Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q3365679 Português

Texto para a questão. 


1   Quem nunca se deparou com alguma antiga anotação e se frustrou por não conseguir entender a própria
caligrafia? A triste verdade: estamos esquecendo como escrever à mão!

    Escrever à mão está entre as técnicas culturais mais importantes da evolução humana. Milhares de anos atrás,
4 as informações eram esculpidas em argila ou pedra, ou escritas com tinta em folhas de palmeira,  pergaminho ou papiro. Até a invenção da imprensa, a escrita à mão era a única maneira de registrar a linguagem em qualquer meio que fosse.

7   A escrita mais antiga de que se tem conhecimento tem cerca de 5 mil a 6 mil anos: desenvolvida pelos sumérios
no atual Iraque, a escrita cuneiforme era utilizada na administração do comércio. Essa escrita pictórica consistia em
cerca de 900 pictogramas e ideogramas, ou seja, símbolos e sinais que eram riscados em tábuas de argila úmida com
10 pedaços de madeira. Com o tempo, essa "caligrafia" evoluiu para várias fontes e também para nosso alfabeto
moderno.
   Ao contrário da fala, a escrita antigamente era reservada apenas a uma minoria: a nobreza, os intelectuais e os

13 comerciantes. O fato de tantas pessoas saberem ler e escrever hoje em dia é resultado da introdução da escolaridade obrigatória no século XX.
    Nestes tempos virtuais, nós nos limitamos a digitar em computadores e smartphones e, quando muito,

16 fazemos uma lista de compras ou poucas outras anotações à mão. Raramente — ou com certa relutância — nos
comunicamos por meio de canetas e papel, enquanto a comunicação por e-mails, mensagens de texto ou —
sobretudo entre os mais jovens — por mensagens de voz virou a regra. 
19  Em plena era digital, agora nos parece extremamente tedioso escrever um texto mais longo à mão. Para que
um cartão de aniversário ou uma carta sejam escritos de forma particularmente bela, é necessário dedicar toda nossa concentração. 
22   Desde crianças, aprendemos a escrever à mão da forma mais correta e ordenada possível. Embora todas as
crianças aprendam as mesmas letras, a escrita de cada um é sempre muito particular. Durante a adolescência e o
início da fase adulta, nossa caligrafia costuma mudar significativamente, mas depois disso ela permanece
25  praticamente a mesma para a maioria das pessoas — cada um desenvolve uma caligrafia única.
      Mas sem prática e controle, a caligrafia só tende a piorar. Problemas de caligrafia são há muito um problema
da sociedade como um todo, e não apenas dos estudantes, como muitas vezes se supõe. A caligrafia correta e legível,
28  afinal, passa por uma verificação na escola.
      Ainda assim, a Associação Alemã de Educação e Formação vem há anos reclamando do declínio das
habilidades de escrita e do aumento dos déficits motores entre crianças em idade escolar. De acordo com o Estudo
31  sobre o desenvolvimento, os problemas e as intervenções na questão da caligrafia (STEP 2022), cada vez mais crianças
estão tendo dificuldades para escrever de forma rápida e legível. E os lockdowns e a prática de ensino domiciliar
durante a pandemia do coronavírus só pioraram a situação.
34   À medida que as pessoas envelhecem, durante a adolescência e no início da idade adulta, a caligrafia tende a
se tornar cada vez mais ilegível — também por causa da falta de prática e controle. 
    Digitar em um teclado é imbatível, especialmente para textos mais longos, pois a estrutura do texto pode ser
37 alterada conforme desejado. A correção automática também elimina erros banais, tornando a escrita mais rápida,
mais legível e menos cansativa.
     A escrita à mão, por outro lado, desafia o cérebro mais do que a digitação e, portanto, promove o aprendizado.
40 Além disso, ao se escrever, o cérebro compara a escrita resultante com modelos aprendidos das letras e palavras e
ajusta a posição dos dedos em tempo real. Olhos e cérebro monitoram constantemente se os dedos estão segurando
a caneta corretamente, aplicando a quantidade certa de pressão, e se claras linhas são criadas ao escrever. Isso requer
43 uma coordenação muito precisa entre os processos visuais e motores. É essa combinação de informação visual e processamento de informação que promove o aprendizado.
   De fato, a escrita à mão é mais lenta do que a digitação, mas isso não é necessariamente uma desvantagem. A
46 lentidão natural nos obriga a processar informações de forma mais intensiva.
  Resumimos o que ouvimos ou pensamos com mais clareza, destacamos palavras-chave ou citações concisas,
às vezes usamos setas ou marcadores para estabelecer conexões e, geralmente, nos envolvemos mais intensamente
49 com o conteúdo, retendo-o em nossa memória por mais tempo.  




                                                                                      Internet:https://g1.globo.com/ (com adaptações).

Assinale a alternativa cuja frase apresenta o verbo “esquecer” com o mesmo sentido em que ele está empregado no seguinte trecho do texto: “estamos esquecendo como escrever à mão!” (linha 2). 
Alternativas
Q3365343 Português
TEXTO II

Sofrimento psíquico em policiais civis: uma questão de gênero

Apesar de concebida pelo senso comum como uma instituição predominantemente masculina, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro admite também mulheres entre seus servidores. Em suas atividades diárias, elas relatam enfrentar dificuldades, frustrações e cobranças. Um estudo realizado pelo Centro Latino-americano de Estudos de Violência e Saúde (Claves), vinculado à Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp), uma unidade da Fiocruz, questionou 2.746 policiais, dos quais cerca de 19% eram mulheres, e descobriu que elas apresentam mais sofrimento psíquico que seus colegas de trabalho.

"Sofrimento psíquico é um conjunto de condições psicológicas que, apesar de não caracterizar uma doença, gera determinados sinais e sintomas que indicam sofrimento" explica a psicóloga Edinilsa Ramos de Souza, coordenadora do projeto. O problema pode ser causado por diversos fatores, inclusive as condições de trabalho, como falta de instalações adequadas, estresse e falta de preparo para a função. "No dia-a-dia, o policial precisa continuar com o seu trabalho e não pode demonstrar fragilidade", acrescenta. "Isso aumenta o sofrimento e, muitas vezes, faz com que o profissional somatize as questões psicológicas em problemas de saúde, como pressão alta, insônia e dores de cabeça".

(Catarina Chagas)
O texto II informa que o sofrimento psíquico:
Alternativas
Q3365042 Português

Ursinha polar e filhotes de leão são atrações em Aquário e Zoo de SP


Nur é o primeiro filhote de urso‑polar nascido na América Latina



Com base no texto, assinale a opção correta, acerca do nascimento da ursa‑polar Nur, no Aquário de São Paulo. 
Alternativas
Ano: 2025 Banca: VUNESP Órgão: FAMEMA Provas: VUNESP - 2025 - FAMEMA - Enfermeiro | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Cirurgia Torácica | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Neonatologia | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Nefrologia | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Nefrologia Pediátrica | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Medicina Intensiva Pediátrica | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Infectologia | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Hematologia e Hemoteria | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Ginecologia e Obstetrícia | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Medicina do Trabalho | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Cirurgia Geral | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Oncologia Cirúrgica | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Oftalmologista | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Neurologia | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Anestesiologia | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Gastroenterologia Pediátrica | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Endocrinologia e Metabologia | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Clínica Médica | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Cirurgia Vascular | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Oncologia Clinica | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Tecnólogo em Radiologia | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Reumatologia | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Psiquiatria | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Pneumologia | VUNESP - 2025 - FAMEMA - Médico I - Especialidade: Pediatria |
Q3364812 Português

Leia a tira.



Imagem associada para resolução da questão


(Mort Walker, Recruta Zero. https://cultura.estadao.com.br/quadrinhos, 16.02.2025)



Considerando-se os aspectos verbais e não verbais da tira, conclui-se corretamente que a expressão “a gota d’água”, composta de termos empregados em sentido

Alternativas
Q3364397 Português
          Foi por volta do ano de 355 que nasceu Hipátia, em Alexandria, no Egito. Filha de Theon, que era matemático, filósofo, astrônomo e um dos últimos diretores do Museu de Alexandria, ela decidiu seguir os caminhos do pai em busca do conhecimento. (1) Mas isso lhe custou a vida: foi assassinada por defender o racionalismo científico grego (a do raciocínio como lógica de pensamento). Hoje, Hipátia é considerada a primeira mulher matemática da qual a humanidade tem registros.
          Ela frequentou a Academia de Alexandria e, influenciada pelo pai, estudou astronomia, religião, poesia, artes (2) e ciências exatas. Mais tarde, foi aluna de uma escola neoplatônica em Atenas, na Grécia, na qual as doutrinas seguiam aspectos espirituais e cosmológicos do pensamento de Platão, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da filosofia ocidental. Atuando na matemática, Hipátia desenvolveu estudos sobre a aritmética de Diofanto de Alexandria, considerado o pai da álgebra. Segundo estudiosos, Hipátia pretendia unificar as ideias de Diofanto com o neoplatonismo.
          Hipátia ainda desenvolveu trabalhos de ciências exatas e medicina. Quando retornou ao Egito, tornou-se professora de matemática e filosofia. Com seu pai, Theon, lançou comentários sobre os Elementos de Euclides – que são 13 livros sobre geometria, álgebra e aritmética, escritos pelo matemático grego Euclides. Por defender o racionalismo científico, a matemática foi acusada de blasfêmia e sentimentos anticristãos. Ela, (3) no entanto, nunca declarou ser contra o cristianismo. Na verdade, Hipátia dava aulas para pessoas de diversas crenças religiosas.
          Uma emboscada tirou a sua vida. Há diferentes versões que contam seu assassinato; a mais aceita é a do historiador inglês Edward Gibbon na obra O Declínio e a Queda do Império Romano (1776-1778). Ele narra que, em uma manhã da Quaresma em 415, Hipátia foi atacada na rua. Ela estava voltando para casa em uma carruagem e pessoas lhe arrancaram as roupas e a apedrejaram. Depois, o resto de seu corpo foi queimado.

Fonte: Revista Galileu. Adaptado. 
A respeito das ideias principais do texto, analisar os itens.

I. Hipátia, por conta de sua aversão a religiões e dedicação ao raciocínio, foi perseguida e executada.
II. Possivelmente por conta da falta de preservação de registros históricos, Hipátia, até então, é considerada a primeira mulher matemática da qual se tem documentos.
III. Seu pai foi uma figura importante em sua vida e aprendizado, visto que seguiu passos similares aos dele em sua carreira de filósofa e matemática.

Está CORRETO o que se afirma:
Alternativas
Ano: 2025 Banca: IDCAP Órgão: UEFS Prova: IDCAP - 2025 - UEFS - Técnico em Química |
Q3364307 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

O reservatório de água líquida encontrado nas profundezas de rochas de Marte

Cientistas descobriram pela primeira vez um reservatório de água líquida em Marte, nas profundezas da crosta rochosa mais externa do planeta.

As descobertas vêm de uma nova análise de dados da sonda da Nasa que pousou no planeta vermelho em 2018. A sonda carregava um sismômetro e registrou quatro anos de tremores nas profundezas de Marte.

Embora haja água congelada nos polos marcianos e evidências de vapor na atmosfera, esta é a primeira vez que água líquida foi encontrada no planeta.

Em 2018, uma equipe italiana anunciou que havia descoberto um lago no planeta. A missão terminou em dezembro de 2022, depois que a sonda ficou em silêncio capturando "o pulso de Marte" por quatro anos.

Ao medir a velocidade com que os tremores viajaram, os cientistas descobriram por qual material eles têm mais probabilidade de terem acontecido.

"Na verdade, essas são as mesmas técnicas que usamos para prospectar água na Terra ou para procurar petróleo e gás", explica o professor Michael Manga, da Universidade da Califórnia.

A análise revelou reservatórios de água em profundidades de dez a vinte quilômetros na crosta marciana.

Michael Manga acrescenta que a água é "a molécula mais importante nas condições de evolução de um planeta". 

Essa descoberta, diz ele, responde à grande questão de "para onde foi toda a água marciana".

Estudos da superfície de Marte, com seus canais e ondulações, mostram que, antigamente, havia rios e lagos no planeta. Mas há três bilhões de anos, o planeta é um deserto.

Parte dessa água foi perdida para o espaço quando Marte perdeu sua atmosfera.

Entretanto, Manga adverte: "Boa parte da nossa água está no subsolo e não há razão para que isso não aconteça em Marte também".

A sonda só conseguiu registrar a área sob seus pés, mas cientistas esperam que haja reservatórios semelhantes em todo o planeta.

A descoberta também contribui para a contínua busca por evidências de vida em Marte. "Sem água líquida, não tem vida", aponta Manga. "Então, se houver ambientes habitáveis em Marte, eles estão agora no subsolo profundo."


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy0np8ydg5lo.adaptado. 
A descoberta de reservatórios de água líquida nas profundezas da crosta marciana é um avanço científico de grande relevância.

A respeito das informações apresentadas no texto base, analise as alternativas abaixo e assinale a correta.
Alternativas
Ano: 2025 Banca: FGV Órgão: SEFAZ-PR Prova: FGV - 2025 - SEFAZ-PR - Auditor Fiscal (Manhã) |
Q3363327 Português
Leia com atenção o fragmento de texto a seguir.

Era uma vez um poderoso rei chamado Marcus, que vivia em um majestoso castelo ao norte de Berlim. O rei tinha uma corte de valorosos cavaleiros que se reuniam numa sala de espelhos cada vez que tinham que deliberar sobre os assuntos mais importantes do reino.

Sobre a significação ou estruturação desse texto, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3362107 Português
Uma das marcas do texto argumentativo é a presença de certas estratégias que pretendem modificar as ideias do receptor sobre uma tese.
Abaixo aparecem algumas dessas estratégias; assinale a opção em que a definição da estratégia apresentada está corretamente aplicada ao seguinte texto:
“A crise econômica mundial é um problema que preocupa a todos, por exemplo a Europa tem países com uma alta taxa de inflação”.
Alternativas
Q3355476 Português
Apostas online: liberdade em jogo ou controle estatal desmedido?


   O debate sobre o mercado de apostas online no Brasil está ganhando força. Recentemente, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, marcou uma audiência pública para o dia 11 de novembro com o objetivo de discutir os impactos desse setor. As discussões ocorrem em meio à preocupação com o uso do Bolsa Família para apostas eletrônicas, levando o governo a considerar medidas de regulação mais severas para as chamadas “bets”, que são empresas de apostas tanto nacionais quanto internacionais. Porém, a intenção de aumentar o controle sobre esse mercado levanta uma questão fundamental: o governo está tentando regular mais do que deveria?

   Não é de hoje que o Estado brasileiro apresenta um apetite voraz por controle. Desde a economia até o comportamento individual, parece haver um desejo incontrolável por intervenções. No caso das apostas online, o governo, ao invés de tratar a questão com moderação, caminha para uma abordagem exagerada, justificando suas ações com a necessidade de proteger a saúde mental da população e os cofres públicos. Entretanto, será que a solução está em mais regulação?

   A verdadeira questão é: estamos dispostos a sacrificar nossa liberdade em nome de uma proteção estatal que, na maioria das vezes, acaba por cercear nossos direitos?

   A realidade é que o excesso de regulação costuma sufocar mercados que poderiam ser benéficos para a economia. As apostas online, ou qualquer outra atividade econômica, movimentam a economia e geram empregos e renda. Além disso, há uma dimensão que precisa ser considerada: a responsabilidade individual. O Estado, ao tentar proteger a sociedade de todos os riscos, acaba por subestimar a capacidade do indivíduo de tomar suas próprias decisões. A aposta, assim como outras atividades recreativas, não justifica uma intervenção severa. O caminho mais saudável é a educação e o incentivo à conscientização, em vez de um controle estatal exagerado.

   As apostas online representam uma oportunidade econômica robusta, capaz de gerar bilhões de reais sem a necessidade de um controle estatal excessivo. Estudos realizados por institutos de pesquisa e consultorias financeiras, como a PwC e a KPMG, frequentemente exploram o potencial econômico desse setor, estimam que o setor poderia movimentar cerca de R$ 10 bilhões anualmente. Essa receita poderia ser utilizada diretamente pelos cidadãos, promovendo uma economia mais dinâmica, em vez de ser drenada por uma burocracia estatal. Ao invés de tentar controlar o que os indivíduos fazem com seu dinheiro, o governo deveria reconhecer que a liberdade de escolha é fundamental para a prosperidade econômica. Quando as pessoas têm autonomia para decidir, elas naturalmente buscam opções que atendam às suas necessidades e interesses.

   Além disso, exemplos de países que adotaram uma abordagem mais libertária mostram que o setor de apostas pode prosperar sem intervenção governamental. O Reino Unido, por exemplo, viu a criação de mais de 100 mil empregos e uma arrecadação de mais de 3 bilhões de euros em impostos, tudo isso enquanto a liberdade de escolha foi mantida. Assim como em outras áreas da vida, as pessoas devem ter a liberdade de decidir como e onde gastam seu dinheiro, sem a interferência do governo. A verdadeira questão é que, ao permitir que os indivíduos tomem suas próprias decisões, promovemos um ambiente onde a responsabilidade pessoal é a norma, e não uma exceção. A liberdade de apostar não deve ser vista como uma ameaça, mas como um direito que deve ser respeitado e defendido.

   Por fim, é necessário considerar que a economia de mercado é movida pela liberdade de escolha. Ao tentar controlar e regular tudo, o governo restringe as opções do cidadão, que acaba vivendo em um ambiente cada vez mais dependente das decisões do Estado. Isso, no longo prazo, mina a liberdade individual e nos aproxima de um cenário em que o governo decide até que ponto podemos ou não nos entreter.

   Portanto, a regulação das apostas online não é necessária e pode ser prejudicial. O foco deve estar na reflexão sobre até que ponto o Estado deve intervir em nossas escolhas pessoais, especialmente quando se trata de atividades legítimas e privadas. A verdadeira questão é: estamos dispostos a sacrificar nossa liberdade em nome de uma proteção estatal que, na maioria das vezes, acaba por cercear nossos direitos? A solução não está no controle excessivo, mas na defesa da liberdade individual e no incentivo à autonomia e à responsabilidade das pessoas.


Por Gabriela Moraes, diretora da Private Construtora e associada do Instituto Líderes do Amanhã. https://jcorreiodasemana.com.br/2024/10/23/opinia o-apostas-online-liberdade-em-jogo-ou-controle-est atal-desmedido/?utm_source=chatgpt.com
No trecho “Essa receita poderia ser utilizada diretamente pelos cidadãos, promovendo uma economia mais dinâmica, em vez de ser drenada por uma burocracia estatal.”, o verbo destacado expressa:
Alternativas
Q3355475 Português
Apostas online: liberdade em jogo ou controle estatal desmedido?


   O debate sobre o mercado de apostas online no Brasil está ganhando força. Recentemente, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, marcou uma audiência pública para o dia 11 de novembro com o objetivo de discutir os impactos desse setor. As discussões ocorrem em meio à preocupação com o uso do Bolsa Família para apostas eletrônicas, levando o governo a considerar medidas de regulação mais severas para as chamadas “bets”, que são empresas de apostas tanto nacionais quanto internacionais. Porém, a intenção de aumentar o controle sobre esse mercado levanta uma questão fundamental: o governo está tentando regular mais do que deveria?

   Não é de hoje que o Estado brasileiro apresenta um apetite voraz por controle. Desde a economia até o comportamento individual, parece haver um desejo incontrolável por intervenções. No caso das apostas online, o governo, ao invés de tratar a questão com moderação, caminha para uma abordagem exagerada, justificando suas ações com a necessidade de proteger a saúde mental da população e os cofres públicos. Entretanto, será que a solução está em mais regulação?

   A verdadeira questão é: estamos dispostos a sacrificar nossa liberdade em nome de uma proteção estatal que, na maioria das vezes, acaba por cercear nossos direitos?

   A realidade é que o excesso de regulação costuma sufocar mercados que poderiam ser benéficos para a economia. As apostas online, ou qualquer outra atividade econômica, movimentam a economia e geram empregos e renda. Além disso, há uma dimensão que precisa ser considerada: a responsabilidade individual. O Estado, ao tentar proteger a sociedade de todos os riscos, acaba por subestimar a capacidade do indivíduo de tomar suas próprias decisões. A aposta, assim como outras atividades recreativas, não justifica uma intervenção severa. O caminho mais saudável é a educação e o incentivo à conscientização, em vez de um controle estatal exagerado.

   As apostas online representam uma oportunidade econômica robusta, capaz de gerar bilhões de reais sem a necessidade de um controle estatal excessivo. Estudos realizados por institutos de pesquisa e consultorias financeiras, como a PwC e a KPMG, frequentemente exploram o potencial econômico desse setor, estimam que o setor poderia movimentar cerca de R$ 10 bilhões anualmente. Essa receita poderia ser utilizada diretamente pelos cidadãos, promovendo uma economia mais dinâmica, em vez de ser drenada por uma burocracia estatal. Ao invés de tentar controlar o que os indivíduos fazem com seu dinheiro, o governo deveria reconhecer que a liberdade de escolha é fundamental para a prosperidade econômica. Quando as pessoas têm autonomia para decidir, elas naturalmente buscam opções que atendam às suas necessidades e interesses.

   Além disso, exemplos de países que adotaram uma abordagem mais libertária mostram que o setor de apostas pode prosperar sem intervenção governamental. O Reino Unido, por exemplo, viu a criação de mais de 100 mil empregos e uma arrecadação de mais de 3 bilhões de euros em impostos, tudo isso enquanto a liberdade de escolha foi mantida. Assim como em outras áreas da vida, as pessoas devem ter a liberdade de decidir como e onde gastam seu dinheiro, sem a interferência do governo. A verdadeira questão é que, ao permitir que os indivíduos tomem suas próprias decisões, promovemos um ambiente onde a responsabilidade pessoal é a norma, e não uma exceção. A liberdade de apostar não deve ser vista como uma ameaça, mas como um direito que deve ser respeitado e defendido.

   Por fim, é necessário considerar que a economia de mercado é movida pela liberdade de escolha. Ao tentar controlar e regular tudo, o governo restringe as opções do cidadão, que acaba vivendo em um ambiente cada vez mais dependente das decisões do Estado. Isso, no longo prazo, mina a liberdade individual e nos aproxima de um cenário em que o governo decide até que ponto podemos ou não nos entreter.

   Portanto, a regulação das apostas online não é necessária e pode ser prejudicial. O foco deve estar na reflexão sobre até que ponto o Estado deve intervir em nossas escolhas pessoais, especialmente quando se trata de atividades legítimas e privadas. A verdadeira questão é: estamos dispostos a sacrificar nossa liberdade em nome de uma proteção estatal que, na maioria das vezes, acaba por cercear nossos direitos? A solução não está no controle excessivo, mas na defesa da liberdade individual e no incentivo à autonomia e à responsabilidade das pessoas.


Por Gabriela Moraes, diretora da Private Construtora e associada do Instituto Líderes do Amanhã. https://jcorreiodasemana.com.br/2024/10/23/opinia o-apostas-online-liberdade-em-jogo-ou-controle-est atal-desmedido/?utm_source=chatgpt.com
A alternativa que apresenta uma oração absoluta é a seguinte:
Alternativas
Q3355470 Português
Apostas online: liberdade em jogo ou controle estatal desmedido?


   O debate sobre o mercado de apostas online no Brasil está ganhando força. Recentemente, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, marcou uma audiência pública para o dia 11 de novembro com o objetivo de discutir os impactos desse setor. As discussões ocorrem em meio à preocupação com o uso do Bolsa Família para apostas eletrônicas, levando o governo a considerar medidas de regulação mais severas para as chamadas “bets”, que são empresas de apostas tanto nacionais quanto internacionais. Porém, a intenção de aumentar o controle sobre esse mercado levanta uma questão fundamental: o governo está tentando regular mais do que deveria?

   Não é de hoje que o Estado brasileiro apresenta um apetite voraz por controle. Desde a economia até o comportamento individual, parece haver um desejo incontrolável por intervenções. No caso das apostas online, o governo, ao invés de tratar a questão com moderação, caminha para uma abordagem exagerada, justificando suas ações com a necessidade de proteger a saúde mental da população e os cofres públicos. Entretanto, será que a solução está em mais regulação?

   A verdadeira questão é: estamos dispostos a sacrificar nossa liberdade em nome de uma proteção estatal que, na maioria das vezes, acaba por cercear nossos direitos?

   A realidade é que o excesso de regulação costuma sufocar mercados que poderiam ser benéficos para a economia. As apostas online, ou qualquer outra atividade econômica, movimentam a economia e geram empregos e renda. Além disso, há uma dimensão que precisa ser considerada: a responsabilidade individual. O Estado, ao tentar proteger a sociedade de todos os riscos, acaba por subestimar a capacidade do indivíduo de tomar suas próprias decisões. A aposta, assim como outras atividades recreativas, não justifica uma intervenção severa. O caminho mais saudável é a educação e o incentivo à conscientização, em vez de um controle estatal exagerado.

   As apostas online representam uma oportunidade econômica robusta, capaz de gerar bilhões de reais sem a necessidade de um controle estatal excessivo. Estudos realizados por institutos de pesquisa e consultorias financeiras, como a PwC e a KPMG, frequentemente exploram o potencial econômico desse setor, estimam que o setor poderia movimentar cerca de R$ 10 bilhões anualmente. Essa receita poderia ser utilizada diretamente pelos cidadãos, promovendo uma economia mais dinâmica, em vez de ser drenada por uma burocracia estatal. Ao invés de tentar controlar o que os indivíduos fazem com seu dinheiro, o governo deveria reconhecer que a liberdade de escolha é fundamental para a prosperidade econômica. Quando as pessoas têm autonomia para decidir, elas naturalmente buscam opções que atendam às suas necessidades e interesses.

   Além disso, exemplos de países que adotaram uma abordagem mais libertária mostram que o setor de apostas pode prosperar sem intervenção governamental. O Reino Unido, por exemplo, viu a criação de mais de 100 mil empregos e uma arrecadação de mais de 3 bilhões de euros em impostos, tudo isso enquanto a liberdade de escolha foi mantida. Assim como em outras áreas da vida, as pessoas devem ter a liberdade de decidir como e onde gastam seu dinheiro, sem a interferência do governo. A verdadeira questão é que, ao permitir que os indivíduos tomem suas próprias decisões, promovemos um ambiente onde a responsabilidade pessoal é a norma, e não uma exceção. A liberdade de apostar não deve ser vista como uma ameaça, mas como um direito que deve ser respeitado e defendido.

   Por fim, é necessário considerar que a economia de mercado é movida pela liberdade de escolha. Ao tentar controlar e regular tudo, o governo restringe as opções do cidadão, que acaba vivendo em um ambiente cada vez mais dependente das decisões do Estado. Isso, no longo prazo, mina a liberdade individual e nos aproxima de um cenário em que o governo decide até que ponto podemos ou não nos entreter.

   Portanto, a regulação das apostas online não é necessária e pode ser prejudicial. O foco deve estar na reflexão sobre até que ponto o Estado deve intervir em nossas escolhas pessoais, especialmente quando se trata de atividades legítimas e privadas. A verdadeira questão é: estamos dispostos a sacrificar nossa liberdade em nome de uma proteção estatal que, na maioria das vezes, acaba por cercear nossos direitos? A solução não está no controle excessivo, mas na defesa da liberdade individual e no incentivo à autonomia e à responsabilidade das pessoas.


Por Gabriela Moraes, diretora da Private Construtora e associada do Instituto Líderes do Amanhã. https://jcorreiodasemana.com.br/2024/10/23/opinia o-apostas-online-liberdade-em-jogo-ou-controle-est atal-desmedido/?utm_source=chatgpt.com
Assinale a alternativa em que o autor do texto não revela sua opinião. 
Alternativas
Q3355469 Português
Apostas online: liberdade em jogo ou controle estatal desmedido?


   O debate sobre o mercado de apostas online no Brasil está ganhando força. Recentemente, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, marcou uma audiência pública para o dia 11 de novembro com o objetivo de discutir os impactos desse setor. As discussões ocorrem em meio à preocupação com o uso do Bolsa Família para apostas eletrônicas, levando o governo a considerar medidas de regulação mais severas para as chamadas “bets”, que são empresas de apostas tanto nacionais quanto internacionais. Porém, a intenção de aumentar o controle sobre esse mercado levanta uma questão fundamental: o governo está tentando regular mais do que deveria?

   Não é de hoje que o Estado brasileiro apresenta um apetite voraz por controle. Desde a economia até o comportamento individual, parece haver um desejo incontrolável por intervenções. No caso das apostas online, o governo, ao invés de tratar a questão com moderação, caminha para uma abordagem exagerada, justificando suas ações com a necessidade de proteger a saúde mental da população e os cofres públicos. Entretanto, será que a solução está em mais regulação?

   A verdadeira questão é: estamos dispostos a sacrificar nossa liberdade em nome de uma proteção estatal que, na maioria das vezes, acaba por cercear nossos direitos?

   A realidade é que o excesso de regulação costuma sufocar mercados que poderiam ser benéficos para a economia. As apostas online, ou qualquer outra atividade econômica, movimentam a economia e geram empregos e renda. Além disso, há uma dimensão que precisa ser considerada: a responsabilidade individual. O Estado, ao tentar proteger a sociedade de todos os riscos, acaba por subestimar a capacidade do indivíduo de tomar suas próprias decisões. A aposta, assim como outras atividades recreativas, não justifica uma intervenção severa. O caminho mais saudável é a educação e o incentivo à conscientização, em vez de um controle estatal exagerado.

   As apostas online representam uma oportunidade econômica robusta, capaz de gerar bilhões de reais sem a necessidade de um controle estatal excessivo. Estudos realizados por institutos de pesquisa e consultorias financeiras, como a PwC e a KPMG, frequentemente exploram o potencial econômico desse setor, estimam que o setor poderia movimentar cerca de R$ 10 bilhões anualmente. Essa receita poderia ser utilizada diretamente pelos cidadãos, promovendo uma economia mais dinâmica, em vez de ser drenada por uma burocracia estatal. Ao invés de tentar controlar o que os indivíduos fazem com seu dinheiro, o governo deveria reconhecer que a liberdade de escolha é fundamental para a prosperidade econômica. Quando as pessoas têm autonomia para decidir, elas naturalmente buscam opções que atendam às suas necessidades e interesses.

   Além disso, exemplos de países que adotaram uma abordagem mais libertária mostram que o setor de apostas pode prosperar sem intervenção governamental. O Reino Unido, por exemplo, viu a criação de mais de 100 mil empregos e uma arrecadação de mais de 3 bilhões de euros em impostos, tudo isso enquanto a liberdade de escolha foi mantida. Assim como em outras áreas da vida, as pessoas devem ter a liberdade de decidir como e onde gastam seu dinheiro, sem a interferência do governo. A verdadeira questão é que, ao permitir que os indivíduos tomem suas próprias decisões, promovemos um ambiente onde a responsabilidade pessoal é a norma, e não uma exceção. A liberdade de apostar não deve ser vista como uma ameaça, mas como um direito que deve ser respeitado e defendido.

   Por fim, é necessário considerar que a economia de mercado é movida pela liberdade de escolha. Ao tentar controlar e regular tudo, o governo restringe as opções do cidadão, que acaba vivendo em um ambiente cada vez mais dependente das decisões do Estado. Isso, no longo prazo, mina a liberdade individual e nos aproxima de um cenário em que o governo decide até que ponto podemos ou não nos entreter.

   Portanto, a regulação das apostas online não é necessária e pode ser prejudicial. O foco deve estar na reflexão sobre até que ponto o Estado deve intervir em nossas escolhas pessoais, especialmente quando se trata de atividades legítimas e privadas. A verdadeira questão é: estamos dispostos a sacrificar nossa liberdade em nome de uma proteção estatal que, na maioria das vezes, acaba por cercear nossos direitos? A solução não está no controle excessivo, mas na defesa da liberdade individual e no incentivo à autonomia e à responsabilidade das pessoas.


Por Gabriela Moraes, diretora da Private Construtora e associada do Instituto Líderes do Amanhã. https://jcorreiodasemana.com.br/2024/10/23/opinia o-apostas-online-liberdade-em-jogo-ou-controle-est atal-desmedido/?utm_source=chatgpt.com
O principal objetivo do texto é:
Alternativas
Q3351265 Português
Texto CB1A1

   Embora as instituições nacionais ligadas à soberania venham atuando nas últimas décadas em suporte às políticas ambientais brasileiras, a relação entre as duas esferas nem sempre se deu em bases cooperativas. Partindo-se de uma compreensão estreita da segurança, a preservação do meio ambiente foi vista, durante certo tempo, não como uma precondição para se garantir a segurança nacional e humana, mas como uma ameaça à integridade territorial e aos interesses nacionais brasileiros. Temia-se, nesse sentido, que as inestimáveis riquezas naturais do Brasil despertassem a cobiça internacional, de forma a representar riscos às fronteiras nacionais e ao direito soberano do país de gerenciar seus recursos naturais de maneira autônoma, em busca do desenvolvimento.
   Vigorava, portanto, a compreensão de que assumir compromissos de cooperação na arena ambiental implicaria o decréscimo da soberania nacional. O posicionamento defendido pela delegação brasileira durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano (CNUMAH), realizada em Estocolmo em 1972, seria sintomático desse entendimento: “Na área do aproveitamento de recursos naturais, os interesses nacionais, em termos econômicos e de segurança, são de tal monta, que qualquer fórmula que, sob o pretexto ecológico, impusesse uma sistemática de consulta para projetos de desenvolvimento seria simplesmente inaceitável para o Brasil.”
   Nas décadas posteriores, as interpretações relativas às preocupações ambientais foram gradualmente transformadas, tanto no âmbito da sociedade quanto em meio às instituições de defesa. O processo de redemocratização, o fortalecimento de organizações da sociedade civil, o avanço dos estudos científicos e a consolidação de uma estrutura federal de governança ambiental favoreceram essas novas percepções e, sobretudo, a aproximação desses dois setores. 

Internet: <soberaniaeclima.org.br> (com adaptações).

Julgue o item seguinte, relativos a aspectos linguísticos do texto CB1A1.


Os “dois setores” citados ao final do texto correspondem ao mesmo referente da expressão “as duas esferas” no primeiro período do texto: soberania estatal e políticas ambientais.

Alternativas
Q3344452 Português
Texto CG2AI

   Presumivelmente, o processo de criatividade, seja ele qual for, é essencialmente o mesmo em todos os seus ramos, de modo que a evolução de uma nova forma artística, um novo mecanismo ou um novo princípio científico envolve fatores comuns.

   Uma maneira de investigar o problema é considerar as grandes ideias do passado e ver como elas foram geradas. Infelizmente, o método de geração não é claro nem mesmo para os próprios “geradores”.

   Mas e se a mesma ideia revolucionária ocorrer a dois homens, simultânea e independentemente? Talvez os fatores comuns envolvidos sejam esclarecedores. Considere a teoria da evolução pela seleção natural, criada independentemente tanto por Charles Darwin quanto por Alfred Wallace.

   Nesse caso, existem muitos pontos em comum. Ambos viajaram para lugares distantes, tendo observado espécies estranhas de animais e plantas e a maneira como variavam de lugar para lugar. Ambos estavam profundamente interessados em encontrar uma explicação para isso e falharam até cada um deles ler o Ensaio sobre o princípio da população, de Malthus.

   Ambos, então, viram como a noção de superpopulação e esgotamento (que Malthus havia aplicado aos seres humanos) se encaixaria na doutrina da evolução pela seleção natural (se aplicada às espécies em geral).

   Obviamente, portanto, o que é necessário não são apenas pessoas com uma boa formação em uma área específica, mas também pessoas capazes de estabelecer uma conexão entre itens que podem não parecer usualmente conectados.

   Sem dúvida, na primeira metade do século XIX, muitos naturalistas estudaram a maneira pela qual as espécies se diferenciavam entre si. Muitas pessoas leram Malthus. Talvez algumas tenham estudado as espécies e lido Malthus. Mas o que era preciso era alguém que estudasse espécies, lesse Malthus e tivesse a capacidade de fazer uma conexão cruzada.

   O ponto crucial é a rara característica que deve ser encontrada. Uma vez que a conexão cruzada é feita, ela se torna óbvia. Thomas H. Huxley teria exclamado depois de ler A Origem das Espécies: “Que estúpido da minha parte não ter pensado nisso!”.  

   Mas por que ele não pensou nisso? A história do pensamento humano poderia fazer parecer que há dificuldade em pensar em uma ideia, mesmo quando todos os fatos estão sobre a mesa. Fazer a conexão cruzada requer certa ousadia — porque qualquer conexão cruzada realizada de uma só vez por muitos se desenvolve não como uma nova ideia, mas como um mero corolário de uma velha ideia.

   É somente mais tarde que uma nova ideia parece razoável. De início, ela normalmente parece sem sentido. Parecia a máxima insensatez supor que a Terra se movia em vez do Sol, ou que os objetos exigiam uma força para detê-los quando em movimento, em vez de uma força para mantê-los em movimento, e assim por diante.

   Uma pessoa disposta a seguir em frente enfrentando a razão, a autoridade e o bom senso deve ser uma pessoa de considerável autoconfiança. Como ela aparece apenas raramente, deve parecer excêntrica (pelo menos nesse aspecto) para o resto de nós. Uma pessoa excêntrica em um aspecto frequentemente o é em outros. Consequentemente, a pessoa com maior probabilidade de obter novas ideias é uma pessoa de boa formação na área de interesse e alguém que não é convencional em seus hábitos.


Isaac Asimov. Sobre criatividade: como as pessoas têm novas ideias? In: MIT Technology Review, jul./2020 [originalmente escrito em 1959]. Internet: <mittechreview.com.br>  (com adaptações).  

Julgue o seguinte item, relativos aos aspectos linguísticos do texto CG2A1.  


No primeiro período do terceiro parágrafo, os vocábulos “revolucionária” e “simultânea” qualificam a palavra “ideia”.

Alternativas
Q3344450 Português
Texto CG2AI

   Presumivelmente, o processo de criatividade, seja ele qual for, é essencialmente o mesmo em todos os seus ramos, de modo que a evolução de uma nova forma artística, um novo mecanismo ou um novo princípio científico envolve fatores comuns.

   Uma maneira de investigar o problema é considerar as grandes ideias do passado e ver como elas foram geradas. Infelizmente, o método de geração não é claro nem mesmo para os próprios “geradores”.

   Mas e se a mesma ideia revolucionária ocorrer a dois homens, simultânea e independentemente? Talvez os fatores comuns envolvidos sejam esclarecedores. Considere a teoria da evolução pela seleção natural, criada independentemente tanto por Charles Darwin quanto por Alfred Wallace.

   Nesse caso, existem muitos pontos em comum. Ambos viajaram para lugares distantes, tendo observado espécies estranhas de animais e plantas e a maneira como variavam de lugar para lugar. Ambos estavam profundamente interessados em encontrar uma explicação para isso e falharam até cada um deles ler o Ensaio sobre o princípio da população, de Malthus.

   Ambos, então, viram como a noção de superpopulação e esgotamento (que Malthus havia aplicado aos seres humanos) se encaixaria na doutrina da evolução pela seleção natural (se aplicada às espécies em geral).

   Obviamente, portanto, o que é necessário não são apenas pessoas com uma boa formação em uma área específica, mas também pessoas capazes de estabelecer uma conexão entre itens que podem não parecer usualmente conectados.

   Sem dúvida, na primeira metade do século XIX, muitos naturalistas estudaram a maneira pela qual as espécies se diferenciavam entre si. Muitas pessoas leram Malthus. Talvez algumas tenham estudado as espécies e lido Malthus. Mas o que era preciso era alguém que estudasse espécies, lesse Malthus e tivesse a capacidade de fazer uma conexão cruzada.

   O ponto crucial é a rara característica que deve ser encontrada. Uma vez que a conexão cruzada é feita, ela se torna óbvia. Thomas H. Huxley teria exclamado depois de ler A Origem das Espécies: “Que estúpido da minha parte não ter pensado nisso!”.  

   Mas por que ele não pensou nisso? A história do pensamento humano poderia fazer parecer que há dificuldade em pensar em uma ideia, mesmo quando todos os fatos estão sobre a mesa. Fazer a conexão cruzada requer certa ousadia — porque qualquer conexão cruzada realizada de uma só vez por muitos se desenvolve não como uma nova ideia, mas como um mero corolário de uma velha ideia.

   É somente mais tarde que uma nova ideia parece razoável. De início, ela normalmente parece sem sentido. Parecia a máxima insensatez supor que a Terra se movia em vez do Sol, ou que os objetos exigiam uma força para detê-los quando em movimento, em vez de uma força para mantê-los em movimento, e assim por diante.

   Uma pessoa disposta a seguir em frente enfrentando a razão, a autoridade e o bom senso deve ser uma pessoa de considerável autoconfiança. Como ela aparece apenas raramente, deve parecer excêntrica (pelo menos nesse aspecto) para o resto de nós. Uma pessoa excêntrica em um aspecto frequentemente o é em outros. Consequentemente, a pessoa com maior probabilidade de obter novas ideias é uma pessoa de boa formação na área de interesse e alguém que não é convencional em seus hábitos.


Isaac Asimov. Sobre criatividade: como as pessoas têm novas ideias? In: MIT Technology Review, jul./2020 [originalmente escrito em 1959]. Internet: <mittechreview.com.br>  (com adaptações).  

Julgue o seguinte item, relativos aos aspectos linguísticos do texto CG2A1.  


Dada a relação de sentido estabelecida entre os dois períodos que compõem o segundo parágrafo, o segundo período poderia ser correta e coerentemente reescrito da seguinte forma: Infelizmente, contudo, o método não é claro nem mesmo para os próprios “geradores”.

Alternativas
Q3340933 Português
No que se refere à noção semântica de acarretamento, assinale a opção correta, considerando a interpretação dos conteúdos das sentenças em um mesmo mundo e a partir de um mesmo referencial temporal.  
Alternativas
Q3340923 Português

Conforme os estudiosos da linguística textual, a análise da língua deve ser feita com base na produção textual, pelo estudo, a partir do texto, oral ou escrito, dos seguintes elementos, entre outros:



I organização das intenções e processos pragmáticos;


II progressão temática e organização tópica;


III raciocínio e argumentação;


IV funcionamento dos processos semânticos da língua.



Assinale a opção correta. 

Alternativas
Q3340921 Português

Texto 8A1-I


    Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência. (...)

    Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.

    Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinquenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial.

    Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu:

    — Pensando bem, talvez o senhor tenha razão.

    Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão tornou-se difícil... Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, uma conjetura, ao menos.

    — Nem conjetura, nem opinião, redarguiu ele; uma ou outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas...

    — Duas?

    — Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.

    E assim outros mais casos. Eu mesmo tenho experimentado dessas trocas. Não as relato, porque iria longe; restrinjo-me ao episódio de que lhes falei.

    Eis aqui como ele começou a narração:

    — Tinha vinte e cinco anos, era pobre, e acabava de ser nomeado alferes da Guarda Nacional. Não imaginam o acontecimento que isto foi em nossa casa. Vai, então, uma das minhas tias, D. Marcolina, que morava a muitas léguas da vila, desejou ver-me, e pediu que fosse ter com ela e levasse a farda. Fui, acompanhado de um pajem, que daí a dias tornou à vila, porque a tia Marcolina, apenas me pilhou no sítio, escreveu a minha mãe dizendo que não me soltava antes de um mês, pelo menos. E abraçava-me! Chamava-me também o seu alferes... Se lhes disser que o entusiasmo da tia Marcolina chegou ao ponto de mandar pôr no meu quarto um grande espelho, obra rica e magnífica, que lhe dera a madrinha, e que esta herdara da mãe, que o comprara a uma das fidalgas vindas em 1808 com a corte de D. João VI. Não sei o que havia nisso de verdade; era a tradição. O espelho estava naturalmente muito velho; mas se via nele ainda o ouro, comido em parte pelo tempo, uns delfins esculpidos nos ângulos superiores da moldura, uns enfeites de madrepérola e outros caprichos do artista. Tudo velho, mas bom...

    O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções, obséquios, fizeram em mim uma transformação, que o natural sentimento da mocidade ajudou e completou. O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias, as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu, então, que a alma exterior mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado.


Machado de Assis. O espelho. Esboço de uma nova teoria da alma humana.

In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (com adaptações).   

Assinale a opção em que o grupo nominal destacado do texto 8A1-I evidencia a crítica ao egoísmo humano e à busca por aprovação social. 
Alternativas
Q3340920 Português

Texto 8A1-I


    Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência. (...)

    Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.

    Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinquenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial.

    Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu:

    — Pensando bem, talvez o senhor tenha razão.

    Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão tornou-se difícil... Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, uma conjetura, ao menos.

    — Nem conjetura, nem opinião, redarguiu ele; uma ou outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas...

    — Duas?

    — Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.

    E assim outros mais casos. Eu mesmo tenho experimentado dessas trocas. Não as relato, porque iria longe; restrinjo-me ao episódio de que lhes falei.

    Eis aqui como ele começou a narração:

    — Tinha vinte e cinco anos, era pobre, e acabava de ser nomeado alferes da Guarda Nacional. Não imaginam o acontecimento que isto foi em nossa casa. Vai, então, uma das minhas tias, D. Marcolina, que morava a muitas léguas da vila, desejou ver-me, e pediu que fosse ter com ela e levasse a farda. Fui, acompanhado de um pajem, que daí a dias tornou à vila, porque a tia Marcolina, apenas me pilhou no sítio, escreveu a minha mãe dizendo que não me soltava antes de um mês, pelo menos. E abraçava-me! Chamava-me também o seu alferes... Se lhes disser que o entusiasmo da tia Marcolina chegou ao ponto de mandar pôr no meu quarto um grande espelho, obra rica e magnífica, que lhe dera a madrinha, e que esta herdara da mãe, que o comprara a uma das fidalgas vindas em 1808 com a corte de D. João VI. Não sei o que havia nisso de verdade; era a tradição. O espelho estava naturalmente muito velho; mas se via nele ainda o ouro, comido em parte pelo tempo, uns delfins esculpidos nos ângulos superiores da moldura, uns enfeites de madrepérola e outros caprichos do artista. Tudo velho, mas bom...

    O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções, obséquios, fizeram em mim uma transformação, que o natural sentimento da mocidade ajudou e completou. O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias, as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu, então, que a alma exterior mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado.


Machado de Assis. O espelho. Esboço de uma nova teoria da alma humana.

In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (com adaptações).   

Assinale a opção correta em relação à ideia principal do texto 8A1-I, que garante a sua inteligibilidade. 
Alternativas
Q3340918 Português

Texto 8A1-I


    Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência. (...)

    Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.

    Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinquenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial.

    Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lha um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu:

    — Pensando bem, talvez o senhor tenha razão.

    Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão tornou-se difícil... Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, uma conjetura, ao menos.

    — Nem conjetura, nem opinião, redarguiu ele; uma ou outra pode dar lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas...

    — Duas?

    — Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação. Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira.

    E assim outros mais casos. Eu mesmo tenho experimentado dessas trocas. Não as relato, porque iria longe; restrinjo-me ao episódio de que lhes falei.

    Eis aqui como ele começou a narração:

    — Tinha vinte e cinco anos, era pobre, e acabava de ser nomeado alferes da Guarda Nacional. Não imaginam o acontecimento que isto foi em nossa casa. Vai, então, uma das minhas tias, D. Marcolina, que morava a muitas léguas da vila, desejou ver-me, e pediu que fosse ter com ela e levasse a farda. Fui, acompanhado de um pajem, que daí a dias tornou à vila, porque a tia Marcolina, apenas me pilhou no sítio, escreveu a minha mãe dizendo que não me soltava antes de um mês, pelo menos. E abraçava-me! Chamava-me também o seu alferes... Se lhes disser que o entusiasmo da tia Marcolina chegou ao ponto de mandar pôr no meu quarto um grande espelho, obra rica e magnífica, que lhe dera a madrinha, e que esta herdara da mãe, que o comprara a uma das fidalgas vindas em 1808 com a corte de D. João VI. Não sei o que havia nisso de verdade; era a tradição. O espelho estava naturalmente muito velho; mas se via nele ainda o ouro, comido em parte pelo tempo, uns delfins esculpidos nos ângulos superiores da moldura, uns enfeites de madrepérola e outros caprichos do artista. Tudo velho, mas bom...

    O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções, obséquios, fizeram em mim uma transformação, que o natural sentimento da mocidade ajudou e completou. O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias, as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu, então, que a alma exterior mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado.


Machado de Assis. O espelho. Esboço de uma nova teoria da alma humana.

In: Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (com adaptações).   

No texto 8A1-I, a intenção precípua do narrador é  
Alternativas
Respostas
3461: B
3462: A
3463: B
3464: C
3465: C
3466: B
3467: C
3468: A
3469: A
3470: A
3471: E
3472: C
3473: E
3474: E
3475: C
3476: A
3477: E
3478: B
3479: E
3480: C