Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1880351 Português
      Nascida na rural Amherst, no estado de Massachussets, nos Estados Unidos, Emily Dickinson (1832- 1886) é autora de 1800 poemas, mas só foi descoberta e publicada após sua morte. Considerada avant-garde por suas ideias e modo de escrita, Emily pouco saiu da casa de seus pais ao longo da vida e passou boa parte do fim de seus dias reclusa no próprio quarto, escrevendo textos que discutem questões de gênero, a paixão secreta pela melhor amiga e também cunhada, tabus da sociedade, relações familiares desgastadas e flerte com a morte.
(CAMARGO, Carolina. Duas mulheres, uma história. Marie Claire. São Paulo: N. 366, nov. 2021. Editora Globo. p. 74. Fragmento) 

A sentença negritada mantém, com o trecho “Emily pouco saiu da casa de seus pais ao longo da vida e passou boa parte do fim de seus dias reclusa no próprio quarto”, uma relação de
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Q1880350 Português
      Do alto da duna, o olhar é atraído para a montanha achatada de arenito avermelhado. À frente, uma pequena lagoa e a planície verde tomada por buritis se estendem até o horizonte. Nessa paisagem de cerradão intocado, nascentes brotam em meio às veredas e rios escorrem formando cachoeiras entre campos recobertos por arbustos de galhos retorcidos vigiados por aves de rapina, como o gavião-carcará e o urubu-rei. Assim é o Parque Estadual do Jalapão, no Tocantins, que foi apelidado de deserto, apesar da fartura de águas. 
      Conhecer o Jalapão é tarefa para viajantes com espírito de aventura porque é preciso vencer não só a distância – cinco horas de carro desde Palmas, a capital de Tocantins – mas também os sacolejos nas estradas de terra da região. O período de seca de maio a setembro é a melhor época para curtir as praias de rios, uma das principais atrações do Jalapão. As estradas ficam bem melhores e sem grandes atoleiros. Todo esforço para chegar ao Jalapão é bem recompensado com um banho completo de natureza.
(AZZI, Tales. Jalapão, o grande oásis do Brasil. Viaje Mais. São Paulo: N. 244, Ano 21, set./out. 2021. Editora Europa. p. 39-40. Fragmento adaptado) 

O trecho negritado poderia compor as páginas de uma obra literária, mas integra uma reportagem sobre o Jalapão. A presença desse trecho na reportagem está, prioritariamente, relacionada
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Q1880349 Português
      Seríamos todos, por natureza, viciados? Reformulando: seríamos todos potencialmente reféns de vícios, ávidos por alguns comportamentos ou substâncias? Nossa infraestrutura cerebral parece ser propícia a isso – não que tenha sido concebida para tal finalidade. No meio dos miolos há o sistema de recompensa, cuja moeda básica de troca é tudo aquilo que nos dá prazer. Ao mesmo tempo que esse circuito nervoso nos instiga e empurra para a vida, pode sediar o mecanismo da dependência.
(SPONCHIATO, Diogo. Entre novos e velhos vícios. Veja Saúde. São Paulo: N. 473, nov. 2021. Editora Abril. p. 4. Fragmento adaptado) 

No trecho em negrito, apresentam-se dois enunciados: (1) “Seríamos todos, por natureza, viciados?”; e (2) “(...) seríamos todos potencialmente reféns de vícios, ávidos por alguns comportamentos ou substâncias?”. O autor do texto, ao reformular (1) por meio de (2), refaz a questão apresentada,
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Q1880348 Português
      Conseguir manter o foco é algo raro hoje em dia. Em um mundo hiperconectado, no qual as informações chegam de todos os lugares – e-mail, telefone, WhatsApp, aplicativos corporativos de mensagens –, e tendo que conciliar diversos papéis durante o trabalho, dedicar-se a uma atividade sem interrupção tem sido difícil para muitos. 
      Para melhorar o foco, é possível usar uma técnica interessante: o deep work, ou foco profundo, conceito cunhado por Cal Newport, professor da Universidade de Georgetown. Ele define o deep work como a capacidade de se concentrar, sem distrações, em uma tarefa que exige muito poder cognitivo. Segundo o autor, é uma habilidade que permite dominar mais rapidamente informações complicadas e produzir melhores resultados em menos tempo.
      A boa notícia é que é possível desenvolver foco, como explica o educador Eduardo Valladares, designer de experiência de aprendizagem. “Foco não é uma habilidade inata. Foco se cria e pode ser desenvolvido a cada dia”, diz.
(MARINO, Caroline. O que eu ia fazer mesmo? Você RH. São Paulo: Ed. 76, out/nov. 2021. Editora Abril. p. 48-50. Fragmento)

No trecho, as expressões em negrito concorrem, fundamentalmente, para
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Q1880347 Português
      Imagine que você vive numa casa junto com um cachorro, porém ignora completamente a presença do animal. Não o alimenta, não nota se ele está alvoraçado ou apático, se precisa repousar um pouco ou correr num extenso gramado. É desse jeito que a maioria das pessoas trata o movimento contínuo – e pouco prestigiado – do tórax, esse “vai e volta” que nos acompanha fielmente desde o princípio da vida fora do útero materno até o nosso fôlego se esgotar ao fim.
(MELLO, Raphaela de Campos. A respiração como um portal. Vida Simples. São Paulo: N. 237, nov. 2021. Vida Simples Edições. p. 40. Fragmento adaptado)

No texto, a comparação realizada funciona como
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Q1880346 Português
      Quando faz turismo em outras cidades e países, é comum que a argentina Mariana Enriquez encaixe na programação visitas a cemitérios. Apesar de muita gente considerar esse comportamento exótico ou até macabro, ela discorda. “É antropológico, mostra rituais e tradições de um povo”, descreve a autora, que participará de uma mesa na Bienal Internacional do Livro Rio, com Josh Malerman e Matt Ruff, outros autores de terror. 
      Em 2019, ela venceu o maior prêmio literário para línguas castelhanas, o Herralde de Novela, por Nossa Parte da Noite (Ed. Intrínseca), lançado este ano no Brasil. A trama de quase 600 páginas acompanha a viagem de pai e filho atravessando a Argentina da capital até as Cataratas do Iguaçu. Com a ditadura como plano de fundo, durante os anos 1960, a história apresenta fatores sobrenaturais, uma ordem mediúnica e rituais de tortura e sacrifício. Essa combinação de realidade e fantasia se tornou a marca registrada de Mariana, que nomeou seu gênero de ficção dark. “Não é terror puro, porque também tem momentos de humor e ironia, de ficção científica”, descreve a autora.
(D’ERCOLE, Isabella. Uma aula do terror. Claudia. São Paulo: Ano 60, n. 11, nov. 2021. Ed. Abril. p. 12. Fragmento adaptado)

No texto, a expressão “ficção dark” funciona como um elemento 
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Q1880345 Português

Pensando bem... filósofos de ontem opinam em assuntos de hoje


Devo me preocupar com a origem da minha comida ou das minhas roupas?



EPICURO (341 a.C. – 270 a.C.). Depende. Epicuro defendia que você deve ser moral, porque o peso na consciência pela imoralidade impede de ser pleno, e não porque os deuses vão te punir. Ou seja: se você dorme bem à noite e não pensa muito no assunto, tudo bem. Mas se a ideia de que as indústrias da moda e dos alimentos são más para o mundo te atormenta, você deve evitá-las. 



KARL MARX (1818-1883). Sim. Boa parte das nossas roupas são feitas por trabalhadores em situação análoga à escravidão, e a indústria alimentícia tem uma cadeia de produção e logística perdulária que desperdiça comida enquanto os pobres morrem de fome. Marx perguntaria: Como comprar de indústrias que propagam concentração de renda e desigualdade?



ARNE NAESS (1912-2009). Sim. Essas indústrias causam danos ambientais (como a emissão de metano pelo gado ou os microplásticos de origem têxtil nos oceanos) que podem tornar o planeta inabitável. E as ações de mitigação anunciadas pelas empresas, de acordo com o pensamento de Naess, seriam meramente paliativas.


(VAIANO, Bruno. Pensando bem... filósofos de ontem opinam em assuntos de hoje. Superinteressante. São Paulo: Ed. 433, nov., 2021, p. 62-63. Ed. Abril. Texto adaptado)



No texto acima, Bruno Vaiano apresenta ideias de Epicuro, Marx e Naess, parafraseando-as de modo a criar a impressão de que esses filósofos do passado estão opinando sobre uma questão do presente. Ao fazer isso, Vaiano

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Q1880344 Português

Ambição e impacto



      “O Brasil tem um déficit educacional enorme. São dezenas de milhões de pessoas com formação inadequada até mesmo para empregos simples, muitos ainda analfabetos funcionais. É esse problema que a Quero Educação se propõe a resolver”, diz Renata Rebocho, 29 anos. Após trabalhar como estagiária em escritórios de advocacia, ela largou o último ano de faculdade de Direito, em 2012, para fundar a startup ao lado do sócio e marido, Bernardo Pádua. Ao todo, a empresa que conecta estudantes a universidades e instituições de ensino, já captou R$60 milhões em capital de risco. Mas seu maior motivo de orgulho é ter matriculado 600 mil alunos em 6 mil instituições de ensino parceiras. Nesse momento, a maior ambição de Renata é levar a Quero Educação para o exterior: “Queremos ser globais. Sei que somos capazes de fazer muito mais ainda”, diz a empreendedora.


(DA EDIÇÃO. Ambição e impacto. Pequenas empresas & grandes negócios. São Paulo: mar. 2021, p. 54. Ed. Globo. Fragmento adaptado) 



Com base na leitura do texto, é correto afirmar que o título “Ambição e impacto”

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Q1880083 Português

Texto para a questão a seguir:

Relatividade Geral

Por Carlos Wuensche (trecho adaptado). 


A Teoria da Relatividade Geral (TRG) foi publicada por Einstein em 1916, dez anos após a publicação da Relatividade Restrita. Na TRG, Einstein estende a descrição dos fenômenos físicos para sistemas não inerciais (ou seja, acelerados).


O Princípio de Equivalência postula que é impossível distinguirmos sistemas uniformemente acelerados de campos gravitacionais. As duas consequências fundamentais deste princípio são o desvio da luz por campos gravitacionais e o deslocamento da frequência (e consequentemente mudança da energia) de fótons em campos gravitacionais.


Ambas as previsões foram confirmadas experimentalmente inúmeras vezes. Outro resultado importante da relatividade geral foi a explicação da precessão do periélio de Mercúrio.


Ao incluir campos gravitacionais, a relatividade geral tornouse uma teoria de gravitação, aperfeiçoando a gravitação newtoniana que existia há 300 anos. A relatividade geral descreve o movimento de objetos, não em termos da ação de forças, como na mecânica clássica, mas em termos de trajetórias descritas sobre a superfície do espaço-tempo.


A geometria do espaço-tempo é determinada pela distribuição de massas no Universo. Ou seja, o espaço e o tempo não são estruturas absolutas e estáticas – como na teoria newtoniana – mas objetos físicos em si, gerados pela matéria do Universo.

Leia o texto 'Relatividade Geral' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. Em seu texto, Wuensche afirma que o desvio da luz por campos gravitacionais e o deslocamento da frequência de fótons em campos gravitacionais são consequências fundamentais do Princípio de Equivalência.

II. A relatividade geral de Einstein descreve o movimento de objetos em termos de trajetórias descritas sobre a superfície do espaço- tempo, afirma o texto. Assim, essa teoria se diferenciou da mecânica clássica, na qual o movimento de objetos ocorre em termos da ação de forças, como se pode inferir a partir das informações do texto.

Marque a alternativa CORRETA: 
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Q1880082 Português

Texto para a questão a seguir:

Relatividade Geral

Por Carlos Wuensche (trecho adaptado). 


A Teoria da Relatividade Geral (TRG) foi publicada por Einstein em 1916, dez anos após a publicação da Relatividade Restrita. Na TRG, Einstein estende a descrição dos fenômenos físicos para sistemas não inerciais (ou seja, acelerados).


O Princípio de Equivalência postula que é impossível distinguirmos sistemas uniformemente acelerados de campos gravitacionais. As duas consequências fundamentais deste princípio são o desvio da luz por campos gravitacionais e o deslocamento da frequência (e consequentemente mudança da energia) de fótons em campos gravitacionais.


Ambas as previsões foram confirmadas experimentalmente inúmeras vezes. Outro resultado importante da relatividade geral foi a explicação da precessão do periélio de Mercúrio.


Ao incluir campos gravitacionais, a relatividade geral tornouse uma teoria de gravitação, aperfeiçoando a gravitação newtoniana que existia há 300 anos. A relatividade geral descreve o movimento de objetos, não em termos da ação de forças, como na mecânica clássica, mas em termos de trajetórias descritas sobre a superfície do espaço-tempo.


A geometria do espaço-tempo é determinada pela distribuição de massas no Universo. Ou seja, o espaço e o tempo não são estruturas absolutas e estáticas – como na teoria newtoniana – mas objetos físicos em si, gerados pela matéria do Universo.

Leia o texto 'Relatividade Geral' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. Um dos conceitos apresentados no texto é o do Princípio de Equivalência, o qual postula que a principal diferença entre um sistema uniformemente acelerado e um campo gravitacional é o vetor de aceleração do Spin.

II. Através da teoria da relatividade geral, Einstein estendeu a descrição dos fenômenos físicos para sistemas escaláveis inerciais, ou seja, para elementos estáticos observados em um ambiente controlado, afirma o texto.

Marque a alternativa CORRETA:
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Q1880081 Português

Texto para a questão a seguir:

Relatividade Geral

Por Carlos Wuensche (trecho adaptado). 


A Teoria da Relatividade Geral (TRG) foi publicada por Einstein em 1916, dez anos após a publicação da Relatividade Restrita. Na TRG, Einstein estende a descrição dos fenômenos físicos para sistemas não inerciais (ou seja, acelerados).


O Princípio de Equivalência postula que é impossível distinguirmos sistemas uniformemente acelerados de campos gravitacionais. As duas consequências fundamentais deste princípio são o desvio da luz por campos gravitacionais e o deslocamento da frequência (e consequentemente mudança da energia) de fótons em campos gravitacionais.


Ambas as previsões foram confirmadas experimentalmente inúmeras vezes. Outro resultado importante da relatividade geral foi a explicação da precessão do periélio de Mercúrio.


Ao incluir campos gravitacionais, a relatividade geral tornouse uma teoria de gravitação, aperfeiçoando a gravitação newtoniana que existia há 300 anos. A relatividade geral descreve o movimento de objetos, não em termos da ação de forças, como na mecânica clássica, mas em termos de trajetórias descritas sobre a superfície do espaço-tempo.


A geometria do espaço-tempo é determinada pela distribuição de massas no Universo. Ou seja, o espaço e o tempo não são estruturas absolutas e estáticas – como na teoria newtoniana – mas objetos físicos em si, gerados pela matéria do Universo.

Leia o texto 'Relatividade Geral' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. Uma das informações presentes no texto é a de que, para Einstein, o espaço e o tempo não são estruturas absolutas e estáticas – como na teoria de Isaac Newton – mas objetos físicos em si, gerados pela matéria do Universo.

II. Wuensche afirma no texto que a gravitação newtoniana foi aperfeiçoada pela relatividade geral, a qual tornou-se uma teoria de gravitação ao incluir campos gravitacionais.

Marque a alternativa CORRETA: 
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Q1880080 Português

Texto para questão a seguir:


IRRADIAÇÃO ADAPTATIVA


Por F. PROENÇA (trecho adaptado).

A irradiação adaptativa é um processo evolutivo que ocorre quando um grupo ancestral coloniza diferentes ambientes e pode originar outras espécies. Ao colonizar novos ambientes, cada grupo fica submetido a diferentes condições ambientais, o que afeta o surgimento e a diversificação de espécies.


O fenômeno da irradiação adaptativa possibilita o surgimento de uma grande variedade de formas de vida. A seleção natural, por sua vez, permite a sobrevivência dos indivíduos mais adaptados.


O isolamento geográfico entre os grupos ancestrais permite a especiação, que é o processo de formação de novas espécies.


Em resumo, a irradiação adaptativa corresponde ao surgimento de espécies, em diferentes ambientes, a partir de um ancestral comum. Um exemplo de irradiação adaptativa é a diversificação dos mamíferos. Esse grupo de animais possui um ancestral comum e é adaptado a diversos tipos de habitats, como terrestres, aquáticos e aéreos.


A irradiação adaptativa dá origem à homologia, que é a semelhança entre as estruturas de diferentes organismos, devido à mesma origem embriológica. Nesse caso, as estruturas podem ou não desempenhar a mesma função.


Com base na irradiação adaptativa dos mamíferos, são estruturas homólogas: os membros superiores do homem, a pata do cavalo, a nadadeira da baleia e a asa do morcego.

Leia o texto 'IRRADIAÇÃO ADAPTATIVA' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. Proença afirma que o conceito de irradiação adaptativa corresponde ao surgimento de espécies, em diferentes ambientes, a partir de um ancestral comum, como se pode observar em relação à diversificação dos mamíferos, por exemplo.

II. Algumas das afirmações presentes no texto incluem a ideia de que a seleção natural permite a sobrevivência dos indivíduos mais adaptados, e que o isolamento geográfico entre os grupos ancestrais permite a formação de novas espécies.

Marque a alternativa CORRETA:
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Q1880079 Português

Texto para questão a seguir:


IRRADIAÇÃO ADAPTATIVA


Por F. PROENÇA (trecho adaptado).

A irradiação adaptativa é um processo evolutivo que ocorre quando um grupo ancestral coloniza diferentes ambientes e pode originar outras espécies. Ao colonizar novos ambientes, cada grupo fica submetido a diferentes condições ambientais, o que afeta o surgimento e a diversificação de espécies.


O fenômeno da irradiação adaptativa possibilita o surgimento de uma grande variedade de formas de vida. A seleção natural, por sua vez, permite a sobrevivência dos indivíduos mais adaptados.


O isolamento geográfico entre os grupos ancestrais permite a especiação, que é o processo de formação de novas espécies.


Em resumo, a irradiação adaptativa corresponde ao surgimento de espécies, em diferentes ambientes, a partir de um ancestral comum. Um exemplo de irradiação adaptativa é a diversificação dos mamíferos. Esse grupo de animais possui um ancestral comum e é adaptado a diversos tipos de habitats, como terrestres, aquáticos e aéreos.


A irradiação adaptativa dá origem à homologia, que é a semelhança entre as estruturas de diferentes organismos, devido à mesma origem embriológica. Nesse caso, as estruturas podem ou não desempenhar a mesma função.


Com base na irradiação adaptativa dos mamíferos, são estruturas homólogas: os membros superiores do homem, a pata do cavalo, a nadadeira da baleia e a asa do morcego.

Leia o texto 'IRRADIAÇÃO ADAPTATIVA' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:

I. O texto apresenta ao leitor o conceito de homologia, que é a semelhança entre as estruturas de diferentes organismos, devido à mesma origem embriológica e que podem ou não desempenhar a mesma função.

II. A irradiação adaptativa é um processo evolutivo que ocorre quando várias espécies colonizam o mesmo ambientes e, através do cruzamento entre indivíduos amorfos, origina uma nova espécie mais adaptada do que os seus ancestrais, como se pode perceber após a análise do texto em questão.

Marque a alternativa CORRETA: 
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Q1879891 Português
Leia o texto abaixo para responder a questão:


O Ministério Público (MP) tem como papel fiscalizar e proteger os princípios e interesses fundamentais da sociedade. Por isso, seu funcionamento é independente de qualquer dos três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Para garantir que o seu trabalho esteja livre de intervenção de qualquer dos poderes, a Constituição Federal reserva a ele uma seção específica, no Capítulo 4 - "Das Funções Essenciais e Justiça". Mas não se trata de ser simplesmente o guardião da lei: apesar de incluir o aspecto da legalidade, a missão do Ministério Público vai muito além desse campo. Abrange também a guarda e a promoção da democracia, da cidadania e da justiça e da moralidade. Além disso, cuida dos interesses da sociedade de uma maneira geral, principalmente nos setores mais vulneráveis e mais necessitadas de amparo, como as etnias oprimidas, o meio ambiente, o patrimônio público e os direitos humanos, entre outros.

As funções atribuídas ao Ministério Público na Constituição brasileira acumulam as características de fiscal, ouvidor e advogado do povo. Colocam-no em uma interessante posição de defensor da sociedade contra possíveis abusos do Estado, ao mesmo tempo em que defende o Estado democrático de direito contra possíveis ataques de particulares de má-fé. O Ministério Público tanto pode agir por sua própria iniciativa, sempre que considerar que os interesses da sociedade estejam ameaçados, quanto pode ser acionado por qualquer cidadão que considerar que algum direito ou princípio jurídico esteja sob ameaça.

(...)

No período colonial, o Brasil foi orientado pelo direito lusitano. Não havia o Ministério Público como instituição. Mas as primeiras legislações de nosso território - as Ordenações Manuelinas de 1521 e as Ordenações Filipinas de 1603 - já faziam menção aos promotores de justiça, atribuindo a eles o papel de fiscalizar a lei e de promover a acusação criminal. Existiam ainda o cargo de procurador dos feitos da Coroa (defensor da Coroa) e o de procurador da Fazenda (defensor do fisco).

No Império, em 1832, com a promulgação do Código de Processo Penal, iniciou-se a sistematização das ações do Ministério Público brasileiro. Na República, o decreto nº 848, de 11/09/1890, ao criar e regulamentar a Justiça Federal, dispôs, em um capítulo, sobre a estrutura e atribuições do Ministério Público no âmbito federal. Mas foi o processo de codificação do Direito nacional que permitiu o crescimento institucional do MP, visto que os códigos (Civil de 1917, de Processo Civil de 1939 e de 1973, Penal de 1940 e de Processo Penal de 1941) atribuíram várias funções à instituição.

A Constituição de 1988, como já se viu, faz referência expressa ao Ministério Público no capítulo "Das funções essenciais à Justiça". Define as funções institucionais, as garantias e os impedimentos de seus membros. Foi na área cível que o Ministério Público adquiriu novas funções, destacando a sua atuação na tutela dos interesses difusos e coletivos (meio ambiente, consumidor, patrimônio histórico, turístico e paisagístico; pessoa portadora de deficiência; criança e adolescente, comunidades indígenas e minorias étnico-sociais). Isso deu evidência à instituição, tornando-a uma espécie de Ouvidoria da sociedade brasileira, pronta a ouvir suas reclamações e tomar providências.


(Fonte:https://educacao.uol.com.br/disciplinas/cidadania/ministerio-publico-defesa-independente-da-sociedade-e-dademocracia.htm - adaptado. Acesso em 18.01.22)
Assinale a alternativa que contém informações e conclusões não contidas no texto:
Alternativas
Q1879890 Português
Leia o texto abaixo para responder a questão:


O Ministério Público (MP) tem como papel fiscalizar e proteger os princípios e interesses fundamentais da sociedade. Por isso, seu funcionamento é independente de qualquer dos três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Para garantir que o seu trabalho esteja livre de intervenção de qualquer dos poderes, a Constituição Federal reserva a ele uma seção específica, no Capítulo 4 - "Das Funções Essenciais e Justiça". Mas não se trata de ser simplesmente o guardião da lei: apesar de incluir o aspecto da legalidade, a missão do Ministério Público vai muito além desse campo. Abrange também a guarda e a promoção da democracia, da cidadania e da justiça e da moralidade. Além disso, cuida dos interesses da sociedade de uma maneira geral, principalmente nos setores mais vulneráveis e mais necessitadas de amparo, como as etnias oprimidas, o meio ambiente, o patrimônio público e os direitos humanos, entre outros.

As funções atribuídas ao Ministério Público na Constituição brasileira acumulam as características de fiscal, ouvidor e advogado do povo. Colocam-no em uma interessante posição de defensor da sociedade contra possíveis abusos do Estado, ao mesmo tempo em que defende o Estado democrático de direito contra possíveis ataques de particulares de má-fé. O Ministério Público tanto pode agir por sua própria iniciativa, sempre que considerar que os interesses da sociedade estejam ameaçados, quanto pode ser acionado por qualquer cidadão que considerar que algum direito ou princípio jurídico esteja sob ameaça.

(...)

No período colonial, o Brasil foi orientado pelo direito lusitano. Não havia o Ministério Público como instituição. Mas as primeiras legislações de nosso território - as Ordenações Manuelinas de 1521 e as Ordenações Filipinas de 1603 - já faziam menção aos promotores de justiça, atribuindo a eles o papel de fiscalizar a lei e de promover a acusação criminal. Existiam ainda o cargo de procurador dos feitos da Coroa (defensor da Coroa) e o de procurador da Fazenda (defensor do fisco).

No Império, em 1832, com a promulgação do Código de Processo Penal, iniciou-se a sistematização das ações do Ministério Público brasileiro. Na República, o decreto nº 848, de 11/09/1890, ao criar e regulamentar a Justiça Federal, dispôs, em um capítulo, sobre a estrutura e atribuições do Ministério Público no âmbito federal. Mas foi o processo de codificação do Direito nacional que permitiu o crescimento institucional do MP, visto que os códigos (Civil de 1917, de Processo Civil de 1939 e de 1973, Penal de 1940 e de Processo Penal de 1941) atribuíram várias funções à instituição.

A Constituição de 1988, como já se viu, faz referência expressa ao Ministério Público no capítulo "Das funções essenciais à Justiça". Define as funções institucionais, as garantias e os impedimentos de seus membros. Foi na área cível que o Ministério Público adquiriu novas funções, destacando a sua atuação na tutela dos interesses difusos e coletivos (meio ambiente, consumidor, patrimônio histórico, turístico e paisagístico; pessoa portadora de deficiência; criança e adolescente, comunidades indígenas e minorias étnico-sociais). Isso deu evidência à instituição, tornando-a uma espécie de Ouvidoria da sociedade brasileira, pronta a ouvir suas reclamações e tomar providências.


(Fonte:https://educacao.uol.com.br/disciplinas/cidadania/ministerio-publico-defesa-independente-da-sociedade-e-dademocracia.htm - adaptado. Acesso em 18.01.22)
Assinale a alternativa que contém uma interpretação correta acerca do texto:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: IBFC Órgão: MS Prova: IBFC - 2022 - MS - Tutor Médico |
Q1879724 Português
Leia o texto abaixo, para responder a questão:


Diferenciação entre os gêneros textuais: notícia e artigo de opinião.


Saber interpretar um texto, a partir do contexto de produção em que ele está inserido, é fundamental para a experiência cotidiana do leitor. A interpretação permite que saibamos diferenciar o conteúdo de uma notícia de jornal do de um artigo de opinião. Eles são gêneros textuais que nos propiciam a ter posturas diferentes quanto a suas leituras. Nesse ínterim, em teoria, no gênero textual notícia, não procuramos ler nas entrelinhas, pois as informações são factuais, não há linguagem subjetiva, não há duplo sentido. Já no gênero textual artigo de opinião é necessário saber ler nas entrelinhas, entender a linguagem subjetiva, entre outras estratégias de leitura que exigem posicionamento ativo na interpretação do que está escrito. Não podemos admitir que o teor de textos desse gênero seja formado de verdades absolutas. Devemos estar atentos para o contexto em que o artigo de opinião foi produzido, a fonte, as imagens (se houver), o autor e a data de publicação são, inicialmente, dados importantes para começarmos a leitura consciente de um artigo de opinião. (Texto desenvolvido especificamente para esta prova) 
Em relação à interpretação do texto analise as afirmativas abaixo:

I. A postura do leitor de um artigo de opinião e de uma notícia deve ser a mesma, ou seja, as estratégias de leitura e o foco de qualquer gênero textual não diferem.
II. Conhecer as especificidades dos dois gêneros textuais, notícia e artigo de opinião, auxilia na interpretação de seus conteúdos.
III. O gênero textual artigo de opinião raramente impõe a leitura nas entrelinhas e nem se utiliza da linguagem subjetiva.

Estão corretas as afirmativas:
Alternativas
Ano: 2022 Banca: IBFC Órgão: MS Prova: IBFC - 2022 - MS - Médico de Família e Comunidade |
Q1879674 Português
Utilize o texto abaixo para responder a questão.


“Fazer ‘turismo sustentável’ exige respeito ao meio ambiente e à cultura local; veja miniguia com dicas” Medidas simples podem melhorar a experiência do viajante enquanto beneficiam as comunidades visitadas, o ambiente e seu meio.


(Por Patrícia Figueiredo, G1. 04-abr-2019)


Observe os itens apresentados pelo Guia do desafio: turismo sustentável:

1 - Pesquise o destino: conheça a história, cultura e problemas locais.
2 - Busque a diversidade: os destinos têm só um cartãopostal e não são legais só na alta temporada.
3 - Escolha os serviços: pousada e agência regularizados pagam impostos que ajudam a manter o local.
4 - Respeite a natureza: não imponha som alto à fauna. Não deixe lixo na área, nem mate animais peçonhentos.
5 - Não explore os animais: andar de elefante ou nadar com golfinhos não é tão divertido para eles. Fuja de lembrancinhas feitas com produtos de origem animal.
6 - Cumpra as regras de visitação: não abra novas trilhas, não acenda fogueiras e não deixe marcas em grutas.
7 - Economize recursos naturais: água e eletricidade devem ser poupadas: os hotéis usam os recursos finitos do planeta.
8 - Prefira produtos e serviços locais: o lucro de grandes redes geralmente vai para o país onde a empresa foi criada.
9 - Respeite a cultura local: deixe o carro na pousada se vir uma procissão e cuidado para não entrar em locais privados sem permissão.
10 - Seja menos turista e mais viajante: não foque somente nas selfies, curta o meio, curta o ambiente, observe e compartilhe a experiência do nativo.


(Disponível em https://g1.globo.com/natureza/desafionatureza/noticia/2019/04/06/fazer-turismo-sustentavel-exigerespeito-ao-meio-ambiente-e-a-cultura-local-veja-miniguia-comdicas.ghtml)
Observe as afirmativas sobre o texto - Fazer ‘turismo sustentável’ e assinale a alternativa correta em relação à interpretação e compreensão dele:
I. O texto informa que os turistas devem ser educados ao sair de suas casas e entrar em hotéis de lugares turísticos.
II. Tirar selfies, ir a procissões, conhecer lugares históricos e deixar sua marca em grutas, essas características positivas do turista é que vão indicar quais podem entrar em lugares turísticos.
III. O texto orienta o turista em como deve proceder ao visitar lugares turísticos prezando pelo turismo sustentável.

Estão corretas as afirmativas.
Alternativas
Q1878967 Português

Livrando a cara dos morcegos



        Pode-se dizer que esta coluna é um desagravo aos morcegos da China e do mundo. A incansável fábrica de bobagens da internet já transformou, a esta altura do campeonato, a famigerada “sopa de morcegos” chinesa na fonte supostamente incontestável do novo coronavírus que tanto nos assombra, e os mamíferos voadores, de fato, são um reservatório importante de entidades virais que às vezes atingem a nossa espécie. Mas uma nova pesquisa indica que não existe nada de essencialmente perigoso nos vírus que esses bichos carregam. 

        Aliás, as evidências reunidas pelo trabalho, que acaba de sair na revista científica PNAS, sugerem que nenhum grupo de animais pode ser considerado, por si só, um grande vilão das chamadas zoonoses, infecções que surgem em bichos e podem se espalhar para os seres humanos.

        O quadro revelado pelo estudo de Nardus Mollentze e Daniel Streicker, pesquisadores da Universidade de Glasgow (Reino Unido), é complexo e cheio de nuances, mas uma de suas principais conclusões é de que existe uma correlação mais ou menos direta entre a diversidade de espécies de um grupo e a diversidade de vírus zoonóticos (ou seja, que podem saltar dos bichos para o Homo sapiens).

        Se isso for verdade, o que acontece é que os morcegos parecem ser reservatórios de vírus perigosos simplesmente porque são muito diversificados. 

        De fato, uma em cada cinco espécies de mamíferos planeta afora pertence à chamada ordem dos quirópteros (em grego, algo como “asas nas mãos”). Além da diversidade, porém, muita gente também postulava outras características intrínsecas dos morcegos como forma de explicar sua aparente periculosidade viral. 

        Por serem voadores, eles conseguiriam espalhar os vírus que carregam por áreas mais amplas do que outros animais. Diversas espécies, principalmente as da Ásia e da África tropicais, vivem em bandos tão numerosos e aglomerados que a troca de patógenos entre os animais seria bem mais intensa do que o visto entre os demais mamíferos, potencializando a evolução viral.

        Por fim, falava-se até em possíveis peculiaridades do sistema imunológico (de defesa contra doenças) dos quirópteros, que poderiam torná-los mais permeáveis a abrigar vírus.

        No novo estudo, os pesquisadores de Glasgow solaparam esse edifício de hipóteses ao fazer um mapeamento de mais de 400 vírus zoonóticos e das diferentes ordens (grupos amplos, como os quirópteros) de mamíferos e aves que os abrigam – no caso, oito ordens de mamíferos e três de aves.

        Primeiro, os morcegos nem aparecem no topo da lista – juntos, os “líderes” são os cetartiodáctilos (grupo ao qual pertencem os porcos e os bois) e os roedores, os quais, somados, respondem por 50% dos vírus que saltam de animais para humanos. 

        Mais importante ainda, a correlação entre número de espécies de cada ordem e número de vírus que causam zoonoses está clara em praticamente todos os casos.

        Outro ponto crucial: mesmo as ordens mais diversificadas possuem seus vírus “parceiros”, que não são os mesmos em outros animais. Os roedores, por exemplo, carregam muitos hantavírus e arenavírus –os quais, aliás, volta e meia causam mortes no Brasil. 

        Resumo da ópera? O preço da biossegurança é a eterna vigilância. É essencial continuarmos a estudar a biodiversidade de animais e vírus se quisermos estar preparados para a próxima pandemia. Desmatar menos também não seria má ideia. 


Reinaldo José Lopes

(Folha de São Paulo, 19/04/2020)

A expressão “Se isso for verdade”, no quarto parágrafo, assume o valor de:
Alternativas
Q1878963 Português

Livrando a cara dos morcegos



        Pode-se dizer que esta coluna é um desagravo aos morcegos da China e do mundo. A incansável fábrica de bobagens da internet já transformou, a esta altura do campeonato, a famigerada “sopa de morcegos” chinesa na fonte supostamente incontestável do novo coronavírus que tanto nos assombra, e os mamíferos voadores, de fato, são um reservatório importante de entidades virais que às vezes atingem a nossa espécie. Mas uma nova pesquisa indica que não existe nada de essencialmente perigoso nos vírus que esses bichos carregam. 

        Aliás, as evidências reunidas pelo trabalho, que acaba de sair na revista científica PNAS, sugerem que nenhum grupo de animais pode ser considerado, por si só, um grande vilão das chamadas zoonoses, infecções que surgem em bichos e podem se espalhar para os seres humanos.

        O quadro revelado pelo estudo de Nardus Mollentze e Daniel Streicker, pesquisadores da Universidade de Glasgow (Reino Unido), é complexo e cheio de nuances, mas uma de suas principais conclusões é de que existe uma correlação mais ou menos direta entre a diversidade de espécies de um grupo e a diversidade de vírus zoonóticos (ou seja, que podem saltar dos bichos para o Homo sapiens).

        Se isso for verdade, o que acontece é que os morcegos parecem ser reservatórios de vírus perigosos simplesmente porque são muito diversificados. 

        De fato, uma em cada cinco espécies de mamíferos planeta afora pertence à chamada ordem dos quirópteros (em grego, algo como “asas nas mãos”). Além da diversidade, porém, muita gente também postulava outras características intrínsecas dos morcegos como forma de explicar sua aparente periculosidade viral. 

        Por serem voadores, eles conseguiriam espalhar os vírus que carregam por áreas mais amplas do que outros animais. Diversas espécies, principalmente as da Ásia e da África tropicais, vivem em bandos tão numerosos e aglomerados que a troca de patógenos entre os animais seria bem mais intensa do que o visto entre os demais mamíferos, potencializando a evolução viral.

        Por fim, falava-se até em possíveis peculiaridades do sistema imunológico (de defesa contra doenças) dos quirópteros, que poderiam torná-los mais permeáveis a abrigar vírus.

        No novo estudo, os pesquisadores de Glasgow solaparam esse edifício de hipóteses ao fazer um mapeamento de mais de 400 vírus zoonóticos e das diferentes ordens (grupos amplos, como os quirópteros) de mamíferos e aves que os abrigam – no caso, oito ordens de mamíferos e três de aves.

        Primeiro, os morcegos nem aparecem no topo da lista – juntos, os “líderes” são os cetartiodáctilos (grupo ao qual pertencem os porcos e os bois) e os roedores, os quais, somados, respondem por 50% dos vírus que saltam de animais para humanos. 

        Mais importante ainda, a correlação entre número de espécies de cada ordem e número de vírus que causam zoonoses está clara em praticamente todos os casos.

        Outro ponto crucial: mesmo as ordens mais diversificadas possuem seus vírus “parceiros”, que não são os mesmos em outros animais. Os roedores, por exemplo, carregam muitos hantavírus e arenavírus –os quais, aliás, volta e meia causam mortes no Brasil. 

        Resumo da ópera? O preço da biossegurança é a eterna vigilância. É essencial continuarmos a estudar a biodiversidade de animais e vírus se quisermos estar preparados para a próxima pandemia. Desmatar menos também não seria má ideia. 


Reinaldo José Lopes

(Folha de São Paulo, 19/04/2020)

Com base na frase a seguir, responda à questão.


“A incansável fábrica de bobagens da internet já transformou, a esta altura do campeonato, a famigerada “sopa de morcegos” chinesa na fonte supostamente incontestável do novo coronavírus que tanto nos assombra” 


 A expressão “que tanto nos assombra” tem a função de:

Alternativas
Q1878960 Português

Livrando a cara dos morcegos



        Pode-se dizer que esta coluna é um desagravo aos morcegos da China e do mundo. A incansável fábrica de bobagens da internet já transformou, a esta altura do campeonato, a famigerada “sopa de morcegos” chinesa na fonte supostamente incontestável do novo coronavírus que tanto nos assombra, e os mamíferos voadores, de fato, são um reservatório importante de entidades virais que às vezes atingem a nossa espécie. Mas uma nova pesquisa indica que não existe nada de essencialmente perigoso nos vírus que esses bichos carregam. 

        Aliás, as evidências reunidas pelo trabalho, que acaba de sair na revista científica PNAS, sugerem que nenhum grupo de animais pode ser considerado, por si só, um grande vilão das chamadas zoonoses, infecções que surgem em bichos e podem se espalhar para os seres humanos.

        O quadro revelado pelo estudo de Nardus Mollentze e Daniel Streicker, pesquisadores da Universidade de Glasgow (Reino Unido), é complexo e cheio de nuances, mas uma de suas principais conclusões é de que existe uma correlação mais ou menos direta entre a diversidade de espécies de um grupo e a diversidade de vírus zoonóticos (ou seja, que podem saltar dos bichos para o Homo sapiens).

        Se isso for verdade, o que acontece é que os morcegos parecem ser reservatórios de vírus perigosos simplesmente porque são muito diversificados. 

        De fato, uma em cada cinco espécies de mamíferos planeta afora pertence à chamada ordem dos quirópteros (em grego, algo como “asas nas mãos”). Além da diversidade, porém, muita gente também postulava outras características intrínsecas dos morcegos como forma de explicar sua aparente periculosidade viral. 

        Por serem voadores, eles conseguiriam espalhar os vírus que carregam por áreas mais amplas do que outros animais. Diversas espécies, principalmente as da Ásia e da África tropicais, vivem em bandos tão numerosos e aglomerados que a troca de patógenos entre os animais seria bem mais intensa do que o visto entre os demais mamíferos, potencializando a evolução viral.

        Por fim, falava-se até em possíveis peculiaridades do sistema imunológico (de defesa contra doenças) dos quirópteros, que poderiam torná-los mais permeáveis a abrigar vírus.

        No novo estudo, os pesquisadores de Glasgow solaparam esse edifício de hipóteses ao fazer um mapeamento de mais de 400 vírus zoonóticos e das diferentes ordens (grupos amplos, como os quirópteros) de mamíferos e aves que os abrigam – no caso, oito ordens de mamíferos e três de aves.

        Primeiro, os morcegos nem aparecem no topo da lista – juntos, os “líderes” são os cetartiodáctilos (grupo ao qual pertencem os porcos e os bois) e os roedores, os quais, somados, respondem por 50% dos vírus que saltam de animais para humanos. 

        Mais importante ainda, a correlação entre número de espécies de cada ordem e número de vírus que causam zoonoses está clara em praticamente todos os casos.

        Outro ponto crucial: mesmo as ordens mais diversificadas possuem seus vírus “parceiros”, que não são os mesmos em outros animais. Os roedores, por exemplo, carregam muitos hantavírus e arenavírus –os quais, aliás, volta e meia causam mortes no Brasil. 

        Resumo da ópera? O preço da biossegurança é a eterna vigilância. É essencial continuarmos a estudar a biodiversidade de animais e vírus se quisermos estar preparados para a próxima pandemia. Desmatar menos também não seria má ideia. 


Reinaldo José Lopes

(Folha de São Paulo, 19/04/2020)

No oitavo parágrafo, a menção a um novo estudo é importante para a argumentação do autor por indicar que:
Alternativas
Respostas
23701: B
23702: D
23703: A
23704: C
23705: A
23706: C
23707: B
23708: D
23709: A
23710: D
23711: A
23712: A
23713: B
23714: A
23715: D
23716: E
23717: E
23718: B
23719: D
23720: A