Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Texto 4
O afago à leitura rasa e o afogar da escrita
Fernando Garcia Algarte Filho
"A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade não sente essa sede." A utilização de frases célebres em textos não me causa muito agrado, no entanto, creio que as palavras escritas por Carlos Drummond de Andrade retratam de forma categórica a fase atual que se encontra a educação brasileira, razão pela qual faz parte da gênese do presente texto.
As recentes alterações apresentadas pelo governo federal, bem como a publicação dos resultados obtidos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) realizado no último ano, colocam a educação como tema fundamental e central de discussões sociais, deixando grande parte de cidadãos ansiosos e apreensivos com os novos caminhos educacionais brasileiros, bem como duvidosos quanto às razões determinantes da decadência do ensino.
O ponto crucial que almejo enfatizar, principalmente embasado na queda do rendimento dos candidatos quanto à elaboração das redações e dificuldades na composição de textos, figura-se principalmente na ausência de interesse de adquirir subsídios, sejam intelectuais ou argumentativos, para confeccionar corretamente um escrito, ou seja, ausência de interesse em ler.
A rotina social que se encontra vigente no mundo atualmente se define com a compactação de grandes textos em pequenas citações, que rotineiramente são compartilhadas e repassadas através de aplicativos e redes sociais que condensam e limitam ainda mais as mensagens para que assim um maior número de interlocutores se interessem pela ideia compartilhada sem demais aprofundamentos técnicos ou delongas.
Em contrapartida, o prazer causado por mensagens curtas e textos diminutos gera um total desconforto quando a leitura é longa e pormenorizada, causando assim, de forma gradual e por vezes imperceptível, um novo modelo de leitura para com toda a sociedade, sendo esta dinâmica superficial e perigosa.
A interação social causada principalmente por aplicativos virtuais e redes sociais está ocasionando a inação e ociosidade linguística, bem como a apatia e desídia quanto à leitura das verdadeiras fontes culturais de conhecimento, deixando, pois, as pessoas com conceitos e conhecimentos muito abaixo dos necessários para a elaboração de textos e comunicação formal escrita.
A sociedade como um todo está perdendo o prazer e o hábito da leitura profunda e relevante, preferindo sobremaneira as mensagens e textos constituídos de poucas palavras e conceitos rasos e, assim sendo, começando um processo categórico de empobrecimento cultural, o qual, gradativamente, pode se tornar irreversível, haja vista que, conforme palavras de Santo Agostinho, a rotina, quando não logo resistida, torna-se uma necessidade.
Creio que, em paralelo às mudanças políticas e públicas,deve ser alterado também o método de leitura exercido nos dias atuais, dando-se maior ênfase e importância à pesquisa e a textos densos e dotados de maior número de informações e conteúdo, saciando-se, pois, a sede cultural que assola nossa atual essência.
Disponível em:<http://www.folhadelondrina.com.br/colunistas/espaco-aberto/oafago-a-leitura-rasa-e-o-afogar-da-escrita-969115.html>
Texto 3
O acidente em rio Doce, Mariana-MG
Tudo é superlativo na tragédia provocada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central de Minas. Os títulos, porém, não são motivos de orgulho. O desastre ambiental é o pior da história do Brasil, superando com folga casos como o césio -137, em 1987, em Goiânia, e o vazamento de rejeitos químicos da Indústria Cataguases de Papel e Celulose Ltda, em 2003, na região da Zona da Mata mineira. Ele também é o maior do mundo em volume envolvendo outras barragens de mineração. [...] “É um desastre impressionante em todos os aspectos (o de Mariana). Com certeza está entre as dez piores tragédias ambientais da história”, diz o coordenador do projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano. Para ele, o cenário que foi visto após a passagem da onda de lama e rejeitos é comparável ao de grandes conflitos. “É como se fosse a devastação de uma guerra. O dano é extenso e deverá ficar como uma cicatriz marrom, que marcará Minas Gerais para sempre a partir de agora”.
Mesmo maltratado já há muito tempo, o rio Doce era considerado de alta resiliência, mas, dessa vez, a sua resistência não foi suficiente para salvá-lo. “Em alguns pontos, ele sempre foi turvo, já apresentava odores, características de contaminação, mas conseguia se manter. Só que ele não tem condições de lidar com um volume desses”, avalia o professor Ricardo Mota Coelho, coordenador do Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “A quantidade de rejeitos equivale a nove lagoas da Pampulha”, compara.
Para a coordenadora da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, o rompimento decretou a falência do rio, que já vinha agonizando em toda sua extensão. “O desmatamento e a poluição já estavam cobrando seu preço para o meio ambiente do rio Doce. Mas, agora, com essa tragédia, ele morreu de vez”, afirma.
Disponível em:<http://www.otempo. com.br/polopoly_fs/1.1180473. 1449081357!/desastres.htm>
Texto 1
Dois velhinhos
Dalton Trevisan
Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo. Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.
Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:
— Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
— Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
— Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela. Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo. Cochilou um instante — era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.
Mistérios de Curitiba, Rio de Janeiro: Record, 1979. P. 110.
Leia o Texto 3 para responder à questão.
Frutos da terra
Genésio Tocantins/Hamilton Carneiro
Periquito tá roendo o coco da guariroba
Chuvinha de novembro amadurece a gabiroba
Passarinho voa aos bandos em cima do pé de manga
No cerrado é só sair e encher as mãos de pitanga
Tem guapeva lá no mato
No brejinho tem ingá
No campo tem curriola, murici e araçá
Tem uns pés de marmelada
Depois que passa a pinguela
Subindo pro cerradinho, mangaba e mama-cadela
Cajuzinho quem quiser é só ir buscar na serra
E não tem nada mais doce que araçá dessa terra
Manga, mangaba, jatobá, bacupari
Gravatá e araticum, olha o tempo do pequi
Disponível em: <https://www.cifraclub.com.br/genesio-tocantins/frutos-daterra/letra/>
Leia o Texto 3 para responder à questão.
Frutos da terra
Genésio Tocantins/Hamilton Carneiro
Periquito tá roendo o coco da guariroba
Chuvinha de novembro amadurece a gabiroba
Passarinho voa aos bandos em cima do pé de manga
No cerrado é só sair e encher as mãos de pitanga
Tem guapeva lá no mato
No brejinho tem ingá
No campo tem curriola, murici e araçá
Tem uns pés de marmelada
Depois que passa a pinguela
Subindo pro cerradinho, mangaba e mama-cadela
Cajuzinho quem quiser é só ir buscar na serra
E não tem nada mais doce que araçá dessa terra
Manga, mangaba, jatobá, bacupari
Gravatá e araticum, olha o tempo do pequi
Disponível em: <https://www.cifraclub.com.br/genesio-tocantins/frutos-daterra/letra/>
Leia o Texto 2 para responder à questão.

Leia o Texto 2 para responder à questão.

Leia o Texto 1 para responder à questão.
Baleia encalhada em Búzios tem ajuda de bombeiros e volta ao mar
Um mutirão que exigiu quase 24 horas de trabalho conseguiu salvar uma baleia encalhada em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro.
É ainda um filhote de jubarte, mas já pesa mais de sete toneladas. Ele foi encontrado por pescadores, na quartafeira (23/08/2017) à noite, encalhado na Praia Rasa, em Búzios, e foi só a notícia se espalhar que muita gente foi até a praia para tentar ajudar o animal a voltar para o mar. Um trabalho que ficou bem mais difícil por causa da maré baixa.
Búzios está na rota das baleias jubarte que, nesta época do ano, deixam a Antártica para procriar em Abrolhos, no litoral da Bahia.
É mesmo uma corrente pela vida da baleia. Os baldes vazios vão passando de mão em mão até o mar e depois voltam cheios de água para hidratar o animal.
Durante toda a tarde, o trabalho, coordenado pelo Corpo de Bombeiros, não parou. Com a ajuda da escavadeira, o animal voltou a flutuar por um momento e cada metro para dentro do mar era comemorado.
Dois barcos também tentaram puxar a baleia. Tentaram, tentaram e nada. Aí, quando todos já achavam que não teria jeito, a surpresa. Ela finalmente começou a nadar.
“Eu não estava tendo mais esperança e não deu cinco minutos, eu ouvi todo mundo gritar, eu olhei para o mar, ela foi embora”, disse uma mulher.
Pouco a pouco foi se afastando e quando estava a quase 200 metros da praia, um aceno com a nadadeira, como se quisesse agradecer a ajuda das pessoas.
“Desde ontem trabalhando para ajudar a tirar a baleia, foi emocionante. É muito bom”, contou um homem.
“Eu faria tudo de novo e eu acho que milagres existem, porque foi um milagre”, declarou a mulher.
Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/08/baleia-encalhada-em-buzios-tem-ajuda-de-bombeiros-e-voltar-ao-mar.html>
Leia o Texto 1 para responder à questão.
Baleia encalhada em Búzios tem ajuda de bombeiros e volta ao mar
Um mutirão que exigiu quase 24 horas de trabalho conseguiu salvar uma baleia encalhada em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro.
É ainda um filhote de jubarte, mas já pesa mais de sete toneladas. Ele foi encontrado por pescadores, na quartafeira (23/08/2017) à noite, encalhado na Praia Rasa, em Búzios, e foi só a notícia se espalhar que muita gente foi até a praia para tentar ajudar o animal a voltar para o mar. Um trabalho que ficou bem mais difícil por causa da maré baixa.
Búzios está na rota das baleias jubarte que, nesta época do ano, deixam a Antártica para procriar em Abrolhos, no litoral da Bahia.
É mesmo uma corrente pela vida da baleia. Os baldes vazios vão passando de mão em mão até o mar e depois voltam cheios de água para hidratar o animal.
Durante toda a tarde, o trabalho, coordenado pelo Corpo de Bombeiros, não parou. Com a ajuda da escavadeira, o animal voltou a flutuar por um momento e cada metro para dentro do mar era comemorado.
Dois barcos também tentaram puxar a baleia. Tentaram, tentaram e nada. Aí, quando todos já achavam que não teria jeito, a surpresa. Ela finalmente começou a nadar.
“Eu não estava tendo mais esperança e não deu cinco minutos, eu ouvi todo mundo gritar, eu olhei para o mar, ela foi embora”, disse uma mulher.
Pouco a pouco foi se afastando e quando estava a quase 200 metros da praia, um aceno com a nadadeira, como se quisesse agradecer a ajuda das pessoas.
“Desde ontem trabalhando para ajudar a tirar a baleia, foi emocionante. É muito bom”, contou um homem.
“Eu faria tudo de novo e eu acho que milagres existem, porque foi um milagre”, declarou a mulher.
Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/08/baleia-encalhada-em-buzios-tem-ajuda-de-bombeiros-e-voltar-ao-mar.html>
Leia o Texto 1 para responder à questão.
Baleia encalhada em Búzios tem ajuda de bombeiros e volta ao mar
Um mutirão que exigiu quase 24 horas de trabalho conseguiu salvar uma baleia encalhada em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro.
É ainda um filhote de jubarte, mas já pesa mais de sete toneladas. Ele foi encontrado por pescadores, na quartafeira (23/08/2017) à noite, encalhado na Praia Rasa, em Búzios, e foi só a notícia se espalhar que muita gente foi até a praia para tentar ajudar o animal a voltar para o mar. Um trabalho que ficou bem mais difícil por causa da maré baixa.
Búzios está na rota das baleias jubarte que, nesta época do ano, deixam a Antártica para procriar em Abrolhos, no litoral da Bahia.
É mesmo uma corrente pela vida da baleia. Os baldes vazios vão passando de mão em mão até o mar e depois voltam cheios de água para hidratar o animal.
Durante toda a tarde, o trabalho, coordenado pelo Corpo de Bombeiros, não parou. Com a ajuda da escavadeira, o animal voltou a flutuar por um momento e cada metro para dentro do mar era comemorado.
Dois barcos também tentaram puxar a baleia. Tentaram, tentaram e nada. Aí, quando todos já achavam que não teria jeito, a surpresa. Ela finalmente começou a nadar.
“Eu não estava tendo mais esperança e não deu cinco minutos, eu ouvi todo mundo gritar, eu olhei para o mar, ela foi embora”, disse uma mulher.
Pouco a pouco foi se afastando e quando estava a quase 200 metros da praia, um aceno com a nadadeira, como se quisesse agradecer a ajuda das pessoas.
“Desde ontem trabalhando para ajudar a tirar a baleia, foi emocionante. É muito bom”, contou um homem.
“Eu faria tudo de novo e eu acho que milagres existem, porque foi um milagre”, declarou a mulher.
Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/08/baleia-encalhada-em-buzios-tem-ajuda-de-bombeiros-e-voltar-ao-mar.html>
Internet e fraude
Alguém duvida que a internet tenha mudado a vida das pessoas? Não, ninguém pode duvidar disso. A internet não é apenas um meio de comunicação ou de informação; é um jeito de viver, um novo jeito de viver, e a história do mundo vai se dividir em duas fases: AI (antes da Internet) e DI (depois da Internet).
E ai do AI! A internet subverteu totalmente a milenar ideia de que os mais velhos detêm o conhecimento. Agora, são eles que têm de aprender com os jovens, e não o contrário. Um aprendizado que, aliás, funciona: num projeto conduzido nos Estados Unidos, adolescentes, orientados por professores de informática, prontificaram-se a dar aulas sobre computador e internet para pessoas de idade. Ficaram, os veteranos, melindrados com a situação? Nada disso. Antes do treinamento, só 5% sentiam-se à vontade com internet. Depois do treinamento, essa porcentagem subiu para 80%. O vovô pode, sim, aprender com os netos. Vale para computador, vale para celular, vale até para controle remoto.
Mas há um lugar em que a internet está causando problemas: a sala de aula.
No passado, era muito comum os professores pedirem aos alunos que preparassem, em casa, trabalhos sobre temas diversos. As pesquisas para isso eram feitas em bibliotecas ou em enciclopédias. No mínimo, os jovens tinham de copiar os textos. Agora eles simplesmente podem baixá-los da internet. E podem contar também com o auxílio de empresas especializadas, que elaboram até teses de mestrado e de doutorado. A frequência com que isso está acontecendo é muito grande; nos Estados Unidos, 50% dos alunos admitem que já recorreram a esse tipo de fraude. Por causa disso, surgiu uma nova especialidade, a detecção de fraudes, um método que conta até com um programa de computador, o Turnitin, capaz de identificar a cópia.
Pergunta: será que isso vale a pena? Transformar os professores em êmulos da Polícia Federal será a solução do problema? Ou seria melhor pensar sobre as causas desse fenômeno?
Em primeiro lugar, precisamos nos dar conta de que, como foi dito, copiar os alunos sempre copiaram, só que antes faziam isto à mão. Alguém alegará que dessa forma aprendiam alguma coisa, mas trata-se de uma afirmação questionável: copiar pode ser simplesmente uma coisa mecânica. O melhor é perguntar: qual deve, afinal, ser a característica de um trabalho de aluno? A mim a resposta parece óbvia. O trabalho do aluno, como o trabalho de qualquer pessoa – como este texto que vocês estão lendo –, deve refletir seu pensamento e suas emoções. Ou seja: o trabalho deve ser eminentemente pessoal. Deixem-me dar um exemplo tirado do ensino de medicina. Podemos pedir a um aluno que escreva sobre as relações médico-paciente, e aí, sem dúvida, ele encontrará na internet montes de textos copiáveis. Ou podemos pedir que descreva um episódio de sua própria vida: uma doença que teve e o papel que o médico desempenhou então, com sua avaliação a respeito. Aí não tem como colar. Só a autenticidade resolve. E essa autenticidade será extremamente educativa para o aluno.
Ou seja: a internet nos ensina coisas, sim. Até quando temos de pensar a respeito das armadilhas da internet e de como evitá-las.
(SCLIAR, Moacyr. Do jeito que nós vivemos – Belo Horizonte: Editora Leitura, 2007.)
O pai nota que seus dois filhos estão muito quietos e vai verificar.
— O que vocês estão falando? – perguntou o pai
— Encontramos uma moeda de 1 real – diz o mais velho. — Fizemos uma aposta: aquele que contar a maior mentira ganha a moeda.
— Mas isso é muito feio! – disse o pai.
— Quando eu era criança NUNCA contava mentiras.
Os meninos se entreolharam surpresos.
O mais novo diz:
— Tudo bem, pai, a moeda é sua.
Gabriel Barazal. Piadas para rachar o bico.
Proibido para adultos. SP: Fundamento, 2010.
Observe as palavras abaixo, retiradas do texto, e relacione com suas respectivas funções sintáticas.
Coluna 1 Palavras
1. quietos
2. pai (na última frase do texto)
3. nunca
4. é
5. ganha
Coluna 2 Função sintática
( ) verbo transitivo direto
( ) verbo de ligação
( ) predicativo do sujeito
( ) adjunto adverbial
( ) vocativo
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Sobre o texto leia as afirmativas a seguir.
I. Do fato de certas pessoas não terem gosto pela vida, surgem sentimentos de tristeza, cansaço e falsa alegria.
II. O texto revela a visão pessimista de mundo sentida pelo locutor em suas observações da realidade da vida.
III. O texto, em certo momento, faz uma crítica aos moços de tendência modernista que vivem em gabinetes e não observam a vida.
Está correto apenas o que se afirma em:
Fazer nada
Como a visita de um pássaro nos fez pensar no tempo.
Conseguimos uns dias de folga e fomos passar um tempo cuidando um do outro. No hotel, em Itatiba, deram-nos o quarto 37, que se abre para um mar de morros verdes, com plantações, pastos, florestas. Fica no piso superior, tem pé-direito alto e uma varanda abraçada por árvores repletas de pássaros. À noite, entrou pela janela um passarinho. Minúsculo, branco no peito e na parte inferior da face, preto no dorso e na metade de cima da cabeça. Entrou pelo quarto, acelerado. Voava junto ao teto e não conseguia baixar até a altura da porta por onde havia entrado. Temíamos que se machucasse. Apagamos as luzes. Ele se acalmou e parou para descansar no toucador. Pulou em pé, no chão. Caminhou um pouco, ofegante. Usamos um chapéu para levá-lo à varanda, onde ficou ainda um tempo, refazendo-se.
Depois, vimos que deixou de lembrança um cocozinho na nossa cama. De onde teria vindo essa ave? Qual o significado do carimbo de passarinho sobre o lençol? Resisti à ideia de lembrar que excremento de pássaro é sinal de boa fortuna em antigas tradições. Augúrio? Sinal? Ali não havia mistério. Era apenas um bichinho assustado, acelerado demais. Talvez apenas apavorado por haver entrado em um lugar de onde parecia impossível sair. Mais do que um significado oculto, sua visita pode é nos inspirar, quem sabe, uma analogia. Quantas vezes o homem não se debate, na ilusão de que está acuado? Quantas vezes sofre sem perceber que está saturado por estímulos que ele próprio foi buscar? A sensação de que seu tempo é estrangulado, sem se dar conta de que é ele quem cultiva desassossego para si. Um amigo, sobrinho de um sábio do interior, costuma usar a imagem da trajetória errática e vã das formigas para ilustrar a ilusão que acomete o homem em movimentos inócuos e sem sentido, o esforço inútil. Não é à toa que se fale tanto na necessidade de ir com mais calma.
Afinal, nós nunca aceleramos tanto. Na ilusão de anteciparmos o futuro, roubamos o momento seguinte e
deixamos de vivê-lo. Convivemos sem prestar atenção no outro, respiramos com sofreguidão, comemos sem sentir o
sabor. Fugimos do presente, o único tempo que existe e sobre o qual criamos a referência para um passado
reconstruído na memória e um futuro sonhado. Como parar e fazer nada? Como apenas ser, sem se debater por ter
entrado em uma porta estranha? Há quem não consiga relaxar e, simplesmente, fazer nada. Alguém já disse que fazer
nada não é a completa falta de ação, mas a ação feita com desapego, sem visar resultado para si mesmo. Há algo de
bom em atingir esse momento em que só se é parte da paisagem e não um observador separado. Se ainda quiséssemos
procurar um significado para a visita da pequena ave, poderíamos dizer que ela veio trazer o tema para estas linhas que
você lê agora. Como se nos dissesse: que bom que vocês conseguiram uns dias de folga e vieram aqui, cuidar um do
outro. Sejam bem-vindos a este momento e esqueçam o resto. Fui.
(NOGUEIRA, Paulo. Vida Simples, ed. 37. São Paulo: Abril, 2006. Disponível em http://mdemulher.abril.com.br/revistas/vidasimples/. Edições/037/caminho/conteúdo_237474.shtml.)

(www.meusnervos.com.br)
Radiologia: o que há de novo
A radiologia, assim como diversas outras áreas da medicina, evolui ano a ano, mês a mês, pesquisa após pesquisa.
Por meio da Ressonância Magnética Funcional (FMRI), investigadores identificaram anormalidades nos cérebros de crianças com déficit de atenção / hiperatividade (TDAH), que podem servir como um biomarcador para a desordem, de acordo com um estudo divulgado durante o RSNA (Radiological Society of North America), em Chicago (EUA).
O TDAH é uma das doenças mais comuns na infância. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental, não há um único teste capaz de diagnosticar uma criança com o transtorno. "Diagnosticar o TDAH é muito difícil por causa de sua grande variedade de sintomas comportamentais", disse o pesquisador Li Xiaobo, Ph.D., professor assistente de radiologia no Albert Einstein College of Medicine, em Nova York.
"Estabelecer um biomarcador de imagem confiável do TDAH seria uma grande contribuição para o campo", completa.
Os pesquisadores submeteram 18 crianças com o transtorno (faixa etária de 9 a 15 anos) ao FMRI. Para cada participante, a ressonância produziu um mapa de ativação cerebral que revelou quais regiões do cérebro se tornaram ativadas enquanto a criança realizava determinada tarefa. Os pesquisadores então compararam os mapas cerebrais da ativação nos dois grupos.
Em comparação ao grupo de controle normal, as crianças com TDAH mostraram atividade funcional anormal em várias regiões do cérebro envolvidas no processamento de informações e atenção visual. Os pesquisadores também descobriram que a comunicação entre regiões do cérebro, durante o processamento visual, foi interrompida nas crianças com ADHD. "O que isso nos diz é que as crianças com TDAH utilizam diferentes vias de funcionamento do cérebro para processar as informações", disse Li.
Outra descoberta surpreendente é a de que a restrição de calorias melhora a função cardíaca em pacientes obesos e diabéticos.
A dieta de baixa caloria elimina a dependência de insulina e melhora a função cardíaca de pacientes obesos com diabetes tipo 2, segundo um estudo apresentado durante o Radiological Society of North America (RSNA). "É impressionante ver como uma intervenção relativamente simples de uma dieta baixa em calorias efetivamente cura a diabetes mellitus tipo 2", disse o principal autor do estudo, Sebastiaan Hammer, MD, Ph.D., do Departamento de Radiologia da Leiden University Medical Center, na Holanda.
Usando ressonância magnética cardíaca, os pesquisadores analisaram a função cardíaca e a gordura pericárdica em 15 pacientes, incluindo sete homens e oito mulheres com diabetes tipo 2, antes e após quatro meses de uma dieta composta de 500 calorias diárias. Mudanças no índice de massa corporal (IMC) também foram avaliadas.
Os resultados mostraram que a restrição calórica resultou em uma redução no IMC de 35,3 para 27,5 em quatro meses. A gordura do pericárdio diminuiu de 39 mililitros (ml) para 31 ml. Hammer salientou que estes resultados sublinham a importância de incluir estratégias de imagem nesses tipos de regimes terapêuticos.
(http://saudebusiness.com/noticias/13-novidades-cientificas-sobreradiologia/)
“Dizem que quando estamos tristes escrevemos melhor ou temos maior facilidade para escrever.Tudo bem, na companhia da tristeza a gente consegue extrair beleza das coisas mais improváveis. A alegria não é tão profunda quanto a tristeza. Nem tão linda. Meio louco alguém achar a tristeza bonita, mas fazer o quê, se a dor nos abre os olhos para tanta coisa na vida?
Tristeza – Frederico Elboni – Só a gente sabe o que sente – Editora Saraiva
A última frase do texto é ....
“Dizem que quando estamos tristes escrevemos melhor ou temos maior facilidade para escrever. Tudo bem, na companhia da tristeza a gente consegue extrair beleza das coisas mais improváveis. A alegria não é tão profunda quanto a tristeza. Nem tão linda. Meio louco alguém achar a tristeza bonita, mas fazer o quê, se a dor nos abre os olhos para tanta coisa na vida?
Tristeza – Frederico Elboni – Só a gente sabe o que sente – Editora Saraiva
Baseado no texto assinale abaixo a alternativa incorreta:
“Os leitores dos jornais continuam a diminuir, mais de 78 milhões de pessoas recebem suas notícias on-line. Cerca de 39 milhões de pessoas assistem a um vídeo online todos os dias e 66 milhões leram um blog. Ocorrem 16 milhões de postagem em blogs, criando uma explosão de novos escritores e novas formas de feedback dos clientes que não existiam há 10 anos atrás. O site de redes sociais Facebook atrai 134 milhões mensalmente e mais de 500 milhões em todo o mundo. Empresas estão começando a usar ferramentas de rede social para conectar seus funcionários, clientes e gerentes em todo o mundo. Muitas empresas que frequentam o Fortune 500 agora têm Páginas do Facebook.”
A partir das ideias expressas no texto acima, conclui-se que:
ENTÃO, ADEUS!
(Lygia Fagundes Telles)
Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso.
Aproximou-se e tocou o meu ombro:
— Vejo que aprecia essas imagens antigas — sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: - Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?
Solícito e trêmulo foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas e grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos... Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.
— Volte sempre — pediu-me.
— Impossível — eu disse. — Não moro aqui, mas, em todo o caso, quem sabe um dia... — acrescentei sem nenhuma esperança.
— E então, até logo! — ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.
Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?... “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma ideia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!...
Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerá-las nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei.” Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.
— Até logo! - eu disse cheia de enternecimento pelo seu ingênuo otimismo.
Afastei-me e de longe ainda o vi, imóvel no topo da escadaria. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. “Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus.”
(...)
Durante o jantar ruidoso e calorento, lembrei-me de Kipling. “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho...”
Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:
— Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?
Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para o velhinho lá na ponta da mesa.
— Ah, não sei... Antes eu sabia, mas agora já não sei.
http://www.releituras.com/lftelles_entaoadeus.asp - acesso em 11/01/2017
Leia o trecho mencionado abaixo e assinale a resposta que representa o termo em destaque.
Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida...