Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q1919754 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão. 


Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:


I. O autor, a partir da frase anotada num pedaço de papel, compreendeu imediatamente o significado da felicidade.

II. Parte da obra escrita do autor apresenta a criação de personagens deprimidos.

III. O emprego da metáfora da ampulheta orgânica representa um alerta que nos indica a continuidade da vida e que temos que seguir adiante.


Quais estão corretas? 

Alternativas
Q1919703 Português

Texto


        Saímos de Manaus numa lancha pequena, e no meio da manhã navegamos no coração do arquipélago das Anavilhanas. A ânsia de encontrar Dinaura me deixou desnorteado. A ânsia e as lembranças da Boa Vida. A visão do rio Negro derrotou meu desejo de esquecer o Uaicurapá. E a paisagem da infância reacendeu minha memória, tanto tempo depois. Costelas de areia branca e estriões de praia em contraste com a água escura; lagos cercados por uma vegetação densa; poças enormes, formadas pela vazante, e ilhas que pareciam continente. Seria possível encontrar uma mulher naquela natureza tão grandiosa? No fim da manhã alcançamos o Paraná do Anum e avistamos a ilha do Eldorado. O prático amarrou os cabos da lancha no tronco de uma árvore; depois procuramos o varadouro indicado no mapa. A caminhada de mais de duas horas na floresta foi penosa, difícil. No fim do atalho, vimos o lago do Eldorado. A água preta, quase azulada. E a superfície lisa e quieta como um espelho deitado na noite. Não havia beleza igual. Poucas casas de madeira entre a margem e a floresta. Nenhuma voz. Nenhuma criança, que a gente sempre vê nos povoados mais isolados do Amazonas. O som dos pássaros só aumentava o silêncio. Numa casa com teto de palha pensei ter visto um rosto. Bati à porta, e nada. Entrei e vasculhei os dois cômodos separados por um tabique1 da minha altura. Um volume escuro tremia num canto. Fui até lá, me agachei e vi um ninho de baratas-cascudas. Senti um abafamento, o cheiro e o asco dos insetos me deram um suadouro. Lá fora, a imensidão do lago e da floresta. E silêncio. Aquele lugar tão bonito, o Eldorado, era habitado pela solidão. No fim do povoado encontramos uma casa de farinha. Escutamos uns latidos; o prático apontou uma casa na sombra da floresta. Era a única coberta de telhas, com uma varanda protegida por treliça de madeira e uma lata com bromélias ao lado da escadinha. Um ruído no lugar. Na porta vi o rosto de uma moça e fui sozinho ao encontro dela. Escondeu o corpo e eu perguntei se morava ali.


(HATOUM, Milton. Órfãos do Eldorado. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.101-102)1 divisória, tapume

O texto é organizado em um único parágrafo, uma espécie de bloco narrativo que possui uma coerência interna e representa, na estrutura: 
Alternativas
Q1919694 Português

Texto


        Saímos de Manaus numa lancha pequena, e no meio da manhã navegamos no coração do arquipélago das Anavilhanas. A ânsia de encontrar Dinaura me deixou desnorteado. A ânsia e as lembranças da Boa Vida. A visão do rio Negro derrotou meu desejo de esquecer o Uaicurapá. E a paisagem da infância reacendeu minha memória, tanto tempo depois. Costelas de areia branca e estriões de praia em contraste com a água escura; lagos cercados por uma vegetação densa; poças enormes, formadas pela vazante, e ilhas que pareciam continente. Seria possível encontrar uma mulher naquela natureza tão grandiosa? No fim da manhã alcançamos o Paraná do Anum e avistamos a ilha do Eldorado. O prático amarrou os cabos da lancha no tronco de uma árvore; depois procuramos o varadouro indicado no mapa. A caminhada de mais de duas horas na floresta foi penosa, difícil. No fim do atalho, vimos o lago do Eldorado. A água preta, quase azulada. E a superfície lisa e quieta como um espelho deitado na noite. Não havia beleza igual. Poucas casas de madeira entre a margem e a floresta. Nenhuma voz. Nenhuma criança, que a gente sempre vê nos povoados mais isolados do Amazonas. O som dos pássaros só aumentava o silêncio. Numa casa com teto de palha pensei ter visto um rosto. Bati à porta, e nada. Entrei e vasculhei os dois cômodos separados por um tabique1 da minha altura. Um volume escuro tremia num canto. Fui até lá, me agachei e vi um ninho de baratas-cascudas. Senti um abafamento, o cheiro e o asco dos insetos me deram um suadouro. Lá fora, a imensidão do lago e da floresta. E silêncio. Aquele lugar tão bonito, o Eldorado, era habitado pela solidão. No fim do povoado encontramos uma casa de farinha. Escutamos uns latidos; o prático apontou uma casa na sombra da floresta. Era a única coberta de telhas, com uma varanda protegida por treliça de madeira e uma lata com bromélias ao lado da escadinha. Um ruído no lugar. Na porta vi o rosto de uma moça e fui sozinho ao encontro dela. Escondeu o corpo e eu perguntei se morava ali.


(HATOUM, Milton. Órfãos do Eldorado. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.101-102)1 divisória, tapume

O texto é uma narrativa apresentada ao leitor por meio de uma perspectiva: 
Alternativas
Q1919047 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão.


TEXTO 2


Disponível em: https://www.estado.rs.gov.br/upload/arquivos//relatorio-saude-mental-e-pandemia-quais-os-impactos-e-como-mitigar.pdf. Acesso em: 2 fev. 2022. Adaptado.

O principal propósito comunicativo do texto 2 é: 
Alternativas
Q1919045 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão.


TEXTO 01 

AmarElo

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte

Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte

E tenho comigo pensado: Deus é brasileiro e anda do meu lado

E assim já não posso sofrer no ano passado


Tenho sangrado demais

Tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri

Mas esse ano eu não morro

[...]

É um mundo cão pra nóis, perder não é opção, certo?

De onde o vento faz a curva, brota o papo reto

Num deixo quieto, não tem como deixar quieto

A meta é deixar sem chão quem riu de nóis sem teto.

[...]

Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes

Elas são coadjuvantes, não, melhor, figurantes

Que nem devia tá aqui Permita que eu fale, e não as minhas cicatrizes

Tanta dor rouba nossa voz, sabe o que resta de nóiz?

Alvos passeando por aí

Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes

Se isso é sobre vivência, me resumir à sobrevivência

É roubar o pouco de bom que vivi

Por fim, permita que eu fale, não as minhas cicatrizes

Achar que essas mazelas me definem é o pior dos crimes

É dar o troféu pro nosso algoz e fazer nóiz sumir


AMARELO. Intérprete: Emicida. Compositor: Belchior, DJ Juh, Emicida, Felipe Vassão. Part. Majur e Pabllo Vittar. In: AmarELO: Sony Music, 2019. (5:20). Adaptado.

De acordo com o texto 1, assinale a afirmativa INCORRETA:
Alternativas
Q1919044 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão.


TEXTO 01 

AmarElo

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte

Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte

E tenho comigo pensado: Deus é brasileiro e anda do meu lado

E assim já não posso sofrer no ano passado


Tenho sangrado demais

Tenho chorado pra cachorro

Ano passado eu morri

Mas esse ano eu não morro

[...]

É um mundo cão pra nóis, perder não é opção, certo?

De onde o vento faz a curva, brota o papo reto

Num deixo quieto, não tem como deixar quieto

A meta é deixar sem chão quem riu de nóis sem teto.

[...]

Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes

Elas são coadjuvantes, não, melhor, figurantes

Que nem devia tá aqui Permita que eu fale, e não as minhas cicatrizes

Tanta dor rouba nossa voz, sabe o que resta de nóiz?

Alvos passeando por aí

Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes

Se isso é sobre vivência, me resumir à sobrevivência

É roubar o pouco de bom que vivi

Por fim, permita que eu fale, não as minhas cicatrizes

Achar que essas mazelas me definem é o pior dos crimes

É dar o troféu pro nosso algoz e fazer nóiz sumir


AMARELO. Intérprete: Emicida. Compositor: Belchior, DJ Juh, Emicida, Felipe Vassão. Part. Majur e Pabllo Vittar. In: AmarELO: Sony Music, 2019. (5:20). Adaptado.

“Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes / Elas são coadjuvantes, não, melhor, figurantes / Que nem devia tá aqui”.
A partir da leitura do trecho acima do texto 1, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q1918954 Português
Na busca por um sono melhor, muitas pessoas se perguntam se devem dividir a cama com um animal de estimação. Antes de chegarmos a isso, porém, é importante parar e refletir sobre o outro lado dessa questão: dormir com você é bom para o seu animal de estimação? “Adoro estar invertendo a questão”, afirmou a veterinária-chefe da Comunidade Veterinária da América do Norte, Dana Varble. “Em geral, é muito bom que os animais durmam com seus tutores.”

Animais de estimação que compartilham a cama de um humano tendem a ter um “nível de confiança mais alto e um vínculo mais estreito com os humanos que estão em suas vidas. É uma grande demonstração de confiança da parte deles”, disse Varble. Cães e gatos que estão mais intimamente ligados a seus humanos obtêm benefícios adicionais à saúde, incluindo aumentos nos neurotransmissores benéficos como a oxitocina e a dopamina, os hormônios do bem-estar”, acrescentou ela.

São apenas cães e gatos que se beneficiam de parceiros de cama humanos? Sim, disse Varble, com “muito, muito poucas exceções”. “Tenho um dono que tem um porco barrigudo meticulosamente preparado que dorme ao pé da cama”, disse ela. “É um porco doméstico chamado Norbert – porcos barrigudos são quase como cachorros porque são muito sociáveis.”

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/entenda-como-dormir-comseu-animal-de-estimacao-pode-afetar-voce/
Com base nas informações do texto e nas relações existentes entre as partes que o compõem, assinale a alternativa INCORRETA: 
Alternativas
Q1918783 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO:


VIDAS NEGRAS IMPORTAM DE FATO NO BRASIL?

HÉLIO SANTOS

A pergunta-título pode parecer estranha para alguns, porque vidas humanas devem importar sempre, independentemente de qualquer condição. O Black Lives Matter hashtag que dominou o mundo, sobretudo após a morte por sufocamento de George Floyd nos Estados Unidos – levanta a barbárie da violência que vitima negros em todo o mundo e de forma especial em países multirraciais como o Brasil. Reitera-se: “Vidas Negras Importam”. Mas esse clamor é um fato no Brasil? Vidas negras importam mesmo aqui?


A indagação do título acima tem pertinência, sim. Os antirracistas estão abalados pelas últimas mortes violentas de dois homens negros jovens – ambos no letal estado do Rio de Janeiro. Todavia, há uma continuidade das mortes que não cessam nunca o que torna nossa palavra de ordem algo sem repercussão na vida real da sociedade brasileira.


O jovem imigrante congolês Moïse Kabagambe sofreu, antes da xenofobia que imigrantes negros vivem aqui, violento racismo que de forma brutal o massacrou até à morte. Racismo este que assola aos negros sejam estes nascidos aqui ou não. Jamais um imigrante argentino, português ou do leste europeu, morreria daquela forma ao reivindicar salários atrasados. Tão infame quanto à morte de Moïse, foi a de Durval Teófilo Filho morto por um sargento da marinha que acertou 3 tiros no escuro contra o pai de família que retornava do trabalho – os dois últimos disparos foram feitos após a vítima, já caída, pedir clemência.


Vejamos: antes dos violentos assassinatos recentes destes jovens negros descortinamos uma sequência tenebrosa de casos que só vieram a público frente à covardia como aconteceram. Em 2021 a bela modelo e designer de 24 anos Kathlen Romeu – grávida – foi morta por um tiro de fuzil quando saía da casa de sua avó materna em Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio. Não havia tiroteio no local como alegaram os policiais. A mãe da jovem foi enfática: “Foi a polícia que matou minha filha”. Ainda em 2021 em uma loja da rede Atakarejo em Salvador (BA), após furtarem carne, 2 homens famintos em plena pandemia – tio e sobrinho – foram detidos pela segurança da rede comercial e entregues não à polícia, mas aos traficantes da região que após sessão de tortura os matou a tiros. Vê-se aqui a gravidade do que apelidamos Segurança Privada em pleno conluio com o tráfico. Em 2020, 3 meninos foram mortos pelo tráfico de Belfort Roxo. Mais uma vez as comunidades esquecidas, invadidas livremente por marginais, foram vítimas da violência difusa liberada ao tráfico. As crianças de 9, 11 e 12 anos foram torturadas antes de serem mortas e seus corpos nunca foram encontrados. Ainda em 2020 no Rio de Janeiro, 12 crianças – 5 meninas e 7 garotos – foram mortas por balas perdidas; cerca de uma por mês. Pergunta necessária: qual seria a reação das autoridades caso esses inocentes fossem crianças que brincassem nos playgrounds dos luxuosos bairros da zona sul carioca como Gávea, Leblon ou Barra? Balas nunca se perdem na direção de crianças brancas dos bairros ricos na cidade maravilhosa. Ainda bem, porque nenhuma criança merece isto.


Em 2020, tivemos um assassinato bem parecido com o que vitimou George Floyd, foi a vez de João Alberto, morto por sufocamento e agressões numa loja do Carrefour em Porto Alegre. Tudo foi filmado e exibido ao mundo. Ainda no mesmo ano foi a vez dolorosa de Miguel Otávio de 5 anos, abandonado pela patroa de sua mãe no elevador de serviço em um prédio de luxo no Recife. O meninozinho, reitero de 5 anos, se perdeu e caiu do 9º andar do edifício. Detalhe: a mãe que deixou a criança sob os cuidados da patroa passeava na calçada com a cadela da família. Em 2019, foi a vez de militares do exército brasileiro executarem uma pessoa negra. Pasmem: a família do músico Evaldo Rosa se dirigia de automóvel na região de Deodoro (zona Oeste do Rio) para um chá de bebê numa tarde de domingo – sua esposa, filho, uma acompanhante e seu sogro assistiram ao seu fuzilamento e só não morreram por milagre, pois cerca de 80 tiros de fuzis foram disparados contra eles. O sogro se feriu e um catador que tentou ajudar foi ferido também e depois veio a morrer. Todo mundo negro. Os militares alegaram “engano” pelos 80 tiros! Já Sérgio Moro, então ministro da justiça, chamou o fuzilamento de “incidente”. Caso fosse um tanque em uma guerra talvez não precisasse de 80 tiros de fuzil, mas uma família negra num automóvel fez jus a esse absurdo que não seria o recorde em violência, como se verá a seguir. Dessa vez (2015) as vítimas foram 5 adolescentes – todos negros de novo – que receberam 111 tiros da letal PM carioca. Essa execução coletiva se deu no bairro de Costa Barros na zona norte do Rio. Nenhum dos meninos tinha armas ou passagem pela polícia. Eram estudantes da comunidade e estavam no interior de um carro. O número de tiros – 111 – em que se revezavam fuzis e pistolas, dispensa o meu comentário. Ainda em 2015, no bairro do Cabula em Salvador, 12 jovens entre 16 e 27 anos tiveram execuções sumárias num caso que estarreceu a cidade pois não se vislumbrou nenhuma razão plausível para a chacina. Num julgamento relâmpago, uma juíza inocentou os policiais militares, mas a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça da Bahia.


Não temos espaço para falar de inúmeros outros casos, como o da mulher que foi arrastada por uma viatura da PM no Rio por mais de 300 metros. Isso sem contar as ameaças constantes que se tornaram mania contra políticos negros eleitos, especialmente mulheres, em que o exemplo mais marcante foi o de Marielle Franco com repercussão internacional. Essa lista não tem fim. 


Se formos indo aprofundando no tempo chegaremos a 1978, quando o feirante Robson da Luz foi torturado e morto numa delegacia em Osasco pela Polícia Civil de São Paulo. Essa morte foi um dos vetores que levou à criação do Movimento Negro Unificado (MNU) que há 44 anos batalha pelas vidas negras sempre sob constante ameaça.


Nenhum dos casos que eu trouxe aqui se tratou de pessoas que estavam enfrentando a polícia ou que estivessem em combate aberto contra outras pessoas.


Neste ano, os homens e mulheres que pretendem candidatar ao governo das 27 unidades federativas desse país continente têm que ter propostas razoáveis para essa “sangria desatada” – expressão usada pelos nossos avós para algo que nunca tem fim. Por outro lado, aquelas e aqueles que desejam o emprego de presidente da república terão de se posicionar com políticas efetivas para a defesa do que de mais elementar o estado deve proporcionar às pessoas: o direito à vida.


Dados de 2012 revelam 63 mortes diárias de jovens – todos negros – na faixa de 15 a 29 anos; quase 3 mortes a cada hora. Um desastre dessas proporções só é possível quando o aparato policial e judicial é conivente, quando não agente dessa mortandade. Mídia e os partidos políticos – que governam o país – têm sua parte nesse latifúndio bárbaro, anacrônico e que nos rebaixa a um vergonhoso ranking no campo dos direitos fundamentais.


Vidas negras importam – sim – para os antirracistas (negros e não-negros) que atuam na contramão de uma elite anestesiada e adoecida moralmente. Todavia, só a sociedade como um todo, liderada por mulheres e homens que almejem posicionar o Brasil num patamar civilizatório adequado ao século 21, pode estancar essa chaga que nos humilha, massacra e provoca muita dor à população majoritária que aqui está há meio milênio construindo o País.


Escancara-se a banalização do brutalismo contra a população negra. Questão que se faz necessária: qual a causa dessa reiterada anestesia moral? São várias, mas a impunidade e a abissal desigualdade racial nutrida pelo racismo têm espaço de destaque nessa cena distópica do país. A justiça que condena e prende a mãe que furta 2 litros de leite, devido a fome de sua prole, é a mesma que protela para as calendas o julgamento dos grandes sonegadores – todos brancos e ricos – que só em 2020 lesaram os cofres públicos em incríveis 460 bilhões de reais.


Não me parece mais correto dizer que o Brasil não tem projeto de nação. Ninguém come maça se não houver macieira. O que não temos são líderes e partidos com uma visão sistêmica que deem conta e queiram decifrar um país de 522 anos dos quais 354 se desenrolaram sob o barbarismo escravista. 



Adaptado de: Vidas negras importam de fato no Brasil? - Geledés (geledes.org.br) Acessado em 15/02/2022.

Imagem associada para resolução da questão


A reflexão proposta pela tirinha de Armandinho tem o mesmo sentindo do seguinte fragmento de texto, considerando-o em seu contexto:

Alternativas
Q1918779 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO:


VIDAS NEGRAS IMPORTAM DE FATO NO BRASIL?

HÉLIO SANTOS

A pergunta-título pode parecer estranha para alguns, porque vidas humanas devem importar sempre, independentemente de qualquer condição. O Black Lives Matter hashtag que dominou o mundo, sobretudo após a morte por sufocamento de George Floyd nos Estados Unidos – levanta a barbárie da violência que vitima negros em todo o mundo e de forma especial em países multirraciais como o Brasil. Reitera-se: “Vidas Negras Importam”. Mas esse clamor é um fato no Brasil? Vidas negras importam mesmo aqui?


A indagação do título acima tem pertinência, sim. Os antirracistas estão abalados pelas últimas mortes violentas de dois homens negros jovens – ambos no letal estado do Rio de Janeiro. Todavia, há uma continuidade das mortes que não cessam nunca o que torna nossa palavra de ordem algo sem repercussão na vida real da sociedade brasileira.


O jovem imigrante congolês Moïse Kabagambe sofreu, antes da xenofobia que imigrantes negros vivem aqui, violento racismo que de forma brutal o massacrou até à morte. Racismo este que assola aos negros sejam estes nascidos aqui ou não. Jamais um imigrante argentino, português ou do leste europeu, morreria daquela forma ao reivindicar salários atrasados. Tão infame quanto à morte de Moïse, foi a de Durval Teófilo Filho morto por um sargento da marinha que acertou 3 tiros no escuro contra o pai de família que retornava do trabalho – os dois últimos disparos foram feitos após a vítima, já caída, pedir clemência.


Vejamos: antes dos violentos assassinatos recentes destes jovens negros descortinamos uma sequência tenebrosa de casos que só vieram a público frente à covardia como aconteceram. Em 2021 a bela modelo e designer de 24 anos Kathlen Romeu – grávida – foi morta por um tiro de fuzil quando saía da casa de sua avó materna em Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio. Não havia tiroteio no local como alegaram os policiais. A mãe da jovem foi enfática: “Foi a polícia que matou minha filha”. Ainda em 2021 em uma loja da rede Atakarejo em Salvador (BA), após furtarem carne, 2 homens famintos em plena pandemia – tio e sobrinho – foram detidos pela segurança da rede comercial e entregues não à polícia, mas aos traficantes da região que após sessão de tortura os matou a tiros. Vê-se aqui a gravidade do que apelidamos Segurança Privada em pleno conluio com o tráfico. Em 2020, 3 meninos foram mortos pelo tráfico de Belfort Roxo. Mais uma vez as comunidades esquecidas, invadidas livremente por marginais, foram vítimas da violência difusa liberada ao tráfico. As crianças de 9, 11 e 12 anos foram torturadas antes de serem mortas e seus corpos nunca foram encontrados. Ainda em 2020 no Rio de Janeiro, 12 crianças – 5 meninas e 7 garotos – foram mortas por balas perdidas; cerca de uma por mês. Pergunta necessária: qual seria a reação das autoridades caso esses inocentes fossem crianças que brincassem nos playgrounds dos luxuosos bairros da zona sul carioca como Gávea, Leblon ou Barra? Balas nunca se perdem na direção de crianças brancas dos bairros ricos na cidade maravilhosa. Ainda bem, porque nenhuma criança merece isto.


Em 2020, tivemos um assassinato bem parecido com o que vitimou George Floyd, foi a vez de João Alberto, morto por sufocamento e agressões numa loja do Carrefour em Porto Alegre. Tudo foi filmado e exibido ao mundo. Ainda no mesmo ano foi a vez dolorosa de Miguel Otávio de 5 anos, abandonado pela patroa de sua mãe no elevador de serviço em um prédio de luxo no Recife. O meninozinho, reitero de 5 anos, se perdeu e caiu do 9º andar do edifício. Detalhe: a mãe que deixou a criança sob os cuidados da patroa passeava na calçada com a cadela da família. Em 2019, foi a vez de militares do exército brasileiro executarem uma pessoa negra. Pasmem: a família do músico Evaldo Rosa se dirigia de automóvel na região de Deodoro (zona Oeste do Rio) para um chá de bebê numa tarde de domingo – sua esposa, filho, uma acompanhante e seu sogro assistiram ao seu fuzilamento e só não morreram por milagre, pois cerca de 80 tiros de fuzis foram disparados contra eles. O sogro se feriu e um catador que tentou ajudar foi ferido também e depois veio a morrer. Todo mundo negro. Os militares alegaram “engano” pelos 80 tiros! Já Sérgio Moro, então ministro da justiça, chamou o fuzilamento de “incidente”. Caso fosse um tanque em uma guerra talvez não precisasse de 80 tiros de fuzil, mas uma família negra num automóvel fez jus a esse absurdo que não seria o recorde em violência, como se verá a seguir. Dessa vez (2015) as vítimas foram 5 adolescentes – todos negros de novo – que receberam 111 tiros da letal PM carioca. Essa execução coletiva se deu no bairro de Costa Barros na zona norte do Rio. Nenhum dos meninos tinha armas ou passagem pela polícia. Eram estudantes da comunidade e estavam no interior de um carro. O número de tiros – 111 – em que se revezavam fuzis e pistolas, dispensa o meu comentário. Ainda em 2015, no bairro do Cabula em Salvador, 12 jovens entre 16 e 27 anos tiveram execuções sumárias num caso que estarreceu a cidade pois não se vislumbrou nenhuma razão plausível para a chacina. Num julgamento relâmpago, uma juíza inocentou os policiais militares, mas a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça da Bahia.


Não temos espaço para falar de inúmeros outros casos, como o da mulher que foi arrastada por uma viatura da PM no Rio por mais de 300 metros. Isso sem contar as ameaças constantes que se tornaram mania contra políticos negros eleitos, especialmente mulheres, em que o exemplo mais marcante foi o de Marielle Franco com repercussão internacional. Essa lista não tem fim. 


Se formos indo aprofundando no tempo chegaremos a 1978, quando o feirante Robson da Luz foi torturado e morto numa delegacia em Osasco pela Polícia Civil de São Paulo. Essa morte foi um dos vetores que levou à criação do Movimento Negro Unificado (MNU) que há 44 anos batalha pelas vidas negras sempre sob constante ameaça.


Nenhum dos casos que eu trouxe aqui se tratou de pessoas que estavam enfrentando a polícia ou que estivessem em combate aberto contra outras pessoas.


Neste ano, os homens e mulheres que pretendem candidatar ao governo das 27 unidades federativas desse país continente têm que ter propostas razoáveis para essa “sangria desatada” – expressão usada pelos nossos avós para algo que nunca tem fim. Por outro lado, aquelas e aqueles que desejam o emprego de presidente da república terão de se posicionar com políticas efetivas para a defesa do que de mais elementar o estado deve proporcionar às pessoas: o direito à vida.


Dados de 2012 revelam 63 mortes diárias de jovens – todos negros – na faixa de 15 a 29 anos; quase 3 mortes a cada hora. Um desastre dessas proporções só é possível quando o aparato policial e judicial é conivente, quando não agente dessa mortandade. Mídia e os partidos políticos – que governam o país – têm sua parte nesse latifúndio bárbaro, anacrônico e que nos rebaixa a um vergonhoso ranking no campo dos direitos fundamentais.


Vidas negras importam – sim – para os antirracistas (negros e não-negros) que atuam na contramão de uma elite anestesiada e adoecida moralmente. Todavia, só a sociedade como um todo, liderada por mulheres e homens que almejem posicionar o Brasil num patamar civilizatório adequado ao século 21, pode estancar essa chaga que nos humilha, massacra e provoca muita dor à população majoritária que aqui está há meio milênio construindo o País.


Escancara-se a banalização do brutalismo contra a população negra. Questão que se faz necessária: qual a causa dessa reiterada anestesia moral? São várias, mas a impunidade e a abissal desigualdade racial nutrida pelo racismo têm espaço de destaque nessa cena distópica do país. A justiça que condena e prende a mãe que furta 2 litros de leite, devido a fome de sua prole, é a mesma que protela para as calendas o julgamento dos grandes sonegadores – todos brancos e ricos – que só em 2020 lesaram os cofres públicos em incríveis 460 bilhões de reais.


Não me parece mais correto dizer que o Brasil não tem projeto de nação. Ninguém come maça se não houver macieira. O que não temos são líderes e partidos com uma visão sistêmica que deem conta e queiram decifrar um país de 522 anos dos quais 354 se desenrolaram sob o barbarismo escravista. 



Adaptado de: Vidas negras importam de fato no Brasil? - Geledés (geledes.org.br) Acessado em 15/02/2022.

Em relação ao objetivo comunicativo do texto, não se pode afirmar:
Alternativas
Q1918777 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO:


NÃO SOMOS FILHOS DAS COTAS! MAS CONSTRUÍMOS ESSA POLÍTICA



Ao pensar o conceito de políticas públicas e seu diálogo com a luta antirracista e ao recordar as experiências acumuladas de gestores públicos, podemos dizer: não somos filhos das cotas, mas nossas contribuições no tema de combate ao racismo resultaram nesta política reparatória. 

De Zumbi a Oliveira Silveira, Matilde Ribeiro e Luiza Bairros, começo esta conversa chamando à responsabilidade os beneficiários dessa luta. Tomar a vida como algo fácil, não reconhecendo essa conquista como um processo resultante de nossas ações, significa que temos o racismo como uma espada que está sempre presente sobre nossas cabeças, fixando limites, impondo consequências, artimanhas, e nos obrigando a chamar atenção para este momento conjuntural, na perspectiva nacional e internacional, e como tudo isso se relaciona. 

Um dos pontos centrais de nossa conversa é pensar as relações de poder, a concepção de Estado e o desenvolvimento de políticas públicas de promoção da igualdade racial, dar respostas a setores da população carentes dessas políticas. Logo, o que determina a chegada, o rumo e a velocidade dessas políticas são os fatores e os fatos históricos. Assim, na historicidade, devemos buscar analisar realidades que não podem ser contestadas, porque fatos históricos são incontestáveis. Ninguém muda a história, ainda que tentem sabotar e negligenciar suas narrativas. 

A propósito, foi sob a ordem de uma legalidade colonialista que se dizimaram povos e nações dos continentes americano e africano e, assim, construíram o conceito eurocêntrico, de berço e centro da humanidade. E para sustentar esse paradigma saquearam, mataram índios e negros em territórios africanos, nas Américas, promovendo a diáspora negra.

Ao discorrer sobre o tema racial, que é denso e estrutural, repenso estratégias para abordá-lo e expressar todos os sentimentos e sensações (dores e anseios), eu, uma pessoa negra enraizada no Brasil, buscando encontrar o meu local de fala, como brasileiro, um homem negro, periférico e vinculado a vários determinantes sociais que influenciam nossas vidas diariamente, como corpos andantes em uma sociedade capitalista e ainda com forte legado escravocrata, e que colaboram para situações que muitos não conseguem compreender. Mas, com tudo isso, tento produzir e transmitir conhecimentos para a construção de um debate e de uma luta antirracista, para os quais precisamos acionar muitos mecanismos. 

Com esse entendimento, queremos mostrar como a ausência dessas políticas públicas reparadoras e de promoção da igualdade racial contribui para um processo de embranquecimento – entendendo que muitos símbolos são estruturados em uma ideologia que tem afetado a população negra – e, baseado nesse diagnóstico, desconstruir estereótipos e arquétipos negativos, mudando essa estrutura racista que tem atingido, psicologicamente, um processo de coisificação e embranquecimento de nossos corpos. Essas situações e processos são resultado de uma ideologia que está nas entranhas de nossa sociedade, nas ações estruturantes da gestão de políticas governamentais em todas as esferas.

Encontramos traços marcantes dela nos currículos da formação, nas políticas públicas voltadas para educação, saúde, economia, habitação… Geralmente, como militantes e movimentos, pensamos em formular diversas políticas com recorte racial, mas, como gestores, esquecemos de propor mudanças nas formações dos profissionais. Em todas áreas e níveis do funcionalismo público dá-se pouca ênfase a isso. 

Nesse sentido, chamamos atenção para este processo de formação de novos quadros políticos sociais no movimento negro e fora dele, porque, como já falamos, não basta combatermos o racismo, temos que procurar agir de forma antirracista e reconstruir uma ideologia de identidade negra. Ao longo da história, nossa identidade foi sendo desconstruída e, por mais que antropologicamente se diga que a origem do mundo foi em território africano, mesmo assim, muitos legados foram historicamente negados no reconhecimento de nossa ancestralidade.


Adaptado de:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2022/02/4
982904-nao-somos-filhos-das-cotas-mas-construimosesta-politica.html 

Acessado em 07/02/2022.

Imagem associada para resolução da questão

Obra: Amnésia, 2015 Autor: Flávio Cerqueira Tinta látex sobre bronze



A questão abordada na obra acima encontra correlações com a seguinte frase do texto de Jorge Senna:

Alternativas
Q1918776 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO:


NÃO SOMOS FILHOS DAS COTAS! MAS CONSTRUÍMOS ESSA POLÍTICA



Ao pensar o conceito de políticas públicas e seu diálogo com a luta antirracista e ao recordar as experiências acumuladas de gestores públicos, podemos dizer: não somos filhos das cotas, mas nossas contribuições no tema de combate ao racismo resultaram nesta política reparatória. 

De Zumbi a Oliveira Silveira, Matilde Ribeiro e Luiza Bairros, começo esta conversa chamando à responsabilidade os beneficiários dessa luta. Tomar a vida como algo fácil, não reconhecendo essa conquista como um processo resultante de nossas ações, significa que temos o racismo como uma espada que está sempre presente sobre nossas cabeças, fixando limites, impondo consequências, artimanhas, e nos obrigando a chamar atenção para este momento conjuntural, na perspectiva nacional e internacional, e como tudo isso se relaciona. 

Um dos pontos centrais de nossa conversa é pensar as relações de poder, a concepção de Estado e o desenvolvimento de políticas públicas de promoção da igualdade racial, dar respostas a setores da população carentes dessas políticas. Logo, o que determina a chegada, o rumo e a velocidade dessas políticas são os fatores e os fatos históricos. Assim, na historicidade, devemos buscar analisar realidades que não podem ser contestadas, porque fatos históricos são incontestáveis. Ninguém muda a história, ainda que tentem sabotar e negligenciar suas narrativas. 

A propósito, foi sob a ordem de uma legalidade colonialista que se dizimaram povos e nações dos continentes americano e africano e, assim, construíram o conceito eurocêntrico, de berço e centro da humanidade. E para sustentar esse paradigma saquearam, mataram índios e negros em territórios africanos, nas Américas, promovendo a diáspora negra.

Ao discorrer sobre o tema racial, que é denso e estrutural, repenso estratégias para abordá-lo e expressar todos os sentimentos e sensações (dores e anseios), eu, uma pessoa negra enraizada no Brasil, buscando encontrar o meu local de fala, como brasileiro, um homem negro, periférico e vinculado a vários determinantes sociais que influenciam nossas vidas diariamente, como corpos andantes em uma sociedade capitalista e ainda com forte legado escravocrata, e que colaboram para situações que muitos não conseguem compreender. Mas, com tudo isso, tento produzir e transmitir conhecimentos para a construção de um debate e de uma luta antirracista, para os quais precisamos acionar muitos mecanismos. 

Com esse entendimento, queremos mostrar como a ausência dessas políticas públicas reparadoras e de promoção da igualdade racial contribui para um processo de embranquecimento – entendendo que muitos símbolos são estruturados em uma ideologia que tem afetado a população negra – e, baseado nesse diagnóstico, desconstruir estereótipos e arquétipos negativos, mudando essa estrutura racista que tem atingido, psicologicamente, um processo de coisificação e embranquecimento de nossos corpos. Essas situações e processos são resultado de uma ideologia que está nas entranhas de nossa sociedade, nas ações estruturantes da gestão de políticas governamentais em todas as esferas.

Encontramos traços marcantes dela nos currículos da formação, nas políticas públicas voltadas para educação, saúde, economia, habitação… Geralmente, como militantes e movimentos, pensamos em formular diversas políticas com recorte racial, mas, como gestores, esquecemos de propor mudanças nas formações dos profissionais. Em todas áreas e níveis do funcionalismo público dá-se pouca ênfase a isso. 

Nesse sentido, chamamos atenção para este processo de formação de novos quadros políticos sociais no movimento negro e fora dele, porque, como já falamos, não basta combatermos o racismo, temos que procurar agir de forma antirracista e reconstruir uma ideologia de identidade negra. Ao longo da história, nossa identidade foi sendo desconstruída e, por mais que antropologicamente se diga que a origem do mundo foi em território africano, mesmo assim, muitos legados foram historicamente negados no reconhecimento de nossa ancestralidade.


Adaptado de:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2022/02/4
982904-nao-somos-filhos-das-cotas-mas-construimosesta-politica.html 

Acessado em 07/02/2022.
Em relação ao texto, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q1918775 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO:


NÃO SOMOS FILHOS DAS COTAS! MAS CONSTRUÍMOS ESSA POLÍTICA



Ao pensar o conceito de políticas públicas e seu diálogo com a luta antirracista e ao recordar as experiências acumuladas de gestores públicos, podemos dizer: não somos filhos das cotas, mas nossas contribuições no tema de combate ao racismo resultaram nesta política reparatória. 

De Zumbi a Oliveira Silveira, Matilde Ribeiro e Luiza Bairros, começo esta conversa chamando à responsabilidade os beneficiários dessa luta. Tomar a vida como algo fácil, não reconhecendo essa conquista como um processo resultante de nossas ações, significa que temos o racismo como uma espada que está sempre presente sobre nossas cabeças, fixando limites, impondo consequências, artimanhas, e nos obrigando a chamar atenção para este momento conjuntural, na perspectiva nacional e internacional, e como tudo isso se relaciona. 

Um dos pontos centrais de nossa conversa é pensar as relações de poder, a concepção de Estado e o desenvolvimento de políticas públicas de promoção da igualdade racial, dar respostas a setores da população carentes dessas políticas. Logo, o que determina a chegada, o rumo e a velocidade dessas políticas são os fatores e os fatos históricos. Assim, na historicidade, devemos buscar analisar realidades que não podem ser contestadas, porque fatos históricos são incontestáveis. Ninguém muda a história, ainda que tentem sabotar e negligenciar suas narrativas. 

A propósito, foi sob a ordem de uma legalidade colonialista que se dizimaram povos e nações dos continentes americano e africano e, assim, construíram o conceito eurocêntrico, de berço e centro da humanidade. E para sustentar esse paradigma saquearam, mataram índios e negros em territórios africanos, nas Américas, promovendo a diáspora negra.

Ao discorrer sobre o tema racial, que é denso e estrutural, repenso estratégias para abordá-lo e expressar todos os sentimentos e sensações (dores e anseios), eu, uma pessoa negra enraizada no Brasil, buscando encontrar o meu local de fala, como brasileiro, um homem negro, periférico e vinculado a vários determinantes sociais que influenciam nossas vidas diariamente, como corpos andantes em uma sociedade capitalista e ainda com forte legado escravocrata, e que colaboram para situações que muitos não conseguem compreender. Mas, com tudo isso, tento produzir e transmitir conhecimentos para a construção de um debate e de uma luta antirracista, para os quais precisamos acionar muitos mecanismos. 

Com esse entendimento, queremos mostrar como a ausência dessas políticas públicas reparadoras e de promoção da igualdade racial contribui para um processo de embranquecimento – entendendo que muitos símbolos são estruturados em uma ideologia que tem afetado a população negra – e, baseado nesse diagnóstico, desconstruir estereótipos e arquétipos negativos, mudando essa estrutura racista que tem atingido, psicologicamente, um processo de coisificação e embranquecimento de nossos corpos. Essas situações e processos são resultado de uma ideologia que está nas entranhas de nossa sociedade, nas ações estruturantes da gestão de políticas governamentais em todas as esferas.

Encontramos traços marcantes dela nos currículos da formação, nas políticas públicas voltadas para educação, saúde, economia, habitação… Geralmente, como militantes e movimentos, pensamos em formular diversas políticas com recorte racial, mas, como gestores, esquecemos de propor mudanças nas formações dos profissionais. Em todas áreas e níveis do funcionalismo público dá-se pouca ênfase a isso. 

Nesse sentido, chamamos atenção para este processo de formação de novos quadros políticos sociais no movimento negro e fora dele, porque, como já falamos, não basta combatermos o racismo, temos que procurar agir de forma antirracista e reconstruir uma ideologia de identidade negra. Ao longo da história, nossa identidade foi sendo desconstruída e, por mais que antropologicamente se diga que a origem do mundo foi em território africano, mesmo assim, muitos legados foram historicamente negados no reconhecimento de nossa ancestralidade.


Adaptado de:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2022/02/4
982904-nao-somos-filhos-das-cotas-mas-construimosesta-politica.html 

Acessado em 07/02/2022.
Em “Ninguém muda a história, ainda que tentem sabotar e neglicenciar suas narrativas”, o termo destacado expressa:
Alternativas
Q1918774 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO:


NÃO SOMOS FILHOS DAS COTAS! MAS CONSTRUÍMOS ESSA POLÍTICA



Ao pensar o conceito de políticas públicas e seu diálogo com a luta antirracista e ao recordar as experiências acumuladas de gestores públicos, podemos dizer: não somos filhos das cotas, mas nossas contribuições no tema de combate ao racismo resultaram nesta política reparatória. 

De Zumbi a Oliveira Silveira, Matilde Ribeiro e Luiza Bairros, começo esta conversa chamando à responsabilidade os beneficiários dessa luta. Tomar a vida como algo fácil, não reconhecendo essa conquista como um processo resultante de nossas ações, significa que temos o racismo como uma espada que está sempre presente sobre nossas cabeças, fixando limites, impondo consequências, artimanhas, e nos obrigando a chamar atenção para este momento conjuntural, na perspectiva nacional e internacional, e como tudo isso se relaciona. 

Um dos pontos centrais de nossa conversa é pensar as relações de poder, a concepção de Estado e o desenvolvimento de políticas públicas de promoção da igualdade racial, dar respostas a setores da população carentes dessas políticas. Logo, o que determina a chegada, o rumo e a velocidade dessas políticas são os fatores e os fatos históricos. Assim, na historicidade, devemos buscar analisar realidades que não podem ser contestadas, porque fatos históricos são incontestáveis. Ninguém muda a história, ainda que tentem sabotar e negligenciar suas narrativas. 

A propósito, foi sob a ordem de uma legalidade colonialista que se dizimaram povos e nações dos continentes americano e africano e, assim, construíram o conceito eurocêntrico, de berço e centro da humanidade. E para sustentar esse paradigma saquearam, mataram índios e negros em territórios africanos, nas Américas, promovendo a diáspora negra.

Ao discorrer sobre o tema racial, que é denso e estrutural, repenso estratégias para abordá-lo e expressar todos os sentimentos e sensações (dores e anseios), eu, uma pessoa negra enraizada no Brasil, buscando encontrar o meu local de fala, como brasileiro, um homem negro, periférico e vinculado a vários determinantes sociais que influenciam nossas vidas diariamente, como corpos andantes em uma sociedade capitalista e ainda com forte legado escravocrata, e que colaboram para situações que muitos não conseguem compreender. Mas, com tudo isso, tento produzir e transmitir conhecimentos para a construção de um debate e de uma luta antirracista, para os quais precisamos acionar muitos mecanismos. 

Com esse entendimento, queremos mostrar como a ausência dessas políticas públicas reparadoras e de promoção da igualdade racial contribui para um processo de embranquecimento – entendendo que muitos símbolos são estruturados em uma ideologia que tem afetado a população negra – e, baseado nesse diagnóstico, desconstruir estereótipos e arquétipos negativos, mudando essa estrutura racista que tem atingido, psicologicamente, um processo de coisificação e embranquecimento de nossos corpos. Essas situações e processos são resultado de uma ideologia que está nas entranhas de nossa sociedade, nas ações estruturantes da gestão de políticas governamentais em todas as esferas.

Encontramos traços marcantes dela nos currículos da formação, nas políticas públicas voltadas para educação, saúde, economia, habitação… Geralmente, como militantes e movimentos, pensamos em formular diversas políticas com recorte racial, mas, como gestores, esquecemos de propor mudanças nas formações dos profissionais. Em todas áreas e níveis do funcionalismo público dá-se pouca ênfase a isso. 

Nesse sentido, chamamos atenção para este processo de formação de novos quadros políticos sociais no movimento negro e fora dele, porque, como já falamos, não basta combatermos o racismo, temos que procurar agir de forma antirracista e reconstruir uma ideologia de identidade negra. Ao longo da história, nossa identidade foi sendo desconstruída e, por mais que antropologicamente se diga que a origem do mundo foi em território africano, mesmo assim, muitos legados foram historicamente negados no reconhecimento de nossa ancestralidade.


Adaptado de:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2022/02/4
982904-nao-somos-filhos-das-cotas-mas-construimosesta-politica.html 

Acessado em 07/02/2022.
Em “chamar atenção para este momento conjuntural”, a expressão destacada refere-se a: 
Alternativas
Q1918682 Português

Leia o Texto II para responder à questão.


Texto II 


Disponível em:<https://oescriba.org/2014/08/21/telegrama-de-cora-coralina-para-carlos-drummond-de-andrade/> . Acesso em: 16 mar. 2020. 

O valor histórico-cultural do Texto II está relacionado principalmente
Alternativas
Q1918679 Português

Leia o Texto II para responder à questão.


Texto II 


Disponível em:<https://oescriba.org/2014/08/21/telegrama-de-cora-coralina-para-carlos-drummond-de-andrade/> . Acesso em: 16 mar. 2020. 

O conteúdo do telegrama tem um tom:
Alternativas
Q1918677 Português

Leia o Texto I para responder a questão.


Texto I


No aniversário de 130 anos de Cora Coralina, museu revela poemas inéditos


Em 20 de agosto de 2019, a escritora Cora Coralina teria completado 130 anos. Em Goiás, o museu dedicado a ela revelou dezenas de poemas inéditos

Fátima é a guardiã de um tesouro escondido em caixas. As folhas amareladas são do final da década de 1950, de quando Cora Coralina voltou de São Paulo para viver em Goiás.
“Preservar é estar guardando para as gerações futuras”, disse a historiadora Fátima Cançado. 
Cora só lançou o primeiro livro aos 76 anos. O reconhecimento veio quando Carlos Drummond de Andrade recebeu um livro de presente e escreveu um artigo enaltecendo a obra da poetisa goiana.
Os funcionários do museu acreditam que menos de 40% dos contos e dos poemas escritos por Cora Coralina já tenham sido publicados. O material inédito encontrado pela equipe está guardado numa sala do museu.
É um acervo riquíssimo, repleto de anotações feitas à mão pela poetisa em cadernos. São relatos do dia a dia, receitas e poemas.
“Segue-me! Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Segue-me e eu darei paz, repouso”.
Tia Tó, amiga da poetisa, muitas vezes teve o privilégio de ouvir Cora recitando.
“Às vezes ela escrevia um poema e eu passava a tarde e ela falava: ‘Vem cá, minha filha. Eu vou ler o que eu escrevi para você’”.
“Eu deixo um grande exemplo de uma mulher que lutou e trabalhou, e trabalhou com êxito, o que é muito importante. Deixo os meus livros, que aí estão para a posteridade”, disse Cora. 

Disponível em:<https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/08/20/no-aniversario-de-130-anos-de-cora-coralina-museu-revela-poemas-ineditos.ghtml> . Acesso em: 16 mar. 2020. (Adaptado)
O trecho que apresenta um fato contínuo é: 
Alternativas
Q1918674 Português

Leia o Texto I para responder a questão.


Texto I


No aniversário de 130 anos de Cora Coralina, museu revela poemas inéditos


Em 20 de agosto de 2019, a escritora Cora Coralina teria completado 130 anos. Em Goiás, o museu dedicado a ela revelou dezenas de poemas inéditos

Fátima é a guardiã de um tesouro escondido em caixas. As folhas amareladas são do final da década de 1950, de quando Cora Coralina voltou de São Paulo para viver em Goiás.
“Preservar é estar guardando para as gerações futuras”, disse a historiadora Fátima Cançado. 
Cora só lançou o primeiro livro aos 76 anos. O reconhecimento veio quando Carlos Drummond de Andrade recebeu um livro de presente e escreveu um artigo enaltecendo a obra da poetisa goiana.
Os funcionários do museu acreditam que menos de 40% dos contos e dos poemas escritos por Cora Coralina já tenham sido publicados. O material inédito encontrado pela equipe está guardado numa sala do museu.
É um acervo riquíssimo, repleto de anotações feitas à mão pela poetisa em cadernos. São relatos do dia a dia, receitas e poemas.
“Segue-me! Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Segue-me e eu darei paz, repouso”.
Tia Tó, amiga da poetisa, muitas vezes teve o privilégio de ouvir Cora recitando.
“Às vezes ela escrevia um poema e eu passava a tarde e ela falava: ‘Vem cá, minha filha. Eu vou ler o que eu escrevi para você’”.
“Eu deixo um grande exemplo de uma mulher que lutou e trabalhou, e trabalhou com êxito, o que é muito importante. Deixo os meus livros, que aí estão para a posteridade”, disse Cora. 

Disponível em:<https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/08/20/no-aniversario-de-130-anos-de-cora-coralina-museu-revela-poemas-ineditos.ghtml> . Acesso em: 16 mar. 2020. (Adaptado)
A informação principal dessa notícia sobre Cora Coralina diz respeito à
Alternativas
Q1918596 Português
LEIA E CONSIDERE O TEXTO 2, UM RASCUNHO DE OFÍCIO, PARA RESPONDER À QUESTÃO.

TEXTO 2

Ministério da Educação
Secretaria de Educação Superior
Esplanada dos Ministérios Bloco L - Ed. Sede
Telefone: 0800-616161. E-mail: [email protected]

Ofício Nº 9572/2022/MEC
Brasília, 11 de abril de 2022

À Magnífica Reitora
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Av. Pedro Calmon, 550, Cidade Universitária
21941-901 Rio de Janeiro/RJ

Assunto: Plenária sobre resultados e pespectivas da Lei de Cotas nas universidades federais

     Magnífica Reitora,

   Convido Vossa Excelência a participar de plenária cujo objetivo único é debater os resultados e as pespectivas da Lei de Cotas (Lei Federal nº 12.711/12) nas universidades federais, depois de uma década de sua implementação no Brasil. O evento, será realizado no dia 17 de junho de 2022, às 14 horas, no Auditório Central do MEC, em Brasília. Além disso, gostaria de contar com sua participação para uma apresentação de 50 minutos sobre os resultados obtidos até então na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nossa maior universidade federal. Certamente sua participação mesmo que de forma híbrida será importante para todo o conjunto de universidades federais e para a alta administração do MEC para que possamos aperfeiçoar as políticas públicas educacionais vigentes no país considerando que a Universidade Federal do Rio de Janeiro sempre aparece na lista das universidades mais renomadas da América Latina.
    O evento do MEC têm o objetivo único de legitimar a Educação como elo fundante do Brasil. Não podemos paralisar os debates sobre a Educação. Aguardamos um retorno por parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Atenciosamente,

(Assinatura)
Secretário(a) de Educação Superior
Sobre o TEXTO 2, é possível afirmar que:
Alternativas
Q1918594 Português
LEIA E CONSIDERE O TEXTO 2, UM RASCUNHO DE OFÍCIO, PARA RESPONDER À QUESTÃO.

TEXTO 2

Ministério da Educação
Secretaria de Educação Superior
Esplanada dos Ministérios Bloco L - Ed. Sede
Telefone: 0800-616161. E-mail: [email protected]

Ofício Nº 9572/2022/MEC
Brasília, 11 de abril de 2022

À Magnífica Reitora
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Av. Pedro Calmon, 550, Cidade Universitária
21941-901 Rio de Janeiro/RJ

Assunto: Plenária sobre resultados e pespectivas da Lei de Cotas nas universidades federais

     Magnífica Reitora,

   Convido Vossa Excelência a participar de plenária cujo objetivo único é debater os resultados e as pespectivas da Lei de Cotas (Lei Federal nº 12.711/12) nas universidades federais, depois de uma década de sua implementação no Brasil. O evento, será realizado no dia 17 de junho de 2022, às 14 horas, no Auditório Central do MEC, em Brasília. Além disso, gostaria de contar com sua participação para uma apresentação de 50 minutos sobre os resultados obtidos até então na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nossa maior universidade federal. Certamente sua participação mesmo que de forma híbrida será importante para todo o conjunto de universidades federais e para a alta administração do MEC para que possamos aperfeiçoar as políticas públicas educacionais vigentes no país considerando que a Universidade Federal do Rio de Janeiro sempre aparece na lista das universidades mais renomadas da América Latina.
    O evento do MEC têm o objetivo único de legitimar a Educação como elo fundante do Brasil. Não podemos paralisar os debates sobre a Educação. Aguardamos um retorno por parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Atenciosamente,

(Assinatura)
Secretário(a) de Educação Superior
O TEXTO 2 tem como propósito: 
Alternativas
Q1918593 Português
LEIA E CONSIDERE O TEXTO 1 PARA RESPONDER À QUESTÃO.

TEXTO 1


Por meio de muita luta e movimentação, pessoas negras estão ocupando, cada vez mais, espaços que antes lhes eram negados. (Foto: Ana Marina Coutinho/Coordcom/UFRJ)

   O ano de 2022 será marcado por grandes decisões no Brasil. Além de ser ano eleitoral, em que serão decididos os ocupantes dos cargos de presidente, governador, senador, deputados federais e estaduais, há a previsão de revisão da Lei 12.711/12, conhecida como Lei de Cotas.
  Essa regulação prevê a reserva de vagas nas universidades federais e instituições federais de ensino técnico de nível médio para alguns grupos socialmente minorizados. Ela é, por definição, uma ação afirmativa − estabelecida dentro de uma política pública. As políticas públicas, que têm como objetivo solucionar alguma questão da sociedade, são processos desenvolvidos pelo Estado.
   Há quem pense que, para defender a ideia de igualdade, deve posicionar-se contra as ações afirmativas. Porém, antes de tudo, é preciso entender o que é igualdade. Existem dois tipos de igualdade: a formal e a material. A formal é ligada ao sentido de tratar todos de maneira igual, como se não houvesse diferença entre os cidadãos. Já a material vai em direção a tratar todos de forma igual, mas de acordo com suas essenciais desigualdades. Sendo assim, possibilitar ações afirmativas e políticas públicas que respeitem as diferenças em uma sociedade cheia de abismos sociais, como a brasileira, é uma forma de garantir a igualdade material entre os indivíduos.
   A Constituição Federal de 1988 assegura, em vários artigos, o respeito às diferenças. O artigo 3º define “construir uma sociedade livre, justa e solidária” e “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” como objetivos fundamentais do Brasil. Da mesma forma, o artigo 37, em seu inciso VIII, garante a reserva de percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas com deficiência. Esses artigos são alguns dos que embasam o combate à crença de que as ações afirmativas são inconstitucionais, ilegais e desfavorecem a igualdade, entre tantas outras falas que tentam deslegitimá-las.
   As ações afirmativas são frutos de um longo caminho trilhado pelos movimentos sociais para a garantia de direitos civis básicos. Dyego de Oliveira Arruda, professor do curso de mestrado em Relações Étnico-Raciais (PPRER) do Cefet-RJ e dos cursos de mestrado e doutorado em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED) da UFRJ, afirma que essas ações decorrem de um movimento histórico de luta e reivindicação dos movimentos sociais negros, o que deve ser marcado a todo momento nas falas sobre o assunto.
   “Elas são direitos historicamente conquistados. Isso é importante demarcar. Não são dádivas, não surgiram ao acaso”, completa ele.
   Sobre a longa trajetória que tornou possível a implementação da Lei de Cotas, é importante ressaltar que o Estado não é nem deve ser o único responsável pela implementação de políticas públicas e que o movimento negro sempre esteve presente nas atividades e lutas para que esta e outras ações afirmativas fossem aprovadas. Grupos de interesse e/ou movimentos sociais são outros segmentos que se envolvem em suas formulações, por exemplo, por meio de pressões realizadas para que certos temas − como geração de emprego e renda − entrem na agenda pública. Denise Góes, coordenadora da Câmara de Políticas Raciais da UFRJ, afirma: “É preciso que a gente pontue essas questões para que não haja deturpações ao acreditar-se que existe um privilégio negro. Houve luta do movimento negro brasileiro”.
   E a Lei em si, como funciona? Ela estabelece que 50% das vagas nas universidades federais por curso e turno sejam reservadas para estudantes que tenham cursado o ensino médio integralmente em escolas públicas. Dessas vagas, 50% são reservadas a estudantes oriundos de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capita. Dentro dessas vagas, encontra-se a reserva para pretos, pardos e indígenas e pessoas com deficiência, de acordo com a proporção da população em que esteja instalada a instituição.
   O que muitos ainda não sabem é que na Lei 12.711/12 as cotas são sociorraciais, já que o primeiro recorte é feito para os candidatos que tenham estudado em escolas públicas. “Uma primeira questão que a gente precisa compreender é que a Lei 12.711 é uma lei de cotas sociorraciais. Eu acho que isso é importante a gente ponderar, porque a dimensão racial entra na implementação da legislação como uma subcota. O primeiro recorte para reserva de vagas é o recorte de escola pública. Então primeiro reservam-se vagas para egressos de escola pública. Na sequência, vem o recorte de renda e aí sim entra a dimensão racial”, explica Dyego. Sendo assim, as cotas sociais já existem.
  Com tantas incertezas no meio político, é urgente que o debate sobre as ações afirmativas se amplie cada vez mais.

SILVA, Vanessa; FIGUEIREDO, Eliabe. A Lei de Cotas nas universidades federais do Brasil e sua primeira década. In: Conexão UFRJ. 25 mar 2022.

(Disponível em <https://conexao.ufrj.br>.
Acesso em 10 abr 2022. Adaptado.)
No trecho “Eu acho que isso é importante a gente ponderar, porque a dimensão racial entra na implementação da legislação como uma subcota” (9º parágrafo), a expressão sublinhada é grafada corretamente sem hífen. Em conformidade com a norma culta da Língua Portuguesa, todas as palavras a seguir devem ser escritas sem hífen, EXCETO:
Alternativas
Respostas
22941: C
22942: B
22943: C
22944: D
22945: B
22946: C
22947: E
22948: E
22949: C
22950: D
22951: D
22952: E
22953: B
22954: A
22955: B
22956: D
22957: C
22958: A
22959: C
22960: A