Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2052756 Português
1.png (770×218)  (Fernando Gonsales. Níquel Náusea. www1.folha.uol.com.br, 10.04.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que se indica uma correção para um problema de norma-padrão observado na tira:
Alternativas
Q2052627 Português
Leia o texto.
    A expansão das pesquisas e da produção de vacinas pode colocar em risco uma criatura ancestral, conhecida como um “fóssil vivo” devido à sua aparência, que pouco mudou ao longo de cerca de 450 milhões de anos. É o límulo, também chamado de caranguejo-ferradura, mas que na verdade nem caranguejo é: não se trata de um crustáceo, e sim de um artrópode, mais próximo das aranhas e dos escorpiões.     O sangue azul desse animal tem alta demanda na indústria farmacêutica. Isso porque ele representa a única fonte natural de uma substância chamada LAL (lisado de amebócitos do limulus), empregada em testes que garantem que vacinas, drogas intravenosas, instrumentos médicos esterilizados — entre outros itens — não estão contaminados com toxinas bacterianas.    A presença dessas toxinas nos produtos farmacêuticos pode causar doenças e reações alérgicas potencialmente fatais. O LAL ajuda a identificá-las e a quantificar o nível de contaminação, por meio de células chamadas de amebócitos, que coagulam em torno das toxinas. Um galão de LAL custa em média US$ 60 mil.    Existe uma alternativa sintética ao LAL, chamada rFC (fator C recombinante), desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Singapura em 1990. O produto já foi aprovado para uso em cerca de 60 países, incluindo a China (onde há uma espécie de caranguejo-ferradura listada como ameaçada de extinção) e nações da União Europeia.     Nos Estados Unidos, entretanto, a agência reguladora do país decidiu que precisa de mais informações antes de colocar o rFC em mesmo patamar que o LAL. Empresas ainda podem usá-lo, mas precisam passar por mais etapas burocráticas. Ambientalistas temem que, sem a adoção da alternativa sintética, a exploração do límulo se intensifique com o aumento da demanda.
(Fredy Alexandrakis. Como a produção de vacinas ameaça o caranguejo-ferradura. www.nexojornal.com.br, 27.12.2021. Adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q2052456 Português
Ordem, progresso e desenrascanço
Gregório Duvivier*

Os portugueses, levaram pro Brasil, por exemplo, pelo menos 100 mil palavras. Tenho pena que tenham esquecido em casa algumas das minhas preferidas. Talvez não tenha sido esquecimento, mas ciúmes: gostavam tanto delas que não queriam vê-las em nossas bocas. Há, definitivamente, todo um rol de palavras que nunca atravessaram o Atlântico.

Gosto em especial da palavra ronha – e de praticá-la. A palavra parece outra coisa, e de fato já foi: uma espécie de sarna, e, também, uma doença de plantas. Ninguém mais usa nesse sentido. A expressão "ficar na ronha" se refere à prática de abrir os olhos, mas permanecer na cama. Não imaginam minha excitação ao descobrir que existe uma palavra pro meu esporte preferido.

A arte da ronha consiste em acordar sem, no entanto, se levantar. Trata-se do primeiro trambique do dia: a procrastinada inaugural de todas as manhãs. "Dormi pouco", dizem, "mas fiquei duas horas na ronha" – e pode parecer que ronha equivale à função soneca. Não, durante a soneca voltamos a dormir. E na ronha permanecemos naquele meio termo que Proust demorou dez páginas pra descrever, mas aos portugueses bastaram cinco letras.

Tenho muita pena de não usarmos a palavra javardo. Trata-se de um sinônimo pra javali, mas que nunca será usado pra designar o animal propriamente dito. Chamam de javardo alguém que se comporta como um javali, ou melhor, que se comporta como imaginamos que um javali se comportaria: de forma grosseira, estúpida, abjeta. Gosto porque a palavra soa precisamente o que ela significa.

Da mesma forma, não há xingamentos bons como "aldrabão", termo que designa com especial precisão um farsante muito específico, algo entre o trapaceiro e o impostor, que comete aldrabices, pequenas fraudes – não confundir com batotas, outra palavra que não viajou, que se refere às trapaças vultosas quando cometidas dentro de um jogo, por exemplo, embora algumas sem grande importância.

De todas as palavras esquecidas, tenho uma predileta, aquela que designa a solução que resolve um problema de maneira temporária, mas não em definitivo: desenrascanço. Trata-se de uma gambiarra, mas não necessariamente mecânica – pode ser qualquer coisa que nos safe, como um papelão que faz às vezes de guarda-chuva. Gambiarra é um achado importante e gambiarra se aceita nesse contexto.

Nunca ouvi essa palavra em nossas bandas, e ao mesmo tempo nunca uma palavra definiu tão bem a atividade diária do brasileiro, esse desenrascado. Queria essa palavra em nossa bandeira: ordem, progresso e desenrascanço.

* É ator e escritor. Também é um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos.
Folha de São Paulo, Ilustrada, 01 dez. 2021. Adaptado
Gregório Duvivier, no processo de criação do seu texto, mobilizou uma série de conhecimentos acerca da estrutura organizacional, linguística e argumentativa para atingir seu propósito comunicativo.
Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma sobre os aspectos composicionais do texto jornalístico produzido pelo autor.
( ) Há predominância de várias formas verbais no modo imperativo, por se tratar de frases de caráter prescritivo, muito comuns em textos jornalísticos.
( ) Destaca-se o emprego de uma linguagem reflexiva e mais formal, em razão das sequências argumentativas, com a despreocupação de partilhar com o leitor suas ponderações e análises.
( ) Vale-se do recurso da explicação, no penúltimo parágrafo, para expor um ponto de vista acerca de determinada unidade lexical de sua preferência entre outras componentes do léxico lusitano.
( ) Emprega a coesão remissiva com o pronome relativo “que” retomando um termo anterior na frase “Da mesma forma, não temos um xingamento bom como 'aldrabão', termo que designa com especial precisão um farsante muito específico...”

De acordo com as afirmações, a sequência correta é
Alternativas
Q2052452 Português
Ordem, progresso e desenrascanço
Gregório Duvivier*

Os portugueses, levaram pro Brasil, por exemplo, pelo menos 100 mil palavras. Tenho pena que tenham esquecido em casa algumas das minhas preferidas. Talvez não tenha sido esquecimento, mas ciúmes: gostavam tanto delas que não queriam vê-las em nossas bocas. Há, definitivamente, todo um rol de palavras que nunca atravessaram o Atlântico.

Gosto em especial da palavra ronha – e de praticá-la. A palavra parece outra coisa, e de fato já foi: uma espécie de sarna, e, também, uma doença de plantas. Ninguém mais usa nesse sentido. A expressão "ficar na ronha" se refere à prática de abrir os olhos, mas permanecer na cama. Não imaginam minha excitação ao descobrir que existe uma palavra pro meu esporte preferido.

A arte da ronha consiste em acordar sem, no entanto, se levantar. Trata-se do primeiro trambique do dia: a procrastinada inaugural de todas as manhãs. "Dormi pouco", dizem, "mas fiquei duas horas na ronha" – e pode parecer que ronha equivale à função soneca. Não, durante a soneca voltamos a dormir. E na ronha permanecemos naquele meio termo que Proust demorou dez páginas pra descrever, mas aos portugueses bastaram cinco letras.

Tenho muita pena de não usarmos a palavra javardo. Trata-se de um sinônimo pra javali, mas que nunca será usado pra designar o animal propriamente dito. Chamam de javardo alguém que se comporta como um javali, ou melhor, que se comporta como imaginamos que um javali se comportaria: de forma grosseira, estúpida, abjeta. Gosto porque a palavra soa precisamente o que ela significa.

Da mesma forma, não há xingamentos bons como "aldrabão", termo que designa com especial precisão um farsante muito específico, algo entre o trapaceiro e o impostor, que comete aldrabices, pequenas fraudes – não confundir com batotas, outra palavra que não viajou, que se refere às trapaças vultosas quando cometidas dentro de um jogo, por exemplo, embora algumas sem grande importância.

De todas as palavras esquecidas, tenho uma predileta, aquela que designa a solução que resolve um problema de maneira temporária, mas não em definitivo: desenrascanço. Trata-se de uma gambiarra, mas não necessariamente mecânica – pode ser qualquer coisa que nos safe, como um papelão que faz às vezes de guarda-chuva. Gambiarra é um achado importante e gambiarra se aceita nesse contexto.

Nunca ouvi essa palavra em nossas bandas, e ao mesmo tempo nunca uma palavra definiu tão bem a atividade diária do brasileiro, esse desenrascado. Queria essa palavra em nossa bandeira: ordem, progresso e desenrascanço.

* É ator e escritor. Também é um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos.
Folha de São Paulo, Ilustrada, 01 dez. 2021. Adaptado
Avalie o que se informa sobre a organização e a construção do texto.
I - O último parágrafo remete a um cenário onírico, o que se evidencia pelo uso das palavras “desenrascado” e “desenrascanço”.
II - O título, em harmonia e coerência com as informações textuais, reporta à divulgação de um acontecimento conhecido, todavia constrangedor.
III - O ponto de vista expresso pelo autor reflete uma opinião, um juízo, um julgamento; a frase “De todas as palavras esquecidas, tenho uma predileta, aquela que designa a solução...” indica tal ideia.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q2052451 Português
Ordem, progresso e desenrascanço
Gregório Duvivier*

Os portugueses, levaram pro Brasil, por exemplo, pelo menos 100 mil palavras. Tenho pena que tenham esquecido em casa algumas das minhas preferidas. Talvez não tenha sido esquecimento, mas ciúmes: gostavam tanto delas que não queriam vê-las em nossas bocas. Há, definitivamente, todo um rol de palavras que nunca atravessaram o Atlântico.

Gosto em especial da palavra ronha – e de praticá-la. A palavra parece outra coisa, e de fato já foi: uma espécie de sarna, e, também, uma doença de plantas. Ninguém mais usa nesse sentido. A expressão "ficar na ronha" se refere à prática de abrir os olhos, mas permanecer na cama. Não imaginam minha excitação ao descobrir que existe uma palavra pro meu esporte preferido.

A arte da ronha consiste em acordar sem, no entanto, se levantar. Trata-se do primeiro trambique do dia: a procrastinada inaugural de todas as manhãs. "Dormi pouco", dizem, "mas fiquei duas horas na ronha" – e pode parecer que ronha equivale à função soneca. Não, durante a soneca voltamos a dormir. E na ronha permanecemos naquele meio termo que Proust demorou dez páginas pra descrever, mas aos portugueses bastaram cinco letras.

Tenho muita pena de não usarmos a palavra javardo. Trata-se de um sinônimo pra javali, mas que nunca será usado pra designar o animal propriamente dito. Chamam de javardo alguém que se comporta como um javali, ou melhor, que se comporta como imaginamos que um javali se comportaria: de forma grosseira, estúpida, abjeta. Gosto porque a palavra soa precisamente o que ela significa.

Da mesma forma, não há xingamentos bons como "aldrabão", termo que designa com especial precisão um farsante muito específico, algo entre o trapaceiro e o impostor, que comete aldrabices, pequenas fraudes – não confundir com batotas, outra palavra que não viajou, que se refere às trapaças vultosas quando cometidas dentro de um jogo, por exemplo, embora algumas sem grande importância.

De todas as palavras esquecidas, tenho uma predileta, aquela que designa a solução que resolve um problema de maneira temporária, mas não em definitivo: desenrascanço. Trata-se de uma gambiarra, mas não necessariamente mecânica – pode ser qualquer coisa que nos safe, como um papelão que faz às vezes de guarda-chuva. Gambiarra é um achado importante e gambiarra se aceita nesse contexto.

Nunca ouvi essa palavra em nossas bandas, e ao mesmo tempo nunca uma palavra definiu tão bem a atividade diária do brasileiro, esse desenrascado. Queria essa palavra em nossa bandeira: ordem, progresso e desenrascanço.

* É ator e escritor. Também é um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos.
Folha de São Paulo, Ilustrada, 01 dez. 2021. Adaptado
Considerando-se o posicionamento do autor a respeito de algumas palavras do português de Portugal que não se incorporaram ao nosso idioma, é correto afirmar que ele, no texto, mostra-se
Alternativas
Q2052413 Português
   O ano de 1833 aproximava-se do fim. A população de Santa Fé estava alvoroçada, pois confirmara-se a notícia de que em 1834 o povoado seria elevado a vila. No entanto o assunto preferido de todas as rodas era a política. Gente bem informada, vinda de Porto Alegre e do Rio Pardo, contava histórias sombrias. Depois da abdicação de d. Pedro I, as coisas na Corte andavam confusas. Seu filho, o Príncipe d. Pedro, não podia ser coroado porque era muito criança. Ali mesmo em Santa Fé, bem como acontecia nas carreiras, as pessoas tomavam partido. Uns eram pela maioridade; outros achavam que o melhor mesmo era que uma junta de homens direitos e sábios ficasse no governo. […]
    Muitas vezes o pe. Lara ia conversar com o cel. Ricardo no casario de pedra e vinha de lá com “notícias frescas”, que transmitia a alguns amigos na venda do Nicolau ou na do cap. Rodrigo. O cel. Amaral inclinava-se ora para o lado do Partido Restaurador, que desejava a volta de d. Pedro I ao trono, ora para o Partido Liberal de Bento Gonçalves, que se opunha àquele. Os restauradores tinham fundado a Sociedade Militar e Bento Gonçalves trouxera do Rio de Janeiro a promessa do governo central de impedir o funcionamento desse clube, que os liberais classificavam de retrógrado. Tudo parecia resolvido quando o comandante militar da Província, Sebastião Barreto, de novo tentou reerguer a Sociedade. Bento Amaral – que agora era representante em Santa Fé do juiz de paz de São Borja – chegara, havia pouco, de Porto Alegre e contava que a Câmara Municipal dera seu apoio aos liberais e que por sua vez o presidente da Província censurara esse pronunciamento da Câmara. Nas ruas da cidade, liberais e restauradores discutiam, diziam-se nomes, engalfinhavam-se a tapas e socos.

(Erico Verissimo. Um certo capitão Rodrigo. Companhia das Letras, 2005)

De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q2051795 Português
A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil.

Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou; ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva, com os seus mitos, suas legendas, seus encantamentos; insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração, suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte...

É ela o suspiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do norte.

(Por Caetano Veloso e Joaquim Nabuco. Noites do Norte) 
Podemos inferir, pela leitura do texto, EXCETO:  
Alternativas
Q2051794 Português
A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil.

Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou; ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva, com os seus mitos, suas legendas, seus encantamentos; insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração, suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte...

É ela o suspiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do norte.

(Por Caetano Veloso e Joaquim Nabuco. Noites do Norte) 
No trecho “ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva”, o termo destacado faz referência a que termo ou expressão?  
Alternativas
Q2051793 Português
A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil.

Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou; ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva, com os seus mitos, suas legendas, seus encantamentos; insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração, suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte...

É ela o suspiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do norte.

(Por Caetano Veloso e Joaquim Nabuco. Noites do Norte) 
A escravidão teria, segundo o texto, uma importância ____________ na caracterização do Brasil. O termo que completa corretamente a lacuna é: 
Alternativas
Q2051792 Português
A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil.

Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou; ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva, com os seus mitos, suas legendas, seus encantamentos; insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração, suas alegrias sem causa, sua felicidade sem dia seguinte...

É ela o suspiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do norte.

(Por Caetano Veloso e Joaquim Nabuco. Noites do Norte) 
Podemos afirmar corretamente que: 
Alternativas
Q2051784 Português
Marque a alternativa em que há emprego adequado do vocábulo destacado quanto ao seu significado empregado na frase.
Alternativas
Q2051690 Português


Disponível em: https://sme.goiania.go.gov.br/conexaoescola/ensino_fundamental/solidariedade-nao-tem-idade. Acesso em 16/05/22. 
No contexto do Texto, “o outro” deve ser compreendido como:
Alternativas
Q2051689 Português


Disponível em: https://sme.goiania.go.gov.br/conexaoescola/ensino_fundamental/solidariedade-nao-tem-idade. Acesso em 16/05/22. 
Para apreender a ideia principal do Texto, é necessário observar que ele se organiza na forma de: 
Alternativas
Q2051688 Português
Usou máscaras e cuidou dos outros? Isso é para você

Desde março de 2020 você tem se cuidado. Evitou sair sem necessidade, usou máscara até mesmo antes de ser obrigatório, praticou distanciamento social, protegeu colegas de trabalho e/ou funcionários. Não foi um período fácil. A você só tenho a dizer o seguinte: muito obrigada! Graças a você muitos de nós ficamos seguros, sem Covid19, sem chorar o sofrimento nem a morte de nenhum amor.

Não é pouca coisa, sabe? Claro que nesse período todo você deve ter se sentido pequeno, especialmente ao ver os números de contaminados e mortos aumentando todos os dias. Houve também o escárnio. Dos que não usam máscaras ou insistem em usá-las de forma inadequada. É um festival de máscara no queixo, com o nariz para fora. Gente que tira a máscara para falar ao telefone, para tossir, conversar de perto.

E o escárnio das autoridades, que nada fizeram para conter a epidemia de desinformação, para convencer as pessoas de que o simples ato de usar máscara corretamente salva vidas. Algumas até insistiram em minimizar a pandemia, desprezar os mortos, os doentes, a vacina.

Não foi fácil, né? Não está sendo fácil. A sensação é de estar nadando contra a maré, usando toda sua energia para dar braçada atrás de braçada sem sair do lugar. Mas você fez a coisa certa. Você gastou um dinheiro precioso em máscaras até para quem não queria usar. Migrou para a PFF2 quando isso passou a ser recomendado entre os especialistas, porque você lê os especialistas, aqueles de verdade, com mestrado, doutorado, Ph. D, e resistiu à tentação de se acomodar no conforto das mentiras convenientes.

Nesse mais de um ano você descobriu que não existe prêmio para quem faz a coisa certa. Pelo contrário, todo dia, toda hora, a decisão de se cuidar e cuidar dos outros enfrentou todo tipo de oposição, desde o familiar que insiste em visitas até o simples cansaço.

No entanto, saiba que nós vimos o que você fez e seremos eternamente gratos. Graças a você as coisas não foram piores, não estão piores. É difícil quantificar quantos sobreviveram graças a você. Mas sim, muitos sobreviveram por sua causa, porque você seguiu firme quando era mais fácil ceder.

Enquanto, para muitos, três mil, cinco mil mortes não chocavam, para você cada luz a se apagar foi uma perda pessoal. E você fez tudo ao seu alcance para não aumentar essa conta. Nós sabemos disso. Nós te reconhecemos na rua, na internet. Na marca da máscara no rosto, no seu cuidado com o outro, no olhar de esperança e de preocupação.

Quando tudo isso acabar, a gente te deve um abraço. A gente te deve muitos abraços. Mas por enquanto receba nossa gratidão. Devemos nossa vida a você. Obrigada. Muito obrigada.

Rosiane Correia de Freitas. Texto disponível em: https://www.plural.jor.br/artigos/usou-mascara-cuidou-dos-outrosisso-e-para-voce. Acesso em 16/05/22. Adaptado
Nos textos, escritos ou falados, costumamos substituir certas palavras ou expressões por pronomes, evitando, assim, a repetição desses termos. Assinale os trechos em que os pronomes sublinhados estão substituindo os termos indicados entre parênteses.
1. “E o escárnio das autoridades, que nada fizeram para conter a epidemia de desinformação, para convencer as pessoas de que o simples ato de usar máscara corretamente salva vidas. Algumas até insistiram em minimizar a pandemia, desprezar os mortos, os doentes, a vacina.”. (pessoas)
2. “Você gastou um dinheiro precioso em máscaras até para quem não queria usar. Migrou para a PFF2 quando isso passou a ser recomendado entre os especialistas, [...]”. (migrar para a PFF2)
3. “[...] porque você lê os especialistas, aqueles de verdade, com mestrado, doutorado, Ph. D, e resistiu à tentação de se acomodar no conforto das mentiras convenientes.”. (os especialistas)
4. “Enquanto, para muitos, três mil, cinco mil mortes não chocavam, para você cada luz a se apagar foi uma perda pessoal. E você fez tudo ao seu alcance para não aumentar essa conta. Nós sabemos disso.” (que cada luz a se apagar foi uma perda pessoal).

Os termos indicados entre parênteses substituem os pronomes sublinhados, apenas, em:
Alternativas
Q2051683 Português
Usou máscaras e cuidou dos outros? Isso é para você

Desde março de 2020 você tem se cuidado. Evitou sair sem necessidade, usou máscara até mesmo antes de ser obrigatório, praticou distanciamento social, protegeu colegas de trabalho e/ou funcionários. Não foi um período fácil. A você só tenho a dizer o seguinte: muito obrigada! Graças a você muitos de nós ficamos seguros, sem Covid19, sem chorar o sofrimento nem a morte de nenhum amor.

Não é pouca coisa, sabe? Claro que nesse período todo você deve ter se sentido pequeno, especialmente ao ver os números de contaminados e mortos aumentando todos os dias. Houve também o escárnio. Dos que não usam máscaras ou insistem em usá-las de forma inadequada. É um festival de máscara no queixo, com o nariz para fora. Gente que tira a máscara para falar ao telefone, para tossir, conversar de perto.

E o escárnio das autoridades, que nada fizeram para conter a epidemia de desinformação, para convencer as pessoas de que o simples ato de usar máscara corretamente salva vidas. Algumas até insistiram em minimizar a pandemia, desprezar os mortos, os doentes, a vacina.

Não foi fácil, né? Não está sendo fácil. A sensação é de estar nadando contra a maré, usando toda sua energia para dar braçada atrás de braçada sem sair do lugar. Mas você fez a coisa certa. Você gastou um dinheiro precioso em máscaras até para quem não queria usar. Migrou para a PFF2 quando isso passou a ser recomendado entre os especialistas, porque você lê os especialistas, aqueles de verdade, com mestrado, doutorado, Ph. D, e resistiu à tentação de se acomodar no conforto das mentiras convenientes.

Nesse mais de um ano você descobriu que não existe prêmio para quem faz a coisa certa. Pelo contrário, todo dia, toda hora, a decisão de se cuidar e cuidar dos outros enfrentou todo tipo de oposição, desde o familiar que insiste em visitas até o simples cansaço.

No entanto, saiba que nós vimos o que você fez e seremos eternamente gratos. Graças a você as coisas não foram piores, não estão piores. É difícil quantificar quantos sobreviveram graças a você. Mas sim, muitos sobreviveram por sua causa, porque você seguiu firme quando era mais fácil ceder.

Enquanto, para muitos, três mil, cinco mil mortes não chocavam, para você cada luz a se apagar foi uma perda pessoal. E você fez tudo ao seu alcance para não aumentar essa conta. Nós sabemos disso. Nós te reconhecemos na rua, na internet. Na marca da máscara no rosto, no seu cuidado com o outro, no olhar de esperança e de preocupação.

Quando tudo isso acabar, a gente te deve um abraço. A gente te deve muitos abraços. Mas por enquanto receba nossa gratidão. Devemos nossa vida a você. Obrigada. Muito obrigada.

Rosiane Correia de Freitas. Texto disponível em: https://www.plural.jor.br/artigos/usou-mascara-cuidou-dos-outrosisso-e-para-voce. Acesso em 16/05/22. Adaptado
A voz que fala no Texto dialoga diretamente com um “você”. Cabe ao leitor compreender que esse “você” se refere a:
Alternativas
Q2051681 Português
Usou máscaras e cuidou dos outros? Isso é para você

Desde março de 2020 você tem se cuidado. Evitou sair sem necessidade, usou máscara até mesmo antes de ser obrigatório, praticou distanciamento social, protegeu colegas de trabalho e/ou funcionários. Não foi um período fácil. A você só tenho a dizer o seguinte: muito obrigada! Graças a você muitos de nós ficamos seguros, sem Covid19, sem chorar o sofrimento nem a morte de nenhum amor.

Não é pouca coisa, sabe? Claro que nesse período todo você deve ter se sentido pequeno, especialmente ao ver os números de contaminados e mortos aumentando todos os dias. Houve também o escárnio. Dos que não usam máscaras ou insistem em usá-las de forma inadequada. É um festival de máscara no queixo, com o nariz para fora. Gente que tira a máscara para falar ao telefone, para tossir, conversar de perto.

E o escárnio das autoridades, que nada fizeram para conter a epidemia de desinformação, para convencer as pessoas de que o simples ato de usar máscara corretamente salva vidas. Algumas até insistiram em minimizar a pandemia, desprezar os mortos, os doentes, a vacina.

Não foi fácil, né? Não está sendo fácil. A sensação é de estar nadando contra a maré, usando toda sua energia para dar braçada atrás de braçada sem sair do lugar. Mas você fez a coisa certa. Você gastou um dinheiro precioso em máscaras até para quem não queria usar. Migrou para a PFF2 quando isso passou a ser recomendado entre os especialistas, porque você lê os especialistas, aqueles de verdade, com mestrado, doutorado, Ph. D, e resistiu à tentação de se acomodar no conforto das mentiras convenientes.

Nesse mais de um ano você descobriu que não existe prêmio para quem faz a coisa certa. Pelo contrário, todo dia, toda hora, a decisão de se cuidar e cuidar dos outros enfrentou todo tipo de oposição, desde o familiar que insiste em visitas até o simples cansaço.

No entanto, saiba que nós vimos o que você fez e seremos eternamente gratos. Graças a você as coisas não foram piores, não estão piores. É difícil quantificar quantos sobreviveram graças a você. Mas sim, muitos sobreviveram por sua causa, porque você seguiu firme quando era mais fácil ceder.

Enquanto, para muitos, três mil, cinco mil mortes não chocavam, para você cada luz a se apagar foi uma perda pessoal. E você fez tudo ao seu alcance para não aumentar essa conta. Nós sabemos disso. Nós te reconhecemos na rua, na internet. Na marca da máscara no rosto, no seu cuidado com o outro, no olhar de esperança e de preocupação.

Quando tudo isso acabar, a gente te deve um abraço. A gente te deve muitos abraços. Mas por enquanto receba nossa gratidão. Devemos nossa vida a você. Obrigada. Muito obrigada.

Rosiane Correia de Freitas. Texto disponível em: https://www.plural.jor.br/artigos/usou-mascara-cuidou-dos-outrosisso-e-para-voce. Acesso em 16/05/22. Adaptado
Sabemos que todo texto é escrito com um (ou mais de um) propósito(s). No caso do Texto, é CORRETO afirmar que a autora pretendeu, principalmente: 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: FAMES Prova: FCM - 2022 - FAMES - Assistente em Administração |
Q2051605 Português
Entenda como o coronavírus pode mudar até nosso
jeito de falar português

Walter Porto

O novo coronavírus veio provocar abalos na nossa relação com quase tudo em volta, inclusive com uma ferramenta de importância que nem sempre levamos em conta – as palavras. Termos que usávamos raramente, como quarentena e pandemia, se tornaram correntes ‒ já que pela primeira vez a nossa geração as vive na pele ‒ e outras expressões entraram com o pé na porta no léxico do dia a dia, caso de “distanciamento social”, “achatar a curva” e, claro, o próprio “coronavírus”.

Já outras palavras renovaram sua relevância, ganhando novos significados. “Vacina” é um anseio coletivo para o futuro, “gripe” se tornou um termo quase politizado, “peste” veio trotando de tempos antigos para se tornar assombrosamente atual.

O jornal britânico The Guardian conta que o dicionário Oxford teve uma atualização extraordinária no mês passado para adicionar palavras que tomaram o discurso global e entraram de supetão na língua inglesa, como “Covid-19”.

Tudo isso planta sementes de mudança no idioma ‒ essa entidade inquieta. Como disse o linguista português Vergílio Ferreira, “a própria língua, como ser vivo que é, decidirá o que lhe importa assimilar ou recusar”, cuspindo alguns arranjos novos, engolindo outros. Me resta imaginar como será o português depois dessas reviravoltas todas.

“Suponho que o que vai pegar mesmo é o que já pegou, o corona”, diz Deonísio da Silva, escritor e professor. “O futuro a Deus pertence, mas é difícil alguém se referir, lembra a Covid? Lembra o Sars, o coronavírus? A gente lembrará como os tempos do corona”. O próprio modo de chamar o vírus já é objeto de rinha política e, como lembra Sheila Grillo, “as palavras nunca são neutras, sempre trazem um recorte da realidade”.

Segundo o professor Deonísio da Silva, o desconhecido total, como uma situação de pandemia, faz com que aceitemos passivamente a entrada de siglas e procedimentos científicos nas falas cotidianas “como um valor absoluto” assim como a invasão dos neologismos, “que chegam à nossa casa mudando tudo”. “Não é possível que não tenhamos outro modo de entregar coisas em casa que não seja o 'delivery'”, afirma ele. “Outra palavra que de repente ficou indispensável é o ‘home office’, quando os portugueses, que adaptam muito, já usam o ‘teletrabalho.’”

Grillo lembra que, no esforço de tentar explicar fenômenos novos como este, é comum fazer empréstimos de outras línguas e atualizar termos antigos. “Alguns desses termos são impostos meio na marra”, diz o professor Pasquale Cipro Neto. “Isso é muito chato, quando o gerente do banco fala comigo que tem um ‘call’, que ‘call’?” E nesses tempos em que a testagem em massa tem sido um ponto focal de discussão, outro anglicismo tem dominado as notícias, o de que fulano “testou positivo”. “É traduzido diretamente do inglês”, diz Pasquale. “Não dá para dizer que é errado, porque o uso legitima a expressão, apesar de não ser a sintaxe portuguesa padrão. É uma tradução literal que vigora.”

Enquanto estamos no nosso "lockdown" particular, pedindo delivery pelo app, assistindo a lives e fazendo binge-watching no streaming, as palavras que usamos ganham vida, amadurecem, apodrecem. Sem que notemos, transformam-se.

Folha de São Paulo, Ilustrada, 1º mai. 2020. Adaptado.
Considerando-se as características e a estrutura do texto, é correto afirmar que ele apresenta
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: FAMES Prova: FCM - 2022 - FAMES - Assistente em Administração |
Q2051602 Português
Entenda como o coronavírus pode mudar até nosso
jeito de falar português

Walter Porto

O novo coronavírus veio provocar abalos na nossa relação com quase tudo em volta, inclusive com uma ferramenta de importância que nem sempre levamos em conta – as palavras. Termos que usávamos raramente, como quarentena e pandemia, se tornaram correntes ‒ já que pela primeira vez a nossa geração as vive na pele ‒ e outras expressões entraram com o pé na porta no léxico do dia a dia, caso de “distanciamento social”, “achatar a curva” e, claro, o próprio “coronavírus”.

Já outras palavras renovaram sua relevância, ganhando novos significados. “Vacina” é um anseio coletivo para o futuro, “gripe” se tornou um termo quase politizado, “peste” veio trotando de tempos antigos para se tornar assombrosamente atual.

O jornal britânico The Guardian conta que o dicionário Oxford teve uma atualização extraordinária no mês passado para adicionar palavras que tomaram o discurso global e entraram de supetão na língua inglesa, como “Covid-19”.

Tudo isso planta sementes de mudança no idioma ‒ essa entidade inquieta. Como disse o linguista português Vergílio Ferreira, “a própria língua, como ser vivo que é, decidirá o que lhe importa assimilar ou recusar”, cuspindo alguns arranjos novos, engolindo outros. Me resta imaginar como será o português depois dessas reviravoltas todas.

“Suponho que o que vai pegar mesmo é o que já pegou, o corona”, diz Deonísio da Silva, escritor e professor. “O futuro a Deus pertence, mas é difícil alguém se referir, lembra a Covid? Lembra o Sars, o coronavírus? A gente lembrará como os tempos do corona”. O próprio modo de chamar o vírus já é objeto de rinha política e, como lembra Sheila Grillo, “as palavras nunca são neutras, sempre trazem um recorte da realidade”.

Segundo o professor Deonísio da Silva, o desconhecido total, como uma situação de pandemia, faz com que aceitemos passivamente a entrada de siglas e procedimentos científicos nas falas cotidianas “como um valor absoluto” assim como a invasão dos neologismos, “que chegam à nossa casa mudando tudo”. “Não é possível que não tenhamos outro modo de entregar coisas em casa que não seja o 'delivery'”, afirma ele. “Outra palavra que de repente ficou indispensável é o ‘home office’, quando os portugueses, que adaptam muito, já usam o ‘teletrabalho.’”

Grillo lembra que, no esforço de tentar explicar fenômenos novos como este, é comum fazer empréstimos de outras línguas e atualizar termos antigos. “Alguns desses termos são impostos meio na marra”, diz o professor Pasquale Cipro Neto. “Isso é muito chato, quando o gerente do banco fala comigo que tem um ‘call’, que ‘call’?” E nesses tempos em que a testagem em massa tem sido um ponto focal de discussão, outro anglicismo tem dominado as notícias, o de que fulano “testou positivo”. “É traduzido diretamente do inglês”, diz Pasquale. “Não dá para dizer que é errado, porque o uso legitima a expressão, apesar de não ser a sintaxe portuguesa padrão. É uma tradução literal que vigora.”

Enquanto estamos no nosso "lockdown" particular, pedindo delivery pelo app, assistindo a lives e fazendo binge-watching no streaming, as palavras que usamos ganham vida, amadurecem, apodrecem. Sem que notemos, transformam-se.

Folha de São Paulo, Ilustrada, 1º mai. 2020. Adaptado.
A passagem transcrita que melhor endossa o propósito do título do texto está corretamente indicada em 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: FCM Órgão: FAMES Prova: FCM - 2022 - FAMES - Assistente em Administração |
Q2051601 Português
Entenda como o coronavírus pode mudar até nosso
jeito de falar português

Walter Porto

O novo coronavírus veio provocar abalos na nossa relação com quase tudo em volta, inclusive com uma ferramenta de importância que nem sempre levamos em conta – as palavras. Termos que usávamos raramente, como quarentena e pandemia, se tornaram correntes ‒ já que pela primeira vez a nossa geração as vive na pele ‒ e outras expressões entraram com o pé na porta no léxico do dia a dia, caso de “distanciamento social”, “achatar a curva” e, claro, o próprio “coronavírus”.

Já outras palavras renovaram sua relevância, ganhando novos significados. “Vacina” é um anseio coletivo para o futuro, “gripe” se tornou um termo quase politizado, “peste” veio trotando de tempos antigos para se tornar assombrosamente atual.

O jornal britânico The Guardian conta que o dicionário Oxford teve uma atualização extraordinária no mês passado para adicionar palavras que tomaram o discurso global e entraram de supetão na língua inglesa, como “Covid-19”.

Tudo isso planta sementes de mudança no idioma ‒ essa entidade inquieta. Como disse o linguista português Vergílio Ferreira, “a própria língua, como ser vivo que é, decidirá o que lhe importa assimilar ou recusar”, cuspindo alguns arranjos novos, engolindo outros. Me resta imaginar como será o português depois dessas reviravoltas todas.

“Suponho que o que vai pegar mesmo é o que já pegou, o corona”, diz Deonísio da Silva, escritor e professor. “O futuro a Deus pertence, mas é difícil alguém se referir, lembra a Covid? Lembra o Sars, o coronavírus? A gente lembrará como os tempos do corona”. O próprio modo de chamar o vírus já é objeto de rinha política e, como lembra Sheila Grillo, “as palavras nunca são neutras, sempre trazem um recorte da realidade”.

Segundo o professor Deonísio da Silva, o desconhecido total, como uma situação de pandemia, faz com que aceitemos passivamente a entrada de siglas e procedimentos científicos nas falas cotidianas “como um valor absoluto” assim como a invasão dos neologismos, “que chegam à nossa casa mudando tudo”. “Não é possível que não tenhamos outro modo de entregar coisas em casa que não seja o 'delivery'”, afirma ele. “Outra palavra que de repente ficou indispensável é o ‘home office’, quando os portugueses, que adaptam muito, já usam o ‘teletrabalho.’”

Grillo lembra que, no esforço de tentar explicar fenômenos novos como este, é comum fazer empréstimos de outras línguas e atualizar termos antigos. “Alguns desses termos são impostos meio na marra”, diz o professor Pasquale Cipro Neto. “Isso é muito chato, quando o gerente do banco fala comigo que tem um ‘call’, que ‘call’?” E nesses tempos em que a testagem em massa tem sido um ponto focal de discussão, outro anglicismo tem dominado as notícias, o de que fulano “testou positivo”. “É traduzido diretamente do inglês”, diz Pasquale. “Não dá para dizer que é errado, porque o uso legitima a expressão, apesar de não ser a sintaxe portuguesa padrão. É uma tradução literal que vigora.”

Enquanto estamos no nosso "lockdown" particular, pedindo delivery pelo app, assistindo a lives e fazendo binge-watching no streaming, as palavras que usamos ganham vida, amadurecem, apodrecem. Sem que notemos, transformam-se.

Folha de São Paulo, Ilustrada, 1º mai. 2020. Adaptado.
O primeiro parágrafo do texto traz uma opinião, um ponto de vista do autor.
“O novo coronavírus veio provocar abalos na nossa relação com quase tudo em volta, inclusive com uma ferramenta de importância que nem sempre levamos em conta – as palavras. Termos que usávamos raramente, como quarentena e pandemia, se tornaram correntes ‒ já que pela primeira vez a nossa geração as vive na pele ‒ e outras expressões entraram com o pé na porta no léxico do dia a dia, caso de ‘distanciamento social’, ‘achatar a curva’ e, claro, o próprio ‘coronavírus’”.
No primeiro parágrafo, segundo o autor, é correto afirmar que, com o advento da pandemia, algumas palavras e certas expressões que “usávamos raramente” 
Alternativas
Q2051420 Português
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
(Bertolt Brecht) 
Acerca das lições trazidas pelo texto, podemos inferir que:  
Alternativas
Respostas
20961: B
20962: D
20963: B
20964: B
20965: E
20966: D
20967: A
20968: D
20969: B
20970: B
20971: D
20972: C
20973: E
20974: D
20975: B
20976: C
20977: A
20978: E
20979: D
20980: C