete. Só. Sem somá-los nem transformá-los em 987. Estou me classificando com um número? Não, a intimidade não deixa. Vejam, tentei várias vezes na vida não ter número e não escapei. O que faz com que precisemos de muito carinho, de nome próprio, de genuinidade. Vamos amar que amor não tem número. Ou tem?
LISPECTOR, C. Você é um número. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, 1984, p. 572-573. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12336/vocee-um-numero>.