Questões de Concurso
Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português
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Sobre o que é exclusivamente expresso pelo texto, considere as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:
I. O grande respeito que o pai da autora herdou pelo tempo é comprovável pelo gesto de presentear os três filhos com um relógio quando cada um eles completou 10 anos de vida.
PORQUE
II. Ele e sua esposa entenderam que seus filhos, ao atingirem essa idade, já poderiam assumir a responsabilidade por tudo o que era acarretado pelo tempo, controlando-o, assim, no próprio pulso.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Considerando as ideias presentes no texto, analise as seguintes assertivas, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) O hábito de usar frequentemente as mídias sociais prejudica a saúde mental em vários níveis, dificultando, também, a prática de exercícios e sono, afetando consideravelmente o desenvolvimento do cérebro.
( ) O estudo apresentado mostrou que o cyberbullying, a redução do sono e da atividade física são afetados igualmente pelo uso ininterrupto de mídias sociais.
( ) O sofrimento psíquico dos participantes se revelou ser disparado pelo cyberbullying e por questões de falta de satisfação com a vida, de ausência de felicidade e de grande ansiedade.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
A respeito do texto, analise as seguintes assertivas:
I. A utilização de celulares hoje é tão demasiada que as pessoas estão cada vez mais apresentando maiores índices de doenças psicológicas, tendo ligação direta com mudanças nas sinapses cerebrais.
II. Visto os brasileiros dedicarem em média até 3h por dia para checarem seus aplicativos e navegarem na internet, eles estão mais propensos a apresentarem sintomas de depressão e ansiedade do que outras pessoas que não utilizam tanto o celular.
III. A ideia apresentada de os smartphones serem o novo cigarro faz uma comparação com o vício que ambos podem causar e com como isso é prejudicial para as pessoas.
Quais estão corretas?
Assinale a alternativa que NÃO se aplica, de acordo com o texto:
Leia o texto a seguir:
“Há 20 anos, Portugal deu uma guinada em suaspolíticas antidrogas [...]. [...] o governo aprovou umanova estratégia que começaria a ser implementada doisanos depois, após longos debates com a sociedade civile no Parlamento. A legislação estava longe de serrevolucionária: não se considerava mais crime oconsumo daqueles que portassem no máximo 10 dosesde uma determinada substância ilícita.
Não muito diferente do que acontece na Espanha, porexemplo. Mas o que fez a diferença foi a mudança desensibilidade em relação aos viciados: deixaram de sertratados como criminosos, receberam programas decuidados, de substituição de heroína por metadona,foram incluídos no sistema de saúde para tratarem suasdoenças. Os resultados não demoraram a chegar.Apesar de o consumo global de drogas não terdiminuído, o de heroína e cocaína, duas das maisproblemáticas, passou de afetar 1% da populaçãoportuguesa para 0,3%; As contaminações por HIV entreos consumidores caíram pela metade (na populaçãototal, passaram de 104 novos casos por milhão ao anoem 1999 para 4,2 em 2015), e a população carceráriapor motivos relacionados às drogas caiu de 75% a 45%.”
(Adaptado dehttps://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/02/internacional/1556794358_113193.html. Acesso 9 de maio de 2019)
A fada sensata sem defeitos
Não basta elogiar, a bajulação nas redes sociais exige uma hipérbole.
Manuela Cantuária*
1. O espelho da madrasta adverte: existe alguém mais belo, mais próspero e mais feliz do que você. A vida no Instagram é um conto de fadas, e isso não é necessariamente uma coisa boa. Na Internet, a rede social é a que mais prejudica a saúde mental de seus usuários, especialmente mulheres, segundo pesquisas que chocaram um total de zero pessoas.
2. Ironicamente, nossa interação pelo aplicativo é marcada por uma intensa troca de elogios. E põe intensa nisso. No Instagram, não basta dizer: "Bela foto". A bajulação virtual exige uma hipérbole: "Socorro, alguém chama o Samu, tragam desfibriladores, pois estou enfartando perante tamanha beleza" (seguido por uma rabiola de emojis de corações e palminhas).
3. A intenção pode ser das melhores – um shiatsu na autoestima da próxima –, mas a sensação é a de que os elogios estão ali para serem vistos pelos outros e viraram um espetáculo à parte, vazio de sentido. Todas nós já ouvimos pelo menos um desses elogios genéricos, que não nos representam em nenhuma instância. Entre os mais absurdos que já recebi, estão:
4. “Perfeita”" ou “Com um total de zero defeitos”. Caramba! Seria mais razoável me chamar de Pé Grande, chupa-cabra ou ET Bilu. Se existisse mesmo uma pessoa isenta de defeitos, ela não daria motivos para os outros falarem mal dela, e eu jamais negaria esse prazer aos meus amigos.
5. “Aquela que nunca errou”. Não se deixe levar por fake news! Eu já errava no útero da minha mãe. Fiquei de cócoras quando era para ficar em posição fetal. Respeita a minha história!
6. “Rainha”. O que fiz para merecer a alcunha de tirana e sanguessuga do povo? Peço que não me chamem de monarca e deem preferência a elogios mais democráticos.
7. “Gostosa”. Não frequento a academia para ser chamada de perspicaz – mas, se você for homem, por favor, mantenha seus pensamentos para você, assim como eu quero manter meu almoço no estômago. Já as amigas podem me objetificar à vontade.
8. “Deusa”. Se eu fosse uma deusa, já tinha erradicado a fome, o câncer e a acne na idade adulta.
9. No mais, obrigada pelo carinho. E não se esqueçam de elogiar com moderação.
*Roteirista e escritora.
Folha de São Paulo. Ilustrada, 11 jun. 2019, p.C7. Adaptado.
"Os registros são variações que ocorrem de acordo com o grau de formalismo existente na situação. A mesma pessoa pode ser menos ou mais formal em sua linguagem, dependendo dos objetivos que tem, das situações de comunicação em que se encontra e das diferentes esferas da sociedade nas quais circula."
(CEREJA & COCHAR, 2013, p. 31).
A esse respeito, é correto afirmar que, em algumas passagens da crônica, a linguagem utilizada está de acordo com a norma-padrão e segue o registro formal. Porém, ocorre o uso da informalidade em
A fada sensata sem defeitos
Não basta elogiar, a bajulação nas redes sociais exige uma hipérbole.
Manuela Cantuária*
1. O espelho da madrasta adverte: existe alguém mais belo, mais próspero e mais feliz do que você. A vida no Instagram é um conto de fadas, e isso não é necessariamente uma coisa boa. Na Internet, a rede social é a que mais prejudica a saúde mental de seus usuários, especialmente mulheres, segundo pesquisas que chocaram um total de zero pessoas.
2. Ironicamente, nossa interação pelo aplicativo é marcada por uma intensa troca de elogios. E põe intensa nisso. No Instagram, não basta dizer: "Bela foto". A bajulação virtual exige uma hipérbole: "Socorro, alguém chama o Samu, tragam desfibriladores, pois estou enfartando perante tamanha beleza" (seguido por uma rabiola de emojis de corações e palminhas).
3. A intenção pode ser das melhores – um shiatsu na autoestima da próxima –, mas a sensação é a de que os elogios estão ali para serem vistos pelos outros e viraram um espetáculo à parte, vazio de sentido. Todas nós já ouvimos pelo menos um desses elogios genéricos, que não nos representam em nenhuma instância. Entre os mais absurdos que já recebi, estão:
4. “Perfeita”" ou “Com um total de zero defeitos”. Caramba! Seria mais razoável me chamar de Pé Grande, chupa-cabra ou ET Bilu. Se existisse mesmo uma pessoa isenta de defeitos, ela não daria motivos para os outros falarem mal dela, e eu jamais negaria esse prazer aos meus amigos.
5. “Aquela que nunca errou”. Não se deixe levar por fake news! Eu já errava no útero da minha mãe. Fiquei de cócoras quando era para ficar em posição fetal. Respeita a minha história!
6. “Rainha”. O que fiz para merecer a alcunha de tirana e sanguessuga do povo? Peço que não me chamem de monarca e deem preferência a elogios mais democráticos.
7. “Gostosa”. Não frequento a academia para ser chamada de perspicaz – mas, se você for homem, por favor, mantenha seus pensamentos para você, assim como eu quero manter meu almoço no estômago. Já as amigas podem me objetificar à vontade.
8. “Deusa”. Se eu fosse uma deusa, já tinha erradicado a fome, o câncer e a acne na idade adulta.
9. No mais, obrigada pelo carinho. E não se esqueçam de elogiar com moderação.
*Roteirista e escritora.
Folha de São Paulo. Ilustrada, 11 jun. 2019, p.C7. Adaptado.
A COLUNA I, explica os níveis de aceitação de cada frase apresentada na COLUNA II que estão escritas considerando graus variados de aceitação pelas regras linguísticas. As frases podem ter ligações aceitáveis em termos sintáticos (ligações entre palavras), mas problemas semânticos (significados estranhos).
Leia com atenção as frases da COLUNA I e as explicações previstas na COLUNA II para fazer a correlação CORRETA entre as colunas:
COLUNA I
1- Frase bem formada sintaticamente e com sentido.
2- Frase bem formada sintaticamente mas sem sentido.
3- Frase mal formada sintaticamente mas com algum sentido.
4- Frase mal formada sintaticamente e sem sentido.
COLUNA II
( ) Aniversário mês sexagenário um fará o daqui rapaz.
( ) O rapaz fará aniversário daqui a um mês.
( ) O rapaz fazer aniversário daqui a um mês.
( ) O rapaz sexagenário fará cento e quatro anos daqui a um mês.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
A partir da leitura do texto, assinale V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Segundo o autor, quando um enunciado obedece às regras de uma língua falada, ele é gramatical; quando não obedece, é agramatical.
( ) Ao dizer que nenhum falante da própria língua comete erros, o autor estabelece uma crítica às regras da gramática normativa ou escolar.
( ) A língua materna é transmitida pela mãe.
( ) Erra-se ao falar/escrever inglês porque é uma língua difícil, que precisa de muita prática.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
De acordo com o texto, a noção de erro em língua portuguesa deve ser modificada.
Quanto aos motivos que o autor oferece para que se possa mudar a concepção de erro em língua portuguesa, assinale a alternativa INCORRETA:
O autor do verbete estabelece um contraponto entre a ficção e os "gêneros referenciais", como a autobiografia (linha 11 em diante). Sobre esses contrapontos entre os gêneros, analise as afirmativas a seguir:
I- Na ficção não existe um sujeito, de modo que é impossível apontá-lo ao lermos um gênero ficcional. II- O critério de verossimilhança é usado na ficção para que este gênero jamais se pareça com a verdade.
III- Nos gêneros referenciais, como a autobiografia, não há um "critério da verdade", uma vez que o autor do gênero sempre conta vantagem sobre si mesmo.
IV- O sujeito histórico, de acordo com o verbete, pode ser entendido como uma pessoa real, testemunha da própria vida.
Está(ão) CORRETA(S) a(s) afirmativa(s):
Com base no texto, assinale V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Sendo uma prosa, a autobiografia deve conter erros gramaticais, como acontece nas prosas das pessoas simples do interior.
( ) Coincidência entre autor e narrador é uma propriedade discursiva importante para o gênero autobiográfico.
( ) Sendo uma narrativa, a autobiografia deve apresentar uma linguagem rápida, apressada, para que o leitor fique empolgado.
( ) Coincidência entre autor e narrador é uma propriedade discursiva importante para qualquer tipo de gênero textual.
( ) A autobiografia é um gênero discursivo documental.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
O casamento, para ela, era isso: quarenta e oito anos de opressão, de humilhações, de vexames. Um verdadeiro tirano, o marido dela, um homem autoritário que lhe dava ordens sem cessar e que a ridicularizava na frente de todo o mundo: minha mulher é um desastre, proclamava, não faz nada direito.
E ela? Ela calava. Jamais protestara. Até os filhos se indignavam com aquela passividade: você não pode se deixar dominar dessa maneira, diziam, você tem de fazer alguma coisa. Ela suspirava, resignada, não dizia nada.
Mas estava, sim, resolvida a se vingar. Sua vingança seria cruel e requintada, uma vingança capaz de indenizá-la por uma vida de sofrimentos. Só faltava descobrir a maneira de fazê-lo.
A ideia lhe ocorreu quando, uma manhã, o marido perguntou se ela não vira seu cachimbo. Entre parênteses, gostava muito disso, de fumar cachimbo. Verdade que a ela o cheiro deixava tonta; mas ele pouco estava ligando. Entre a mulher e o cachimbo prefiro o cachimbo, costumava dizer, entre gargalhadas. Mas então ele tinha esquecido onde deixara o cachimbo − sinal de que a memória lhe falhava. E ela resolveu tirar proveito disso. Para quê? Para enlouquecer o marido. Exatamente: enlouquecê-lo. Era o mínimo a que podia almejar.
E aí começou o jogo. Onde está o cachimbo, perguntava ele. Ali onde você o colocou, dizia ela, em cima do televisor.
Ele ficava perplexo: eu coloquei o cachimbo em cima do televisor? E por que teria feito isso, se ali não é lugar de cachimbo? Quanto mais perturbado ele ficava, mais ela se entusiasmava. Era como uma gata brincando com um camundongo, um camundongo triste e desamparado. Você não viu o meu cachimbo? Está ali na prateleira, onde você o deixou. Eu? Eu deixei o cachimbo na prateleira? A coisa ia num crescendo, a angústia dele aumentando sempre. Ela já tinha o final planejado: um dia o cachimbo sumiria para sempre. E quando ele perguntasse ela responderia: você o jogou fora. O que seria um golpe... mortal? Mortal.
Só que ele morreu antes disso. Um ataque do coração, provavelmente. Ela chorou muito: em parte porque tinha pena dele, em parte porque não pudera consumar sua vingança. Mas aí teve uma ideia: colocar o cachimbo no caixão. Para atormentá-lo pela eternidade afora. Procurou o cachimbo, mas não o achou. Simplesmente não conseguia lembrar de onde o colocara. Ali, em alguma parte da casa, estava o maldito objeto. Só que ela não o encontrava. E isto significava que jamais teria paz. Que aquela lembrança a torturaria até a morte.
(SCLIAR, Moacir. O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2002, p. 113-114)
Mas aí teve uma ideia: colocar o cachimbo no caixão. Para atormentá-lo pela eternidade afora. (7º parágrafo)
O termo sublinhado acima introduz ideia de
O casamento, para ela, era isso: quarenta e oito anos de opressão, de humilhações, de vexames. Um verdadeiro tirano, o marido dela, um homem autoritário que lhe dava ordens sem cessar e que a ridicularizava na frente de todo o mundo: minha mulher é um desastre, proclamava, não faz nada direito.
E ela? Ela calava. Jamais protestara. Até os filhos se indignavam com aquela passividade: você não pode se deixar dominar dessa maneira, diziam, você tem de fazer alguma coisa. Ela suspirava, resignada, não dizia nada.
Mas estava, sim, resolvida a se vingar. Sua vingança seria cruel e requintada, uma vingança capaz de indenizá-la por uma vida de sofrimentos. Só faltava descobrir a maneira de fazê-lo.
A ideia lhe ocorreu quando, uma manhã, o marido perguntou se ela não vira seu cachimbo. Entre parênteses, gostava muito disso, de fumar cachimbo. Verdade que a ela o cheiro deixava tonta; mas ele pouco estava ligando. Entre a mulher e o cachimbo prefiro o cachimbo, costumava dizer, entre gargalhadas. Mas então ele tinha esquecido onde deixara o cachimbo − sinal de que a memória lhe falhava. E ela resolveu tirar proveito disso. Para quê? Para enlouquecer o marido. Exatamente: enlouquecê-lo. Era o mínimo a que podia almejar.
E aí começou o jogo. Onde está o cachimbo, perguntava ele. Ali onde você o colocou, dizia ela, em cima do televisor.
Ele ficava perplexo: eu coloquei o cachimbo em cima do televisor? E por que teria feito isso, se ali não é lugar de cachimbo? Quanto mais perturbado ele ficava, mais ela se entusiasmava. Era como uma gata brincando com um camundongo, um camundongo triste e desamparado. Você não viu o meu cachimbo? Está ali na prateleira, onde você o deixou. Eu? Eu deixei o cachimbo na prateleira? A coisa ia num crescendo, a angústia dele aumentando sempre. Ela já tinha o final planejado: um dia o cachimbo sumiria para sempre. E quando ele perguntasse ela responderia: você o jogou fora. O que seria um golpe... mortal? Mortal.
Só que ele morreu antes disso. Um ataque do coração, provavelmente. Ela chorou muito: em parte porque tinha pena dele, em parte porque não pudera consumar sua vingança. Mas aí teve uma ideia: colocar o cachimbo no caixão. Para atormentá-lo pela eternidade afora. Procurou o cachimbo, mas não o achou. Simplesmente não conseguia lembrar de onde o colocara. Ali, em alguma parte da casa, estava o maldito objeto. Só que ela não o encontrava. E isto significava que jamais teria paz. Que aquela lembrança a torturaria até a morte.
(SCLIAR, Moacir. O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2002, p. 113-114)






